CME - CENTRAL DE MATERIAL ESTERILIZADO
CME é a sigla de Central de Material Esterilizado, local onde são
processados os produtos para saúde dentro de clínicas e hospitais. Na CME
são realizados os procedimentos de limpeza, preparo da carga de esterilização
e do equipamento médico, esterilização de material cirúrgico, entre outros
processos.
A Central é de suma importância uma vez que garante que o
equipamento de saúde esteja livre de agentes contaminantes causadores de
infecções. Sem o cuidado da CME, os pacientes, e até mesmo os próprios
profissionais de saúde, ficam expostos e podem se infectar.
Desse modo, os profissionais que atuam na CME têm grande
importância para a biossegurança e o cuidado com os pacientes, bem como as
equipes médicas e de enfermagem que atendem às pessoas diretamente.
A RDC 15, no artigo 4º, inciso III, define CME da seguinte forma:
“centro de material e esterilização – CME: unidade funcional destinada ao
processamento de produtos para saúde dos serviços de saúde;”
Em outras palavras, a CME é a unidade dentro do hospital onde os
PPS (Produtos para a Saúde) são processados, assim, pode-se dizer que é o
local destinado a receber os materiais considerados sujos e contaminados para
que possam ser limpos e esterilizados. Lá ocorrem os processos de limpeza,
descontaminação, desinfecção e esterilização dos produtos para a saúde que
serão utilizados em todos os setores do hospital. É também o local onde ocorre
o preparo, esterilização e armazenamento de roupas oriundas da lavanderia.
Existem três tipos de CME que são classificadas conforme sua forma
de funcionamento. Ela pode ser descentralizada, semi-centralizada e
centralizada.
1- Descentralizada
Nesse formato de CME, cada unidade hospitalar é responsável pela
limpeza e esterilização dos materiais hospitalares que são utilizados.
2- Semi-centralizada
Na CME semi-centralizada, cada unidade hospitalar faz o preparo
inicial do material sujo que foi utilizado, e o encaminha para a esterilização que
ocorre em um único local do hospital.
3- Centralizada
Aqui, todos os materiais do hospital são preparados, esterilizados e
distribuídos em uma única CME que atende a todos os setores do hospital.
Esse é o tipo de CME possibilita a padronização das técnicas de esterilização,
maior eficiência e segurança dos processos, melhor controle dos materiais e
economia para o hospital.
CLASSIFICAÇÕES DA CME
Conforme a RDC15, as CMEs são classificadas em CME Classe I e
CME Classe II. A CME Classe I é aquela que realiza o processamento de
produtos para a saúde não-críticos, semicríticos e críticos de conformação não
complexa, passíveis de processamento. Já a CME Classe II é aquela que
realiza o processamento de produtos para a saúde não-críticos, semicríticos e
críticos de conformação complexa e não complexa, passíveis de
processamento.
A CME é composta por cinco áreas, sendo elas: área contaminada
(também chamada de expurgo ou área suja), área de preparo, área de
esterilização, área de armazenamento e área de dispensação.
1- Área Contaminada
É a área destinada ao recebimento de material contaminado
proveniente de todas as unidades do hospital e onde é efetuada a limpeza do
material.
2- Área de Preparo
É a área onde os materiais são inspecionados, preparados,
empacotados e identificados para posterior esterilização e onde se prepara
todo o material de consumo.
3- Área de Esterilização
É a área em que se esterilizam os materiais.
4- Área de Armazenamento
É um local de grande importância, pois nele fica estocado todo o
material esterilizado a ser distribuído para as unidades do hospital.
5- Área de Dispensação
É a área onde se processa a distribuição do material estéril.
ETAPAS DO PROCESSAMENTO NA CME
A primeira etapa é a da inspeção do material sujo recebido. Nesta
etapa verifica-se a integridade do material e sua funcionalidade. Em CMEs com
sistema de rastreabilidade, nesta etapa é registrada a “entrada do material” na
CME. Em seguida começa o processo da limpeza, que pode ser manual ou
automatizada, em lavadoras ultrassônicas ou termodesinfectadora. Entretanto,
é uma boa prática executar sempre a limpeza manual mesmo quando for
utilizada a limpeza automatizada.
Após a limpeza, começa o preparo do material.
O material uma vez preparado, segue para a embalagem com
materiais adequados, e nesta parte, são montadas as bandejas e os kits, e os
materiais são embalados e etiquetados, com insumos próprios para a
esterilização.
Comumente, os materiais são empacotados com SMS – em duas
camadas – ou é utilizado papel grau cirúrgico e a seladora para isolar o
material. Assim, o material é destinado para a esterilização (por diferentes
métodos). Após a esterilização adequada, o material é armazenado até o
momento do transporte do material para os setores. Desse modo, um sistema
de gestão e rastreabilidade de CMEs tem sido cada vez mais importante para
garantir a eficiência destes processos e a rastreabilidade completa de cada
etapa do reprocessamento.