NAO ESQUECER DE ADICIONAR OS DETALHES SOBRE ELES ESTAREM EM UM SONHO
NAO ESQUECER DE CRIAR A CENA DA CIDADE DISTORCIDA
PÁGINA DE DIÁRIO DE SÃO TOMÉ
Dia 27 de Outubro
Hoje mais um morador veio até mim, como tantos outros têm feito nas últimas
semanas.
Seu nome era João, um homem de espírito simples, mas atormentado. Ele confessou
algo terrível: dizia-se culpado por um crime que, ao que sei, jamais poderia ter
cometido.
Ele falou, entre lágrimas, de uma faca ensanguentada, de um corpo frio e de gritos
que ecoavam na noite. Mas João nunca saiu de sua casa naquele dia... eu sei disso
porque estive com ele em oração até tarde.
Essa não foi a primeira confissão assim. Muitos têm vindo, cada um com suas
histórias macabras, seus arrependimentos.
Todos eles falam de ações hediondas que contradizem o que sei deles como pessoas.
Algo está errado. Algo que desafia a lógica.
Ontem à noite, sonhei que estava sentado no confessionário, ouvindo uma voz que não
era humana.
Era como um coro sussurrado, milhares de tons sobrepostos, todos acusando: "Você
também é culpado, Padre."
Quando acordei, o cheiro de podridão permeava o ar, e minha roupa estava úmida,
como se tivesse atravessado um pântano.
Não sei mais se esses sonhos são apenas isso – sonhos. Algo está aqui, em Valedo.
Algo que rasteja por nossas almas.
Os símbolos que encontrei sob o altar... foram deixados por meus predecessores? Ou
são um aviso? Eles queimam quando rezo sobre eles, e o silêncio da igreja agora me
pesa como uma rocha sobre o peito.
Não confie em seus próprios pensamentos. Não confie nem mesmo em sua fé.
Reze por nós, pois já não sei se há salvação.
PERGAMINHO DE RITUAL
Na escuridão onde a culpa se esconde
E os sonhos sufocam a razão
Trace o círculo com a escuridão
E invoque a verdade no coração
Três velas negras devem arder
Sua chama deve em espiral dançar
No altar, o sangue é derramado
Não do corpo, mas da alma a pesar
"Immortalitas culpae dissolvetur.
Per veritatem, absque timore."
Confesse ao vazio seus segredos ocultos
Pois só a verdade abrirá a prisão
Mas lembre-se: o fardo do ritual
Pode consumir mais do que a razão
Quando o sino ecoar no silêncio
E a última chama se extinguir
O Parasita cairá vencido
Mas um pedaço de ti há de partir
DIÁRIO DOS MINERADORES
01/09
A rocha aqui é diferente, negra e quase viva. Quando olho por muito tempo, parece
pulsar.
À noite, sonhei com marcas estranhas, como se estivessem me chamando. Algo nessa
mina não está certo.
17/09
Os sonhos estão piorando. Luís jurou ter visto uma figura no túnel mais profundo,
mas ninguém acredita.
Hoje ouvi sons rastejando na escuridão. Não sei se é minha mente ou algo real. A
mina está nos consumindo.
30/09
Selamos a mina. Não há outra escolha. Encontramos restos dos que desapareceram, mas
era impossível dizer quem eram.
Os símbolos que usamos não funcionam por muito tempo. Quem quer que leia isso:
nunca desenterre o que deixamos aqui.