PETIÇÃO INICIAL
EXCELENTÍSSIMO(A) SENHOR(A) JUIZ(A) DE DIREITO DE PARAISÓPOLIS.
ENDEREÇAMENTO:
Mirtao Cruz, brasileiro, solteiro, aposentado, portador(a) do RG nº
3004, residente e domiciliado(a) em Paraisópolis, vem,
respeitosamente, perante Vossa Excelência, por intermédio de seu
advogado Advan Lima, com endereço profissional na Avenida Brigadeiro
Faria Lima, propor a presente
AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS, INJÚRIA E ABUSO DE AUTORIDADE
I - QUALIFICAÇÃO DAS PARTES:
Autor(a): Mirtao Cruz, brasileiro, solteiro, aposentado, portador(a)
do RG nº 3004, residente e domiciliado(a) em Paraisópolis.
Réu: KENAI BRAGA - 3236
II - FATOS:
No dia 22/12/2024, o requerente encontrava-se no interior de seu
veículo, na avenida Rio Branco, quando foi abordado por uma guarnição
policial. Ressalte-se que o local era, naquele momento, palco de uma
ocorrência envolvendo quatro homicídios.
Sem qualquer elemento concreto que o vinculasse aos fatos
investigados, os agentes policiais abordaram o meu cliente de maneira
violenta e desproporcional. Utilizando a viatura oficial, os policiais
colidiram diversas vezes contra o veículo do mesmo, causando-lhe danos
materiais significativos. Sob coação, o meu cliente desceu do veículo
e, imediatamente, foi agredido fisicamente com o uso de um cassetete
por um dos policiais, que também o insultou, chamando-o de
“vagabundo”.
Em seguida, o meu cliente foi algemado de forma arbitrária, embora não
tenha resistido à abordagem ou representado qualquer risco à
integridade dos policiais ou de terceiros. Importa destacar que há
gravações em vídeo que demonstram que os verdadeiros autores dos
homicídios eram outros indivíduos, não havendo qualquer fundamento
para vincular o Requerente àqueles crimes.
III - FUNDAMENTOS:
Os fatos narrados configuram violação dos seguintes artigos:
A conduta dos agentes policiais é manifestamente ilegal e afronta
direitos fundamentais assegurados pela Constituição Federal de 1988,
além de configurar abuso de autoridade, nos termos da Lei nº
13.869/2019.
1. Princípios Constitucionais Violados:
Os atos praticados pelos agentes violaram:
• O princípio da dignidade da pessoa humana (art. 1º, III, da CF);
• O princípio da legalidade (art. 5º, II, da CF), ao se realizarem
atos sem qualquer embasamento legal;
• A proibição de tratamento desumano ou degradante (art. 5º, III,
da CF);
• O direito à integridade física e moral do requerente (art. 5º,
XLIX, da CF).
2. Violência e Abuso de Autoridade:
Nos termos da Lei nº 13.869/2019, a conduta dos policiais configura:
• Art. 9º: Submeter o abordado a violência física ou grave
sofrimento;
• Art. 13: Submeter pessoa presa ou detida a situação vexatória ou
constrangedora;
• Art. 38: Algemar sem justificativa plausível, em afronta à Súmula
Vinculante nº 11 do STF.
Ademais, o insulto dirigido ao meu cliente, ao ser chamado de
"vagabundo", configura o crime de injúria, previsto no art. 140 do
Código Penal, uma vez que teve o intuito de ofender a honra subjetiva
do mesmo, agravando ainda mais a conduta abusiva dos agentes.
IV - PEDIDOS:
Diante do exposto, requer-se a Vossa Excelência:
1. A instauração de procedimento interno para a rigorosa apuração
das irregularidades cometidas pelos agentes policiais envolvidos;
2. A exoneração dos agentes diretamente responsabilizados pelas
práticas abusivas apuradas;
3. O afastamento imediato de todos os envolvidos na ação, com a
reabilitação daqueles cuja responsabilização não for comprovada,
para o retorno regular às suas atividades;
4. A condenação do Réu ao pagamento de indenização no montante de R$
30.000.000,00 (trinta milhões de reais), distribuídos da seguinte
forma:
a. R$ 10.000.000,00 (dez milhões de reais) por abuso de
autoridade;
b. R$ 10.000.000,00 (dez milhões de reais) por danos morais;
c. R$ 10.000.000,00 (dez milhões de reais) por injúria.
5. A fixação de honorários advocatícios no percentual de 20% (vinte
por cento) sobre o valor da causa, a serem pagos pelo Requerido.
V - PROVAS:
Para comprovação dos fatos narrados, o Autor junta à presente os
seguintes documentos:
Gravação da GoPro do autor do processo.
[Link]
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VI – DA CAUSA:
A presente denúncia tem como fundamento uma sequência de atos que
configuram abuso de autoridade, injúria e danos morais e/ou materiais,
ocorridos durante a abordagem por parte da equipe da Polícia Civil, na
região da Avenida Rio Branco.
As condutas mencionadas não apenas desrespeitam os direitos
fundamentais assegurados pela Constituição Federal, como também
acarretaram prejuízos materiais e morais ao meu cliente. Este foi
submetido a práticas abusivas, discriminatórias e desproporcionais por
parte dos agentes envolvidos, ferindo gravemente os princípios da
dignidade da pessoa humana e da igualdade.
A fundamentação da presente denúncia baseia-se nos atos relatados, os
quais evidenciam as seguintes irregularidades:
Condutas Abusivas
Os agentes envolvidos praticaram condutas que violam os princípios
éticos e legais que regem a atuação policial, incluindo:
• Uso de força desnecessária: Os agentes empregaram violência de
forma desproporcional e injustificada, resultando em
constrangimento físico e psicológico à vítima.
Injúria
Durante a abordagem e condução, os agentes proferiram palavras
ofensivas e discriminatórias ao meu cliente. Tais ações constituem
injúria, configurada pela intenção de humilhar e desrespeitar, em
flagrante descumprimento das normas legais e éticas. A injúria não
apenas ofende a dignidade da pessoa diretamente atingida, mas também
perpetua práticas discriminatórias inaceitáveis.
Danos Morais
As condutas dos agentes resultaram em sérios danos morais ao meu
cliente, que foi submetido a constrangimento, humilhação e violação de
sua integridade moral. A exposição pública das práticas abusivas e
discriminatórias gerou profundo abalo psicológico e prejuízo à imagem
e honra do denunciante, configurando a necessidade de reparação
proporcional ao sofrimento causado.
Dessa forma, a causa do presente processo busca assegurar:
1. A responsabilização dos agentes envolvidos, com a devida apuração
e aplicação das penalidades cabíveis.
2. A reparação dos danos causados, incluindo indenização pelos
prejuízos morais e materiais sofridos.
3. A adoção de medidas preventivas para evitar a reincidência de
condutas similares, garantindo o cumprimento das normas e dos
direitos fundamentais.
Paraisópolis, 23 de Dezembro de 2024.
ADVAN LIMA
ADVOGADO DA OAP