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Ação de Indenização por Abuso Policial

GTA

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PETIÇÃO INICIAL

EXCELENTÍSSIMO(A) SENHOR(A) JUIZ(A) DE DIREITO DE PARAISÓPOLIS.

ENDEREÇAMENTO:

Raridade BeiraMar, Brasileiro, Solteiro, Autônomo, portador(a) do RG


nº 28642, residente e domiciliado(a) em Paraisópolis, vem,
respeitosamente, perante Vossa Excelência, por intermédio de seu
advogado Chico Bucica, com endereço profissional na Avenida Brigadeiro
Faria Lima (Paraisópolis), propor a presente

AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS, ASSÉDIO E ABUSO DE AUTORIDADE

venho, por meio desta, formalizar denúncia contra agentes da Polícia


Militar de Paraisópolis pelos abusos e irregularidades descritos
abaixo, ocorridos durante uma ação na região do Banco Central e
posteriormente no Inferninho, conforme detalhado.

I - QUALIFICAÇÃO DAS PARTES:

Autor(a): Raridade BeiraMar, Brasileiro, Solteiro, Autônomo,


portador(a) do RG nº 28642, residente e domiciliado(a) em
Paraisópolis.

Réu: Polícia Militar de Paraisópolis

II - FATOS:

1. Abordagem Inicial
o O Sr. Raridade BeiraMar estava em deslocamento com seu grupo em direção à
região do Banco Central quando foi surpreendido por um kuruma preto saindo em
alta velocidade da região de disparos. Para se protegerem, seguiram em direção a
região do Inferninho, aguardando um amigo que havia enfrentado problemas
técnicos (crash).
o Durante esse período, agentes da PMESP chegaram ao local e acusaram, de forma
infundada, os envolvidos de disparo de arma de fogo (QRU de disparo). A
acusação foi negada, mas, ao se recusarem a obedecer ordens consideradas
injustas, por estarem fora da região supracitada, os policiais utilizaram tasers
contra eles.
2. Abuso de Autoridade e Irregularidades na Condução
o Após a abordagem, houve uso indevido da mecânica "H", onde o cliente foi
carregado manualmente pelos braços. O Sr. Raridade BeiraMar foi conduzido
para uma área safe, enquanto as viaturas policiais desapareceram uma a uma do
local. Os policiais ainda acusaram os abordados de provocarem esse
desaparecimento, sem fundamento lógico.
o Em seguida, foram colocados em uma viatura e conduzidos ao DP. No local, o
“Steve” que se declarava como comandante geral (ID 191) realizou uma troca de
roupa na frente dos detidos e posteriormente os levou para a sala de prisão.
3. Discriminação Racial e Quebra de Imersão no RP
o Durante a revista no DP, a agente feminina "Fox" proferiu o termo "nengue" ao se
referir a um dos integrantes do grupo. Em língua africana, "nengue" significa
"negro", configurando discriminação racial (dark).
o Essa mesma agente apreendeu itens de um outro cidadão que estava no mesmo
carro que o Sr. BeiraMar e que assim como o mesmo não estava envolvido no
QRU de disparo e ordenou que ele enviasse uma mensagem no chat geral,
caracterizando quebra de imersão (metagaming).
4. Excesso de Penalidade e Flaming
o Durante o procedimento, um dos "Steve’s" aplicou mais artigos do que o
necessário ao Sr. Raridade BeiraMar, sentenciando-o a 215 meses de prisão. No
entanto, ao chegar na cadeia, a pena foi reduzida para 100 meses sendo a pena
máxima a ser cumprida na cidade.

III - FUNDAMENTOS:

1. Abuso de autoridade
o Lei nº 13.869/2019, Art. 9º
“Decretar medida de privação da liberdade em manifesta desconformidade com
as hipóteses legais:”
 Aplicado pela prisão arbitrária do Sr. Raridade BeiraMar sem evidências
concretas de envolvimento no disparo de arma de fogo.
2. Discriminação racial
o Constituição Federal de 1988, Art. 5º, Inciso XLII
“A prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível.”
o Lei nº 7.716/1989, Art. 20
“Praticar, induzir ou incitar discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia,
religião ou procedência.”
 Configurada pelo uso do termo “nengue” por parte da agente feminina
“Fox”, o que caracteriza discriminação racial em um contexto ofensivo.

3. Quebra de imersão e uso indevido de autoridade no RP


o Normas internas do servidor de GTA RP
 Configurada pela ordem para envio de mensagem em chat geral, o que
caracteriza metagaming, e pelo uso indevido de mecânicas, como "H" para
transporte manual de detidos.
4. Irregularidades administrativas e procedimentais
o Lei nº 8.112/1990, Art. 116, Inciso III
“É dever do servidor observar as normas legais e regulamentares.”
o O desaparecimento das viaturas policiais e a troca de roupas no DP por parte do
alto intitulado comandante geral (ID 191) configuram condutas incompatíveis
com os padrões exigidos para o exercício da função.

5. Assédio e violação dos protocolos de Abordagem


o Lei nº 10.224/2001 (Art. 216-A do Código Penal)
“Constranger alguém com o intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual,
prevalecendo-se o agente de sua condição de superior hierárquico ou ascendência
inerentes ao exercício de emprego, cargo ou função.”
o Embora não se trate de assédio sexual, a conduta da agente "Fox" em realizar a revista
pessoal do Sr. Raridade BeiraMar (sexo masculino), sem autorização e sem uso da box
apropriada, configura abuso moral e violação dos protocolos regulamentares.
o Tal prática expôs o cliente a constrangimento, além de ir contra as normas internas do
servidor que determinam que revistas sejam realizadas por agentes do mesmo sexo ou
com uso de ferramentas adequadas para evitar situações de desconforto ou abuso.

IV - PEDIDOS:

Diante do exposto, requer-se a Vossa Excelência:

1. Abertura de investigação interna para apurar as irregularidades cometidas.


2. Exoneração dos agentes diretamente envolvidos nas práticas de discriminação racial
(dark) e quebra de imersão.
3. Afastamento de todos os envolvidos na ação até a conclusão do processo, com
reabilitação dos que não forem exonerados para o retorno às atividades.
4. Pagamento de R$ 10.000.000,00 por abuso de autoridade, R$ 10.000.000,00 por danos
morais e mais R$ 10.000.000,00 por assédio, totalizando um montante de R$
30.000.000,00 (trinta milhões de reais).
5. Fica determinado o pagamento de 20% do valor da causa em honorários advocatícios.

V - PROVAS:
Para comprovação dos fatos narrados, o Autor junta à presente os
seguintes documentos:
Gravações da GoPro do autor do processo.
[Link]
MSx6MGUsMzAxODE0MTkzLA
[Link]
MSw1MWYsMzAxODE0MTkzLA
[Link]
MSw5alYsMzAxODE0MTkzLA

VI – DA CAUSA:

A presente denúncia tem como causa a sucessão de abusos de autoridade, discriminação racial,
aplicação desproporcional de penalidades e violações de normas do servidor, cometidos durante
a abordagem e posterior condução do Sr. Raridade BeiraMar e seu grupo pela equipe da Polícia
Militar Estadual na região do Banco Central e Inferninho.

Tais condutas, além de desrespeitarem os direitos fundamentais garantidos pela Constituição e


normas internas do servidor, geraram prejuízos materiais e morais ao Sr. Raridade BeiraMar, que
foi exposto a práticas abusivas, racistas e desproporcionais por parte dos agentes envolvidos.

A causa do processo está fundamentada nos atos narrados, que evidenciam:

1. Condutas abusivas: Uso de força desnecessária, falsas acusações, transporte indevido


utilizando mecânicas do jogo e prisão arbitrária.
2. Discriminação racial: Proferimento de termos racistas contra um dos integrantes do
grupo, violando princípios constitucionais de igualdade.
3. Quebra de imersão no RP: Utilização de práticas proibidas, como "metagaming",
abandono de viaturas sem justificativa, e ordens fora do contexto imersivo do jogo.
4. Assédio moral e violação de protocolos de revista: Durante a abordagem, a agente
identificada como "Fox" realizou revista pessoal no Sr. Raridade BeiraMar, de sexo
masculino, sem a devida autorização e sem o uso da box apropriada, conforme
regulamentação do servidor. Essa conduta caracteriza desrespeito às normas de
abordagem e exposição desnecessária do cliente.

Dessa forma, a causa do presente processo busca garantir a responsabilização dos agentes
envolvidos, a reparação dos danos causados e a adoção de medidas para evitar a reincidência de
condutas similares.

Paraisópolis, 04 de Dezembro de 2024.

Chico Bucica
ADVOGADO DA OAP

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