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Fraquezas nos Controles Internos de ADRs

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Revista de Administração e Contabilidade


Volume 12, número 2
Feira de Santana, maio/agosto 2020, p.2 – 23
ISSN: 2177-8426

Determinantes de fraquezas materiais nos controles internos de companhias


emissoras de ADRS listadas na NYSE

Juliana Vieira Pereira Perazzolli


Laura Edith Taboada Pinheiro
Ana Carolina Vasconcelos Colares

RESUMO
Este estudo teve como objetivo identificar as causas da ocorrência de fraquezas materiais
nos controles internos das empresas estrangeiras (não norte-americanas) emissoras de
American Depositary Receipts (ADRs), listadas na New York Stock Exchange (NYSE). Os
resultados da pesquisa podem propiciar melhor entendimento dos problemas nos controles
internos destas empresas e das dificuldades enfrentadas por elas para melhorarem seus
controles, bem como fornecer subsídios à alta administração e aos auditores para
identificarem áreas de risco nestas empresas, permitindo que estes possam trabalhar de
forma preventiva. Realizou-se uma pesquisa descritiva, por meio de análise documental e
abordagem quantitativa dos dados. A amostra reuniu 305 empresas emissoras de ADRs com
ações negociadas na NYSE que divulgaram o Formulário 20-F referente ao período de 2006 a
2015, dentre as quais 79 possuíam fraquezas materiais nos controles internos. No período
analisado, foram reportadas 364 fraquezas materiais. Foi empregado o modelo logit de
efeito agrupado, o qual foi estimado utilizando a metodologia GEE em dados em painel. O
modelo apresentou 73,4% de acerto global na classificação de empresas com fraquezas
materiais nos controles internos. Os resultados sugerem que o tamanho da empresa e o
tamanho da firma de auditoria influenciam de forma negativa a ocorrência de fraquezas
materiais. Por outro lado, empresas com maior complexidade dos relatórios financeiros, com
saúde financeira não comprometida, mais antigas e situadas em países cuja cultura
apresenta elevado grau de distância hierárquica são mais propensas a apresentar fraquezas
materiais.

Palavras-chave: Fraquezas Materiais; Determinantes; Controle Interno.

1 INTRODUÇÃO
Embora aborde problemas antigos nas relações sociais, tais como a separação da
propriedade e da gestão e o conflito de interesses, o controle interno ganhou maior
visibilidade no mundo a partir das grandes fraudes financeiras descobertas em 2001, nos
Estados Unidos, e da consequente promulgação da Lei Sarbanes-Oxley (SOX) em 2002.

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Silveira e Carvalho (2009) afirmam que essa lei impactou a estrutura de controles internos
de grandes empresas em todo o mundo, haja vista que, para terem direito à emissão e
negociação de ações, estas companhias precisam atender a referida lei.
A Seção 404 da SOX exige que a alta administração das empresas emita um relatório
de avaliação da eficácia de seus controles internos sobre relatórios financeiros, bem como
exige que os auditores independentes também atestem a eficácia dos controles. Para Coates
e Srinivasan (2014), através destes requisitos de comunicação, o Congresso Norte-
Americano exigiu divulgações mais detalhadas sobre as deficiências nos controles internos,
acreditando que as pressões que fluiriam de tais divulgações levariam as empresas a
melhorarem seus sistemas de controles internos.
Calderon, Wang e Conrad (2012) afirmam que, apesar de nos primeiros anos que
sucederam a SOX muitas empresas terem divulgado que possuíam controles internos
ineficazes, houve uma redução acentuada deste número ao longo do período de 2004 a
2010, havendo uma tendência de continuação da queda nos anos seguintes. Segundo os
autores, em 2004, quando passou a ser obrigatório o relatório da Seção 404, 20% das
empresas classificadas como registrantes antecipadas e 12% das registrantes antecipadas de
grande porte divulgaram problemas nos controles internos enquanto que, em 2010, apenas
1% das registrantes antecipadas de grande porte e 5% das registrantes antecipadas tinham
controles ineficazes. Estes resultados podem ser um indício de que as empresas, de fato, se
importaram com as consequências da divulgação de deficiências.
Os controles internos sobre relatórios financeiros são considerados ineficazes se uma
fraqueza material é identificada. O Public Company Accounting Oversight Board (PCAOB),
órgão criado para supervisionar as empresas de auditoria, define fraqueza material como:

uma deficiência ou uma combinação de deficiências no controle


interno sobre os relatórios financeiros, de modo que há uma
possibilidade razoável de que uma distorção relevante nas
demonstrações financeiras anuais ou intermediárias não seja
prevenida ou detectada em tempo hábil (PCAOB, 2007).

A existência de fraquezas materiais nos controles internos traz consequências


negativas para as empresas, tais como: redução do retorno sobre o investimento
(HAMMERSLEY, MYERS e SHAKESPEARE, 2005; FRANCO, GUAN e LU, 2005; EMANUELS,
LEEUWEN, PRAAG e WALLAGE, 2005; BENEISH, BILLINGS e HODDER, 2006), menor qualidade
dos accruals (DOYLE, GE e MCVAY, 2007b; ASHBAUGH-SKAIFE, COLLINS, KINNEY Jr. e
LAFOND, 2008), maiores custos de capital e da dívida (ASHBAUGH-SKAIFE, COLLINS e KINNEY
JR., 2009), erros de gestão (FENG, LI e MCVAY, 2009) e menor precisão nas previsões dos
analistas de mercado (CLINTON, PINELLO e SKAIFE, 2014). Assim, verifica-se a importância de
estudos sobre os determinantes deste tipo de deficiência de controle.
Os primeiros trabalhos sobre o assunto investigaram a associação entre as fraquezas
materiais e características das organizações, tais como: tamanho da empresa, idade, saúde
financeira, complexidade dos relatórios financeiros e dos negócios, atendimento a práticas
de governança corporativa e independência do auditor. (GE e MCVAY, 2005; DOYLE, GE e
MCVAY, 2007a; ZHANG, ZHOU e ZHOU, 2007). Estes estudos verificaram que fraquezas

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materiais são mais prováveis em empresas menores, mais jovens, mais complexas e com
situação financeira pior do que empresas que não divulgaram fraquezas materiais.
Por outro lado, os estudos mais recentes têm analisado a relação entre fraquezas
materiais e outras variáveis, quais sejam: a cultura do país em que as empresas estão
situadas (KANAGARETNAM, LOBO e ZHOU, 2014) e a estratégia de negócios (BENTLEY-
GOODE, NEWTON e THOMPSON, 2015). Os achados destas pesquisas evidenciam que, em
países onde o individualismo e a distância hierárquica são mais valorizados, as empresas são
mais propensas a divulgarem fraquezas materiais e empresas com estratégias de negócios
mais conservadoras são menos propensas a revelarem fraquezas materiais do que aquelas
consideradas arrojadas.
Assim, procurou-se responder à seguinte questão: Quais são os fatores
determinantes de fraquezas materiais nos controles internos sobre a divulgação de
relatórios financeiros de companhias não norte-americanas, neste estudo chamadas de
estrangeiras, listadas na New York Stock Exchange (NYSE), emissoras de American Depositary
Receipts (ADRs)?
A pesquisa consistiu em identificar as causas da ocorrência de fraquezas materiais
nos controles internos das empresas estrangeiras emissoras de ADRs, listadas na NYSE.
Como a amostra do estudo foi composta de companhias não norte-americanas, as quais
estão inseridas em cenários diferentes daquele dos Estados Unidos, acredita-se que os
resultados da pesquisa podem propiciar melhor entendimento dos problemas nos controles
internos destas empresas e das dificuldades enfrentadas por elas para melhorarem seus
controles. Assim, os resultados do estudo fornecerão subsídios à alta administração e aos
auditores para identificarem áreas de risco nestas empresas, permitindo que possam
trabalhar de forma preventiva.

2 REVISÃO DA LITERATURA

2.1 Controle Interno


Em sentido amplo, como comenta Antunes (1998, p. 60), “o exercício do controle [...]
está sempre associado ao ato de fiscalização, para que não ocorram desvios em relação aos
padrões anteriormente definidos”. Corroborando com esta afirmação, Anthony e
Gonvidarajan (2001, p. 34), por sua vez, consideram que o controle tem a finalidade de
“assegurar que as estratégias sejam obedecidas, de forma que os objetivos da organização
sejam atendidos”.
De acordo com Heier, Dugan e Sayers (2004), as primeiras definições de controle
interno enfatizavam a função de verificação interna das informações financeiras, ou seja, de
avaliação de controles contábeis. Antunes (1998) afirma que, com a emissão do Special
Report on Internal Control, em 1949, pelo Committe on Auditing Procedure do American
Institute of Accountants (AIA), atual American Institute of Certified Public Accountants
(AICPA), houve uma ampliação da definição de controle interno e o reconhecimento de que
este se expande para outros assuntos, além daqueles pertinentes às atividades de
contabilidade e finanças. Segundo o AIA (1949) apud Heier et al. (2004, p. 19),

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o controle interno compreende o plano de organização e todos os


métodos e medidas coordenados, adotados dentro de uma empresa,
para proteger seus ativos, verificar a exatidão e confiabilidade de
seus dados contábeis, promover a eficiência operacional e incentivar
a adesão às políticas de gestão estabelecidas (HEIER et al., 2004, p.
19).

Entretanto, esta definição, amplamente utilizada pela literatura, é de certa forma,


restrita, pois ainda que um plano de organização seja um instrumento fundamental para a
eficácia do controle interno, este não se resume àquele, sendo apenas a formalização dos
procedimentos, das políticas, das responsabilidades e das autoridades. O controle interno é
realizado pelas pessoas da organização, com base naquilo que é dito e feito por elas. Outro
aspecto a ser considerado, é que esta definição considera que o controle interno possui
apenas quatro finalidades - salvaguarda de ativos, exatidão e confiabilidade das informações
financeiras, eficiência operacional e adesão às políticas de gestão estabelecidas -,
desconsiderando os objetivos das empresas relacionados à conformidade com leis e
regulamentos aos quais se submetem e avaliação de riscos que são tão importantes quanto
aquelas finalidades ponderadas.
Com a emissão da Statement on Auditing Standard (SAS) 55, em 1988, o AICPA altera
substancialmente os conceitos e definições anteriores. A definição enunciada, considerada
por Antunes (1998) como curta e objetiva, é a seguinte: “Uma estrutura de controle interno
de uma entidade consiste nas políticas e nos procedimentos para prover razoável segurança
que os objetivos específicos da entidade sejam alcançados”.
Esta definição também restringe o controle interno a políticas e procedimentos,
porém amplia suas finalidades, tendo em vista que considera os objetivos das empresas de
uma forma geral. Cabe ressaltar que a SAS 55 introduz um novo elemento: a expressão
“razoável segurança”. Com isso, o AICPA reconheceu que existem limitações em todos os
sistemas de controle interno e que podem existir incertezas e riscos, impossíveis de serem
previstos com precisão confiável, fazendo com que a garantia absoluta nunca seja alcançada.
Em 1992, com a emissão da Internal Control – Integrated Framework, o COSO definiu
controle interno como:

[...] um processo realizado pela estrutura de governança, pela


administração e por outros profissionais da entidade, projetado para
fornecer segurança razoável quanto à consecução de objetivos nas
seguintes categorias: a) eficácia e eficiência das operações; b)
confiabilidade de relatórios financeiros; c) cumprimento de leis e
regulamentações aplicáveis (COSO, 1992, p. 13).

Esta definição traz uma inovação em relação às conceituações anteriores, pois trata o
controle interno não como um evento ou uma circunstância estática, mas como um
processo, que segundo o COSO (2013) é dinâmico e interativo, pois constitui uma série de
ações que permeiam as atividades de uma entidade e que são inerentes à forma como a
administração a gerencia. O termo estrutura de governança abrange o órgão deliberativo,

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como o conselho de administração, o conselho consultivo, sócios, proprietários ou conselho


supervisor.
Em 1998, o AICPA emitiu a norma de auditoria SAS 78, substituindo a definição de
controle interno da SAS 55 pela definição de controle interno dada pelo COSO (1992) e
incorporando os componentes e demais conceitos da estrutura de controles [Link]
isso, de acordo com Peters (2004, p. 36), a definição de controle interno do COSO (1992)
“[...] tornou-se um paradigma de mercado, pois os auditores independentes a utilizam como
padrão para revisão do controle interno em seus trabalhos de emissão de parecer sobre
demonstrações financeiras empresariais”.
A International Federation of Accountants (IFAC), entidade sem vinculação com
nenhum país específico que, segundo Antunes (1998, p. 1), “é de grande aceitação técnica
pelos auditores independentes no mundo”, e que emite as International Standards on
Auditing (ISA), também incorporou os elementos introduzidos pelo COSO (1992) na norma
denominada Matter 400 – Risk Assessments and Internal Control, emitida em 1997. Segundo
esta norma,

O termo “sistema de controle interno” significa todas as políticas e


procedimentos (controles internos) adotados pela administração de
uma entidade para auxiliá-la a alcançar o objetivo da administração
de assegurar, tanto quanto seja factível, a condução ordenada e
eficiente de seu negócio, incluindo aderência às políticas de
administração, a salvaguarda de ativos, a prevenção e detecção de
fraudes e erros, a exatidão dos registros contábeis e a inclusão de
tudo que os mesmos devem conter, e a preparação tempestiva de
informações financeiras confiáveis (ISA, 1997, p. 1).

Conforme a IFAC (1997), o controle interno vai além das funções de um sistema de
contabilidade, compreendendo o ambiente de controle, que corresponde à atitude de uma
maneira geral, à conscientização e às ações dos diretores e dos administradores em relação
ao sistema de controle interno e a sua importância na entidade, e os procedimentos de
controle, que englobam aquelas políticas e procedimentos adicionais do ambiente de
controle que a administração tenha estabelecido para conseguir alcançar os objetivos
específicos da entidade.
Verifica-se que a definição da IFAC (1997) traz, de forma explícita, a preocupação
com a prevenção e detecção de fraudes e a consequente perda de ativos. Cabe ressaltar,
que a ausência de controles internos promove um contexto bastante atrativo e vulnerável à
má conduta organizacional. Todavia, como afirma Nascimento e Reginato (2013), mesmo
com sólidas estruturas de controles, como esses são elaborados, executados e revisados por
pessoas, sempre existirão riscos de conluios, erros e fraudes.
Em 2013, na revisão da Internal Control – Integrated Framework, o COSO manteve a
essência da definição da estrutura original definindo o controle interno como:

um processo conduzido pela estrutura de governança, pela


administração e por outros profissionais da entidade, e desenvolvido
para proporcionar segurança razoável com respeito à realização dos

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objetivos relacionados a operações, divulgação e conformidade


(COSO, 2013, p. 5).

O COSO (2013) defende que, a definição enfatiza cinco características do controle


interno, quais sejam: (1) é conduzido para atingir os objetivos das empresas em três
perspectivas - operacional, de divulgação e de conformidade -; (2) é um processo que
consiste em tarefas e atividades contínuas, sendo um meio para um fim, e não, um fim em si
mesmo; (3) realizado por pessoas, não se tratando apenas de um manual de políticas e
procedimentos, mas de pessoas e ações que estas tomam em cada nível organizacional para
realizar as atividades sobre as quais são responsáveis; (4) capaz de proporcionar segurança
razoável, mas não absoluta, para a estrutura de governança e a alta administração das
entidades; e (5) adaptável à estrutura da entidade, pois pode ser aplicado em toda a
entidade ou apenas para uma subsidiária, divisão, unidade operacional ou processo de
negócio em particular.
Por ser abrangente e capturar conceitos importantes que são fundamentais para a
maneira como as entidades desenvolvem, implementam e conduzem o controle interno,
entende-se que a definição do COSO (2013) seja a mais adequada. Cabe ressaltar que,
conforme Bergamini Jr. (2005), as definições de controle interno devem ser transportadas
para o ambiente organizacional com cuidado, pois cada entidade tem objetivos operacionais
específicos, de acordo com as suas atividades, volume de operações e riscos envolvidos.

2.2 Fatores Determinantes de Fraquezas Materiais nos Controles Internos


Nesta seção são apresentados os fatores que os estudos anteriores associaram à
probabilidade de divulgação de fraquezas materiais nos controles internos. Verificou-se que
estes fatores estão relacionados às características das empresas (tamanho, antiguidade, grau
de complexidade dos relatórios financeiros, estratégia de negócios, qualidade da governança
corporativa e setor de atuação), ao nível de recursos disponíveis nas empresas para garantir
um ambiente de controle adequado (saúde financeira), aos incentivos do auditor externo
para descobrir e divulgar fraquezas materiais (perfil do auditor externo) e às características
dos países onde as empresas atuam (sistema jurídico e cultura nacional).
O tamanho da empresa é considerado por Rice e Weber (2012), Ge e McVay (2005),
Bryan e Lilien (2005), Doyle et al. (2007a), Kinney e McDaniel (1989) e Mautz et al. (1980),
um fator determinante para o desenvolvimento de um adequado sistema de controles
internos. Os autores verificaram que a probabilidade de comunicação de deficiências nos
controles internos está negativamente associada ao tamanho da empresa. Segundo os
autores, este resultado deve-se ao fato de que as grandes empresas são propensas a ter
estruturas organizacionais e de relatórios mais complexas que podem aumentar a
dificuldade de detecção de deficiências de controle.
Ge e McVay (2005) analisaram a relação entre a idade da empresa e a existência de
fraquezas materiais nos controles internos. Segundo os autores, empresas mais jovens
possuem procedimentos menos consolidados e funcionários com menos experiência do que
empresas com mais tempo de mercado. Eles calcularam a idade das empresas pelo número
de anos em que estas possuíam dados de avaliação de preços no banco de dados
Compustat, estabelecendo uma idade máxima de 30 anos. A análise estatística do estudo

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evidenciou que fraquezas materiais nos controles internos estão associadas positivamente à
idade da empresa.
Doyle et al. (2007a) afirmam que empresas de baixo desempenho financeiro podem
não investir tempo e recursos financeiros suficientes no sistema de controle interno para
garantir sua adequação, tendo em vista que o mesmo pode não ser uma prioridade para as
empresas que estão preocupadas, simplesmente, em permanecer no negócio. Os autores
mediram a saúde financeira das empresas através de dois indicadores: perda agregada e
risco de falência. Ambas as medidas foram significativas para explicar a divulgação de
fraquezas materiais e indicaram que a saúde financeira está associada negativamente à
divulgação das fraquezas.
Conforme Doyle et al. (2007b), a complexidade dos relatórios financeiros de uma
empresa pode ser medida pela atuação da mesma em várias divisões geográficas ou
negócios. Empresas com estas características enfrentam desafios para a implementação
consistente de controles internos nas diferentes divisões e para a consolidação das
informações contábeis. Para cada divisão, diferentes fatores podem afetar a implementação
de um adequado controle interno. Por exemplo, em uma empresa multinacional, o ambiente
institucional e legal de cada localidade pode ser diferente, e, portanto, afetar a eficácia do
controle interno.
Em seu estudo, os autores examinaram a complexidade das informações contábeis por
meio de três medidas: o registro do número de sociedades de propósitos específicos (SPEs)
associadas à empresa, o registro da soma do número de segmentos operacionais e
geográficos e a existência de participações em empresas no exterior, havendo necessidade
de conversão em moeda estrangeira em decorrência destas operações. Foi constatado que
as três medidas foram significativamente superiores para as empresas que apresentaram
fraqueza material, fornecendo evidências de que a complexidade dos relatórios financeiros
dificulta a criação e manutenção de um sistema de controle interno adequado.
Conforme Ge e McVay (2005), os auditores também possuem papel importante na
identificação e comunicação de fraquezas materiais nos controles internos das empresas.
Para os autores, grandes empresas de auditoria tendem a ter clientes maiores do que
empresas de auditoria menores e, portanto, na medida em que fraquezas materiais estão
associadas com o tamanho das empresas, as grandes firmas de auditoria podem encontrar
menos problemas de controle interno. Além disso, espera-se que as firmas de auditoria
maiores tenham mais conhecimentos de auditoria e maior exposição à responsabilidade
legal do que empresas de auditoria menores. Assim, conforme Ge e McVay (2005), se as
firmas de auditoria maiores historicamente impõem padrões mais fortes de controle interno
para os seus clientes, a tendência é que sejam identificados menos pontos fracos divulgados
sob as seções 302 e 404.
Outro aspecto a ser considerado é a independência do auditor. Conforme Almeida
(2011), a auditoria independente contribui para a qualidade e transparência da informação
contábil por meio do monitoramento das informações financeiras divulgadas ao mercado e
da identificação e apontamento de irregularidades contábeis praticadas por seus clientes.
Entretanto, Watts e Zimmerman (1986) afirmam que o monitoramento da auditoria externa
somente é válido se esta garantir sua independência, ou seja, se não houver conflitos de
agência entre auditores externos e acionistas. De acordo com Almeida (2011), as empresas
de auditoria, apesar de serem contratadas para proteger os interesses dos acionistas, estão

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preocupadas com a maximização de sua utilidade, a manutenção de seu faturamento e,


consequentemente, de seus clientes.
Kanagaretnam et al. (2014) examinaram as relações entre cultura nacional, a
incidência e o número de fraquezas materiais nos controles internos relatadas pelas
empresas. Os autores se concentraram em três dimensões da cultura nacional identificadas
por Hofstede (2001), quais sejam: o individualismo, a aversão à incerteza e a distância
hierárquica. A pesquisa indicou que o individualismo e a distância hierárquica estão
relacionados de forma positiva à existência de fraquezas materiais e a aversão à incerteza é
negativamente relacionada com estas. Os autores também identificaram uma relação
positiva significativa entre o individualismo e o número de fraquezas materiais e que as três
dimensões da cultura nacional estudadas influenciavam a propensão das empresas a
remediar previamente estas fraquezas.
Bentley-Goode et al. (2015) examinaram se a estratégia de negócios de uma empresa
é um determinante da qualidade do seu controle interno sobre os relatórios financeiros. Os
autores utilizaram seis razões para capturar as diferentes dimensões da estratégia de
negócios, quais sejam: (1) despesa com pesquisa e desenvolvimento para vendas (captura
desenvolvimento de novos produtos), (2) despesas com vendas, gerais e administrativas
para vendas (captura esforços de marketing), (3) variação percentual anual das vendas
(captura padrões de crescimento), (4) os empregados da equipe de vendas (captura
eficiência de produção), (5), receita de propriedade, instalações e equipamentos para os
ativos totais (captura estrutura de capital) e (6) o desvio padrão do número total de
empregados da empresa (captura estabilidade organizacional).
Os autores verificaram que as empresas que seguem uma estratégia arrojada são
suscetíveis de ter controles internos mais fracos do que as empresas que seguem uma
estratégia conservadora. Além disso, as empresas arrojadas são menos propensas a
remediar ou revelar fraquezas materiais nos controles internos em tempo hábil e são
clientes de auditoria de maior risco. A pesquisa demonstrou que a estratégia de negócios é
um fator preditivo significativo de fraquezas materiais.
Zhang et al. (2007) investigaram a relação entre a qualidade do comitê de auditoria, a
independência do auditor e a divulgação de deficiências de controle após a promulgação da
Lei Sarbanes-Oxley. Segundo os autores, as empresas cujos comitês de auditoria têm menos
experiência financeira são mais propensas a apresentarem fraquezas em seus controles
internos. De forma semelhante, Krishnan (2005) examinou a associação entre a qualidade do
comitê de auditoria e a qualidade do controle interno. Os resultados indicam que as
empresas com comitês de auditoria totalmente formados por conselheiros independentes e
comitês de auditoria com experiência financeira são significativamente menos propensos a
terem problemas de controle interno.

3 METODOLOGIA
Neste estudo, realizou-se uma pesquisa descritiva, por meio de análise de
documentos e abordagem quantitativa dos dados. Vergara (2009) explica que a pesquisa
descritiva expõe características de determinada população ou de determinado fenômeno.
Pode também estabelecer correlações entre as variáveis e definir sua natureza.
A amostra do estudo compreende as empresas emissoras de ADRs com ações
negociadas na NYSE que divulgaram o Formulário 20-F referente ao período de 2006 a 2015.

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A Securities Exchange Comission (SEC) divide os emitentes de ações em três categorias para
fins de arquivamento de relatórios, cujo prazo varia de acordo com esta categorização, que
se baseia no Valor Agregado de Mercado (Aggregate Worldwide Market Value), calculado
com base no valor de mercado das ações, excluindo-se aquelas em poder de executivos da
empresa e controladores, quais sejam: registrante antecipada de grande porte (valor
agregado de mercado maior que US$700 milhões), registrante antecipada (valor agregado
de mercado entre US$75 milhões e US$700 milhões) e registrante não antecipada (valor
agregado de mercado até US$75 milhões). Desta forma, a preferência pelo período de
pesquisa estabelecido se deve ao fato de 2006 ter sido o primeiro exercício para o qual as
empresas estrangeiras classificadas como registrantes antecipadas de grande porte foram
obrigadas a certificar seus controles internos de acordo com a seção 404 da SOX, caso da
maioria das companhias objeto do estudo.
Inicialmente, identificaram-se as empresas estrangeiras emissoras de ADRs com
ações negociadas na Bolsa de Nova Iorque no website da SEC
([Link] totalizando 531 companhias. Nesse mesmo website,
realizou-se a busca dos Formulários 20-F das empresas, referentes ao período analisado,
para identificar quais empresas apresentaram a certificação dos controles internos. Foram
eliminadas 226 companhias, cujos Formulários 20-F não foram encontrados para nenhum
dos exercícios em análise, resultando em uma amostra +final de 305 empresas. Destas
empresas 79 relataram pelo ao menos uma fraqueza material referente ao período de 2006
a 2015. Os dados em painel foram desbalanceados, pois das 305 empresas avaliadas, foi
possível obter os dados, referentes a todos os anos (2006-2015), de 273 empresas (89,5%) e
32 empresas (10,5%) tiveram perdas nas informações sobre a existência de fraquezas
materiais nos controles internos ao longo do tempo, por não apresentarem o Formulário 20-
F para determinados anos.
Após eliminar os anos que não tinham informação sobre a existência de fraqueza
material nos controles internos, ainda restaram 7 variáveis explicativas que tiveram 692
dados perdidos ao longo dos anos. Embora a quantidade seja irrelevante frente ao total de
observações (72552), decidiu-se imputar essas informações na base de dados. Para realizar a
imputação dos dados ausentes, foram utilizadas as predições geradas a partir de modelos de
regressão apropriados para cada variável a ser imputada, conforme proposto em Gelman
(2007). Os modelos de regressão utilizados foram os de efeitos aleatórios, considerando
variação no intercepto e no coeficiente relacionado ao tempo, respeitando a estrutura
longitudinal existente em cada empresa e as características distribucionais de cada variável.
Dessa forma, para realizar a imputação nas variáveis quantitativas, foi utilizado o modelo
linear de efeitos aleatórios:
E(Yit)=(α + αi)+(b + bi) TEMPO
Com i = 1, 2,..., 305 (Empresas) e t = 2006, 2011,..., 2015.
Com o parâmetroα sendo um termo constante e o parâmetro αi, o efeito aleatório,
com αi ~ N (0,σ2), que capta a heterogeneidade entre as empresas. Já o b é o parâmetro que
capta a tendência média para todas as empresas durante o período estudado, com bi ~ N
(0,σ2), captando a heterogeneidade dessa tendência entre as empresas. Dessa forma, o valor
imputado na informação ausente da i-ésima empresa no tempo t foi o E(Yit) predito pelo
modelo.

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Para realizar a imputação nas variáveis qualitativas foi utilizado o modelo logístico de
efeitos aleatórios:
exp{(α + αi)+(b + bi) TEMPO}
P(Yit = 1) =
1 + exp{(α + αi)+(b + bi) TEMPO}
Com o parâmetro sendo um termo constante e o parâmetro αi, o efeito aleatório,
com αi ~ N (0,σ2) que capta a heterogeneidade entre as empresas. Já o b é o parâmetro que
capta a tendência média para todas as empresas durante o período estudado, com bi ~ N
(0,σ2) captando a heterogeneidade dessa tendência entre as empresas. Dessa forma, se a
probabilidade estimada para a informação ausente na i-ésima empresa no tempo t P(Yit = 1)
fosse maior que a prevalência da variável, o valor imputado foi 1, se não, 0.
Visando analisar se as fraquezas materiais nos controles internos e seus respectivos
determinantes variavam entre os setores de atuação das empresas, identificou-se o setor a
que cada uma pertencia, conforme a classificação adotada pela NYSE (2016), através do site
[Link] menu Company Information. As empresas
se distribuíram em dez setores, quais sejam: Consumo Cíclico, Consumo Defensivo, Energia,
Industrial, Materiais Básicos, Saúde, Serviços de Telecomunicações, Serviços Financeiros,
Serviços Públicos e Tecnologia.
Com o objetivo de identificar os principais fatores que possam contribuir para a
ocorrência de fraquezas materiais nos controles internos em empresas de diferentes países,
no período de 2006 a 2015, a variável dependente, foi definida da seguinte forma:
FMit = 1, se foi encontrada alguma fraqueza na empresa i, no tempo t.
FMit = 0, se não foi encontrada nenhuma fraqueza na empresa i, no tempo t.
O Quadro 1 apresenta as variáveis relacionadas à existência de fraquezas materiais
nos controles internos, utilizadas no trabalho.

Quadro 1: Definição Operacional das Variáveis Relacionadas à Existência de Fraquezas


Materiais
Relação
Dimensão Variável Sigla Cálculo Autor
Esperada
O log do número de
Empresas entidades
CONTROL +
Controladas controladas pela
empresa.
O log da soma do
número de Ge e McVay
Complexidade
segmentos (2005); Doyle,
dos relatórios Segmentos SEG +
operacionais Ge e McVay
financeiros
associados à (2007a); Kwak
(COMPLEX)
empresa. et al. (2009)
É igual a 1, se a
Conversão de
empresa possui
DCs em
TR_E + empresas no
Moeda
exterior no ano t e
Estrangeira
0, caso contrário.

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Relação
Dimensão Variável Sigla Cálculo Autor
Esperada
Ge e McVay
(2005); Doyle,
O log do número de
Antiguidade da Idade da Ge e McVay
ID_E - anos de existência
empresa empresa (2007);
da empresa.
Chernobai e
Yasuda (2013)
Mautz et al.
(1980); Kinney
e McDaniel
O log do preço da
(1989); Ge e
Tamanho da Valor de ação x o número de
VA_M - McVay (2005);
Empresa mercado ações em
Doyle, Ge e
circulação.
McVay (2007);
Rice e Weber
(2012)
Liquidez Ativo Circulante /
LIQ_C -
Corrente Passivo Circulante Ge e McVay
(Ativo Circulante + (2005); Ahuja
Realizável a Longo et al. (2012);
Prazo) / (Passivo Doyle, Ge e
Saúde Financeira Liquidez Geral LIQ_G -
Circulante + McVay
da empresa
Exigîvel a Longo (2007a)
(SFINAN)
Prazo)
Retorno sobre o
Retorno Sobre Ativo = Lucro Ge e McVay
ROA -
o Ativo Operacional / Ativo (2005)
Total Médio
É igual a 1, se a
Tamanho da firma de auditoria
TMA -
Firma for uma Big Four e
Ge e McVay
0, caso contrário.
Perfil do Auditor (2005); Zhang,
Total de serviços
Externo Zhou e Zhou
adicionais / Total
Independência (2007)
IN_A - de honorários
do auditor
pagos à empresa
de auditoria.
Escore do nível de
distância
Distância hierárquica do país Kanagaretnam
Cultura Nacional DIST_H +
Hierárquica onde a empresa et al. (2014)
opera (HOFSTEDE,
2001).

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Relação
Dimensão Variável Sigla Cálculo Autor
Esperada
Escore do nível de
individualismo do
Individualismo INDV + país onde a
empresa opera
(HOFSTEDE, 2001).
Escore do nível de
aversão à incerteza
Aversão à
AVE_I - do país onde a
Incerteza
empresa opera
(HOFSTEDE, 2001).
Variável discreta,
com valores
variando de 5 a 20,
onde as empresas
com pontuação
total acima da
mediana foram
Bentley-
consideradas
Goode,
Estratégia de Estratégia de prospectoras e a
EST_N + Newton e
Negócios Negócios elas foi atribuído o
Thompson
valor 1 e aquelas
(2015)
com pontuação
total abaixo da
mediana, foram
consideradas
defensivas e a elas
foi atribuído o valor
0.
Medida pelo ISS
Governance
Quickscore em que
uma pontuação de
1 indica
relativamente
Qualidade
menor risco de Zhang, Zhou e
da Governança Governança GOV -
governança Zhou (2007)
Corporativa
corporativa, e,
inversamente, uma
pontuação de 10
indica
relativamente
maior risco de

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Relação
Dimensão Variável Sigla Cálculo Autor
Esperada
governança.

Variável binária
igual a 1, se o
Variável
Sistema sistema jurídico do
SJ de -
Jurídico país for Common
Controle
Law e 0 se for Code
Perfil da empresa
Law.
A amostra contou
Variável
com empresas de
Setor SET de -
aproximadamente
Controle
10 setores

Como a variável resposta do estudo é binária e está no contexto de dados em painel,


foram utilizados modelos logit capazes de acomodar a estrutura dependência criada pelas
medidas realizadas na mesma empresa ao longo do tempo.
O modelo logit no contexto de dados em painel pode ser ajustado, de acordo com
Greene (2012), considerando os estimadores: de efeito agrupado, de efeitos aleatórios, de
efeitos fixos não condicionais e de efeitos fixos condicionais. Porém os modelos de efeito
fixo condicionais e não condicionais não permitem a inserção de variáveis explicativas que
não variam ao longo do tempo, dessa forma, não foram considerados apropriados nesse
estudo uma vez que mais da metade das variáveis explicativas não eram tempo-dependente.
Dessa forma foram considerados adequados ao problema em estudo somente os modelos
logit de efeito agrupado via estimação GEE e o modelo de efeitos aleatórios.
De acordo com Francisco (2014), no modelo de efeito agrupado, pressupõe-se que a
influência das variáveis explicativas sobre a variável dependente é idêntica para todas as
unidades cross section, não se admitindo que cada unidade tenha seu próprio intercepto. O
efeito entre as unidades é agrupado em um único intercepto. Assim, pode-se representar o
modelo de efeito agrupado, neste estudo, da seguinte forma:
exp (α + χβ)
Prob (FMit = 1) =
1 + exp (α + χβ)
Sendo que:
• O parâmetro α é um termo constante, sendo o mesmo para todas as empresas.
• χβ = β1CONTROLit + β2SEGit + β3TR_Eit + β4ID_Eit + β5VA_Mit + β6LIQ_Cit + β7LIQ_Git
+ β8ROAit + β9TMAit + β10IN_Ait + β11DIST_Hit + β12INDVit + β13AVE_Iit + β14EST_Nit +
β15GOVit + ∑npp=16βpI (SJ) + ∑nsp=np+1βpI(SET)
Em que np é o número de países (ou agrupamento de países) e ns é o número de
setores (ou agrupamento de setores).
O modelo de efeito agrupado foi estimado utilizando a metodologia Generalized
Estimating Equations (GEE) (LIANG e ZEGER, 1986) visando alcançar estimadores

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consistentes e eficientes para β. O modelo de efeito agrupado usando o estimador GEE,


diferente do estimador ML (Máxima Verossimilhança), é um caminho para contabilizar a
correlação existente na mesma empresa ao longo do tempo. O método GEE é conhecido
como modelos marginais e pode ser considerado uma extensão dos modelos lineares
generalizados (MCCULLAGH e NELDER, 1989). As regressões marginais por sua facilidade na
interpretação e ausência de suposições distribucionais têm sido preferidas como extensão
dos modelos lineares generalizados para dados longitudinais (FITZMAURICE, LAIRD e WARE,
2011).
Duarte, Lamounier e Takamatsu (2012) apontam que o modelo de efeitos aleatórios
possui as mesmas suposições do modelo de efeitos fixos, isto é, o intercepto varia de um
indivíduo para o outro, mas não ao longo do tempo, e os parâmetros de resposta são
constantes para todos os indivíduos e em todos os períodos de tempo. A diferença entre os
dois modelos refere-se ao tratamento do intercepto: o modelo de efeitos fixos trata os
interceptos como parâmetros fixos; já o modelo de efeitos aleatórios trata os interceptos
como variáveis aleatórias, ou seja, o modelo considera que os indivíduos sobre os quais
dispõe-se de dados são amostras aleatórias, representativas de uma população maior de
indivíduos.
Assim, pode-se representar o modelo de efeitos aleatórios, da seguinte forma:
exp {(α + γi) + χβ}
Prob (FMit = 1) =
1 + exp {(α + γi) + χβ}
Sendo que:
• O parâmetro α é um termo constante que será o mesmo para todas as empresas
e o parâmetro γi é o efeito aleatório, com γi ~ N (0,σ2), que capta a
heterogeneidade entre as empresas.
• χβ = β1SPEit + β2SEGit + β3TR_Eit + β4ID_Eit + β5VA_Mit + β6LIQ_Cit + β7LIQ_Git +
β8ROAit + β9TMAit + β10IN_Ait + β11DIST_Hit + β12INDVit + β13AVE_Iit + β14EST_Nit +
β15GOVit + ∑npp=16βpI (PAI) + ∑nsp=np+1βpI(SET)
Em que np é o número de países (ou agrupamento de países) e ns é o número de
setores (ou agrupamento de setores).
O modelo de efeito aleatório capta a heterogeneidade não observada entre as
empresas através do efeito aleatório γi, diferentemente do modelo de efeito fixo capta a
heterogeneidade não observada entre as empresas através do efeito fixo. O modelo de
efeito aleatório possui a suposição que não pode existir correlação entre o efeito aleatório
e as variáveis explicativas que estão armazenadas na matriz χ (GREENE, 2012). Para testar
essa suposição foi realizado novamente o teste de Hausman (1978).
Para a seleção das variáveis foi utilizado o método Backward (EFROYMSON, 1960),
que é o procedimento de retirar, por vez, a variável de maior valor-p, sendo esse
procedimento repetido até que restem no modelo somente variáveis significativas. Para o
método Backward foi adotado um nível de 5% de significância.
No intuito de verificar se os modelos utilizados estavam adequados e se possuíam
boa capacidade de previsão foram calculadas medidas de: sensibilidade, especificidade,
acurácia, área sobre a curva ROC, Pseudo R² e teste de Hosmer-Lemeshow.
A sensibilidade e especificidade foram calculadas a partir da tabela de classificação
ou tabela de expectativa de predição que é uma forma de averiguar a capacidade de

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classificação correta do modelo. A sensibilidade é a probabilidade de uma empresa que teve


fraqueza material ser classificada pelo modelo como empresa que teve fraqueza material,
enquanto que a especificidade é a probabilidade de uma empresa que não teve fraqueza
material ser classificada pelo modelo como empresa que não teve fraqueza material. A
acurácia representa a porcentagem de classificações corretas feita pelo modelo.
A curva ROC (Receiver Operating Characteristic) mede a capacidade de o modelo
discriminar as categorias da variável dependente. Esta curva relaciona a sensibilidade versus
a especificidade do modelo estimado. Caso a área sobre a curva seja menor ou igual a 0,50,
o modelo não consegue discriminar as categorias. Se a área alcançar valores acima de 0,80, o
modelo possui poder discriminatório excelente, enquanto nos demais casos, o poder
discriminatório é apenas aceitável (FAVÉRO et al., 2014).
O Pseudo R2, similar ao coeficiente de determinação da regressão linear é uma
medida de qualidade de ajuste, sendo que quanto mais próximo de 100% maior é a
capacidade explicativa das variáveis independentes sobre a variável dependente. Por se
tratar de uma regressão logística, optou-se por utilizar o Pseudo R² de Nagelkerke (1991).
O teste de Hosmer-Lemeshow avalia se há diferenças significativas entre as
frequências estimadas e as observadas, a partir da estratificação dos valores das
observações em faixas, o que permite identificar se o modelo foi especificado corretamente.
As hipóteses do teste são H0: O modelo está especificado corretamente versus H1: O modelo
não está corretamente especificado. Neste caso, um valor-p acima de 0,05 leva a não
rejeição da hipótese nula e, portanto, pode-se afirmar que o modelo está bem ajustado.
Assim como ocorre no modelo de regressão linear, no modelo logit a
multicolinearidade entre as variáveis é um problema no ajuste do modelo que pode causar
impactos na estimativa dos parâmetros. A existência da multicolinearidade foi verificada
através do cálculo do VIF (Variance Inflation Factor), que mostra quanto da variância dos
coeficientes é inflacionada por sua colinearidade. Valores de VIF maiores que 5 ou 10 são
indicativos de problemas de multicolinearidade (GUJARATI, 2011).

4 RESULTADOS E ANÁLISE
Nesta seção, são apresentados os resultados das análises sobre os fatores apontados
pela literatura como determinantes de fraquezas materiais. A Tabela 1 apresenta os
modelos logit finais de efeito agrupado GEE e de efeitos aleatórios após a aplicação do
método Backward.
Em relação ao modelo logit de efeito agrupado GEE, verifica-se que as variáveis
significativas para explicar a ocorrência de fraquezas materiais a um nível de significância de
5% foram: a complexidade dos relatórios financeiros (COMPLEX), a saúde financeira
(SFINAN), o tamanho da empresa de auditoria (TMA), o tamanho da empresa (VA_M), a
antiguidade da empresa (ID_E) e o componente da cultura nacional distância hierárquica
(DIST_H).
A complexidade dos relatórios financeiros (COMPLEX) influencia de forma positiva a
ocorrência de fraquezas. Este resultado corrobora com aqueles encontrados por Ge e McVay
(2005), Doyle et al. (2007a) e Kwak et al. (2009). A complexidade nos relatórios financeiros é
ocasionada por um conjunto de fatores, tais como políticas adotadas, descentralização de
negócios, atuação em segmentos diversos e, também, pela aplicação de normas contábeis
complexas e pela necessidade de consolidação de informações. Estes fatores aumentam a

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probabilidade de distorção relevante nas demonstrações contábeis e de que as empresas


não consigam implementar controles internos capazes de impedir ou detectar este tipo de
distorção em tempo hábil, o que pode caracterizar uma fraqueza material.

Tabela 1: Modelos Logit Finais de Efeito Agrupado GEE e de Efeitos Aleatórios


Modelo Logit de Efeito Agrupado
Modelo Logit de Efeitos Aleatórios
GEE
Fonte
EP(β Valor- O.R EP(β Valor- O.R
β I.C. - 95% β I.C. - 95%
) p . ) p .
- 1,40 - 26,1
Intercepto 0,587 - - 0,000 - -
0,764 8 408,62 7
COMPLEX = 1,0 1,0
- -
N 0 0
COMPLEX = 0,36 0,4 [0,21;0,8 0,72 0,1
0,856 0,018 1,766 0,015 [0,04;0,71]
S 3 2 7] 5 7
0,31 4,4 [2,38;8,2 0,32 7,0 [3,71;13,1
SFINAN = N 1,488 0,000 1,945 0,000
7 3 4] 4 0 9]
1,0 1,0
SFINAN = S - -
0 0
1,0
TMA = N -
0
- 0,43 0,2 [0,12;0,6
TMA = S 0,003
1,295 8 7 5]
- 0,10 0,6 [0,53;0,7 0,32 0,0
VA_M 0,000 -2,568 0,000 [0,04;0,14]
0,440 3 4 9] 2 8
0,24 1,6 [1,03;2,7
ID_E 0,514 0,036
6 7 1]
0,00 1,0 [1,00;1,0
DIST_H 0,018 0,043
9 2 4]
Pseudo R² 19,1% 22,4%
VIF Máximo 1,37 1,05
Fonte: Resultados da pesquisa (2016)

A variável saúde financeira (SFINAN), por sua vez, influencia de forma positiva a
ocorrência de fraquezas materiais, sendo que as empresas com saúde financeira melhor são
mais propensas a apresentarem fraquezas materiais. Este resultado é divergente dos
estudos de Ge e McVay (2005), Doyle et al. (2007a) e Ahuja et al. (2012). É possível que este
resultado seja devido ao fato de que as empresas com problemas financeiros necessitem
manter controles internos adequados para obter financiamento junto às instituições
financeiras. Além disso, estas instituições financeiras podem estabelecer, como cláusulas
restritivas (covenants) aos títulos de dívida, que os controles das empresas devedoras sejam
eficazes. Este seria um incentivo, tendo em vista que, de maneira geral, caso uma cláusula
restritiva seja quebrada, o credor tem o direito de requerer o vencimento antecipado da
dívida.

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A relação entre o tamanho da empresa de auditoria (TMA) e a ocorrência das


fraquezas é negativa, de modo que as empresas auditadas por Big Four são menos
propensas a apresentar problemas em seus controles internos. Este resultado corrobora
com o de Ge e McVay (2005), segundo os quais as firmas de auditoria maiores impõem
padrões mais fortes de controle interno a seus clientes, visto que possuem maior
conhecimento de auditoria e estão mais expostas à responsabilidade legal e a riscos de
reputação do que empresas de auditoria menores.
Verificou-se, também, que o tamanho da empresa (VA_M) influencia de forma
negativa a ocorrência de fraquezas materiais. Este resultado corrobora os estudos de Mautz
et al. (1980), Kinney e McDaniel (1989), Ge e McVay (2005), Bryan e Lilien (2005), Doyle et
al. (2007a) e Rice e Weber (2012). Acredita-se que isto se deve ao fato de que as grandes
empresas tendem a ter mais funcionários e mais recursos disponíveis para manter um
sistema de controle interno adequado às suas atividades. Além disso, a pressão exercida
pelos usuários externos (agências governamentais, bancos, público em geral, investidores)
sobre estas empresas é maior, obrigando-as a desenvolver um ambiente de controle mais
robusto.
Ao contrário dos estudos de Ge e McVay (2005), Doyle et al. (2007) e Chernobai e
Yasuda (2013), a variável antiguidade da empresa (ID_E) apresentou relação positiva com a
existência de fraquezas materiais. Embora empresas mais jovens possam ter menos
experiência em controles internos, como afirmam estes autores, é possível que suas
atividades sejam mais simples e mais fáceis de serem controladas do que empresas mais
velhas, fazendo com que a probabilidade de fraquezas materiais diminua. Além disso,
empresas mais novas, por estarem nas fases iniciais de desenvolvimento, buscam
estabilidade e o fortalecimento de sua reputação no mercado (LIPPETT e SCHMIDT, 1967), o
que pode se tornar um incentivo para que implementem e mantenham controles internos
adequados.
As empresas que atuam em países cuja cultura apresenta elevado grau de distância
hierárquica (DIST_H), por sua vez, também são mais propensas a apresentar fraquezas
materiais nos controles internos. Este resultado corrobora aquele encontrado por
Kanagaretnam et al. (2014). Características como a grande desigualdade de poder e de
riqueza, refletida nas elevadas diferenças salariais e de status e a falta de compartilhamento
de informações criam ambientes propícios para a ocorrência de fraquezas materiais nas
empresas de países com elevado nível de distância hierárquica. Nestas empresas, é inclusive
maior a probabilidade de que ocorram fraudes financeiras, haja vista que os três pilares da
fraude (motivação, acesso e oportunidade) podem facilmente se manifestar.
A Complexidade dos relatórios financeiros, a saúde financeira, o tamanho da
empresa de auditoria, o tamanho da empresa, a antiguidade da empresa e a distância
hierárquica foram capazes de explicar 19,1% da ocorrência de fraqueza material. O VIF
máximo foi de 1,37, o que sugere que não houve problemas de multicolinearidade.
Com relação ao modelo logit de efeitos aleatórios, houve um efeito significativo e
positivo das variáveis complexidade dos relatórios financeiros e saúde financeira sobre a
ocorrência de fraquezas materiais nos controles internos (Valor-p < 0,05), sendo que a
chance de ocorrência de fraqueza material aumenta quando os relatórios financeiros das
empresas são considerados mais complexos e quando a saúde financeira não está
comprometida.

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Por outro lado, diferentemente do modelo logit de efeitos agrupados GEE, houve um
efeito significativo e negativo do tamanho da empresa sobre a ocorrência de fraquezas
materiais nos controles internos (Valor-p < 0,05). Assim, a chance de ocorrência de fraqueza
material diminui quando aumenta o tamanho da empresa.
O VIF máximo foi de 1,05, o que sugere que não houve problemas de
multicolinearidade. Entretanto, o teste de Hausman apresentou um valor-p menor que
0,001 indicando que o modelo de efeitos aleatórios está violando a suposição de que as
variáveis explicativas não possuem correlação com os efeitos aleatórios. Isso sugere que o
modelo de efeitos aleatórios não está adequado.
A equação do modelo logit de efeito agrupado GEE final é demonstrada a seguir:
exp (η)
Prob (FMit = 1) =
1 + exp (η)
Onde:
η = -0,764 + 0,856 I(COMPLEXit = 1) + 1,488 I(SFINANit = 1) – 1,295 I(TM_Ait = 1) – 0,440
(VA_Mit) + 0,514 (ID_Eit) + 0,018 (DIST_Hit)
A tabela de classificação ou tabela de expectativa de predição (Tabela 2) é uma forma
de averiguar a capacidade de classificação correta do modelo para os dois grupos de dados,
considerando as medidas de sensibilidade, especificidade e acurácia.

Tabela 2: Tabela de classificação dos valores preditos pelos modelos.


Modelo Logit de Efeito Agrupado
Variável
Não Sim
2100 32
Não
(73%) (21%)
Fraqueza Predita
771 120
Sim
(26%) (79%)
Fonte: Resultados da pesquisa (2016)

Na Tabela 3, tem-se algumas medidas de qualidade de ajuste para o modelo


selecionado. Dessa forma, considerando como ponto de corte nas probabilidades ajustadas
a prevalência de fraqueza material (5,0%), pode-se verificar:

Tabela3: Tabela com as medidas de qualidade do ajuste do modelo


Medidas Modelo Logit de Efeito Agrupado
Sensibilidade 0,790
Especificidade 0,732
Acurácia 0,734
Área sobre curva ROC (AUC) 0,829
Pseudo R² 19,1%
Hosmer-Lemeshow (Valor-p) 0,051
Fonte: Resultados da pesquisa (2016)

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Com relação ao modelo selecionado verifica-se que: entre as empresas que


realmente apresentaram fraqueza material, o modelo foi capaz de predizer corretamente
79,0%. Entre as empresas que não apresentaram fraqueza material, o modelo foi capaz de
predizer corretamente 73,2%. No geral, o modelo foi capaz de predizer 70,5% dos casos
corretamente, conforme resultado da acurácia. A área sobre a curva ROC foi de 0,829. A
área sobre a curva ROC foi de 0,829, o que é considerado um desempenho satisfatório. A
complexidade dos negócios, a saúde financeira, o Tamanho da Empresa de Auditoria,
logaritmo do ativo total, o logaritmo da idade da empresa e a distância hierárquica foram
capazes de explicar 19,1% da ocorrência de fraqueza material. O teste de Hosmer-Lemeshow
indica que o modelo está bem ajustado (Valor-p=0,051).

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Nesta pesquisa, buscou-se identificar as causas da ocorrência de fraquezas materiais
nos controles internos das empresas estrangeiras emissoras de ADRs, listadas na Bolsa de
Nova Iorque, nos períodos de 2006 a 2015. Especificamente, objetivou-se verificar se existe
uma relação significativa entre as variáveis descritas na literatura e a ocorrência de
fraquezas materiais nos controles internos, bem como se esta relação aponta para o sentido
proposto pelos estudos anteriores.
Como a variável fraquezas materiais nos controles internos sobre relatórios
financeiros era binária e estava no contexto de dados em painel, o modelo que melhor se
ajustou para identificar os fatores determinantes de ocorrência de fraquezas materiais nos
controles internos, foi o modelo logit de efeitos agrupados GEE.
Os estudos anteriores apontaram que a ocorrência de fraquezas materiais nas
empresas norte-americanas estava positivamente associada com a complexidade dos
relatórios financeiros, com as dimensões da cultura nacional distância hierárquica e
individualismo e com a estratégia de negócios prospectiva. Por outro lado, estavam
negativamente associadas com a antiguidade da empresa, o tamanho da empresa, a saúde
financeira, o tamanho e a independência do auditor, a dimensão da cultura nacional aversão
à incerteza e a qualidade da governança corporativa.
No caso das empresas estrangeiras, o que se verificou neste estudo é que a saúde
financeira, a antiguidade da empresa e a distância hierárquica estão positivamente
relacionadas com a ocorrência de fraquezas materiais. Este resultado diverge daquele
encontrado para as empresas norte-americanas para as duas primeiras variáveis. Por outro
lado, a complexidade dos relatórios financeiros, o tamanho do auditor e a antiguidade da
empresa estão negativamente relacionados à ocorrência de fraquezas materiais. A relação
encontrada entre a complexidade dos relatórios financeiros e a ocorrência de fraquezas
materiais, diverge dos estudos anteriores.
Sugere-se, para futuras pesquisas, que se avalie qual a percepção das empresas
estrangeiras listadas na Bolsa de Nova Iorque sobre as consequências da divulgação das
fraquezas materiais nos controles internos. Embora a literatura aponte consequências
negativas, tais como redução do retorno sobre o investimento, menor qualidade dos
accruals, maiores custos de capital e da dívida, erros de gestão e menor precisão nas
previsões dos analistas de mercado, verifica-se que há grande reincidência de fraquezas
materiais nos controles internos destas empresas, que podem estar relacionadas não

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21

somente aos fatores estudados na presente pesquisa, como também à importância que as
empresas estrangeiras dão à divulgação de fraquezas materiais nos controles internos.

REFERÊNCIAS
ALMEIDA, F. L. de. Prestação de serviços de consultoria por auditores independentes: há
reflexos no gerenciamento de resultados em empresas brasileiras de capital aberto?
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