Fraquezas nos Controles Internos de ADRs
Fraquezas nos Controles Internos de ADRs
RESUMO
Este estudo teve como objetivo identificar as causas da ocorrência de fraquezas materiais
nos controles internos das empresas estrangeiras (não norte-americanas) emissoras de
American Depositary Receipts (ADRs), listadas na New York Stock Exchange (NYSE). Os
resultados da pesquisa podem propiciar melhor entendimento dos problemas nos controles
internos destas empresas e das dificuldades enfrentadas por elas para melhorarem seus
controles, bem como fornecer subsídios à alta administração e aos auditores para
identificarem áreas de risco nestas empresas, permitindo que estes possam trabalhar de
forma preventiva. Realizou-se uma pesquisa descritiva, por meio de análise documental e
abordagem quantitativa dos dados. A amostra reuniu 305 empresas emissoras de ADRs com
ações negociadas na NYSE que divulgaram o Formulário 20-F referente ao período de 2006 a
2015, dentre as quais 79 possuíam fraquezas materiais nos controles internos. No período
analisado, foram reportadas 364 fraquezas materiais. Foi empregado o modelo logit de
efeito agrupado, o qual foi estimado utilizando a metodologia GEE em dados em painel. O
modelo apresentou 73,4% de acerto global na classificação de empresas com fraquezas
materiais nos controles internos. Os resultados sugerem que o tamanho da empresa e o
tamanho da firma de auditoria influenciam de forma negativa a ocorrência de fraquezas
materiais. Por outro lado, empresas com maior complexidade dos relatórios financeiros, com
saúde financeira não comprometida, mais antigas e situadas em países cuja cultura
apresenta elevado grau de distância hierárquica são mais propensas a apresentar fraquezas
materiais.
1 INTRODUÇÃO
Embora aborde problemas antigos nas relações sociais, tais como a separação da
propriedade e da gestão e o conflito de interesses, o controle interno ganhou maior
visibilidade no mundo a partir das grandes fraudes financeiras descobertas em 2001, nos
Estados Unidos, e da consequente promulgação da Lei Sarbanes-Oxley (SOX) em 2002.
Silveira e Carvalho (2009) afirmam que essa lei impactou a estrutura de controles internos
de grandes empresas em todo o mundo, haja vista que, para terem direito à emissão e
negociação de ações, estas companhias precisam atender a referida lei.
A Seção 404 da SOX exige que a alta administração das empresas emita um relatório
de avaliação da eficácia de seus controles internos sobre relatórios financeiros, bem como
exige que os auditores independentes também atestem a eficácia dos controles. Para Coates
e Srinivasan (2014), através destes requisitos de comunicação, o Congresso Norte-
Americano exigiu divulgações mais detalhadas sobre as deficiências nos controles internos,
acreditando que as pressões que fluiriam de tais divulgações levariam as empresas a
melhorarem seus sistemas de controles internos.
Calderon, Wang e Conrad (2012) afirmam que, apesar de nos primeiros anos que
sucederam a SOX muitas empresas terem divulgado que possuíam controles internos
ineficazes, houve uma redução acentuada deste número ao longo do período de 2004 a
2010, havendo uma tendência de continuação da queda nos anos seguintes. Segundo os
autores, em 2004, quando passou a ser obrigatório o relatório da Seção 404, 20% das
empresas classificadas como registrantes antecipadas e 12% das registrantes antecipadas de
grande porte divulgaram problemas nos controles internos enquanto que, em 2010, apenas
1% das registrantes antecipadas de grande porte e 5% das registrantes antecipadas tinham
controles ineficazes. Estes resultados podem ser um indício de que as empresas, de fato, se
importaram com as consequências da divulgação de deficiências.
Os controles internos sobre relatórios financeiros são considerados ineficazes se uma
fraqueza material é identificada. O Public Company Accounting Oversight Board (PCAOB),
órgão criado para supervisionar as empresas de auditoria, define fraqueza material como:
materiais são mais prováveis em empresas menores, mais jovens, mais complexas e com
situação financeira pior do que empresas que não divulgaram fraquezas materiais.
Por outro lado, os estudos mais recentes têm analisado a relação entre fraquezas
materiais e outras variáveis, quais sejam: a cultura do país em que as empresas estão
situadas (KANAGARETNAM, LOBO e ZHOU, 2014) e a estratégia de negócios (BENTLEY-
GOODE, NEWTON e THOMPSON, 2015). Os achados destas pesquisas evidenciam que, em
países onde o individualismo e a distância hierárquica são mais valorizados, as empresas são
mais propensas a divulgarem fraquezas materiais e empresas com estratégias de negócios
mais conservadoras são menos propensas a revelarem fraquezas materiais do que aquelas
consideradas arrojadas.
Assim, procurou-se responder à seguinte questão: Quais são os fatores
determinantes de fraquezas materiais nos controles internos sobre a divulgação de
relatórios financeiros de companhias não norte-americanas, neste estudo chamadas de
estrangeiras, listadas na New York Stock Exchange (NYSE), emissoras de American Depositary
Receipts (ADRs)?
A pesquisa consistiu em identificar as causas da ocorrência de fraquezas materiais
nos controles internos das empresas estrangeiras emissoras de ADRs, listadas na NYSE.
Como a amostra do estudo foi composta de companhias não norte-americanas, as quais
estão inseridas em cenários diferentes daquele dos Estados Unidos, acredita-se que os
resultados da pesquisa podem propiciar melhor entendimento dos problemas nos controles
internos destas empresas e das dificuldades enfrentadas por elas para melhorarem seus
controles. Assim, os resultados do estudo fornecerão subsídios à alta administração e aos
auditores para identificarem áreas de risco nestas empresas, permitindo que possam
trabalhar de forma preventiva.
2 REVISÃO DA LITERATURA
Esta definição traz uma inovação em relação às conceituações anteriores, pois trata o
controle interno não como um evento ou uma circunstância estática, mas como um
processo, que segundo o COSO (2013) é dinâmico e interativo, pois constitui uma série de
ações que permeiam as atividades de uma entidade e que são inerentes à forma como a
administração a gerencia. O termo estrutura de governança abrange o órgão deliberativo,
Conforme a IFAC (1997), o controle interno vai além das funções de um sistema de
contabilidade, compreendendo o ambiente de controle, que corresponde à atitude de uma
maneira geral, à conscientização e às ações dos diretores e dos administradores em relação
ao sistema de controle interno e a sua importância na entidade, e os procedimentos de
controle, que englobam aquelas políticas e procedimentos adicionais do ambiente de
controle que a administração tenha estabelecido para conseguir alcançar os objetivos
específicos da entidade.
Verifica-se que a definição da IFAC (1997) traz, de forma explícita, a preocupação
com a prevenção e detecção de fraudes e a consequente perda de ativos. Cabe ressaltar,
que a ausência de controles internos promove um contexto bastante atrativo e vulnerável à
má conduta organizacional. Todavia, como afirma Nascimento e Reginato (2013), mesmo
com sólidas estruturas de controles, como esses são elaborados, executados e revisados por
pessoas, sempre existirão riscos de conluios, erros e fraudes.
Em 2013, na revisão da Internal Control – Integrated Framework, o COSO manteve a
essência da definição da estrutura original definindo o controle interno como:
evidenciou que fraquezas materiais nos controles internos estão associadas positivamente à
idade da empresa.
Doyle et al. (2007a) afirmam que empresas de baixo desempenho financeiro podem
não investir tempo e recursos financeiros suficientes no sistema de controle interno para
garantir sua adequação, tendo em vista que o mesmo pode não ser uma prioridade para as
empresas que estão preocupadas, simplesmente, em permanecer no negócio. Os autores
mediram a saúde financeira das empresas através de dois indicadores: perda agregada e
risco de falência. Ambas as medidas foram significativas para explicar a divulgação de
fraquezas materiais e indicaram que a saúde financeira está associada negativamente à
divulgação das fraquezas.
Conforme Doyle et al. (2007b), a complexidade dos relatórios financeiros de uma
empresa pode ser medida pela atuação da mesma em várias divisões geográficas ou
negócios. Empresas com estas características enfrentam desafios para a implementação
consistente de controles internos nas diferentes divisões e para a consolidação das
informações contábeis. Para cada divisão, diferentes fatores podem afetar a implementação
de um adequado controle interno. Por exemplo, em uma empresa multinacional, o ambiente
institucional e legal de cada localidade pode ser diferente, e, portanto, afetar a eficácia do
controle interno.
Em seu estudo, os autores examinaram a complexidade das informações contábeis por
meio de três medidas: o registro do número de sociedades de propósitos específicos (SPEs)
associadas à empresa, o registro da soma do número de segmentos operacionais e
geográficos e a existência de participações em empresas no exterior, havendo necessidade
de conversão em moeda estrangeira em decorrência destas operações. Foi constatado que
as três medidas foram significativamente superiores para as empresas que apresentaram
fraqueza material, fornecendo evidências de que a complexidade dos relatórios financeiros
dificulta a criação e manutenção de um sistema de controle interno adequado.
Conforme Ge e McVay (2005), os auditores também possuem papel importante na
identificação e comunicação de fraquezas materiais nos controles internos das empresas.
Para os autores, grandes empresas de auditoria tendem a ter clientes maiores do que
empresas de auditoria menores e, portanto, na medida em que fraquezas materiais estão
associadas com o tamanho das empresas, as grandes firmas de auditoria podem encontrar
menos problemas de controle interno. Além disso, espera-se que as firmas de auditoria
maiores tenham mais conhecimentos de auditoria e maior exposição à responsabilidade
legal do que empresas de auditoria menores. Assim, conforme Ge e McVay (2005), se as
firmas de auditoria maiores historicamente impõem padrões mais fortes de controle interno
para os seus clientes, a tendência é que sejam identificados menos pontos fracos divulgados
sob as seções 302 e 404.
Outro aspecto a ser considerado é a independência do auditor. Conforme Almeida
(2011), a auditoria independente contribui para a qualidade e transparência da informação
contábil por meio do monitoramento das informações financeiras divulgadas ao mercado e
da identificação e apontamento de irregularidades contábeis praticadas por seus clientes.
Entretanto, Watts e Zimmerman (1986) afirmam que o monitoramento da auditoria externa
somente é válido se esta garantir sua independência, ou seja, se não houver conflitos de
agência entre auditores externos e acionistas. De acordo com Almeida (2011), as empresas
de auditoria, apesar de serem contratadas para proteger os interesses dos acionistas, estão
3 METODOLOGIA
Neste estudo, realizou-se uma pesquisa descritiva, por meio de análise de
documentos e abordagem quantitativa dos dados. Vergara (2009) explica que a pesquisa
descritiva expõe características de determinada população ou de determinado fenômeno.
Pode também estabelecer correlações entre as variáveis e definir sua natureza.
A amostra do estudo compreende as empresas emissoras de ADRs com ações
negociadas na NYSE que divulgaram o Formulário 20-F referente ao período de 2006 a 2015.
A Securities Exchange Comission (SEC) divide os emitentes de ações em três categorias para
fins de arquivamento de relatórios, cujo prazo varia de acordo com esta categorização, que
se baseia no Valor Agregado de Mercado (Aggregate Worldwide Market Value), calculado
com base no valor de mercado das ações, excluindo-se aquelas em poder de executivos da
empresa e controladores, quais sejam: registrante antecipada de grande porte (valor
agregado de mercado maior que US$700 milhões), registrante antecipada (valor agregado
de mercado entre US$75 milhões e US$700 milhões) e registrante não antecipada (valor
agregado de mercado até US$75 milhões). Desta forma, a preferência pelo período de
pesquisa estabelecido se deve ao fato de 2006 ter sido o primeiro exercício para o qual as
empresas estrangeiras classificadas como registrantes antecipadas de grande porte foram
obrigadas a certificar seus controles internos de acordo com a seção 404 da SOX, caso da
maioria das companhias objeto do estudo.
Inicialmente, identificaram-se as empresas estrangeiras emissoras de ADRs com
ações negociadas na Bolsa de Nova Iorque no website da SEC
([Link] totalizando 531 companhias. Nesse mesmo website,
realizou-se a busca dos Formulários 20-F das empresas, referentes ao período analisado,
para identificar quais empresas apresentaram a certificação dos controles internos. Foram
eliminadas 226 companhias, cujos Formulários 20-F não foram encontrados para nenhum
dos exercícios em análise, resultando em uma amostra +final de 305 empresas. Destas
empresas 79 relataram pelo ao menos uma fraqueza material referente ao período de 2006
a 2015. Os dados em painel foram desbalanceados, pois das 305 empresas avaliadas, foi
possível obter os dados, referentes a todos os anos (2006-2015), de 273 empresas (89,5%) e
32 empresas (10,5%) tiveram perdas nas informações sobre a existência de fraquezas
materiais nos controles internos ao longo do tempo, por não apresentarem o Formulário 20-
F para determinados anos.
Após eliminar os anos que não tinham informação sobre a existência de fraqueza
material nos controles internos, ainda restaram 7 variáveis explicativas que tiveram 692
dados perdidos ao longo dos anos. Embora a quantidade seja irrelevante frente ao total de
observações (72552), decidiu-se imputar essas informações na base de dados. Para realizar a
imputação dos dados ausentes, foram utilizadas as predições geradas a partir de modelos de
regressão apropriados para cada variável a ser imputada, conforme proposto em Gelman
(2007). Os modelos de regressão utilizados foram os de efeitos aleatórios, considerando
variação no intercepto e no coeficiente relacionado ao tempo, respeitando a estrutura
longitudinal existente em cada empresa e as características distribucionais de cada variável.
Dessa forma, para realizar a imputação nas variáveis quantitativas, foi utilizado o modelo
linear de efeitos aleatórios:
E(Yit)=(α + αi)+(b + bi) TEMPO
Com i = 1, 2,..., 305 (Empresas) e t = 2006, 2011,..., 2015.
Com o parâmetroα sendo um termo constante e o parâmetro αi, o efeito aleatório,
com αi ~ N (0,σ2), que capta a heterogeneidade entre as empresas. Já o b é o parâmetro que
capta a tendência média para todas as empresas durante o período estudado, com bi ~ N
(0,σ2), captando a heterogeneidade dessa tendência entre as empresas. Dessa forma, o valor
imputado na informação ausente da i-ésima empresa no tempo t foi o E(Yit) predito pelo
modelo.
Para realizar a imputação nas variáveis qualitativas foi utilizado o modelo logístico de
efeitos aleatórios:
exp{(α + αi)+(b + bi) TEMPO}
P(Yit = 1) =
1 + exp{(α + αi)+(b + bi) TEMPO}
Com o parâmetro sendo um termo constante e o parâmetro αi, o efeito aleatório,
com αi ~ N (0,σ2) que capta a heterogeneidade entre as empresas. Já o b é o parâmetro que
capta a tendência média para todas as empresas durante o período estudado, com bi ~ N
(0,σ2) captando a heterogeneidade dessa tendência entre as empresas. Dessa forma, se a
probabilidade estimada para a informação ausente na i-ésima empresa no tempo t P(Yit = 1)
fosse maior que a prevalência da variável, o valor imputado foi 1, se não, 0.
Visando analisar se as fraquezas materiais nos controles internos e seus respectivos
determinantes variavam entre os setores de atuação das empresas, identificou-se o setor a
que cada uma pertencia, conforme a classificação adotada pela NYSE (2016), através do site
[Link] menu Company Information. As empresas
se distribuíram em dez setores, quais sejam: Consumo Cíclico, Consumo Defensivo, Energia,
Industrial, Materiais Básicos, Saúde, Serviços de Telecomunicações, Serviços Financeiros,
Serviços Públicos e Tecnologia.
Com o objetivo de identificar os principais fatores que possam contribuir para a
ocorrência de fraquezas materiais nos controles internos em empresas de diferentes países,
no período de 2006 a 2015, a variável dependente, foi definida da seguinte forma:
FMit = 1, se foi encontrada alguma fraqueza na empresa i, no tempo t.
FMit = 0, se não foi encontrada nenhuma fraqueza na empresa i, no tempo t.
O Quadro 1 apresenta as variáveis relacionadas à existência de fraquezas materiais
nos controles internos, utilizadas no trabalho.
Relação
Dimensão Variável Sigla Cálculo Autor
Esperada
Ge e McVay
(2005); Doyle,
O log do número de
Antiguidade da Idade da Ge e McVay
ID_E - anos de existência
empresa empresa (2007);
da empresa.
Chernobai e
Yasuda (2013)
Mautz et al.
(1980); Kinney
e McDaniel
O log do preço da
(1989); Ge e
Tamanho da Valor de ação x o número de
VA_M - McVay (2005);
Empresa mercado ações em
Doyle, Ge e
circulação.
McVay (2007);
Rice e Weber
(2012)
Liquidez Ativo Circulante /
LIQ_C -
Corrente Passivo Circulante Ge e McVay
(Ativo Circulante + (2005); Ahuja
Realizável a Longo et al. (2012);
Prazo) / (Passivo Doyle, Ge e
Saúde Financeira Liquidez Geral LIQ_G -
Circulante + McVay
da empresa
Exigîvel a Longo (2007a)
(SFINAN)
Prazo)
Retorno sobre o
Retorno Sobre Ativo = Lucro Ge e McVay
ROA -
o Ativo Operacional / Ativo (2005)
Total Médio
É igual a 1, se a
Tamanho da firma de auditoria
TMA -
Firma for uma Big Four e
Ge e McVay
0, caso contrário.
Perfil do Auditor (2005); Zhang,
Total de serviços
Externo Zhou e Zhou
adicionais / Total
Independência (2007)
IN_A - de honorários
do auditor
pagos à empresa
de auditoria.
Escore do nível de
distância
Distância hierárquica do país Kanagaretnam
Cultura Nacional DIST_H +
Hierárquica onde a empresa et al. (2014)
opera (HOFSTEDE,
2001).
Relação
Dimensão Variável Sigla Cálculo Autor
Esperada
Escore do nível de
individualismo do
Individualismo INDV + país onde a
empresa opera
(HOFSTEDE, 2001).
Escore do nível de
aversão à incerteza
Aversão à
AVE_I - do país onde a
Incerteza
empresa opera
(HOFSTEDE, 2001).
Variável discreta,
com valores
variando de 5 a 20,
onde as empresas
com pontuação
total acima da
mediana foram
Bentley-
consideradas
Goode,
Estratégia de Estratégia de prospectoras e a
EST_N + Newton e
Negócios Negócios elas foi atribuído o
Thompson
valor 1 e aquelas
(2015)
com pontuação
total abaixo da
mediana, foram
consideradas
defensivas e a elas
foi atribuído o valor
0.
Medida pelo ISS
Governance
Quickscore em que
uma pontuação de
1 indica
relativamente
Qualidade
menor risco de Zhang, Zhou e
da Governança Governança GOV -
governança Zhou (2007)
Corporativa
corporativa, e,
inversamente, uma
pontuação de 10
indica
relativamente
maior risco de
Relação
Dimensão Variável Sigla Cálculo Autor
Esperada
governança.
Variável binária
igual a 1, se o
Variável
Sistema sistema jurídico do
SJ de -
Jurídico país for Common
Controle
Law e 0 se for Code
Perfil da empresa
Law.
A amostra contou
Variável
com empresas de
Setor SET de -
aproximadamente
Controle
10 setores
4 RESULTADOS E ANÁLISE
Nesta seção, são apresentados os resultados das análises sobre os fatores apontados
pela literatura como determinantes de fraquezas materiais. A Tabela 1 apresenta os
modelos logit finais de efeito agrupado GEE e de efeitos aleatórios após a aplicação do
método Backward.
Em relação ao modelo logit de efeito agrupado GEE, verifica-se que as variáveis
significativas para explicar a ocorrência de fraquezas materiais a um nível de significância de
5% foram: a complexidade dos relatórios financeiros (COMPLEX), a saúde financeira
(SFINAN), o tamanho da empresa de auditoria (TMA), o tamanho da empresa (VA_M), a
antiguidade da empresa (ID_E) e o componente da cultura nacional distância hierárquica
(DIST_H).
A complexidade dos relatórios financeiros (COMPLEX) influencia de forma positiva a
ocorrência de fraquezas. Este resultado corrobora com aqueles encontrados por Ge e McVay
(2005), Doyle et al. (2007a) e Kwak et al. (2009). A complexidade nos relatórios financeiros é
ocasionada por um conjunto de fatores, tais como políticas adotadas, descentralização de
negócios, atuação em segmentos diversos e, também, pela aplicação de normas contábeis
complexas e pela necessidade de consolidação de informações. Estes fatores aumentam a
A variável saúde financeira (SFINAN), por sua vez, influencia de forma positiva a
ocorrência de fraquezas materiais, sendo que as empresas com saúde financeira melhor são
mais propensas a apresentarem fraquezas materiais. Este resultado é divergente dos
estudos de Ge e McVay (2005), Doyle et al. (2007a) e Ahuja et al. (2012). É possível que este
resultado seja devido ao fato de que as empresas com problemas financeiros necessitem
manter controles internos adequados para obter financiamento junto às instituições
financeiras. Além disso, estas instituições financeiras podem estabelecer, como cláusulas
restritivas (covenants) aos títulos de dívida, que os controles das empresas devedoras sejam
eficazes. Este seria um incentivo, tendo em vista que, de maneira geral, caso uma cláusula
restritiva seja quebrada, o credor tem o direito de requerer o vencimento antecipado da
dívida.
Por outro lado, diferentemente do modelo logit de efeitos agrupados GEE, houve um
efeito significativo e negativo do tamanho da empresa sobre a ocorrência de fraquezas
materiais nos controles internos (Valor-p < 0,05). Assim, a chance de ocorrência de fraqueza
material diminui quando aumenta o tamanho da empresa.
O VIF máximo foi de 1,05, o que sugere que não houve problemas de
multicolinearidade. Entretanto, o teste de Hausman apresentou um valor-p menor que
0,001 indicando que o modelo de efeitos aleatórios está violando a suposição de que as
variáveis explicativas não possuem correlação com os efeitos aleatórios. Isso sugere que o
modelo de efeitos aleatórios não está adequado.
A equação do modelo logit de efeito agrupado GEE final é demonstrada a seguir:
exp (η)
Prob (FMit = 1) =
1 + exp (η)
Onde:
η = -0,764 + 0,856 I(COMPLEXit = 1) + 1,488 I(SFINANit = 1) – 1,295 I(TM_Ait = 1) – 0,440
(VA_Mit) + 0,514 (ID_Eit) + 0,018 (DIST_Hit)
A tabela de classificação ou tabela de expectativa de predição (Tabela 2) é uma forma
de averiguar a capacidade de classificação correta do modelo para os dois grupos de dados,
considerando as medidas de sensibilidade, especificidade e acurácia.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Nesta pesquisa, buscou-se identificar as causas da ocorrência de fraquezas materiais
nos controles internos das empresas estrangeiras emissoras de ADRs, listadas na Bolsa de
Nova Iorque, nos períodos de 2006 a 2015. Especificamente, objetivou-se verificar se existe
uma relação significativa entre as variáveis descritas na literatura e a ocorrência de
fraquezas materiais nos controles internos, bem como se esta relação aponta para o sentido
proposto pelos estudos anteriores.
Como a variável fraquezas materiais nos controles internos sobre relatórios
financeiros era binária e estava no contexto de dados em painel, o modelo que melhor se
ajustou para identificar os fatores determinantes de ocorrência de fraquezas materiais nos
controles internos, foi o modelo logit de efeitos agrupados GEE.
Os estudos anteriores apontaram que a ocorrência de fraquezas materiais nas
empresas norte-americanas estava positivamente associada com a complexidade dos
relatórios financeiros, com as dimensões da cultura nacional distância hierárquica e
individualismo e com a estratégia de negócios prospectiva. Por outro lado, estavam
negativamente associadas com a antiguidade da empresa, o tamanho da empresa, a saúde
financeira, o tamanho e a independência do auditor, a dimensão da cultura nacional aversão
à incerteza e a qualidade da governança corporativa.
No caso das empresas estrangeiras, o que se verificou neste estudo é que a saúde
financeira, a antiguidade da empresa e a distância hierárquica estão positivamente
relacionadas com a ocorrência de fraquezas materiais. Este resultado diverge daquele
encontrado para as empresas norte-americanas para as duas primeiras variáveis. Por outro
lado, a complexidade dos relatórios financeiros, o tamanho do auditor e a antiguidade da
empresa estão negativamente relacionados à ocorrência de fraquezas materiais. A relação
encontrada entre a complexidade dos relatórios financeiros e a ocorrência de fraquezas
materiais, diverge dos estudos anteriores.
Sugere-se, para futuras pesquisas, que se avalie qual a percepção das empresas
estrangeiras listadas na Bolsa de Nova Iorque sobre as consequências da divulgação das
fraquezas materiais nos controles internos. Embora a literatura aponte consequências
negativas, tais como redução do retorno sobre o investimento, menor qualidade dos
accruals, maiores custos de capital e da dívida, erros de gestão e menor precisão nas
previsões dos analistas de mercado, verifica-se que há grande reincidência de fraquezas
materiais nos controles internos destas empresas, que podem estar relacionadas não
somente aos fatores estudados na presente pesquisa, como também à importância que as
empresas estrangeiras dão à divulgação de fraquezas materiais nos controles internos.
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