CENTRO UNIVERSITÁRIO DOUTOR LEÃO SAMPAIO
CURSO DE GRADUAÇÃO EM ENFERMAGEM
PAULA RENATA CABRAL DA SILVA
CONVIVENDO COM A INSUFICIÊNCIA RENAL CRÔNICA: sentimentos e
expectativas dos portadores
JUAZEIRO DO NORTE – CE
2023
PAULA RENATA CABRAL DA SILVA
CONVIVENDO COM A INSUFICIÊNCIA RENAL CRÔNICA: sentimentos e
expectativas dos portadores
Trabalho de Conclusão de Curso submetido ao
curso de Graduação em Enfermagem, do
Centro Universitário Dr. Leão Sampaio -
Unileão, em cumprimento às exigências para a
obtenção do grau de Bacharelado em
Enfermagem.
Orientadora: Prof. Esp. Ana Karla Cruz de
Lima Sales
JUAZEIRO DO NORTE – CE
2023
PAULA RENATA CABRAL DA SILVA
CONVIVENDO COM A INSUFICIÊNCIA RENAL CRÔNICA: sentimentos e
expectativas dos portadores
Trabalho de Conclusão de Curso submetido ao
curso de Graduação em Enfermagem, do
Centro Universitário Dr. Leão Sampaio -
Unileão, em cumprimento às exigências para a
obtenção do grau de Bacharelado em
Enfermagem.
Data da apresentação:
BANCA EXAMINADORA
_____________________________________________
Prof. Esp. Ana Karla Cruz de Lima Sales
Centro Universitário Doutor Leão Sampaio - Unileão
Orientada
_____________________________________________
Prof. Esp. Mônica Maria Viana da Silva
Centro Universitário Doutor Leão Sampaio – Unileão
Examinador
_____________________________________________
Prof. Esp. Shura do Padro Farias Borges
Centro Universitário Doutor Leão Sampaio – Unileão
Examinador
JUAZEIRO DO NORTE – CE
2023
Dedico esse trabalho ao meu avô, aos pacientes com insuficiência
renal crônica, pois admiro profundamente sua força e
determinação diante dos desafios que à doença impõe.
AGRADECIMENTOS
Agradeço primeiramente a Deus pela minha vida e por me ajudar a ultrapassar todos
os obstáculos encontrados ao longo do curso.
A minha mãe, Maria Sonia Cabral da Silva, que esteve sempre ao meu lado nos dias
mais difícies e felizes da minha vida.
A Marcos Vinicius, por me incentivar e me fazer acreditar que eu seria capaz.
Ao meu irmão, Pedro Alvares Cabral da Silva, que sempre foi minha maior alegria.
Aos meus sobrinhos, Mariah Boaventura Cabral e Pedro Alvares Cabral.
A minha prima, Samantha Cabral André, por me ajudar na realização do meu trabalho.
A minha tia, Solange Cabral, por sempre ser minha fonte de apoio.
A meu amigo, Ariel Jairo do Nascimento Isidoro, por ter me ajudando a não desistir e
estar sempre do meu lado.
Aos amigos que conquistei durante a graduação, me acompanhando desde o primeiro
semestre, partilhando comigo as dificuldades e as conquistas.
A minha prezada e querida orientadora, Profa. Esp. Ana Karla Cruz de Lima Sales,
pela dedicação, compreensão e amizade. Pois se fez disponível em me ajudar e orientar ao
longo desse trabalho e me incentivar no mundo da pesquisa cientificam.
A minha banca examinadora, Prof. Esp. Mônica Maria Viana da Silva e Prof. Esp.
Shura do Padro Farias Borges.
A todos aqueles que contribuíram de maneira direta e indireta na contribuição deste
trabalho, meu muito obrigado.
A persistência é o caminho do êxito.
Charles chaplin
RESUMO
A doença renal afeta negativamente na vida dos pacientes, chegando a causar grandes
danos a esses indivíduos, além de acarretar limitações físicas, psicológicas e sociais que
exigem um determinado esforço para conseguirem enfrentar e se adaptarem as demandas que
o tratamento impõe. Este estudo teve como objetivo compreender através da literatura
cientifica como os portadores de insuficiência renal crônica convivem com a sua doença.
Trata-se de uma pesquisa de revisão integrativa da literatura, onde a busca de dados foi
realizada nos meses de agosto e setembro de 2023, através do acesso online nas bases e
bancos de dados: LILACS, MEDLINE e BDENF por meio da BVS. Para aperfeiçoar e refinar
a busca, a seleção dos artigos foi feita com a combinação dos descritores “Insuficiência Renal
Crônica”, “Doença Renal Crônica”, “Sentimentos” e “limitações” mediadas pelos operadores
booleanos “AND” e “OR”. A busca resultou num total de 426 artigos, sendo selecionados 13
após uso dos critérios de inclusão: artigos livremente disponíveis e completos, publicados no
período de 2018 a 2023, no idioma português. Sendo excluídos artigos do tipo cartas ao
editor, estudos de revisão, editoriais, duplicados e os que não possuíam relação com a
temática. Os resultados encontrados foram que os portadores enfrentam uma série de
sentimentos, como medo, ansiedade e negação relacionados a seu prognóstico podendo
dificultar a sua adaptação e tratamento. Quanto as limitações ou dificuldades vivenciadas
foram constatadas: restrições dietéticas e hídricas, mudanças nas atividades de lazer, viagens e
atividades laborais, bem como dificuldades na execução de atividades da vida diária e
transformação da imagem corporal e na sexualidade. São elaboradas estratégias a fim de que
estes pacientes possam enfrentar as dificuldades que surgem no cotidiano e possam conviver
com mais dignidade e qualidade a sua vida, entre as quais estão o apoio familiar e de amigos,
bem como o suporte dos profissionais de saúde e o amparo que a fé e as manifestações
espirituais proporcionam. Já com relação as expectativas e percepções dos portadores IRC, o
transplante surge como uma possibilidade de uma nova vida, livre das limitações, com isso os
pacientes podem experimentar um misto de alivio, mas também e marcado por incerteza e
desafios. Assim sendo, faz-se necessário cada vez mais o aprimoramento da equipe
multiprofissional que o acompanha para que esse paciente seja assistido de forma integral,
suprindo, assim, as demandas encontradas durante todo o tratamento.
Palavras-Chave: Insuficiência Renal Crônica. Sentimentos. Limitações.
ABSTRACT
Kidney disease has a negative impact on patients' lives, causing great harm to these
individuals, as well as physical, psychological and social limitations that require a certain
effort to cope with and adapt to the demands that treatment imposes. The aim of this study
was to understand, through the scientific literature, how people with chronic renal failure live
with their illness. This is an integrative literature review, where the data search was carried
out in August and September 2023, through online access to the bases and databases:
LILACS, MEDLINE and BDENF through the VHL. To improve and refine the search, the
articles were selected by combining the descriptors "Chronic Renal Failure", "Chronic Renal
Disease", "Feelings" and "limitations" mediated by the Boolean operators "AND" and "OR".
The search resulted in a total of 426 articles, 13 of which were selected after using the
inclusion criteria: freely available and complete articles, published between 2018 and 2023, in
the Portuguese language. Articles such as letters to the editor, review studies, editorials,
duplicates and those unrelated to the topic were excluded. The results were that sufferers face
a series of feelings, such as fear, anxiety and denial related to their prognosis, which can
hinder their adaptation and treatment. The limitations or difficulties experienced were: dietary
and water restrictions, changes in leisure activities, travel and work activities, as well as
difficulties in carrying out activities of daily living and changes in body image and sexuality.
Strategies are developed so that these patients can cope with the difficulties that arise in
everyday life and live their lives with more dignity and quality. These include support from
family and friends, as well as support from health professionals and the support that faith and
spiritual manifestations provide. With regard to the expectations and perceptions of patients
with CRF, transplantation appears as a possibility of a new life, free from limitations, so
patients can experience a mixture of relief, but it is also marked by uncertainty and
challenges. Therefore, it is increasingly necessary to improve the multi-professional team that
accompanies the patient so that they receive comprehensive care, thus meeting the demands
encountered throughout the treatment.
Keywords: Chronic renal failure. Feelings. Limitations.
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
BDENF Base de Dados de Enfermagem
BVS Biblioteca Virtual de Saúde
CAPD Diálise Peritoneal Ambulatorial Contínua
CE Ceará
DECS Descritores em Ciências da Saúde
DP Dialise Peritoneal
DPA Diálise Peritoneal Automatizada
DR Doutor
ESP Especialista
IRA Insuficiência Renal Aguda
IRC Insuficiência Renal Crônica
LILACS Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde
MEDLINE National Library of Medicine and National Institutes of Health
PE Processo de Enfermagem
PMP Pacientes por Milhões da População
PRISMA Preferred Reporting Items Systematic Review and Meta-Analyses
PROF Professora
SBN Sociedade Brasileira de Nefrologia
SUS Sistema Único de Saúde
TCC Trabalho de Conclusão de Curso
TRS Terapia Renal Substitutiva
UNILEÃO Centro Universitário Doutor Leão Sampaio
10
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO....................................................................................................................10
2 OBJETIVOS.........................................................................................................................12
2.1 OBJETIVOS GERAL:.....................................................................................................12
2.2 OBJETIVOS ESPECIFICOS:.........................................................................................12
3 REVISÃO DE LITERATURA...........................................................................................13
3.1 A INSUFICIÊNCIA RENAL CRÔNICA.......................................................................13
3.2 EPIDEMIOLOGIA DA INSUFICIÊNCIA RENAL CRÔNICA.................................14
3.3 TRATAMENTO DA INSUFICIÊNCIA RENAL CRÔNICA......................................14
3.4 ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM AO PACIENTE RENAL CRÔNICO.............16
4 METODOLOGIA................................................................................................................17
4.1 TIPO DE ESTUDO...........................................................................................................17
4.2 IDENTIFICAÇÃO DA QUESTÃO NORTEADORA..................................................18
4.3 PERIODO DA COLETA DE DADOS............................................................................19
4.4 BASE DE DADOS PARA A BUSCA..............................................................................19
4.5 CRITERIOS DE INCLUSÃO E EXCLUSÃO...............................................................19
4.6 PROCEDIMENTOS E INSTRUMENTO DE COLETA DE DADOS........................20
4.7 ANÁLISE, ORGANIZAÇÃO E INTERPRETAÇÃO DOS RESULTADOS.............21
5 RESULTADOS E DISCUSSÕES.......................................................................................23
5.1 SENTIMENTOS MANIFESTADOS PELOS PACIENTES DIANTE DA
CONVIVÊNCIA COM A INSUFICÊNCIA RENAL CRÔNICA.....................................27
5.2 DIFICULDADES OU LIMITAÇÕES VIVENCIADAS NO COTIDIANO DOS
PACIENTES COM INSUFICÊNCIA RENAL CRÔNICA...............................................29
5.3 PRINCIPAIS ESTRATÉGIAS DE ENFRENTAMENTO AS DIFICULDADES
VIVENCIADAS PELOS PACIENTES COM INSUFICÊNCIA RENAL CRÔNICA....32
5.4 EXPECTATIVAS E PERSPECTIVAS DOS PACIENTES EM RELAÇÃO AO
TRATAMENTO AO QUAL É SUBMETIDO.....................................................................35
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS..............................................................................................37
REFERÊNCIAS......................................................................................................................39
APÊNDICES...........................................................................................................................45
ANEXOS..................................................................................................................................48
10
1 INTRODUÇÃO
A doença renal crônica é caracterizada por um mau funcionamento dos rins, sendo
assim é gerada uma diminuição da filtração glomerular durante um determinado tempo. Este
excesso é devido a sua má função que pode ser identificado por meio da taxa glomerular ou
aumento da excreção urinária de albumina, podendo apresentar na forma assintomática ou na
forma lenta, que provocará perda da função renal (ALBUQUERQUE et al., 2022).
A perda progressiva é irreversível da função renal (glomerular, tubular e endócrina)
nos estágios mais avançados é chamada de insuficiência renal crônica (IRC), doença na qual
os rins são incapazes de manter o equilíbrio hidroelétrico de uma pessoa. A doença renal afeta
negativamente na vida dos pacientes, chegando a causar grandes danos a esses indivíduos,
além de acarretar limitações físicas, psicológicas e sociais que exigem um determinado
esforço para conseguirem enfrentar e se adaptarem as demandas que o tratamento impõe
(RODRIGUES: SILVA; BARBOSA, 2020).
Com a perda da função renal são inúmeras as repercussões fisiopatológicas da doença,
onde é necessária a terapia renal substitutiva (TRS) para sobrevida dos pacientes, que são
procedimentos de alta complexidade, que exigem tecnologia de ponta e profissionais
treinados e competentes, além de uma equipe multidisciplinar, que possa abranger todos os
aspectos da IRC. As TRS são responsáveis pela manutenção da vida dos portadores e podem
ser utilizadas conforme a especificidade de cada caso (SILVA, 2019).
Existem três modalidades de terapias renais substitutivas disponíveis: hemodiálise é
uma delas, sendo realizado por uma máquina que filtra o sangue, removendo as suas
impurezas. Já a diálise peritoneal utiliza o revestimento no abdômen com uma membrana
natural para purificar o sangue e o transplante renal, o qual envolve a substituição do rim
acometido por alguma complicação (SILVA et al, 2019).
A insuficiência renal é considerada um importante problema de saúde pública devido
à sua alta morbidade e mortalidade, com enorme impacto socioeconômico. No Brasil,
segundo o censo de 2020 realizado pela Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), existem
aproximadamente 144.779 pacientes em diversas regiões em tratamento de hemodiálise,
sendo que o país gasta aproximadamente 1,4 bilhão por ano em diálise e transplante, destes,
cerca de 90% em hemodiálise e 7% em diálise peritoneal. Mais de 80% dos pacientes em
diálise no país são financiados pelo sistema único de saúde (SUS) e sua taxa de mortalidade é
elevada (SALDANHA et al, 2022).
11
Para os portadores de doença renal, os aspectos físicos e emocionais são muito
complexos, podendo acarretar diferentes condições de saúde gerando uma desordem no seu
bem-estar. Onde, o impacto que a doença causa, pode trazer problemas como a ansiedade, o
medo, a tristeza e a mudança de humor, interferindo na sua qualidade de vida (FERREIRA;
PEREIRA; 2020).
O impacto para sociedade está relacionado às limitações que o paciente renal pode
apresentar, sendo elas: a restrição alimentar, a redução das atividades diárias e instrumentais,
o consumo diário medicamentoso, levando a uma maior adaptação a sua nova rotina. Já os
impactos psíquicos se dão através dos sentimentos e sensações, como óbito e a incerteza de
um futuro não vivido (FERREIRA; PEREIRA; 2020).
Dessa forma, o enfermeiro fornece suporte e orientação aos pacientes e suas famílias,
garantindo o acesso aos cuidados prestados e monitorando a progressão da doença. Além
disso, é importante que o profissional tenha uma habilidade de comunicação e empatia para
poder entender suas necessidades e oferecer um suporte emocional (RIBEIRO; JORGE;
QUEIROZ, 2020).
Diante das reflexões sobre a vivência das pessoas com insuficiência renal crônica,
formulou-se a seguinte questão de investigação: Como as pessoas com IRC vivenciam os
sentimentos diante da sua patologia e seu tratamento? Quais as suas expectativas?
Justifica-se a realização desta pesquisa através da motivação que se deu pelo convívio
com pessoas portadoras de insuficiência renal crônica na família, onde possibilitou diálogos
sobre as dificuldades vivenciadas, assim como diante da notável importância que o enfermeiro
tem na qualidade de vida desses pacientes, buscando conhecer ainda mais sobre a temática no
qual é pertinente o interesse deste estudo.
Esse trabalho tem relevância para os profissionais da área da saúde e o meio
acadêmico, pois discute os sentimentos e expectativas do paciente sobre sua doença e
tratamento. Considerando o impacto psicológico, social, econômico, além das repercussões
físicas da doença renal na pessoa acometida, acarretando mudanças drásticas no seu modo da
vida e repercussões sobre a família.
Assim, espera-se que esta pesquisa possa despertar nos pesquisadores, acadêmicos e
profissionais da área da saúde, reflexões acerca da temática, possibilitando novos olhares
sobre a pessoa com IRC e a importância do conhecimento acerca da sua convivência com a
doença, servindo como subsídio para futuras pesquisas na área em questão.
12
2 OBJETIVOS
2.1 OBJETIVOS GERAL:
Compreender através da literatura cientifica como os portadores de insuficiência renal
crônica convivem com a sua doença.
2.2 OBJETIVOS ESPECIFICOS:
Conhecer os sentimentos manifestados pelos pacientes diante do significado de conviver
com a insuficiência renal, inerentes à cronicidade do adoecimento e ao processo de
tratamento;
Identificar os aspectos relacionados às dificuldades ou limitações vivenciadas no cotidiano
destes pacientes e as estratégias de enfrentamento;
Descrever as expectativas e perspectivas de vida dos pacientes em relação ao tratamento ao
qual é submetido.
13
3 REVISÃO DE LITERATURA
3.1 A INSUFICIÊNCIA RENAL CRÔNICA
Insuficiência renal é uma patologia na qual o rim perde sua função de filtração,
fazendo com que tenha um acúmulo de líquido no organismo. A insuficiência renal pode se
apresentada como aguda (IRA) quando ocorre perda rápida da função renal; ou insuficiência
renal crônica (IRC) podendo apresentar na forma lenta e assintomática (MIURA; SELES;
SANSANA, 2021).
Os rins são os principais órgãos encarregados de regular a homeostase, mantendo
constante o volume de água, a composição química e o pH do sangue, além de manter a
pressão arterial. A função do rim é filtrar as toxinas do corpo e excretá-las através da urina,
quando os rins têm dificuldade em regular e excretar os produtos finais do metabolismo,
acumulando na corrente sanguínea, leva a uma condição chamada uremia (RIBEIRO et al,
2020)
Os pacientes com IRC que fazem hemodiálise enfrentam dificuldades no tratamento,
além de complicações que podem levar a limitações e alterações significativas que afetam a
qualidade de vida do paciente, bem como a possível progressão da doença e complicações.
Este é um processo simples, mas desgastante para os pacientes que precisam se adaptar ao
tratamento, além de afetar sua qualidade de vida física e psicológica, pois o sangue do
paciente flui por esta máquina para remover o excesso de toxinas e líquidos (SIQUEIRA;
ROCHA; FERREIRA, 2021).
Assim que é realizado o tratamento, os pacientes podem apresentar sinais e sintomas
durante o processo, onde os mais comuns são: hipotensão arterial, câimbras, náuseas e
vômitos, cefaleia, dor no peito, dor lombar, prurido, febre e calafrios, diarreia, reações
alérgicas, arritmia cardíaca, embolia gasosa, hemorragia gastrintestinal, problemas
metabólicos, convulsões, espasmos musculares, insônia, inquietação, demência, infecções,
pneumotórax ou hemotórax, isquemia ou edema na mão e anemia. Além disso, o sentimento
de negação se apresenta como uma barreira para algumas pessoas, por não entenderem a
gravidade da doença, acabam vivenciando-a de forma negativa e desconhecida. (SOARES,
2020).
Os principais fatores de risco para adquirir a doença renal são diabetes, hipertensão
arterial, o tabagismo, o consumo de álcool, obesidade, a idade avançada, histórico familiar de
doença renal, doença coronariana, acidente vascular cerebral, doença vascular periférica,
14
insuficiência cardíaca; por isso é importante ter um diagnóstico precoce para poder iniciar o
tratamento imediato (BRASIL, 2022).
3.2 EPIDEMIOLOGIA DA INSUFICIÊNCIA RENAL CRÔNICA
As doenças crônicas tornaram-se um problema de saúde pública, pois com o aumento
da expectativa de vida, tem-se observado o aumento conjugado das condições crônicas da
doença que, consequentemente, demandarão do sistema de saúde estratégias a médio e longo
prazo, na busca de solução. Se há aumento da expectativa de vida, por outro lado, também
existem contrapesos, tais como as mudanças nutricionais advindas da indústria alimentícia, o
sedentarismo e condições estressantes da vida urbana (ANTUNES NETO, 2019; REIS, 2019).
Segundo a associação Brasileira de Nefrologia, a prevalência global de doença renal é
estimada em 7,2% para pessoas com mais de 30 anos e entre 28 e 46 % para pessoas com
mais de 60 anos. Atualmente, mais de 850 milhões de pessoas sofrem de insuficiência renal.
No Brasil, estima-se que existam mais de 10 milhões de pacientes, dos quais 90 mil estão em
hemodiálise. Em julho de 2021, o número projetado de pacientes em diálise foi de
148.363. A prevalência e incidência estimada de pacientes por milhões de populações (PMP)
foi 696 e 224 respectivamente, 94,2% estão em tratamento hemodiálise, sendo que 5,8% estão
em diálise peritoneal e 21% entraram na lista de espera para transplante renal (MOREIRA;
GERRA; SILVA, 2023; NERBASS et al., 2022).
3.3 TRATAMENTO DA INSUFICIÊNCIA RENAL CRÔNICA
Conforme a evolução da doença renal pode ser necessário uma terapia medicamentosa
e dialítica, tendo que submeter a uma forma de terapia renal substitutiva. Esta forma inclui a
hemodiálise, a diálise peritoneal e o transplante renal, com objetivo de remover resíduos
metabólicos do organismo, do excesso de água e sais minerais para poder adquirir uma boa
manutenção de vida (FERREIRA et al, 2022).
A diálise peritoneal (DP) é uma terapia renal substitutiva, que envolve a inserção
cirúrgica de um cateter no peritônio do usuário. Esse cateter é manipulado para injetar o
fluido de hemodiálise, que deve permanecer no abdômen por 4 a 6 horas, mais precisamente
no peritônio. É importante que o paciente tenha autocuidado com o cateter e seu ambiente,
mantendo uma terapia medicamentosa adequada, adesão à dieta e restrição hídrica, provendo
a vigilância necessária e assim prevenindo possíveis complicações (GOMES et al, 2019).
15
A DP ainda pode ser dividida em diálise peritoneal ambulatorial contínua (CAPD) e
diálise peritoneal automatizada (DPA). Isso é feito usando uma máquina de ciclo automático,
geralmente à noite. O CAPD, por outro lado, consiste em um procedimento manual contínuo
no qual o dialisador é deixado no estômago por sete dias consecutivos. Como os
procedimentos de diálise peritoneal podem ser realizados com a ajuda de familiares ou
cuidadores, alguns cuidados devem ser tomados, portanto, as rotinas familiares tendem a
mudar e todos devem se adaptar (SOEIRO; TAVEIRA, 2020).
A hemodiálise ocorre por meio de uma máquina que filtra e limpa o sangue, com a
função de realizar todo o trabalho dos rins e controlam a pressão arterial, ajudando o
organismo a manter o equilíbrio, limpando os resíduos prejudiciais, a quantidade de sal e o
excesso de líquidos, ocorrendo uma depuração extracorpórea onde o sangue passa por um
acesso vascular, cateteres ou fistula (LOPES: FIGUEREDO; NUNES, 2022)
A fístula arteriovenosa interna é o acesso ao sistema vascular mais seguro e
duradouro, com o objetivo de fortalecer as paredes das veias, intuindo proporcionar a
possibilidade de múltiplas punções para realizar a hemodiálise, é uma conexão realizada
cirurgicamente entre uma artéria e uma veia, com a finalidade de aumentar o fluxo sanguíneo,
por isso ela se torna adequada para suportar repetidas punções da terapia dialítica (CORREIA
et al., 2020).
O cateter vascular central apresenta inúmeras vantagens, onde possui um tubo flexível
de silicone inserido na veia jugular ou subclávia, fixada no local através de sutura, sendo a
primeira opção de escolha para iniciar o tratamento dialítico. Seu acesso pode ser temporário
ou permanente, dependendo da necessidade do paciente. O seu uso prolongado, pode
ocasionar complicações como infecções, trombose e estenose vascular (SOARES, 2020).
Quando o paciente está em sessão de hemodiálise, na maioria das vezes, não apresenta
sintomas, mas poderá adquirir uma queda da pressão arterial, sentir câimbra, arritmia ou até
dor de cabeça. Esses sintomas se manifestam quando o paciente apresenta uma quantidade de
líquido maior no seu corpo para ser removido durante a sua sessão. Sua duração varia de três
a quatro horas, durante três vezes por semana (JACON et al, 2020).
O transplante renal é um procedimento cirúrgico complexo e invasivo, ocorrendo por
um doador vivo ou falecido. Além disso, os pacientes transplantados são poupados de
infecções ocasionados pelo cateter e um tratamento eficaz, proporciona uma melhora na
qualidade de vida para poder prosseguir com suas atividades habituais. Após o transplante, o
paciente precisa seguir um estilo de vida saudável e fazer acompanhamento médico (MOURA
et al, 2022).
16
O transplante de rim surge como alternativa à pessoa com IRC e quando bem-sucedido
é considerado a modalidade terapêutica que proporciona aumento na expectativa de retorno à
rotina de vida ao mais próximo do normal, anterior ao surgimento da doença. Promove
melhora da autonomia e liberdade do indivíduo e, consequentemente, maior qualidade de vida
(VERONESE et al., 2019)
3.4 ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM AO PACIENTE RENAL CRÔNICO
O enfermeiro é importante e crucial na assistência, capacitado no conhecimento
teórico-prático que possa atender o paciente da melhor forma possível, atuando em contato
direto com o indivíduo de modo que gere segurança e forneça orientações na sua assistência
de forma sistematizada desde o início até o fim do seu tratamento, com o intuito de minimizar
os riscos, realizando de modo adequado para poder intervir em qualquer complicação
(SIQUEIRA; ROCHA; FERREIRA, 2021).
Portanto, os enfermeiros têm a função de manter um ambiente confortável para os
cuidados, além de preparar o início da hemodiálise, a máquina, tem a função de avaliar a taxa
de filtração glomerular, preparar as misturas de fluidos e monitorar os sinais vitais, utilizando
técnica correta de punção, troca de curativos e avaliação de exames laboratoriais. Além de
permitir a confiança e o respeito, é importante que o enfermeiro tenha uma boa comunicação
para facilitar a aceitação do paciente ao tratamento (RIBEIRO et al, 2020).
Deste modo, o enfermeiro se apresenta nesse contexto como um importante facilitador
do cuidado ao paciente em tratamento, seja efetuando procedimentos de enfermagem, ou
avaliando e orientando sobre seu estado de saúde, exames, medicamentos e alimentação.
Consequentemente, é necessário que o enfermeiro desenvolva o processo de enfermagem
(PE) baseado no pensamento crítico e no julgamento clínico, o que é essencial para uma
assistência segura e eficaz. O PE é composto por cinco fases: anamnese, diagnósticos de
enfermagem, intervenções, implementação e avaliação de ações de enfermagem que possam
contribuir para a melhoria da qualidade de vida desses pacientes (CAMPOS et al., 2019).
.
17
4 METODOLOGIA
4.1 TIPO DE ESTUDO
Trata-se de uma revisão integrativa de literatura, esse método permite sintetizar
múltiplos artigos publicados e possibilita conclusões de uma determinada área particular da
pesquisa (SOARES et al, 2014). No caso, busca sintetizar resultados de outras pesquisas
sobre a insuficiência renal crônica, referente aos eventos que levam as mudanças
fisiológicas e emocionais do indivíduo durante a doença.
A revisão integrativa de literatura tem como finalidade obter resultados de uma
determinada pesquisa, de forma sistemática, ordenada e abrangente para poder fornecer
informações mais amplas sobre um problema. É uma metodologia baseada no conhecimento e
na relevância das evidências cientificas para a enfermagem clínica e o ensino (SOARES et al
2014).
O estudo apresenta seis etapas para a construção da revisão integrativa da literatura
citados abaixo por Botelho, Cunha, Macedo, (2011) conforme ilustrado na figura 1.
Figura 1:Etapas da Revisão Integrativa de literatura
Fonte: BOTELHO, CUNHA, MACEDO, 2011
18
4.2 IDENTIFICAÇÃO DA QUESTÃO NORTEADORA
A formulação da questão norteadora da pesquisa apresenta grande relevância para o
estudo, trata-se da primeira etapa para conduzir uma revisão integrativa bem elaborada, esta
construção necessita estar relacionada a um raciocínio teórico e deve incluir definições já
aprendidas pelo pesquisador.
Deve-se definir o assunto de maneira clara e com objetividade, predispondo uma
análise direcionada e completa, com conclusões de fácil identificação e aplicabilidade, é
realizada para fornecer informações fundamentais que ajudem a esclarecer problemas,
questões ou desafios específicos. A questão norteadora pode ser delimitada focalizando, por
exemplo, uma intervenção específica, ou mais abrangente, examinando diversas intervenções
ou práticas na área da saúde ou de enfermagem (MENDES: SILVEIRA; GALVÃO, 2008).
Para tanto, foi aplicada a estratégia PICo, para formulação da questão norteadora que é
direcionado para a pesquisa não-clinica, sendo definido pelo acrônimo pelas letras da sigla: P
– População; I – Interesse; Co – Contexto.
PICo ou população, intervenção, contexto, é uma estrutura utilizada na pesquisa
clínica e em revisões sistemáticas para formular perguntas especificas e bem direcionadas
ajudando a definir os elementos essências de uma pesquisa ou análise, tornando o processo de
busca e avalição de evidência mais eficientes (ERCOLE: MELO; ALCOFORADO, 2014).
Dessa forma, no estudo em questão o quadro abaixo apresenta a estratégia. Na qual,
será empregada para auxiliar na seleção dos descritores DECS que melhor se relacionem com
a seguinte questão norteadora: Como as pessoas com IRC vivenciam os sentimentos diante da
sua patologia e seu tratamento?
Quadro 1: Componentes da Estratégia PICo e Descritores. Juazeiro do Norte, Ceará, Brasil,
2023.
ITENS COMPONENTES DESCRITORES
População Portadores de Insufiência Renal crônica;
Insuficiência renal Crônica Doença Renal Crônica
Interesse Sentimentos e expectativas Sentimentos; Expectativas;
vivenciados na IRC Limitações.
Contexto Atenção Secundária Hemodiálise
Fonte: Pesquisa Direta., 2023
19
4.3 PERIODO DA COLETA DE DADOS
A busca de dados foi realizada nos meses de agosto e setembro de 2023, através do
acesso online nas bases e bancos de dados, após aprovação do projeto pela banca examinadora
do curso de enfermagem do Centro Universitário Leão Sampaio (Unileão).
4.4 BASE DE DADOS PARA A BUSCA
Os dados foram obtidos através das seguintes bases: Caribe em Ciências da Saúde
(LILACS), National Library of Medicine and National Institutes of Health (MEDLINE) e
Base de Dados de Enfermagem (BDENF), por meio da Biblioteca Virtual de Saúde (BVS).
Para aperfeiçoar e refinar a busca e garantir o direcionamento para todos os trabalhos
relevantes, a seleção dos artigos foi feita a partir da combinação de descritores cadastrados
nos Descritores em Ciências da Saúde (DECS) respectivamente: “Insuficiência Renal
Crônica”, “Doença Renal Crônica”, “Sentimentos”, “limitações” mediadas pelos operadores
booleano “AND” e “OR”, para busca cruzada entre os descritores.
Quadro 2 – Cruzamentos de descritores realizados nas bases de dados. Juazeiro do Norte,
Ceará, Brasil, 2023.
BASES DE DADOS
DESCRITORES MEDLINE LILACS BDENF
Insuficiência Renal Crônica OR Doença Renal 142 53 54
Crônica AND Sentimentos
Insuficiência Renal Crônica OR Doença Renal 72 73 32
Crônica AND Limitações
PARCIAL 214 126 86
TOTAL 426
Fonte: Pesquisa direta, 2023
4.5 CRITERIOS DE INCLUSÃO E EXCLUSÃO
No intuito de selecionar a amostra final deste estudo, se estabeleceram critérios de
elegibilidade, sendo estes de inclusão e exclusão. Os critérios de inclusão estabelecidos para a
elaboração desta revisão integrativa foram: artigos livremente disponíveis e completos,
publicados no período de 2018 a 2023, visando excluir estudos defasados, no idioma
20
português que apresentem significância relativa ao tema de estudo. Serão excluídos artigos
fora do período delimitado, cartas ao editor, estudos de revisão, editoriais, bem como, artigos
incompletos, pagos, duplicados e os que não possuam relação com a temática em discussão.
4.6 PROCEDIMENTOS E INSTRUMENTO DE COLETA DE DADOS
Os artigos que contemplaram a amostra final dessa revisão foram submetidos a um
instrumento de coleta (ANEXO A) para a extração de dados, no intuito de assegurar a
totalidade de informações relevantes para a pesquisa.
Para projeção do processo de busca e seleção do estudo em questão, foi utilizado o
Instrumento adaptado do Preferred Reporting Items Systematic Review and Meta-Analyses
(PRISMA) no intuito de garantir confiabilidade das informações de modo fidedigno
(FIGURA 2).
O Prisma é uma diretriz que fornece um conjunto de itens essenciais para relatar
revisões sistemáticas e meta-analisadas de forma transparente e completa, ajudando os autores
a estruturar e apresentar suas revisões de maneira clara, o que é essencial para que tenha uma
pesquisa baseada em evidencias, podendo envolver a reformulações de itens, a exclusão de
itens não aplicáveis e a inclusão de itens adicionais, se necessário (GALVÃO et al., 2015).
Inicialmente os artigos encontrados nas buscas foram avaliados segundo o título e o
resumo. Após a seleção dos artigos que atenderam aos critérios de inclusão, foi concluído a
leitura integralmente para extração, organização e sumarização das informações, até se chegar
à seleção final de artigos.
21
Figura 2: Fluxograma de seleção dos estudos que compuseram a revisão integrativa. Juazeiro
do Norte, Ceará, Brasil, 2023
Identificação de estudos através de bases de dados e registos
Identificação
Registos identificados a partir Registos removidos antes do rastreio: (n= 271)
de: (n=426) Estudo retirado após critério de inclusão
LILACS: 126 (n = 31)
MEDLINE: 214
BDENF: 86
Registros
Seleçãoselecionados Registros excluídos após leitura dos
(n = 22) títulos e resumo (n = 02)
Registro excluído após leitura na
Registro selecionado (n=20)
integra (n =02)
Registro avaliado quanto a Relatórios excluídos: (n=5)
elegibilidade (n = 18) i Não responde aos objetivos e não
responde a questão norteadora.
Inclusão
Estudos incluídos na revisão
(n =13)
Fonte: Baseada na busca de dados, adaptada do PRISMA, 2023.
4.7 ANÁLISE, ORGANIZAÇÃO E INTERPRETAÇÃO DOS RESULTADOS
Buscando organizar os resultados do estudo em questão será utilizada a Classificação
dos Níveis de Evidência (NE) de acordo com Melnyk e Fineout-Overholt (2011), que
compreende 7 níveis de distribuição a saber: : nível 1 – revisões sistemáticas de relevantes
ensaios clínicos; nível 2 – evidências derivadas de pelo menos um ensaio clínico randomizado
controlado bem delineado; nível 3 – Método de ensaios clínicos bem delineados sem
acidentalização; nível 4 – estudos de coorte e de caso-controle bem descritos; nível 5 –
22
revisão sistemática de estudos descritivos e qualitativos; nível 6 – evidências derivadas de um
único estudo descritivo ou qualitativo e nível 7 – opinião de autoridades ou relatório de
comitês de especialistas.
A categorização dos estudos dessa pesquisa aconteceu por meio da condensação dos
resultados através de um quadro, a qual sintetizou as informações, contendo os seguintes
aspectos: Codificação do Artigo; Autor; Título; Ano de publicação; Método; Objetivo, base
de dados e nível de evidência, de acordo com os critérios de inclusão estabelecidos
(APÊNDICE A).
Com base nas informações coletadas, foi feito uma análise dos resultados,
possibilitando sua interpretação. Envolveram uma discussão mais profunda com a literatura
pertinente à temática. Ao final, os resultados foram demostrados em forma de texto descritivo,
fundamentados na avaliação crítica dos estudos selecionados e dispostos em categorias
temáticas.
23
5 RESULTADOS E DISCUSSÕES
O desenvolvimento da revisão integrativa de literatura resultou em um total de 13
publicações após a realização de um processo de seleção de estudos, onde se utilizou critérios
de inclusão e exclusão. As pesquisas abordadas apresentam-se como fundamento para
compreender a convivência da insuficiência renal crônica, os sentimentos e expectativas dos
portadores.
A apresentação dos resultados está dividida em duas partes: a primeira com a
caracterização dos estudos contemplados na amostra final, demonstradas por meio de um
quadro, e a segunda parte, apresentada em categorias temáticas.
Quadro 2: Característica dos artigos incluídos (codificação, autores, ano da publicação, título
de estudo, objetivos, base de dados, nível de evidência), Juazeiro do Norte, Ceará, 2023.
Código Autores/ Titulo Objetivos Tipo de Base de Nível de
Ano estudo dados Evidencia
1 FERREIRA Repercussões Compreender as Estudo de LILACS
et al da repercussões da abordagem 6
(2022) insuficiência insuficiência renal qualitativa
renal crônica crônica no
no contexto contexto
biopsicossoci biopsicossocial de
al pacientes em
de pessoa em tratamento
tratamento hemodialítico.
hemodialítico
2 RIBEIRO Sentimento, Identificar Pesquisa LILACS 6
et al vivências e sentimento, qualitativa
(2021) expectativas vivências e
de indivíduos expectativas de
renais indivíduos renais
transplantado transplantados
e desafios gerados desde o
para o diagnóstico até o
enfermeiro período pós-
transplante.
24
3 SOUZA Perspectivas Compreender a Estudo LILACS 6
et al de vida e de perspectiva de qualitativo
(2020) viver de vida de pessoas investigativ
pessoas em em tratamento a.
tratamento hemodialitico
hemodialitico
4 SANTOS A percepção Conhecer a Estudo LILACS 6
et al da pessoa percepção da qualitativo
(2020) sobre sua pessoa sobre sua exploratório
condição condição .
enquanto enquanto doente
doença renal
crônica em
hemodiálise
5 MOREIRA; Perfil e nível Identificar o perfil Abordagem BDENF 2
BORGES. de esperança clínico, quantitativa
(2020) em pacientes psicossocial e
que realiza mensurar o nível
hemodiálise e de esperança
dialise entre pacientes
peritoneal que realizam
hemodiálise e
diálise peritoneal
6 RÊGO: Impacto da Impacto social Estudo BDENF 6
MARTINS; doença renal da doença qualitativo
SALVINO. crônica em renal crônica
(2019) adolescente em
em adolescente
tratamento submetido à
hemodialitico hemodiálise
7 CASTRO A percepção Compreender Pesquisa de BDENF 6
et al do paciente a percepção do campo, de
(2018) renal crônico paciente delineament
sobre a portador de o
vivência em IRC que se qualitativo.
hemodiálise submete a
hemodiálise,
bem como
conhecer os
fatores que
dificultam ou
facilitam essa
experiência e
as estratégias
de enfrentamento.
25
8 LEITE Percepções Identificar as Trata-se de BDENF 2
et al de percepções de um estudo
(2018) pacientes pacientes do quantitativo
submetidos a sexo .
tratamento masculino em
dialítico tratamento
substitutivo dialítico
sobre a substitutivo
sexualidade sobre a
sexualidade
9 CARGNIN Pacientes em Conhecer as Trata-se de LILACS 6
et al tratamento percepções dos um estudo
(2018) hemodialitico pacientes qualitativo
percepção hemodialíticos
acerca das acerca das
mudanças e mudanças e
limitações da limitações da
doença e doença e do
tratamento. tratamento na sua
vida.
10 FARIAS Sentimento Descrever os Pesquisa LILACS 6
et al de pessoas sentimentos de exploratória
(2018) em pessoas em com
hemodiálise hemodiálise abordagem
que esperam que esperam por qualitativa.
por um um transplante.
transplante
renal.
11 ROCHA A espera do Conhecer Estudo de LILACS 6
et al transplante sentimentos e abordagem
(2018) renal: expectativas qualitativa
sentimentos e de pacientes
expectativas com doença
renal crônica
em relação ao
transplante
renal.
12 SANTOS Percepção, Percepção e Abordagem BDENF 2
et al significados e experiência, quantitativa
2018 adaptação a tomando como
hemodiálise base seu convívio
como um coma doença e
espaço seus estratégia de
liminar. enfrentamento.
26
13 VIEGAS Experiência Conhecer a Pesquisa BDENF 6
et al do adulto expectativa do qualitativa
2018 jovem com a adulto jovem com exploratória
doença renal a doença renal e descritiva.
crônica em crônica em
hemodiálise. hemodiálise.
Fonte: Pesquisa Direta., 2023
Nos artigos selecionados foi utilizado um recorte temporal de cinco anos, entre os anos
de 2018 a 2023, é notório que a maioria das publicações se deram no ano de 2018, totalizando
sete (07), depois houve um decréscimo nestas publicações relacionadas ao tema com apenas
uma publicação no ano de 2019, três (03) no anos de 2020 e em 2021 e 2022 uma (01) em
cada ano, ou seja, apesar de ser uma temática relevante, não foi muito abordada nos anos
mais recentes, apresentando uma pouca expressão na quantidade de artigos publicados.
Quanto às metodologias abordadas nas publicações, percebe-se que teve uma
preferência pelos estudos qualitativos, sendo que em um total de 13 artigos, 10 foram
qualitativas, o que é compreensível, tendo é vista que as temáticas tratam de sentimentos,
expectativas, percepções o que utilizam preferencialmente este tipo de abordagem. A base de
dados mais utilizados foi a LILACS.
Neste estudo, na avaliação dos níveis de evidência, conforme recomendações de
Melnyk e Fineout-Overholt (2011), os artigos foram classificados da seguinte maneira: três
artigos com nível de evidência 2, que corresponde a evidências derivadas de pelo menos um
ensaio clínico randomizado controlado bem delineado; e dez artigos com nível de evidência 6,
que são evidências derivadas de um único estudo descritivo ou qualitativo.
Tomando-se por base os objetivos propostos, os dados foram organizados e analisados
a partir de quatro categorias temáticas a saber: Sentimentos manifestados pelos pacientes
diante da convivência com a insuficiência renal crônica; Dificuldades ou limitações
vivenciadas no cotidiano dos pacientes com insuficiência renal crônica e Principais estratégias
de enfrentamento; principais estratégias de enfrentamento as dificuldades vivenciadas pelos
pacientes com insuficiência renal crônica ; expectativas e perspectivas dos pacientes em
relação ao tratamento ao qual é submetido.
27
5.1 SENTIMENTOS MANIFESTADOS PELOS PACIENTES DIANTE DA
CONVIVÊNCIA COM A INSUFICÊNCIA RENAL CRÔNICA
A insuficiência renal se apresenta de forma silenciosa e súbita com isso os portadores
enfrentam uma série de sentimentos, como medo, ansiedade e negação relacionados a seu
prognóstico podendo dificultar a sua adaptação e tratamento. A experiência de lidar com a
doença é emocionalmente desafiadora, devido ao risco diário de complicações que podem
ocorrer durante a diálise e que poderão afetar o seu cotidiano.
Para Castro et al., (2018), ao se depararem, de início, com a necessidade do
tratamento hemodialítico, os pacientes vivenciam um processo dicotômico de rejeição e
aceitação, manifestado por sentimentos de medo, incerteza, tristeza e raiva. Quando
recebem a notícia de que devem receber tratamento de hemodiálise para sobreviver, sua
experiência é negativa e dolorosa. É perceptível o quanto é difícil para eles aceitarem à
existência do agravo à saúde, e assim, serem capazes de lidar com a realidade de terem uma
doença grave que requer tratamento invasivo e viverem com ela para o resto das suas vidas.
Ribeiro et al., (2021) corroboram referindo que em seu estudo, a ideia da descoberta
da doença, atrelada ao início imediato da hemodiálise, foi vivenciada pelos participantes de
maneira negativa e dolorosa. Através dos relatos constatou-se sentimentos de abalo, tristeza,
infelicidade, solidão, medo, dor e surpresa, na qual pacientes entrevistados consideraram esse
processo uma situação difícil de aceitar, influenciando diretamente seus aspectos emocionais
e psíquicos, onde a doença renal trouxe consigo a vivência de um luto antecipado diante do
diagnóstico.
Rocha et al., (2019), trazem que esta situação ocasiona principalmente um momento
de tristeza, não apenas pelo diagnóstico, mas também, pelas mudanças pelas quais o paciente
é obrigado a passar para que possa sobreviver. Além disso, eles experimentaram a angústia
diante do desconhecido e o medo frente à possibilidade de sofrimento e de morte. Outro
sentimento manifestado é a solidão, que pode estar relacionada à distância dos familiares,
devido à necessidade de realizar o tratamento longe de sua moradia e ao afastamento de
pessoas que antes faziam parte de seu círculo social.
Tanto no processo de descoberta quanto no decorrer do adoecimento, as pessoas com a
doença renal crônica convivem com o sofrimento psíquico, pois, rompem com uma rotina, de
autonomia e independência, deparam com o novo modo de viver, que vai exigir novas formas
de adaptação para continuar lutando pela vida. São diversos os significados que passam pelo
imaginário das pessoas afetadas, indo desde o impacto do diagnóstico, associado ao
28
reconhecimento da gravidade da doença e do tratamento, até as suas consequências, como os
efeitos medicamentosos e as limitações impostas pela doença (ALMEIDA; PALMEIRA,
2018).
No decorrer do adoecimento, as pessoas com IRC convivem com o sofrimento
psíquico, pois, rompem com uma rotina, de autonomia e independência, deparam com o novo
modo de viver, que vai exigir novas formas de adaptação para continuar lutando pela vida,
Assim, considera-se extremamente importante um acompanhamento multiprofissional,
principalmente o papel do profissional de psicologia no artifício de ofertar suporte, ajudando-
os a transpor as barreiras impostas pela doença, bem como a enfermagem que poderá
contribuir com suas intervenções, contribuindo na recuperação e melhora do desempenho do
paciente.
De acordo com Santos et al., (2020), muitos são os sentimentos que perpassam aqueles
que estão acometidos de uma doença renal crônica, além dos comumente relatados nos
estágios iniciais da descoberta da doença, ocorrem os dos estágios finais, quando a
hemodiálise passa a ser imprescindível, não saber quais serão suas dificuldades diante desta
terapia pode gerar um misto de sofrimento e tristeza, com a repentina mudança que ocorre em
sua rotina, e as limitações que agora acompanham a sua vivência. A presença de sentimentos
negativos pode estar relacionada ao fato dessas pessoas estarem muitas das vezes em idade
ainda economicamente ativa, fazendo com que se sintam desgostosos, angustiados ou mesmo
ansiosos, gerando conflitos internos mediante as incertezas do tratamento e da doença.
Os portadores de IRC enfrentam a hemodiálise de duas formas, sendo uma negativa e
a outra positiva. A negativa é vista de forma revoltante e gera uma alteração na sua
autoimagem e fazendo pensar que causará dependência econômica. Já a positiva está
interligada na aceitação da doença, pois entendem a hemodiálise como uma melhora de vida,
mas prolongada demonstrando sentimento pelo olhar, carinho e amor com os profissionais
(DANTAS et al, 2022).
Assim, mesmo com adversidades enfrentadas que as pessoas com IRC vivenciam, o
profissional pode tomar esse momento que é estressante e cansativo na vida deles em um
momento menos doloroso e mais facilmente aceitável, gerando impactos positivos na vida e
no tratamento desses indivíduos, tornando esse momento mais seguro e confortável, pois
prestam apoio, acolhimento e mantém uma atitude de escuta ativa.
Santos et al., (2018) trazem perspectivas diferentes relacionadas a convivência com a
máquina da hemodiálise, em que há depoimentos de sentimentos de ambiguidade dessa
relação que salva ao mesmo tempo em que provoca raiva, pelo tempo que se fica ali, pelas
29
possíveis intercorrências, pelos desconfortos da situação. Bem como, em pontos que remetem
à questão do tempo necessário para dialisar, que também é atravessado de sentimentos
ambíguos, pois, por um lado, limpa o sangue, renova o organismo, e, por outro, é um tempo
em que se fica preso à máquina e a uma rotina que não foi uma escolha pessoal e livre, mas
uma imposição decorrente dos problemas de saúde.
Vários fatores mostram que existem diversos sentimentos diferenciados, portanto
podem se apresentar de duas formas, da forma negativo da doença onde o paciente não aceita
o diagnóstico e com passar do tempo acontece um entendimento diante o processo de
adoecimento vendo o tratamento de modo positivo que possa potencializar o prolongamento
vital (CORREIA et al, 2021).
Os pacientes ao se deparar com a necessidade de ser submetido à hemodiálise e a
dependência da máquina, visto que este é um tratamento doloroso, monótono e limitado,
porém, indispensável para a manutenção da vida, gera um mix de sentimentos, relacionado à
doença, ao tratamento, a perda dos hábitos de vida, a evolução clínica para a morte ao
desenvolver mais sintomas e consequências físicas e emocionais que reduzam cada vez mais a
qualidade de vida. Tais reações são esperadas, resultante das mudanças em sua vida, leva as
pessoas a reagirem com sentimentos de medo e rejeição. Dessa forma, eles precisam entender
a problemática da doença, sua potencialidade e como viver com ela de maneira mais favorável
para que não lhe traga danos fatais em todos os aspectos.
5.2 DIFICULDADES OU LIMITAÇÕES VIVENCIADAS NO COTIDIANO DOS
PACIENTES COM INSUFICÊNCIA RENAL CRÔNICA
O tratamento impõe diversas mudanças no estilo de vida do indivíduo acometido por
essas terapêuticas, tais mudanças provocam transformações significativas na vida do sujeito e
no processo de viver da família. Em consequência, os pacientes renais crônicos, comumente,
apresentam dificuldades para aderir ao tratamento de hemodiálise e às suas restrições.
Entretanto, de maneira geral, buscam meios para suportá-lo tendo em vista que esse
tratamento lhes possibilita maior sobrevida.
Ferreira et al., (2022) em seu estudo sobre as repercussões da IRC no contexto
biopsicossocial de pessoa em tratamento hemodialítico, constatam que as restrições dietéticas
e hídricas que se iniciaram após a descoberta da doença foram intensificadas após o início do
tratamento hemodialítico, sendo descritas pelos participantes como uma limitação importante.
Além da questão alimentar, a doença e o tratamento impuseram limitações que tiveram como
30
consequência à redução das atividades de lazer. Acredita-se que as causas são multifatoriais,
que vão desde a exigência de cuidado com o acesso vascular até o desgaste com as viagens e
com as sessões de hemodiálise.
Rêgo; Martins e Salviano (2019) em seu estudo que aborda o impacto das DRC em
adolescentes retratam que dentre as modificações de hábito de vida, a maior queixa dos
adolescentes entrevistados foram as limitações impostas pelas restrições alimentares e
hídricas, sendo as dietas hipossódicas e reduções do consumo de líquidos as mais pontuadas.
Em virtude de tais restrições alimentares serem modificadores da rotina e causadores de
sofrimento, com dificuldade de adaptação.
O tratamento impõe diversas mudanças no estilo de vida do indivíduo acometido por
essas terapêuticas, a exemplo das restrições alimentares e hídricas. Tais mudanças provocam
transformações significativas na vida do sujeito e no processo de viver da família e do meio
social, as restrições alimentares impostas pela IRC trazem dificuldades na adaptação e,
consequentemente, o sofrimento do paciente, expressos pelos sentimentos de tristeza e
frustração. Geralmente há muita dificuldade de manter uma rotina alimentar diferente dos
outros com quem ele convive, já que o alimento faz parte da vida social também e está
presente na maior parte dos eventos sociais, trazendo, como consequência, a limitação no
convívio em grupos sociais.
Segundo Castro et al., (2018) as mudanças no cotidiano e as limitações decorrentes do
tratamento que impactam no dia a dia dos pacientes, nas atividades de lazer e inclusive na
vida profissional, são ressaltadas por eles como um obstáculo a ter uma vida considerada
normal. Os pacientes tem uma visão negativa dessa mudança, apesar de reconhecerem os
benefícios do tratamento. Isso pode ser explicado pela alteração na rotina, a impossibilidade
de viajar, seja a lazer ou a trabalho, de estabelecer uma programação de vida, de restringir
locais a serem frequentados, e ser condicionado a manter-se mais em casa, o que limita sua
liberdade e impor afastamento do paciente de seu grupo social, e às vezes, da própria família.
É crucial reconhecer a importância do lazer na vida dos pacientes, pois esta não pode
ser subestimada, pois encontrar o equilíbrio entre manejo da condição e a busca de prazer e
bem-estar é fundamental para que ajude no seu enfrentamento e desafios de forma mais
completa e saudável. O lazer é muito importante para a estabilidade emocional, pois essas
atividades promovem o bem-estar, fazem com que os pacientes esqueçam, por alguns
momentos, as dificuldades, as preocupações e até mesmo a rotina.
Rocha et al., (2018) relatou em seu estudo diversas limitações onde uma delas está
relacionada à imagem corporal dos pacientes com IRC, foi visto um incômodo diante da
31
modificação na aparência ocorrida em decorrência da implantação do cateter ou da fístula.
Muitos relataram que, principalmente, no início do tratamento, sentiam-se envergonhados
com estas marcas, outro aspecto referido se relaciona ao trabalho, o impacto do tratamento
ganha dimensão importante quando associado à impossibilidade de realização das atividades
laborais cotidianas, especialmente devido à dificuldade de manutenção da renda, o que
exacerba o sofrimento, principalmente dos homens, pois compromete o papel de provedor
efetivo e trabalhador da casa, as dificuldades financeiras geradas pelas limitações para o
trabalho devido à rotina do tratamento também aumentam a sensação de impotência.
Os pacientes renais sofrem mudanças no corpo e associam-se a vários tratamentos
invasivos, provocando alterações no corpo e podendo afetar o relacionamento interpessoal,
pois toda a sua identidade e individualidade passa a ser focalizada no órgão doente. Esse fator
compromete a própria identidade do paciente, pode desencadear uma percepção de
inferioridade e um quadro de baixa autoestima (KUPSKE et al, 2021).
O paciente com IRC pode sentir-se envergonhado ou impotente, diante da imagem que
ele apresenta, pois esta está interligada às consequências da IRC, gerando alterações corporais
em sua percepção visual, tais como: edema, alterações na sua pele, e principalmente a
presença da fistula ou cicatrizes. Essa modificação também pode provocar sentimentos de
diferença, de inferioridade em relação a outras pessoas saudáveis, afetando negativamente sua
autoestima, além de tristeza e isolamento social, que demonstram os impactos de conviver
com uma doença crônica.
Para Cargnin et al., (2018) a submissão ao tratamento hemodialítico gera fontes de
estresse e representa desvantagens por ocasionar limitações como restrições alimentares e
hídricas, isolamento social, perda do emprego, dependência da Previdência Social, parcial
impossibilidade de locomoção e passeios e diminuição da atividade física. O trabalho foi
destacado como importante em suas vidas, tanto pela satisfação de suas necessidades de
sobrevivência quanto pela realização por desempenharem atividades que lhes proporcionavam
prazer e satisfação.
As pessoas em hemodiálise podem desenvolver sentimentos de incapacidade pela
restrição ao trabalho, pois devido a sua enfermidade, tiveram que modificar a sua rotina
laboral, tendo em vista que muitas destas passam a depender da seguridade social, em ocasião
do seu diagnóstico, e o trabalho nem sempre é visto apenas como forma de sustento, mas sim
está ligado á autonomia e independência, o que traz um valor mais amplo, podendo colaborar
para a baixa autoestima e insatisfação dos participantes em relação ao seu estado de saúde.
32
Viegas et al., (2018) referem que a IRC, além de implicar negativamente nas
condições físicas, traz prejuízos psicológicos, modificando o dia a dia de quem a vivencia, o
que pode restringir ou interferir no papel exercido frente à sociedade, atividades como
estudar, fazer compras, cozinhar e lavar louças são tarefas simples e rotineiras, que permeiam
o viver das pessoas. Com o adoecimento, os portadores de IRC se viram limitados e
impossibilitados de desenvolvê-las, o que de certo modo, pode promover um sentimento de
minimização diante do seu meio social. Certamente, essas limitações refletem negativamente
na vida, já que o desenvolvimento de atividades remete ao ideário de uma vida ativa e útil.
Percebe-se que a necessidade de realizar continuamente a hemodiálise colabora para a
dependência de tratamento médico, e interfere no trabalho e nos estudos, acarretando falta de
energia e disposição para desempenhar atividades diárias, realizar atividades de lazer entre
outras, o que acarreta um prejuízo físico-emocional pode gerar alguns sentimentos como
tristeza por não conseguirem executar suas atividades de vida diária e atividades instrumentais
do cotidiano.
Segundo Leite et al., (2018) foi evidenciado que os homens apresentam dificuldades
orgânicas, que gera um impacto sobre a sexualidade, na forma de como ele ver o seu corpo,
podendo se sentir menos atraente sexualmente, visto que a sintomatologia da doença pode
levar a dificuldade em obter ou manter a ereção, problema de ejaculação e fraqueza após a
realização do tratamento, com isso gerando um sentimento de vergonha devido a impotência
ou ausência de prazer.
Os pacientes que são submetidos a hemodiálise apresentam dificuldade de se manter
erétil durante o ato sexual prejudicada devido o tratamento, por se sentir fraco ou cansado
após as sessões, esse momento pode ser emocionalmente devastador para os homens, pois
afetando sua autoestima e autoimagem, podendo gerar um monte de tensão e desmotivação
em relação ao sexo, causando diminuição da libido e a sua disfunção erétil que é vista de
forma negativa (SONZA et al 2022).
Todos esses fatores desencadeiam uma baixa autoestima que comprometem a sua
autoimagem, que interferem na sua relação interpessoal e afetam o seu parceiro, assim, se faz
necessário que os pacientes e sua equipe de saúde trabalhem junto para abordar essa questão,
ofertando apoio emocional para manter a intimidade e a satisfação sexual na vida destes
pacientes renais.
33
5.3 PRINCIPAIS ESTRATÉGIAS DE ENFRENTAMENTO AS DIFICULDADES
VIVENCIADAS PELOS PACIENTES COM INSUFICÊNCIA RENAL CRÔNICA
A necessidade de realizar a hemodiálise está envolta em um desgaste físico e
emocional e o tratamento se caracteriza por ter grandes desafios e trazer esperanças que o
indivíduo necessita para viver cada dia, enfrentando os percalços que surgem e vencendo.
Para tal, são elaboradas estratégias a fim de que estes pacientes possam enfrentar as
dificuldades que surgem no cotidiano e possam conviver com mais dignidade e qualidade a
sua vida.
Para Jesus et al., (2018) os indivíduos já vêm fragilizados por não conseguir realizar
suas atividades e funções como antes, dependendo constantemente de uma máquina e de
outras pessoas para sobreviver. Por isso é fundamental que tenham um apoio emocional
durante as sessões de hemodiálise, os profissionais precisam estar atentos a esses aspectos que
pode dificultar seu cotidiano.
De acordo com Cargnin et al., (2018) a família foi referida como uma fonte de apoio
importante e fundamental para dar seguimento ao tratamento e enfrentar todas as adversidades
impostas pela doença. Portanto, pode-se dizer que a família é uma organização dinâmica que
busca realizar arranjos diante das limitações impostas pela doença crônica. Muitas vezes, a
família busca se reestruturar, mudando de papéis e assimilando novas responsabilidades.
Conviver com os familiares é um fator positivo, levando-se em conta que a IRC pode
progredir com complicações tanto físicas como emocionais, além de ocasionar incapacidades
o que vai demandar um cuidado diferenciado, nessa perspectiva, o apoio familiar é muito
valioso, contribuindo para a saúde desses pacientes, inclusive para minimizar os sintomas que
possam interferir na sua vida emocional.
De acordo com Ferreira et al., (2022), por existir um convívio semanal e o apoio
mútuo com os companheiros de tratamento, estes mostraram-se uma ferramenta importante
para redução das repercussões geradas pela doença. Nesse sentido, acredita-se que estes,
assim como familiares, amigos e profissionais de saúde formam uma rede potente de suporte
que contribuem significativamente para o acolhimento, aceitação da doença e convívio com o
tratamento.
Acredita-se que esses indivíduos em tratamento vivenciam inúmeros desafios que
alteram toda a dinâmica familiar ocasionando abalo emocional e perca fé, portanto e
importante que tenha um apoio familiar, amigos e profissionais, pois é fundamental para
encorajar os pacientes na sua nova adaptação e aceitação da doença diante seu diagnóstico,
34
mas quando há uma ausência desse suporte pode interferir negativamente nesse processo e na
sua recuperação.
Souza et al., (2020) referem que a postura humanística dos profissionais de saúde pode
proporcionar uma melhora no enfrentamento da doença e do tratamento, levando a pessoa a
gerenciar melhor os pensamentos e as emoções, podendo ser uma fonte de apoio,
possibilitando agir juntamente dos familiares buscando a ajuda necessária da pessoa nesse
processo.
Viegas et al., (2018) complementam que a equipe de saúde ocupa um lugar importante
na vida das pessoas em tratamento hemodialítico, visto a dimensão da terapêutica no
cotidiano de quem a vivencia. Nesse sentido, pensa-se que os profissionais têm potencial para
agir ativamente no processo saúde e doença, no que diz respeito à equipe de enfermagem, essa
tem uma relação de proximidade com a pessoa em hemodiálise, há possibilidade destes
profissionais proporcionarem uma assistência com vistas à melhoria das condições de vida, a
partir do incentivo à adaptação as atividades diárias, e também colaborar com a pessoa doente
a retomar e restabelecer os afazeres cotidianos.
Nota-se que o enfermeiro tem um papel crucial na assistência do tratamento destes
portadores, pois é responsável por estabelecer condutas que visam prevenir complicações que
pode ocasionar no portador, portanto, tem a função de promover educação em saúde em
qualquer etapa do tratamento sempre proporcionando um ambiente tranquilo e prestar apoio
emocional aos pacientes e familiares visando sempre uma assistência qualificada e
humanizada para que possa atender todas as suas necessidades.
Para Santos et al., (2018) observam-se, dentro das estratégias de enfrentamento da
doença, expressões de fé e manifestações espirituais ligadas às diferentes filiações religiosas
dos doentes. A presença da religiosidade é uma constante, alguns utilizam terços e rosários,
outros efetuam a leitura da Bíblia, protestante ou católica, ou de qualquer outro livro de cunho
religioso. Ainda há aqueles que se concentram em um exercício similar ao de meditação,
procurando estar tranquilo, conversando com a(s) divindade(s) para que ocorresse tudo bem
durante a sessão e possam sair dali fortalecido.
Segundo Moreira e Borges (2019), o estudo mostra que apesar de todas as limitações
imposta pelo tratamento e pela própria doença a esperança surge como uma fonte de apoio
deixando os indivíduos mais otimistas podendo fornecer grande benefícios tanto no desfecho
clinico quanto na adaptação ao tratamento. A esperança é o que os motiva a seguir esses
tratamento com comprometimento, acreditando que isso pode melhorar sua saúde e qualidade
de vida.
35
Conviver com à IRC é reconhecidamente estressante e desgastante não só para o
paciente como também para seus familiares. Assim, ter esperança torna-se um processo
essencial e contínuo, pois contribui para sua aceitação da nova condição imposta pela doença,
neste contexto, a espiritualidade e a religiosidade se apresenta como uma ferramenta de apoio
e fortalecimento, a experiência de adoecer, quando enfrentada com esperança, faz com que o
indivíduo deposite sua energia à expectativa de restituição da saúde e do bem-estar espiritual.
5.4 EXPECTATIVAS E PERSPECTIVAS DOS PACIENTES EM RELAÇÃO AO
TRATAMENTO AO QUAL É SUBMETIDO
A hemodiálise é um desses tratamentos, realizado de forma contínua, o qual se faz
necessário realizar a filtração do sangue em uma máquina durante uma média de quatro horas,
por três vezes na semana, restringindo assim sua vida social, prejudicando seus sonhos e
impactando emocionalmente na sua vida emocional. Porém, ela surge como uma forma de
esperança, pois prolonga a vida do paciente, permitindo uma melhoria na sua qualidade de
vida.
Segundo Moreira e Borges (2020), em seu estudo com pacientes que realizam
hemodiálise ou diálise peritonial, apesar de todas as restrições impostas pelo tratamento, há
um bom nível de esperança entre os participantes do estudo, principalmente no que se
relaciona ao apoio familiar, religioso, psicossocial, pois a maioria deles tem o perfil positivo
que pode favorecer benefícios nos desfechos clínicos e na sua adaptação mediante a doença.
Tendo em vista que manter a esperança frente ao adoecimento, representa um processo
diário, contínuo e importante, pois, estimula o paciente e seus familiares a buscar uma nova
direção ou aceitação da atual realidade enfrentada, a esperança se apresenta como uma
ferramenta que pode ajudar na adaptação de indivíduos a tratamentos, auxiliar no
enfrentamento de momentos de tensão restaurando e promovendo a qualidade de vida.
O transplante renal é uma meta estabelecida pelo paciente com significado de fé e
esperança, com o intuito de proporcionar melhoria na sua qualidade de vida que almeja a não
necessidade de realizar a hemodiálise, visando estabelecer a liberdade e autonomia para
cumprir com suas rotinas anteriores, com a possibilidade de uma nova perspectiva de vida e
de tratamento, o que inclui acompanhamento médico continuo e o uso de medicamentos
(MOURA et al, 2022).
Farias et al, (2018) destacam que os pacientes renais carregam consigo uma
expectativa positiva da realização do transplante bem sucedido mesmo diante da fila de espera
36
do órgão, esse momento vivenciado com medo e ansiedade. Portanto, estes individuo
depositam fé, confiança e esperança na religião que ajuda a passar todo esse processo de
adaptação e espera de um órgão compatível, pois o apego em Deus faz com que enfrentem seu
medo e o sofrimento diante das situações traumáticas.
Segundo estudo de Rocha et al., (2018) à espera do transplante causa uma incerteza,
tristeza e frustração pois, para eles os dias passavam e eles permaneciam na expectativa, pois
há incerteza quanto a possibilidade de ser apto a receber o órgão disponível, entretanto,
muitos pacientes aprendem a olhar a vida de outra forma, ver que a morte é presente e que não
precisa ter medo dela mais uma superação adaptativa, mas quando há um a possibilidade de
transplante o individuo se enche de esperança e alivio.
A percepção que envolve o transplante renal evidencia que os pacientes atribuem um
novo significado à nova vida que inicia a partir do transplante. Após o transplante o individuo
recomeça a retomada do controle da vida, e a normalidade nas atividades diárias. No entanto,
o transplante renal traz consigo uma série de requisitos que vai muito além das condições do
receptor o que dificulta sua realização.
Ribeiro et al., (2021), referem que para esses indivíduos, o transplante representa o
renascimento e a sensação de bem-estar, sendo atribuídos como valores a chance de ter uma
nova vida, o sentimento de liberdade e a melhoria na qualidade de vida. Com a liberdade
decorrente do transplante, os participantes afirmam o desejo em dar continuidade às
atividades laborais e prosseguir com os estudos. Bem como manter o cuidado com o corpo e a
saúde como algo de grande importância adquirido das experiências vivenciadas com a doença
e o transplante.
Portanto, o transplante oferece vantagem de sobrevida e melhoria na sua qualidade de
vida, gerando nos pacientes uma expectativa de vida positiva, com a ajuda dos enfermeiros os
portadores apresentam disposição para melhoria e manutenção a saúde, pois os enfermeiros
fornecem uma assistência humanizada e holística que é capaz de transmitir segurança,
conforto, confiabilidade e calma durante o transplante.
37
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A insuficiência renal é uma condição complexa que afeta milhares de pessoa em todo
mundo. Conviver com IRC é uma jornada desafiadora marcada por uma série de sentimentos
e expectativas que envolve pacientes, familiares e profissionais da saúde.
Diante dos resultados, observa-se que há uma gama de sentimentos e comportamentos
que perpassam pelo medo daquilo que ainda estar por vir. A descoberta da doença, seguida do
tratamento, costuma acarretar uma montanha-russa emocional, caracterizada por sentimentos
como medo, ansiedade, tristeza e frustação. A negação ocorre de forma recorrente, mostrando
que, ao se descobrirem como portadores de IRC, muitos não entendem a magnitude do
problema que enfrentam, desta forma torna-se primordial que a equipe de saúde os ampare,
ofertando o apoio necessário à melhor compreensão do processo do cuidado.
Quanto as limitações ou dificuldades vivenciadas foram constatadas: restrições
dietéticas e hídricas, mudanças nas atividades de lazer, viagens e atividades laborais, bem
como dificuldades na execução de atividades da vida diária e transformação da imagem
corporal e na sexualidade. Neste contexto, baliza-se a necessidade de apoio e fortalecimento
da rede de relações destes pacientes, que lhes facilite o convívio com as limitações impostas
pela doença e tratamento e, consequentemente, potencialize melhora na qualidade de vida.
Com relação à estratégia de enfrentamento ressaltou que a importância do apoio
familiar e de amigos são indispensáveis. O apoio familiar é uma fonte inesgotável de amor,
compreensão e encorajamento, eles fornecem um suporte emocional valioso para ajudar os
pacientes a lidarem com as complexidades físicas e emocionais, para que consigam enfrentar
os desafios com determinação. Salienta-se também o enfermeiro como importante elo de
apoio. Assim, reitera-se a necessidade destes estarem atentos às necessidades de cada
paciente, proporcionando-lhes, além de um tratamento de qualidade, subsídios emocionais, já
que estes se diferenciam por particularidades que estão fortemente atreladas ao emocional,
devido a todas as transformações causadas pela doença e pelo tratamento.
38
Relacionado as expectativas e percepções dos portadores IRC, o transplante surge como
uma possibilidade de uma nova vida, livre das limitações, com isso os pacientes podem
experimentar um misto de alivio, mas também são marcadas por incerteza e desafios. As
emoções desempenham um papel fundamental na determinação na resiliência desses
pacientes e da qualidade de vida e à medida que a doença avança, eles moldam sua própria
narrativa de esperança, aceitação, superação. Quando o paciente consegue se adaptar, aceitar
sua doença e ter o suporte necessário para enfrentá-la fica mais suportável para aguardar o tão
desejado transplante.
A principal limitação deste estudo foi o numero reduzido de publicações recentes
relativas à temática estabelecida, pois mesmo se tratando de uma complicação que gera
grande impacto biopsicossocial é visto a carência de publicações cientifica na área, sendo
pouco explorada. Dessa forma, é necessário o maior aprofundamento do assunto em questão e
incentivo à formulação de novos estudos, que aprofundem a discussão do impacto da IRC e
do tratamento na vida desses indivíduos.
Esse trabalho irá contribuir na compreensão dos sentimentos e expectativas de vida dos
portadores de IRC, sendo um passo importante para proporcionar um cuidado mais holístico e
centrado na qualidade de vida destes pacientes. Portanto, faz-se necessário cada vez mais o
aprimoramento da equipe multiprofissional que o acompanha para que esse paciente seja
assistido de forma integral, suprindo, assim, as demandas encontradas durante todo o
tratamento.
39
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45
APÊNDICES
46
APÊNDICE A - Síntese de informação de artigos selecionados
Código Autores/ Ano Título Objetivo Base de dados Tipo de Nível de
estudo evidência
47
ANEXOS
48
ANEXO A - Preferred Reporting Items Systematic Review and Meta-Analyses (PRISMA)
Identificação de estudos através de bases de dados e registros
Identificaç
ão Registos identificados
por meio de pesquisas (n= )
BVS (n= ) Registos duplicados removidos (n =
MEDLINE: (n=) )
LILACS: (n= ) Registos marcados como não elegíveis após
BDENF: (n= ) critérios de exclusão (n = )
SCIELO: (n= )
Seleção Registros excluídos
Registros selecionados após leitura
(n = ) dos títulos e resumos (n
=)
Registros selecionados Registros excluídos
(n = ) após leitura
Na integra (n = )
Registros avaliados Registros excluídos:
quanto a elegibilidade (n = ) Motivos: Não
responder a
Questão norteadora
ou aos objetivos propostos (n
= )
In
clusão Estudos incluídos na
revisão
(n = )
Fonte: Adaptado do Prisma, 2020.
49