PEDAGOGIA
Unidade 2
FUNDAMENTOS DA
ANTROPOLOGIA E
SOCIOLOGIA
2
APRESENTAÇÃO
Caro (a) Graduando (a),
Seja bem vindo ao Ensino a Distância (EAD) do Instituto de Educação e Inovação (IEDi)
Você tem em mãos o material da disciplina em EAD, cujo objetivo é orientá-lo (a) nos
estudos para enriquecer seu aprendizado, facilitando a compreensão dos conteúdos.
A temática da disciplina será dividida em cinco unidades didáticas dispostas da seguinte
maneira:
I - Ambientação e Apresentação teórica;
II - Unidade de ensino
III - Unidade de ensino
IV - Unidade de ensino
V - Avaliações
Além dos cadernos de estudo, a metodologia IEDi conta com chat síncronos, fóruns
interativos e avaliações ao final das unidades de ensino.
O conteúdo das unidades está estruturado a fim de apresentar uma visão teórica de cada
um dos pontos da ementa e orientar a realização das atividades no final das unidades.
Não esqueça que o resultado positivo dos estudos só acontecerá mediante o cumprimento
de alguns passos:
Organização e otimização do seu tempo;
Leitura atenta do material;
Registro das anotações;
Realização de todas as atividades;
3
Comunicação aberta com o professor / tutor da disciplina sempre que as dúvidas surgirem.
Extrapole o campo de leitura, cerque-se de livros, torne-se mais curioso (a) por novas
descobertas, habitue-se a comprar livros e/ou emprestá-los na biblioteca virtual
([Link] que a faculdade lhe oferece.
Desejamos que tenha muito sucesso.
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PLANO DE ENSINO
DISCIPLINA: FUNDAMENTOS DA ANTROPOLOGIA E SOCIOLOGIA
CARGA HORÁRIA: 72 horas
OBJETIVOS
• Compreender o conceito de Antropologia e Sociologia.
• Promover o debate sobre visões de mundo e construção do ser social.
• Analisar a contribuição da ciência antropológica e sociológica para a construção da identidade
nacional brasileira.
EMENTA
Conceito de Antropologia; Escolas Antropológicas: Antropologia Geral e Antropologia Social; olhar
antropológico sobre o outro; etnocentrismo; colonialismo. Indivíduo e sociedade. Nascimento da
sociologia, revolução científica e tecnologia. Principais pensamentos e pensadores da sociologia:
Auguste Comte, Émile Durkheim, Karl Max e Weber. Transição do ser biológico para o ser social;
Construção da sociedade brasileira pelo viés sociológico e antropológico.
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Módulo CONTEÚDO PROGRAMÁTICO
Fundamentos da antropologia
Conceito iniciais da antropologia
01
Escolas antropológicas: Antropologia Geral e Antropologia social
Etnocentrismo e Colonialismo: atualização da representação
do outro na antropologia
Fundamentos da Sociologia
Indivíduo e sociedade
Nascimento da sociologia, revolução científica e tecnologia.
02
Principais pensamentos e pensadores da sociologia: Auguste Comte,
Émile Durkheim, Karl Max e Weber.
Socialização: a criação do ser social.
Contribuições da Antropologia e Sociologia no olhar
sobre os sujeitos sociais
Transição do ser biológico para o ser social
03
Construção da sociedade brasileira pelo viés sociológico e
antropológico.
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BIBLIOGRAFIA
BÁSICA
ABU-LUGHOD, Lila. A Escrita contra a cultura. Equatorial – Revista do Programa de
Pós-Graduação em Antropologia Social, [S. l.], v. 5, n. 8, p. 193–226, 2018.
BARRETT, Stanley R. Antropologia: guia do estudante à teoria e ao método antropológico.
Tradução de Fábio Creder. – Petrópolis, RJ: Vozes, 2015.
CANDEA, Matei. Escolas e Estilos de teoria antropológica. Organização Matei Candeia; tradução
Fábio Creder. – Petrópolis, RJ: Vozes, 2022.
DA MATTA, Roberto. Relativizando: uma introdução à Antropologia Social. Rio de Janeiro: Rocco,
2010.
SILVA, Kalina Vanderlei. Dicionário de conceitos históricos / Kalina Vanderlei Silva, Maciel
Henrique Silva. – [Link]., 2ª reimpressão. – São Paulo: Contexto, 2009.
FERREIRA, Roberto Martins. Sociologia da educação. 1ª edição. São Paulo: Moderna, 1993.
MARTINS, Carlos Benedito. O que é Sociologia. São Paulo: Brasiliense, 2007, página46.
COMPLEMENTAR
BUTLER, Judith. Vida precária. Contemporânea-Revista de Sociologia da UFSCar, v. 1, n. 1, p.
13-13, 2011.
GEERTZ, Clifford. Uma descrição densa: por uma teoria interpretativa da cultura. In: GEERTZ,
Clifford. A interpretação das culturas. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1989. cap. 1, p. 15-54.
BRONISLAW, Malinowski. Argonautas do Pacífico Ocidental. São Paulo: Abril Cultural, 1984.
CHAUÍ, Marilena. Filosofia e Sociologia – volume único. 1ª edição. São Paulo: Ática Didáticos,
2019.
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Sumário
2.1. O NASCIMENTO DA SOCIOLOGIA.......................................................................................9
INDIVÍDUO E SOCIEDADE............................................................................................................9
REVOLUÇÃO CIENTÍFICA............................................................................................................10
TRANSFORMAÇÕES SOCIAIS E ECONÔMICAS........................................................................11
2.2. PRINCIPAIS TEORIAS E PENSADORES DA SOCIOLOGIA................................................13
AUGUSTE COMTE (1798-1857): POSITIVISMO – O EMBRIÃO DA SOCIOLOGIA.....................13
ÉMILE DURKHEIM (1858-1917): DURKHEIM E A SOCIOLOGIA CIENTÍFICA............................14
KARL MARX (1818-1833): KARL MARX E O MATERIALISMO HISTÓRICO................................15
MAX WEBER (1864-1920): MAX WEBER E A SOCIOLOGIA COMPREENSIVA..........................17
2.3. SOCIALIZAÇÃO: A CRIAÇÃO DO SER SOCIAL..................................................................18
SOCIALIZAÇÃO: A CRIAÇÃO DO SER SOCIAL..........................................................................18
SOCIALIZAÇÃO PRIMÁRIA...........................................................................................................19
SOCIALIZAÇÃO SECUNDÁRIA.....................................................................................................20
Referência....................................................................................................................................21
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O NASCIMENTO DA SOCIOLOGIA
Se for comparada com disciplinas como a à geometria, à física, à astronomia ou mesmo à econo-
mia, a sociologia é bem recente. Tanto na Antiguidade clássica como na Idade Média os homens
se colocavam questões a respeito da sociedade, como por exemplo trabalho, vida em comunidade,
entre outras situações que traziam para a sociedade questionamentos pertinentes.
Algumas explicações atribuíam esse fato à natureza das coisas, isto é, diziam que aquelas pesso-
as já haviam nascido para realizar determinadas atividades. Algumas teorias defendem a ideia de
que a desigualdade social teria uma explicação divina de ações e consequências, ou propósitos a
serem vividos. Entretanto, foi a partir do século XVII e as transformações que ocorreram na huma-
nidade nessa época que trouxeram condições propícias para que houvesse a necessidade de um
estudo científico das vivências humanas, ou seja, o surgimento das ciências sociais.
INDIVÍDUO E SOCIEDADE
A ciência social que estuda os fenômenos sociológicos que ocorrem na sociedade é conhecido
como a Sociologia. O objetivo básico da Sociologia é estudar a sociedade humana como um
grande complexo de relações humanas ou como um sistema de interação. Segundo o sociólogo
Roberto Ferreira, na obra Sociologia da Educação (1993), quando alguém nasce, indivíduo já
encontra uma sociedade formada.
Os indivíduos são compelidos a agir segundo os padrões estabelecidos. Caso o comportamento
se desvie desses padrões, a sociedade tenderá a usar alguns mecanismos para reprimir o desvio.
Durante a vida, essa pessoa participa de inúmeras instituições sociais e entre em várias relações
sociais. Essas situações sociais implicam comportamentos padronizados.
INSTITUIÇÕES
SOCIAIS
FAMÍLIA ESCOLA IGREJA TRABALHO
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Outro determinante social extremamente importante consiste no poder, especialmente o poder
político do Estado. Os vários códigos legais estipulam como deve ser nosso comportamento políti-
co, econômico, familiar, matrimonial etc. O Estado possui mecanismos coercitivos que podem
chegar até à supressão da liberdade ou à execução daqueles que desobedeceram a certas regras
legalmente instituídas. Os castigos, ou a simples possibilidade de que eles sejam usados contra
nós, contribuem para manter os indivíduos dentro dos padrões socialmente aceitos.
Fazer parte de um grupo implica também participar da forma como o grupo vê o mundo, isto é, dos
seus pensamentos. Assim, fazemos parte de um grupo quando assumimos como nossas a visão
de mundo, as crenças e os valores desse grupo. O grupo impõe-nos, portanto, uma forma de
pensar.
REVOLUÇÃO CIENTÍFICA
Uma simples hipótese que explicava o movimento e a posição exata dos corpos no espaço foi
responsável pela revolução na ciência e o motor para o que conhecemos até hoje como conheci-
mento científico, análise e experimentação. As leis de Newton são um exemplo de ideia que surgiu
e que foi o motor de uma época de experimentações, descobertas e mudanças na vivência social
que a ciência trouxe a partir do século XVIII.
O que Isaac Newton indicou foi que, usando a razão, era possível encontrar leis que explicassem
uma vasta gama de fenômenos. Com Newton a física se tornou a rainha das ciências.
Fonte: [Link]
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Newton começou com uma simples dúvida:
“Por que alguns corpos soltos no espaço caem, enquanto outros não caem?”
Para responder a essa pergunta, Newton formulou a lei da gravitação universal: a força que atrai
alguns corpos para a Terra é a mesma que mantém os astros em suas órbitas.
Muitos estudiosos de outros campos foram influenciados pelo enorme sucesso da física. Os pen-
sadores que se debruçavam sobre o estudo da realidade social começaram a pensar a seguinte
ideia: se era possível estudar e tentar explicar cientificamente o universo, também era possível
analisar a sociedade de uma perspectiva científica. Bastaria, para tanto, que, com o uso da razão,
tentassem formular leis que explicassem por que as sociedades apresentam determinadas carac-
terísticas.
A revolução na física orientava a sociedade para a necessidade de uma ciência da sociedade. A
consciência humana sobre a existência das desigualdades, questões como miséria, desemprego,
criminalidade, entre outros exemplos, apontavam para a necessidade de algo que pudesse com-
preender essas mudanças e orientar uma nova reorganização dessa sociedade e suas mazelas.
Os pensadores contemporâneos acreditavam que a solução desses problemas deveria estar rela-
cionada ao conhecimento científico que estava sendo construído. Pois, segundo esse ponto de
vista, quanto mais isso acontecesse, maiores seriam as chances de que a sociedade pudesse
solucionar esses problemas e propor uma garantia de uma felicidade coletiva. A sociologia poderia
ser, desse modo, a solução científica para esses problemas.
TRANSFORMAÇÕES SOCIAIS E ECONÔMICAS
No século XVIII, intensificaram-se as críticas à organização política das sociedades europeias. Os
iluministas reclamavam que os homens, além de serem oprimidos pelos monarcas absolutistas,
eram tratados desigualmente. Os pensadores iluministas acreditavam na ideia de que os homens
já nasciam livres e iguais entre si. Acreditavam que os seres humanos podiam se tornar cada vez
melhores, bastando para tanto que as instituições sociais fossem reconstituídas de modo a garantir
a igualdade e a liberdade. Para os iluministas, portanto, a transformação radical da sociedade era
necessidade imperiosa.
Naquele período também estava ocorrendo na Europa uma transformação econômica que coloca-
va a necessidade de transformações sociais na ordem do dia, período que ficou marcado como
Revolução Industrial. Não restam dúvidas de que, em termos técnicos e econômicos, ela significou
um gigantesco progresso. Porém ele não se pode dizer das suas consequências sociais.
11
Uma cena industrial mostrando siderurgia em Nantyglo, Blaenau Gwent, Grã-Bretanha, na
década de 1830. A fumaça pode ser vista saindo de várias chaminés e uma ponte está no centro.
Fonte: Wikipedia
A primeira fase da Revolução Industrial foi o tempo da miséria e degradação para os trabalhadores
fabris. A classe operária estava submetida às piores condições de salário, trabalho e moradia. Uma
visita aos bairros operários de Londres ou Paris causava indignação a qualquer um. Os operários
estavam se tornando a maioria da população das cidades e, portanto, era necessário empreender
transformações sociais que lhes dessem condições de vida mais humanas.
2.2. PRINCIPAIS TEORIAS E PENSADORES DA SOCIOLOGIA
Você deve ter observado que a Sociologia surge num contexto de grandes mudanças na Europa
do século XVIII. Tais mudanças colocaram a sociedade europeia sob plano de análise pelos inte-
lectuais que se preocupavam em entender as novas condições de vida geradas pela revolução
industrial. Para compreender os impactos da Sociologia é necessário compreender quais foram os
principais acontecimentos que fizeram parte da construção do pensamento sociológico.
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AUGUSTE COMTE (1798-1857)
Nascido em Montpellier, França, de uma família
católica e monarquista. Sofreu grande influência de
Saint Saimon, de quem era discípulo. Concentrou
seus estudos à filosofia positivista, considerada por
ele uma espécie de religião. Segundo sua visão
filosofia política existiam na história três estados:
um teológico, outro metafísico e um positivo.
Fonte: [Link]
POSITIVISMO – O EMBRIÃO DA SOCIOLOGIA
A primeira corrente teórica sistematizada do pensamento sociológico foi o positivismo. Esse
estudo foi o primeiro a definir precisamente um objeto de estudo, estabelecendo conceitos de análi-
se e uma metodologia sistemática de investigação. O positivismo também foi capaz de distinguir-se
de outras ciências metodológicas, estabelecendo um espaço próprio no que se refere ao estudo da
ciência da sociedade. O principal sistematizador e representante foi Auguste Comte.
O positivismo derivou de uma corrente conhecida como “cientificismo”, que se caracteriza pela
crença no poder exclusivo e absoluto da razão humana em conhecer a realidade e traduzi-la sob a
forma de leis naturais. Essas leis são a base norteadora da regulamentação da vida do homem,
da natureza como um todo e do próprio universo. E as suas teorias de conhecimento poderiam até
mesmo substituir as explicações teológicas, filosóficas e de senso comum por meio das quais – até
então – o homem explicava a realidade.
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A tentativa de separação das ciências sociais das ciências práticas e físicas são presentes nas
primeiras obras dos pensadores que se propuseram estudar a realidade social. O sociólogo Augus-
te Comte deu inicialmente o nome de “física social” para as suas análises da sociedade antes de
criar o termo sociologia.
Auguste Comte via a sociologia como uma ciência positiva. O estudo tinha por objetivo ver a
sociedade sob o mesmo método de investigação das ciências da natureza. Era papel dessa linha
de estudos identificar na vida social as mesmas relações e princípios com os quais os cientistas
explicavam a vida natural. Dessa forma, a sociedade passa a ser idealizada como um organismo
constituído de partes integradas e coesas que funcionam de modo harmônico, seguindo um modelo
físico ou mecânico. É segundo essa perspectiva que o positivismo foi chamado também de organi-
cismo.
ÉMILE DURKHEIM (1858-1917)
Émile Durkheim é o criador da teoria da coesão social. Émile
Durkheim deixou um dos principais trabalhos de contribuição à
sociologia com a publicação da obra “Divisão do Trabalho Social”
(1893) na qual analisa as funções sociais do trabalho e procura
mostrar a excessiva especialização e a desumanização do traba-
lho que ascendeu com a Revolução Industrial.
DURKHEIM E A SOCIOLOGIA CIENTÍFICA
O francês Émile Durkheim (1858-1917) foi outro pensador que
teve impacto na construção do que conhecemos como Sociolo-
gia moderna, assim como Auguste Comte. Durkheim usou o seu
antecessor como base, mas não concordava com todas as suas
tentativas de dar á Sociologia um caráter científico. Ele via a
Sociologia como uma nova ciência que podia ser usada para
elucidar questões filosóficas tradicionais, examinando-as de
Ilustração de Émile Durkheim.
modo empírico (através da experiência).
Fonte: Sherlock / Shutterstok
De acordo com a perspectiva de Durkheim, o meio social deveria ser estudado com a mesma saga-
cidade que os cientistas se debruçam sobre o mundo natural. O princípio norteador da Sociologia
é estudar sobre fatos sociais ou coisas, segundo o sociólogo. Isso significa que a vida humana e
social deve ser levada com a mesma responsabilidade que os objetos e fenômenos naturais são
analisados.
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Principais aspec-
tos das obras de
Émile Durkheim:
FAMÍLIA ESCOLA IGREJA TRABALHO
a importância da a emergência do as origens e caráter
Sociologia enquan- indivíduo e a de autoridade moral
to ciência empírica formação de uma na sociedade
ordem social
Para o autor, a função da Sociologia reside no estudo dos fatos sociais. No lugar de tentar apli-
car métodos sociológicos ao estudo de indivíduos, os sociólogos deviam anteriormente analisar o
que e quais são fatos sociais. Determinando assim quais são os aspectos da vida social que
determinam a nossa ação enquanto indivíduos.
FATO SOCIAL: são os comportamentos de um ser humano, as maneiras de agir, pensar e sentir
que uma pessoa possui. Elas exercem determinada força sobre os indivíduos, obrigando-os a se
adaptarem às regras da sociedade. Existem três tipos de ações humanas que são consideradas
fato social: coercitividade, exterioridade e generalidade.
Os padrões e meios de controle tradicionais, fornecidos anteriormente pela religião, são destruí-
dos em larga medida pelo desenvolvimento social moderno, o que deixa em muitos indivíduos
das sociedades modernas um sentimento de ausência de sentido na sua vida cotidiana.
KARL MARX (1818-1833)
Nascido na cidade de Treves, na Alemanha, Karl Marx mudou-se
em 1842 para Paris, onde conheceu Friedrich Engels, seu compa-
nheiro de ideias e publicações por toda a vida.
Suas principais obras foram: A ideologia alemã, Miséria da filosofia,
Para a crítica da economia política, A luta de classes em França, O
capital.
Ilustração de Karl Marx. Fonte: Mark D. / Shutterstok
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KARL MARX E O MATERIALISMO HISTÓRICO
As ideias do sociólogo Karl Marx são opostas às perspectivas de seus antecessores Auguste
Comte e Émile Durkheim. Marx também se debruçou sobre as mudanças que a Revolução Indus-
trial causou, pois, seu foco de estudo eram entender e tentar explicar as mudanças que ocorre-
ram na vida econômica da sociedade da época. Porém, sua característica principal era de relacio-
nar os problemas econômicos com as instituições sociais que estavam presentes na sociedade.
Trazendo assim a sociedade a uma reflexão do seu papel enquanto seres sociais.
Marx priorizou estudar as consequências das mudanças que aconteciam nos tempos modernos.
Para o sociólogo, as mudanças mais importantes estavam ligadas ao desenvolvimento do capita-
lismo – um sistema de produção que contrasta de forma radical com sistemas econômicos histori-
camente anteriores, implicando a produção de bens e serviços para serem vendidos a uma
grande massa de consumidores.
Segundo Marx, o sistema capitalista pode ser visto também como um sistema de classes. Ainda
que os proprietários do capital e os trabalhadores dependam uns dos outros – os capitalistas
necessitam da mão-de-obra e os trabalhadores necessitam dos salários – essa dependência é
desigual. O relacionamento entre as classes se sustenta na exploração, na medida em que os
trabalhadores têm pouco ou nenhum controle sobre o seu trabalho e os patrões têm a possibilida-
de de gerar lucro se apropriando do resultado do esforço dos trabalhadores.
DESENVOLVIMENTO
DO CAPITALISMO
CAPITAL TRABALHO
Qualquer ativo, incluin- ASSALARIADO
do dinheiro, máquinas, Por tal entende-se o
ou mesmo fábricas, conjunto de trabalha-
que possa ser usado dores que não detém a
ou investido para propriedade dos meios
realizar futuros bens de produção.
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A perspectiva de Marx era conhecida como concepção materialista da história. De acordo com
ela, não são as ideias ou nos valores humanos as principais fontes de mudança social. A mudan-
ça social é promovida principalmente por fatores econômicos. Os conflitos entre classes fornecem
a motivação para os desenvolvimentos históricos – eles são o motor da história.
MAX WEBER (1864-1920)
Max Weber nasceu na cidade de Erfurt, na Alemanha, numa
família de burgueses liberais. Desenvolveu estudos na área do
direito, filosofia, história e sociologia. Sua maior influência nos
ramos especializados da sociologia foi no estudo das religiões,
estabelecendo relações entre formações políticas e crenças
religiosas.
Suas principais obras foram: Artigos reunidos de teoria da ciên-
cia; Economia e sociedade (obra póstuma) e A ética protestante
e o espírito do capitalismo.
Ilustração de Max Weber.
Fonte: Natata / Shutterstok
MAX WEBER E A SOCIOLOGIA COMPREENSIVA
Tal como outros pensadores do seu tempo, o sociólogo Max Weber tentou compreender a nature-
za e as causas da mudança social. Também foi influenciado por Karl Marx, mas mostrou-se
também muito crítico em relação a alguns dos principais pontos de vista. Weber rejeita a concep-
ção materialista da história e dá ao conflito de classes um significado diferente.
Na perspectiva de Max Weber, os fatores econômicos eram importantes, mas as ideias e os valo-
res sociais possuem o mesmo impacto sobre a mudança social de um indivíduo. Weber defendeu
que a Sociologia devia centrar-se na ação social, e não nas estruturas. Para ele, as ideias, valo-
res e crenças tinham o poder de originar transformações. Desse modo, os indivíduos têm a capa-
cidade de agir livremente e configurar o futuro à sua maneira. as estruturas da sociedade eram
formadas por uma complexa rede de ações recíprocas. A tarefa da Sociologia era procurar enten-
der o sentido por detrás destas ações.
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2.3. SOCIALIZAÇÃO: A CRIAÇÃO DO SER SOCIAL
No capítulo anterior observamos os diferentes pontos de partida dos estudiosos da sociologia,
como Émile Durkheim, Karl Marx e Max Weber. Esses buscaram desenvolver mecanismos
próprios de estudar o mundo social de forma a explicar o funcionamento das sociedades e a natu-
reza da mudança social.
SOCIALIZAÇÃO: A CRIAÇÃO DO SER SOCIAL
Desde os primeiros momentos do crescimento da espécie humana temos como característica a
habilidade e necessidade humana de viver em sociedade. O ser humano só consegue se desen-
volver, aumentar a sua população e, consequentemente, crescer, quando aprende a viver em
comunidade. Isso ocorre através do que conhecemos como processo de socialização.
As Ciências Sociais identificam como socialização a atividade que faz com que os homens se
tornem agentes em uma sociedade, ou seja, seres sociais. Cada um com a sua participação e
função pré-determinada ou adquirida ao longo de sua formação ou crescimento, e é através
desse processo que se aprende a viver em sociedade.
Mas o que significa viver em sociedade? Nascemos aptos a sermos seres sociais e vivermos em
harmonia com o outro? Não necessariamente. Os sociólogos, ao longo do curto período que
existe a sociologia e a necessidade de se pensar e de se problematizar o outro e o eu em uma
comunidade, criou teorias e argumentos diferenciados. Existem pensadores e teorias que defen-
dem que o ser humano aprende a viver em sociedade através do meio em que vive, e há teóricos
que digam que o ser humano já nasce com a habilidade de socializar e necessidade de viver em
comunidade.
Viver em sociedade, desse modo, significa aprender a se comportar conforme às situações
sociais exigem dele. Exemplo: como se comportar na escola, a usar a fila quando se espera um
atendimento em algum lugar com muitas pessoas, a agradecer quando recebe alguma gentileza.
Não se lê em manual, se aprende conforme os exemplos que lhes são externos. E, ainda, que
podem mudar conforme a região, a cultura ou a nacionalidade em que se vive.
Esse conhecimento social, de acordo com os professores Peter Berger e Thomas Luckmann, no
livro A construção social da realidade: tratado da sociologia do conhecimento (1985, p. 173),
afirmam existir dois tipos de socialização: a primária e a secundária.
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SOCIALIZAÇÃO PRIMÁRIA
De acordo com os cientistas sociais, a socialização primária pode ser considerada a que mais
influencia o ser humano, pois é ela a responsável pela construção ética, moral e social do indiví-
duo. E essa construção está diretamente ligada ao meio em que o ser humano vive.
A socialização primária se refere aos primeiros anos e infância de um indivíduo que, ao nascer, é
inserido em um ambiente onde seus pares já são formados social e culturalmente. Esses indivídu-
os de mesmo parentesco – os pais, tios, avós, tutores, entre outros – são aqueles que passarão
os seus conhecimentos sobre a vida até que esse indivíduo possa se expressar e desenvolver
sua própria perspectiva.
Nessa projeção, a criança conhece sobre o mundo através das perspectivas do ambiente e das
pessoas em que vive. Seus idiomas, comportamentos, crenças e demais heranças culturais que
seus familiares o podem passar. O mundo existe e é apresentado segundo a visão do outro, o
caráter e o sentido ético. No processo de socialização primária as normas e os valores sociais são
aprendidos conforme as vivências aprendidas.
Descrição da imagem: Exemplos do processo de crescimento e
construção do ser social. Fonte: [Link]
A criança aprende nessa socialização as primeiras regras básicas de vivência na pequena socie-
dade em que nasceu. Aprende sobre hierarquia respeitando seu pai, mãe, ou tutor, aprende sobre
afeto, lazer, conforto, ações e consequências de viver com o outro. Compreendendo o que se
espera dela, a criança adquire a sua identidade social, conforme vai crescendo, vai aprendendo
com a família em primeiro momento, estando apta assim a sair desse núcleo de acolhimento e se
aventurar em outros meios sociais.
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SOCIALIZAÇÃO SECUNDÁRIA
A socialização primária nunca termina, pois é a base para a construção das primeiras impressões
sobre sociabilidade que o indivíduo possui e é o passo fundamental para que a criança/indivíduo
possa ter condições para ter a socialização secundária. É a partir dessa segunda fase de sociali-
zação que a criança percebe que as normas sociais não são condições particulares e maleáveis
como são em seu âmbito familiar. Ela compreende assim que existem outros indivíduos, outras
vontades e outras necessidades além das suas.
Conforme a criança cresce, a criança participa de diferentes instituições sociais e aprende com
elas. Quando tem a idade adequada, por exemplo, começa a ir à escola e aprender novas regras,
novas convenções sociais e em consequência aprende a viver em sociedade. Ela aprende a
linguagem dos seus pares, os valores e demais contribuições que lhes são esperadas.
Mais tarde, com maturidade e experiencia de vida, o ser humano se torna apto a conviver no
mundo do trabalho. De acordo com suas habilidades e aprendizagens anteriores, saberá exercer
a sua função e seu cargo conforme a sua competência. E a sua relação no trabalho também é
outra esfera social a qual o indivíduo aprende a socializar e conviver.
Todas essas projeções e ambientes são necessários para a aprendizagem e construção do ideal
de indivíduo que se espera. São interconexões humanas que são essenciais para a construção
do indivíduo em sua integralidade. As suas construções sociais irão determinar, portanto, de que
maneira ele irá se comportar em sociedade e quais serão as suas contribuições como indivíduo
na sociedade.
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BEDONE, Dalva Maria Bertoni. Sociologia e Sociedade. In MARCELLINO, Nelson. Introdução às
ciências sociais. São Paulo: Papirus, 1988.
BEDONE, Dalva Maria Bertoni. Sociologia e Sociedade. In MARCELLINO, Nelson. Introdução às
ciências sociais. São Paulo: Papirus, 1988.
Berger, Peter; Luckmann, Thomas. A construção social da realidade: tratado da sociologia do
conhecimento. Tradução de Floriano de Souza Fernandes. Petrópolis, Vozes, 1985.
CHAUÍ, Marilena. Filosofia e Sociologia – volume único. 1ª edição. São Paulo: Ática Didáticos,
2019.
FERREIRA, Roberto Martins. Sociologia da educação. 1ª edição. São Paulo: Moderna, 1993.
GIDDENS, Anthony. Sociologia. 4ª Edição. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2004.
MARTINS, Carlos Benedito. O que é Sociologia. São Paulo: Brasiliense, 2007, página46.
PORTAL E-BIOGRAFIA: Disponível em < Biografia de Émile Durkheim - eBiografia>. Acesso em:
19/05/2023.
PORTAL E-BIOGRAFIA: Disponível em < Biografia de Karl Marx (vida e obra) - eBiografia>. Acesso
em: 19/05/2023.
SILVA, Tomaz Tadeu da. A sociologia da educação entre o funcionalismo e o pós-modernis-
mo: os temas e os problemas de uma tradição. “Em Aberto”, Brasília: Inep, 9 (46): 3-12, jun.
1990
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