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BNCC: Fundamentos e Metodologias

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11/02/2024, 11:29 UNINTER

ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO
– FUNDAMENTOS E
METODOLOGIAS NA EDUCAÇÃO
BÁSICA
AULA 3

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Profª Sônia de Fátima Radvanskei

Profª Jane Aparecida Radvanskei da Silva

CONVERSA INICIAL

Vamos para mais uma aula sobre os temas importantes da alfabetização e do letramento? Hoje

vamos analisar e refletir sobre o novo norteador curricular do ensino no Brasil, a BNCC (Base Nacional

Comum Curricular), um documento previsto na Constituição de 1988, na LDB (Lei de Diretrizes e

Bases) de 1996 e também no Plano Nacional de Educação de 2014, que agora foi construído com

caráter de lei.

Você perceberá que esse documento é complexo e muito extenso. Por isso, há muitas dúvidas e

sua análise cuidadosa e detalhada é essencial para que se possa compreender a BNCC na sua

totalidade, principalmente para os professores do ensino fundamental I, que planejam todos os

componentes curriculares. No entanto, aqui vamos priorizar a BNCC na área de conhecimento de

linguagem no componente curricular de Língua Portuguesa, com alguns textos de orientação e

explicação com pontos-chave desse documento que ainda gera dúvida e confusão. Daremos um

panorama geral, mas focaremos no diz respeito ao ensino da língua. Assim, os objetivos desta aula

serão:

Conhecer a organização e a estrutura geral da BNCC.


Compreender as dez competências gerais da BNCC e as competências específicas de Língua

Portuguesa.
Analisar o componente curricular de Língua Portuguesa no ensino fundamental (anos iniciais), as

práticas de linguagem, os objetos de conhecimento e as habilidades específicas.


Identificar as práticas de linguagens e os eixos de integração para o trabalho em sala de aula.
Refletir sobre as práticas de linguagens contemporâneas, com os textos multimodais e

multissemióticos.

Embarque nesse conhecimento, use a base no site do MEC para a leitura e vamos juntos
compreender alguns elementos desse documento.

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TEMA 1 – BNCC: ORGANIZAÇÃO E ESTRUTURA

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC), aprovada ao final do ano de 2017 pelo MEC e que
deverá ser implementada em todas as escolas no ano de 2020, é o novo documento norteador da

organização dos currículos de todas as escolas brasileiras e tem força de lei. Foi produzida para que

se possa garantir o direito à aprendizagem e ao desenvolvimento pleno de todos os estudantes e,

portanto, define as habilidades essenciais e as competências para todos os alunos da educação

básica, determinando o que o aluno deve aprender em cada ano escolar, independente do lugar onde
estudam e moram.

Tenha muita atenção no pressuposto de que a BNCC não determina como ensinar, mas

determina os componentes curriculares do que ensinar. Cada escola, cada rede de ensino, deve,

dentro de seu currículo e proposta pedagógica ou projeto político pedagógico, definir como

organizará seu currículo e as diversidades locais.

Esse documento não é um currículo, entretanto, estados e municípios devem utilizá-lo como

ponto de partida na elaboração dos documentos curriculares em todo o país. Como a escrita desse

documento esclarece, “nesse sentido, espera-se que a BNCC ajude a superar a fragmentação das

políticas educacionais, enseje o fortalecimento do regime de colaboração entre as três esferas de

governo e seja balizadora da qualidade da educação” (BNCC, 2017, p. 8).

Veja abaixo, na Figura 1, o grau de detalhamento do currículo do estado. Sua concretização será
progressiva ao longo das ações até chegar à sala de aula contextualizando as diferentes esferas.

Figura 1 – Grau de detalhamento do currículo

Fonte: MEC, 2018.

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Observamos que a BNCC salienta que seu objetivo é nortear os currículos de todo o país. O

documento coloca em exercício o que está proposto no artigo 9 da Lei de Diretrizes de Bases da

Educação (LDB), aprovada em 1996, destacando que o governo federal deverá

estabelecer, em colaboração com os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, competências e

diretrizes para a educação infantil, o ensino fundamental e o ensino médio, que nortearão os
currículos e seus conteúdos mínimos, de modo a assegurar formação básica comum. (Brasil, 1996)

Várias questões foram levantadas durante a produção e tramitação desse documento norteador.

Entre elas as principais eram: quanto tempo é realmente necessário para a criança se alfabetizar? Qual

é a melhor maneira de ensinar os estudantes a ler e a escrever? O que significa estar alfabetizado?

Qual realmente é a teoria que orienta a Base? Então, pergunto a vocês leitores interessados nessa
temática: será que esse documento resolveu todas essas questões?

Quando lemos a respeito e analisamos os grandes pesquisadores da área de alfabetização e

letramento, percebemos que há muitas críticas positivas e negativas sobre essa produção, que essas

questões foram resolvidas em partes e que geraram novas preocupações. Magda Soares, uma das

grandes pesquisadoras da área e formadora de professores esclarece nas suas entrevistas ou lives que

a finalização do documento não conta com muitas discussões realizadas no decorrer da construção
dessa Base e que muitas escolas não possuem realidade viável para sua aplicação, principalmente

quanto às tecnologias. Essa é apenas uma das críticas.

Anteriormente à BNCC outros documentos norteavam o ensino da Língua Portuguesa, como os

PCNs aprovados em 1998 e as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Básica (2010), que
traziam encaminhamentos para os currículos brasileiros sem caráter de lei para a educação. Com a

BNCC aprovada, novas atualizações nos currículos, nas propostas pedagógicas das escolas e nos
planejamentos dos professores são obrigatórios e imprescindíveis. Devemos pensar que todo

documento é histórico, contextualizado e pode ser mudado futuramente, pois é uma produção
humana e faz parte de um tempo e de um espaço com intenções políticas, econômicas e sociais.

A BNCC enfatiza as competências e habilidades essenciais que o estudante deve desenvolver ao


longo de toda a educação básica, e traz o seguinte como definição desses conceitos:

Competência é definida como a mobilização de conhecimentos (conceitos e procedimentos),


habilidades (práticas, cognitivas e socioemocionais), atitudes e valores para resolver demandas

complexas da vida cotidiana, do pleno exercício da cidadania e do mundo do trabalho. [...] As

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habilidades expressam as aprendizagens essenciais que devem ser asseguradas aos alunos nos

diferentes contextos escolares. (BNCC, 2017, p. 8)

Percebemos assim que as práticas realizadas nas escolas pelos professores devem desenvolver as

habilidades aos estudantes. Já a evolução das competências e sua efetivação referem-se à


mobilização dessas habilidades no decorrer dos anos letivos para que seja capaz de resolver

problemas, desafios e atuar de maneira crítica com o uso da língua na sociedade.

Vamos compreender pela análise da Base e a organização dos planejamentos escolares que

algumas habilidades da BNCC são usadas de 1º até o 5º ano do ensino fundamental de modo mais
generalizado e compõem habilidades comuns e essenciais. Entretanto, há as habilidades específicas

de cada ano escolar, como o documento apresenta.

COMO FOI O PERCURSO DE SUA PRODUÇÃO E ESTRUTURA?

A seguir apresentamos um breve percurso histórico da organização do documento da BNCC, que

é o principal orientador dos currículos escolares brasileiros desde 2020, ano de sua implementação.

Atente que serão apenas algumas informações; para maior aprofundamento leia o documento

integral no site do MEC. A BNCC

foi legitimada pelo pacto interfederativo, nos termos da Lei nº 13.005/ 2014, que promulgou o PNE,

a BNCC depende do adequado funcionamento do regime de colaboração para alcançar seus

objetivos. Sua formulação, sob coordenação do MEC, contou com a participação dos Estados do
Distrito Federal e dos Municípios, depois de ampla consulta à comunidade educacional e à

sociedade, conforme consta da apresentação do presente documento. (BNCC, 2017, p. 20)

Observe o resumo no Quadro 1, abaixo:

Quadro 1 – Resumo

Anos Ações

2015 Início da elaboração do documento após análise aprofundada dos documentos curriculares brasileiros, realizada por

especialistas indicados; por secretarias municipais e estaduais de educação e por universidades com um longo
processo de mobilização nacional em torno das previsões de conteúdo do documento. Realizada a primeira versão

do documento e início da consulta pública.

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2015 Consultas públicas presenciais e on-line foram realizadas para possibilitar a participação mais direta da população
e na construção da BNCC. A iniciativa fez com que mais de 12 milhões de contribuições – a maioria feita por

2016 educadores – fossem enviadas ao Ministério da Educação (MEC). Realizados seminários estaduais. Segunda versão

da BNCC. Sistematização das contribuições.

2017 O MEC concluiu a sistematização das contribuições e encaminhou uma terceira e última versão do texto ao

Conselho Nacional de Educação (CNE), responsável por regulamentar o sistema nacional de educação, instituir e
orientar a implementação da BNCC da educação infantil e ensino fundamental e realizar audiências públicas

regionais sobre o documento nas cidades de Manaus (AM), Recife (PE), Florianópolis (SC), São Paulo (SP) e Brasília
(DF). As audiências públicas tiveram caráter consultivo e resultaram em 235 documentos com contribuições e 283

manifestações orais.

Final No final 2017, o texto introdutório da Base e as partes referentes à Educação Infantil e ao Ensino Fundamental

de foram aprovadas pelo CNE e oficializadas pelo MEC – o texto correspondente ao ensino médio ainda está em

2017 processo de elaboração.

2018 Período de reelaboração dos currículos estaduais e municipais com Base no novo documento. Homologação dos

currículos nos conselhos de educação estaduais e municipais.

Até A oficialização da BNCC estabeleceu para os sistemas e redes de ensino do país o desafio de implementar a BNCC

2020 até o início de 2020.

Fonte: Elaborado com base em Instituto Ayrton Senna, [S.d.].

A nova BNCC está estruturada de modo explicitar as competências que os alunos devem

desenvolver ao longo de toda a educação básica e em cada etapa da escolaridade, como expressão

dos direitos de aprendizagem e desenvolvimento de todos os estudantes.

Agora observe como ficou a organização e estrutura geral da Base Nacional Comum Curricular,

porém focaremos mais os anos inicias no que diz respeito à alfabetização e ao letramento, 1º e 2º
anos.

Possui as 10 competências gerais da educação básica que devem permear todas as etapas:
educação infantil, educação fundamental e ensino médio. São competências transdisciplinares,

articulados e integram o planejamento dos professores nas escolas que devem aprofundar no
decorrer dos anos escolares.

Na etapa da educação infantil há os direitos de aprendizagem e desenvolvimento de acordo


com os eixos estruturantes da educação infantil (interações e brincadeira). Devem ser

assegurados seis direitos de aprendizagem e desenvolvimento para que as crianças tenham


condições de aprender e se desenvolver: conviver, brincar, participar, explorar, expressar,
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conhecer-se. Organiza em cinco campos de experiências: 1. o eu, o outro e o nós; 2. corpo,

gestos e movimentos; 3. traços, sons, cores e formas; 4. escuta, fala, pensamento e imaginação.
5. espaços, tempos, quantidades, relações e transformações. Em cada campo de experiência são

definidos objetivos de aprendizagem e desenvolvimento, organizados em três grupos por faixa


etária: bebês (0-1 ano e 6 meses); crianças bem pequenas (1 ano e 7 meses-3 anos e 11 meses)

e crianças pequenas (4 anos-5 anos 11 meses).

O ensino fundamental está organizado em cinco áreas do conhecimento, que são: Linguagens

(Língua Portuguesa, Educação Física e Arte para os anos iniciais e Inglês para os anos finais),

Matemática, Ciências da Natureza, Ciências Humanas (História e Geografia) e Ensino Religioso.

Na área de Linguagens, as competências específicas são seis, como podemos observar:

1. Compreender as linguagens como construção humana, histórica, social e cultural, de

natureza dinâmica, reconhecendo-as e valorizando-as como formas de significação da


realidade e expressão de subjetividades e identidades sociais e culturais.

2. Conhecer e explorar diversas práticas de linguagem (artísticas, corporais e linguísticas) em


diferentes campos da atividade humana para continuar aprendendo, ampliar suas

possibilidades de participação na vida social e colaborar para a construção de uma sociedade


mais justa, democrática e inclusiva.

3. Utilizar diferentes linguagens – verbal (oral ou visual-motora, como Libras, e escrita),


corporal, visual, sonora e digital –, para se expressar e partilhar informações, experiências,

ideias e sentimentos em diferentes contextos e produzir sentidos que levem ao diálogo, à

resolução de conflitos e à cooperação.

4. Utilizar diferentes linguagens para defender pontos de vista que respeitem o outro e

promovam os direitos humanos, a consciência socioambiental e o consumo responsável em


âmbito local, regional e global, atuando criticamente frente a questões do mundo

contemporâneo.

5. Desenvolver o senso estético para reconhecer, fruir e respeitar as diversas manifestações

artísticas e culturais, das locais às mundiais, inclusive aquelas pertencentes ao patrimônio


cultural da humanidade, bem como participar de práticas diversificadas, individuais e

coletivas, da produção artístico-cultural, com respeito à diversidade de saberes, identidades e


culturas.

6. Compreender e utilizar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica,


significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais (incluindo as escolares), para se

comunicar por meio das diferentes linguagens e mídias, produzir conhecimentos, resolver

problemas e desenvolver projetos autorais e coletivos. (BNCC, 2017, p. 65)

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Essa área de Linguagens, como dito anteriormente, possui os componentes curriculares

específicos, que são: Língua Portuguesa, Arte e Educação Física para os anos iniciais. Em cada um

desses componentes há competências específicas que devem ser desenvolvidas ao longo dos nove

anos de ensino dos estudantes e que possibilitem articulação e progressão dos conhecimentos.

Para garantir a progressão e desenvolvimento das competências específicas, cada componente

curricular apresenta habilidades específicas de cada um dos objetos de conhecimento que podem ser
compreendidos como conteúdos, conceitos e processos, organizados em unidades temáticas.

Observe a seguir.

Figura 2 – Anos iniciais

Fonte: Elaborado com base na BNCC.

Respeitando as muitas possibilidades de organização do conhecimento escolar, as unidades

temáticas definem uma composição dos objetos de conhecimento ao longo do ensino fundamental
adequado às especificidades dos diferentes componentes curriculares. Cada unidade temática
contempla uma gradação maior ou menor de objetos de conhecimento. Veja um exemplo com a

prática de linguagem da oralidade no componente curricular de Língua Portuguesa:

Figura 3 – Exemplo de prática

Fonte: Elaborado com base na BNCC.

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As habilidades expressam as aprendizagens essenciais que devem ser asseguradas aos alunos

nos diferentes contextos escolares e que, como já enfatizado, algumas são específicas para um ano e
outras permeiam os cinco anos do ensino fundamental. Para tanto, elas são descritas de acordo com

uma determinada estrutura, conforme ilustrado no exemplo a seguir, de Língua Portuguesa


(EF01LP01).

Figura 4 – Estrutura de escrita das habilidades

Fonte: Elaborado com base na BNCC.

Nos quadros que apresentam as unidades temáticas, os objetos de conhecimento e as

habilidades definidas para cada ano (ou bloco de anos), cada habilidade é identificada por um código

alfanumérico. Sua composição é a seguinte:

Figura 5 – Códigos alfanuméricos

Fonte: Elaborado com base na BNCC.

Percebemos, por essa síntese retirada da Base, que para compreender todo esse processo de

organização das competências e das habilidades de cada ano escolar, é necessário estudar todo o
documento, para maior clareza. Como o próprio documento enfatiza,

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os critérios de organização das habilidades descritos na BNCC (com a explicitação dos objetos de

conhecimento aos quais se relacionam e do agrupamento desses objetos em unidades temáticas)


expressam um arranjo possível (dentre outros). Portanto, os agrupamentos propostos não devem

ser tomados como modelo obrigatório para o desenho dos currículos. A forma de apresentação
adotada na BNCC tem por objetivo assegurar a clareza, a precisão e a explicitação do que se espera

que todos os alunos aprendam na Educação Básica, fornecendo orientações para a elaboração de

currículos em todo o País, adequados aos diferentes contextos. (BNCC, 2017, p 31)

Para tanto, compreender determinados conceitos, como habilidades, competências, áreas do

conhecimento, unidades temáticas, componentes curriculares, objetos do conhecimento, entre outras


especificidades é essencial para articular a Base ao currículo e ao planejamento do professor em sala

de aula.

TEMA 2 – AS DEZ COMPETÊNCIAS GERAIS DA BNCC E AS


COMPETÊNCIAS ESPECÍFICAS DE LÍNGUA PORTUGUESA

Antes de explanar sobre as dez competências gerais da BNCC, é importante retomar o conceito

de competência definido nesse documento, “como a mobilização de conhecimentos (conceitos e

procedimentos), habilidades (práticas, cognitivas e socioemocionais), atitudes e valores para resolver

demandas complexas da vida cotidiana, do pleno exercício da cidadania e do mundo do trabalho”

(BNCC, 2017, p. 8). Nesse sentido, coloca ao ensino a garantia e a obrigatoriedade de que o

estudante, ao longo dos anos de estudos – dos 4 aos 17 anos –, quando chegar ao final dessa
trajetória do ensino básico, consiga se relacionar na sociedade, resolver problemas, mediar conflitos,
compreendendo-se como um ser social, político, letrado no sentido macro.

Perguntamos a você: qual é a importância dessas dez competências gerais para o ensino básico?
Percebemos que são consideradas como as macrocompetências que representam um horizonte de

formação da educação básica, o patamar desejado e significativo do desenvolvimento humano. É um


diálogo que abrange todas as etapas do ensino, portanto espera-se que haja continuidade, processo

e construção, não rupturas ou descontinuidades. Perguntamos também: que estudante pretendemos


formar ao final do ensino básico? Quais competências ele deve ter ao final dessa etapa?

Vamos destacar abaixo, em cada uma das competências, o elemento central e a explicação
trazida na BNCC (2017, p. 9-10) para que o leitor possa compreender sua importância:

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1. Conhecimento: Valorizar e utilizar os conhecimentos historicamente construídos sobre o

mundo físico, social, cultural e digital para entender e explicar a realidade, continuar
aprendendo e colaborar para a construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva.

2. Pensamento crítico, científico e criativo: Exercitar a curiosidade intelectual e recorrer à


abordagem própria das ciências, incluindo a investigação, a reflexão, a análise crítica, a

imaginação e a criatividade, para investigar causas, elaborar e testar hipóteses, formular e


resolver problemas e criar soluções (inclusive tecnológicas) com base nos conhecimentos das

diferentes áreas.

3. Repertório cultural – senso estético: Valorizar e fruir as diversas manifestações artísticas e

culturais, das locais às mundiais, e também participar de práticas diversificadas da produção

artístico-cultural.

4. Comunicação: Utilizar diferentes linguagens – verbal (oral ou visual-motora, como Libras, e

escrita), corporal, visual, sonora e digital –, bem como conhecimentos das linguagens
artística, matemática e científica, para se expressar e partilhar informações, experiências,

ideias e sentimentos em diferentes contextos e produzir sentidos que levem ao


entendimento mútuo.

5. Cultura digital: Compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e


comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais

(incluindo as escolares) para se comunicar, acessar e disseminar informações, produzir


conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e

coletiva.

6. Trabalho e projeto de vida: Valorizar a diversidade de saberes e vivências culturais e

apropriar-se de conhecimentos e experiências que lhe possibilitem entender as relações

próprias do mundo do trabalho e fazer escolhas alinhadas ao exercício da cidadania e ao seu


projeto de vida, com liberdade, autonomia, consciência crítica e responsabilidade.

7. Argumentação: Argumentar com base em fatos, dados e informações confiáveis, para


formular, negociar e defender ideias, pontos de vista e decisões comuns que respeitem e

promovam os direitos humanos, a consciência socioambiental e o consumo responsável em


âmbito local, regional e global, com posicionamento ético em relação ao cuidado de si

mesmo, dos outros e do planeta.

8. Autoconhecimento, autocuidado: Conhecer-se, apreciar-se e cuidar de sua saúde física e

emocional, compreendendo-se na diversidade humana e reconhecendo suas emoções e as

dos outros, com autocrítica e capacidade para lidar com elas.

9. Empatia e cooperação: Exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a

cooperação, fazendo-se respeitar e promovendo o respeito ao outro e aos direitos humanos,


com acolhimento e valorização da diversidade de indivíduos e de grupos sociais, seus

saberes, identidades, culturas e potencialidades, sem preconceitos de qualquer natureza.

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10. Responsabilidade, cidadania e autonomia: Agir pessoal e coletivamente com autonomia,

responsabilidade, flexibilidade, resiliência e determinação, tomando decisões com base em


princípios éticos, democráticos, inclusivos, sustentáveis e solidários.

Para o ensino da Língua Portuguesa, também são dez as competências específicas desse
componente curricular. Leia atentamente cada uma delas, que permearão o ensino desde o primeiro

ano do ensino fundamental e finalizarão no último do ensino básico – nono ano.

1. Compreender a língua como fenômeno cultural, histórico, social, variável, heterogêneo e


sensível aos contextos de uso, reconhecendo-a como meio de construção de identidades de

seus usuários e da comunidade a que pertencem.

2. Apropriar-se da linguagem escrita, reconhecendo-a como forma de interação nos

diferentes campos de atuação da vida social e utilizando-a para ampliar suas possibilidades

de participar da cultura letrada, de construir conhecimentos (inclusive escolares) e de se


envolver com maior autonomia e protagonismo na vida social.

3. Ler, escutar e produzir textos orais, escritos e multissemióticos que circulam em diferentes
campos de atuação e mídias, com compreensão, autonomia, fluência e criticidade, de modo

a se expressar e partilhar informações, experiências, ideias e sentimentos, e continuar


aprendendo.

4. Compreender o fenômeno da variação linguística, demonstrando atitude respeitosa diante


de variedades linguísticas e rejeitando preconceitos linguísticos.

5. Empregar, nas interações sociais, a variedade e o estilo de linguagem adequados à


situação comunicativa, ao(s) interlocutor(es) e ao gênero do discurso/gênero textual.

6. Analisar informações, argumentos e opiniões manifestados em

interações sociais e nos meios de comunicação, posicionando-se ética e criticamente em

relação a conteúdos discriminatórios que ferem direitos humanos e ambientais.

7. Reconhecer o texto como lugar de manifestação e negociação de sentidos, valores e

ideologias.

8. Selecionar textos e livros para leitura integral, de acordo com objetivos, interesses e

projetos pessoais (estudo, formação pessoal, entretenimento, pesquisa, trabalho etc.).

9. Envolver-se em práticas de leitura literária que possibilitem o

desenvolvimento do senso estético para fruição, valorizando a literatura e outras

manifestações artístico-culturais como formas de acesso às dimensões lúdicas, de imaginário

e encantamento, reconhecendo o potencial transformador e humanizador da experiência


com a literatura.

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10. Mobilizar práticas da cultura digital, diferentes linguagens, mídias e ferramentas digitais

para expandir as formas de produzir sentidos (nos processos de compreensão e produção),


aprender e refletir sobre o mundo e realizar diferentes projetos autorais.

São essas as competências que o professor deverá desenvolver nos alunos desde o primeiro ano

do ensino fundamental. É inegável compreender cada uma delas para aliá-las às habilidades
específicas de cada objeto do conhecimento, afim de que realmente haja progressão nos

conhecimentos. Assim, os gêneros são os nortes para a organização dos planejamentos, pois

propiciam a progressão dos textos mais simples para os mais complexos, observando o que os alunos

já dominam para fazer as progressões necessárias.

Vimos que a BNCC é um desafio, por isso o professor precisa estar atento e ciente de que sua

prática precisa ser situada e contextualizada com uma aprendizagem que vai além de ler e

compreender os textos, mas promover o estímulo de verificar sempre os contextos de produção dos

textos: quem os produziu, para quem, com que finalidade – construindo leituras produtivas e críticas.

TEMA 3 – O QUE MUDOU NO ENSINO DA ALFABETIZAÇÃO COM A


BASE?

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) continua com a centralidade no ensino da Língua

Portuguesa, no texto e nos gêneros textuais como já era nos documentos anteriores (PCN e DCM). No

entanto, há incorporação de outras ênfases, como na gramática, nos gêneros digitais e no uso social e
contextualizado desses textos. Nessas duas décadas que separam os PCNs e a BNCC houve
transformação da sociedade e desse mundo digital, consequentemente. A BNCC, portanto, reflete

esse avanço e aponta a presença de textos multimodais que foram popularizados pela
democratização das tecnologias digitais e as questões de multiculturalismo – uma demanda política

da contemporaneidade.

Nesse sentido, o foco da disciplina de Língua Portuguesa está na formação do ser leitor e

produtor de texto que saiba usar de maneira competente os diversos textos na sua relação social, as
especificidades da linguagem e também sua participação de forma crítica e criativa na sociedade.

A concepção de linguagem como forma de interação é utilizada nesse documento e relaciona-se

com os PCNs quando enfatiza a perspectiva enunciativa-discursiva da linguagem, reconhecendo que


é dialógica e constrói-se pelas relações sociais entre os indivíduos. Os textos, ou gêneros textuais, ou

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do discurso materializam-se nas práticas sociais com intenção de usos. Isso para o processo de

alfabetização é essencial e esclarece a importância de textos reais e que trazem significado para a vida

dos estudantes. A ênfase dada à gramática na nova BNCC possibilita a compreensão no seu

funcionamento e não um conteúdo em si sem uma contextualização das práticas sociais; seria uso-
reflexão e uso das regras gramaticais dentro do texto.

A BNCC também apresenta continuidade, progressão na aprendizagem entre a educação Infantil


e os anos iniciais do ensino fundamental com o aprofundamento das experiências com a linguagem

oral e escrita. Há a necessidade de o professor alfabetizador ter uma visão mais integrada e formativa

no processo de aprendizagem, ou seja, ao compreender essa continuidade e ligação entre essas

etapas do ensino contribui no ensino-aprendizagem dos estudantes. Leia o que diz a Base (2017, p.

53):

A transição entre essas duas etapas da Educação Básica requer muita atenção, para que haja

equilíbrio entre as mudanças introduzidas, garantindo integração e continuidade dos processos de


aprendizagens das crianças, respeitando suas singularidades e as diferentes relações que elas

estabelecem com os conhecimentos, assim como a natureza das mediações de cada etapa. Torna-se
necessário estabelecer estratégias de acolhimento e adaptação tanto para as crianças quanto para

os docentes, de modo que a nova etapa se construa com base no que a criança sabe e é capaz de

fazer, em uma perspectiva de continuidade de seu percurso educativo.

Essa transição com responsabilidade e o processo entre as etapas do ensino fundamental e todas

as relações que de aprendizagens precisam ser compreendidas pelos professores, como a BNCC
(2017, p. 53) esclarece, “compreendida como elemento balizador e indicativo de objetivos a ser
explorados em todo o segmento da Educação Infantil, e que serão ampliados e aprofundados no

Ensino Fundamental”. Assim, não são conhecimentos e ou direitos de aprendizagens condição ou pré-
requisito para o acesso ao ensino fundamental; eles devem ser aprofundados nas etapas

subsequentes sem negligência dos professores nas habilidades e competências específicas de cada
ano e ou etapa escolar.

No novo documento (BNCC), as habilidades estão agrupadas em quatro diferentes práticas de


linguagem: Leitura, Produção de Textos, Oralidade e Análise Linguística/Semiótica. A diferença central

refere-se à inserção da análise semiótica que é compreendida como estudo de textos em múltiplas
linguagens, incluindo as digitais: editores de textos, áudio, vídeos e fotos; podcast, infográfico, e-book,

playlist, blog, vlog, memes, gifs, produções de youtubers, entre vários outros textos contemporâneos.
Nas páginas 71 a 74 do documento há uma explicação de cada um dos eixos e a elucidação de como

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se relacionam as práticas de usos e reflexão de uso da língua. Além disso, esse documenta enfatiza a

diversidade cultural na organização dos planejamentos nas escolas e salienta a ampliação do

repertório dos alunos, a interação com culturas, línguas e os usos linguísticos diversos no intuito de

que os estudantes conheçam e aprendam a valorizar essas diferenças e as diversas culturas.

Os campos de atuação ganham destaque na BNCC, pois são as áreas de uso da linguagem na

vida cotidiana das pessoas e orientam a seleção de gêneros, práticas, atividades, procedimentos em
cada um deles. Foram organizadas com as seguintes nomenclaturas:

Figura 6 – Áreas de uso da linguagem

Fonte: BNCC, 2017, p. 84.

Observe como a Base explica cada um desses campos nas competências e habilidades do

primeiro e do segundo anos:

CAMPO DA VIDA COTIDIANA – Campo de atuação relativo à participação em situações de leitura,

próprias de atividades vivenciadas cotidianamente por crianças, adolescentes, jovens e adultos, no


espaço doméstico e familiar, escolar, cultural e profissional. Alguns gêneros textuais deste campo:

agendas, listas, bilhetes, recados, avisos, convites, cartas, cardápios, diários, receitas, regras de jogos
e brincadeiras.

CAMPO DA VIDA PÚBLICA – Campo de atuação relativo à participação em situações de leitura e


escrita, especialmente de textos das esferas jornalística, publicitária, política, jurídica e

reivindicatória, contemplando temas que impactam a cidadania e o exercício de direitos. Alguns

gêneros textuais deste campo: notas; álbuns noticiosos; notícias; reportagens; cartas do leitor
(revista infantil); comentários em sites para criança; textos de campanhas de conscientização;

Estatuto da Criança e do Adolescente; abaixo-assinados; cartas de reclamação, regras e


regulamentos.

CAMPO DAS PRÁTICAS DE ESTUDO E PESQUISA – Campo de atuação relativo à participação em


situações de leitura/escrita que possibilitem conhecer os textos expositivos e argumentativos, a

linguagem e as práticas relacionadas ao estudo, à pesquisa e à divulgação científica, favorecendo a

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aprendizagem dentro e fora da escola. Alguns gêneros deste campo em mídia impressa ou digital:

enunciados de tarefas escolares; relatos de experimentos; quadros; gráficos; tabelas; infográficos;


diagramas; entrevistas; notas de divulgação científica; verbetes de enciclopédia.

CAMPO ARTÍSTICO-LITERÁRIO – Campo de atuação relativo à participação em situações de leitura,


fruição e produção de textos literários e artísticos, representativos da diversidade cultural e

linguística, que favoreçam experiências estéticas. Alguns gêneros deste campo: lendas, mitos,
fábulas, contos, crônicas, canção, poemas, poemas visuais, cordéis, quadrinhos, tirinhas,

charge/cartum, dentre outros. (BNCC, 2017, p. 96-111)

O interessante é analisar o documento para compreender toda essa complexidade e

especificidade do ensino da Língua Portuguesa. Focamos as competências e habilidades na explicação


anterior nos dois anos iniciais, uma vez que fazem parte do tempo que o documento considera para

uma criança estar alfabetizada. Muitas foram as discussões e os impasses nessa situação, pois as

formações anteriores ao PNAIC (Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa), que era uma das

diretrizes anteriores para a alfabetização, colocavam como prazo limite até o terceiro ano. Agora, com

a BNCC, esse processo foi antecipado para o segundo ano e aponta que no terceiro ano o processo

continua com mais foco na ortografia. Observe a ênfase dada no documento.

Nos dois primeiros anos do Ensino Fundamental, a ação pedagógica deve ter como foco a
alfabetização, a fim de garantir amplas oportunidades para que os alunos se apropriem do sistema

de escrita alfabética de modo articulado ao desenvolvimento de outras habilidades de leitura e de


escrita e ao seu envolvimento em práticas diversificadas de letramentos. [...] Embora, desde que

nasce e na Educação Infantil, a criança esteja cercada e participe de diferentes práticas letradas, é

nos anos iniciais (1º e 2º anos) do Ensino Fundamental que se espera que ela se alfabetize. Isso
significa que a alfabetização deve ser o foco da ação pedagógica. Nesse processo, é preciso que os

estudantes conheçam o alfabeto e a mecânica da escrita/leitura – processos que visam a que


alguém (se) torne alfabetizado, ou seja, consiga “codificar e decodificar” os sons da língua

(fonemas) em material gráfico (grafemas ou letras), o que envolve o desenvolvimento de uma


consciência fonológica (dos fonemas do português do Brasil e de sua organização em segmentos

sonoros maiores como sílabas e palavras) e o conhecimento do alfabeto do português do Brasil em

seus vários formatos (letras imprensa e cursiva, maiúsculas e minúsculas), além do estabelecimento
de relações grafofônicas entre esses dois sistemas de materialização da língua [...]. (BNCC, 2017 p.

89)

A BNCC reconhece a especificidade da alfabetização e explica a necessidade da mistura de duas


linhas de ensino, a primeira enfatiza a centralidade no texto e nos usos e práticas sociais de leitura e

escrita, e a segunda linha de ensino argumenta a organização de atividades que permitam aos
estudantes refletirem sobre o sistema de escrita alfabética com o estudo das relações linguísticas e

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fonológicas; focam também as relações entre sons e letras e investigam com quantas e quais letras se

escreve uma palavra e onde elas devem estar posicionadas ou como se organizam as sílabas.

Portanto, o uso do texto com essas particularidades é essencial para alfabetização.

É importante destacar que a Base não propõe ao professor orientações didáticas e elementos
para avaliação, como nos PCNs. Há um destaque nas habilidades e competências essenciais, no que

ensinar na educação básica. Os conhecimentos que os estudantes devem desenvolver a cada ano
escolar para efetivar sua formação integral. Já as estratégias metodológicas e a expressão como

ensinar deverão ser produzidas na organização dos currículos dos municípios e estados.

TEMA 4 – PRÁTICAS DE LINGUAGEM: EIXOS DE INTEGRAÇÃO

As competências e habilidades estruturadas na área da Língua Portuguesa para os anos iniciais

do ensino fundamental I são organizadas com o enfoque nas Práticas de Linguagem, divididas em

eixos estruturantes do ensino, discriminados como eixos de integração nesse novo documento da

BNCC. Essa divisão em eixos caracteriza-se pelas práticas essenciais e necessárias ao ensino da Língua

Portuguesa, procurando equilíbrio no ensino. Os quatro eixos de integração serão listados a seguir e

terão algumas explicações para que as compreensões se estruturem.

1. Oralidade: esse eixo compreendido em documentos anteriores enfatiza a ideia do uso

que se faz da língua como forma de interação social. No objetivo de formar estudantes e

usuários competentes da língua com a organização e capacidade de se produzir discursos orais


ou escritos adequados aos contextos de produção, é tomado na BNCC como um fundamento

pedagógico. Nesse sentido, o documento estabelece conhecimentos essenciais, habilidades e


competências linguísticas esperadas nas práticas de oralidade, e esse domínio cada vez melhor

em cada etapa da educação básica.

2. Leitura/escuta: esse eixo traz a escuta ativa como um comportamento necessário para

que se tenha interpretação do texto oral, especialmente para os estudantes dos anos iniciais. O
texto lido por um leitor experiente proporciona às crianças o contato com diversos gêneros

textuais ainda desconhecidos, com vocabulários mais complexos para que tenham ampliação de
repertório e, ainda, favorece a compreensão de textos que precisam ser mediados pelo outro.

Como a Base enfatiza, deve-se proporcionar o processo de progressão dos conhecimentos de


um ano para o outro com a participação dos estudantes em atividades de escuta, leituras

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compartilhadas e momentos de leituras autônomas, com várias estratégias, como leitura em

silêncio, em voz alta e coletiva a fim de atingir a proficiência almejada, tanto na leitura como na

escuta ativa, para a interpretação dos textos e o conhecimento de mundo. Percebe-se que as

atividades de leitura e escuta estão interligadas em todos os campos de atuação e referem-se

sempre ao uso social no seu contexto de produção e principalmente com o acréscimo da cultura

digital com os textos multimodais que agregam as produções escritas e audiovisuais. O que se

espera é que ao final do ensino fundamental os alunos possam, com desenvoltura, estar aptos e
capazes para ler, compreender e ter postura crítica e argumentativa nas produções.

3. Produção: o eixo produção relaciona-se com a escrita não apenas no seu caráter
procedimental, mas na relação de uma metodologia que potencialize a compreensão dos

procedimentos e o saber escrever. Nesse sentido, há determinantes e sociais da produção

escrita que devem ser levados em conta: os campos de atuação com suas especificidades; os

diferentes gêneros e suas estruturas; os interlocutores; as situações comunicativas; as diferentes

escritas com sua variação linguística, entre outros conceitos importantes a serem observados na

escrita. Para que se escreva é necessário repertório. Assim, a articulação com os outros eixos das

práticas da oralidade, da leitura/escuta ativa, das práticas linguísticas e da semiótica estão

imbricados nesse processo da competência da leitura e escrita, da produção.

4. Análise linguística/semiótica: nesse eixo continua a perspectiva das atividades com a


língua contextualizadas e de acordo com as práticas sociais utilizando-se diferentes gêneros.

Para tanto, as questões gramaticais foram evidenciadas e organizadas discriminando uma


progressão das habilidades e competências em cada ano do ensino fundamental. A

memorização de regras deve ser substituída pela compreensão das formas de uso, de acordo
com a situação. A análise linguística, em classe, deve abranger textos multimodais e

multissemióticos.

TEMA 5 – PRÁTICAS DE LINGUAGEM CONTEMPORÂNEAS: BNCC E


CULTURA DIGITAL

A BNCC traz para o trabalho com a Língua Portuguesa nas escolas gêneros contemporâneos com
as nomenclaturas de gêneros multissemióticos e multimidiáticos. Para início de discussão, veremos o

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significado desses dois conceitos. O prefixo multi- vem do latim e significa muito, muitas vezes, de

acordo com a gramática e os dicionários brasileiros.

Nesse sentido, as palavras possuem as seguintes explicações:

a) Multissemióticos: são textos que utilizam vários recursos para a transmissão e

compreensão da informação. Além do texto oral ou escrito há recursos visuais como imagens,

gráficos, cores, tipos de letras, entre outros artifícios que auxiliarão na leitura e interpretação
imageticamente da informação. O conjunto de recursos utilizados no texto são portadores de

sentido e necessitam de leitura e interpretação; são recursos e informações que precisam de um

leitor atento, crítico e letrado para compreender inferências, nuances, entrelinhas, pois muitas

vezes trazem informações que precisam de ser inferidas. Rojo e Barbosa (2015, p. 108)

esclarecem esse conceito:

Texto multimodal ou multissemióticos é aquele que recorre a mais de uma modalidade de

linguagem ou a mais de um sistema de signos ou símbolos (semiose) em sua composição. Língua


oral e escrita (modalidade verbal), linguagem corporal (gestualidade, danças, performances,

vestimentas – modalidade gestual), áudio (música, e outros sons não verbais – modalidade sonora) e
imagens estáticas e em movimento (fotos, ilustrações, grafismos, vídeos, animações – modalidades

visuais) compõem hoje os textos da contemporaneidade, tanto em veículos impressos como,

principalmente nas mídias analógicas e digitais.

Percebemos como professores que esses conhecimentos sobre diferentes tipos de textos, bem

como saber usar e compreender o novo universo midiático é essencial para o trabalho significativo
em sala de aula.

b) Multimidiático: Lemke (2010, p. 456) traz uma explicação sobre esse conceito muito
pontual:

Todo letramento é letramento multimidiático: você nunca pode construir significado com a língua
de forma isolada. É preciso que haja sempre uma realização visual ou vocal de signos linguísticos que

também carrega significado não-linguístico (por ex.: tom da voz ou estilo da ortografia). Para
funcionarem como signos, os signos devem ter alguma realidade material, mas toda forma material

carrega, potencialmente, significados definidos por mais de um código. Toda semiótica é semiótica
multimídia e todo letramento é letramento multimidiático.

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Nesse pressuposto, são muitas as práticas de linguagem presentes em nossa sociedade. Cada

uma delas possui sua própria estrutura e função, por isso a importância de o professor conhecer as

práticas sociais de uso de acordo com sua função social para que assim possa mediar as leituras dos

alunos na promoção de leitores críticos e usuários desses textos com ética, estética e consciência. A
respeito disso, a BNCC (2017, p. 68) esclarece que:

as práticas de linguagem contemporâneas não só envolvem novos gêneros e textos cada vez mais

multissemióticos e multimidiáticos, como também novas formas de produzir, de configurar, de


disponibilizar, de replicar e de interagir. As novas ferramentas de edição de textos, áudios, fotos,

vídeos tornam acessíveis a qualquer um a produção e disponibilização de textos multissemióticos


nas redes sociais e outros ambientes da Web. Não só é possível acessar conteúdos variados em

diferentes mídias, como também produzir e publicar fotos, vídeos diversos, podcasts, infográficos,

enciclopédias colaborativas, revistas e livros digitais etc. Depois de ler um livro de literatura ou
assistir a um filme, pode-se postar comentários em redes sociais específicas, seguir diretores,

autores, escritores, acompanhar de perto seu trabalho; podemos produzir playlists, vlogs, vídeos-
minuto, escrever fanfics, produzir e-zines, nos tornar um booktuber, dentre outras muitas

possibilidades. Em tese, a web é democrática: todos podem acessá-la e alimentá-la continuamente.

Agora observe a infinidade de textos midiáticos e os que ainda você não domina para que possa
se aventurar e assim organizar um bom planejamento para seus alunos; um planejamento atual,

dinâmico e contextualizado. Mas lembre-se de que ao trabalhar com os textos é necessário trabalhar

também o suporte do texto, ou seja, local onde foi escrito, veiculado, verificar sua fonte original para

observar os modos próprios de ler cada tipo de texto no seu suporte – cada texto foi escrito com uma

intenção e em algum meio que necessita de um tipo específico de leitura. Observe que os suportes
digitais possuem recursos muito diferenciados para ocultar partes do texto de acordo com a intenção

do site, e depois expandir trechos, acessar links, com áudios, vídeos animados, infográficos, entre
vários outros recursos.

Uma sugestão de trabalho em sala de aula com um texto contemporâneo, é um podcast, que é
um arquivo digital de áudio transmitido por meio da internet, com tema muito variado na intenção de

informar sobre conteúdos específicos. Pode ter episódios dependendo da temática e o tempo varia
de acordo com o que está sendo transmitido. É um texto midiático que pode ser ouvido em qualquer

lugar devido aos meios em que é transmitido, na maioria das vezes com acesso à internet e uso do
próprio telefone.

Para que esse texto seja produzido, ele necessita de bom planejamento. Qual será o público que
ouvirá o podcast? Qual tema será relevante, que agrade o ouvinte e sobre o qual o produtor tenha um
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bom domínio? O conteúdo escolhido terá uma ordem de assuntos para apresentar? Após organizar

esses três itens essenciais – público, tema e conteúdo – é necessário organizar um roteiro de

produção: fazer o texto com os assuntos do podcast, organizar como será o início, se terá vinheta

inicial, como será a apresentação do locutor, especificar a data, como será o final e qual tempo terá o
episódio.

Antes de gravar a versão final, é necessário treinar antes, gravar uma vez, ouvir. Observe o que
pode ser melhorado e altere, pois isso é essencial para a produção de qualidade do material. Depois é

só gravar seu podcast, editar com as vinhetas e os efeitos escolhidos e, se tiver alguma plataforma

disponível, publique seu trabalho. Caso não tenha, envie para os grupos dos amigos ou utilize em sua

sala de aula.

Essa dinâmica pode ser realizada com os alunos das classes de alfabetização para que tenham

conhecimento e para que quando estiverem em outros anos possam se aprimorar e desenvolver

habilidades e competências necessárias. Veja um exemplo:

Eixo oralidade: pergunte para sua turma se eles sabem como as abelhas fazem o mel. Converse

sobre o assunto e faça anotações no quadro ou fale com eles sobre os conhecimentos prévios

que têm sobre esse tema.

Eixo leitura/escuta: organize os recursos necessários para que possa acessar o site Coisas de

Criança – um podcast para crianças curiosas e adultos também[1]. Acesse o episódio 1, da

temporada 2, com o título Como as abelhas fazem mel? Mobilize os alunos para que façam a
escuta ativa do podcast. Depois, retome os pontos dos conhecimentos prévios com o que foi
ouvido no episódio e verifique quais conhecimentos estavam corretos, quais não foram

focalizados, o que aprenderam. Propiciar leituras para saber mais.


Eixo produção: após a escuta atenta do podcast proponha uma atividade de produção de

interpretação do texto. Nesse eixo é imprescindível verificar o ano e os textos que os estudantes
precisam dominar, e quais estratégias e habilidades o professor quer atingir. Por isso, ao pedir

uma produção do podcast, como ele é um texto informativo (sobre as abelhas), o ideal é
produzir um desenho explicativo, um infográfico, um quadro resumo, um mapa mental, o que

depende do nível e do conhecimento de seus alunos. Somente depois de todo esse processo de
verificar as etapas, compreender a estrutura e de interpretação, o professor poderá construir um

podcast com seus alunos coletivamente ou grupos, dependendo da turma.

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Eixo da análise linguística/semiótica: nesse eixo, para a atividade do podcast, o professor poderá

realizar várias ações, uma delas a partir do texto coletivo ou da produção individual, analisando

a construção dos parágrafos, recursos visuais, pontuação, acentuação, ortografia (aqui também

depende do conteúdo que os alunos possuem mais dificuldade para intensificar o trabalho).

Após esse trabalho, escolha um texto para reescrita coletiva ou faça as individuais – deve-se

cuidar com essas ações e o professor deve compreender esse processo essencial para

apropriação da escrita (reescrita será focada nas próximas aulas).

NA PRÁTICA

Agora é com você! Produza um podcast com as informações seguintes:

Tema: práticas de linguagem na BNCC para os anos iniciais do ensino fundamental. Episódio 1 –

escolha um conteúdo para iniciar a temporada.

Público: professores e profissionais da educação.

Conteúdo: faça uma lista dos assuntos que você deverá tratar. Você deve saber falar sobre cada

tópico, explicando e dando exemplos.

Roteiro: faça sua apresentação; fale o tema do podcast e a data de gravação; siga sua lista de

tópicos; encerre e agradeça a audiência.


Gravação do podcast: depois de todo o roteiro e do treino antes da versão final, grave o podcast.

Edição: use um programa de edição de áudio para eliminar ruídos do ambiente, colocar vinheta

de abertura, nivelar picos altos e baixos do som (compressor), melhorar a qualidade (normalizar)
e ajustar graves e agudos, entre outros pontos que o editor proporciona.

Publicação: se tiver alguma plataforma para divulgação, disponibilize o material para ajudar
outros profissionais ou divulgue para seus colegas de profissão e de turma para desenvolver

novas habilidades.

FINALIZANDO

Nesta aula, enfatizamos a BNCC, o novo documento norteador do ensino brasileiro. Observamos

sua estruturação e organização e enfatizamos as especificidades da Língua Portuguesa e da


alfabetização e do letramento.

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Vimos que a Base se estrutura em competências e habilidades como sinônimos dos direitos

objetivos de aprendizagem que devem permear toda a educação básica. Além disso, apresentamos

pontos-chave desse documento, focando nas práticas de linguagem, nos campos de atuação e nas

nomenclaturas que geram confusão e/ou ainda não estão totalmente compreendidas pelos

professores, a exemplo de objetos do conhecimento, textos multissemióticos, multimodais, entre

outros.

Vimos que ainda há desafios na sua implementação e que a formação continuada docente deve

ser muito bem estruturada; as adequações aos materiais didáticos são imprescindíveis e há

necessidade de reformulações de políticas de avaliação e acompanhamento da aprendizagem, bem


como da atualização dos currículos de acordo com o contexto de atuação da escola.

A BNCC não chegou para desnortear tudo de novo, como os documentos anteriores a ela, mas

para apresentar conhecimentos e fazer com que o profissional leia, analise, amplie, sustente, embase

e norteie aquilo que o professor já faz, porém, com atualizações, orientações e quadros explicativos

para melhor atuação do professor em sala de aula.

REFERÊNCIAS

BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Lei n. 9394, 20 de dezembro de 1996.

BRASIL. Base Nacional Comum Curricular: Educação Infantil e Ensino Fundamental. Brasília:
MEC/Secretaria de Educação Básica, 2017. Disponível em: <[Link]
Acesso em: 07 out. 2020.

INSTITUTO AYRTON SENNA. BNCC: construindo um currículo de educação integral. Disponível

em: <[Link] Acesso em: 7 out. 2020.

LEMKE, Jay L. Letramento metamidiático: transformando significados e mídias. Trabalhos em

Linguística Aplicada. v.. 49, n. 2, jul./dez. 2010. Disponível em:


<[Link] Acesso em: 07 out. 2020

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. Material complementar para a (re)elaboração dos currículos.


2018. Disponível em:

[Link] 23/24
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<[Link]

elabora%C3%A7%C3%A3o_dos_curr%C3%[Link]>. Acesso em: 7 out. 2020.

ROJO, R.; BARBOSA, J. P. Hipermodernidade, multiletramentos e gêneros discursivos. São

Paulo: Parábola Editorial, 2015.

[1] Disponível em: <[Link] Acesso em: 7 out. 2020.

[Link] 24/24

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