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Comunicação e Linguagem: Conceitos Básicos

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Ficha de leitura

PROCESSO DE COMUNICAÇÃO (Linguagem, Língua e Fala)

COMUNICAÇÃO proveniente do Latim ''communicatione'', derivação de communis (comum), que significa


acto ou efeito de emitir, transmitir e receber mensagens por meio de processos convencionais, quer através da
linguagem falada ou escrita, quer de outros sinais, signos ou símbolos, quer de aparelhamento técnico
especializado (sonoro ou visual).

1. LINGUAGEM é o processo por meio do qual os homens transmitem mensagens entre si, servindo-se de sons
articulados (palavra oral), de representação gráfica dos mesmos sons (palavra escrita), e de gestos (a gestual).

Designa também todo sistema de signos (palavras, sinais, sons, símbolos, imagens, gestos) utilizado socialmente
para estabelecer comunicação, sendo uma faculdade que o ser humano possui de expressar seus estados mentais.
Os tipos de linguagens são:

1.1. Verbal: código oral e escrito;

1.2. Não verbal: imagens, sons, gesticulação ou mímica...

1.3. Mista ou combinada: confluência de linguagem verbal e não verbal.

2. LÍNGUA é conjunto de elementos convencionais que permitem o exercício da faculdade de linguagem. Ou


ainda, é uma estrutura gramatical, com expressão falada e/ou escrita, que permite indivíduos de determinada
colectividade materializarem sua capacidade de linguagem.

3. FALA é o uso individual da língua por parte de cada um dos falantes.

TIPOS DE COMUNICAÇÃO

1. COMUN. BILATERAL (diálogo ou intercâmbio) _ que ocorre em dois sentidos.

2. COMUN. UNILATERAL (um emissor e vários receptores)_ que ocorre num só sentido.

3. COMUN. MULTIDIRACIONAL (discurso público) _ ocorre em vários sentidos.

4. COMUN. MONOLÓGICA (monólogo)_ o locutor exerce papel de emissor e receptor simultaneamente.

ELEMENTOS DA COMUNICAÇÃO

a) Emissor/remetente/locutor/destinador/enunciador – o órgão responsável pela partida da mensagem;


adequando-se à socio-linguística do receptor. (Emotiva ou Expressiva).

b) Receptor/ouvinte/destinatário/interlocutor – aquele a quem se destina a mensagem e a descodifica;


(Apelativa ou Imperativa).

c) Mensagem – o texto ou a informação; (Poética).

d) Código – é conjunto de regras e convenções que permitem ordenar e combinar os sistema de sinais usados na
comunicação; (Metalinguística).

e) Canal – é o meio, modo, via ou intermediário pelo qual circula natural ou artificialmente a mensagem
(papel, internet, rede telefónica, ar...). (Fática).

f) Signo/Contexto – é a unidade linguística da linguagem verbal e não verbal, que tem referente, significante e
significado, isto é, o contexto da mensagem; (Informativa ou Referencial).

g) Ruído _ é todo elemento que interfere negativamente na comunicação.

ESPECIFICIDADES DA COMUNICAÇÃO ORAL E ESCRITA

Em vários casos do uso da língua, sobretudo da comunicação, registam-se duas variantes de utilização: língua
oral e escrita. Todavia, há diferenças nítidas entre as duas modalidades:
Comunicação Oral é aquela feita no momento ou efémero (aqui e agora), e que denota: entoações; frases
interrompidas; frases curtas; repetições; pausas constantes; sintaxe simplificada; afastamento de normas
gramaticais...

Comunicação Escrita é aquela diferida (retardada), permanente e de maior exigência, que denota: uso da
pontuação; frases longas; uso de palavras pouco comuns; sintaxe apurada e complexa; respeito às regras
gramaticais...

Oral Escrito
+ Dependência contextual -

Permanência
Efemeridade

- Planificação, controle +
+ Manobras de reforço e correcção -
- Prescrições formais, normalização +
- Distância +

ESCRITA PROCESSUAL

É a que concebe o texto como uma construção e não como um produto acabado ou final, com a valorização de
todas etapa da tal construção: pré-escrita (planificação); escrita (textualização); e pós-escrita (revisão).

a) Planificação é a fase de geração (organização e enquadramento) de ideias ou conteúdos.

b) Textualização é a fase de conversão em linguagem escrita e em texto o material seleccionado, agrupado e


organizado na etapa anterior.

c) Revisão é a fase que consiste na (re)leitura do texto para aperfeiçoamento e correcções.

FIGURAS DE ESTILO OU VÍCIOS DA LINGUAGEM

São estratégias literárias ou meios linguísticos que o escritor pode aplicar no texto para conseguir um efeito
imprevisto na interpretação do leitor. Pode ser analisado em vários níveis, como: fonológico, morfológico,
sintáctico e semântico. Ou ainda, são palavras ou construções que deturpam, desvirtuam ou dificultam a
manifestação do pensamento, seja pelo desconhecimento das normas cultas, seja pelo descuido do emissor.
1. Assonância: repetição consecutiva dos mesmos sons vocálicos em várias palavras.
Ex.: "Desejo de ser eu mesmo de meu ser me deu." (Fernando Pessoa)
2. Aliteração: repetição consecutiva dos mesmos sons consonânticos em várias palavras.
Ex.: "Patos e pássaros com patas partidas pretendem pôr paus nos pés." (anónimo)
3. Onomatopeia e palavra onomatopaica: criação de palavras a partir da imitação de sons ou ruídos da
natureza.
Ouvia-se o blém-blém do sino da igreja a cada hora. (onomatopeia)
Quando oiço o tic-tac, tic-tac do relógio, eu também tiquetaqueio de raiva. (onomatopeia/onomatopaica); Não
gosto do miar de gatos. (palavra onomatopaica).
5. Zeugma: omissão de um termo já mencionado.
Ele lecciona Física, e eu Química.
6. Animismo ou prosopopeia: dar vida aos seres inanimados.
Ex.: As pedras choram por falta de água. (anónimo)
O telefone gritava enlouquecido, mas ninguém o atendia.
7. Personificação: dar qualidades humanas a animais irracionais.
Ex.: As galinhas e cabritos riam-se das pessoas enquanto fugiam. (anónimo)
8. Hipérbole: exagero na expressão, produzida por emoção intensa.
Ex.: Chorarei rio de lágrimas, se me deixares.
Faz um calor de assar pássaros nas árvores!
Ter seus 100kz, foi o melhor presente da minha vida!
9. Metáfora: comparação implícita por alguma relação de semelhança. Ou ainda, aproximação de dois termos
que se assemelham no todo ou em parte (Comparação).
Ex.: "O coração da é um mar profundo cheio de segredos" (In Titanic)
Domino esta matéria como um peixe na água.
Os inteligentes são humildes como a natureza.
10. Eufemismo: atenuação de uma ideia por meio de boas palavras. (Disfemismo é acentuar o carácter
desagradável da palavra)
Ex.: Ele faltou com a verdade. (mentiu)
Hoje vieste mais alegre da discoteca. (bêbedo)
Deus chamou a sua alma num mundo melhor que este. (morreu)
11. Ironia: forma dissimulada, ou pensamento contrário do que se quer transmitir.
Ex.: Escreves tão bem, por isso é que ninguém te pede caderno.
12. Paradoxo: contradição à realidade, ou ideias contraditórias no mesmo pensamento. Ex.: A morte é vida que
se vive ausente. / O amor é um contentamento descontente.
13. Ambiguidade: é a possibilidade de uma mensagem admitir mais de um sentido. Ela geralmente é provocada
pela má organização das palavras na frase.
Ex.: "A mãe encontrou o filho em seu quarto." (No quarto da mãe ou do filho?)
Ex.: "Como vai a cachorra da sua mãe?" (Que cachorra? a mãe ou a cadela da mãe?)
14. Pleonasmo ou redundância: repetição inútil e desnecessária de termos numa
frase. Ex.: "Estou subindo para cima."
"Ele vai ser o protagonista principal da peça". "Meninos, entrem já para dentro!"
15. Solecismo: é uma inadequação na estrutura sintáctica da frase com
relação à gramática normativa do idioma. Há três tipos de solecismo:
a) de concordância:
''Fazem três anos que não vou ao médico." (Faz três anos que não vou ao médico.)
"Aluga-se salas nesse edifício." (Alugam-se salas nesse edifício.)
b) de regência: "Ontem eu assisti um filme de época." (Ontem eu assisti a um filme de época.); "Eu namoro com
Fernanda." (Eu namoro a Fernanda.)
c) de colocação: "Me empresta um lápis, por favor." (Empresta-me um lápis, por favor.)
"Não parece-me que ela tenha ficado contente." (Não me parece que ela tenha ficado contente.); "Eu lhe
responderia qualquer pergunta." (Eu responder-lhe-ia qualquer pergunta)
16. Polissemia: uma mesma palavra apresenta vários significados.
Ele ocupa um alto posto na empresa. Abasteci meu carro no posto da esquina.
Os convites eram de graça. Os fiéis agradecem a graça recebida.

FUNÇÕES DE LINGUAGEM
Usamos a linguagem para a realização de finalidades muito diversas. É assim que ela pode ter várias funções.
Como cada um dos seis elementos da comunicação verbal se relaciona com uma função da linguagem.
1. Função Emotiva (ou Expressiva) – ligada, por norma, à poesia lírica, a mensagem centra-se no
“eu” do emissor, é carregada de subjectividade. Esta função caracteriza-se por ser uma expressão directa da
atitude do emissor em relação àquilo de que fala. Nela é frequente o uso de: 1ª pessoa; Interjeições com
significado emotivo; Julgamento subjectivo feito pelo emissor acerca de si próprio; Exclamações; Adjectivos;
Suspensão do enunciado (assinalada por reticências), etc.
Ex.: Ah Agora posso dormir à vontade Que deliciosa coisa o campo O sossego, a tranquilidade Sem visitas,
sem cuidados, sem despesas... Ouvindo o gaguejar das galinhas, o grasnar dos patos... (Esmeralda fala lá
dentro), o coaxar das rãs... Das rãs? Ah Não, isto não é rã, é a voz de minha mulher...
Que boa coisa... Que coisa... Ah Não há nada como o sossego... do... campo...
2. Função Apelativa (Imperativa) – aqui a mensagem centra-se no destinatário, procurando o emissor agir
sobre o receptor, influenciá-lo, convencê-lo a adoptar ou assumir determinado comportamento, tal como acontece
com oradores e agentes de publicidade, tendo como marcas: uso frequente de vocativo e imperativos; selecção de
vocabulário que sustém a intenção do emissor; redução da frase por apagamento de alguns dos seus elementos.
Ex.: Apesar dos limites da realidade concreta, nada o impede de sonhar: o sonho é livre  Nutra-o, pinte-o com
todas as cores, deixe a sua imaginação voar. Talvez não dê para fazer algumas coisas agora, mas não perca o
embalo: daqui a pouco tudo muda e você tem de estar pronto para aproveitar as oportunidades.
3. Função Informativa (ou Referencial) – centrada no contexto, ocorre sempre que o emissor procura
veicular de maneira objectiva conteúdos de natureza cognitiva, ou seja, informar objectivamente o receptor de
uma realidade ou acontecimento. As palavras são usadas com o seu sentido próprio e objectivo, não dando
oportunidades a várias interpretações.
Ex.: Vítimas das chuvas recebem apoio. Pelo menos 35 chefes de família que perderam as suas casas e outros
haveres, em consequência das fortes chuvas que se abateram sobre a localidade de Mandarim, município de
Cacongo, em Cabinda, receberam apoios, consubstanciados em chapas de zinco, bens alimentares, roupas
diversas e cobertores.
4. Função Fática – está centrada no canal de comunicação (interligada com as funções informativa e
apelativa) e pretende estabelecer, conseguir e manter o contacto físico ou psicológico assim como a atenção entre
os interlocutores, com grande urgência ou desejo de comunicar, própria dos discursos, ou sermões, dos textos
publicitários , das conversas entre amigos, sobretudo ao telefone.
Ex.: – Em minha casa ontem, sabes? Não houve luz... Foi uma tragédia, percebes?
– Calculo. Foi uma confusão, não foi?
5. Função Metalinguística – centrada no código, usada quando a língua explica a própria linguagem. Por
exemplo, quando, na análise de um texto, investigamos o seu sentido, observando-o nos seus aspectos
morfossintácticos e semânticos, estamos a utilizar esta função. Da mesma forma a utiliza o emissor quando
esclarece qualquer palavra cujo sentido lhe parece não ser entendido pelo receptor, usando expressões
explicativas como “isto é”, “ou seja”, “quer dizer”.
Ex.: Tu sabes que aquele poeta era um nefelibata, isto é, andava sempre nas nuvens, quer dizer, fora deste
mundo.

6. Função Poética – centrada na própria mensagem, ocorre principalmente na linguagem poética e literária.
Encontra-se em textos com rimas, ritmo e recursos expressivos, como metáforas, procurando embelezar e
enriquecer a mensagem com figuras de estilo, palavras belas, expressivas, ritmos agradáveis, etc., tornando-a
mais atraente, de forma a criar o prazer da leitura. Esta função verifica-se não só na poesia mas também na prosa
literária e em textos de natureza muito diversa, como no texto publicitário, nos provérbios e até na linguagem de
todos os dias.
Ex.: Texto poético
Esta menina Não conhece nem mi nem fá,
Tão pequenina Mas inclina o corpo para cá e para lá
Quer ser bailarina. Mas depois esquece todas as danças,
Não conhece nem dó nem ré, E também quer dormir como as outras crianças.
Mas sabe ficar na ponta do pé.

ACTOS DE FALA
Acto de fala ou ilocutório é a enunciação de uma frase ou uma acção por meio de palavras. Ou ainda, relaciona-
se com o enunciado analisado em termos das intenções do falante e dos efeitos provocados ao ouvinte.
A Classificação dos Actos de Fala é feita em: 1. Directos (quando é realizado de forma
típica ou natural do acto); e 2. Indirectos (quando o locutor quer dizer algo diferente daquilo que expressou em
sentido literal, esperando que o interlocutor perceba a sua intenção).
Ato de Fala Directo Ato de Fala Indirecto
a) Dê-me um cigarro. – acto de pedir. a) Como eu gostaria de fumar! insinuação.
b) Que horas são? – de perguntar. b) Como esta sala está quente! constatação/esperando
c) Almoça comigo hoje! de convidar. reacção do interlocutor (AC; Ventilador; Janela...).
Obs.: Os Actos de Fala Directos subdividem-se em:
1) Actos Afirmativos/Assertivos/Representativos – mostram o comprometimento do locutor com a verdade de
uma enunciação (afirmações, descrições, explicações...).
Ex.: O meu carro avariou. (Eu confirmo que o meu...).
No Brasil, a primavera começa dia 22 de Setembro. (Eu afirmo/asseguro que no Brasil a primavera...).
2) Actos Directivos – reflectem a tentativa de levar o interlocutor a fazer algo. São os convites, as sugestões, os
conselhos, as ordens, etc.
Ex.: Pare de brincar, vá estudar! (Eu ordeno/aconselho/peço que pare de brincar, vá estudar!).
3) Actos Expressivos – consiste na expressão dos sentimentos e atitudes do locutor (agradecimentos,
congratulações, condolências, desculpas...).
Ex.: Obrigada pelo convite! Ou, Eu agradeço o convite!
4) Actos Compromissivos/Promissivos – são aqueles cujos efeitos produzem mudanças de comportamento por
meio do que se diz (promessas, juramentos, ameaças...).
Ex.: Virei amanhã de manhã! (Prometo / garanto que virei amanhã de manhã!).
Não voltarei a chegar tarde! (Prometo/juro não voltar a chegar tarde).
5) Actos Declarativos – além de situações linguísticas, requerem também extralinguísticas (Igreja, Tribunal,
Escola...), para que se realizem e promovem uma mudança da realidade dos interlocutores (declarações,
nomeações, casamentos, demissões, condenações, ordenações, etc.).
Ex.: Eu declaro-vos marido e mulher. / Pelo exposto, condeno o arguido a 2 anos de prisão.

REGISTOS OU NÍVEIS DE LÍNGUA FALADA E ESCRITA


Os enunciados, orais ou escritos, dependem das situações de comunicação em que, ao passar uma mesma
informação, o mesmo indivíduo utilizará registos de língua diferentes em função do seu interlocutor, do local, das
circunstâncias em que se encontra e da natureza da mensagem. Os principais registos são:

1. REGISTO CORRENTE: corresponde à norma e é utilizada pela maioria dos membros da comunidade
linguística, sendo caracterizado por palavras, expressões e construções gramaticais simples.

2. REGISTO CUIDADO OU PADRÃO: é pouco utilizado na oralidade, excepto em ocasiões solenes (discursos
políticos, conferências científicas, sermões...), ou quando uma grande distância social separa os interlocutores; é
caracterizado por um vocabulário rebuscado e por uma construção gramatical complexa, ou ainda, que se
fundamenta em regras estabelecidas pela gramática.

3. REGISTO FAMILIAR: é utilizada em situações caracterizadas pela informalidade, isto é, em família, entre
amigos... emprega-se um vocabulário muito simples e pouco variado, e com frases simplificadas
gramaticalmente. É também predominante nas cartas para amigos ou familiares.

REGISTOS OU NÍVEIS ESPECIAIS DE LÍNGUA

1. LÍNGUA POPULAR: predominante nas camadas menos alfabetizadas da população, caracterizado pelo
emprego de uma linguagem mais simples, tanto a nível do vocabulário como da sintaxe. O vocabulário, muitas
das vezes, inclui expressões pitorescas (de campo/aldeia), variáveis de região para região _ os regionalismos.

2. GÍRIA: é um conjunto de vocábulos ou expressões adoptadas em certas profissões ou actividades. Isto é, existe
gíria dos jornalistas, dos escritores, dos pescadores, dos estudantes, dos automobilistas, etc.

3. CALÃO: um linguajar considerado grosseiro, próprio dos rapazes vadios, ciganos, salteadores,
contrabandistas, etc. Apesar de muitas das vezes ser encontrado dentro da gíria, é conotado desfavoravelmente
por ser originário de extractos sociais marginalizados, de ambientes miseráveis, onde a acção educativa
dificilmente penetra.

4. LINGUAGEM TÉCNICO-CIENTÍFICO: não se pode confundi-la com a gíria, ela é constituída por um
léxico próprio das comunidades ligadas a uma área técnica do conhecimento científico, ou a um ramo do saber
científico, como é o caso dos dicionários terminológicos da Medicina, da Mecânica, da Química, etc.

A língua escrita, que possibilita também interacção entre os níveis de registo, divide-se em literária, ligada a
preceitos estéticos, e em não literária, que diz respeito às redacções de conteúdo informacional, científico, oficial,
comercial, entre outros.

PADRÃO SILÁBICO DO PORTUGUÊS

As combinações possíveis entre vogais e consoantes na formação de sílabas compõem o padrão silábico de uma
língua.

Cada língua tem seu próprio padrão silábico. Há idiomas que possuem um padrão que outros não admitem. Em
português, por exemplo, não existem sílabas com três consoantes, o que é possível no inglês, no alemão e em
vários outros idiomas. Veja-se a palavra first (do inglês = primeiro), cujo padrão linguístico é CVCCC (consoante
+ vogal + consoante + consoante + consoante). Isso não acontece na língua portuguesa, que não possui modelo de
sílaba que preveja três consoantes à direita da vogal. Exemplos de padrões silábicos em português: água V, arfar
VC, instar VCC, parto CV, partir CVC, constar CVCC, prato CCV, frasco CCVC, transpor CCVCC, airoso
VG, céu CVG, quase CGV...

Obs.: V = vogal C = consoante G = semivogal ou glide

ENCONTROS VOCÁLICOS, ENCONTROS CONSONANTAIS E DÍGRAFOS

1. ENCONTROS VOCÁLICOS _ é a sequência de vogais em uma única enunciação.


 Ditongo crescente é o encontro de sv (semivogal) + v (vogal): quarto, prémio, miséria, história, série,
glória, vácuo etc.

 Ditongo decrescente é o encontro de v (vogal) + sv (semivogal): leite, meu, peixe, saudade, mão, frouxo
etc.

 Tritongo é o encontro de sv (semivogal) + v (vogal) + sv (semivogal): Paraguai, Uruguai, averiguou,


delinquiu, quais etc.

 Hiato é o encontro de duas vogais que ficam em sílabas diferentes, seguidas ou não de s.

Ex.: ca-í ra-i-nhasa-í-da ca-ís-te Ra-ul sa-ú-de

2. ENCONTROS CONSONÂNTICOS é o encontro de duas ou mais consoantes, que podem ficar na mesma
sílaba ou em sílabas diferentes.

ad-mi-tir blu-sas li-vro af-ta cra-se rit-mo

3. DÍGRAFOS

Não se deve confundir encontros consonânticos com dígrafos. Dígrafos não são o mero encontro de consoantes,
mas o encontro de duas letras que representam um único som.

ch: chá nh: banha sç: nasça xc: excepto gu: guerra qu: quero sc: nascer xs: exsudar
lh: malha rr: carro ss: passo

Também são considerados dígrafos os grupos que representam vogais nasais.

am: campo im: tímpano um: atum an: anta in: findo un: profundo em: embora
om: bomba en: tentar on: desponta

CLASSIFICAÇÃO DAS PALAVRAS QUANTO AO NÚMERO DE SÍLABAS

 monossílabas – uma só sílaba: luz, sol, cão, céu, só, boi, bom etc.

 dissílabas – duas sílabas: carro, mata, canto, vida, lua etc.

 trissílabas – três sílabas: camisa, árvore, ouvido, sinopse, cambraia etc.

 polissílabas – mais de três sílabas: constituição, dicionário, portuguesa, adestramento, inteligente etc.

CLASSIFICAÇÃO DAS PALAVRAS QUANTO À SÍLABA TÓNICA

Na língua portuguesa, a sílaba tónica pode aparecer em três diferentes posições; consequentemente, as palavras
podem receber três classificações quanto a esse aspecto:

 oxítonas – a última sílaba é tónica: café, azul, roer, caí, jogador etc.

 paroxítonas – a penúltima sílaba é tónica: saúde, noite, ouvido, álbum, ímã etc.

 proparoxítonas – a antepenúltima sílaba é tónica: cônjuge, matemática, âmbito, pântano, síndrome etc.

Não se deve confundir acento tónico com acento gráfico. O primeiro é um facto sonoro; o segundo, um sinal de
escrita. Nem todas as sílabas tónicas são acentuadas, e o acento gráfico pode aparecer também em sílabas ou
vocábulos átonos: cantar (sílaba tónica não acentuada), cântico (sílaba tónica acentuada, por ser a palavra
proparoxítona).

ACENTOS GRÁFICOS
Na língua escrita, há elementos que procuram apresentar a posição da sílaba tónica e outras particularidades,
como timbre (abertura) e nasalização das vogais. Esses elementos são os chamados acentos gráficos. O estudo das
regras que disciplinam o uso adequado desses sinais é a acentuação gráfica.

A acentuação gráfica consiste na aplicação de certos sinais escritos sobre algumas letras para a entoação da
pronúncia de certas palavras, para evitar confusões e representar o que foi estipulado pelas regras de acentuação.
Esses sinais, que fazem parte dos diacríticos - além dos acentos agudo, grave e circunflexo, temos também o
trema, o til, o apóstrofo, o hífen e a cedilha.

a) o acento agudo (‘) - colocado sobre as letras a, e, i, o, u _ indicando que essas letras representam a tonicidade
das vogais tónicas e o timbre aberto. Ex.: cartará, caí, súbito, armazém, lépido, céu, léxico...

b) o acento grave (`) - indica a ocorrência da fusão da preposição "a" com os artigos "a" e "as", com os
pronomes demonstrativos aquele, aquela, aqueles, aquelas, aquilo. Ex.: à, às, àquele, àquilo...

c) o acento circunflexo (^) - colocado sobre as letras “a”, “e” e “o”, indicando a tonicidade e o timbre fechado.
Ex.: lâmpada, pêssego, supôs, vêem, Atlântico...

d) o trema (") - (já não é usável) indica que o u é semivogal, ou seja, é pronunciado atonamente nos grupos gue,
gui, que, que. Ex.: Urugüai, Paragüai, seqüestro, conseqüência...

e) o til (~) - indica que as letras "a" "e" "o" representam vogais nasais. Ex.: alemã, órgão, portão, expõe, corações,
ímã...

f) a cedilha ( ˎ̡ )- sinal gráfico colocado por debaixo do C, quando este é sibilante ou tem o valor de SS antes de
a, o, u. Ex.: pescoço, caça, açúcar...

ACENTUAÇÃO GRÁFICA E SUAS REGRAS BÁSICAS

As regras de acentuação gráfica procuram reservar os acentos para as palavras que se enquadram nos padrões
prosódicos menos comuns da língua portuguesa. Disso, resultam as seguintes regras básicas:

A acentuação Gráfica tem como pré-requisito o conhecimento da pronúncia dos vocábulos em que fica claro a
presença do acento tónico.

Desse modo, podemos aplicar, de início, uma regra geral que já facilita o emprego do acento gráfico.

Regra geral: Acentuam-se graficamente aqueles vocábulos que sem acento poderiam ser lidos ou então
interpretados de outra forma.

Ex.: secretária/secretaria - ambrósia/ambrosia - sábia/sabia/sabiá

Dicas para uma consulta rápida: Se você tem alguma dúvida sobre a acentuação gráfica de uma palavra, siga
as seguintes etapas:

1. Pronuncie a palavra bem devagar, procurando sentir onde se localiza o seu acento tónico, isto é, a sua sílaba
mais forte.

2. Se a sílaba tónica estiver na última sílaba da palavra, esta será considerada uma palavra oxítona; ex.: capuz,
urubu, amor, etc.

3. Já se a sílaba tónica cair na penúltima sílaba, a palavra será paroxítona; exemplos: casa, certeza, galo,
coragem, etc.

4. Por fim, estando a sílaba tónica na antepenúltima sílaba da palavra, esta se denominará proparoxítona; ex.:
arquipélago, relâmpago, côncavo, etc.

Regras básicas
Classificada a palavra quanto à posição de sua sílaba tónica, procure então nas regras abaixo se ela deverá receber
um acento gráfico ou não, para a sua correcta representação.

Devem ser acentuados os monossílabos (palavras de uma só sílaba) tónicos

terminados em "a", "e", "o", seguidos ou não de s: Ex.: pá, pé, nó, pás, pés, nós, gás, Brás, mês, três, pós, pôs, só,
etc.

Obs.: Os monossílabos tónicos terminados em "z", assim como todas as outras palavras da língua portuguesa
terminadas com essa mesma letra, não são graficamente acentuados: Ex.: luz, giz, dez... (compare os seguintes
parónimos: nós/noz, pás/paz, vês/vez).

Também os monossílabos tónicos, terminados em "i" e "u", não recebem acento gráfico: Ex.: pai, vai, boi, mau,
pau, etc.

OXÍTONAS

Acentuam-se as palavras oxítonas terminadas em "a", "e", "o", seguidas ou não de S; e também com as
terminações "em" e "ens": Ex.: rajá, café, filhó, bebé, robô, armazém, alguém, reféns, etc.

Observações:

1. As formas verbais terminadas em "a", "e" "o", seguidas dos pronomes la(s) ou

lo(s) devem ser acentuadas. Ex.: encontrá-lo, recebê-la, dispô-los, amá-lo-ia, vendê-la-ia, etc.

2. Não se acentuam as oxítonas terminadas em:

_ az, ez, iz, oz - capaz, tenaz, talvez, altivez, juiz, raiz, feroz...

_ i(s) _ u(s) - Anhembi, Parati, anis, barris, dividi-lo, adquiri-las...;

- caju, pitu, zebu, Caxambu, Bauru, Iguaçu, Bangu, compus...;

_ or _ im - ator, diretor, detetor, condor, impor, compor, compositor...; - ruim, capim, assim, aipim, folhetim,
boletim, espadachim...;

PAROXÍTONAS

são as palavras mais numerosas da língua portuguesa e justamente por isso as que recebem menos acentos.

Não são acentuadas as paroxítonas terminadas em "a", "e", "o", seguidas ou não de S; e também as finalizadas
com "em" e "ens": Ex.: cama, seda, flecha, rede, sede, pote, ovo, coco, bolo, garagem, ferrugem, idem, item,
nuvens, imagens, viagens, etc.

São acentuadas as paroxítonas terminadas em:

_r / x / n / l. Ex.: mártir, fémur, fácil, útil, Nélson, elétron, tórax, córtex, etc.

Obs.: Entretanto, palavras como pólen, hífen, quando no plural (polens, hifens), não recebem o acento gráfico,
porque nesta forma elas são regidas pela regra anterior. As palavras hífen e pólen possuem ainda um outro plural
que no caso são acentuadas por serem proparoxítonas: hífenes e pólenes.

_ i / is. Ex.: júri, lápis, miosótis, íris, ténis, cútis, táxi, grátis, etc.

Obs.: Os prefixos paroxítonos, mesmo terminados em "i" ou "r", não são acentuados. Ex.: semi, anti, hiper, super,
etc.

_ ã / ão (seguidas ou não de S). Ex.: ímã (ímãs), órfã (órfãs), órfão (órfãos), bênção (bênçãos) etc.

Obs.: O til não é considerado acento gráfico, e sim uma marca de nasalidade.
_ ps / _ us / um / uns. Ex.: bíceps, fórceps... vírus, bónus, álbum, álbuns, etc.

_ ditongos orais, crescentes ou decrescentes, seguidos ou não de s.

Ex.: água, mágoa, ódio, jóquei, férteis, fósseis, fôsseis, túneis, úteis, variáveis, área, série, sábio, etc.

PROPAROXÍTONAS

Todas as palavras proparoxítonas são graficamente acentuadas.

Ex.: lâmpada, côncavo, lêvedo, pássaro, relâmpago, máscara, árabe, gótico, límpido,

louvaríamos, devêssemos, pêndulo, fôlego, recôndito, cândido, etc.

As regras especiais: Além dessas regras baseadas na posição da sílaba tónica e na terminação, há outras, que
levam em conta aspectos específicos da sonoridade das palavras; aplicam-se nos seguintes casos:

Nos hiatos, acentua-se quando:

 A segunda vogal do hiato for "i" ou "u" tónicos, acompanhados ou não de "s". Ex.: saída, proíbo, faísca,
caíste, saúde, viúva, balaústre, país, aí, baú...

 Nos grupos "ee" e "oo", a primeira vogal for tónica, haverá acento circunflexo. Ex.: crêem, dêem, lêem,
vêem, descrêem, relêem, prevêem, revêem, côo, vôo, enjôo, magôo, abotôo. Note que a terminação êem é
exclusiva dos verbos crer, dar, ler, ver e derivados (descrer, reler, prever, rever, antever e outros).

Não se acentua quando:

 O "i" for seguido de "nh". Ex.: rainha, moinho, tainha, campainha.

 A vogal "i" ou "u" se repetirem (pouco frequente): vadiice, sucuuba, mandriice, xiita...

 A vogal "i" ou "u" forem acompanhadas de outra letra que não seja "s". Ex.: ruim, juiz, paul, Raul,
cairmos, contribuiu, contribuinte...

Nos ditongos, acentua-se quando:

 Em vogal tónica dos ditongos "ei, eu, oi" abertos. Ex.: anéis, coronéis, epopéia, geléia, céu, chapéu, réu,
véu, troféu, heróico, jóia, estóico, esferóide...

 Em grupos (gue, gui, que, qui) a letra "u" for pronunciada tonicamente. Ex.: apazigúe, obliqúe, argúi,
argúem, averigúe, averigúem, obliqúem...

Não se acentue quando:

 Os ditongos "ei, eu, oi" forem abertos, mas não tónicos. Ex.: chapeuzinho, heroizinho, aneizinhos,
ideiazinha... Com timbre fechado: Ex.: azeite, manteiga, eu, judeu, hebreu, apoio, arreio, comboio.

ORTOGRAFIA

Conjunto de regras que estabelecem a grafia correcta das palavras.

Novo Acordo ortográfico da língua portuguesa

O novo Acordo foi assinado em Lisboa, em 16 de Dezembro de 1990, e aprovado pelo Congresso Nacional
brasileiro em 18 de Abril de 1995. O Decreto 6.583, de 29 de Setembro de 2008, estabeleceu o prazo de quatro
anos para sua implantação, após o que, em 1º de Janeiro de 2013, sua utilização será obrigatória em todo o
território nacional.

São signatários (assinantes) do Acordo os oito países de língua portuguesa: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-
Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste, nos quais a implantação tem seguido
agendas diferentes, tudo porque nem todos o aderiram até agora.
Alfabeto

A reprodução das palavras na escrita é feita por meio de sinais gráficos denominados letras. Em português, o
alfabeto passa a ter 26 letras após a inclusão das letras k, w e y.

NOTA: a A (á); b B (bê); c C (cê); d D (dê); e E (é); f F (efe); g G (gê ou guê); h H (agá); i I (i); j J (jota); k K
(capa); l L (ele); m M (eme); n N (ene); o O (ó); p P (pê); q Q (quê); r R (erre); s S (esse); t T (tê); u U (u); v V
(vê); w W (dáblio); x X(xis); y Y (ípsilon); z Z (zê).

Na sequência: A B C D E F G H I J K L M N O P Q R S T U V W X Y Z

FORMAÇÃO DE PALAVRAS

Processos morfológicos (regulares) e irregulares de formação de palavras

Processos morfológicos (regulares): são aqueles processos intrínsecos ou internos à nossa língua e que, através
dos quais, formamos palavras novas para o enriquecimento do nosso léxico. Ou seja, são os principais ou
fundamentais, ou ainda os basilares na formação de novas palavras: Derivação e Composição.

 Obs.: Caso a palavra seja formada por apenas um radical, diremos que foi formada por derivação, porque lida
com palavras simples; por dois ou mais radicais, composição, porque lida com palavras compostas.

Há derivação quando, a partir de uma palavra primitiva ou radical, adquirimos novas palavras (chamadas
derivadas) por meio do acréscimo de afixos. Também pode ser feita pela supressão de morfemas ou pela troca de
classe/subclasse gramatical, mas nunca pelo acréscimo de radicais.

 Processos que envolvem adição de constituintes morfológicos - Afixação: derivação por Prefixação, por
Sufixação, por Prefixação e Sufixação e Parassíntese.
 Processos que não envolvem adição de constituintes morfológicos: Por Conversão ou por derivação Imprópria e
por derivação não afixal ou Regressiva

1. Prefixal/por prefixação: modifica a estrutura de base de uma palavra por associação de prefixo. Ex.: reescrever;
infeliz; recompor, triângulo.

2. Sufixal/por sufixação: faz-se por acréscimo ou associação de um sufixo à base ou palavra primitiva. Ex.:
legalmente, igualdade, florescer... Os sufixos classificam-se em:

a) Nominais/nominalização – quando a palavra resultante é um nome. Ex.: folhagem; papelada…

b) Adjectivais/adjectivalização – quando formam adjectivos. Ex.: penteado; mortal; venenoso…

c) Verbais/verbalização – sufixos derivacionais que produzem verbos. Ex.: tornear; saltitar…

d) Adverbiais/adverbialização - quando formam advérbios. Ex.: amorosamente…

3. Prefixal e Sufixal: ocorre por acréscimo de prefixo e sufixo à uma base ou palavra primitiva de maneira
independente. Ex.: indecentemente, desigualdade…

4. Parassintética/parassíntese: faz-se acréscimo de um prefixo e sufixo, simultaneamente, ocorrendo de maneira


dependente. Ex.: envernizar, empobrecer, entardecer…

5. Conversão (Imprópria): Ocorre quando determinada palavra, sem sofrer qualquer acréscimo ou alteração em
sua forma, muda de classe/subclasse gramatical; ex.:

Não aceitarei um não como resposta.

A Piedade é um exemplo de pessoa, sua piedade é incomensurável!

Falaste bonito: o amar é mesmo indispensável!

6. Derivação não afixal (Regressiva): Ocorre pela redução da palavra base, obtendo, por isso, uma palavra
derivada. Forma-se nomes a partir de verbos, e o resultado denomina-se deverbais (acção do verbo). Ex.: dançar –
dança; debater – debate…

A composição ocorre quando formamos palavras pela junção de duas ou mais formas de base. As palavras
resultantes do processo de composição são chamadas palavras compostas, em oposição àquelas em que há um
único radical, chamadas simples. Pode ocorrer em dois processos: Composição morfológica (Por Aglutinação) e
Composição morfossintáctica (Por Justaposição).

1. Composição morfológica (Por Aglutinação): junção de um ou mais radicais ao outro, passando a existir apenas
uma sílaba predominante e modificando forma gráfica.

Ex.: aguardente (água e ardente); embora (em boa hora); planalto (plano alto)…

2. Composição morfossintáctica (Por Justaposição): reúne duas ou mais palavras com ou sem hífen, mantendo sua
forma fonética e gráfica.

Ex.: segunda-feira, guarda-roupa, amor-perfeito, passatempo, pontapé, manda-chuva, guarda-pó…

Processos irregulares de formação de palavras

Além dos processos de derivação e de composição, há outros processos de formação de vocábulos que devem ser
levados em conta.

Existem processos de criação de palavras que não constituem formas regulares para sua formação, surgindo,
muitas vezes, por razões estéticas ou expressivas (MATOS, 2012, p.147). Podem também ser designados por
processos de renovação do léxico; entre eles, temos:

1. Neologismos: palavras ou expressões novas que integram o léxico da língua.

2. Empréstimos/Estrangeirismos: adopção de uma palavra ou expressão de uma língua estrangeira.

 Shopping, windows, download, modem... decalque (sem mutações)

Obs.: Os decalque, por vezes, são literalmente traduzidos, evitando-se as dificuldades da integração fonológica e
morfológica: high technology : alta tecnologia.

 Bikini (biquini) - alteração gráfica _ semi-aportuguesada

 Sandwich (Sandes), football (futebol): mutação fonética e gráfica _ aportuguesada


Obs.: O nosso léxico beneficia de galicismos ou francesismos, anglicismos, espanholismos, italianismos,
germanismos, entre outros...

3. Extensão/neologismo semântica: alargamento de novas significações que as palavras podem adquirir com a
necessidade de referenciar novas realidades.

Ex.: rato = animal/objecto. manga = fruta/de camisola...

4. Hibridismo: formação de novas palavras a partir da união de radicais de idiomas diferentes. Ex.: automóvel
(auto – grego; móvel - latim); biodança (bio – grego; dança - português); televisão (tele - grego; visão -
português)...

5. Amálgama: Fusão de duas ou mais palavras de forma aleatória (sem regra fixa).

Ex.: desesfeliz (desespero feliz); Informática (informação automática)…

6. Onomatopeia: criação de palavras a partir da imitação de sons e ruídos.

Ex.: ronronar (ronrom - ruído do gato dormindo); tiquetaquear (tique-taque ‘’de relógio’’); cricrilar
(cricri ‘’canto de grilo’’).

Obs.: Os verbos onomatopaicos, principalmente aos que se referem a vozes de animais, são frequentemente
formados através do processo de derivação: cacarejar, pipiar, coaxar, miar, trilar, ronronar, tiquetaquear, cricrilar
etc.

7. A duplicação/redobro (duplicação silábica ou tautossilabismo): é o processo especificamente virada à


constituição de elementos repetidos. Assemelha-se, em alguns casos, com a Onomatopeia; também denominado
de redobramento ou reduplicacão. Divide-se em:

 duplicação perfeita: quando os elementos são repetidos integralmente, sem alteração de fonemas. Ex.: reco-reco,
Dudu, ioiô, cri-cri, iaiá, lufa-lufa, vovó, nhonhô, teco-teco, papá, nana, mamá, etc.
 duplicacao imperfeita: Quando ocorre alternância vocálica ou perda de fonemas. Ex.: tique-taque, titia, papai,
xexéu, zigue-zague, mamãe, tetéia, etc.

8. Arcaísmo: são palavras ou expressões que, pertencendo ao léxico do português, caíram em desuso (por
desaparecerem os objectos que representam ou porque foram substituídas por outras).

Ex.: asinha (depressa); ca (porque); mui (muito); rem (coisa); sages (sábio); ninguém não duvida de mim
(ninguém duvida de mim)…

9. Siglonimização: formação de siglas pela combinação das letras iniciais de uma sequência de palavras que
constitui um nome; pronunciam-se isoladamente.

Ex.: ETP (Empresa de transportes públicos); PS (Partido Socialista)...

10. Acronímia/Acrossemia: formação de acrónimos pela combinação das letras iniciais de uma sequência de
palavras que constitui um nome; pronunciam-se aglutinadamente.

Ex.: ISCED; SIDA; UNITA; LASER; OVNI; TAP; ONU…

11. Truncação/Abreviação vocabular: consiste na eliminação de uma parte da palavra, a fim de se obter uma
forma mais curta.

Ex.: Foto (fotografia); cinema/cine (cinematografia); pneu (pneumático); pan (panamericano); auto
(automóvel); quilo (quilograma); penta (pentacampeão); pólio (poliomielite)...

12. Abreviaturas na escrita: é a representação gráfica de uma palavra através da escrita de apenas um subconjunto
das suas letras. Ou seja, uma forma encurtada ou reduzida de uma palavra (com uma ou mais letras dela/menos
letras da sua grafia normal) por meio de um sinal gráfico (seguidas de um ponto).

Ex.: a. (assinatura); abrev. (abreviatura); Obg. (obrigado); Dr. (doutor); Eng.ª (Engenheira); Exmo.
(Excelentíssimo); decr. (decreto); Sto. (Santo); séc. (século); cód. (código); Sr.ª (Senhora); [Link] (Limitada); A.
(Autor); AA. (Autores); p.-m.-q.-p. (pretérito mais que perfeito)...

A SINTAXE (Frase, Oração e Período)

A SINTAXE é a parte da gramática que estuda a estrutura formal da frase, as combinações e as relações entre as
palavras. Ou seja, descreve regras de combinação de palavras para formar frases.

A FRASE é todo enunciado dotado de significado e sentido completo, podendo ser nominal (sem constituição
verbal), verbal (com constituição verbal) e elíptica (apenas por um verbo, sem presença de mais elementos).

Ex. 1. Silêncio! 2. A renúncia do presidente. 3. Que dia lindo! (Frases nominais)


Ex. 1. O presidente renunciou o cargo. 2. Haja silêncio, meninos! (Frases verbais)
Ex. 1. Ouviste? 2. Coma! 3. Cheguei. (Frases elípticas)
Por outro, a frase, de acordo com a sua natureza ou o tipo, pode apresentar-se de forma:

a) Afirmativa – quando envolve uma confirmação/comprovação/aceitação…


b) Negativa – envolve rejeição/recusa (não, nem, sem, ninguém, nada, nuca, nenhum…).
c) Activa (em que o sujeito pratica a acção expressa pelo verbo).
d) Passiva (quando é inactiva, em que o sujeito recebe a acção expressa pelo verbo) …

TIPOLOGIA FRÁSICA

[Link] – para afirmar ou negar algo na actividade ou na passividade.


Ex. O delegado abandonou o cargo. (declarativa afirmativa activa)
O delegado não abandonou o cargo. (declarativa negativa activa)
O cargo foi abandonado pelo delegado. (declarativa afirmativa passiva)
O cargo não foi abandonado pelo delegado. (declarativa negativa passiva)

[Link] – quando se faz um questionamento que pode ser directo ou indirecto.


Ex. Queres acompanhar-me ao mercado? (interrogativa directa)
Pergunto saber se me queres acompanhar ao mercado. (interrogativa indirecta)
[Link] – expressa admiração, surpresa, alegria, raiva, espanto…
Ex. 1. Estou farto dessa dor que não passa! 2. Chegaste tão cedo![Link] felicidade ter-te como meu
companheiro!

4. Imperativa – que indica ordem, pedido, conselho, exortação…


Ex. Não se vá, já é tarde! 2. Saiam daqui todos! 3. Ó Joana, haja paciência!

[Link] – que exprime um desejo ou uma opção.


Ex. 1. Que Deus o acompanhe! 2. Vá em paz e tenha uma óptima noite, Bráulio!

Termos ou elementos essenciais da oração (sujeito e predicado)

A análise sintáctica é aquela que se faz a cada termo ou constituinte frásico, destacando a função que exerce
dentro da oração.

[Link] é o termo pelo qual se faz uma declaração afirmativa, ou negativa, ou ainda interrogativa, com a
concordância verbal em nº e pessoa. Quanto à sua localização:

Anteposto ao verbo: Ex. 1. A prova foi boa. 2. Hoje os miúdos estiveram bem.

Posposto ao verbo: Ex. 1. Raramente aparecemcábulas por aqui. 2. São todos inteligentes os alunos desta sala.

Classificação do sujeito

[Link] é aquele identificável, expresso por um substantivo, uma frase substantiva, um pronome, ou
ainda por um numeral. A sua realização pode ser feita de forma:

a)Simples (com um só núcleo): 1. A mulher angolana é simpática.2. Os cães são animais domésticos.

b)Composto (com mais de um núcleo): 1. A mulher e o homem angolanos são simpáticos.2. Os cães, lobos e
leões são perigosos.

c)Oculto (não expresso na oração, mas identificável pela terminação do verbo, ou pelo contexto em que aparece).
Ex. Estamos bem preparados pela prova. (nós – pela terminação do verbo).
Ex. O homem não se contenta com o que tem, quer ter mais. (homem – pelo contexto).

1.2. Indeterminado é aquele que não tem referência definida, ou que não pode ser identificado pelo contexto, nem
pela terminação verbal. Pode ocorrer:
a) Na 3ª pessoa do plural com sujeito omisso:

Ex. 1. Ocorreram erros graves. 2. Julgam as pessoas por nada. 3. Falam tanto para nada.

b) Na 3ª pessoa do singular, com o pronome se:

Ex. [Link] facto, fez-se um bom trabalho./2. Bate-se a porta. /[Link] que se pisava sem sapatos e falava-se
baixinho enquanto se roubava.

[Link] (inexistente) ocorre nos verbos impessoais, geralmente na 3ª pessoa do singular.

a) Verbos que indicam fenómenos naturais, mas não no sentido figurado:


Ex. 1. Chove intensamente. 2. Trovejava sem parar… 3. Amanheceu tranquilamente!
b) Com verbos “ter e haver” no sentido de existir:
Ex. 1. Há testemunhas no local do crime. 2. Tem pessoas falsas por natureza.

2. PREDICADO é tudo aquilo que se declara (afirmando, negando, ou interrogando) sobre o sujeito, centrando-se
em torno do verbo. Pode ser nominal ou verbal.

Ex. 1. Acordei. (verbo) 2. Vendi o carro. (verbo+grupo nominal) 3. Telefonei à Ana. (verbo+grupo
preposicional)
2.1. Pred. Nominal tem como núcleo o nome que indica o estado do sujeito. É sempre formado por um verbo de
ligação (ser, estar, parecer, aparecer, continuar, ficar, permanecer, tornar-se, etc.), e que necessita de um
predicativo de sujeito para completar sua significação.
Ex. 1. Eles continuam teimosos. 2. O Jó permanece doente. 3. O homem é racional.

2.2. Pred. Verbal tem como núcleo o verbo que expressa a acção. É formado por um verbo significativo
(intransitivo, transitivo directo e indirecto, e seus complementos).
Ex. 1. O cão morreu. / 2. O Pedro dormiu e não acordou. (Verbos intransitivos)
1. A Cátia comprou uma pasta. / 2. O Macosso marcou dois golos. (Verbos transitivos
directos)
1. A Maira telefonou à Paula. / 2. Vou assistir ao jogo. (Verbos transitivos indirectos)

Outros elementos ou complementares da oração

Complementos do verbo Complementos do nome


» Objecto directo » Atributo
» Objecto indirecto » Aposto
» Predicativo do sujeito » Complemento determinativo
» Predicativo do objecto directo » Vocativo
» Agente da passiva
» Complementos circunstanciais

Objecto directo designa o ser sobre o qual recai a acção expressa pelo verbo. É introduzido pelos verbos
transitivos directos (e os simultâneos).
Ex. 1. A Gê vê um filme. 2. A Zília contou uma história à irmã.

Objecto indirecto indica o destinatário da acção expressa pelo verbo. É introduzido pelos verbos intransitivos (e
os simultâneos).
Ex. 1. A Luzia telefonou ao Moura. 2. A cidade resistiu aos invasores. 3. Ofereci um lápis à
Paula.

Predicativo do sujeito é o elemento que caracteriza ou estabelece uma relação de sentido com o sujeito, através de
um verbo copulativo (predicativo ou de ligação).
Ex. 1. Aquele funcionário é muito competente. 2. A água está gelada.

Predicativo do objecto directo colocado, geralmente, a seguir ao O.D. por caracterizá-lo, e concordando com ele
em género e número.
Ex. 1. A turma elegeu o Tabita delegado. 2. Os colegas consideram a Dalena inteligente.

Agente da passiva é um complemento de um verbo conjugado na voz passiva, designando o ser que pratica a
acção sofrida pelo sujeito, geralmente introduzida pela preposição por ou, raramente, pela prep. de.
Ex. 1. Aquele cão foi colhido por um automóvel. 2. A operação foi coroada de êxito.
3. O jantar é feito pelo Mbatchi.

Atributo (modificador restritivo)é todo adjectivo que se junta a um nome para o caracterizar, limitando o sentido.
Ex. 1. Aquele filme policial entusiasmou-me. 2. Aquele rapaz curioso torna-se aborrecido.
3. A raposa astuta enganou o lobo.4. O semáforo vermelho já mudou. 5. Aquela aluna que estuda no P.B.2 está
cá.

Aposto (modificador apositivo)é um elemento ou uma expressão (geralmente substantivo) que se acrescenta a um
nome, a um pronome, ou a um equivalente a estes, para os completar com uma explicação suplementar, ocorrendo
como um parênteses na frase por dar uma informação adicional.
Ex. 1. Este carro, um verdadeiro turbo, consome excessivamente. 2. Aquela cidade, Londres, surpreendeu-me.
3.A Joana só consegue conduzir um carro, o seu. 4. O Danoy, o desejado, tornou-se famoso.
5. A Clara, uma professora linda, faz parar o trânsito.
Vocativo é nome ou equivalente, no discurso directo, que designa um chamamento ou apelação. Pode aparecer
antecedido, posposto ou entre vírgulas, e às vezes pela interjeição ó.
Ex. 1. Ó mãe, posso sair? / Posso sair, mãe?
2. Não fujas, Helena, quero falar contigo! / Helena, não fujas, quero falar contigo! / Não fujas, quero falar
contigo, Helena!
Obs. No discurso indirecto o vocativo passa para objecto indirecto:
Ex.Ó Veró, não caias! / Cuidado, Veró, não caias! / Cuidado, não caias, Veró!
Disc. Indirecto: _ Disse à Veró que não caísse. (à Veró: é O.I.)

Complemento determinativo é constituído por um nome ou equivalente, que se liga a outro nome ou adjectivo por
meio da preposição de, estabelecendo diversas relações de significado como:
De origem: 1. O barulho vem de fora. 2. Este vinho é do Porto.
De qualidade: 1. O Bento é um homem de palavra certa. 2. Este é um colégio de renome.
De fim: Reservamos uma mesa de jogos.
De posse: 1. Estou a caneta do Tati. 2. Era enorme a riqueza do Marquês.
De tempo: 1. Assistimos a uma aula de duas horas. 2. Gosto da roupa de verão.
De matéria: 1. Mateus, vou necessitar um anel de ouro. 2. As balas são feitas de chumbo.
De parentesco: 1. A Gê é irmã mais nova da Sidónia. 2. O Sr. Mondi é o pai das irmãs baixinhas.

Complementos circunstanciais exprimem os contextos ou ocasiões em que a acção é praticada.


Ex. Ontem, o Patas festejou alegremente o seu aniversário no colégio. (de tempo, de modo e de lugar)

Tipos de compl. Circ. Exemplos elucidativos


1. A Esmeralda colheu flores no jardim. (onde)/ 2. Vou à praia. (aonde)
De lugar 3. Venha da casa do Gil. (donde)
4. Irei para Roma e passo por Madrid. (para onde e por onde)
1. De tanto pensar em ti, não dormi durante a noite. (tempo durante o qual)
De tempo 2. Sairemos no Sábado, às dez horas. (tempo em que)
[Link] as duas horas que te penso, não parei por um só segundo. (duração)
De causa 1. Tiveram um acidente devido à velocidade.
2. A criança morreu de fome. 3. Não parti por ter caído um nevão.
De modo 1. A Maira atendeu-me com delicadeza. 2. Todos partiram com alegria.
3. O Mateus conduz sem respeitar os sinais.4. Ela falava comigo furiosamente.
De fim 1. Embriaguei-me para parar de pensá-la.
2. O Félix vinha para receber o dinheiro.
1. Compraram a casa com o dinheiro herdado.
De meio 2. Comuniquei os colegas por telefone. 3. Hoje viajarei de táxi.
4. As coisas não se fazem com palavras, mas sim com o trabalho.
De companhia 1. O Javala saiu com o seu melhor amigo.
2. Sede justos mesmo com os injustos. 3. Se andares com os maus, mau serás.
De dúvida 1. Talvez a gente vá ao cinema. 2. Aguardemos, possivelmente aceite a proposta.
De instrumento 1. Cortei o papel com uma tesoura. 2. Não se come a sopa com garfo.
3. ganho o pão com o giz e com o livro.

Obs. Todos os complementos circunstanciais são designados, para as gramáticas recentes, de complementos
oblíquos.

MORFOLOGIA

Estudo da estrutura, formação e classificação das palavras.

Nesta secção, não serão abordados, de forma profunda, todas as classes de palavras que tocam à morfologia.
Serão vistos, aqui, os aspectos que mais suscitam dúvidas no estudo das classes de palavras e que poderão ajudar
na hora da escrita.

Na Língua Portuguesa, são dez as classes gramaticais (ou classes morfológicas), as quais se dividem em variáveis
e invariáveis. É variável a classe de palavra que apresenta alguma flexão: género, número ou grau.
CLASSE DOS ADJECTIVOS

Adjectivos são palavras variáveis em género, número e grau, que modificam ou especificam os atributos dos
nomes (seres animados ou inanimados), caracterizando-os em qualidades, defeitos, modos de ser, aspecto ou em
estado.

Ex. O André tem uma inteligência lúcida._________ (qualidade)


Toda mulher que trai é desprezível. ______________(defeito)
A Edna é uma menina simples. __________________(modo de ser)
O dia está lindo com o céu azul._________________ (aspecto/aparência)
Não coma esta comida, está estragada.____________ (estado)

Obs. Em português, o adjectivo aparece geralmente depois do nome que caracteriza, mas pode também aparecer
antes. Por vezes, o mesmo adjectivo ganha sentidos diferentes estando nas duas posições:
1. Tive uma ideia luminosa. (depois do nome) Depois e antes do nome com mesmo sentido.
1. Tive uma luminosaideia. (antes do nome)
2. Cabinda é uma província grande. Depois e antes do nome com sentidos ou significados
2. Cabinda é uma grandeprovíncia. diferentes.

Flexão dos adjectivos

1. EM NÚMERO: O adjectivo pode tomar a forma do singular ou plural, dependendo da concordância do nome
que este caracteriza ou modifica.

Ex. Tenho um livro bonito. / Tenho três livros bonitos.


Aquela casa é linda. / Aquelas casas são lindas.
O gato preto não me intimida. / Os gatos pretos não me intimidam.
[Link] caracteriza vários nomes no singular, o adjectivo vai para o plural:

Ex. Traz-me pano, pasta e vestido lindos.


Detesto cão e gato pretos.
Nos adjectivos compostos, geralmente varia o último para o plural:
Ex. Luso-francês/luso-franceses; Afro-asiático/afro-asiáticos; médico-cirúrgico/médico-cirúrgicos…
Obs. Estão fora desta regra:
Ex. Surdo-mudo/surdos-mudos; Azul-marinho/azuis-marinhos; Verde-alface/verde-alface…

2. EM GÉNERO: Os adjectivo, na sua maioria, apresentam duas formas de género (os biformes), porém, alguns
apresentam forma única para os dois géneros (os uniformes).

 Alguns adj. biformes: bom/boa; mau/má; vaidoso/vaidosa; bonito/bonita; alto/alta; curto/curta;


português/portuguesa; são/sã; estudioso/estudiosa…
[Link] homem alto e uma mulher alta equiparam-se. / O filho é vaidoso porque a sua mãe tambémé vaidosa.
 Alguns adj. uniformes: agrícola; hipócrita; indígena; forte; doce; terrestre; cruel; fiel; ágil; azul; popular;
salutar; superior; exterior; simples; audaz; comum; virgem…
Ex. Todo homem inteligente quer ao seu lado uma mulher inteligente.

Obs. Nos nomes compostos, flexiona-se o último elemento:

[Link]-brasileiro/luso-brasileira; herói-cómico/herói-cómica; médico-cirúrgico/médico-cirúrgica…

Obs. Excepto: Surdo-mudo/surda-muda (variam os dois); verde-alface/verde-alface (não há variação)

3. EM GRAU: O grau dos adjectivos varia de três maneiras:

GRAUS SUBDIVISÕES DOS GRAUS


1. Normal
1. de superioridade (mais + adjectivo + do que / que)
2. Comparativo 2. de igualdade (tão + adjectivo + como / quanto)
3. de inferioridade (mais + adjectivo + do que / que)
1.1. Sintético (adjectivo + sufixo íssimo/a/s)
1. Absoluto
1.2. Analítico (muito/imensamente/excessivamente + adjectivo)
3. Superlativo 2.1. de superioridade (o/a/s mais + adjectivo)
2. Relativo 2.2. de inferioridade (o/a/s menos + adjectivo)
1. Grau normal indica simples atribuição da característica ou modificação do nome sem gradação.

Ex. O Tadeu é forte. / A Mónica é linda.

2. Grau comparativo estabelece comparação entre dois seres. Pode ser:

a) De superioridade atribui características elevadas de um ser relativamente ao outro a ser comparado.

Ex. O André émais forte do que/que o Cirilo. / A Edna é mais linda do que/que a Paula.

b) De igualdade atribui características semelhantes aos seres comparados.

Ex. O Samuel é tão forte como/quantoEduardo. / A Cecília é tão inteligente como/quanto a Agusta.

c) De inferioridade atribui características menos elevadas de um ser relativamente ao outro a ser comparado.

Ex. O Paulo émenos forte do que/que o Emanuel. / A Cristina é menos linda do que/que a Lídia.

3. Grau superlativo indica o grau mais elevado da característica expressa pelo adjectivo, e que pode ser
representado por absoluto e relativo.

a) O absoluto pode ser sintético e analítico.

* Abs. Sintético formado pela junção do sufixo íssimo ao adjectivo no grau normal.

Ex. O David é fortíssimo./ A Josefina é lindíssima.

Obs. Existem alguns casos específicos do absoluto sintético:

_ Os terminados em vel, forma-se em bilíssimo: agradável/agradabilíssimo; amável/amabilíssimo;


horrível/horribilíssimo; terrível/terribilíssimo; incrível/incribilíssimo…

_ Os terminados em az, iz e oz, forma-se em císsimo: audaz/audacíssimo; capaz/capacíssimo; feliz/felicíssimo;


atroz/atrocíssimo; feroz/ferocíssimo; veloz/velocíssimo…

_ Os terminados em vogal nasal ou ditongo nasal, forma-se em níssimo:comum/comuníssimo;


cristão/cristianíssimo; pagão/paganíssimo; vão/vaníssimo…

_ Os terminados em ico e olo, forma-se em entíssimo: benéfico/beneficentíssimo; magnífico/magnificentíssimo;


…..maléfico/maleficentíssimo;…benévolo/benevolentíssimo; malévolo/malevolentíssimo…

_ Alguns adjectivos com o superlativo em érrimo: acre/acérrimo; áspero/aspérrimo; célebre/celebérrimo;


íntegro/integérrimo;

_ Outros casos específicos: amargo/amaríssimo ou amarguíssimo, amigo/amicíssimo ou amiguíssimo,


antiquíssimo, cruel/crudelíssimo, doce/dulcíssimo ou docíssimo, fiel/fidelíssimo, frio/frigidíssimo,
nobre/nobilíssimo, pessoal/personalíssimo ou pessoalíssimo, sábio/sapientíssimo, sagrado/sacratíssimo, etc.

 Absoluto analítico: formado pela junção do advérbio muito ao grau normal do adjectivo, ou com as
palavras (imensamente, extraordinariamente, bem, etc).

Ex.: O Gabriel é muito calmo. O Aníbal é imensamente bom.

 Grau superlativo relativo: exprime a característica mais ou menos elevada de um ser ou objecto em
relação aos outros do mesmo conjunto, pode ser:
 Superlativo relativo de superioridade: antepõe-se os artigos (a/o/s) ao comparativo de superioridade
(mais), e as preposições (de ou entre) ou pronome relativo (que).

Ex.: O Faustino é o rapaz mais calmo da escola.


O Zau é o garoto mais calmo entre os garotos.

O Manuel é o rapaz mais querido que temos na escola.

 Grau relativo de inferioridade: antepõe-se também os artigos (a/o/s) ao comparativo de inferioridade


(menos), e as preposições (de e entre) ou o pronome relativo (que).

Ex.: O Edgar é o professor menos querido da escola.

A Gisela é a menos ambiciosa entre as moças.

O Anderson é menos rude que temos na família.

Casos especiais de comparativos e superlativos com formas regulares e irregulares:

Superlativo
Grau normal Comparativo Irregular Regular
Bom Melhor Óptimo Boníssimo
Mau Pior Péssimo Malíssimo
Grande Maior Máximo Grandíssimo
Pequeno Menor Mínimo Pequeníssimo
Alto Superior Supremo/Sumo Altíssimo
Inferior Ínfimo Baixíssimo

CLASSE DOS NOMES/SUBSTANTIVOS

É a classe que designa seres (animados ou inanimados: cão; livro...), qualidades (respeito; amor...), estados
(saúde, alegria...), lugares (Angola, Cabassango), processos (ida, chegada, partida...) e fenómenos naturais (chuva,
noite...).

Classificação ou subclasse dos nomes quanto à formação:

1. Primitivo: palavras que não derivam de outras. Ex.: flor, pedra, jardim, leite, goiaba, ferro, cobre, uva, maçã,
metal.

2. Derivado: vem de outra palavra existente na língua (substantivo primitivo). Ex.: pedreiro(pedra),
jornalista(jornal)...

Ainda na formação, quanto ao número de radicais, pode ser classificado em:

 Simples: tem apenas um radical. Ex.: água, couve, sol...


 Composto: tem dois ou mais radicais. Ex.: segunda-feira, couve-flor, girassol, lança-perfume, pé-de-
cabra, cachorro-quente, guarda-chuva...

Quanto ao tipo, especificando seres, pode ser classificado em:

1. Próprios: individualizam os seres que nomeiam, sendo grafado sempre com letra inicial maiúscula. Ex.: João,
Maria, Bahia, Brasil, Rio de Janeiro, Japão.

2. Comuns: são substantivos que designam um elemento qualquer sem individualizá-los. Subdividem-se em:

 Concretos: designam seres que pertencem ao mundo físico. Ex.: casa, cadeira. Também são concretos os
substantivos que nomeiam divindades (Deus, anjos, almas) e seres fantásticos (fada, duende), pois,
existentes ou não, não estão vinculados a alguma outra coisa para existir.
 Abstractos: designam ideias ou conceitos, cuja existência está vinculada a alguém ou a alguma outra
coisa. Ex.: justiça, amor, trabalho, conversa, inteligência, amor, etc.
 Colectivos: aqueles que, embora estejam no singular, designam um conjunto de seres. No entanto, vale
ressaltar que não se trata necessariamente de quaisquer seres daquela espécie. Alguns exemplos:
biblioteca; gente; pessoal; turma; multidão; equipa...

Quanto às formas de género (masculino e feminino), classifica-se em:

1. Biformes: apresentam duas formas, uma para cada género, originadas do mesmo radical. Ex.: menino -
menina, traidor - traidora, aluno - aluna, gato - gata.

2. Heterónimos: apresentam também duas formas, uma para cada género, tendo radicais distintos. Ex.: arlequim
- colombina, arcebispo - arquiepiscopisa, bispo - episcopisa, bode - cabra, ovelha - carneiro.

3. Uniformes: apresentam a mesma forma para os dois géneros, podendo ser classificados em:

 Epicenos: referem-se a animais ou plantas, e são invariáveis no artigo precedente. Quando é necessário
discriminar o sexo do animal, acrescenta-se a palavra "macho" ou "fêmea". Ex.: a onça macho - a onça
fêmea; o jacaré macho - o jacaré fêmea; a cobra macho - a cobra fêmea.

 Comuns de dois géneros: o género é indicado e diferenciado pelo artigo precedente. Ex.: o dentista - a
dentista, um jovem - uma jovem, o imigrante italiano - a imigrante italiana.

 Sobrecomuns: invariáveis no artigo precedente. Ex.:a criança, o indivíduo, a testemunha (não existem
formas como "o criança", "a indivíduo","o testemunha", nem palavras como "crianço" ou "indivídua",
excepto "testemunho").

CLASSE VERBAL/USO CORECTO DO VERBO

PONTUAÇÃO É o conjunto de sinais gráficos que possui basicamente duas funções: de representar as pausas
na língua escrita e a entoação da língua falada.
Emprego dos sinais gráficos
VÍRGULA ( , ) e os casos do seu empregue
1. para separar termos da mesma função sintáctica:
Ex.: Pedro, João, Mateus e Tiago eram lindos. (mesma função sintáctica na oração, a de sujeito.)
Ana vendeu um sofá, duas poltronas, uma estante e uma mesinha. (objectos directos da oração.)
Obs.: Torna-se necessária a vírgula antes da conjunção "e" quando servir para separar orações coordenadas que
tenham sujeitos diferentes.
Ex.: A primavera despertava as flores, e os coqueiros balançavam preguiçosos ao vento.

2. para isolar o objecto directo anteposto ao verbo nas construções em que ele aparece também com sua forma
pleonástica:
Ex.: A mesa, nós a empurraremos. (A mesa = objecto directo / pronome a = objecto directo pleonástico)
O homem, fê-lo Deus à sua semelhança. (O homem = objecto directo / lo = objecto directo pleonástico).
Os sapatos, João os comprou na C&A. (Os sapatos = objecto directo / os = objecto directo pleonástico)

3. para isolar o aposto explicativo:


Ex.: Gê, a subdelegada, estava muito feliz. (aposto = a subdelegada)
João Tabita, o Tira-dentes, foi enforcado por lutar pela nossa Independência. (aposto = o Tira-dentes).

4. para isolar o vocativo:


Ex.: Helena, porque não respondes? (vocativo = Maria)
Ajuda-me, Senhor, neste trabalho. (vocativo = Senhor)
5. para isolar o adjunto adverbial (complemento circunstancial) antecipado:
Ex.: No campo, a chuva é sempre bem-vinda. (adjunto adverbial = No campo)
Ama, com fé e orgulho, a terra em que nasceste. (adjunto adverbial = com fé e orgulho)
Pela manhã, fui ao sítio de meu avô. (adjunto adverbial = Pela manhã)
Obs.: No entanto, quando o adjunto for constituído de apenas um advérbio, a vírgula será facultativa.
Ex.: Ali várias pessoas discutiam sobre futebol. Ou: Ali, várias pessoas discutiam sobre futebol.
Hoje não comprei o jornal. Ou: Hoje, não comprei o jornal.

6. para se separar a localidade da data, e nos endereços:


Ex.: Rio de Janeiro, 31 de Julho de 1957.
Rua das Mangueiras, 200, ap. 101, 4 de Fevereiro.

7. para marcar a supressão do verbo numa oração (zeugma):


Ex.: Eu fui de ónibus; ela, de avião.
Os valorosos levam as feridas; e os venturosos, os prémios.

8. Separar orações coord. assindéticas, isto é, as que não apresentam conjunções que as interliguem:
Ex.: Acendeu um cigarro, cruzou as pernas, estalou os dedos. Vim, vi, venci.

9. para separar as orações coordenadas sindéticas adversativas, conclusivas e explicativas:


Ex.: Não me disseste nada, mas eu vi tudo.
Joana namorava Náger, entretanto não o amava. Tu és homem, logo és mortal.
Estou com o mapa no carro, portanto não errarei o caminho. Venha, que já é tarde.
Não fumes aqui, porque é perigoso. Volte amanhã, pois o director não o atenderá hoje.

10. para isolar certas expressões exemplificativas e de rectificação:


Ex.: Além disso, por exemplo, isto é, ou seja, a saber, aliás, digo, minto, ou melhor, ou antes, outrossim, com
efeito, a meu ver, por assim dizer, por outra, etc.

12. para isolar certas conjunções deslocadas: Ex.: Naquele dia, porém, não pude vir. (todavia, contudo,
entretanto, No entanto, etc.)
14. para isolar as orações subordinadas adjectivas explicativas:
Ex.: Chi, que tem manias estranhas, entrou na sala agora.
O homem, que se considera racional, muitas vezes age animalescamente.

CASOS EM QUE NÃO SE DEVE EMPREGAR A VÍRGULA

A) Não se deve separar por vírgula o sujeito de seu predicado, os verbos de seus complementos e destes os
adjuntos adverbiais se vierem na ordem directa:
Obs.: Ordem directa sujeito + verbo + complementos + adjuntos adverbiais (complementos circunstanciais).
Ex.: Pedro, comprou um livro na rua. (errado) Pedro comprou, um livro na rua. (errado) Pedro comprou um livro,
na rua. (errado)
Pedro comprou um livro na rua . (certo)

PONTO-E-VÍRGULA ( ; )
Este sinal serve de intermediário entre o ponto e a vírgula, aproximando-se ora mais de um ora mais de outro,
segundo os valores pausais e melódicos que representa no texto. Apesar da imprecisão deste sinal, pode-se
estabelecer alguns empregos para ele.
1. Serve para separar orações coordenadas com certa extensão e que possuam a mesma estrutura sintáctica,
sobretudo, se possuem partes já divididas por vírgulas:
Ex.: Das graças que há no mundo, as mais sedutoras são as da beleza; as mais picantes, as do espírito; as mais
comoventes, as do coração.
Nos dias de hoje, é preciso andar com cautela; antigamente, a vida era mais tranquila.

2. Para separar orações coordenadas assindéticas de sentido contrário:


Ex.: Cláudio é óptimo filho; Júlio, ao contrário, preocupa constantemente seus pais. Uns se esforçam, lutam,
criam; outros vegetam, dormem, desistem.
3. Para separar orações coordenadas adversativas e conclusivas quando se deseja (com o alongamento da pausa)
acentuar o sentido adversativo ou conclusivo dessas orações:
Ex.: Pode a virtude ser perseguida; mas nunca desprezada.
Estudei muito; não obtive, porém, resultados satisfatórios.
Ele anda muito ocupado; não tem, por isso, respondido às suas cartas.

PONTO ( . )
O ponto assinala a pausa máxima da voz. Serve para indicar o término de uma oração absoluta ou de um período
composto.
Quando os períodos simples e compostos mantêm entre si uma sequência do pensamento, serão separados por um
"ponto simples" que indicará uma continuação; e o período seguinte que expressa uma consequência ou uma
continuação do período anterior será escrito na mesma linha.
Porém, se houver um corte, uma interrupção na sequência do pensamento, o período seguinte se iniciará na outra
linha, sendo o ponto do período anterior que indicará a abertura de um novo parágrafo.
Finalmente, quando um ponto encerra um enunciado, dá-se o nome de "ponto final".
O ponto serve ainda para abreviar palavras:
Ex.: V. S. = Vossa Senhoria; prof. = professor, etc.

DOIS PONTOS ( : )
Serve para marcar uma sensível suspensão da voz na melodia de uma frase não concluída.
Emprega-se nos seguintes casos:
1. Antes de uma citação:
Ex.: Como ele nada dissesse, o pai perguntou: - Queres ou não queres ir?
Disse Machado de Assis: "A solidão é oficina de ideias."
2. Antes de uma enumeração:
Ex.: Tínhamos dezenas de amigos: Pedro, João, Carlos, Luís, mas nenhum deles entendeu nosso problema.
3. Antes de uma explicação, uma síntese ou uma consequência do que foi enunciado, ou ainda antes de uma
complementação:
Ex.: A razão é clara: achava sua conversa menos interessante que a dos outros rapazes. E a felicidade traduz-se
por isto: criarem-se bons hábitos durante toda a vida. No quartel, quem manda é o sargento: só nos cabe ouvir e
obedecer. Aquela mãe preocupava-se com uma coisa só: o futuro dos filhos.
"Não sou alegre nem sou triste: sou poeta." (C. Meireles)
Obs.: Nos vocativos de cartas, ofícios, etc., usa-se vírgula, ponto, dois pontos ou nenhuma pontuação.
Ex.: Prezado Senhor, Prezado Senhor. Prezado Senhor: Prezado Senhor.

PONTO DE INTERROGAÇÃO ( ? )
É um sinal que indica uma pausa com entoação ascendente. Emprega-se nos seguintes casos:
1. Nas interrogações directas:
Ex.: Quem vai ao teatro hoje?
2. Pode-se combinar o ponto de interrogação com o ponto de exclamação quando a pergunta também expressar
uma surpresa:
Ex.: - Ana desmanchou o noivado de cinco anos. - Por quê?!
3. Quando houver dúvida na pergunta, costuma-se colocar reticências após o ponto de interrogação:
Ex.: - Então?... Qual o caminho que devemos seguir?... - E você também não sabe?...

PONTO DE EXCLAMAÇÃO ( ! )
Neste sinal, a pausa e a entoação não são uniformes, já que somente no contexto em que está inserida a frase
exclamativa poderemos interpretar a intenção do escritor, pois são várias as possibilidades da inflexão
exclamativa como, por exemplo, as frases que exprimem espanto, surpresa, alegria, entusiasmo, cólera, dor,
súplica, etc. Normalmente se emprega nos seguintes casos:
1. Depois de interjeições ou de termos equivalentes como os vocativos intensos, as apóstrofes:
Ex.: - Ai! Ui! - gritava o menino.
- Credo em cruz! - gemeu Raimundo. - Adeus, Senhor!
RETICÊNCIAS ( . . . )
Serve para marcar a suspensão da melodia na frase. Emprega-se em casos muito variados como:
1. Para interromper uma ideia, um pensamento, a fim de se fazer ou não, logo após, uma consideração:
Ex.: - Quanto ao seu pai... às vezes penso... Mas asseguro-lhe que é verdade quase tudo que se contam por aí
sobre homens que enriqueceram facilmente.
2. Para marcar suspensões provocadas por hesitação, surpresa, dúvida ou timidez de quem fala. E ainda,
certas inflexões de alegria, tristeza, cólera, ironia, etc.
Ex.: - Rapaz, veja lá... pensa bem no que vai fazer... - alertou o amigo.
3. Para indicar que a ideia contida na frase deve ser completada pela imaginação do leitor:
Ex.: "Duas horas te esperei. Duas mais te esperaria. Se gostas de mim, não sei... Algum dia há de ser dia." (F.
Pessoa)
4. Para indicar uma interrupção brusca da frase:
Ex.: (Um personagem corta a fala de outro) - A senhora ia dizer que... - Nada... Esquece tudo isto.

PARÊNTESES ( )
São empregados para intercalar, num texto, qualquer indicação ou informação acessória de carácter secundário.
Exemplos em que se empregam os parênteses:
1. Numa explicação:
Beto (tinha esse apelido desde criança) não gostava de viajar.
2. Numa reflexão, num comentário à margem do que se afirma:
Jorge mais uma vez (tinha consciência disso) decidiu seu destino ao optar pela mudança de país.
3. Numa manifestação emocional expressa geralmente em forma exclamativa ou interrogativa:
"Havia escola, que era azul, e tinha um mestre mau, de assustador pigarro... (Meu Deus! Que isto? Que emoção a
minha quando estas coisas tão singelas narro?)"
4. Nas referências a datas, indicações bibliográficas, etc;
Kardec revela-nos em "O Livro dos Espíritos" (1857) os mistérios do Mundo Invisível.
5. Numa citação na língua de origem:
Como disse alguém: "A natureza não dá saltos" (natura non saltit).

ASPAS ( " " )


São empregadas nos seguintes casos:
1. No início e no fim de uma citação ou transcrição literária:
Ex.: Fernando Pessoa nos revela em um de seus poemas que Júlio César definiu bem toda a figura da ambição
quando disse: "Antes o primeiro na aldeia do que o segundo em Roma".
2. Para fazer sobressair palavra ou expressões que, geralmente, não são comuns à linguagem normal
(estrangeirismos, arcaísmos, neologismos, gírias, etc.).
Ex.: O Sistema DOSVOX é um "software" especial para cegos.
Os escravos chamavam meu bisavô de "sinhô" ou "nhonhô".
O director daquela escola pública, para todos os alunos, era considerado "sangue bom".
3. Para realçar o significado de qualquer palavra ou expressão, ou para marcar um sentido que não seja o
usual;
Ex.: O vocábulo "que" pode ser analisado de várias maneiras.
Ela deu um "espectáculo" no saguão do prédio. (A palavra espectáculo aqui tem o sentido de escândalo.)
Obs.: As aspas também podem ser empregadas no lugar dos travessões em diálogos quando da mudança de
interlocutor.
Ex.: "Vamos mudar de assunto", disse eu. "OK, vamos então falar de amor?" replicou Clara. "Boa ideia!"
concordei, sorrindo-lhe.
4. Para fazer sobressair o título de uma obra literária, musical, etc.
Ex.: Adorei ler "Nosso Lar", de André Luís.
Você gostou do disco "Sozinho", do Caetano Veloso?

TRAVESSÃO ( _ )
Emprega-se nos seguintes casos:
1. Para indicar, nos diálogos, a mudança de interlocutor:
Ex.: - Você tem religião? - Sim, a do Amor.
2. Para isolar, num contexto, palavras ou orações intercaladas:
Ex.: O presidente declarou - e nem sabemos quanto lhe custou essa decisão - que estava renunciando.
3. Para dar mais realce a uma expressão ou oração, pode-se empregar o travessão em lugar dos dois pontos:
Ex.: Era mesmo o meu quarto - a roupa da escola no prego atrás da porta, o quadro da santa na parede...
4. Para substituir um termo já mencionado (uso comum nos dicionários).
Ex.: pé, s. m.: parte inferior do corpo humano; - de-moleque: doce feito de amendoim.

ASTERISCO ( * )
Serve para chamar a atenção do leitor para alguma nota ao final da página ou do capítulo.

MODOS OU GÉNEROS LITERÁRIOS


Modos ou Géneros literários são as diversas modalidades de ex pressão literária, agrupadas em função
das diferentes maneiras de o escritor ver e sentir o mundo.

1. Épico ou Narrativo

Os 3 modos ou géneros literários 2. Dramático

3. Lírico

I. ÉPICO OU NARRATIVO

1. Épico ou Narrativo, geralmente em prosa, apresenta textos do mundo exterior ou objectivo. É assim
denominado porque: épico (para respeitar a origem histórica), ou narrativo (para acompanhar a
evolução da criação literária).

Centra-se na 3ª pessoa gramatical (por fazer relato de ocorrências), e na função de linguagem


referencial ou informativa (por ser mais informativo, factual e objectivo).

Categorias da narrativa (elementos que participam e que fazem a existência de um texto narrativo):
personagens, tempo, espaço, acção, narrador e modos de representação e de expressão do discurso.

Subgéneros do género 1. Epopeia ou poema épico (narrativa real)

narrativo ou épico 2. Conto

3. Novela Narrativas de ficção ou imaginárias

4. Romance

5. Crónica

Entendamos por Literatura de Ficção aquela que contenha uma história inventada ou fingida,

imaginada, resultado de uma invenção imaginativa, com ou sem intenção de iludir.

1. EPOPEIA OU POEMA ÉPICO é uma longa narrativa ou poema de carácter heróico,


grandioso e de interesse nacional e social, geralmente escrita em versos. Ela apresenta uma
atmosfera maravilhosa que, em torno de acontecimentos históricos passados, reúne mitos,
heróis e deuses.
Portanto, na epopeia (texto em verso, que narrava actos heróicos, o nacionalismo, o heroísmo, o
maravilhoso dos feitos dos heróis nacionais), o autor, através da palavra, interpreta a vida e a expressa
por uma história.

As epopeias mais conhecidas são: llíada e Odisséia, ambas de autoria do grego Homero;
Eneida, do romano Virgílio. Em língua portuguesa, há Os Lusíadas, de Camões.
2. CONTO é uma narração falada ou escrita, brevíssima e curta, de histórias inventadas ou imaginárias.
A definição do conto pode ser interpretada de várias formas, como:
a) Relato ou narração de um acontecimento falso de modo oral ou escrito;
b) Fábula que se conta às crianças para diverti-las.
2. NOVELA é uma narrativa em que há sucessividade de conflito , na qual cada (conflito) episodio
praticamente se constitui numa narrativa autónoma em relação aos que lhe seguem . É mais
desenvolvida que o canto, e menor que o romance.
[Link] criação de coisas imaginarias descritas como reais ou factuais mediante o conflito de
personagens.
É a mais extenso do demais subgéneros de ficção, isto pela complexidade da acção, de tempo ,de
espaço, de personagens detalhadas e de predomínio da narração em quase todas as formas do discurso.
5. CRÓNICA é um tipo de texto escrito para ser publicado em jornais e revistas. É, geralmente,
dirigido a leitores apressados, até porque o próprio cronista também dispõe de pouco tempo para
escrever o seu texto.
Quanto ao conteúdo, a crónica se distingue do conto porque, em geral, o cronista extrai do quotidiano
a matéria para seus textos, em função do carácter circunstancial da crónica. Entretanto, o cronista
transforma o pequeno acontecimento do dia a dia em motivo de reflexão.

II. GÉNERO DRAMÁTICO

Relaciona-se com todo aquele texto escrito com o objectivo de servir a uma representação dos
acontecimentos em palco, aos olhos do receptor, leitor ou espectador, por girar em torno da 2ª
pessoa do discurso (tu) e tendo uma função apelativa.

É um texto que reúne características dos demais géneros, conciliando a objectividade do


narrativo e a subjectividade do lírico, porém, distinguindo-se dos demais géneros por envolver
dois momentos: o do texto em si e o da representação.

Obs.: Teatro (conjunto de representação ou espectáculo, actuação (trabalho dos atores), a


coreografia, o cenário, a sonoplastia (ruídos que acompanham a encenação), a iluminação, o
figurino, etc.). Dramaturgia (área da literatura que estuda o texto dramático). Dramaturgo
(próprio autor do texto). Encenador (director da peça).

Subgéneros ou espécies do género dramático

A tragédia é a cena teatral que tem por finalidade comover ou clarificar os espectadores,
inspirando-lhes terror e compaixão, e promovendo a purificação.

A comédia é a cena teatral que tem por objectivo valer-se do riso e da diversão para corrigir e
moralizar os costumes.

O Drama é a cena teatral em que a tragédia se mistura com a comédia, mediante a alternância
de cenas trágicas e cómicas; também pode ser chamado de tragicomédia por apresentarem
características semelhantes.

III. GÉNERO LÍRICO

É a expressão de um estado de espírito em que o sujeito lírico pretende, antes de tudo,


expressar a si mesmo e o seu estado de alma, com o uso da 1ª pessoa (EU) e a função emotiva.

A palavra lírica deriva de lira, instrumento musical com o qual os poetas gregos
acompanhavam seus poemas, ao recitá-los ou cantá-los.
O poeta lírico se ocupa do próprio “eu”. Interessa-lhe a expressão de sua subjectividade, do que
lhe vai no íntimo, ou seja, a expressão de vivências intensas de um EU no encontro com o
mundo: sentimentos, força interior, angústias, paixões, reflexões, emoções, sensações...

Obs.: Poema é o conjunto de versos dispostos no papel, isto é, o aspecto concreto do texto.
Poesia é o “efeito” resultante da utilização de recursos que conferem ao texto determinado teor
estilístico. Verso: cada uma das linhas do poema. Estrofe: cada um dos conjuntos de versos em
que se divide o poema (de três versos (terceto), de quatro versos (quarteto ou quadra) e de oito
versos (oitava). Rima: repetição de sons semelhantes no final de versos diferentes, no interior
do mesmo verso ou em qualquer outra posição.

Subgéneros ou espécies do género dramático

Soneto: composição poética de 14 versos, agrupados em duas quadras e dois tercetos.

Canção: é a composição musical de diversos assuntos (amorosa, filosófica, patriótica ou


satírica), dedicada a alguma personagem.

Ode: é uma forma de canto, ou seja, uma poesia cantada com os sentimentos do sujeito lírico,
alegre ou triste, acompanhada com o som da lira.

CULTURA GERAL: CONCEITUAÇÃO DE ALGUNS TERMOS BASILARES

 ENSINO SUPERIOR é onde se processa a instrução de graduação elevada, ou seja, que


oferece um ensino que tem o grau mais elevado do que o médio ou o secundário, e que confere melhor
qualidade.
 UNIVERSIDADE é o conjunto de escolas, chamadas Faculdades ou Unidades
Orgânicas, onde se professa o ensino superior. Ainda pode significar o agrupamento do corpo docente,
discente e administrativo que compõe esse estabelecimento.
É uma instituição de ensino superior constituída por um conjunto de faculdades e
escolas. Ou, é um edifício ou conjunto de edifícios onde funciona essa instituição. (DICION. DA L.
PORT., 2013:1611).
 FACULDADE, na Universidade, designa uma escola superior independente consagrada
ao ensino de um grande ramo do saber (Medicina, Engenharia) e que confere graus académicos aos
alunos que concluem com êxito certo número de provas.
Ou ainda, refere-se a uma escola superior destinada ao ensino de uma área específica do
conhecimento e que confere graus académicos. (Ibidem).

UNIVERSIDADE 11 DE NOVEMBRO (UON), REGIÃO ACADÉMICA III

UON, Universidade 11 de Novembro, é a terceira Região Académica de Angola, que


abrange as províncias de Cabinda e Zaire, cuja sede em Cabinda. Descendente do antigo campus da
Universidade Agostinho Neto (UAN) em Cabinda, inaugurado em 1996. O campus era um dos vários
Institutos Superiores de Ciências da Educação (ISCED's) da UAN espalhados por Angola.
A reforma do ensino superior promovida pelo governo de Angola, em 2008, propunha a
descentralização dos pólos da UAN, de maneira que pudessem constituir novos centros universitários
autónomos. De tal proposta surgiu a Universidade 11 de Novembro (UON), efectivada pelo decreto-lei
n° 7/09, de 12 de Maio de 2009, aprovado pelo Conselho de Ministros.

LIDERANÇA DA UNIVERSIDADE 11 DE NOVEMBRO

1. REITOR: João Fernando Manuel;

2. VICE-REITORA, Área Científica: Helena Berta Buca Vando Marciano;

3. VICE-REITOR, Área Académica: Luzayádio André;

4. VICE-REITOR, para Administração e Gestão: Paulino da Graça Matuba Puna;

5. PRÓ-REITOR, para Cooperação: Francisco António Macongo Chocolate.

A ESTRUTURA ORGÂNICA DA UNIVERSIDADE 11 DE NOVEMBRO

1 - CAMPUS DE CABINDA _ funciona com 5 Unidades Orgânicas, cada uma das quais
distribuída com diversas áreas do saber científico (Cursos):

 Instituto Superior de Ciência da Educação (ISCED);


 Faculdade de Direito (FD);
 Faculdade de Economia (FE);
 Faculdade de Medicina (FM);
 Instituto Superior Politécnico de Cabinda (ISPC).

2 - CAMPUS DE M'BANZA KONGO

 Escola Superior Politécnica de M'Banza Kongo (Curso de Ensino de Física; Curso de Ensino de
Matemática; Curso de Ensino de Psicologia; Curso de Ensino de Química; Curso de Gestão de
Empresas).

3 - CAMPUS DO SOYO

 Escola Superior Politécnica do Soyo (Curso de Ensino de Matemática; Curso de Pedagogia; Curso de
Engenharia Informática; Curso de Organização e Manutenção Industrial).

ESTRUTURA OPERANTE DO ISCED_CABINDA


ISCED, Instituto Superior de Ciências da Educação, é uma das Unidades Orgânicas da UON, Região
Académica III, em Cabinda, composta por 7 cursos e seus Departamentos funcionais, respectivamente.

As Entidades Reitoras do ISCED-Cabinda:


1. Decano: Prof. DR. José Manuel Sita Gomes;
2. Vice-Decano, Área Académica: Prof. DR. Miguel Raul Mazissa Zinga;
3. Vice-Decano, Área Científica e Pós-graduação: Prof. DR. Constantino Humberto Muko.
Cursos funcionais no ISCED-Cabinda:

1. Ensino de Psicologia;
2. Ensino de Biologia;
3. Ensino de Língua Inglesa;
4. Ensino de Matemática;
5. Ensino de Pedagogia;
6. Ensino de História;
7. Ensino de Língua Portuguesa.

 Departamentos e seus líderes do ISCED-Cabinda:


1. Departamento de Ensino e Investigação em Psicologia;

 Chefe: Prof. DR. Nlandu Balenda

2. Departamento de Ensino e Investigação em Biologia;

 Chefe: Mestre Nkilumuene Nkódia

3. Departamento de Ensino e Investigação em Língua Inglesa;

 Chefe: Lic. Zola Diawaku André

4. Departamento de Ensino e Investigação em Matemática;

 Chefe: Mestre António Casimiro Puindi

5. Departamento de Ensino e Investigação em Pedagogia;

 Chefe: Profª. DRª. Mónica Dina Chilongo Jová

6. Departamento de Ensino e Investigação em História;

 Chefe: Prof. DR. Francisco José Nvumbi Ngimbi

7. Departamento de Ensino e Investigação em Língua Portuguesa.

 Chefe: Prof. DR. Domingos Gabriel Ndele Nzau

Outras Repartições e seus líderes do ISCED-Cabinda:

1. Departamento dos Assuntos Académicos (DAAC);

 Chefe: Mestre Sibile Suzana Lelo Muanda

2. Departamento de Orientação Profissional e Inserção no Mercado de Trabalho (DOPIMT);

 Chefe: Dra. Gerusa de Oliveira Gime

2. Departamento de Formação Continuada;

 Chefe: Prof. DR. Alexandre Chuculate Pambo

2. Departamento dos Assuntos Científicos e Publicação;


 Chefe: Mestre Mbulu Fuka Malendji

2. Biblioteca do ISCED-Cabinda.

 Chefe: Mestre André Ndoki Júnior

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