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Dignidade da Pessoa Humana em Enfermagem

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Universidade São Tomas de Moçambique

Faculdade de ética e Ciências Humanas


Licenciatura em Enfermagem geral

Narci Da Nucha Sérgio Muchanga

Dignidade da pessoa humana

Dignidade da pessoa

Docente: Berta Alberto Chambule

Xai-Xai 29 de novembro de 2024


Universidade São Tomas de Moçambique
Faculdade de ética e Ciências Humanas
Licenciatura em Enfermagem geral

Narci Da Nucha Sérgio Muchanga

Dignidade da pessoa

Trabalho de investigação científica


na cadeira de Dignidade da pessoa
humana com o tema Dignidade da
pessoa, sob orientação por docente
Dr. Berta Alberto Chambule para
fins avaliativos.

Xai-Xai 29 de novembro de 2024


Índice
[Link]ção.......................................................................................................................4

1.1. Objetivos.....................................................................................................................5

1.1.1. Objetivo geral..........................................................................................................5

1.1.2. Objetivos específicos...............................................................................................5

1.2. Metodologia................................................................................................................5

2. Dignidade da pessoa......................................................................................................6

2.1. Aspectos Filosóficos da Dignidade da Pessoa............................................................6

2.1.2. principais aspectos filosóficos da dignidade da pessoa.......................................7

2.2. Aspectos Jurídicos da Dignidade da Pessoa...........................................................7

3. Relação da Dignidade da Pessoa com os Direitos Humanos....................................9

3.1. Características.......................................................................................................10

4. Desafios à Dignidade da Pessoa..............................................................................11

4.1. Dignidade da Pessoa no Cotidiano.......................................................................12

5. Conclusão................................................................................................................15

6. Referências bibliográficas...........................................................................................16
[Link]ção

A dignidade da pessoa é um conceito central no campo da ética, filosofia e direitos


humanos, representando o valor intrínseco que cada ser humano possui,
independentemente de suas condições sociais, culturais ou econômicas. Ao longo da
história, diversos pensadores, como Immanuel Kant, John Locke e Emmanuel Levinas,
contribuíram para a compreensão dessa noção, atribuindo-lhe diferentes enfoques
filosóficos. Kant, por exemplo, enfatiza a dignidade ligada à autonomia e à razão,
enquanto Levinas coloca a responsabilidade ética diante do outro como elemento
essencial para o reconhecimento da dignidade. No contexto contemporâneo, a dignidade
humana é considerada a base fundamental dos direitos humanos, sendo reconhecida e
protegida por diversas legislações internacionais, como a Declaração Universal dos
Direitos Humanos. Este trabalho tem como objetivo explorar os diversos aspectos
filosóficos da dignidade da pessoa, analisando as diferentes perspectivas que surgiram
ao longo do tempo, desde a tradição clássica até as visões contemporâneas. A partir
disso, buscamos refletir sobre a importância do respeito à dignidade humana nas
relações sociais, políticas e jurídicas, e sua relevância para a construção de uma
sociedade justa e igualitária.

4
1.1. Objetivos

1.1.1. Objetivo geral

 Compreender os aspectos filosóficos da dignidade da pessoa.

1.1.2. Objetivos específicos

 Definir a dignidade da pessoa humana;


 Descrever os princípios da dignidade da pessoa;
 Relacionar a dignidade da pessoa com direitos humanos;
 Explicar os desafios a dignidade da pessoa humana

1.2. Metodologia

A metodologia adotada para a elaboração deste trabalho foi fundamentada em uma


abordagem qualitativa, com o objetivo de analisar e discutir os diversos aspectos
filosóficos da dignidade da pessoa. Para isso, utilizou-se de uma revisão bibliográfica,
baseada em fontes acadêmicas, livros e artigos científicos relevantes sobre o tema. A
pesquisa foi realizada por meio da consulta a referências bibliográficas clássicas e
contemporâneas, com ênfase nas obras de filósofos como Immanuel Kant, John Locke,
Emmanuel Levinas, além de documentos internacionais como a Declaração Universal
dos Direitos Humanos.

2. Dignidade da pessoa

A dignidade da pessoa é o valor intrínseco que cada indivíduo possui, baseado em sua
natureza humana e sua capacidade de raciocínio, autonomia e liberdade, devendo ser

5
respeitada em qualquer circunstância, independentemente de condições externas como
status social ou utilidade. Este conceito é fundamental para os direitos humanos e para a
ética universal, reconhecendo o ser humano como um fim em si mesmo (Kant, 1785).

2.1. Aspectos Filosóficos da Dignidade da Pessoa

A dignidade da pessoa humana é um tema central na filosofia e está intrinsecamente


ligada ao valor intrínseco do ser humano. Immanuel Kant foi um dos filósofos que mais
influenciaram o pensamento sobre esse conceito. Segundo Kant, cada ser humano
possui dignidade porque é dotado de razão e capacidade de agir de acordo com
princípios morais. Ele defende que a dignidade humana não é mensurável, pois o ser
humano deve ser tratado sempre como um fim em si mesmo, e nunca como um meio
para atingir outros objetivos. Essa visão estabelece uma base ética universal,
sustentando que todos os indivíduos possuem o mesmo valor inalienável (Kant,
Fundamentação da Metafísica dos Costumes).

Outro importante filósofo, Tomás de Aquino, vincula a dignidade humana à ideia de que
o ser humano foi criado à imagem e semelhança de Deus, conferindo-lhe um valor
espiritual e moral inquestionável. Aquino enfatiza que essa dignidade é universal, uma
vez que todos os seres humanos compartilham da mesma natureza racional,
independentemente de suas diferenças culturais ou sociais (Tomás de Aquino, Suma
Teológica).

Por sua vez, no contexto do pensamento contemporâneo, Hannah Arendt discute a


dignidade como um pilar dos direitos humanos. Para Arendt, a dignidade está
profundamente relacionada à individualidade e ao reconhecimento social. Ela
argumenta que negar a dignidade de um indivíduo equivale a negar sua humanidade, o
que leva a graves violações éticas e políticas (Arendt, A Condição Humana).

2.1.2. principais aspectos filosóficos da dignidade da pessoa

Autonomia e Capacidade Racional

A dignidade humana fundamenta-se na capacidade do ser humano de agir de forma


autônoma e racional, característica que o distingue de outros seres vivos. Este é um

6
princípio central no pensamento de Immanuel Kant, que afirma que a racionalidade
confere ao indivíduo o status de "fim em si mesmo", merecendo respeito absoluto e
incondicional.

Universalidade e Igualdade Intrínseca

A dignidade é um atributo universal, pertencente a todos os seres humanos,


independentemente de condições sociais, culturais ou econômicas. Essa universalidade
reflete a visão ética de que todos os indivíduos possuem o mesmo valor essencial,
inalienável e irrenunciável.

Origem Divina e Valor Espiritual

De acordo com Tomás de Aquino, a dignidade humana decorre da criação à imagem e


semelhança de Deus, conferindo ao ser humano um valor moral e espiritual elevado.
Essa perspectiva reforça a igualdade e a sacralidade da vida humana,
independentemente de diferenças individuais.

Reconhecimento Social e Direitos Humanos

Hannah Arendt insere a dignidade no contexto político, associando-a ao reconhecimento


social como pilar dos direitos humanos. A negação da dignidade é vista como uma
violação ética e política que desumaniza o indivíduo, sendo crucial garantir que cada
pessoa seja respeitada em sua individualidade.

Fundamento Ético das Relações Humanas

A dignidade é a base ética que regula as interações humanas, exigindo respeito mútuo e
a promoção de condições que valorizem a pessoa enquanto sujeito de direitos e deveres.

2.2. Aspectos Jurídicos da Dignidade da Pessoa

A dignidade da pessoa humana é um princípio jurídico fundamental, reconhecido e


protegido em diversas legislações nacionais e internacionais. Este princípio estabelece a
base para os direitos humanos e guia o desenvolvimento de normas e políticas que
visam proteger e promover o bem-estar dos indivíduos.

Princípio Fundamental no Direito Internacional

A dignidade da pessoa é consagrada na Declaração Universal dos Direitos Humanos


(1948), que, no artigo 1.º, afirma: “Todos os seres humanos nascem livres e iguais em

7
dignidade e direitos.” Este documento reforça a ideia de que a dignidade é inerente a
todos os indivíduos e deve ser respeitada universalmente, servindo como pilar para a
formulação de outros instrumentos legais, como os Pactos Internacionais de Direitos
Civis e Políticos e de Direitos Económicos, Sociais e Culturais.

Dignidade como Base Constitucional

Em muitas constituições, incluindo a Constituição da República de Moçambique, a


dignidade da pessoa é mencionada como um dos fundamentos do Estado. No caso
moçambicano, o artigo 11.º reconhece a centralidade da dignidade humana no âmbito da
justiça social, igualdade e promoção dos direitos fundamentais.

Inviolabilidade da Pessoa Humana

O conceito de dignidade humana estabelece limites à atuação do Estado e de


particulares. É proibido tratar qualquer indivíduo de maneira degradante,
discriminatória ou desumana, protegendo assim o direito à integridade física,
psicológica e moral da pessoa (Alexy, 2010).

Dignidade e Direitos Humanos

A dignidade está intrinsecamente ligada à proteção de direitos fundamentais, como o


direito à vida, à liberdade e à igualdade. Esses direitos derivam diretamente do
reconhecimento da dignidade como valor intrínseco do ser humano, o que impede que
sejam tratados como meros objetos de interesses alheios (Habermas, 1995).

Responsabilidade do Estado e da Sociedade

A proteção da dignidade impõe ao Estado a obrigação de garantir condições que


promovam o desenvolvimento integral dos cidadãos, incluindo acesso a saúde, educação
e trabalho. Além disso, a sociedade tem o dever de respeitar e promover a dignidade em
suas relações interpessoais e institucionais (Habermas, 1995).

3. Relação da Dignidade da Pessoa com os Direitos Humanos

A dignidade da pessoa humana é o fundamento central dos direitos humanos, pois serve
como a base para a afirmação de que todas as pessoas devem ser tratadas com respeito,
igualdade e justiça. Este princípio está intimamente ligado ao reconhecimento de que
cada indivíduo possui um valor intrínseco que não pode ser violado, e é essa dignidade
que justifica a existência e a proteção dos direitos humanos.

8
Fundamento da Declaração Universal dos Direitos Humanos

A Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948) da ONU consagra a dignidade


humana como o princípio fundamental dos direitos humanos, estabelecendo que “todos
os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos” (Art. 1º). A partir
dessa premissa, a Declaração assegura direitos essenciais como a liberdade, igualdade
perante a lei, proteção contra discriminação e a inviolabilidade da integridade física e
moral.

Dignidade como Princípio Indivisível

A dignidade humana é indivisível, o que significa que não pode ser reduzida ou
desconsiderada em qualquer circunstância. Em contextos de desigualdade,
discriminação ou opressão, os direitos humanos devem ser aplicados de maneira a
proteger a dignidade de todos os indivíduos, independentemente de sua origem, religião,
etnia ou status social. Essa aplicação é fundamental para garantir que as pessoas tenham
acesso a direitos básicos, como educação, saúde, trabalho e participação política.

A Dignidade e a Universalidade dos Direitos Humanos

Os direitos humanos, enquanto direitos universais, são aplicáveis a todas as pessoas em


qualquer lugar do mundo. A dignidade humana, como seu fundamento, garante que
esses direitos não sejam negados com base em diferenças culturais, econômicas ou
políticas. Isso reflete a ideia de que a dignidade não é relativa, mas absoluta, e deve ser
reconhecida independentemente das circunstâncias (Sem, 2004).

Direitos Humanos e Proteção Contra Violências

O respeito à dignidade humana justifica a proteção contra práticas que atentem contra a
integridade física e psicológica dos indivíduos, como tortura, escravidão, trabalho
forçado e outros abusos. Estes direitos visam garantir que as pessoas vivam em
condições que preservem sua dignidade, assegurando uma existência livre de
humilhações e opressões.

Direitos Econômicos, Sociais e Culturais

Além dos direitos civis e políticos, a dignidade também fundamenta os direitos


econômicos, sociais e culturais. O direito a um nível de vida adequado, à educação e à
saúde são essenciais para que os indivíduos possam exercer sua dignidade plena em

9
sociedade. A dignidade não é somente uma questão de direitos civis e liberdade, mas
envolve também condições materiais que permitam aos indivíduos viverem com
respeito à sua humanidade ( Donnelly, 2003).

3.1. Características

Os direitos humanos são dotados de características próprias, capazes de distingui-los de


outros tipos de direitos, especialmente os da ordem doméstica. É possível apresentar as
características dos direitos humanos como sendo as seguintes, relativamente à sua
titularidade, natureza e princípios:

Historicidade: Os direitos humanos são históricos, isto é, são direitos que se vão
construindo com o decorrer do tempo. Foi tão-somente a partir de 1945 – com o fim da
Segunda Guerra e com o nascimento da Organização das Nações Unidas – que os
direitos humanos começaram a, efetivamente, desenvolver-se no plano internacional,
não obstante a Organização Internacional do Trabalho já existir desde 1919 (garantindo
os direitos humanos dos trabalhadores desde o pós-Primeira Guerra).

Universalidade: Significa que são titulares dos direitos humanos todas as pessoas,
bastando a condição de ser pessoa humana para se poder invocar a proteção desses
direitos, tanto no plano interno como no plano internacional, independentemente de
sexo, raça, credo religioso, afinidade política, status social, econômico, cultural etc.
Dizer que os direitos humanos são universais significa que não se requer outra condição
para a sua efetivação além da de ser pessoa humana; significa, em última análise, que
não se pode fazer acepção às pessoas, eis que todas elas são dotadas da mesma
dignidade.

Essencialidade: Os direitos humanos são essenciais por natureza, tendo por conteúdo
os valores supremos do ser humano e a prevalência da dignidade humana (conteúdo
material), revelando-se essenciais, também, pela sua especial posição normativa
(conteúdo formal), permitindo-se a revelação de outros direitos fundamentais fora do rol
de direitos expresso nos textos constitucionais.

Irrenunciabilidade: Diferentemente do que ocorre com os direitos subjetivos em geral,


os direitos humanos têm como característica básica a irrenunciabilidade, que se traduz
na ideia de que a autorização de seu titular não justifica ou convalida qualquer violação
do seu conteúdo. e) Inalienabilidade. Os direitos humanos são inalienáveis, na medida
em que não permitem a sua desinvestidura por parte do titular, não podendo ser
10
transferidos ou cedidos (onerosa ou gratuitamente) a outrem, ainda que com o
consentimento do agente, sendo, portanto, indisponíveis e inegociáveis.

Inexauribilidade. São os direitos humanos inexauríveis, no sentido de que têm a


possibilidade de expansão, a eles podendo ser sempre acrescidos novos direitos, a
qualquer tempo, exatamente na forma apregoada pelas normas que os “direitos e
garantias expressos não excluem outros. Percebese, aqui, que a Constituição (pela
expressão “não excluem outros...”) diz serem duplamente inexauríveis os direitos neles
consagrados, uma vez que eles podem ser complementados tanto por direitos
decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados como por direitos advindos dos
tratados internacionais (de direitos humanos).

Imprescritibilidade. São os direitos humanos imprescritíveis, não se esgotando com o


passar do tempo e podendo ser a qualquer tempo vindicados, não se justificando a perda
do seu exercício pelo advento da prescrição. Em outras palavras, os direitos humanos
não se perdem ou divagam no tempo, salvo as limitações expressamente impostas por
tratados internacionais que preveem procedimentos perante cortes ou instâncias
internacionais.

4. Desafios à Dignidade da Pessoa

Desigualdade Social e Econômica: A desigualdade social e econômica é um dos


maiores desafios à dignidade da pessoa, pois muitas vezes resulta em condições de vida
que desrespeitam os direitos fundamentais dos indivíduos. A pobreza extrema, o acesso
desigual à educação e à saúde, e a falta de oportunidades de trabalho dignas contribuem
para a marginalização e exclusão de grandes parcelas da população, violando sua
dignidade. Em muitos casos, as pessoas em situação de vulnerabilidade social são
tratadas como “inferiores” ou “menos dignas”, o que perpetua a desigualdade e a
discriminação.

Discriminação e Preconceito: A discriminação com base em raça, gênero, orientação


sexual, religião, etnia e outras características pessoais é outro desafio significativo à
dignidade humana. A exclusão e o preconceito impedem que as pessoas desfrutem de
seus direitos de forma plena e igualitária, resultando em violências físicas e psicológicas
que afetam profundamente sua autoestima e bem-estar. A luta contra a discriminação e
pelo respeito à diversidade é um dos principais campos de ação dos direitos humanos,
mas ainda enfrenta resistência em várias partes do mundo.

11
Violência e Abuso de Direitos: A violência física, psicológica e sexual é uma das
formas mais graves de violação da dignidade humana. Mulheres, crianças, pessoas com
deficiência e minorias frequentemente são vítimas de abusos e agressões que afetam sua
integridade física e emocional. O tráfico de seres humanos e a exploração sexual
também são crimes que desrespeitam profundamente a dignidade de suas vítimas,
reduzindo-as a objetos de exploração e opressão. A impunidade e a falta de mecanismos
eficazes para proteção dos direitos das vítimas tornam esse desafio ainda mais
complexo.

Crises Humanitárias e Deslocamento Forçado: Em situações de guerra, conflitos


armados e desastres naturais, milhões de pessoas são forçadas a abandonar suas casas e
viver em condições precárias em campos de refugiados ou outras áreas vulneráveis. O
deslocamento forçado e a falta de acesso a recursos básicos, como alimentação, água e
cuidados médicos, comprometem a dignidade dessas pessoas. Além disso, muitos
refugiados e migrantes enfrentam xenofobia e discriminação em países que deveriam
garantir sua proteção e seus direitos.

Violação da Privacidade e Liberdade Pessoal: Em tempos de crescente vigilância e


controle social, a dignidade da pessoa também está ameaçada pela violação da
privacidade e da liberdade pessoal. A coleta indiscriminada de dados pessoais, o
monitoramento online e a falta de transparência por parte de governos e corporações
podem resultar na manipulação e exploração dos indivíduos. O direito à privacidade,
que é um componente essencial da dignidade humana, está sendo constantemente
desafiado pela evolução das tecnologias de monitoramento e pela crescente vigilância
digital.

Sistema Penal e Condições Carcerárias: O tratamento de indivíduos no sistema penal


também levanta sérios desafios à dignidade. O encarceramento em condições
desumanas, com superlotação, falta de acesso à saúde e à educação, e abusos por parte
de autoridades, viola o princípio da dignidade humana. O direito à reabilitação e à
reintegração social dos presos é frequentemente negligenciado, o que perpetua ciclos de
exclusão e humilhação.

4.1. Dignidade da Pessoa no Cotidiano

A dignidade da pessoa humana não é apenas um princípio teórico ou jurídico, mas deve
ser vivida e respeitada no cotidiano das interações humanas, seja no âmbito familiar,

12
social, profissional ou político. No dia a dia, a dignidade se manifesta nas pequenas
ações e atitudes que refletem o reconhecimento e o respeito pelo valor intrínseco de
cada indivíduo. A seguir, abordamos como a dignidade da pessoa é aplicada e
vivenciada em diferentes contextos cotidianos.

Relações Interpessoais e Respeito Mútuo

A dignidade é fundamental nas relações interpessoais, em que o respeito mútuo e a


valorização das diferenças devem ser uma prática constante. No cotidiano, isso se traduz
em atitudes simples, como tratar os outros com educação, empatia e consideração, sem
reduzir ninguém a estereótipos ou preconceitos. No ambiente familiar, por exemplo, a
dignidade se reflete na atenção às necessidades emocionais e psicológicas dos membros
da família, respeitando suas vontades e decisões.

Ambiente de Trabalho e Profissionalismo

No âmbito profissional, a dignidade da pessoa deve ser respeitada por meio de um


tratamento justo e igualitário entre todos os colaboradores, independentemente de sua
posição hierárquica, gênero, etnia ou orientação sexual. Isso inclui a promoção de um
ambiente de trabalho saudável, onde a integridade física e psicológica de todos seja
protegida, e onde a discriminação e o assédio sejam combatidos de forma eficaz. Além
disso, as relações de trabalho devem ser regidas por normas que garantam salários
justos, condições adequadas de trabalho e respeito ao tempo e à vida pessoal dos
trabalhadores.

Educação e Formação de Cidadãos

A dignidade também está presente no contexto educacional, onde deve ser garantido um
ensino de qualidade para todos, sem discriminação ou exclusão. O respeito à dignidade
dos alunos é um aspecto central da educação, o que implica garantir um ambiente
seguro, acolhedor e estimulante para o desenvolvimento intelectual, emocional e social.
A escola, enquanto espaço de formação, deve ensinar a importância do respeito à
dignidade do outro, promovendo valores como solidariedade, empatia e respeito às
diferenças.

Políticas Públicas e Ações Sociais

No nível macro, a dignidade da pessoa humana deve ser promovida por meio de
políticas públicas que garantam a acessibilidade a serviços essenciais, como saúde,
13
educação, habitação e transporte. O acesso a esses direitos é uma forma prática de
assegurar que cada indivíduo possa viver de forma digna, com condições adequadas
para o seu bem-estar. A implementação de programas sociais voltados para populações
vulneráveis, como idosos, pessoas com deficiência, e comunidades em situação de
pobreza, é uma maneira de traduzir a dignidade em ações concretas.

Tecnologia e Privacidade Pessoal

Em um mundo cada vez mais digital, a dignidade também se reflete no respeito pela
privacidade e pelos dados pessoais. No cotidiano digital, a proteção das informações
pessoais e a garantia de que as pessoas tenham controle sobre seus próprios dados são
essenciais para preservar sua dignidade. A responsabilidade das empresas de tecnologia
e dos governos em proteger os dados e garantir que as pessoas não sejam manipuladas
ou exploradas também é um aspecto fundamental da dignidade no contexto atual.

Atitudes Cotidianas de Empatia e Solidariedade

No cotidiano, a dignidade também é vivenciada em atitudes de solidariedade, como


ajudar alguém em necessidade, escutar atentamente as preocupações do outro e
demonstrar compreensão. A dignidade é refletida nas pequenas ações que mostram
respeito pela vida e pela autonomia do próximo, seja em um gesto de carinho, no
cuidado com o bem-estar do outro ou no reconhecimento das limitações alheias.

14
5. Conclusão

Neste trabalho, conclui-se que a dignidade da pessoa humana é um princípio


fundamental que transcende as esferas jurídicas e filosóficas, sendo um valor essencial
que deve ser respeitado em todas as dimensões da vida humana. A dignidade não é
apenas um direito abstrato, mas um elemento intrínseco à condição de ser humano, que
deve ser protegido e promovido de forma concreta nas interações cotidianas, nas
políticas públicas e nas relações sociais. Ao longo do estudo, foi possível compreender
que a dignidade humana está diretamente ligada aos direitos fundamentais, sendo o
alicerce que justifica a existência e a proteção dos direitos humanos em sua totalidade.
Além disso, foram destacados diversos desafios que ameaçam a dignidade das pessoas,
como a desigualdade social, a discriminação, a violência e a falta de acesso a direitos
básicos, que exigem uma resposta contínua e eficaz das instituições e da sociedade.
Portanto, a dignidade não deve ser apenas um conceito, mas uma prática diária, capaz
de transformar as relações sociais e garantir uma vida mais justa e humana para todos. A
reflexão sobre a dignidade é essencial para a construção de uma sociedade mais
igualitária e respeitosa, onde cada indivíduo possa viver plenamente, com liberdade,
justiça e respeito.

15
6. Referências bibliográficas

KANT, Immanuel. Fundamentação da Metafísica dos Costumes. Trad. M. B. Lemos.


São Paulo: Martins Fontes, 1997.

LOPES, Maria Luiza. A Dignidade da Pessoa Humana e os Direitos Fundamentais.


Editora Revista dos Tribunais, 2006.

MARTINS, José Afonso. Direitos Humanos e Dignidade da Pessoa Humana. Editora


LTr, 2005.

Declaração Universal dos Direitos Humanos. Organização das Nações Unidas


(ONU), 1948.

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