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Projeto de Recomposição da Flora PTRF

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PROJETO TÉCNICO DE RECOMPOSIÇÃO DA FLORA

PTRF

PROJETO
TÉCNICO DE
RECOMPOSIÇÃO
DA FLORA

Dezembro de 2024

Rua Livio Froes Otoni, nº 68 A. Centro, Almenara – MG. CEP: 39.900-000


Tel: (33) 99812-5763. Email: pauloleaoagro@[Link]
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1. INFORMAÇÕES GERAIS

1.1 IDENTIFICAÇÃO DA PROPRIEDADE:


 Nome: Associação Quilombola da Comunidade Marobá dos Teixeira
 Área total da propriedade: 1.794 hectares
 Registro: 1.115, Livro 011, Folha 131 de 16/05/1986 – Fundação
Cultural Palmares.
 Município: Almenara - MG
 Área total do Projeto: 0,33 hectares
 Roteiro de localização da propriedade: Partindo da cidade de
Almenara- MG sentido Bandeira 30 km, virando a esquerda na
ladeira da raiz sentido a comunidade Padre Valdir percorrendo por
mais 2 km até chegar a referida propriedade.

1.2 IDENTIFICAÇÃO DO REQUERENTE:


 Nome: Jairo Soares de Souza
 Cpf: 097.424.906-86
 Endereço: Rua Anisio Moreira de Araújo, nº 136 / Adelita Torres
 Cep: 39900-000
 Município: Almenara-MG

1.3 SOLICITANTE:
 MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS, em
resposta ao Processo nº 5005359-83.2022.8.13.0017.

1.4 IDENTIFICAÇÃO DO RESPONSÁVEL TÉCNICO:


 Nome: Paulo Leão de Almeida
 Endereço: Rua Lívio Froes Otoni, Nº 68, Centro
 Cep: 39900-000
 Município: Almenara-MG
 E-mail: pauloleaota@[Link]
 Título Profissional: Engenheiro Agrônomo
 Registro no CREA-MG: 251254/D

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2. IDENTIFICAÇÃO DA ÁREA

Figure 1: Croqui da Área Total de Comunidade Marobá dos Teixeira via Google Earth

Figure 2: Croqui da Área do PTRF

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Figure 3: Área do PTRF

Memorial da área do PTRF.

Inicia-se a descrição deste perímetro no vértice P 01, definido pelas coordenadas


E 335.112,58 e N 8.226.670,66 com azimute 348°17'22,64'' e distância de 71,84 m até o
vértice P 02, definido pelas coordenadas E 335.098,00 e N 8.226.741,00 com azimute
344°10'50,90'' e distância de 62,36 m até o vértice P 03, definido pelas coordenadas
E 335.081,00 e N 8.226.801,00 com azimute 284°02'10,48'' e distância de 8,25 m até o
vértice P 04, definido pelas coordenadas E 335.073,00 e N 8.226.803,00 com azimute
181°23'49,85'' e distância de 123,04 m até o vértice P 05, definido pelas coordenadas
E 335.070,00 e N 8.226.680,00 com azimute 102°22'19,16'' e distância de 43,59 m até o
vértice P 01, encerrando este perímetro.
Todas as coordenadas aqui descritas estão georreferenciadas ao Sistema Geodésico
Brasileiro, a partir, de coordenadas N e E, e encontram-se representadas no Sistema U T M,
referenciadas ao Meridiano Central nº 39°00', fuso -24, tendo como datum o WGS-84.
Todos os azimutes e distâncias, área e perímetro foram calculados no plano de projeção
UTM.

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3. INTRODUÇÃO:

“Segundo a resolução Conama Nº001 de janeiro de 1986, o impacto ambiental é


definido como qualquer alteração das propriedades físicas, químicas e biológicas do meio
ambiente, causada por qualquer forma de matéria ou energia resultante das atividades
humanas que, direta ou indiretamente, afetam a saúde, a segurança e o bem-estar da
população; as atividades sociais e econômicas; a biota; as condições estéticas e sanitárias do
meio ambiente; e a qualidade dos recursos ambientais".

4. OBJETIVO GERAL:

O presente PTRF - Projeto Técnico de Recomposição de Flora, tem como objetivo


apresentar tomando como base a legislação ambiental em vigor projeto para recomposição
da área (0,33 hectare) causada pela intervenção de supressão de vegetação nativa (desmate)
com características Fisionômicas de Floresta Estacional Semidecidual no estágio médio de
regeneração no Bioma Mata Atlântica na Comunidade Quilombola Marobá dos Teixeira.

5. CARACTERIZAÇÃO AMBIENTAL:

Para a caracterização ambiental da área do Projeto Técnico de Recomposição da


Flora foram levantados dados primários do local e dados secundários. Os dados
primários foram levantados através da visita ao local a ser recuperado e os dados se-
cundários foram levantados através de pesquisas bibliografias.

6. CARACTERIZAÇÃO CLIMÁTICA:

A região do Baixo Jequitinhonha caracteriza-se como área de transição ecogeográfica:


do Sudeste para o Nordeste Brasileiro, onde uma parcela significativa que corresponde ao
Bioma Caatinga entra em contato ecossistêmico com a Mata Atlântica. A região é marcada
por áreas descontínuas de Floresta Ombrófila Aberta, Caatinga e Biomas resultantes dos
contatos entre estes dois (Rezende [Link]., 2008). Segundo dados cedidos pelo CPTEC, a região
de Almenara apresenta temperatura média anual de 25,1°C e precipitação volumétrica anual
de 800 - 1200 mm. De acordo com a Classificação Climática de Köppen (WIKIPÉDIA,
2009), o clima predominante da região é tropical, semi-úmido e notadamente sazonal, com
verão chuvoso e inverno seco.

7. CARACTERIZAÇÃO EDÁFICA:

O relevo característico da área de intervenção é suave ondulado. Do ponto de vista


geológico estas áreas são de domínio de rochas pré-cambrianas. O solo característico da área
é predominantemente de latossolo vermelho, com maior concentração de argila. (Ribeiro et
al., 1999).

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Morfologicamente, a região apresenta-se em um domínio de região suave ondulada,


embora o trecho esteja inserido em uma microrregião com características nitidamente
montanhosas, constituindo o ciclo “Sul Americano” (Campos, [Link]., 2001).

8. CARACTERIZAÇÃO HÍDRICA:

Na propriedade apresenta ocorrência de um curso d’água chamado Córrego do


Marobá, sendo a principal fonte de uso para consumo humano e dos animais por captação
proveniente de um Projeto de Abastecimento coletivo de Água na Comunidade Quilombola
Marobá dos Teixeira.
A região do JQ3 é composta por inúmeras nascentes e córregos que deságuam no
corpo hídrico principal. O local do PTRF apresenta nas proximidades nascentes e córregos
que deságuam no Rio Jequitinhonha (IGAM, 2017).

9. INVENTÁRIO DA FLORA

Flora
A localidade apresenta Fitofisionomia de Floresta Estacional Decidual:

Tabela 1: Lista das espécies comumente encontradas. (Fonte: ICMBio)

Aroeira-do-sertão Myracrodruon urundeuva


Braquiária Brachiaria decumbens
Angico-verdadeeiro Anadenanthera colubrina
Sete Casca Samanea inopinata (Harms) Ducke
Malva Malva sylvestris L.
Côco catolé Syagrus cearensis
Periqueteira Guazuma ulmifolia

Juazeiro Zizyphus joazeiro Mart.


Jurema Mimosa tenuiflora
Leiteiro Peschiera fuchsiaefolia (DC) Miers
Catanudo Cedrelinga cateniformis
Carne de vaca Pterogyne nitens Tul.

Unha-de-Gato Acacia langsdorfii Benth

Entre outras que se fazem presentes.

10. INVENTÁRIO DA FAUNA

Fauna

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Tabela 2: lista das espécies faunísticas comumente encontradas (Fonte:


ICMBio)

Anu-preto Crotophaga ani


Alma-de-gato Piaya cayana
Bem-te-vi Pitangus sulphuratus
Canário Sicalis flaveola brasiliensis
Cascavel Crotalus durissus
Tatu-peba Euphractus sexcintus
Coral-verdadeira Micrurus frontalis
Jararacuçu Bothrops jararacussu
Jararaca Bothrops jararaca
Jibóia Boa constrictor
João-de-barro Furnarius rufus
Juriti Leptotila verreauxi
Saruê Didelphis albiventris

Entre outras que se fazem presentes.

11. PTRF - Projeto Técnico de Reconstituição de Flora

11.1 JUSTIFICATIVA DA LOCAÇÃO DA PTRF

A área em questão trata-se de uma propriedade rural de 1.794 hectares situada na


comunidade Quilombola Marobá dos Teixeira, município de Almenara-MG, com
predominância da Agricultura Familiar, onde moram cerca de se produz frutas, hortaliças e
criação de pequenos animais, dentre outras atividades que complementam a renda familiar.
Boa parte da propriedade está formada por espécies nativas.
O MORADOR DA COMUNIDADE, o Sr. Jairo que utiliza uma área de cerca de 20
ha cedida pelo seu cunhado, fez a retirada da vegetação constituída por espécies nativas da
região em uma área de 0,33 hectares para aumentar a sua área de agricultura visando obter
produção de mandioca e outras culturas anuais que são comercializados na feira livre e
entregue em programas sociais como PAA e PNAE.
Nos termos do Novo Código Florestal (Lei n. 12.651/12), o proprietário ou possuidor
de imóvel com passivo ambiental, ou seja, com danos ambientais, está obrigado a promover a
reparação da área, ainda que a degradação tenha ocorrido em momento anterior e/ou por
responsabilidade de outra pessoa.
Obedecendo a legislação vigente, e ainda como citado anteriormente, este projeto visa
promover o enriquecimento local da vegetação por meio de regeneração natural e adotar
medidas concretas para melhoria das condições ambientais da referida área da propriedade.
Será realizado um manejo das espécies nativas arbustivas e arbóreas presentes no local
para recompor naturalmente a área onde predominam espécies nativas em plena regeneração.
.

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12. PRÁTICAS PARA RECUPERAÇÃO DA ÁREA

12.1 Reconstituição da Flora

Entre as técnicas mais importantes para a recuperação de ecossistemas florestais


degradados, podem ser citadas: a revegetação, que seleciona espécies dos três grupos
ecológicos; a escolha de espaçamento e arranjo, a condução da regeneração natural e os
plantios de enriquecimento (BARBOSA, 2006), ainda, atualmente são utilizadas SAFs
(sistemas agroflorestais).
Para que ocorra regeneração natural em uma área virtualmente degradada ou em
processo de degradação, são necessárias algumas condições, como o cessar dos processos
causadores da degradação, entre eles pastoreio e incêndios, a existência de fonte de
propágulos (banco de sementes do solo, chuva de sementes), presença de dispersores, boas
condições microclimáticas e edáficas, ausência de predadores e agentes antrópicos, para o
estabelecimento e ocorrência do ciclo de vida completo das plântulas (FARIA et al., 2001).
A área em questão já se encontra isolada e em pleno vigor vegetativo há cerca de dois
anos, havendo uma regeneração natural das plantas nativas de crescimento primário,
secundário, e plantas de pequeno médio e grande porte, onde já se encontra no estado de
capoeira.
O ecossistema florestal necessita de um longo período para atingir o equilíbrio. O
tempo necessário para a produção de uma floresta madura varia de 6 (seis) a 7 (sete) anos, a
depender das espécies nativas em sua composição.
Esse processo não é somente demorado, mas também complexo. Sob condições
naturais, ele se inicia com o estabelecimento de indivíduos jovens de espécies invasoras
(pioneiras), que serão paulatinamente substituídos por outras espécies, através de um
complexo processo de interações que formam a base da ciência da ecologia florestal. Esse
desenvolvimento ecológico é chamado de sucessão.
No primeiro e segundo ano serão feitas novas avaliações da área que permanecerá
fechada, para estabelecer novas ações a serem realizadas se caso a regeneração natural não se
mostrar eficaz, devendo assim estabelecer um enriquecimento com plantios de sementes de
espécies nativas para contribuir com o fechamento total da área.

12.2 Combate a formigas cortadeiras

Será utilizada isca formicida granulada e MIP (Micro Porta Isca) de acordo com a
intensidade da ocorrência dos formigueiros no combate inicial e também nos repasses futuros,
na dosagem de 10 g de isca por m² de terra solta do formigueiro quando necessário.

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12.3 Isolamento total da área em questão

A área em questão já se encontra isolada, com cerca de arame farpado e estacas de


madeira de branca em toda a sua extremidade, e assim permanecerá sem nenhuma outra
intervenção ambiental, nem entrada de animais, passando por acompanhamento profissional
por no mínimo de 2 (dois) anos e no Maximo 5 (cinco) anos, para garantir a recomposição da
vegetação nativa.

12.4 Coveamento e Adubação

Não serão realizados nesse primeiro momento, e se preciso for, será realizado após
monitoramento no primeiro e segundo ano.

12.5 Plantio de árvores

A área em questão apresenta elevado potencial de regeneração natural, não havendo a


necessidade de plantio de árvores nesse primeiro momento, e se preciso for, será realizado
após monitoramento no primeiro e segundo ano utilizando espécies nativas da região com um
possível plantio de enriquecimento.

13. CRONOGRAMA DE AÇÕES:

13.1 IMPLANTAÇÃO, MANUTENÇAO/ MONITORAMENTO:


IMPLANTAÇÃO TRATOS CULTURAIS
ITEM ATIVIDADES
JAN FEV MAR ABR 1º ANO 2º ANO
1 CERCAMENTO DA ÁREA
2 COMBATE A FORMIGAS X X X X X X
3 MONITORAMENTO X X X X X
4 MANUTENÇÃO X X
5 COVEAMENTO X X
6 PLANTIO / ADUBAÇÃO X X
OBS: Itens 5 e 6 no 1° e 2º ano somente serão realizados se for necessário após avaliações
anuais.

14. ANÁLISE DOS IMPACTOS AMBIENTAIS

É importante salientar que toda atividade que gere modificação no meio, em qualquer
que seja a área, necessita de um planejamento adequado, orientador das atividades
impactantes, e das medidas de controle ambiental durante as fases de implantação, operação e
reabilitação das áreas degradadas.
É de fundamental importância que o produtor tenha consciência que ele é o
responsável pelo passivo ambiental gerado e assim terá de tomar providências técnicas

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sempre que for necessário. A implantação do PTRF deverá ser feita dentro de normas técnicas
de utilização e preservação de solo. Como não houve supressão de vegetação de grande
porte, será realizada a recomposição na faixa exigida pela Legislação Estadual.

15. BIBLIOGRAFIA:

a. BARBOSA, L. M. (Coord.). Manual para recuperação de áreas degradadas do estado de


São Paulo: matas ciliares do interrior paulista. São Paulo: Instituto de Botânica, 2006.
128p.
b. BERTONI, José. Conservação de Solo/ José Bertoni e Francisco Lombardi Neto. Livro
ceres, 1985. 392p.
c. FARIA, H. H.; SÉRGIO, F. C.; GARRIDO, M. A. O. Recomposição da vegetação ciliar
integrada à conservação de microbacia. Revista do Instituto Florestal, n.21, p.1-22, 2001.
d. LORENZI, Harri, 1949 - Árvores brasileiras: Manual de Identificação r Cultivo de Plantas
Arbóreas do Brasil. Vol. 1 e 2 .
e. LORENZI, Harri, 1949 - Manual de identificação e controle de plantas daninhas.
f. THIBAU, C. E., Produção Sustentada em Florestas.
g. CARVALHO, J. C. de M., A conservação da Natureza e Recursos Naturais na
Amazônia Brasileira.
h. [Link], Instituto Estadual de Florestas de Minas Gerais, Legislação
Ambiental vigente no Estado de Minas Gerais.

16. ANOTAÇÃO DE RESPONSABILIDADE TÉCNICA.

ART Nº: MG20243582826

17. RESPONSÁVEL TÉCNICO

______________________________________________
Engenheiro Agrônomo: Paulo Leão de Almeida
CREA-MG: 251254/D

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18. ANEXO FOTOGRÁFICO

Figura 1: Área de capoeira em formação

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Figura 2: Capoeira rala em processo de regeneração natural

Figura 3: Vegetação nativa em processo de regeneração natural

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Figura 4: Vegetação nativa local em plena regeneração

Figura 5: Plantas arbustivas e de médio porte já estabelecidas na área do PTRF

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Figura 6: Área do PTRF cercada com arame farpado e madeira branca em pleno vigor vegetativo

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