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Didática Crítica para Jovens Estudantes

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Universidade Federal de Rio Grande
Prof: Ana Cristina
Matéria: didática


Deise Theodoro Anhanha 172438
Jurema marques Dias 17221









Rio Grande - RS
Didática para o Trabalho Docente com Jovens: Problematizações Fundamentadas
nos Textos de Maria Amélia Santoro Franco, Selma Garrido Pimenta e Silvana
Mesquita

Introdução

O trabalho docente com jovens apresenta desafios e possibilidades que demandam


reflexões aprofundadas sobre a didática. A partir dos textos de Maria Amélia
Santoro Franco, Selma Garrido Pimenta e Silvana Mesquita, identificam-se
elementos essenciais para repensar práticas pedagógicas que promovam a
construção/reconstrução de conhecimentos e saberes. Este texto apresenta quatro
questões problematizadoras que emergem dessas obras, abordando aspectos como
a dimensão relacional, a integração teórico-prática, a resistência ao tecnicismo e a
promoção de uma educação crítica e transformadora.

1. Como a dimensão relacional contribui para a construção de sentidos no processo


de ensino e aprendizagem com jovens estudantes?

O vínculo relacional entre professores e jovens estudantes não se restringe a uma


conexão afetiva, mas constitui um campo de significados que atravessa a prática
pedagógica. Silvana Mesquita (2022) destaca que "a relação entre docente e
discente não é acessória, mas essencial na mediação do saber, sendo capaz de
transformar a sala de aula em um espaço de significação coletiva" (p. 45).
Nesse sentido, a dimensão relacional é fundamental para superar abordagens
instrucionais mecânicas, permitindo a construção de sentidos que dialoguem com as
vivências dos estudantes. Ao priorizar a escuta ativa e a empatia, o docente pode
criar um ambiente que valorize a subjetividade dos jovens, fomentando o
engajamento crítico e a aprendizagem significativa. Assim, a relação
professor-aluno torna-se um espaço de criação conjunta de saberes.

2. De que forma a didática multifuncional pode contribuir para a sistematização de


práticas docentes mais integradas e significativas para jovens estudantes?

A proposta de uma didática multifuncional, conforme desenvolvida por Franco e


Pimenta (2020), busca superar visões fragmentadas do ensino, integrando as
dimensões cognitiva, afetiva e social. Para os autores, "a prática docente deve ser
compreendida como um fenômeno complexo, que exige do professor a habilidade
de articular diferentes saberes em função da formação integral dos estudantes"
(Franco & Pimenta, 2020, p. 37).
Essa perspectiva desafia os professores a desenvolverem práticas pedagógicas que
transcendam a simples transmissão de conteúdos, incorporando experiências
significativas e contextualizadas. Por exemplo, ao trabalhar com jovens, é crucial
considerar suas demandas sociais e culturais, promovendo a interdisciplinaridade e
a valorização das múltiplas formas de expressão. A didática multifuncional, assim,
oferece uma base para a construção de práticas integradoras que favorecem o
protagonismo juvenil.

3. Quais os desafios de resistência ao tecnicismo e ao neotecnocismo neoliberal no


trabalho docente, especialmente na educação de jovens?

Selma Garrido Pimenta (2018) problematiza o avanço do tecnicismo e do


neotecnocismo neoliberal na educação, fenômenos que reduzem a prática docente
a uma aplicação mecânica de técnicas e instrumentos avaliativos. Ela alerta que
"essas tendências desumanizam o ensino, apagando a dimensão crítica e
transformadora do trabalho pedagógico" (Pimenta, 2018, p. 92).
No contexto da educação de jovens, essa crítica é especialmente pertinente, pois
muitos sistemas educacionais priorizam resultados mensuráveis em testes
padronizados, desconsiderando a singularidade das experiências juvenis. Resistir a
essas tendências implica adotar práticas pedagógicas que valorizem a criatividade,
a autonomia e a formação cidadã. Para tanto, é essencial fortalecer a reflexão
crítica sobre o papel do professor como mediador de aprendizagens significativas e
promotor de mudanças sociais.

4. Como os elementos da didática podem ser mobilizados para promover uma


educação crítica e transformadora com jovens estudantes?

Silvana Mesquita (2022) enfatiza que "a didática não deve ser reduzida a um
conjunto de métodos, mas entendida como uma prática reflexiva que possibilita ao
professor reinterpretar sua atuação pedagógica" (p. 52). Sob essa perspectiva, os
elementos da didática podem ser mobilizados para construir uma educação crítica e
transformadora, especialmente ao trabalhar com jovens estudantes.
Isso exige a criação de situações de aprendizagem que dialoguem com os
interesses, vivências e inquietações dos jovens. Por exemplo, a utilização de
metodologias ativas, como projetos interdisciplinares e debates, pode ampliar a
capacidade dos estudantes de refletirem sobre questões sociais e desenvolverem
autonomia intelectual. Assim, os elementos da didática se tornam instrumentos de
emancipação, favorecendo a reconstrução de conhecimentos em uma perspectiva
crítica e contextualizada.

Conclusão

A reflexão sobre a didática, a partir das contribuições de Franco, Pimenta e


Mesquita, revela-se indispensável para a formação de professores capazes de lidar
com os desafios da educação contemporânea. As questões problematizadoras aqui
apresentadas destacam a importância de práticas docentes que integrem
dimensões cognitivas e afetivas, resistam a tendências tecnicistas e promovam uma
educação crítica e transformadora. Em um contexto de constantes mudanças
sociais, a didática deve ser compreendida como um campo dinâmico e em
permanente reconstrução, capaz de mobilizar saberes que respondam às
demandas dos jovens estudantes e contribuam para a formação de sujeitos
autônomos e críticos.

Referências

Franco, M. A. S., & Pimenta, S. G. (2020). Didática multifuncional: Por uma


sistematização conceitual. São Paulo: Cortez.

Mesquita, S. (2022). Elementos da didática para juventude: Entre a dimensão


relacional e a construção de sentidos. Rio de Janeiro: Vozes.

Pimenta, S. G. (2018). As ondas críticas da didática em movimento: Resistência ao


tecnicismo/neotecnocismo neoliberal. São Paulo: Papirus.

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