Nefro P2
1) Sobre a nefropatia diabética, assinale a alternativa INCORRETA:
a. Paciente sem microalbuminúria, mas com creatinina de 0,5 mg/dL e
clearance acima de 120 ml/min já apresenta comprometimento renal pelo diabetes.
b. Em paciente diabético com síndrome nefrótica e função renal normal, a
presença de hematúria e fundo de olho normal sugerem a presença de outra
glomerulopatia.
c. Os anti-hipertensivos de escolha na nefropatia diabética são os IECAs e
BRAs.
d. Na fase de microalbuminúria o bom controle glicêmico e tratamento da
proteinúria é capaz de reverter as lesões renais.
e. As alterações histopatológicas glomerulares da nefropatia diabética envolvem
o espessamento da membrana basal e a expansão da matriz mesangial.
Fisiopato: Glomérulo: expansão de MB- hipertrofia glomerular- expansão mesangial
Túbulo/vascular: aterosclerose hialina vascular- lesão isquêmica, atrofia túbulos
Fase I: Pré diabética: somente expansão da MB, reversível, há aumento dos rins,
aumento da taxa de filtração e hiperfiltração. Consegue reverter com controle
glicêmico e iECA e BRA
Fase II: Microalbuminúria- há expansão mesangial e irreversibilidade, haverá valor
de microalbuminúria entre 30 e 300mg- risco de lesão CV
Fase III: Proteinúria: paciente com nível aumentado de lesão, albuminúria acima de
300mg, Sinais de edema, derrame cavitário e has. Pesquisar outras lesões
microvasculares como retinopatia e nervos periféricos.
Fase IV: azotemia e rim terminal, paciente inicia com quadro de uremia e aumento
severo de creatinina - lentidão mental, náuseas, vômitos, anorexia.
2) Paciente de 68 anos de idade, hipertenso e dislipidêmico há 10 anos, em
uso regular de betabloqueador, diurético tiazídico e sinvastatina, é atendido
com quadro de crise hipertensiva, sendo acrescentado maleato de enalapril
(20 mg/dia), com creatinina sérica de 1,6 (?) mg/dL. Duas semanas depois é
reavaliado ambulatorialmente com pressão arterial de 130 x 80 mmHg,
presença de um frêmito epigástrico ao exame abdominal, pulsos pediosos
diminuídos e uma creatinina de 4,3 mg/dL e potássio de 5,8 mEq/L. Desta
forma, qual seria a primeira conduta no tratamento da disfunção renal deste
paciente?
a. Suspender o beta-bloqueador e dosar a creatinina e potássio séricos em 1
semana.
b. Suspender o maleato de enalapril e dosar creatinina e potássio séricos
em 1 semana.
c. Suspender a sinvastatina e dosar creatinina em 1 semana.
d. Administrar soro fisiológico intravenoso
e. Realizar arteriografia renal de urgência
O paciente pode apresentar uma estenose de artéria renal, já que o frêmito
abdominal, e redução dos pulsos pediosos, deve-se investigar a elevação da PA.?
3) Uma mulher de 35 anos, com DM tipo 1 desde os 5 anos de idade
apresenta quadro de anasarca, retinopatia e neuropatia diabética, com
pressão arterial de 150x90 mmHg e creatinina sérica de 1,9 mg/dL. Qual dos
seguintes valores urinários de 24 horas é o mais provável de ser encontrado
nesta paciente?
a. Proteína de 500 mg/24h
b. Proteína de 80 mg/24h
c. Proteína de 6500 mg/24h
d. Albumina de 10 mg/24h
e. Albumina de 100 mg/24h
A paciente já deve se encontrar na fase III, ou seja, em proteinúria, isso porque tem
lesões micro (retinopatia) e macro (pé diabetico, lesão cardiovascular e cerebral).
Assim, a albumina deve ser maior que 300 mg. Índices nefróticos de proteinúria são
acima de 3,5g, ou seja, 3.500mg.
4) Um homem de 38 anos de idade, saudável, apresenta história de
nefrolitíase recorrente nos últimos 3 anos. Uma coleta de urina de 24 horas
recente mostrou os seguintes achados: calciúria de 480 mg (VR: 350 mg),
uricosúria de 440 mg (VR: 800 mg) e citratúria de 643 mg (VR > 320 mg). Qual
das seguintes opções medicamentosas seria mais eficaz para o tratamento de
seu distúrbio metabólico urinário causador da nefrolitíase?
a. Espironolactona
b. Hidroclorotiazida
c. Furosemida
d. Alopurinol
e. Citrato de potássio
Os cálculos prováveis são de cálcio, visto que o paciente apresenta alta
concentração de cálcio, dessa forma, deve se utilizar diu tiazídico para reabsorção
renal de cálcio.
5) Em um paciente de 78 anos, dislipidêmico, previamente normotenso e
que nas últimas 2 semanas se detecta níveis pressóricos elevados, qual a
hipótese diagnóstica mais provável da causa de sua hipertensão arterial?
a. Primária
b. Doença do parênquima renal
c. Aterosclerose de artéria renal
d. Feocromocitoma
e. Coarctação da aorta
Dentre as causas renais há alteração de parênquima (GN, nefropatia diabética) e
alteração de vasos renais como aterosclerose e displasia fibromuscular (já nasce
com estenose da artéria renal)
6) Paciente de 40 anos, previamente normotenso e saudável, refere quadro
de torção de tornozelo esquerdo há 3 dias, tendo feito uso neste período de
anti-inflamatório não hormonal intramuscular de 8 em 8 horas, dando entrada
no PS com quadro urêmico, necessitando de hemodiálise de urgência. Qual o
diagnóstico mais provável de sua disfunção renal?
a. Nefrite tubulointersticial aguda
b. Glomerulonefrite aguda
c. Pielonefrite aguda
d. Vasculite aguda
e. Síndrome hemolítico-urêmica
A função intersticial é equilíbrio hidroeletrolítico, produção hormonal e sustentação
de túbulos. O quadro clínico da NTI é poliúria e nictúria, podendo estar associada a
febre, rash cutâneo, edema e HAS. A etiologia do quadro pode ser idiopática
relacionada a EBV, pielonefites, drogas como analgesicos e AINES, mieloma,
sarcoidose. A fisiopato envolve aumento de células inflamatórias, complemento com
lesão intersticial, atrofia e dilatação tubular e aumento da MB, fibrose pode ocorrer.
7) São achados laboratoriais característicos no diagnóstico de doença
renal por nefrite túbulo-intersticial:
a. Hiperpotassemia, alcalose metabólica hiperclorêmica e eosinofilia.
b. Hipocloremia, acidose metabólica e hipercalcemia.
c. Hiperpotassemia, acidose metabólica e eosinofilia.
d. Hiponatremia, acidose metabólica normoclorêmica e hipocalcemia
e. Hiperpotassemia, alcalose metabólica e anemia severa.
Dentre as anormalidades laboratoriais há Hipercalemia, acidose e hipercloremia, na
urina haverá alcalose, eosinofilia, hematúria e glicosúria.
8) Em relação à infecção do trato urinário (ITU), pode-se afirmar que:
a. É mais comum em mulheres, causada principalmente por E. coli, sendo a via
hematogênica a mais comum de disseminação.
b. A presença de leucocitúria e urina com nitrito positivo é o padrão ouro para o
diagnóstico de ITU.
c. Trata-se bacteriúria assintomática em gestantes, idosos e diabéticos, pelo
risco de evolução iminente para pielonefrite.
d. O tratamento da cistite não complicada deve ser feito, obrigatoriamente, por 7
dias, sendo imprescindível a realização de urocultura.
e. Na ITU recorrente está indicada, dentre outras medidas,
antibioticoterapia profilática.
As ITUs são mais comuns de via ascendente. O padrão ouro para o diagnóstico é a
urocultura. Somente é tratado os assintomáticos que estão gestantes ou vai ser
submetido a instrumentação da via urinária. As cistites podem ser tratadas de 5 a 10
dias, depende do consenso seguido.
9) São achados laboratoriais importantes na avaliação de um paciente
hipertenso com possível hipertensão arterial secundária:
a. Alteração dos níveis séricos de potássio e cálcio, creatinina e urina tipo
I
b. Alteração dos níveis séricos de sódio, potássio, amilase e das enzimas
hepáticas
c. Alteração do colesterol total e triglicérides, do número de plaquetas e do
cálcio sérico
d. Alteração do leucograma, do potássio e do ácido úrico séricos
e. Alteração dos níveis séricos de cloro e magnésio, proteinúria e leucocitúria
O início do diagnóstico deve conter investigação com hemograma, creatinina,
glicemia, potássio, urina tipo I.
10) Na nefroesclerose hipertensiva, pode-se afirmar que:
a. Hipertensão arterial de evolução arrastada, com elevação moderada dos
níveis séricos de creatinina e proteinúria nefrótica são achados característicos da
hipertensão arterial benigna.
b. Hematúria microscópica, proteinúria maciça e achados histológicos de
arteriolite necrotizante das arteríolas renais são encontrados na hipertensão
arterial maligna.
c. Anemia hemolítica microangiopática, hipocalemia e arteriolite hiperplásica
das arteríolas renais são achados característicos da hipertensão arterial benigna.
d. A ocorrência de sinais clínicos de hipertensão intracraniana e
descompensação cardíaca e achados histológicos de arterioloesclerose hialina são
típicos da hipertensão arterial maligna.
e. Elevação súbita da pressão arterial, papiledema e manifestações
hematológicas de anemia não-hemolítica são achados típicos da hipertensão arterial
maligna.
Na benigna a proteinúria é leve, não ultrapassando 1,5 g, há microalbuminúria,
hematúria microscópica, TGF normal, elevação leve da creatinina de forma
arrastada. O achado histopatológico é arteriosclerose hialina.
Na nefroesclerose maligna: elevação súbita da PA, com D maior 130 mmHg, sinais
clínicos de HIC, descompensação cardíaca e renal, e papiledema.
Histopatologicamente, haverá uma aterosclerose hialina, arteriolite necrotizante e
arteriolite hiperplásica. Com isso, resulta em anemia hemolítica por ativação das
cascatas de coagulação, plaquetopenia, creatinina elevada de forma súbita,
proteinúria nefrótica com mais de 3,5g, hematúria micro e macroscópica. inclui-se
também aumento da ativação do SRAA, com hipocalemia e alcalose metabólica.
11) Paciente de 30 anos de idade, diabética tipo I, com história recente de
disúria, polaciúria e febrícula, relatando episódios similares com frequência de
uma a duas vezes por ano. Exame físico normal e os exames complementares
com função renal normal e exame de urina tipo I com 10 hemácias/campo e 60
leucócitos/campo, com urocultura positiva para Proteus mirabilis. No
ultrassom renal há presença de cálculos de 0,6 cm em ambos os rins. A
doença litiásica mais provável desta paciente seria:
a. Por cálculo de oxalato de cálcio
b. Por cálculo de estruvita
c. Por cálculo de ácido úrico
d. Por cálculo de bruxita
e. Por cálculo de fosfato de cálcio
A infecção urinária é mais recorrente em ph urinário mais alcalino, logo, acidificação
da urina levam a proteção para bactérias. O cálculo de estruvita é composto por
amônia produzida pela bactéria, sendo um indício de infecção bacteriana.
O cálculo de estruvita ocorrerá por transformação da uréia em amônia devido a
ação da urease e o ph estará mais alcalino.
12) Em relação à nefrolitíase, é correto afirmar que:
a. A hipercalciúria pode ser secundária a condições tais como sarcoidose,
hipoparatireoidismo e hipervitaminose D.
b. A cirurgia de ressecção intestinal é fator de risco para nefrolitíase por
causarem hipocitratúria.
c. Infecções por bactérias desdobradoras (?) de urease deixam a urina mais
ácida, sendo fator de risco para formação de cálculos coraliformes.
d. Indivíduos com dificuldade de alcalinização urinária, apresentam
potencial risco para cálculos de ácido úrico.
e. O tratamento da nefrolitíase por hipercalciúria envolve dieta com restrição de
cálcio, citrato de potássio e furosemida.
A hipervitaminose D aumenta a reabsorção renal de cálcio. A má absorção intestinal
reduz a absorção de cálcio e oxalato, e o citrato em geral é produzido pelas próprias
células do organismo. As bactérias produtoras de urease consistem em ureia em
amônia e alcalinizam a urina. A urina cada vez mais ácida facilita a formação de
cálculos de ácido úrico. A alimentação não deve ter restrição de cálcio pois gera
aumento de cálculos por oxalato, deve ser utilizado diu tiazídico como a
hidroclorotiazida.
13) São situações suspeitas para o diagnóstico de hipertensão arterial
secundária:
a. Hipertensão arterial severa em adulto jovem masculino, com pais e irmão
hipertensos.
b. Hipertensão leve a moderada em adultos jovens de sexo feminino, controlada
com diurético.
c. Hipertensão arterial leve em adolescente tabagista, controlada com dieta
hipossódica.
d. Hipertensão arterial moderada em paciente idoso de longa data, controlada
com 2 drogas anti-hipertensivas.
e. Hipertensão arterial tratada com 4 drogas anti-hipertensivas, em
paciente jovem, feminina, sem história familiar de HAS.
14) Uma mulher de 28 anos é avaliada por causa de pressão arterial elevada
nos últimos 3 meses. Sua mãe tem hipertensão arterial e doença renal e uma
tia materna faz hemodiálise atualmente. Seus exames mostram função renal,
eletrólitos, exame de urina e ECG normais. Qual dos seguintes estudos
diagnósticos é mais provável de dar informações sobre a causa de sua
hipertensão?
a. Cintilografia renal com captopril
b. Dosagem de ácido vanilmandélico na urina de 24 horas.
c. Ultrassonografia renal
d. Determinação da atividade plasmática da renina e da aldosterona
e. Ecocardiograma transtorácico
O USG com doppler é o melhor exame para causas hipertensivas renovasculares. A
arteriografia renal é PO e desconfiar de estenose da artéria renal.
15) Um homem de 42 anos é avaliado por causa de cólica renal direita e
hematúria microscópica. Ele apresentou 3 episódios prévios de nefrolitíase
por cálcio. Os estudos diagnósticos mostram uma pedra calcificada de 4 mm
na porção média do ureter direito. Qual dos seguintes resultados de testes
laboratoriais NÃO é um fator de risco para nefrolitíase por cálcio?
a. Cálcio urinário de 415 mg/24 hs (normal < 300 mg)
b. Citrato urinário de 100 mg/24 hs (normal > 320 mg)
c. Oxalato urinário de 72 mg/24hs (normal < 40 mg)
d. Ácido úrico sérico de 10,5 mg/dL (normal < 7 mg/dL)
e. Cálcio sérico de 13 mg/dL (nromal de 8,5 a 10,2/dL),
Esse achado indica uma urina mais acidificada que é um fator “protetor” para
cálculos renais de cálcio.
16) Um homem negro de 30 anos é atendido em caráter de urgência com
hipertensão arterial (PA de 260x140 mmHg), obnubilado e referindo turvação
visual, com aumento súbito dos níveis séricos de ureia e creatinina, além de
hematúria e proteinúria no exame de urina tipo I. Qual a hipótese mais
provável da sua doença renal?
a. Pielonefrite aguda
b. Nefrite tubulointersticial aguda
c. Nefroesclerose hipertensiva benigna
d. Nefroesclerose hipertensiva maligna
e. Glomerulonefrite membranosa
Se caracteriza por aumento súbito da PA, com D maior que 130- creatinina elevada,
hematúria, proteinúria, sendo que clinicamente apresenta papiledema, HIC,
descompensação cardíaca e renal.
17) Uma paciente negra de 67 anos, hipertensa há 25 anos em tratamento
medicamentoso irregular por não ser aderente às orientações médicas, foi
submetida a uma biópsia renal para avaliação de insuficiência renal de
evolução lenta e progressiva, atualmente com ureia de 105 mg/dL e creatinina
de 3,5 mg/dL. Qual achado histológico seria o mais esperado no resultado
desta biópsia?
a. Nefroesclerose com arteriolite necrotizante
b. Nefroesclerose com arterioloesclerose hialina
c. Nefroesclerose com arteriolite hiperplásica
d. Nefroesclerose com glomerulite
e. Nefroesclerose com tubulite
O histórico da paciente de evolução lenta e progressiva são indicativos de
nefroesclerose hipertensiva benigna. Em geral os achados são deposição de
componentes na íntima das arteríolas com formação da aterosclerose hialina, isso
resulta em isquemia glomerular, tubular e fibrose intersticial reduzindo o
funcionamento renal. Os achados laboratoriais são proteinúria menor que 1,5g,
microalbuminúria, hematúria microscópica, aumento leve e progressivo da
creatinina, TFG próxima ao normal e rins de tamanho normal.