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Triagem Auditiva Neonatal e IRDA

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TRIAGEM AUDITIVA NEONATAL

Hospital Electro Bonini – Maternidade Cidinha Bonini

IRDA = Indicadores de risco para deficiência auditiva

EOA = Emissões otoacústicas

• IRDA1 = São aqueles associados a maior ocorrência de perdas auditivas cocleares


• IRDA 2 = São aqueles mais frequentemente associados às perdas auditivas retococleares e com o ENA (espectro da neuropatia auditiva), mas também
podem ocorrer perdas auditivas cocleares.

IRDA 1

• Infecções congênitas do grupo STORCH + Z (sífilis – S; toxoplasmose – TO; rubéola – R; citomegalovírus – C, herpes simples – H; zikavírus – Z), incluindo
a síndrome congênita do vírus Zika, mesmo que o diagnóstico ainda esteja em investigação
• Uso de medicações ototóxicas
• Anomalias craniofaciais do primeiro e segundo arcos braquiais, com o envolvimento da orelha e osso temporal, a exemplo de microtia/atrésia,
apêndice pré-auricular, fístula/coloboma auricular, fenda labiopalatina, microcefalia congênita ou hidrocefalia adquirida;
• Hereditariedade (casos de surdez genética na família).
• Na infância, os seguintes IRDA devem ser considerados:
✓ Síndromes genéticas que usualmente expressam perda auditiva, como por exemplo, Usher, Waardenburg, Alport, Pendred, entre outras;
✓ Infecções bacterianas ou virais pós-natais (meningites, sarampo, rubéola, varicela, caxumba);
✓ Traumatismo craniano
✓ Quimioterapia

IRDA2:

• Permanência em UTIN por mais de cinco dias;


• Peso ao nascimento menor de 1.500 gramas;
• Hiperbilirrubinemia com exsanguineotransfusão;
• Oxigenação por membrana extracorpórea (ECMO terapia);
• Ventilação mecânica por mais de 5 dias
• Anóxia grave (APGAR 0-4 no 1º min ou de 0-6 no 5º min)
• Encefalopatia hipóxico-isquêmica;
• Hemorragia peri-ventricular.
• Na infância os seguintes IRDA devem ser considerados: Distúrbios neurodegenerativos como Ataxia de Friedreich, Doença de Charcot-Marie-Tooth,
entre outros

A TAN é constituída de duas etapas: teste e reteste quando necessário devido ao resultado não satisfatório (falha) na etapa teste. A etapa teste deve ser
realizada preferencialmente nos primeiros dias de vida (24h a 48h) ainda no hospital maternidade. A etapa reteste, quando necessária, até o 15º dia de
vida (exceto quando as condições de saúde do neonato não permitir - vide esclarecimentos a seguir). Ressalta-se que é de responsabilidade do hospital
maternidade a realização das duas etapas (teste e reteste). No entanto, vale destacar o trabalho da equipe da Atenção Primária à Saúde (APS) para
acompanhar o referenciamento para os Serviços Especializados ou CER, dos neonatos que não realizaram as duas etapas, conforme o fluxo estabelecido
na região pelo gestor de saúde local.

Importante destacar que, o resultado não satisfatório (falha) mesmo que em apenas uma orelha, independente do protocolo utilizado, determina a
realização do reteste com o mesmo procedimento. No reteste, o procedimento deverá ser repetido sempre em ambas as orelhas, e caso mantido o
resultado não satisfatório (falha), mesmo que em uma só orelha, o neonato ou lactente deverá ser encaminhado para avaliação audiológica no Serviço
Especializado ou no CER

Para os neonatos com condições de saúde que impeçam a realização da TAN neste período, como por exemplo internação na UTIN, deve ser assegurado
a sua realização assim que houver liberação médica para o procedimento, antes da alta hospitalar. No caso de resultado não satisfatório (falha),
recomenda-se o imediato encaminhamento para o Serviço Especializado ou CER de referência para realização de avaliação para diagnóstico diferencial
da deficiência auditiva. Vale destacar que, o encaminhamento direto para Serviço Especializado ou CER a fim de realizar diagnóstico audiológico, sem
realizar a triagem auditiva previamente no recém-nascido pode ocorrer quando:

• permanência de mais de três meses na UTIN


• presença de malformação de orelha, mesmo que unilateral (JCIH, 2019).
• meningite neonatal
RN RN
,
S/ IRDA e C/ IRDA1 C/ IRDA2

EOA EOA

Passa Falha Passa EOA Falha EOA

Sem risco Reteste em 15


C/ IRDA 1
dias com EOA
Reteste em 15 dias – repetir com
exame que teve falha

Passa Falha

Passa Falha
Sem risco C/ IRDA 1

ENCAMINHADA PARA
DIAGNÓSTICO EM SERVIÇO
ENCAMINHADA PARA ESPECIALIZADO OU CER
MONITORAMENTO EM
SERVIÇO ESPECIALIZADO
OU CER 6 E 12 MESES

ENCAMINHADA PARA
APS PARA
ACOMPANHAMENTO
Explicação fluxograma

A TAN - Etapa Teste deve contemplar:

• Acolhimento aos pais;


• Levantamento do histórico clínico e IRDA;
✔ Verificação dos dados pesquisados no prontuário ou no resumo de alta. Sempre que possível as informações devem ser obtidas por meio do
pediatra/neonatologista responsável, assim como, durante as consultas de puerpério na APS. Identificar os IRDA com precisão é fundamental pois,
esta informação não apenas definirá o protocolo a ser utilizado na TAN, mas também a conduta a ser assumida frente a um resultado satisfatório
(passa), ou seja, acompanhamento na APS ou monitoramento no Serviço Especializado ou CER;
• Realização do teste da TAN considerando a ausência ou presença do IRDA:

Grupo sem IRDA (baixo risco) ou com IRDA1 ou IRDA2:

• Realizar a EOAt antes da alta hospitalar, com o intuito de identificar a perda auditiva coclear independente do grau. Nos hospitais maternidades em
que for possível repetir as EOAt antes da alta hospitalar, ainda na etapa TESTE, recomenda-se um intervalo mínimo de 10-12 horas para realizar o
procedimento. Deverá ser considerado o resultado obtido no último teste realizado.

Resultado e devolutiva aos pais:

✔ Resultado Satisfatório (passa) na Etapa TESTE, em ambas as orelhas:

• Grupo sem IRDA: Os pais e/ou responsáveis devem ser orientados sobre os resultados e quanto ao desenvolvimento da audição e da linguagem da
criança. Sugere-se utilizar, como referência, os marcos para acompanhamento do desenvolvimento infantil, conforme preconizado na Caderneta da
Criança. Além disso, devem ser orientados quanto à necessidade do acompanhamento nas consultas de puericultura na APS, conforme calendário
proposto pelo Ministério da Saúde (Brasil, 2012). Caso os pais e/ou responsáveis identifiquem comportamentos atípicos, devem ser encorajados a
buscar orientação com equipe da APS e que esta faça os encaminhamentos necessários para atendimento especializado quando for observado
alterações de orelha média ou perdas auditivas cocleares leves permanentes.
• Grupo com IRDA1 ou IRDA2: Os pais e/ou responsáveis devem ser orientados sobre o resultado e quanto ao desenvolvimento da audição e da
linguagem da criança. Sugere-se utilizar, como referência, os marcos para acompanhamento do desenvolvimento infantil, conforme preconizado na
Caderneta da Criança. Além disso, devem ser orientados quanto à presença do indicador de risco e a necessidade do monitoramento no Serviço
Especializado ou CER enfatizando-se a necessidade do seguimento ser realizado até a idade escolar, com a realização de avaliações auditivas
periódicas, de acordo com o proposto pelo JCIH, 2019. Na alta do neonato e lactente, os pais e/ou responsáveis já devem sair com o encaminhamento
definido para o serviço especializado ou para o CER, inclusive para que tenham conhecimento sobre qual será a instituição que ficará responsável pela
continuidade do atendimento de seu filho no programa. Entretanto, o momento do encaminhamento pode variar em cada território, pois depende
dos pontos de atenção disponíveis, dos sistemas de regulação/agendamento, da cobertura e qualidade da APS.

✔ Resultado não satisfatório (falha) na Etapa TESTE, mesmo que em uma orelha:

• Grupo sem IRDA, IRDA1, IRDA2: Os pais e/ou responsáveis pelos neonatos e lactentes devem ser orientados sobre o resultado e a necessidade de
realizar novamente o procedimento (reteste). Ressalta-se que, na alta do neonato e lactente, os pais e/ou responsáveis já devem sair com o
agendamento definido para a realização da TAN - etapa RETESTE.

TAN – Etapa RETESTE

Nos casos de resultado não satisfatório (falha) durante a etapa teste, mesmo que em uma orelha, o reteste deverá acontecer em até 15 dias de vida do
neonato, no mesmo serviço que realizou o primeiro teste. A exceção são os recém-nascidos com longos períodos de internação que já devem ser regulados
para os serviços especializados ou CER para realizarem a avaliação para diagnóstico diferencial da deficiência auditiva.

O reteste deve ser realizado em ambas as orelhas, mesmo que o resultado não satisfatório (falha) da etapa teste tenha ocorrido em uma única orelha.

Esta etapa deve contemplar:

• Acolhimento aos pais;


• Realização do reteste da TAN com o procedimento no qual o resultado obtido não foi satisfatório (falha), de acordo com o protocolo utilizado;
• Resultado e devolutiva aos pais:
✔ Resultado Satisfatório (passa) na Etapa RETESTE, em ambas a orelhas:
Grupo sem IRDA: Os pais e/ou responsáveis devem ser orientados sobre os resultados e quanto ao desenvolvimento da audição e da
linguagem da criança. Sugere-se utilizar, como referência, os marcos para acompanhamento do desenvolvimento infantil, conforme preconizado na
Caderneta da Criança. Além disso, devem ser orientados quanto à necessidade do acompanhamento nas consultas de puericultura na APS, conforme
calendário proposto pelo Ministério da Saúde (Brasil, 2012). Caso os pais e/ou responsáveis identifiquem comportamentos atípicos, devem ser
encorajados a buscar orientação com equipe da APS e que esta faça os encaminhamentos necessários para atendimento especializado nos casos de
alterações de orelha média ou perdas auditivas cocleares leves permanentes.
Grupo com IRDA1 e IRDA2: Os pais e/ou responsáveis devem ser orientados sobre o resultado e quanto ao desenvolvimento da audição e da
linguagem da criança. Sugere-se utilizar, como referência, os marcos para acompanhamento do desenvolvimento infantil, conforme preconizado na
Caderneta de Saúde da Criança; Na alta do neonato e lactente, os pais e/ou responsáveis já devem sair com o agendamento definido para o serviço
especializado ou para o CER, inclusive para que tenham conhecimento sobre qual será a instituição que ficará responsável pela continuidade do
atendimento de seu filho no programa; Além disso, devem ser orientados quanto à presença do indicador de risco e a necessidade do monitoramento
no Serviço Especializado ou CER enfatizando-se a necessidade do seguimento ser realizado até a idade escolar, com a realização de avaliações auditivas
periódicas, de acordo com o proposto pelo JCIH, 2019

✔ Resultados não satisfatórios (falha) na Etapa RETESTE, mesmo que em uma orelha:

Grupo sem IRDA, IRDA1, IRDA2: Os pais e/ou responsáveis pelos neonatos e lactentes devem ser orientados sobre o resultado e a necessidade do
encaminhamento imediato para avaliação para diagnóstico diferencial da deficiência auditiva no Serviço Especializado ou CER. o Ressalta-se que, no momento
da falha no reteste da TAN, os pais e/ou responsáveis já devem sair com o agendamento definido para o serviço especializado ou CER. Mesmo que
posteriormente ao agendamento direto entre o serviço de triagem e o serviço especializado, a regulação e a APS do território devem ter ciência deste
encaminhamento para possibilitar o monitoramento do percurso assistencial da criança na RAS.

Independente do protocolo utilizado, as seguintes condutas devem ser assumidas de acordo com o resultado da TAN:

• Orientação aos pais sobre o resultado obtido e o desenvolvimento esperado da audição e linguístico, com o encaminhamento para o
acompanhamento do neonato e lactente na APS
• Orientação aos pais sobre o resultado obtido e o desenvolvimento esperado da audição e linguístico, com o encaminhamento para monitoramento
da audição do neonato e lactente no Serviço Especializado ou CER de referência.
• Orientação aos pais sobre o resultado, com o encaminhamento do neonato e lactente para avaliação para diagnóstico diferencial da deficiência
auditiva no Serviço Especializado ou CER de referência.

Ressalta-se a importância da orientação aos pais e/ou responsáveis sobre os marcadores do desenvolvimento da audição e linguagem, pois estes podem
auxiliar na identificação da perda auditiva adquirida ou de início tardio. Sugere-se utilizar, como referência, os marcos para acompanhamento do
desenvolvimento infantil, conforme preconizado na Caderneta da Criança.

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