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Um Encontro Inesperado - Correto

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Cintiáh Cunha
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CYNTIA DE MIRANDA CUNHA

UM ENCONTRO
INESPERADO

“Romeu era definitivamente o ser mais esdruxulo que ela


havia conhecido e, o maior responsável pelo bater mais rápido do
seu coração”
Dedicatória

Dedico este conto, a uma das


pessoas mais incríveis que já
conheci nessa vida. Você é sem
dúvidas um ser humano admirável,
único e especial. Obrigada por
tanto amiga, você é
surpreendentemente, espetacular.

Yoona e eu amamos muito você!

Cyntia M.
Cunha
Sinopse

Gilda, era a filha mais velha da família Windsor,


sempre foi amante da leitura e escrita desde muito
nova, e encontrava nelas uma maneira de fugir do
peso de ser a única na família que ainda não havia
se casado. Cansada das cobranças da família sobre
casamento, ela decide sair de casa e abrir uma
pequena livraria. O que ela não imaginava é que
encontraria nessas prateleiras o seu futuro
casamento.
Romeu Arequis era o único herdeiro ainda vivo
do ducado de Arequis. Considerado um verdadeiro
estupido quando se tratava de assuntos do coração.
Apaixonado pela leitura e escrita, Romeu vivia com
uma única regra: não se apaixonar. Porém, ele vê
essa regra indo por água abaixo quando em uma
pequena livraria, conhece Gilda.
Prólogo

Itália, verão de 1927 ...

Gilda Santa Cruz sempre teve um bom senso


em relação a tudo. Bem, era isso que suas amigas
sempre diziam.
A verdade é que Gil – carinhosamente chamada
por elas – não tinha tanto bom senso assim – pelo
menos não no que se tratava de cavalheiros.
Principalmente com olhares marcantes e ombros
largos.
Mesmo agora, depois de ter se passado tanto
tempo, conseguia lembrar-se da cena
constrangedora. Parecia que estava assistindo a um
peça de teatro.
O local: A livraria Libreria Coletti.
Data: Uma quinta-feira calorosa, no final de
julho.
Personagens principais: Gilda, obvio. Michelle,
Cyntia e Renata. E, na sua estreia, no papel
principal (sons de trombeta foram ouvidos na
mente): o sedutor da Coletti.
A cena se desenrolou da seguinte forma:
Gilda tentava equilibrar alguns livros em um
braço, enquanto no outro lia um catálogo de Divina
Commedia, de Dante Alighieri, que ela ansiava em
ter, porém, nunca tinha sorte de encontrá-lo.
Acabou o achando em uma pilha de livros usados.
Em um momento estava alegremente folheando
as páginas do seu exemplar, deliciando-se com a
viagem que autor fez ao além, e no momento
seguinte...
Bangue. Talvez ela tenha dado um passo para
trás, ou ela tenha se virado sem olhar. Não
importava. O ombro um do outro se chocaram. A lei
da física exigia uma reação igual e talvez oposta.
Mas, dali em diante foi só a gravidade que se fez
presente. Todos os livros que ela segurava foram
parar no chão e, quando ela tirou os olhos do caos
que havia se formado, ali estava ele.
Moreno, com cabelos pretos e desgrenhados,
vestido com uma elegância impecável, um cheiro
de pecado engarrafado e um sorriso, que por Deus,
parecia que havia sido aprendido na infância para
persuadir qualquer mulher a perdoarem seus erros
mais grotescos.
Com um charme afável, ele curvou-se e
começou a recolher os livros. Gil não ajudará,
parecia imóvel.
Ele perguntou seu nome, ela gaguejou.
Ele pediu recomendações de livros – um
presente, disse ele. Como resposta ela gaguejou um
pouco mais.
Ele aproximou-se bastante, ao ponto de ela
conseguir sentir aquele cheiro de pecado
amadeirado, com notas de sândalos. Ela quase
desmaia em meio as prateleiras da antiguidade.
Mas então, aquele cavalheiro a olhou com seus
olhos pretos profundos. Realmente ele olhou, do
modo que as pessoas raramente faziam. Naquele
momento ele a fez se sentir a única mulher na
livraria. Quem sabe até no universo.
Ela achará que o momento duraria para sempre,
mas, na verdade, acabou rápido demais.
Então, ele lhe fez uma reverencia galante,
despediu-se e foi embora com o livro Divina
Commedia, de Dante Alighieri. Deixando Gil insipida
de histórias.
Fim da cena.
Ou pelo menos esse deveria ser o fim.
Gil resolver apagar aquele encontro desastroso
da sua mente, mas sua amiga Cyntia – a romântica
incorrigível dentre todas as suas amigas – não
permitiu.
Como ele não havia dito-lhe o nome, Cyntia
imputo-lhe títulos cada vez mais ridículos.
Primeiro começou com o Desconhecido sedutor
da livraria, mas conforme se passavam as semanas,
avançou rapidamente para Sir. Lorde Leitor e por
fim, parou em: O Duque da Libreria.
Pare! – Gil disse mais de uma vez para amiga.
Isso aconteceu a séculos atrás.
Só que não era bem assim. Naqueles dois
minutos – ou talvez menos – de dolorosa conversa
unilateral, ele tinha descoberto que uma garota
incoerente e completamente desajeitada, tímida –
talvez – e pequena o bastante para encher qualquer
fileira de uma livraria, era tudo o que sempre tinha
ansiado encontrar.

>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>

Sério. Um casamento? – retrucou Michelle


Você aceita esse homem, Desconhecido
Sedutor da Livraria com um péssimo gosto para
qualquer literatura infantil, como seu legitimo
esposo? – ironizou Renata em meio a gargalhadas.
Absurdo.
Após meses tentando parar com essa loucura,
Gil desistiu. Bem, pelo menos de fantasiar, por mais
tolas que pudessem ser, era uma segredo só dela.
Ninguém precisava saber o que se passava naquela
cabecinha. Era gigantesca a probabilidade de que
os dois nunca mais tornariam a se ver. O
desconhecido sedutor da livraria.
Até, obvio, a manhã em que o encontrou
inusitadamente.

Capítulo 01

A manhã começou do mesmo modo que todas


as manhãs recentes de Gil. Com as cobranças

insuportáveis da família sobre seu casamento.


- De novo esse assunto? – falou revirando os
olhos.
- O que houve desta vez? – sussurrou a anfitriã
da família, enquanto saboreava seu delicioso chá de
ametista.
- A mesma história de sempre, vovó.
- Típico da nossa família. – sorriu.
O diálogo fora interrompido pelo farfalhar das
vozes no saguão principal.
- Quem morreu?
Usando o braço estofado do sofá como apoio,
Gil sentou-se para apreciar a conversa entre o seu
tio, o barão Windsor e suas filhas. A vertigem o
atingiu, arrependendo-se instantaneamente de ter
mudado de posição. Ele massageou as têmporas,
lamentando todo o ocorrido.
- É a quinta. Eu disse a quinta aia em apenas
duas semanas. – berrou enquanto colocava as mãos
na cintura arredonda.
Gil sorriu furtivamente.
Ana e Louise são as mais novas da família.
Cresceram sem o carinho da mãe, que havia
falecido poucos meses depois do nascimento das
filhas, devido a uma doença ao qual nenhum
médico descobrirá na época.
- Pai. Arfou Ana, a pupila da família. –
precisamos resolver logo. Continuou.
O barão a encarou fortemente,
Louise fitou os olhos em direção ao pai, que
parecia não acreditar em tudo que estava
acontecendo. Enquanto subiam o terceiro lances de
escadas, até o quarto das meninas, ele questionou
a mais nova.
- O que aconteceu? Você não pode fazer nada a
respeito?
- E você?
- Louise, ela é sua irmã.
- E o senhor, o pai dela.
O barão de Windsor não parava de massagear
as têmporas que latejavam sem parar.
- Parece que disciplina não é bem o seu forte,
tio. – berrou Gil da parte de baixo da escada com
tom irônico.
O barão a encarou com desdém.
- E obediência não é o nosso. – farfalhou Louise.
Quando enfim, a porta do quarto se abriu, a aia
estava sentada na ponta da cama, tomada por uma
gosma esverdeada. Aos prantos.
O barão parecia não acreditar na cena que
estava bem diante dos olhos esverdeados.
- Senhora Laurent... – ele foi bruscamente
interrompido, mesmo antes de continuar.
- Senhor Windsor, pode conseguir outra aia, eu
estou de saída. – berrou enquanto saía do quatro.
O dia mal havia começado, e os problemas já
baterá na porta.
O barão tinha uma missão desafiadora: arrumar
uma sexta aia para tomar conta das suas filhas, ou
enviá-las para uma internato em Londres.
Ana e Louise o encaram com o medo
estampado nos olhos.
- Acho que formos longes demais, Lou. – arfou
Ana, quebrando o silencio estarrecedor.
A conversa foi interrompida quando a baronesa
de Windsor adentrou o quatro.
- Ana, Louise, tem pão com geleia, leite e queijo
na cozinha, desçam para tomar da café da manhã,
as brincadeiras acabaram – ordenou.
O barão parecia cansado. Não estava sendo
fácil lidar com as travessuras das filhas.
- Você precisa ser mais firme com essas
meninas, meu filho. – falou a baronesa enquanto
pegava para folhear, as páginas da sua revista
favorita da época: “As indomáveis Magazine” que
tinha sua amada neta Gil, como autora de uma, das
revistas mais lida.
- Precisamos ver como ficará a situação das
meninas, mãe. – retrucou o barão enquanto tomava
a sua quarta xicara de café, em menos de duas
horas.
A baronesa parecia não ouvir o que ele dizia, as
páginas da semana da revista estavam, muito mais
interessantes.
Gil havia aberto uma pequena livraria no centro
da pequena cidade de Verona, chamada de
“Indomáveis Magazine”, nome que deu origem a
uma das suas revistas mais famosas da região.
Gil era a única da família que ainda não havia
se casado, o que a deixava completamente
entediada e chateada em todas as reuniões de
família.
Encontrava na sua livraria o refúgio necessário
para não ter que explicar o porquê ainda era
solteira. Na verdade, na sua visão, nenhum homem
era bom o suficiente para levá-la até o altar, o que
parecia algo inadmissível para a família Windsor,
que havia casado metade das moças, em
casamentos arranjados.
- Amiga, você acha que será fácil convencer a
baronesa que você não quer se casar? – arfou
Michelle, enquanto terminava de redigir mais uma
página da revista.
Gil respirou fundo antes de continuar aquela
conversa.
- Minha avó não tem que aceitar nada, é minha
vida, não a dela. – retrucou.
Cyntia parecia não acreditar na resposta dela.
Porém, não a julgou. Casamentos arranjados, era
uma chance em mil de darem certo. Ela bem sabia
disso.
- Esta certíssima amiga, é seu futuro que está
em jogo. – sussurrou enquanto finaliza o caixa.
A conversa delas fora interrompida, quando o
pequeno sino da livraria, anunciará que havia
chegado mais um cliente.
Um perfume marcante, sedutor e refrescante
invadiu

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