BNCC: Fundamentos e Metodologias
BNCC: Fundamentos e Metodologias
ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO
– FUNDAMENTOS E
METODOLOGIAS NA EDUCAÇÃO
BÁSICA
AULA 3
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CONVERSA INICIAL
Vamos para mais uma aula sobre os temas importantes da alfabetização e do letramento? Hoje
vamos analisar e refletir sobre o novo norteador curricular do ensino no Brasil, a BNCC (Base Nacional
Bases) de 1996 e também no Plano Nacional de Educação de 2014, que agora foi construído com
caráter de lei.
Você perceberá que esse documento é complexo e muito extenso. Por isso, há muitas dúvidas e
sua análise cuidadosa e detalhada é essencial para que se possa compreender a BNCC na sua
explicação com pontos-chave desse documento que ainda gera dúvida e confusão. Daremos um
panorama geral, mas focaremos no diz respeito ao ensino da língua. Assim, os objetivos desta aula
serão:
Portuguesa.
Analisar o componente curricular de Língua Portuguesa no ensino fundamental (anos iniciais), as
multissemióticos.
Embarque nesse conhecimento, use a base no site do MEC para a leitura e vamos juntos
compreender alguns elementos desse documento.
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A Base Nacional Comum Curricular (BNCC), aprovada ao final do ano de 2017 pelo MEC e que
deverá ser implementada em todas as escolas no ano de 2020, é o novo documento norteador da
organização dos currículos de todas as escolas brasileiras e tem força de lei. Foi produzida para que
básica, determinando o que o aluno deve aprender em cada ano escolar, independente do lugar onde
estudam e moram.
Tenha muita atenção no pressuposto de que a BNCC não determina como ensinar, mas
determina os componentes curriculares do que ensinar. Cada escola, cada rede de ensino, deve,
dentro de seu currículo e proposta pedagógica ou projeto político pedagógico, definir como
Esse documento não é um currículo, entretanto, estados e municípios devem utilizá-lo como
ponto de partida na elaboração dos documentos curriculares em todo o país. Como a escrita desse
documento esclarece, “nesse sentido, espera-se que a BNCC ajude a superar a fragmentação das
Veja abaixo, na Figura 1, o grau de detalhamento do currículo do estado. Sua concretização será
progressiva ao longo das ações até chegar à sala de aula contextualizando as diferentes esferas.
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Observamos que a BNCC salienta que seu objetivo é nortear os currículos de todo o país. O
documento coloca em exercício o que está proposto no artigo 9 da Lei de Diretrizes de Bases da
diretrizes para a educação infantil, o ensino fundamental e o ensino médio, que nortearão os
currículos e seus conteúdos mínimos, de modo a assegurar formação básica comum. (Brasil, 1996)
Várias questões foram levantadas durante a produção e tramitação desse documento norteador.
Entre elas as principais eram: quanto tempo é realmente necessário para a criança se alfabetizar? Qual
é a melhor maneira de ensinar os estudantes a ler e a escrever? O que significa estar alfabetizado?
Qual realmente é a teoria que orienta a Base? Então, pergunto a vocês leitores interessados nessa
temática: será que esse documento resolveu todas essas questões?
letramento, percebemos que há muitas críticas positivas e negativas sobre essa produção, que essas
questões foram resolvidas em partes e que geraram novas preocupações. Magda Soares, uma das
grandes pesquisadoras da área e formadora de professores esclarece nas suas entrevistas ou lives que
a finalização do documento não conta com muitas discussões realizadas no decorrer da construção
dessa Base e que muitas escolas não possuem realidade viável para sua aplicação, principalmente
PCNs aprovados em 1998 e as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Básica (2010), que
traziam encaminhamentos para os currículos brasileiros sem caráter de lei para a educação. Com a
BNCC aprovada, novas atualizações nos currículos, nas propostas pedagógicas das escolas e nos
planejamentos dos professores são obrigatórios e imprescindíveis. Devemos pensar que todo
documento é histórico, contextualizado e pode ser mudado futuramente, pois é uma produção
humana e faz parte de um tempo e de um espaço com intenções políticas, econômicas e sociais.
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habilidades expressam as aprendizagens essenciais que devem ser asseguradas aos alunos nos
Percebemos assim que as práticas realizadas nas escolas pelos professores devem desenvolver as
Vamos compreender pela análise da Base e a organização dos planejamentos escolares que
algumas habilidades da BNCC são usadas de 1º até o 5º ano do ensino fundamental de modo mais
generalizado e compõem habilidades comuns e essenciais. Entretanto, há as habilidades específicas
é o principal orientador dos currículos escolares brasileiros desde 2020, ano de sua implementação.
Atente que serão apenas algumas informações; para maior aprofundamento leia o documento
foi legitimada pelo pacto interfederativo, nos termos da Lei nº 13.005/ 2014, que promulgou o PNE,
objetivos. Sua formulação, sob coordenação do MEC, contou com a participação dos Estados do
Distrito Federal e dos Municípios, depois de ampla consulta à comunidade educacional e à
Quadro 1 – Resumo
Anos Ações
2015 Início da elaboração do documento após análise aprofundada dos documentos curriculares brasileiros, realizada por
especialistas indicados; por secretarias municipais e estaduais de educação e por universidades com um longo
processo de mobilização nacional em torno das previsões de conteúdo do documento. Realizada a primeira versão
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2015 Consultas públicas presenciais e on-line foram realizadas para possibilitar a participação mais direta da população
e na construção da BNCC. A iniciativa fez com que mais de 12 milhões de contribuições – a maioria feita por
2016 educadores – fossem enviadas ao Ministério da Educação (MEC). Realizados seminários estaduais. Segunda versão
2017 O MEC concluiu a sistematização das contribuições e encaminhou uma terceira e última versão do texto ao
Conselho Nacional de Educação (CNE), responsável por regulamentar o sistema nacional de educação, instituir e
orientar a implementação da BNCC da educação infantil e ensino fundamental e realizar audiências públicas
regionais sobre o documento nas cidades de Manaus (AM), Recife (PE), Florianópolis (SC), São Paulo (SP) e Brasília
(DF). As audiências públicas tiveram caráter consultivo e resultaram em 235 documentos com contribuições e 283
manifestações orais.
Final No final 2017, o texto introdutório da Base e as partes referentes à Educação Infantil e ao Ensino Fundamental
de foram aprovadas pelo CNE e oficializadas pelo MEC – o texto correspondente ao ensino médio ainda está em
2018 Período de reelaboração dos currículos estaduais e municipais com Base no novo documento. Homologação dos
Até A oficialização da BNCC estabeleceu para os sistemas e redes de ensino do país o desafio de implementar a BNCC
A nova BNCC está estruturada de modo explicitar as competências que os alunos devem
desenvolver ao longo de toda a educação básica e em cada etapa da escolaridade, como expressão
Agora observe como ficou a organização e estrutura geral da Base Nacional Comum Curricular,
porém focaremos mais os anos inicias no que diz respeito à alfabetização e ao letramento, 1º e 2º
anos.
Possui as 10 competências gerais da educação básica que devem permear todas as etapas:
educação infantil, educação fundamental e ensino médio. São competências transdisciplinares,
articulados e integram o planejamento dos professores nas escolas que devem aprofundar no
decorrer dos anos escolares.
gestos e movimentos; 3. traços, sons, cores e formas; 4. escuta, fala, pensamento e imaginação.
5. espaços, tempos, quantidades, relações e transformações. Em cada campo de experiência são
O ensino fundamental está organizado em cinco áreas do conhecimento, que são: Linguagens
(Língua Portuguesa, Educação Física e Arte para os anos iniciais e Inglês para os anos finais),
4. Utilizar diferentes linguagens para defender pontos de vista que respeitem o outro e
contemporâneo.
comunicar por meio das diferentes linguagens e mídias, produzir conhecimentos, resolver
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específicos, que são: Língua Portuguesa, Arte e Educação Física para os anos iniciais. Em cada um
desses componentes há competências específicas que devem ser desenvolvidas ao longo dos nove
anos de ensino dos estudantes e que possibilitem articulação e progressão dos conhecimentos.
curricular apresenta habilidades específicas de cada um dos objetos de conhecimento que podem ser
compreendidos como conteúdos, conceitos e processos, organizados em unidades temáticas.
Observe a seguir.
temáticas definem uma composição dos objetos de conhecimento ao longo do ensino fundamental
adequado às especificidades dos diferentes componentes curriculares. Cada unidade temática
contempla uma gradação maior ou menor de objetos de conhecimento. Veja um exemplo com a
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As habilidades expressam as aprendizagens essenciais que devem ser asseguradas aos alunos
nos diferentes contextos escolares e que, como já enfatizado, algumas são específicas para um ano e
outras permeiam os cinco anos do ensino fundamental. Para tanto, elas são descritas de acordo com
habilidades definidas para cada ano (ou bloco de anos), cada habilidade é identificada por um código
Percebemos, por essa síntese retirada da Base, que para compreender todo esse processo de
organização das competências e das habilidades de cada ano escolar, é necessário estudar todo o
documento, para maior clareza. Como o próprio documento enfatiza,
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os critérios de organização das habilidades descritos na BNCC (com a explicitação dos objetos de
ser tomados como modelo obrigatório para o desenho dos currículos. A forma de apresentação
adotada na BNCC tem por objetivo assegurar a clareza, a precisão e a explicitação do que se espera
que todos os alunos aprendam na Educação Básica, fornecendo orientações para a elaboração de
currículos em todo o País, adequados aos diferentes contextos. (BNCC, 2017, p 31)
de aula.
Antes de explanar sobre as dez competências gerais da BNCC, é importante retomar o conceito
(BNCC, 2017, p. 8). Nesse sentido, coloca ao ensino a garantia e a obrigatoriedade de que o
estudante, ao longo dos anos de estudos – dos 4 aos 17 anos –, quando chegar ao final dessa
trajetória do ensino básico, consiga se relacionar na sociedade, resolver problemas, mediar conflitos,
compreendendo-se como um ser social, político, letrado no sentido macro.
Perguntamos a você: qual é a importância dessas dez competências gerais para o ensino básico?
Percebemos que são consideradas como as macrocompetências que representam um horizonte de
Vamos destacar abaixo, em cada uma das competências, o elemento central e a explicação
trazida na BNCC (2017, p. 9-10) para que o leitor possa compreender sua importância:
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mundo físico, social, cultural e digital para entender e explicar a realidade, continuar
aprendendo e colaborar para a construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva.
diferentes áreas.
artístico-cultural.
escrita), corporal, visual, sonora e digital –, bem como conhecimentos das linguagens
artística, matemática e científica, para se expressar e partilhar informações, experiências,
coletiva.
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Para o ensino da Língua Portuguesa, também são dez as competências específicas desse
componente curricular. Leia atentamente cada uma delas, que permearão o ensino desde o primeiro
diferentes campos de atuação da vida social e utilizando-a para ampliar suas possibilidades
3. Ler, escutar e produzir textos orais, escritos e multissemióticos que circulam em diferentes
campos de atuação e mídias, com compreensão, autonomia, fluência e criticidade, de modo
ideologias.
8. Selecionar textos e livros para leitura integral, de acordo com objetivos, interesses e
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10. Mobilizar práticas da cultura digital, diferentes linguagens, mídias e ferramentas digitais
São essas as competências que o professor deverá desenvolver nos alunos desde o primeiro ano
do ensino fundamental. É inegável compreender cada uma delas para aliá-las às habilidades
específicas de cada objeto do conhecimento, afim de que realmente haja progressão nos
conhecimentos. Assim, os gêneros são os nortes para a organização dos planejamentos, pois
propiciam a progressão dos textos mais simples para os mais complexos, observando o que os alunos
Vimos que a BNCC é um desafio, por isso o professor precisa estar atento e ciente de que sua
prática precisa ser situada e contextualizada com uma aprendizagem que vai além de ler e
compreender os textos, mas promover o estímulo de verificar sempre os contextos de produção dos
textos: quem os produziu, para quem, com que finalidade – construindo leituras produtivas e críticas.
A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) continua com a centralidade no ensino da Língua
Portuguesa, no texto e nos gêneros textuais como já era nos documentos anteriores (PCN e DCM). No
entanto, há incorporação de outras ênfases, como na gramática, nos gêneros digitais e no uso social e
contextualizado desses textos. Nessas duas décadas que separam os PCNs e a BNCC houve
transformação da sociedade e desse mundo digital, consequentemente. A BNCC, portanto, reflete
esse avanço e aponta a presença de textos multimodais que foram popularizados pela
democratização das tecnologias digitais e as questões de multiculturalismo – uma demanda política
da contemporaneidade.
Nesse sentido, o foco da disciplina de Língua Portuguesa está na formação do ser leitor e
produtor de texto que saiba usar de maneira competente os diversos textos na sua relação social, as
especificidades da linguagem e também sua participação de forma crítica e criativa na sociedade.
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do discurso materializam-se nas práticas sociais com intenção de usos. Isso para o processo de
alfabetização é essencial e esclarece a importância de textos reais e que trazem significado para a vida
dos estudantes. A ênfase dada à gramática na nova BNCC possibilita a compreensão no seu
funcionamento e não um conteúdo em si sem uma contextualização das práticas sociais; seria uso-
reflexão e uso das regras gramaticais dentro do texto.
oral e escrita. Há a necessidade de o professor alfabetizador ter uma visão mais integrada e formativa
etapas do ensino contribui no ensino-aprendizagem dos estudantes. Leia o que diz a Base (2017, p.
53):
A transição entre essas duas etapas da Educação Básica requer muita atenção, para que haja
estabelecem com os conhecimentos, assim como a natureza das mediações de cada etapa. Torna-se
necessário estabelecer estratégias de acolhimento e adaptação tanto para as crianças quanto para
os docentes, de modo que a nova etapa se construa com base no que a criança sabe e é capaz de
Essa transição com responsabilidade e o processo entre as etapas do ensino fundamental e todas
as relações que de aprendizagens precisam ser compreendidas pelos professores, como a BNCC
(2017, p. 53) esclarece, “compreendida como elemento balizador e indicativo de objetivos a ser
explorados em todo o segmento da Educação Infantil, e que serão ampliados e aprofundados no
Ensino Fundamental”. Assim, não são conhecimentos e ou direitos de aprendizagens condição ou pré-
requisito para o acesso ao ensino fundamental; eles devem ser aprofundados nas etapas
subsequentes sem negligência dos professores nas habilidades e competências específicas de cada
ano e ou etapa escolar.
refere-se à inserção da análise semiótica que é compreendida como estudo de textos em múltiplas
linguagens, incluindo as digitais: editores de textos, áudio, vídeos e fotos; podcast, infográfico, e-book,
playlist, blog, vlog, memes, gifs, produções de youtubers, entre vários outros textos contemporâneos.
Nas páginas 71 a 74 do documento há uma explicação de cada um dos eixos e a elucidação de como
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se relacionam as práticas de usos e reflexão de uso da língua. Além disso, esse documenta enfatiza a
repertório dos alunos, a interação com culturas, línguas e os usos linguísticos diversos no intuito de
Os campos de atuação ganham destaque na BNCC, pois são as áreas de uso da linguagem na
vida cotidiana das pessoas e orientam a seleção de gêneros, práticas, atividades, procedimentos em
cada um deles. Foram organizadas com as seguintes nomenclaturas:
Observe como a Base explica cada um desses campos nas competências e habilidades do
agendas, listas, bilhetes, recados, avisos, convites, cartas, cardápios, diários, receitas, regras de jogos
e brincadeiras.
gêneros textuais deste campo: notas; álbuns noticiosos; notícias; reportagens; cartas do leitor
(revista infantil); comentários em sites para criança; textos de campanhas de conscientização;
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aprendizagem dentro e fora da escola. Alguns gêneros deste campo em mídia impressa ou digital:
linguística, que favoreçam experiências estéticas. Alguns gêneros deste campo: lendas, mitos,
fábulas, contos, crônicas, canção, poemas, poemas visuais, cordéis, quadrinhos, tirinhas,
uma criança estar alfabetizada. Muitas foram as discussões e os impasses nessa situação, pois as
formações anteriores ao PNAIC (Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa), que era uma das
diretrizes anteriores para a alfabetização, colocavam como prazo limite até o terceiro ano. Agora, com
a BNCC, esse processo foi antecipado para o segundo ano e aponta que no terceiro ano o processo
Nos dois primeiros anos do Ensino Fundamental, a ação pedagógica deve ter como foco a
alfabetização, a fim de garantir amplas oportunidades para que os alunos se apropriem do sistema
nasce e na Educação Infantil, a criança esteja cercada e participe de diferentes práticas letradas, é
nos anos iniciais (1º e 2º anos) do Ensino Fundamental que se espera que ela se alfabetize. Isso
significa que a alfabetização deve ser o foco da ação pedagógica. Nesse processo, é preciso que os
seus vários formatos (letras imprensa e cursiva, maiúsculas e minúsculas), além do estabelecimento
de relações grafofônicas entre esses dois sistemas de materialização da língua [...]. (BNCC, 2017 p.
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escrita, e a segunda linha de ensino argumenta a organização de atividades que permitam aos
estudantes refletirem sobre o sistema de escrita alfabética com o estudo das relações linguísticas e
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fonológicas; focam também as relações entre sons e letras e investigam com quantas e quais letras se
escreve uma palavra e onde elas devem estar posicionadas ou como se organizam as sílabas.
É importante destacar que a Base não propõe ao professor orientações didáticas e elementos
para avaliação, como nos PCNs. Há um destaque nas habilidades e competências essenciais, no que
ensinar na educação básica. Os conhecimentos que os estudantes devem desenvolver a cada ano
escolar para efetivar sua formação integral. Já as estratégias metodológicas e a expressão como
ensinar deverão ser produzidas na organização dos currículos dos municípios e estados.
do ensino fundamental I são organizadas com o enfoque nas Práticas de Linguagem, divididas em
eixos estruturantes do ensino, discriminados como eixos de integração nesse novo documento da
BNCC. Essa divisão em eixos caracteriza-se pelas práticas essenciais e necessárias ao ensino da Língua
Portuguesa, procurando equilíbrio no ensino. Os quatro eixos de integração serão listados a seguir e
que se faz da língua como forma de interação social. No objetivo de formar estudantes e
2. Leitura/escuta: esse eixo traz a escuta ativa como um comportamento necessário para
que se tenha interpretação do texto oral, especialmente para os estudantes dos anos iniciais. O
texto lido por um leitor experiente proporciona às crianças o contato com diversos gêneros
textuais ainda desconhecidos, com vocabulários mais complexos para que tenham ampliação de
repertório e, ainda, favorece a compreensão de textos que precisam ser mediados pelo outro.
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silêncio, em voz alta e coletiva a fim de atingir a proficiência almejada, tanto na leitura como na
escuta ativa, para a interpretação dos textos e o conhecimento de mundo. Percebe-se que as
sempre ao uso social no seu contexto de produção e principalmente com o acréscimo da cultura
digital com os textos multimodais que agregam as produções escritas e audiovisuais. O que se
espera é que ao final do ensino fundamental os alunos possam, com desenvoltura, estar aptos e
capazes para ler, compreender e ter postura crítica e argumentativa nas produções.
3. Produção: o eixo produção relaciona-se com a escrita não apenas no seu caráter
procedimental, mas na relação de uma metodologia que potencialize a compreensão dos
escrita que devem ser levados em conta: os campos de atuação com suas especificidades; os
escritas com sua variação linguística, entre outros conceitos importantes a serem observados na
escrita. Para que se escreva é necessário repertório. Assim, a articulação com os outros eixos das
memorização de regras deve ser substituída pela compreensão das formas de uso, de acordo
com a situação. A análise linguística, em classe, deve abranger textos multimodais e
multissemióticos.
A BNCC traz para o trabalho com a Língua Portuguesa nas escolas gêneros contemporâneos com
as nomenclaturas de gêneros multissemióticos e multimidiáticos. Para início de discussão, veremos o
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significado desses dois conceitos. O prefixo multi- vem do latim e significa muito, muitas vezes, de
compreensão da informação. Além do texto oral ou escrito há recursos visuais como imagens,
gráficos, cores, tipos de letras, entre outros artifícios que auxiliarão na leitura e interpretação
imageticamente da informação. O conjunto de recursos utilizados no texto são portadores de
leitor atento, crítico e letrado para compreender inferências, nuances, entrelinhas, pois muitas
vezes trazem informações que precisam de ser inferidas. Rojo e Barbosa (2015, p. 108)
vestimentas – modalidade gestual), áudio (música, e outros sons não verbais – modalidade sonora) e
imagens estáticas e em movimento (fotos, ilustrações, grafismos, vídeos, animações – modalidades
Percebemos como professores que esses conhecimentos sobre diferentes tipos de textos, bem
como saber usar e compreender o novo universo midiático é essencial para o trabalho significativo
em sala de aula.
b) Multimidiático: Lemke (2010, p. 456) traz uma explicação sobre esse conceito muito
pontual:
Todo letramento é letramento multimidiático: você nunca pode construir significado com a língua
de forma isolada. É preciso que haja sempre uma realização visual ou vocal de signos linguísticos que
também carrega significado não-linguístico (por ex.: tom da voz ou estilo da ortografia). Para
funcionarem como signos, os signos devem ter alguma realidade material, mas toda forma material
carrega, potencialmente, significados definidos por mais de um código. Toda semiótica é semiótica
multimídia e todo letramento é letramento multimidiático.
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Nesse pressuposto, são muitas as práticas de linguagem presentes em nossa sociedade. Cada
uma delas possui sua própria estrutura e função, por isso a importância de o professor conhecer as
práticas sociais de uso de acordo com sua função social para que assim possa mediar as leituras dos
alunos na promoção de leitores críticos e usuários desses textos com ética, estética e consciência. A
respeito disso, a BNCC (2017, p. 68) esclarece que:
as práticas de linguagem contemporâneas não só envolvem novos gêneros e textos cada vez mais
diferentes mídias, como também produzir e publicar fotos, vídeos diversos, podcasts, infográficos,
enciclopédias colaborativas, revistas e livros digitais etc. Depois de ler um livro de literatura ou
assistir a um filme, pode-se postar comentários em redes sociais específicas, seguir diretores,
autores, escritores, acompanhar de perto seu trabalho; podemos produzir playlists, vlogs, vídeos-
minuto, escrever fanfics, produzir e-zines, nos tornar um booktuber, dentre outras muitas
Agora observe a infinidade de textos midiáticos e os que ainda você não domina para que possa
se aventurar e assim organizar um bom planejamento para seus alunos; um planejamento atual,
dinâmico e contextualizado. Mas lembre-se de que ao trabalhar com os textos é necessário trabalhar
também o suporte do texto, ou seja, local onde foi escrito, veiculado, verificar sua fonte original para
observar os modos próprios de ler cada tipo de texto no seu suporte – cada texto foi escrito com uma
intenção e em algum meio que necessita de um tipo específico de leitura. Observe que os suportes
digitais possuem recursos muito diferenciados para ocultar partes do texto de acordo com a intenção
do site, e depois expandir trechos, acessar links, com áudios, vídeos animados, infográficos, entre
vários outros recursos.
Uma sugestão de trabalho em sala de aula com um texto contemporâneo, é um podcast, que é
um arquivo digital de áudio transmitido por meio da internet, com tema muito variado na intenção de
informar sobre conteúdos específicos. Pode ter episódios dependendo da temática e o tempo varia
de acordo com o que está sendo transmitido. É um texto midiático que pode ser ouvido em qualquer
lugar devido aos meios em que é transmitido, na maioria das vezes com acesso à internet e uso do
próprio telefone.
Para que esse texto seja produzido, ele necessita de bom planejamento. Qual será o público que
ouvirá o podcast? Qual tema será relevante, que agrade o ouvinte e sobre o qual o produtor tenha um
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bom domínio? O conteúdo escolhido terá uma ordem de assuntos para apresentar? Após organizar
esses três itens essenciais – público, tema e conteúdo – é necessário organizar um roteiro de
produção: fazer o texto com os assuntos do podcast, organizar como será o início, se terá vinheta
inicial, como será a apresentação do locutor, especificar a data, como será o final e qual tempo terá o
episódio.
Antes de gravar a versão final, é necessário treinar antes, gravar uma vez, ouvir. Observe o que
pode ser melhorado e altere, pois isso é essencial para a produção de qualidade do material. Depois é
só gravar seu podcast, editar com as vinhetas e os efeitos escolhidos e, se tiver alguma plataforma
disponível, publique seu trabalho. Caso não tenha, envie para os grupos dos amigos ou utilize em sua
sala de aula.
Essa dinâmica pode ser realizada com os alunos das classes de alfabetização para que tenham
conhecimento e para que quando estiverem em outros anos possam se aprimorar e desenvolver
Eixo oralidade: pergunte para sua turma se eles sabem como as abelhas fazem o mel. Converse
sobre o assunto e faça anotações no quadro ou fale com eles sobre os conhecimentos prévios
Eixo leitura/escuta: organize os recursos necessários para que possa acessar o site Coisas de
temporada 2, com o título Como as abelhas fazem mel? Mobilize os alunos para que façam a
escuta ativa do podcast. Depois, retome os pontos dos conhecimentos prévios com o que foi
ouvido no episódio e verifique quais conhecimentos estavam corretos, quais não foram
interpretação do texto. Nesse eixo é imprescindível verificar o ano e os textos que os estudantes
precisam dominar, e quais estratégias e habilidades o professor quer atingir. Por isso, ao pedir
uma produção do podcast, como ele é um texto informativo (sobre as abelhas), o ideal é
produzir um desenho explicativo, um infográfico, um quadro resumo, um mapa mental, o que
depende do nível e do conhecimento de seus alunos. Somente depois de todo esse processo de
verificar as etapas, compreender a estrutura e de interpretação, o professor poderá construir um
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Eixo da análise linguística/semiótica: nesse eixo, para a atividade do podcast, o professor poderá
realizar várias ações, uma delas a partir do texto coletivo ou da produção individual, analisando
a construção dos parágrafos, recursos visuais, pontuação, acentuação, ortografia (aqui também
depende do conteúdo que os alunos possuem mais dificuldade para intensificar o trabalho).
Após esse trabalho, escolha um texto para reescrita coletiva ou faça as individuais – deve-se
cuidar com essas ações e o professor deve compreender esse processo essencial para
NA PRÁTICA
Tema: práticas de linguagem na BNCC para os anos iniciais do ensino fundamental. Episódio 1 –
Conteúdo: faça uma lista dos assuntos que você deverá tratar. Você deve saber falar sobre cada
Roteiro: faça sua apresentação; fale o tema do podcast e a data de gravação; siga sua lista de
Edição: use um programa de edição de áudio para eliminar ruídos do ambiente, colocar vinheta
de abertura, nivelar picos altos e baixos do som (compressor), melhorar a qualidade (normalizar)
e ajustar graves e agudos, entre outros pontos que o editor proporciona.
Publicação: se tiver alguma plataforma para divulgação, disponibilize o material para ajudar
outros profissionais ou divulgue para seus colegas de profissão e de turma para desenvolver
novas habilidades.
FINALIZANDO
Nesta aula, enfatizamos a BNCC, o novo documento norteador do ensino brasileiro. Observamos
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Vimos que a Base se estrutura em competências e habilidades como sinônimos dos direitos
objetivos de aprendizagem que devem permear toda a educação básica. Além disso, apresentamos
pontos-chave desse documento, focando nas práticas de linguagem, nos campos de atuação e nas
nomenclaturas que geram confusão e/ou ainda não estão totalmente compreendidas pelos
outros.
Vimos que ainda há desafios na sua implementação e que a formação continuada docente deve
ser muito bem estruturada; as adequações aos materiais didáticos são imprescindíveis e há
A BNCC não chegou para desnortear tudo de novo, como os documentos anteriores a ela, mas
para apresentar conhecimentos e fazer com que o profissional leia, analise, amplie, sustente, embase
e norteie aquilo que o professor já faz, porém, com atualizações, orientações e quadros explicativos
REFERÊNCIAS
BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Lei n. 9394, 20 de dezembro de 1996.
BRASIL. Base Nacional Comum Curricular: Educação Infantil e Ensino Fundamental. Brasília:
MEC/Secretaria de Educação Básica, 2017. Disponível em: <[Link]
Acesso em: 07 out. 2020.
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