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David Ricardo e a Teoria das Vantagens Comparativas

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David Ricardo (1722 – 1823)

Muito embora a escola clássica tenha Adam Smith como pioneiro e principal nome, outros
grandes nomes também se fazem importante, tais como: Thoma Methus, Jeans Baptiste Say,
David Ricardo, Etc., Estes nomes foram de suma importância para evolução da história
econômica.

David Ricardo desde sua tenra idade já atuava nos mercados financeiros londrinos,
como companheiro de jornada de Adam Smith teve seu papel crucial na história e espalhou e
consolidou alguns dogmas da escola clássica. Para D. Ricardo o trabalho se segmentava em
duas partes para produção de bens e serviços, sendo trabalho direto que seria propriamente a
mão de obra humana e o trabalho indireto contido nas máquinas e equipamentos. Esta
separação se dava pelo motivo de as maquinas serem manuseadas pelo homem no qual se
utilizava em detrimento de algo, ou seja, uma das ideias discorridas pelo D. Ricardo seria aos
“Rendimentos Decrescentes” que se analisarmos como exemplo o agro, a terra precisa depois
do plantio ter seu tempo de recuperação, pois o uso excessivo faz com que o volume de
produção diminua, aumentando os preços dos alimentos e dos salários e consequentemente
gerando inflação e estacionando o crescimento econômico. No caso, a mão de obra humana
não se da somente ao trabalho braçal, mas no conhecimento prático do trabalho, numa
situação como essa num plantio de quatro alqueire, pode-se usar dois por safra fazendo que a
produção não fique estacionada e a produção e crescimento seja contínuo. Neste fenômeno
podemos observar que mesmo com equipamentos a produção pode ser interrompida, e por
esse motivo é classificada como trabalho indireto.

Outra ideia difundida por D. Ricardo seria de criação monetária excessiva com impacto
na inflação, um exemplo na época era de que a Inglaterra quando entrou em conflito com a
França, tinha com estratégia a emissão monetária para financiamento dos gastos, e para
[Link] o papel moeda era como qualquer outro bem, uma excessiva quantidade iria
desvalorizar o produto, assim como demonstrado no caso anterior. No caso a pauta defendida
era que se precisava equilibrar a emissão para não desenfrear a inflação, e neste conceito a
proposta era de que se limitasse a criação de papel moeda de acordo com a quantidade de
ouro que se tinha posse. Neste caso é importante observar que não é uma questão
quantitativa, visto que com a alta inflação o poder de compra se diminuirá no que irá ser
necessário mais e mais para se comprar o que antes se adquiria com pouco.

A maior contribuição para o desenvolvimento econômico proposto por D. Ricardo foi a


contribuição para a troca internacional, onde os países poderiam trocar aquele produto que
tinham em maior quantidade por produtos que eram escassos. Para discorrer sobre o assunto,
uma coisa precisa ser explicada, segundo o “artigo As duas vias do princípio das vantagens
comparativas de David Ricardo e o padrão-ouro” a teoria de livre comércio de Adam Smith
apresentou certas vulnerabilidades corrigidas pelo D. Ricardo com a teoria das vantagens
comparativas, visto que quando falamos de mercado internacional, também estamos falando
de diferentes culturas e moedas, neste cenário a proposta foi para calcular o valor da
mercadoria pelo tempo de produção, nesse caso poderia se facilitar o cambio de peles e vinho
tendo um ponto de partida para regra de negociação, mas também facilitava que o mesmo
produto fosse fabricado em um pais e vendido em outro para uma maior lucratividade. Para
esclarecer este princípio D. Ricardo se utiliza de dois países sendo Inglaterra e Portugal, e
apenas dois produtos sendo vinho e tecido, neste cenário suponha que o tonel de vinho valha
70/80 = 0,875 peças de tecido em Portugal e 120/100 = 1,20 peças de tecido na Inglaterra; ou
seja, uma peça de tecido valha 80/70 = 1,142 tonéis de vinho em Portugal e 100/120 = 0,833
na Inglaterra. Assumindo, então, que esses dois países assinem um tratado de livre-comércio,
nesta equação iremos desconsiderar os gastos logísticos, proteção, etc., um comerciante
poderia transportar 1.000 peças de tecido da Inglaterra para Portugal, onde poderia trocá-las
por 1.000 x 1,142 = 1.142 tonéis de vinho. Transportando, então, o vinho assim obtido para a
Inglaterra, poderia trocá-lo novamente por tecidos, obtendo 1.142 x 1,20 = 1.370 peças de
tecido. A operação, portanto, daria um ganho de 370 peças de tecido (ou 37%) toda vez que
fosse realizada.

Conforme conclui Ricardo (1817, Cap. VII: 104-105):

"em Portugal, a produção de vinho pode requerer


somente o trabalho de 80 homens por ano, enquanto a
fabricação de tecido necessita do emprego de 90
homens durante o mesmo tempo. Será, portanto,
vantajoso para Portugal exportar vinho em troca de
tecidos. Essa troca poderia ocorrer mesmo que a
mercadoria importada pelos portugueses fosse
produzida em seu país com menor quantidade de
trabalho que na Inglaterra. Embora Portugal pudesse
fabricar tecidos com o trabalho de 90 homens, deveria
ainda assim importá-los de um país onde fosse
necessário o emprego de 100 homens, porque lhe seria
mais vantajoso aplicar seu capital na produção de
vinho, pelo qual poderia obter mais tecido na Inglaterra
do que se desviasse parte de seu capital do cultivo da
uva para a manufatura daquele produto."

CONSIDERAÇÕES

O pensamento econômico atual, possui fundamentos discorridos por diversas escolas e


obviamente uma delas é a clássica, David Ricardo discorreu sobre temas que ainda nos dias de
hoje são pautas, obviamente de formas diferentes devido o avanço das interações e e
mudanças na sociedade. A tema inflação por exemplo podemos catalogar o brasil como um
grande material de estudo com a mudança do Cruzado, Cruzeiro e Real, visto que de formas
diferentes caíram dentro do mesmo aspecto quantitativo. Já as relações internacionais não hão
mais a necessidade de calcular o tempo gasto na produção, visto que com o avanço das
economias, cada moeda possui seu valor no qual calculamos pelo câmbio, neste caso a
interação internacional é absurdamente necessária, pois a implantação de produtos novos faz-
se sempre que a economia local gire e se desenvolva de forma natural.
BATISTA, João Marcos. A evolução da economia: uma abordagem histórica sobre os principais
modelos, teorias e pensadores. Revista Uniaraguaia, v. 2, n. 2, p. 286-302, 2012.

GONTIJO, Cláudio. As duas vias do princípio das vantagens comparativas de David Ricardo e
o padrão-ouro: um ensaio crítico. Brazilian Journal of Political Economy, v. 27, p. 413-430,
2007.

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