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1. (Uel) Leia os trechos do romance “O seminarista”, de Bernardo Guimarães, a seguir.
Se o padre diretor ao chamar o estudante ao seu quarto lhe tivesse dito simplesmente: – menino, tens no
coração uma afeição mundana, que não pode compadecer-se com o estado a que te destinas, e que é
preciso que combatas. Mas se acaso não puderes banir do teu coração esse afeto, que pode ser puro e
legítimo, podes continuar a estudar, porém não para o estado eclesiástico – se tivesse procedido assim, o
padre teria talvez conseguido melhor o seu intento. Deixando ampla liberdade de expansão aos sentimentos
do menino, teria talvez facilitado ao seu neófito a vitória sobre si mesmo.
[...]
Se por seu lado também a senhora Antunes, que devia conhecer melhor do que ninguém o coração de seu
filho, sem deixar-lhe a rédea solta a todos os caprichos e desvarios da imaginação, procurasse com mais
brandura encaminhá-lo ao fim que desejava, sem contrariar de frente as mais caras afeições de seu coração,
talvez o tivesse conseguido, ou pelo menos evitaria a longa e dolorosa luta que iria dilacerar o coração de
seu filho sem outro resultado mais do que um infortúnio certo e irremediável.
(GUIMARÃES, B. O seminarista. [Link]. São Paulo: Ática, 1982. p.58-59.)
A partir desses trechos, responda aos itens a seguir.
a) Nesses trechos, o narrador utiliza, mais de uma vez, a conjunção condicional “se”.
Explique seu emprego, baseando-se nos trechos e no desfecho do romance.
b) Observe os verbos sublinhados no período “Mas se acaso não puderes banir do teu coração esse afeto,
que pode ser puro e legítimo, podes continuar a estudar, porém não para o estado eclesiástico”.
Explique essas diferentes flexões do verbo poder, considerando as orações em que estão presentes.
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2. (Uel) Em Amor de perdição, de Camilo Castelo Branco, escrevem-se muitas cartas.
Leia a carta de Teresa para Simão Botelho, e responda aos itens a seguir.
Não receies nada por mim, Simão. Todos estes trabalhos me parecem leves, se os comparo aos que tens
padecido por amor a mim. A desgraça não abala minha firmeza, nem deve intimidar os teus projetos. São
alguns dias de tempestade, e mais nada. Qualquer nova resolução que meu pai tome dir-ta-ei logo, podendo,
ou quando puder. A falta das minhas notícias deve atribuí-las sempre ao impossível. Ama-me assim
desgraçada, porque me parece que os desgraçados são os que mais precisam de amor e de conforto. Vou
ver se posso esquecer-me, dormindo. Como isto é triste, meu querido amigo!... Adeus.
BRANCO, C. C. Capítulo VII. In: Amor de perdição. 3. ed. São Paulo: Martin Claret, 2011. p. 79.
a) No período “Qualquer nova resolução que meu pai tome dir-ta-ei logo, podendo, ou quando puder”, a
oração sublinhada é reduzida. Qual é o seu sentido? Reescreva-a com o conectivo adequado, de modo a
manter o sentido original e torná-la desenvolvida.
b) Ao inserirmos vírgula após “assim” no trecho “Ama-me assim desgraçada”, há a possibilidade de
mudança de sentido. Explique-a.
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3. (Uel) Leia o texto sobre a origem da palavra “alvo” e responda aos itens a seguir.
ALVO - Adjetivo que significa “claro, branco”. Mas por que o adjetivo se tornou substantivo, com os
significados de “ponto a que se dirige o tiro”, “ponto de convergência” ou “fim a que se dirigem desejos ou
ações”? Nos estandes de tiros, usados para treinamento ou competição, usa-se um desenho de vários
círculos concêntricos, com os maiores contendo os menores. De acordo com uma versão bastante difundida,
o nome passou a ser usado porque o principal objetivo do atirador é acertar o círculo menor, o único que é
inteiramente branco, ou alvo. Em português, alvo é sinônimo de branco, mas somente alvo tem o significado
de “meta”. [...] Um dos
termos relacionados com alvo é “álbum” [album, em latim], que na Roma antiga designava um painel branco
onde eram afixados avisos de juízes e pretores. Hoje, “álbum” designa livro onde são coladas, entre outras
peças, assinaturas, fotografias, poemas, letras de músicas etc.
BUENO, M. A origem curiosa das palavras. Rio de Janeiro: José Olympio, 2003. p. 18.
a) Com base no texto, é correto afirmar que “alvo” deixou de ser adjetivo para ser substantivo? Explique.
b) Segundo o texto, o que aproxima e o que afasta “album” de “álbum”?
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4. (Uel) Leia o texto a seguir.
Durante alguns anos, o tintim me intrigou. Tintim por tintim: o que queria dizer aquilo? Imaginei que fosse
alguma misteriosa medida de outros tempos que sobrevivera ao sistema métrico, como a braça, a légua etc.
Outro mistério era o triz. Qual a exata definição de um triz? É uma subdivisão de tempo ou de espaço. As
coisas deixam de acontecer por um triz, por uma fração de segundo ou de milímetro. Mas que fração? O triz
talvez correspondesse a meio tintim, ou o tintim a um décimo de triz. Tanto o tintim quanto o triz pertenceriam
ao obscuro mundo das microcoisas. [...] A menor fração da menor partícula do último átomo ainda seria
formada por dois trizes, e cada triz por dois tintins, e cada tintim por dois trizes, e assim por diante, até a
loucura.
Descobri, finalmente, o que significa tintim. É verdade que, se tivesse me dado o trabalho de olhar no
dicionário mais cedo, minha ignorância não teria durado tanto. Mas o óbvio, às vezes, é a última coisa que
nos ocorre. Está no Aurelião. Tintim, vocábulo onomatopaico que evoca o tinido das moedas. Originalmente,
portanto, “tintim por tintim” indicava um pagamento feito minuciosamente, moeda por moeda. [...]
Tintim por tintim. A menina muito dada namoraria sim-sim por sim-sim. O gordo incontrolável progrediria pela
vida quindim por quindim. O telespectador habitual viveria plim-plim por plim-plim. E você e eu vamos
ganhando nosso salário tin por tin (olha aí, a inflação já levou dois tins). Resolvido o mistério do tintim, que
não é uma subdivisão nem de tempo nem de espaço nem de matéria, resta o triz.[...]
Adaptado de VERISSIMO, L. F. Tintim. In: __. Comédias para se ler na escola. Rio de Janeiro: Objetiva,
2001. p.63-64.
Com base na leitura da crônica e, considerando as expressões usadas para caracterizar respectivamente “a
menina”, “o gordo” e “o telespectador”, responda aos itens a seguir.
a) Qual dessas expressões se aproxima do que o cronista encontrou no dicionário para “tintim por tintim”?
Justifique sua resposta.
b) Compare o emprego da palavra “por”, nessas expressões, com o seu uso em “A menor fração da menor
partícula do último átomo ainda seria formada por dois trizes” e aponte sua classe gramatical.
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5. (Uel) Leia a tira a seguir.
Associada à imagem, qual palavra usada no texto provoca o efeito humorístico? Justifique sua resposta.
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6. (Uel) Leia a tirinha a seguir.
Na tirinha, Mafalda “conversa” com seu ursinho de pelúcia.
Explique a mensagem expressa na tirinha.
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7. (Uel) Leia o poema a seguir.
Romaria
Os romeiros sobem a ladeira Meu Bom Jesus que tudo podeis,
cheia de espinhos, cheia de pedras, humildemente te peço uma graça.
sobem a ladeira que leva a Deus Sarai-me, Senhor, e não desta lepra,
e vão deixando culpas no caminho. do amor que eu tenho e que ninguém me tem.
Os sinos tocam, chamam os romeiros: Senhor, meu amo, dai-me dinheiro,
Vinde lavar os vossos pecados. muito dinheiro para eu comprar
Já estamos puros, sino, obrigados, aquilo que é caro mas é gostoso
mas trazemos flores, prendas e rezas. e na minha terra ninguém não possui.
No alto do morro chega a procissão. Jesus meu Deus pregado na cruz,
Um leproso de opa empunha o estandarte. me dá coragem pra eu matar
As coxas das romeiras brincam no vento. um que me amola de dia e de noite
Os homens cantam, cantam sem parar. e diz gracinhas a minha mulher.
Jesus no lenho expira magoado. Jesus Jesus piedade de mim.
Faz tanto calor, há tanta algazarra. Ladrão eu sou mas não sou ruim não.
Nos olhos do santo há sangue que escorre. Por que me perseguem não posso dizer.
Ninguém não percebe, o dia é de festa Não quero ser preso, Jesus ó meu santo.
No adro da igreja há pinga, café, Os romeiros pedem com os olhos,
imagens, fenômenos, baralhos, cigarros pedem com a boca, pedem com as mãos.
e um sol imenso que lambuza de ouro Jesus já cansado de tanto pedido
o pó das feridas e o pó das muletas. dorme sonhando com outra humanidade.
ANDRADE, C. D. Alguma poesia. São Paulo: Companhia das Letras, 2013. p. 76-77.)
Com base no poema, responda aos itens a seguir.
a) Ao se ler o poema, reconhecem-se diferenças entre as preces dos romeiros e a perspectiva do eu lírico.
Explique essa diferença e caracterize as várias preces dos romeiros.
b) Na segunda estrofe, há um diálogo? Justifique sua resposta.
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8. (Uel) Leia o fôlder a seguir.
Com base na leitura do fôlder, responda aos itens a seguir.
a) O que difere o uso dos termos sublinhados nas sentenças “Consulte sempre um médico ao perceber os
sintomas” e “Os sintomas iniciais podem ser semelhantes aos da gripe”?
b) Na frase “Assim como a gripe, a pneumonia pneumocócica pode ser prevenida através da vacinação”,
se fosse omitida a expressão “como a gripe”, o sentido original estaria mantido? Por quê?
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9. (Uel) Leia a tirinha a seguir.
A tirinha apresenta um ruído na comunicação entre as personagens.
Explique as circunstâncias que provocaram a incompreensão da mensagem por parte da personagem Edibar
da Silva e o que poderia ser feito para desfazer o equívoco.
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10. (Uel) Leia o texto a seguir.
O Encanto Feminista
Em seu primeiro discurso na ONU como embaixadora da Boa Vontade para Mulheres, a atriz britânica de 24
anos Emma Watson surpreendeu. Famosa por interpretar a astuta Hermione – a melhor amiga do bruxo
Harry Portter – a atriz jogou um novo encanto sobre o feminismo. Conquistou repercussão mundial e sua fala
acabou se transformando em ação de marketing contra o site 4chan, que recentemente abrigou fotografias
de artistas nuas como Jennifer Lawrence e Kim Kardashian, e mobilizou anônimos e famosos a aderir à
campanha “HeForShe”. O principal ponto de seu discurso foi o chamamento aos homens para entrarem na
causa. Disse a atriz que o feminismo não pode ser confundido com ódio aos homens e que a participação
masculina é essencial para que a igualdade de gêneros seja alcançada. “Se não se obriga um homem a
acreditar que precisa ser agressivo, a mulher não será submissa. Quero que os homens se comprometam
para que suas filhas, irmãs e mães se libertem do preconceito e também para que seus filhos sintam que têm
permissão para ser vulneráveis, humanos e uma versão mais honesta e completa deles mesmos”, disse.
(BOECHAT, R. IstoÉ. 1 out. 2014. Semana. ano 38. n.2340. p.23.)
Observe, a seguir, a pontuação utilizada em três fragmentos do texto.
I. Famosa por interpretar a astuta Hermione – a melhor amiga do bruxo Harry Portter – a atriz jogou um
novo encanto sobre o feminismo.
II. Conquistou repercussão mundial e sua fala acabou se transformando em ação de marketing contra o
site 4chan, que recentemente abrigou fotografias de artistas nuas como Jennifer Lawrence e Kim
Kardashian, e mobilizou anônimos e famosos a aderir à campanha “HeForShe”.
III. Quero que os homens se comprometam para que suas filhas, irmãs e mães se libertem do preconceito
e também para que seus filhos sintam que têm permissão para serem vulneráveis, humanos e uma
versão mais honesta e completa deles mesmos.
A partir da leitura do texto e dos três fragmentos, responda aos itens a seguir.
a) Explique e compare o uso dos travessões duplos no fragmento I com o uso das vírgulas no fragmento II.
b) Compare o uso das vírgulas nos fragmentos II e III.
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11. (Uel) Leia o poema a seguir.
desencontrários
Mandei a palavra rimar,
ela não me obedeceu.
Falou em mar, em céu, em rosa,
em grego, em silêncio, em prosa.
Parecia fora de si,
a sílaba silenciosa.
Mandei a frase sonhar,
e ela se foi num labirinto.
Fazer poesia, eu sinto, apenas isso.
Dar ordens a um exército,
para conquistar um império extinto.
LEMINSKI, P. Toda poesia. São Paulo: Companhia das Letras, 2013. p. 190.
No que diz respeito aos procedimentos formais verificados (rimas, sonoridade e jogos de palavras) e aos
sentidos construídos, relacione os dois primeiros versos ao restante do poema.
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12. (Uel) Leia o trecho a seguir, do conto Onde os oceanos se encontram, de Marina Colasanti.
Tocada por tamanha paixão, concordou a Morte, instruindo Lânia: na maré vazante deveria colocar o
corpo do moço sobre a areia, com a cabeça voltada para o mar. Quando a maré subisse, tocando seus
cabelos com a primeira espuma, ele voltaria à vida.
Assim fez Lânia. E assim aconteceu que o moço abriu os olhos e o sorriso. Mas em vez de sorrir só
para ela que o amava tanto, desde logo sorriu mais para Lisíope, e só para Lisíope parecia ter olhos.
De nada adiantavam as insistências de Lânia, as desculpas com que tentava afastá-lo da irmã. De
nada adiantava enfeitar-se, cantar mais alto do que as ondas. Quanto mais exigia, menos conseguia. Quanto
mais o buscava para si, mais à outra ele pertencia.
COLASANTI, M. In: Doze Reis e a moça no labirinto do vento. 12. ed. São Paulo: Global, 2006. p. 44.
a) Nos dois últimos períodos, há orações subordinadas. Transcreva essas orações e classifique-as
sintaticamente.
b) Em “menos conseguia” e “mais à outra ele pertencia”, a relação de sentido que se estabelece é de
oposição ou de igualdade? Justifique, relacionando com personagens do conto.
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Gabarito:
Resposta da questão 1:
a) Os trechos em que a conjunção condicional “se” é utilizada, como “Se o padre diretor ao chamar o
estudante ao seu quarto lhe tivesse dito simplesmente [...]”, “se tivesse procedido assim [...]” ou “Se por
seu lado também a senhora Antunes [...]” reforçam a ideia de possibilidade, ações que poderiam ter sido
realizadas pelo diretor e pela mãe de Eugênio para evitar o sofrimento do rapaz, seja a desistência do
“estado eclesiástico” ou maior sensibilidade quanto ao filho e aos seus sentimentos, as quais seriam
capazes de alterar o desfecho do romance. Portanto, o narrador desaprova tais posicionamentos.
b) Nesse trecho, o verbo “poder” está conjugado na terceira pessoa do presente do indicativo, “pode”,
concordando com “esse afeto”; por outro lado, “podes” está conjugado na segunda pessoa do singular do
presente do indicativo, por estar ligado a uma menção direta a Eugênio.
Resposta da questão 2:
a) No período, a oração sublinhada tem o sentido de condição, podendo ser classificada como
subordinada adverbial condicional; essa oração é reduzida; se a desenvolvermos, ela deverá ser escrita:
“se puder” ou “caso possa”.
b) No período original, o adjetivo “desgraçada” caracteriza Teresa; é, portanto, o predicativo do objeto
direto “me”. Essa interpretação é reforçada na sequência do período -– “porque me parece que os
desgraçados são os que mais precisam de amor e de conforto” —, em que se nota o desejo de Teresa de
ser incluída entre os “desgraçados”, pois precisa de amor e conforto. A inserção da vírgula após “assim”
abre a possibilidade de termos um vocativo -– “desgraçada” -–, que, por sinal, seria incoerente no texto,
uma vez que a carta se dirige a um homem, Simão Botelho.
Resposta da questão 3:
a) Não. A palavra ALVO existe tanto como adjetivo (com o significado de “branco”) quanto como
substantivo (com o significado de “meta”). Segundo o texto, o que antes era somente adjetivo passou a ser
também substantivo: antigamente, em competições envolvendo mira, o ponto mais central de um desenho
com círculos concêntricos era branco, ou “alvo”; logo, o que antes caracterizava a cor do círculo passou a
designar o nome dele e, por extensão, de tudo aquilo que se quer mirar e atingir.
b) As palavras “album” e “álbum” se aproximam se considerarmos não só o fato de “álbum” ter-se
originado de “album”, como também porque ambos são objetos onde se afixam/colam coisas: avisos,
peças, assinaturas, fotografias, poemas, letras de músicas. Porém, essas palavras se afastam na medida
em que hoje o objeto mudou e não há mais relação com a cor.
Resposta da questão 4:
a) A expressão que se aproxima de “tintim por tintim” é “plim-plim por plim-plim”, porque, assim como
aquela, também é onomatopaica. O “plim-plim” é usado para fazer referência à TV (Globo) e reproduz o
som dos intervalos entre as exibições televisivas. Já “sim-sim por sim-sim” não se aproxima porque diz
respeito ao comportamento da “moça”, que se mostra namoradeira. Repetidamente ela diz “sim” aos novos
namorados. A expressão “quindim por quindim” tampouco se aproxima da definição de “tintim por tintim”,
uma vez que seu uso, no qual a palavra “quindim” vem repetida para reforçar a caracterização do “gordo” e
de sua gula.
b) A preposição “por” apresenta sentidos diferentes se comparamos as expressões “tintim por tintim”, “sim-
sim por sim-sim” e “quindim por quindim” com “por dois trizes”: nas três primeiras ocorrências, ela separa
expressões ou palavras repetidas; serve, portanto, para enfatizar essa repetição e propiciar a ideia de
encadeamento de ações. Já em “por dois trizes”, a preposição é empregada para marcar a passividade de
“dois trizes”, o qual se classifica como agente da passiva na oração em que se insere. Assim, seriam os
“dois trizes” os responsáveis pela formação da “menor partícula do último átomo”.
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Resposta da questão 5:
A palavra que provoca o efeito humorístico na tirinha é “tem”, pois há dois sentidos para esse verbo,
apreendidos no texto: o de “experimentar em seu organismo; sentir” e o de “possuir para uso, serviço ou para
estar à disposição de” (cf. “ter”, in: Dicionário Houaiss da língua portuguesa, 2009, p. 1830) Na primeira
ocorrência desse verbo, quem o usa é a personagem Edibar, que, preocupado com o desmaio do sorveteiro,
pede que seu amigo Zé vá acudi-lo, vá ver o que ele “tem”, isto é, como ele está passando, seu estado de
saúde. Entretanto, Zé não entende isso; ele chega a se aproximar do sorveteiro, mas não com a intenção de
ajudá-lo ou de verificar se está bem; ao retornar, traz apenas a informação sobre os sabores dos sorvetes, o
que evidencia que entendeu de modo diferente o uso do verbo “ter”. Trata-se da polissemia do verbo “ter”.
Resposta da questão 6:
Espera-se que o candidato perceba que a tirinha da personagem Mafalda é uma narrativa humorística
permeada de ironia composta pela relação entre dois códigos: a linguagem verbal e a linguagem não verbal,
de igual forma importantes para o entendimento da mensagem. Mafalda critica os problemas por que passa o
planeta, o que desencadeia, em consequência, prejuízos variados para o meio ambiente e a sociedade como
um todo. O candidato poderá alicerçar seus argumentos destacando que fatos culturais, econômicos e
políticos dificultam a aplicação e a eficácia de normas legais de monitoramento e proteção do meio ambiente.
A falta de educação ambiental e de consciência da população sobre o papel que a natureza desempenha na
vida humana também são fatores agravantes desse contexto dramático, tornando as projeções de futuro
pessimistas.
Resposta da questão 7:
a) O eu lírico assume a posição de observador na primeira parte do poema, descrevendo os romeiros de
forma geral, enquanto caminham à igreja. Percebe-se certo tom crítico do eu lírico nos dois últimos versos
da quarta estrofe e ao enumerar os elementos na quinta estrofe, incompatíveis com o local, a igreja. Da
sexta à nona estrofe, os romeiros fazem suas preces e cada um está retratado individualmente: o leproso,
cuja menção à lepra o caracteriza, pede amor; outro romeiro de poucas posses pede dinheiro; o terceiro,
motivado pelo ciúme, quer coragem para cometer um assassinato, e o quarto, ladrão, pede para não ser
preso. Em todas as preces, vê-se a quebra de expectativa do que se espera de um penitente – o
arrependimento – e os pedidos que, de certo modo, provocam o humor. Ao final, o eu lírico novamente
assume a posição de distanciamento descritivo e de crítica.
b) Sim, há diálogo. Embora não apareçam todas as marcas do diálogo, como o travessão do discurso
direto, nota-se, com clareza, a distinção entre os sinos que chamam “Vinde lavar os vossos pecados.” e a
resposta dos romeiros “Já estamos puros, sino, obrigados,”. A forma imperativa “vinde”, o vocativo “sino” e
o termo “obrigados” são marcas desse diálogo.
Resposta da questão 8:
a) O termo “ao” está introduzindo uma oração subordinada adverbial reduzida temporal, podendo ser
desenvolvida da seguinte forma: “Consulte sempre um médico quando perceber os sintomas.” Nesse
sentido, também está indicando em qual momento ou circunstância temporal o médico sempre deverá ser
consultado. Quanto ao termo “aos”, observa-se que o adjetivo “semelhantes” é regido pela preposição “a”,
contraindo-se com o artigo “os”, que está substituindo o substantivo “sintomas” (flexionado no plural),
evitando sua repetição (Os sintomas iniciais podem ser semelhantes aos sintomas da gripe). Assim, no
primeiro caso, por se tratar de uma função conectiva (conjunção), o termo mantém-se no singular. No
segundo, diante de uma função envolvendo substituição de um substantivo no plural, a preposição se
contrai com um termo no plural.
b) Não, porque, na frase original, há uma relação de comparação estabelecida pelo conectivo “assim
como”. Nessa relação, há dois elementos em comparação: “gripe” e “pneumonia pneumocócica”. Com a
omissão da expressão “como a gripe”, estabelece-se uma relação de conclusão referente somente à
pneumonia.
Resposta da questão 9:
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A fala do juiz em primeira pessoa provoca a incompreensão de Edibar da Silva sobre a pessoa a quem é
atribuída a responsabilidade do pagamento da pensão determinada em decisão judicial na ação de desquite.
O fato de Edibar concordar e ainda se oferecer para contribuir com pequenos valores não só confirma essa
incompreensão, como também instaura humor na tirinha. Para desfazer o equívoco, o juiz deveria ser
explícito na mensagem, substituindo o verbo “dar” por “conceder” e mencionar a pessoa responsável por
esse pagamento, como por exemplo: vou conceder à sua ex-esposa o direito de receber o valor de dez mil
reais de pensão, cujo pagamento será de sua inteira responsabilidade.
Resposta da questão 10:
a) No fragmento I, os travessões isolam e destacam um aposto de uma personagem interpretada pela
atriz, o qual, por sua vez, poderia ser isolado pela vírgula. No fragmento II, as vírgulas isolam uma oração
subordinada adjetiva explicativa cujo propósito é apontar a razão da repercussão mundial do site 4chan.
Nesse caso, tais vírgulas poderiam ser substituídas pelos travessões, assim como os travessões pelas
vírgulas. Em ambos os casos, as vírgulas e os travessões isolam trechos que correspondem a
informações adicionais e acessórias.
b) Diferentemente do que ocorre no fragmento II, em que a vírgula serve para isolar uma oração
subordinada adjetiva explicativa, no fragmento III, as vírgulas servem para separar itens de uma
enumeração, ou seja, elementos coordenados entre si: na primeira linha, “filhas” e “irmãs”; na segunda,
“vulneráveis” e “humanos”.
Resposta da questão 11:
Os dois primeiros versos do poema – “Mandei a palavra rimar, / Ela não me obedeceu” – mostram o eu
lírico em seu processo de criação. Ali, há a expectativa de que a palavra rime, seguida da constatação de
que ela desobedece a essa ordem. Ao longo do poema, quanto à forma, encontram-se rimas externas
(rosa/prosa) e internas (sinto/extinto), sonoridade (“sílaba silenciosa”) e jogos de palavras, embora o eu
lírico afirme que ela não obedeceu a ele. No que diz respeito aos sentidos, o poema mantém o tom
conflituoso, e até paradoxal, que descreve esse embate entre poeta e palavra. A ideia de liberdade e
desobediência, exposta nos versos iniciais, confirma-se ao longo do poema em versos como “parecia fora
de si” ou “se foi num labirinto”.
Resposta da questão 12:
a) Quanto mais exigia. Quanto mais o buscava para si. Orações subordinadas adverbiais proporcionais.
b) A relação de sentido que se estabelece entre as duas orações apresentadas no enunciado é de
igualdade. Embora utilize conjunções diferenciadas (quanto mais... menos e quanto mais... mais), o
sentido aditivo de “mais” na segunda não altera o sentido negativo expresso em ambas as orações.
Embora “mais à outra ele pertencia” tenha um sentido aditivo, isso reforça a ideia de que Lânia menos
conseguia. A “outra” se refere à sua irmã, Lisíope, por quem o moço se apaixona.
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