AO DOUTO JUÍZO DO _ JUIZADO ESPECIAL [CÍVEL / FEDERAL] DA COMARCA DE
[LOCALIDADE]
Processo nº [NÚMERO DO PROCESSO]
[NOME DO RECORRENTE], já devidamente qualificado nos autos do processo em epígrafe, por meio
de seu advogado abaixo assinado, vem, respeitosamente, perante Vossa Excelência, com fundamento
no art. 41 da Lei 9.099/95, interpor
RECURSO INOMINADO
Contra a sentença proferida por este Juizado, requerendo o recebimento e a remessa das razões anexas
ao Colégio Recursal, pelos motivos de fato e de direito a seguir expostos.
Nestes Termos,
Pede Deferimento.
[LOCAL, DATA]
[ADVOGADO, OAB]
DAS RAZÕES DO RECURSO INOMINADO
Recorrente: [NOME DO RECORRENTE]
Recorrido: [NOME DO RECORRIDO]
Processo nº: [NÚMERO DO PROCESSO]
Colenda Turma,
Ínclitos Julgadores,
I - Da Tempestividade
Em conformidade com art. 42 da Lei nº 9099/95, que dispõe sobre o prazo do Recurso Inominado ser
de até 10 dias após o termo inicial (data do termo inicial), a presente medida se realiza
tempestivamente, sendo protocolada no dia [data de protocolo].
II - Das Custas e do Preparo
A parte recorrente indica que foram recolhidos os portes de remessa e retorno, bem como o devido
Preparo e pagamento de custas, fatos que se comprovam pelas guias de pagamento e comprovantes
corretamente anexados nos presentes autos.
III - Do Cabimento da presente Ação
O presente Recurso Inominado é cabível, conforme estabelece o artigo 41 da Lei nº 9.099/95, tendo em
vista que a sentença proferida pelo Juizado Especial Cível [nome da comarca] foi desfavorável ao
recorrente de forma integral/de forma parcial.
IV - Breve síntese do processo
O processo em questão, de número 0706187-59.2024.8.07.0005, tramita no 1º Juizado Especial Cível
de Planaltina, Distrito Federal, e envolve como partes Jasson José de Lima, na qualidade de requerente,
e o Banco BMG S.A., como requerido. A ação judicial foi classificada como Procedimento do Juizado
Especial Cível, com valor da causa estipulado em R$ 23.725,43, e aborda questões relacionadas a
empréstimo consignado e cartão de crédito.
Os fatos que deram origem ao litígio começaram quando o autor, Jasson José de Lima, contratou um
empréstimo consignado com o banco réu. No entanto, ele alega que o banco lhe ofereceu um produto
diferente do solicitado, especificamente um cartão de crédito consignado. Jasson afirma que nunca
recebeu o referido cartão e, portanto, não realizou compras utilizando-o. Ele informa que recebeu em
sua conta a quantia de R$ 1.378,11, mas que já foi descontada de seu contracheque a quantia de R$
5.189,00 desde fevereiro de 2018.
O autor ajuizou a ação em 2024, dentro do prazo prescricional de 10 anos, conforme estabelecido pelo
juiz, afastando assim qualquer alegação de decadência ou prescrição. Durante a audiência de instrução
e julgamento, Jasson prestou depoimento e informou que contratou o empréstimo por meio de celular,
mas que nunca recebeu o cartão. Ele também mencionou que recebeu cerca de R$ 2.000,00, uma única
vez, valor que foi sacado por ele. Quando confrontado com o contrato apresentado pelo banco réu,
Jasson não reconheceu a assinatura no documento, mas confirmou que o documento de identidade
anexado ao contrato era seu.
O banco réu, por sua vez, apresentou evidências de que foi celebrado um Termo de Adesão ao Cartão
de Crédito Consignado Banco BMG S/A e Autorização para Desconto em Folha de Pagamento,
documento assinado pelo autor. A assinatura no documento era bastante similar àquela presente na
procuração que instrui os autos. Além disso, o banco demonstrou que o autor realizou três saques (R$
1.964,60, R$ 1.061,38 e R$ 119,61), conforme comprovado pelos extratos bancários apresentados pela
Caixa Econômica Federal.
O juiz concluiu que, uma vez que o autor utilizou o cartão e recebeu valores decorrentes de saques, os
descontos efetuados foram legítimos. O contrato assinado pelo autor previa expressamente o cartão de
crédito consignado, com autorização para proceder à reserva de margem consignável, visando ao
desconto mensal em sua remuneração para pagamento do valor correspondente ao mínimo da fatura
mensal do cartão, até a liquidação do saldo devedor.
Diante dessas constatações, o juiz julgou improcedentes os pedidos do autor, considerando que não
havia irregularidade na cobrança das faturas e que os descontos foram legítimos. Assim, não havia
fundamento para declarar a nulidade do contrato, a inexistência ou devolução de valores, tampouco
para a concessão de danos morais. A sentença foi assinada eletronicamente pela juíza Fernanda Dias
Xavier em 17 de novembro de 2024, determinando que, após o trânsito em julgado, o processo fosse
baixado e arquivado.
Tendo em vista a presente narrativa dos fatos do litígio e o inconformismo com a Sentença e
resguardando máximo respeito ao douto juízo, dar-se-á prosseguimento à exposição dos motivos e
fundamentos sobre os porquês de os argumentos da Sentença não deverem prosperar.
V - Da Fundamentação do presente Recurso
Direito à Informação Adequada e Clara
O artigo 6º, inciso III, do Código de Defesa do Consumidor (Lei nº 8.078/1990) estabelece que é direito
básico do consumidor a informação adequada e clara sobre os diferentes produtos e serviços, com
especificação correta de quantidade, características, composição, qualidade e preço, bem como sobre os
riscos que apresentem. No presente caso, o autor, Jasson José de Lima, alega que não foi devidamente
informado sobre a natureza do produto contratado, acreditando tratar-se de um empréstimo consignado
e não de um cartão de crédito consignado.
A ausência de clareza e transparência na oferta e contratação do serviço caracteriza uma violação ao
direito à informação, essencial para a formação da vontade do consumidor. O autor afirma que nunca
recebeu o cartão de crédito consignado e que não realizou compras utilizando-o, o que evidencia a falta
de comunicação clara e precisa por parte do banco réu. A informação adequada e clara é um direito
fundamental do consumidor, pois permite que este tome decisões conscientes e informadas sobre os
produtos e serviços que adquire.
Além disso, a contratação de um serviço financeiro complexo, como um cartão de crédito consignado,
exige que o consumidor seja plenamente informado sobre todas as condições, taxas, encargos e
implicações financeiras envolvidas. A falta de informação adequada pode induzir o consumidor a erro,
levando-o a contratar um produto que não atende às suas necessidades ou expectativas. No caso em
questão, o autor foi surpreendido com descontos em seu contracheque que não correspondem ao valor
que ele acreditava ter contratado, o que reforça a alegação de que não houve a devida informação sobre
o produto.
O banco réu, ao não fornecer informações claras e precisas sobre o cartão de crédito consignado, violou
o direito do autor à informação adequada, conforme previsto no Código de Defesa do Consumidor. A
assinatura do autor no contrato, ainda que similar àquela presente na procuração, não é suficiente para
afastar a responsabilidade do banco de garantir que o consumidor compreenda plenamente os termos e
condições do produto financeiro oferecido. A confirmação da autenticidade do documento de
identidade anexado ao contrato também não exime o banco de sua obrigação de informar
adequadamente o consumidor.
Portanto, a sentença que julgou improcedentes os pedidos do autor deve ser reformada, pois
desconsiderou a violação ao direito à informação adequada e clara, essencial para a proteção do
consumidor. A ausência de clareza e transparência na oferta e contratação do serviço financeiro pelo
banco réu configura uma prática abusiva, que deve ser corrigida para garantir a justiça e a equidade nas
relações de consumo.
Para corroborar a fundamentação trazida acima, é pertinente a seguinte menção à Jurisprudência pátria:
RECURSO INOMINADO. DIREITO DO CONSUMIDOR. CARTÃO DE CRÉDITO CONSIGNADO.
VULNERABILIDADE DO CONSUMIDOR. DIREITO BÁSICO À INFORMAÇÃO COMO
INSTRUMENTO DE EQUILÍBRIO ENTRE AS PARTES NA RELAÇÃO CONSUMERISTA. DEVER
DE INFORMAÇÃO PRÉVIA, CLARA E ADEQUADA. NÃO OBSERVAÇÃO. PRÁTICA ABUSIVA.
VENDA CASADA. CARACTERIZAÇÃO DOS DANOS MORAIS E MATERIAIS. NULIDADE DO
CONTRATO. INCIDENTE DE UNIFORMIZAÇÃO. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. SENTENÇA
MANTIDA POR SEUS PRÓPRIOS FUNDAMENTOS. ART. 46, DA LEI N.º 9.099/1995. SÚMULA
DO JULGAMENTO COMO ACÓRDÃO. RECURSO CONHECIDO E NÃO PROVIDO. (TJ-AM):
RECURSO INOMINADO. DIREITO DO CONSUMIDOR. CARTÃO DE CRÉDITO
CONSIGNADO. VULNERABILIDADE DO CONSUMIDOR. DIREITO BÁSICO À
INFORMAÇÃO COMO INSTRUMENTO DE EQUILÍBRIO ENTRE AS PARTES NA
RELAÇÃO CONSUMERISTA. DEVER DE INFORMAÇÃO PRÉVIA, CLARA E ADEQUADA.
NÃO OBSERVAÇÃO. PRÁTICA ABUSIVA. VENDA CASADA. CARACTERIZAÇÃO DOS
DANOS MORAIS E MATERIAIS. NULIDADE DO CONTRATO. INCIDENTE DE
UNIFORMIZAÇÃO. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. SENTENÇA MANTIDA POR SEUS
PRÓPRIOS FUNDAMENTOS. ART. 46, DA LEI N.º 9.099/1995. SÚMULA DO JULGAMENTO
COMO ACÓRDÃO. RECURSO CONHECIDO E NÃO PROVIDO. TJ-AM - Recurso Inominado
Cível: RI 0000497-27.2019.8.04.4701 Tribunal de Justiça, Data do Julgamento: Data de
julgamento10/02/2023, 2ª Turma Recursal, Data de Publicação: Data de publicação10/02/2023 RI
0000497-27.2019.8.04.4701 Tribunal de Justiça
Prática Abusiva na Oferta de Produtos
O artigo 39, inciso III, do Código de Defesa do Consumidor (Lei nº 8.078/1990) estabelece que é
vedado ao fornecedor de produtos ou serviços enviar ou entregar ao consumidor, sem solicitação
prévia, qualquer produto ou fornecer qualquer serviço. No presente caso, o autor, Jasson José de Lima,
alega que nunca recebeu o cartão de crédito consignado, o que configura uma prática abusiva por parte
do Banco BMG S.A.
A prática abusiva se caracteriza pela imposição de um produto ou serviço ao consumidor sem que este
tenha solicitado ou consentido previamente. No caso em tela, o autor contratou um empréstimo
consignado, mas foi surpreendido com a oferta de um cartão de crédito consignado, produto que não foi
solicitado. A ausência de recebimento do cartão pelo autor reforça a tese de que o produto foi imposto
sem sua anuência, violando diretamente o disposto no artigo 39, inciso III, do CDC.
Além disso, a imposição de um produto não solicitado gera uma obrigação indevida ao consumidor,
que é compelido a arcar com encargos financeiros não desejados. O autor, ao não receber o cartão de
crédito consignado, não teve a oportunidade de utilizá-lo, mas ainda assim sofreu descontos em seu
contracheque, o que evidencia a prática abusiva e a imposição de uma obrigação que ele não pretendia
assumir.
A fundamentação da sentença proferida pelo juízo de primeiro grau desconsiderou a prática abusiva
cometida pelo banco réu ao impor um produto não solicitado ao autor. A mera similaridade entre as
assinaturas e a confirmação da autenticidade do documento de identidade não são suficientes para
afastar a violação do artigo 39, inciso III, do CDC. O fato de o autor não ter reconhecido a assinatura
no contrato apresentado pelo banco réu e de não ter recebido o cartão de crédito consignado são
elementos que corroboram a prática abusiva e a ausência de consentimento.
Portanto, a sentença deve ser reformada para reconhecer a prática abusiva do banco réu ao impor um
produto não solicitado ao autor, em violação ao artigo 39, inciso III, do CDC. Consequentemente,
devem ser declarados nulos os descontos efetuados no contracheque do autor, com a devolução dos
valores descontados indevidamente, além da condenação do banco réu ao pagamento de indenização
por danos morais, em razão da prática abusiva e do transtorno causado ao autor.
Para corroborar a fundamentação trazida acima, é pertinente a seguinte menção à Jurisprudência pátria:
APELAÇÃO CÍVEL. CONSUMIDOR. CONTRATO DE EMPRÉSTIMO CONSIGNADO COM
CARTÃO DE CRÉDITO. CLAUSULA DE CONTRATAÇÃO DE CARTÃO DE CRÉDITO
PRESENTE SEM A DEVIDA CLAREZA. AUSÊNCIA DE COMPORTAMENTO CONCLUDENTE
DO CONSUMIDOR QUE SE CARACTERIZARIA PELA UTILIZAÇÃO DO CARTÃO NESTA
MODALIDADE, QUE IMPLICARIA NA CIÊNCIA E ACEITAÇÃO DAS CONDIÇÕES DO
CONTRATO. CONTRATO INVÁLIDO. RESTITUIÇÃO DOS VALORES COBRADOS
INDEVIDAMENTE QUE DEVERÁ SER FEITA DE FORMA SIMPLES ANTE A AUSÊNCIA DE
MÁ-FÉ DO APELANTE. RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO. (TJ-AM): APELAÇÃO
CÍVEL. CONSUMIDOR. CONTRATO DE EMPRÉSTIMO CONSIGNADO COM CARTÃO DE
CRÉDITO. CLAUSULA DE CONTRATAÇÃO DE CARTÃO DE CRÉDITO PRESENTE SEM A
DEVIDA CLAREZA. AUSÊNCIA DE COMPORTAMENTO CONCLUDENTE DO
CONSUMIDOR QUE SE CARACTERIZARIA PELA UTILIZAÇÃO DO CARTÃO NESTA
MODALIDADE, QUE IMPLICARIA NA CIÊNCIA E ACEITAÇÃO DAS CONDIÇÕES DO
CONTRATO. CONTRATO INVÁLIDO. RESTITUIÇÃO DOS VALORES COBRADOS
INDEVIDAMENTE QUE DEVERÁ SER FEITA DE FORMA SIMPLES ANTE A AUSÊNCIA
DE MÁ-FÉ DO APELANTE. RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO.- Os contratos de cartão
de crédito com empréstimo consignado podem ser abusivos e ilegais quando ausentes informações
necessárias acerca da avença, revelando-se, por vezes, uma sistemática de simulação de
empréstimos a juros de cartão de crédito, no entanto, a matéria deve ser tratada caso a caso, não se
admitindo generalizações. Quando, a despeito da aparente precariedade de informações, o
consumidor usa o produto cartão de crédito e recebe periodicamente faturas que possibilitam o
pagamento total, tem-se a validade do contrato por força do comportamento concludente, o que não
ocorreu na presente hipótese. A devolução em dobro dos valores cobrados indevidamente pelo
fornecedor de serviços, nos termos do artigo 42 do CPC, somente se justifica quando presente a má-
fé, que não pode ser presumida e que não restou provada. RECURSO CONHECIDO
DESPROVIDO. . TJ-AM - Apelação Cível: AC 0640259-07.2017.8.04.0001 Manaus, Data do
Julgamento: Data de julgamento30/11/2020, Terceira Câmara Cível, Data de Publicação: Data de
publicação15/12/2020 AC 0640259-07.2017.8.04.0001 Manaus
Conhecimento Prévio do Conteúdo Contratual
O artigo 46 do Código de Defesa do Consumidor (Lei nº 8.078/1990) é claro ao estabelecer que os
contratos que regulam as relações de consumo não obrigarão os consumidores se não lhes for dada a
oportunidade de tomar conhecimento prévio de seu conteúdo, ou se os respectivos instrumentos forem
redigidos de modo a dificultar a compreensão de seu sentido e alcance. No caso em questão, o autor,
Jasson José de Lima, afirmou não reconhecer a assinatura no contrato apresentado pelo banco réu, o
que levanta sérias dúvidas sobre a autenticidade do documento e, consequentemente, sobre a efetiva
ciência e concordância do autor com os termos contratuais.
A alegação do autor de que nunca recebeu o cartão de crédito consignado e que não realizou compras
utilizando-o reforça a tese de que ele não teve a oportunidade de tomar conhecimento prévio e claro do
conteúdo contratual. A ausência de reconhecimento da assinatura no contrato é um indicativo de que o
autor pode não ter sido devidamente informado sobre os termos e condições do produto que lhe foi
oferecido, configurando uma violação ao direito do consumidor.
Ademais, o fato de o autor ter contratado o empréstimo por meio de celular, conforme seu depoimento,
sugere que o processo de contratação pode ter sido realizado de maneira inadequada, sem a devida
transparência e clareza necessárias para que o consumidor compreendesse plenamente o que estava
sendo contratado. A contratação de produtos financeiros por meios eletrônicos exige que as instituições
financeiras adotem medidas rigorosas para garantir que os consumidores tenham acesso a todas as
informações relevantes de forma clara e compreensível, o que não parece ter ocorrido no presente caso.
Além disso, a similaridade da assinatura no contrato com aquela presente na procuração que instrui os
autos não é suficiente para comprovar que o autor teve conhecimento prévio do conteúdo contratual. A
mera semelhança gráfica não substitui a necessidade de uma confirmação inequívoca de que o
consumidor foi devidamente informado e consentiu com os termos do contrato. A confirmação da
autenticidade do documento de identidade anexado ao contrato também não supre a exigência de que o
consumidor tenha tido a oportunidade de tomar conhecimento prévio e claro do conteúdo contratual.
Portanto, a decisão judicial que considerou legítimos os descontos efetuados com base no contrato
apresentado pelo banco réu deve ser revista, uma vez que há fortes indícios de que o autor não teve a
oportunidade de tomar conhecimento prévio e claro do conteúdo contratual, em violação ao artigo 46
do Código de Defesa do Consumidor. A ausência de tal conhecimento prévio invalida a
obrigatoriedade do contrato, devendo ser reconhecida a nulidade dos descontos efetuados, bem como a
devolução dos valores descontados indevidamente.
Para corroborar a fundamentação trazida acima, é pertinente a seguinte menção à Jurisprudência pátria:
RECURSO INOMINADO. DIREITO DO CONSUMIDOR. COBRANÇA INDEVIDA. TARIFA
BANCÁRIA. AUSÊNCIA DE CONTRATO OU INSTRUMENTO QUE PERMITA TAIS DEDUÇÕES.
VULNERABILIDADE DO CONSUMIDOR. DIREITO BÁSICO À INFORMAÇÃO COMO
INSTRUMENTO DE EQUILÍBRIO ENTRE AS PARTES NA RELAÇÃO CONSUMERISTA. DEVER
DE INFORMAÇÃO PRÉVIA, CLARA E ADEQUADA. NÃO OBSERVAÇÃO. PRÁTICA ABUSIVA.
CARACTERIZAÇÃO DOS DANOS MORAIS E MATERIAIS. RESTITUIÇÃO, EM DOBRO, DO
INDÉBITO. NULIDADE DO CONTRATO. INEXIGIBILIDADE DE DÍVIDA. SENTENÇA
MANTIDA POR SEUS PRÓPRIOS FUNDAMENTOS. ART. 46, DA LEI N.º 9.099/1995. SÚMULA
DO JULGAMENTO COMO ACÓRDÃO. RECURSO CONHECIDO E NÃO PROVIDO. (TJ-AM):
RECURSO INOMINADO. DIREITO DO CONSUMIDOR. COBRANÇA INDEVIDA. TARIFA
BANCÁRIA. AUSÊNCIA DE CONTRATO OU INSTRUMENTO QUE PERMITA TAIS
DEDUÇÕES. VULNERABILIDADE DO CONSUMIDOR. DIREITO BÁSICO À INFORMAÇÃO
COMO INSTRUMENTO DE EQUILÍBRIO ENTRE AS PARTES NA RELAÇÃO
CONSUMERISTA. DEVER DE INFORMAÇÃO PRÉVIA, CLARA E ADEQUADA. NÃO
OBSERVAÇÃO. PRÁTICA ABUSIVA. CARACTERIZAÇÃO DOS DANOS MORAIS E
MATERIAIS. RESTITUIÇÃO, EM DOBRO, DO INDÉBITO. NULIDADE DO CONTRATO.
INEXIGIBILIDADE DE DÍVIDA. SENTENÇA MANTIDA POR SEUS PRÓPRIOS
FUNDAMENTOS. ART. 46, DA LEI N.º 9.099/1995. SÚMULA DO JULGAMENTO COMO
ACÓRDÃO. RECURSO CONHECIDO E NÃO PROVIDO. TJ-AM - Recurso Inominado Cível: RI
0600940-40.2021.8.04.4900 Itapiranga, Data do Julgamento: Data de julgamento29/03/2023, 2ª
Turma Recursal, Data de Publicação: Data do julgamento29/03/2023 RI 0600940-
40.2021.8.04.4900 Itapiranga
Nulidade de Cláusulas Abusivas
O artigo 51, inciso IV, do Código de Defesa do Consumidor (Lei nº 8.078/1990) estabelece que são
nulas de pleno direito as cláusulas contratuais que imponham obrigações consideradas iníquas,
abusivas, que coloquem o consumidor em desvantagem exagerada ou que sejam incompatíveis com a
boa-fé e a equidade. No presente caso, a imposição de um cartão de crédito consignado, quando o autor
acreditava estar contratando um empréstimo consignado, configura uma prática abusiva e coloca o
consumidor em evidente desvantagem exagerada.
Primeiramente, é crucial destacar que o autor, Jasson José de Lima, foi induzido a erro ao acreditar que
estava contratando um empréstimo consignado, quando na verdade foi-lhe oferecido um cartão de
crédito consignado. Essa prática é incompatível com os princípios da boa-fé e da transparência que
devem nortear as relações de consumo, conforme preconiza o artigo 4º, inciso III, do Código de Defesa
do Consumidor. A boa-fé objetiva exige que as partes ajam com lealdade e transparência, o que
claramente não ocorreu no presente caso.
Além disso, a desvantagem exagerada do consumidor é evidente quando se observa os descontos
realizados em seu contracheque. O autor recebeu em sua conta a quantia de R$ 1.378,11, mas já foi
descontada de seu contracheque a quantia de R$ 5.189,00 desde fevereiro de 2018. Esse desequilíbrio
econômico-financeiro é inaceitável e caracteriza a abusividade da cláusula contratual que permitiu tais
descontos. A desproporção entre o valor recebido e o valor descontado demonstra que o consumidor foi
colocado em uma posição de extrema desvantagem, violando o disposto no artigo 51, inciso IV, do
Código de Defesa do Consumidor.
Ademais, a ausência de consentimento claro e informado do autor para a contratação do cartão de
crédito consignado reforça a nulidade das cláusulas contratuais. O autor afirmou que nunca recebeu o
referido cartão e que não realizou compras utilizando-o. A falta de clareza e de informações adequadas
sobre o produto contratado impede que o consumidor tome decisões conscientes e informadas, o que é
um direito básico assegurado pelo artigo 6º, inciso III, do Código de Defesa do Consumidor.
Portanto, diante da imposição de um produto diverso do solicitado, da desvantagem exagerada imposta
ao consumidor e da ausência de consentimento claro e informado, é imperativo reconhecer a nulidade
das cláusulas abusivas presentes no contrato celebrado entre Jasson José de Lima e o Banco BMG S.A.
A manutenção dessas cláusulas contratuais viola os princípios fundamentais do direito do consumidor e
perpetua uma situação de injustiça e desequilíbrio nas relações de consumo.
Para corroborar a fundamentação trazida acima, é pertinente a seguinte menção à Jurisprudência pátria:
APELAÇÃO CÍVEL. CONSUMIDOR. CONTRATO DE EMPRÉSTIMO CONSIGNADO COM
CARTÃO DE CRÉDITO. CLAUSULA DE CONTRATAÇÃO DE CARTÃO DE CRÉDITO
PRESENTE SEM A DEVIDA CLAREZA. AUSÊNCIA DE COMPORTAMENTO CONCLUDENTE
DO CONSUMIDOR QUE SE CARACTERIZARIA PELA UTILIZAÇÃO DO CARTÃO NESTA
MODALIDADE, QUE IMPLICARIA NA CIÊNCIA E ACEITAÇÃO DAS CONDIÇÕES DO
CONTRATO. CONTRATO INVÁLIDO. RESTITUIÇÃO DOS VALORES COBRADOS
INDEVIDAMENTE QUE DEVERÁ SER FEITA DE FORMA SIMPLES ANTE A AUSÊNCIA DE
MÁ-FÉ DO APELANTE. RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO. (TJ-AM): APELAÇÃO
CÍVEL. CONSUMIDOR. CONTRATO DE EMPRÉSTIMO CONSIGNADO COM CARTÃO DE
CRÉDITO. CLAUSULA DE CONTRATAÇÃO DE CARTÃO DE CRÉDITO PRESENTE SEM A
DEVIDA CLAREZA. AUSÊNCIA DE COMPORTAMENTO CONCLUDENTE DO
CONSUMIDOR QUE SE CARACTERIZARIA PELA UTILIZAÇÃO DO CARTÃO NESTA
MODALIDADE, QUE IMPLICARIA NA CIÊNCIA E ACEITAÇÃO DAS CONDIÇÕES DO
CONTRATO. CONTRATO INVÁLIDO. RESTITUIÇÃO DOS VALORES COBRADOS
INDEVIDAMENTE QUE DEVERÁ SER FEITA DE FORMA SIMPLES ANTE A AUSÊNCIA
DE MÁ-FÉ DO APELANTE. RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO.- Os contratos de cartão
de crédito com empréstimo consignado podem ser abusivos e ilegais quando ausentes informações
necessárias acerca da avença, revelando-se, por vezes, uma sistemática de simulação de
empréstimos a juros de cartão de crédito, no entanto, a matéria deve ser tratada caso a caso, não se
admitindo generalizações. Quando, a despeito da aparente precariedade de informações, o
consumidor usa o produto cartão de crédito e recebe periodicamente faturas que possibilitam o
pagamento total, tem-se a validade do contrato por força do comportamento concludente, o que não
ocorreu na presente hipótese. A devolução em dobro dos valores cobrados indevidamente pelo
fornecedor de serviços, nos termos do artigo 42 do CPC, somente se justifica quando presente a má-
fé, que não pode ser presumida e que não restou provada. RECURSO CONHECIDO
DESPROVIDO. . TJ-AM - Apelação Cível: AC 0640259-07.2017.8.04.0001 Manaus, Data do
Julgamento: Data de julgamento30/11/2020, Terceira Câmara Cível, Data de Publicação: Data de
publicação15/12/2020 AC 0640259-07.2017.8.04.0001 Manaus
APELAÇÃO CÍVEL. CONSUMIDOR. EMPRÉSTIMO CONSIGNADO COM CARTÃO DE
CRÉDITO. AUSÊNCIA DE CONTRATO COM AS DEVIDAS INFORMAÇÕES. CONTRATAÇÃO
INVÁLIDA. RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO. (TJ-AM): APELAÇÃO CÍVEL.
CONSUMIDOR. EMPRÉSTIMO CONSIGNADO COM CARTÃO DE CRÉDITO. AUSÊNCIA
DE CONTRATO COM AS DEVIDAS INFORMAÇÕES. CONTRATAÇÃO INVÁLIDA.
RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO.1. Os contratos de cartão de crédito com empréstimo
consignado podem ser abusivos e ilegais quando ausentes informações necessárias acerca da avença,
revelando-se, por vezes, uma sistemática de simulação de empréstimos a juros de cartão de crédito,
devendo a matéria ser tratada caso a caso, não se admitindo generalizações.2. Quando do julgamento
do Incidente de Resolução de Demandas Repetitivas n.º 0005217-75.2019.8.04.0000, foram fixados
critérios objetivos para a avaliação da clareza do contrato.3. Ausência de clareza na indicação do
serviço, juros, encargos e demais elementos essenciais à avença invalida eventual contrato firmado
entre as partes.4. Recurso conhecido e desprovido. TJ-AM - Apelação Cível: 0756108-
51.2022.8.04.0001 Manaus, Data do Julgamento: Data de julgamento10/06/2024, Primeira Câmara
Cível, Data de Publicação: Data de publicação11/06/2024 0756108-51.2022.8.04.0001 Manaus
Ônus da Prova
O artigo 373, inciso I, do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015) estabelece que o ônus da
prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito, e ao réu, quanto à existência de fato
impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. No presente caso, o banco réu deveria ter
comprovado de maneira inequívoca que o autor recebeu e utilizou o cartão de crédito consignado de
forma consciente e informada. A mera similaridade de assinaturas não é suficiente para afastar a
alegação do autor de que não reconhece o contrato, especialmente diante da ausência de provas
robustas de que ele recebeu e utilizou o cartão conforme alegado pelo banco.
A decisão judicial em questão não observou adequadamente a distribuição do ônus da prova, conforme
previsto no artigo 373 do CPC. O banco réu, ao apresentar um contrato com assinatura similar à do
autor, não cumpriu de forma satisfatória seu ônus probatório. A similaridade de assinaturas, por si só,
não constitui prova cabal de que o autor tenha, de fato, recebido e utilizado o cartão de crédito
consignado. É imprescindível que o banco demonstre, de maneira clara e inequívoca, que o autor teve
ciência e consentiu com os termos do contrato, bem como que recebeu e utilizou o cartão.
Ademais, a alegação do autor de que não reconhece a assinatura no contrato e de que não recebeu o
cartão de crédito consignado deve ser considerada com a devida seriedade. A ausência de provas
robustas por parte do banco réu, como registros de entrega do cartão, comprovantes de utilização do
cartão pelo autor ou qualquer outra evidência que demonstre de forma incontestável a utilização
consciente e informada do produto, enfraquece a defesa do banco e reforça a posição do autor.
Além disso, o fato de o autor ter confirmado a autenticidade de seu documento de identidade anexado
ao contrato não é suficiente para comprovar a validade do contrato em questão. A autenticidade do
documento de identidade apenas demonstra que o documento pertence ao autor, mas não prova que ele
tenha assinado o contrato ou recebido o cartão de crédito consignado.
Portanto, a sentença deve ser reformada, pois o banco réu não cumpriu adequadamente seu ônus da
prova ao não apresentar evidências suficientes e inequívocas de que o autor recebeu e utilizou o cartão
de crédito consignado de forma consciente e informada. A mera similaridade de assinaturas e a
confirmação da autenticidade do documento de identidade não são provas robustas o suficiente para
afastar a alegação do autor.
Para corroborar a fundamentação trazida acima, é pertinente a seguinte menção à Jurisprudência pátria:
APELAÇÃO CÍVEL. DIREITO CIVIL E DO CONSUMIDOR. CARTÃO DE CRÉDITO
CONSIGNADO. RELAÇÃO DE CONSUMO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE
INFORMAÇÃO PRÉVIA E INEQUÍVOCA AO CONSUMIDOR ACERCA DO TIPO DE
CONTRATAÇÃO E DAS CLÁUSULAS CONTRATUAIS. (TJ-AM): 1. O Código de Processo Civil,
em seu artigo 373, II, estabelece que incumbe ao réu a prova quanto à existência de fato impeditivo,
modificativo ou extintivo do direito do autor, ônus do qual o banco apelante não se desincumbiu
porquanto deixou de demonstrar que o apelado tinha conhecimento prévio e inequívoco acerca da
espécie de contrato firmado e das cláusulas nele contidas, desrespeitando os artigos 6º, III, e 52, do
Código de Defesa do Consumidor; 2. Evidenciado o dano experimentado pelo apelado ante a
contratação do serviço sem a devida ciência de tratar-se de cartão de crédito consignado e a
fragilidade de informações constantes na avença, o dano moral deverá ser suportado pela instituição
bancária; 3. A jurisprudência do STJ admite, em caráter excepcional, que o valor arbitrado a título
de indenização por danos morais seja alterado caso se mostre irrisório ou exorbitante, em afronta aos
princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, sendo assim, minoro o quantum para R$
1.000,00 (um mil reais); 4. Sentença reformada; 5. Recurso conhecido e parcialmente provido. TJ-
AM - Apelação Cível: AC 0677651-39.2021.8.04.0001 Manaus, Data do Julgamento: 24 de Julho
de 2023, Terceira Câmara Cível, Data de Publicação: 24/07/2023 AC 0677651-39.2021.8.04.0001
Manaus
DIREITO DO CONSUMIDOR. RECURSO INOMINADO. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA.
DESCONTOS RELATIVOS A CARTÃO DE CRÉDITO CONSIGNADO. (TJ-BA): 1. No caso em
tela, a parte acionada trouxe aos autos as faturas do cartão consignado, a TED e o contrato (evento
19). No contrato consta a assinatura do autor, tendo o mesmo realizado saque no importe de R$
1.065,94. Assim, os documentos acostados revelam que o acionante tinha pleno conhecimento da
contratação. 2. O cartão de crédito foi contratado em novembro de 2015 com a disponibilização do
valor na conta da acionante no referido ano. Portanto, descabe a alegação do acionante de
desconhecimento da contratação, pois a prova dos autos revela a existência do débito. 3. Inobstante
se entender que a contratação de Cartão de Credito Consignado pode ser onerosa, possibilitando a
colocação do consumidor em desvantagem (art. 51, inciso IV, do CDC), o tempo entre a contratação
e a propositura da ação judicial evidenciam o conhecimento do consumidor acerca das
características do contrato não cabendo a procedência das alegações de ter sido a parte surpreendida.
4. A numeração que o autor apresenta como sendo de contrato, na verdade se refere ao código de
reserva de margem consignável. Essa mudança de numeração ocorre todas as vezes que há alteração
do limite de margem consignável do cartão. RECURSO DA ACIONADA PROVIDO PARA
JULGAR IMPROCEDENTES OS PEDIDOS. TJ-BA - PROCESSO Nº 0012020-42.2018.8.05.0110
VI - Dos Requerimentos
Diante do acima exposto, e dos documentos acostados, é o presente recurso para requerer os seguintes
pleitos:
A reforma da sentença proferida pelo 1º Juizado Especial Cível de Planaltina, Distrito Federal,
para que sejam reconhecidas as irregularidades na contratação do cartão de crédito consignado,
considerando a falta de entrega do referido cartão ao autor e a não realização de compras com o
mesmo.
A declaração de nulidade do contrato de cartão de crédito consignado celebrado entre o autor e
o Banco BMG S.A., em razão da ausência de consentimento efetivo do autor, uma vez que não
recebeu o cartão e não reconhece a assinatura no contrato.
A devolução dos valores descontados indevidamente do contracheque do autor, totalizando R$
5.189,00, a título de restituição, considerando que os descontos foram realizados sem a devida
autorização e consentimento do autor.
A condenação do Banco BMG S.A. ao pagamento de danos morais ao autor, em razão dos
transtornos e prejuízos causados pela cobrança indevida e pela ausência de esclarecimentos
sobre a contratação do cartão de crédito consignado.
A produção de prova pericial para verificar a autenticidade da assinatura do autor no contrato
apresentado pelo banco, a fim de comprovar a alegação de falsidade.
A intimação do Banco BMG S.A. para que apresente todos os documentos que comprovem a
entrega do cartão de crédito consignado ao autor, bem como os comprovantes de utilização do
mesmo, caso existam.
Termos em que
Pede Deferimento
[NOME DO ADVOGADO]
[OAB nº ]
[LOCAL, DATA]
[Assinatura do Advogado]