ANCLIVEPA-SP
Associação Nacional dos Clínicos Veterinários de
Pequenos Animais do Estado de São Paulo
ROGERIO AUGUSTO JUZO
TRATAMENTO DE FRATURA DISTAL COMINUTIVA DE RÁDIO E ULNA EM CÃO
COM USO DA TECNICA ILIZAROV: RELATO DE CASO
SÃO PAULO
2024
ANCLIVEPA-SP
Associação Nacional dos Clínicos Veterinários de
Pequenos Animais do Estado de São Paulo
ROGERIO AUGUSTO JUZO
TRATAMENTO DE FRATURA DISTAL COMINUTIVA DE RÁDIO E ULNA EM CÃO
COM USO DA TECNICA ILIZAROV: RELATO DE CASO
Artigo apresentado para conclusão do curso
de pós-graduação em ortopedia da
Associação Nacional de Clínicos
Veterinários de Pequenos Animais de São
Paulo – ANCLIVEPA-SP
SÃO PAULO
2024
RESUMO
O fixador externo circular para os ossos foi criado na Rússia durante a Guerra
Fria, pelo Professor Gavril Abramovich Ilizarov. Esse sistema de fixação se tornou uma
opção popular em relação à fixação interna, devido à sua flexibilidade e às
propriedades biomecânicas que favorecem a formação do calo ósseo. O propósito
deste estudo foi analisar o uso do fixador externo circular como uma técnica para
estabilizar fraturas metafisárias de rádio e tíbia. Os resultados sobre o tipo e a
frequência das complicações relacionadas a essa abordagem foram registrados.
Relato de caso de um cão sem raça definida (SRD) com fratura cominutiva distal de
rádio e ulna, tratado com fixador externo híbrido. O paciente foi submetido à
osteossíntese minimamente invasiva (MIO), com redução indireta da fratura e
estabilização com fixador externo híbrido. As radiografias pós-operatórias imediatas
confirmaram o posicionamento adequado do fixador e o alinhamento dos fragmentos
ósseos. O paciente apresentou boa evolução no pós-operatório imediato, deambulando
com o membro operado. O fixador externo híbrido mostrou-se uma opção viável para
o tratamento de fraturas cominutivas em cães, proporcionando estabilidade e
permitindo o manejo adequado dos tecidos moles.
Não foram observadas diferenças estatisticamente significativas nos tempos cirúrgicos
para a osteossíntese de rádio e tíbia.
Além disso, não se encontrou correlação entre as seguintes variáveis: o intervalo entre
o trauma e a cirurgia e a duração do procedimento cirúrgico; o intervalo entre o trauma
e a cirurgia e o tempo de utilização do aparelho de fixação esquelética externa circular;
o peso do animal e a duração da cirurgia; a proporção do peso do aparelho circular em
relação ao peso do animal e o tempo de uso do aparelho. Por outro lado, constatou-se
uma correlação positiva significativa entre a duração da cirurgia e o tempo de
permanência com o aparelho de fixação esquelética externa circular. Essa abordagem
terapêutica se mostra uma alternativa cirúrgica interessante para a reparação de
fraturas de rádio e tíbia em cães. Contudo, devido ao risco de complicações e à
necessidade de cuidados pós-operatórios rigorosos, é fundamental realizar uma
seleção cuidadosa dos pacientes e de seus proprietários antes do procedimento
cirúrgico.
Palavras chaves: Cão, fratura cominutiva, rádio, ulna, fixador externo híbrido,
osteossíntese minimamente invasiva.
SUMMARY
The circular external fixator for bones was developed in Russia during the Cold War by
Professor Gavril Abramovich Ilizarov. This fixation system has become a popular
alternative to internal fixation due to its flexibility and biomechanical properties that favor
the formation of bone callus. The purpose of this study was to analyze the use of the
circular external fixator as a technique to stabilize metaphyseal fractures of the radius
and tibia. The results on the type and frequency of complications related to this approach
were recorded.
Case report of a mixed breed dog (SRD) with comminuted distal fracture of the radius
and ulna, treated with a hybrid external fixator. The patient underwent minimally invasive
osteosynthesis (MIO), with indirect reduction of the fracture and stabilization with a hybrid
external fixator. Immediate postoperative radiographs confirmed the adequate
positioning of the fixator and the alignment of the bone fragments. The patient showed
good progress in the immediate postoperative period, walking with the operated limb.
The hybrid external fixator proved to be a viable option for the treatment of comminuted
fractures in dogs, providing stability and allowing adequate management of soft tissues.
No statistically significant differences were observed in surgical times for osteosynthesis
of the radius and tibia.
In addition, no correlation was found between the following variables: the interval
between trauma and surgery and the duration of the surgical procedure; the interval
between trauma and surgery and the time of use of the circular external skeletal fixation
device; the weight of the animal and the duration of surgery; the proportion of the weight
of the circular device in relation to the weight of the animal and the time of use of the
device. On the other hand, a significant positive correlation was found between the
duration of surgery and the time of use with the circular external skeletal fixation device.
This therapeutic approach proves to be an interesting surgical alternative for the repair
of fractures of the radius and tibia in dogs. However, due to the risk of complications and
the need for rigorous postoperative care, it is essential to carefully select patients and
their owners before the surgical procedure.
Key words: Dog, comminuted fracture, radius, ulna, hybrid external fixator, minimally
invasive osteosynthesis.
SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO ................................................................................................................................ 6
2. OBJETIVOS .................................................................................................................................... 8
2.1 Objetivo geral ........................................................................................................................... 8
2.2 Objetivos específicos............................................................................................................... 8
3. JUSTIFICATIVA ............................................................................................................................. 9
4. REVISÃO DE LITERATURA ......................................................................................................10
4.1 Anatomia óssea de Rádio e Ulna ...........................................................................................10
4.2 Consolidação Óssea .......................................................................................................... 11
4.3 Fraturas distais de Rádio e ulna ...........................................................................................12
4.4 Formas de tratamento ...........................................................................................................14
5. RELATO DE CASO......................................................................................................................18
5.1 Triagem ....................................................................................................................................18
5.2 Exames complementares / Diagnóstico ..............................................................................19
5.2.1 Hemograma e Bioquímicos .........................................................................................19
5.2.2 Raio X ...............................................................................................................................20
5.3 Procedimento Cirúrgico ..................................................................................................20
6. CONCLUSÃO ..............................................................................................................................26
ANEXOS.............................................................................................................................................27
Anexo I ............................................................................................................................................28
Anexo II ...........................................................................................................................................29
Anexo III ..........................................................................................................................................30
REFERÊNCIAS .................................................................................................................................31
1. INTRODUÇÃO
As fraturas distais de rádio e ulna em cães representam uma das principais
ocorrências nos atendimentos veterinários (Ferrigno et al., 2018). As causas mais
frequentes dessas lesões incluem acidentes de trânsito (como atropelamentos), traumas
resultantes de brigas, entre outras circunstâncias. A incidência desse tipo de fratura
pode estar associada a fatores como raça, idade e porte do animal, sendo mais comum
em cães de pequeno porte devido à sua menor densidade óssea. Pesquisas indicam
uma maior ocorrência de fraturas distais de rádio e ulna em cães jovens e de pequeno
porte (Beever et al., 2018).
O tratamento dessas fraturas pode envolver coaptação externa ou estabilização
cirúrgica (Ferrigno et al., 2018), apresentando desafios clínicos em função da
complexidade anatômica e funcional desses ossos, além da necessidade de uma
abordagem eficaz para manter a mobilidade e a qualidade de vida do animal, buscando
restaurar a função do membro afetado e proporcionar conforto ao paciente.
O fixador esquelético externo circular foi utilizado frequentemente na ortopedia
veterinária nos últimos anos (Bilgili et al., 2006). Essa técnica foi desenvolvida pelo
Professor Gavril Abramovich Ilizarov no Kurgan Research Institute for Experimental and
Clinical Orthopaedics and Traumatology na antiga união soviética. A técnica se
popularizou quando o Professor Ilizarov tratou com sucesso a pseudoartrose infectada
da tíbia do explorador italiano Carlo Mauri.
Ao retornar à Itália, a recuperação de Carlo Mauri encantou os ortopedistas e o
Professor Ilizarov foi convidado em 1981 para falar no encontro da fundação AO
(Arbeitsgemeinschaft für Osteosynthesefragen). Isso iniciou a difusão do trabalho de
Ilizarov, que até então estava restrito ao bloco comunista. A partir desta data, Roberto
Cattaneo e sua equipe iniciaram seus estudos com o material doado pelo professor
Ilizarov. Esta metodologia introduziu um novo conceito de osteossíntese. Os estudos
iniciais foram desenvolvidos em tíbias caninas.
Em 1988, o médico veterinário Antonio Ferretti iniciou a aplicação do aparelho
de Ilizarov em caninos, relatando tolerância ao aparelho por até 180 dias (Maiocchi &
Aronson, 1991).
6
Em Medicina Veterinária, o fixador esquelético externo circular já foi utilizado
com sucesso para a realização de artrodese de tarsometarso (Halling et al., 2004) e
de carpo em cães (Lotsikas et al., 2006), para o tratamento de osteomielite (Ting et
al., 2010; Rahal et al., 2001) e não-união óssea (Rahal et al., 2005), para o transporte
ósseo (Ting et al., 2010), para o alongamento do membro (Rahal et al., 2001), para o
tratamento de deformidade ósseas em bovinos (Yardimci et al., 2011) e caninos
(Petazzoni et al., 2009; Radasch et al., 2008; Marcellin-little et al., 1998), para o
tratamento de fratura de tíbia em bovinos (Aithal et al., 2009), potros (Godoy et al.,
2009) e caninos (Bilgili et al., 2009), estabilização de osteotomias de olécrano em
cadáveres caninos (Halling et al., 2003).
O fixador esquelético externo circular permite o micromovimento axial no foco
de fratura durante o uso do membro, ao mesmo tempo em que evita as forças de
envergamento, translação, rotação e cisalhamento dos fragmentos ósseos. Esses
fatores criam um ambiente próximo ao ótimo para a união óssea (Piras et al., 2011).
A escolha do método é crucial para o sucesso do tratamento, devendo
considerar diversos fatores como a localização da fratura, o tipo de lesão, a condição
geral do paciente e os recursos disponíveis (Pozzi et al., 2021). Nesse contexto, o fixador
externo híbrido, que combina elementos de fixação interna e externa, tem se mostrado
uma opção viável para o tratamento de fraturas cominutivas, proporcionando
estabilidade e versatilidade em sua aplicação (Clarke et al., 2006; Joyner et al., 2004;
Radasch et al., 2008).
Em algumas situações, técnicas alternativas como o uso de pinos
intramedulares e fios de cerclagem podem ser consideradas, especialmente quando o
custo e a complexidade do procedimento são fatores limitantes (Souza et al., 2001).
Contudo, o fixador externo híbrido se destaca como uma alternativa promissora no
manejo dessas fraturas, embora a taxa de sucesso possa variar e complicações como
a não união óssea possam ocorrer. A pesquisa de Marshall et al., 2022, relatou cerca
de 4,6% de casos de não união em uma população diversificada de cães com fraturas
ósseas.
Este estudo tem como objetivo relatar um caso clínico de fratura distal de rádio
e ulna em um cão sem raça definida (SRD), que foi tratado com fixador externo híbrido
por meio da abordagem de osteossíntese minimamente invasiva.
7
OBJETIVOS
1.1 Objetivo geral
Descrever um caso de fratura na extremidade distal do rádio e da ulna em um
cão sem raça específica (SRD), que foi submetido a tratamento com um fixador
externo híbrido.
1.2 Objetivos específicos
Descrever os achados clínicos e radiográficos do paciente, bem como a técnica
de osteossíntese com o fixador externo híbrido aplicada, apresentando o resultado do
pós-operatório imediato. Descrever os cuidados pós-operatório indicados ao paciente.
8
2. JUSTIFICATIVA
A osteossíntese com fixador externo híbrido é uma técnica promissora no
tratamento de fraturas cominutivas em cães, oferecendo estabilidade e versatilidade.
No entanto, há poucos relatos de caso na literatura veterinária sobre o uso dessa
técnica em fraturas distais de rádio e ulna.
Este relato de caso, visa contribuir para o conhecimento sobre o uso do fixador
externo híbrido em fraturas distais de rádio e ulna em cães, fornecendo informações
relevantes para a prática clínica veterinária, discutindo os fatores que podem
influenciar o resultado do tratamento.
Diferentemente de outros sistemas, o fixador esquelético externo circular não
possui uma configuração padrão, sendo possível montar diferentes aparelhos para
cada tipo de fratura. Para isso, é essencial um planejamento minucioso, baseado nas
radiografias realizadas antes da cirurgia e em dados clínicos (Bilgili, 2004). O objetivo
desse planejamento é reduzir o tempo da cirurgia e proporcionar um resultado pós-
operatório mais satisfatório (Bilgili, 2006).
Esse tipo de aparelho de fixação externa circular é mais rígido quando é
composto por dois aros proximais e dois aros distais em relação à fratura (Cataneo,
1991), embora já tenha sido relatado o sucesso de configurações que utilizam três
anéis (Bilgili et al., 2006; Piras et al., 2011). O ideal é a utilização de anéis completos,
mas nas proximidades das articulações do cotovelo e do joelho, recomenda-se o uso
de aros de ⅝ ou ½ para evitar limitações nos movimentos articulares (Bilgili, 2004;
Ferreti, 1991). Os anéis devem ser posicionados a uma distância de um a dois
centímetros da pele, a fim de evitar desconforto pós-operatório e permitir a higienização
do dispositivo. Em um estudo biomecânico, Gasser et al. (1990) concluíram que um
aumento de dois centímetros no diâmetro do anel resulta em uma perda de 43% da
estabilidade axial. O uso de fixadores externos híbridos em fraturas distais de rádio e
ulna em cães é uma técnica que tem ganhado destaque na ortopedia veterinária devido
à sua eficácia em estabilizar fraturas complexas. O fixador externo híbrido combina
elementos de fixadores externos com placas de compressão, proporcionando uma
estabilização robusta e minimamente invasiva.
9
Os fixadores externos híbridos são frequentemente indicados para:
Fraturas Completas: Especialmente em fraturas distais de rádio e ulna, onde a
estabilização interna pode não ser viável ou desejável.
Fraturas Compostas: Quando há exposição do osso ao ambiente externo.
Fraturas com Cominuição: Onde a fragmentação do osso é extensa e a
estabilização é desafiadora.
Fraturas em Pacientes com Condições Sistêmicas: Onde a anestesia prolongada
ou a cirurgia invasiva podem ser arriscadas.
1
0
3. REVISÃO DE LITERATURA
3.1 Anatomia óssea de Rádio e Ulna
Localizados distalmente ao úmero, os ossos rádio e ulna fazem parte do
antebraço (Honorato; Simões, 2019). Quando o animal está em pé, a ulna se encontra
posicionada na parte caudal do rádio na região proximal do antebraço, enquanto na
porção distal se situa lateralmente. Estes ossos se articulam através das articulações
radioulnar proximal e distal, sendo interligados ao longo de seu comprimento por um
robusto ligamento interósseo que limita o movimento de translação entre o rádio e a
ulna (Hudson et al., 2020), permitindo apenas um certo grau de movimento rotacional
e resultando em uma diminuição do movimento de supinação e pronação (Singh,
2019).
O rádio é o osso mais robusto e situado mais cranialmente (Honorato; Simões,
2019), apresentando uma forma simples semelhante a um bastão (Evans, 2013; Singh,
2019). Ele se articula de forma proximal com o úmero, distalmente com os ossos do
carpo e caudalmente com a ulna. Este osso é composto por uma cabeça, colo, corpo
e tróclea. A margem medial do rádio é subcutânea, e sua face cranial é palpável na
região distal, onde é levemente coberta pelo extensor oblíquo do carpo e pelos tendões
dos outros músculos extensores (Singh, 2019).
O rádio não possui uma estrutura uniforme, apresentando uma diáfise e metáfise
achatadas no sentido crânio-caudal e com curvas reduzidas. O seu canal medular tem
um tamanho consistente, sendo mais amplo na direção médio-lateral do que na direção
craniocaudal (Souza et al., 2001).
Em gatos, o rádio apresenta uma leve torção na parte distal, que é bem
pronunciada (Hudson et al., 2020). A extremidade distal do rádio possui sulcos que
abrigam tendões extensores, enquanto a parte caudal é rugosa, servindo como ponto
de fixação muscular. Devido à sua curvatura anterior, a inserção de pinos
intramedulares no rádio pode ser um desafio (Milovancev; Ralphs, 2004).
A ulna, por sua vez, localiza-se caudolateral ao rádio em sua região proximal,
ou seja, mais profunda, exceto na extremidade distal, onde se conecta com ossos
cárpicos através do processo estiloide (Singh, 2019). Sua extremidade proximal é mais
desenvolvida do que a distal, e o canal medular é mais largo na parte proximal,
afinando-se gradativamente em direção distal ao longo de sua extensão. Em algumas
raças de cães, a ulna pode ser significativamente reduzida ou até mesmo ausente
10
(Souza et al., 2001).Em gatos, o rádio tem leve torção distalmente, que é pronunciada
(Hudson et al., 2020). A parte distal apresenta sulcos, no qual passam tendões
extensores, já a partecaudal é rugosa, e nesta ocorre fixação muscular. Devido à sua
curvatura anterior, a inserção de pinos intramedulares no rádio pode ser desafiadora
(Milovancev; Ralphs,2004).
O osso ulna se localiza caudolateral em relação ao rádio em sua parte proximal,
ou seja, é mais profunda, exceto em sua extremidade distal, que no processo estiloide
se conecta com ossos cárpicos (Singh, 2019). Apresenta a extremidade proximal mais
desenvolvida que a distal, e seu canal medular mais largo na parte proximal, cujo vai
se estreitando distalmente ao longo do seu trajeto. Em algumas raças de cães, a ulna
pode se apresentar muito pequena, ou sequer existir (Souza et al., 2001). A ulna e o
rádio são irrigados por ramos das artérias braquial, interóssea comum e mediana,
sendo importante preservar essa vascularização durante o tratamento de fraturas para
garantir a consolidação óssea (Hudson et al., 2012).
Um dos fatores que aumenta a chance deste segmento adquirir fratura aberta
é causado pelo seu pouco revestimento de tecidos moles, contribuindo também para
a redução do suprimento sanguíneo extraósseo e retardo na cicatrização.
10
3.2 Consolidação Óssea
A consolidação óssea é um fenômeno biológico complexo que envolve várias
etapas, cada uma com suas próprias características e requisitos (Fossum et al., 2021).
De acordo com Palmer (2012), esse processo pode ser dividido em três fases principais:
inflamatória, reparativa e de remodelação.
Na fase inflamatória, que ocorre imediatamente após a fratura, forma-se um
hematoma na região afetada, seguido pela liberação de mediadores inflamatórios que
atraem células osteoprogenitoras para o local. Essas células se transformam em
osteoblastos, responsáveis por iniciar a produção de tecido ósseo imaturo, conhecido
como calo ósseo (Fossum et al., 2021).
A fase reparativa é marcada pela formação e mineralização do calo ósseo.
Inicialmente, o calo é composto predominantemente por tecido fibroso e cartilaginoso,
que ao longo do tempo é substituído por osso lamelar. A estabilidade da fratura é
fundamental nessa fase, pois garante a formação de um calo ósseo estruturado e
resistente (Roe, 2020; Fossum et al., 2021). É essencial que essa estabilidade não seja
excessiva, já que uma micromoção controlada no local da fratura pode estimular a
formação do calo ósseo e acelerar o processo de consolidação (Palmer, 2012).
Durante a fase de remodelação, o calo ósseo é gradualmente reabsorvido e
substituído por osso cortical maduro, restaurando a forma e a função do osso original.
Esse processo pode levar meses ou até anos, dependendo da gravidade da fratura, da
idade do animal e de fatores como a irrigação sanguínea e a estabilidade da fratura
(Fossum et al., 2021).
Em casos de fraturas cominutivas, como a discutida neste estudo, a consolidação
óssea pode ser lenta e complicada devido à maior extensão do dano tecidual e à
dificuldade em alcançar uma redução anatômica adequada dos fragmentos (Adams;
Fessler, 1996). Em algumas situações, a consolidação pode não ocorrer, especialmente
em animais mais velhos ou na presença de infecções ou falhas nos implantes (Marshall
12
et al., 2022). Em cães jovens, a consolidação óssea tende a ser mais rápida e eficiente.
A escolha do método de fixação da fratura tem impacto direto no processo de
consolidação óssea. A utilização de um fixador externo híbrido, que combina elementos
de fixação interna e externa, pode oferecer a estabilidade necessária para a formação do
calo ósseo e a consolidação da fratura, conforme demonstrado em estudos anteriores
(Adams; Fessler, 1996; Pozzi et al., 2011; Rovesti et al., 2007).
Dado que a consolidação óssea é um processo gradual, é crucial realizar uma
avaliação contínua desse fenômeno. Essa avaliação pode ser feita por meio da palpação,
identificando a formação de um calo ósseo mole, e por radiografias, observando o
desenvolvimento de novo osso e a mineralização do calo ósseo (Palmer, 2012). Contudo,
a avaliação radiográfica pode ser dificultada pela sobreposição dos componentes do
fixador, sendo que em alguns casos podem ser necessárias radiografias oblíquas para
uma análise completa (Radasch et al., 2008).
3.3 Fraturas distais de Rádio e ulna
As fraturas distais de rádio e ulna são comuns em cães, especialmente após
traumas como acidentes automobilísticos ou quedas, sendo que os animais jovens
são os mais susceptíveis (Muir, 1997; Fossum et al., 2021). Em uma pesquisa que
envolveu mais de 500 fraturas em cães e gatos, as lesões mais frequentes em cães
foram localizadas no rádio e na ulna (17,3%), pelve (15,8%), fêmur (14,8%) e tíbia
(14,8%) (Phillips, 1979).
Para os cães de grande porte, as fraturas de rádio e ulna costumam ser
resultado de acidentes automobilísticos, enquanto nos animais que pesam menos de
cinco quilos (toy), essas fraturas estão frequentemente ligadas a saltos ou quedas
(Muir, 1997).
Essa diferença nas causas não é observada em relação às fraturas de tíbia. A
probabilidade de não união ou união lenta das fraturas é de 3,4%, sendo mais comum
em cães da raça toy. Brianzo et al. (2006) relacionaram a maior frequência de fraturas
de rádio e ulna em cães toy a um aumento no momento de inércia nessa área, o que
resulta em maior estresse e falhas sob cargas menores. No mesmo estudo, foi
13
concluído que esses cães estão mais preparados para suportar forças de compressão
em comparação com cães maiores, mas são menos adaptados a forças de torção e
flexão. As fraturas distais do rádio frequentemente exibem uma área de contato ósseo
reduzida após a redução devido ao pequeno tamanho dos fragmentos, além da linha
de fratura que pode ser oblíqua curta ou transversal.
O alinhamento anatômico é também dificultado pela tendência dos músculos
flexores dos dedos e do carpo em provocar um deslocamento caudolateral do
fragmento ósseo distal (Piras et al., 2011). Laverty et al. (2002) observaram em seu
estudo uma maior taxa de complicações em cães com menos de cinco quilos. Welch
et al. (1997) haviam anteriormente atribuído essa situação a um suprimento sanguíneo
insuficiente na região metafisária distal desses animais.
As complicações mais comuns associadas a essas fraturas incluem: não união,
união retardada, má união angular, instabilidade biomecânica, desvios angulares,
incongruências, pseudoartrose e refratura após a remoção do implante (Deangelis,
1973; Lappin et al., 1983; Marshall et al., 2022). As fraturas de não-união são
caracterizadas pela formação de tecido fibroso ou cartilaginoso entre os fragmentos
(Vezzoni et al., 2021).
14
3.4 Formas de tratamento
O tratamento de fraturas em ossos longos, como o rádio e a ulna, pode ser
realizado de forma fechada ou aberta (cirúrgica), dependendo da gravidade e da
configuração da fratura (Fossum et al., 2021). O tratamento conservador, também
conhecido como fechado, geralmente envolve o uso de muletas, moldes, gesso, talas e
bandagens. Em certas situações, a coaptação externa pode ser recomendada,
especialmente em animais jovens ou em fraturas distais da diáfise (Harasen, 2003). No
tratamento cirúrgico, diversas técnicas podem ser empregadas, incluindo o uso de
placas, parafusos ortopédicos, fios de cerclagem, pinos percutâneos, fixadores externos
ou enxertos ósseos (Fossum et al., 2021).
A osteossíntese pode ser realizada através de abordagens minimamente
invasivas (MIO) ou minimamente invasivas com placas (MIPO). A MIO tem a vantagem
de reduzir o tempo cirúrgico e, em comparação com as técnicas convencionais, é menos
invasiva (Fossum et al., 2021).
Na escolha do tratamento cirúrgico para fraturas de rádio e ulna, é fundamental
avaliar os prós e contras (Fossum et al., 1997). Além disso, devem ser considerados
fatores como o tipo de fratura (fechada ou aberta), peso do animal, raça, idade, estado
de saúde, sistema de implante escolhido, condição financeira e a capacidade do tutor
de acompanhar a recuperação do animal (Matthiensen, 1983; Fossum et al., 2021).
Segundo Ferrigno et al. (2008), animais que foram submetidos à cirurgia em um período
mais curto após o trauma apresentaram resultados mais favoráveis, o que deve ser um
fator a ser considerado para minimizar riscos de complicações. Atrasos na intervenção
podem dificultar o alinhamento anatômico, possivelmente necessitando de uma
abordagem cirúrgica mais invasiva (Barnhart, 2020).
A intervenção cirúrgica tem como objetivo promover a cicatrização completa,
que requer a redução anatômica ou o alinhamento dos principais fragmentos (Souza et
al., 2001). Para garantir o sucesso da cicatrização óssea, é crucial que o cirurgião
escolha implantes que neutralizem todas as forças atuantes no foco da fratura, que
incluem forças de flexão, compressão, cisalhamento, rotação, deslocamento
longitudinal, deslocamento lateral e distração dos fragmentos (Boudrieau; Sinibaldi,
1992; Fossum et al., 2021).
25
Devido às suas características anatômicas e por suportar a maior parte do peso,
o uso de placas e fixadores externos é recomendado na cirurgia do rádio para fraturas
da diáfise, pois facilita o acesso aos planos cranial, lateral e medial (Deangelis et al.,
1973; Lappin et al., 1983). Fraturas simples ou moderadamente cominutivas, que
possuem fragmentos grandes e podem ser reconstruídas, podem exigir redução aberta
e estabilização com fixação interna. Em contrapartida, fraturas severamente
cominutivas, que não podem ser totalmente restauradas, podem ser tratadas com
redução fechada e uso de Fixador Esquelético Externo (FEE) ou redução aberta com
placa em ponte e autoenxerto ósseo. A estabilização da ulna normalmente é indireta,
baseada na estabilização do rádio, mas pode ser necessária em casos específicos
(Fossum et al., 2021).
O fixador externo híbrido é constituído por um anel e duas barras conectoras
uniplanares dispostas em ângulo de aproximadamente 90 graus entre si (Fossum et al.,
2021). Essa configuração combina as vantagens da fixação externa circular com as da
fixação interna, proporcionando estabilidade e permitindo o manejo de tecidos moles,
enquanto minimiza o trauma cirúrgico (Clarke et al., 2006). Essa técnica é especialmente
benéfica em fraturas cominutivas que apresentam pequenos fragmentos e segmentos
ósseos distais curtos (Fossum et al., 2021), onde a fixação com placas pode ser
desafiadora (Joyner et al., 2004).
A fixação com placas e parafusos é um método versátil e estável, que permite o
suporte imediato do membro (Milovancev; Ralphs, 2004; Hudson et al., 2012). No
entanto, exige uma abordagem cirúrgica mais invasiva, o que pode afetar a
vascularização local e aumentar o risco de osteopenia (Muroi et al., 2021). Além disso,
a rigidez excessiva da placa pode resultar em uma menor formação de calo ósseo e
atrasos na consolidação (Palmer, 2012). Em cães de pequeno porte, a utilização de
placas pode causar reabsorção ulnar e diminuição da flexão do carpo (Watrous; Moens,
2017). Vezzoni et al. (2020) relataram complicações em até 54% dos cães pesando
menos de 6 kg que foram submetidos a esse tipo de cirurgia.
A aplicação de pinos intramedulares no rádio não é recomendada, devido à
estreiteza do canal medular e ao risco de invasão na articulação do carpo, além de sua
baixa eficácia em bloquear as forças atuantes no foco da fratura (Ferrigno et al., 2008).
Contudo, pinos intramedulares podem ser utilizados na ulna para fornecer suporte
26
adicional à fixação primária em fraturas radiais cominutivas em certas situações
(Fossum et al., 2021).
Os FEE são especialmente úteis no tratamento de fraturas diafisárias do rádio,
particularmente em fraturas cominutivas, pois permitem a estabilização sem a introdução
de implantes metálicos na área da lesão (Adams; Fessler, 1996). De acordo com
Fossum et al. (2021), a remoção de implantes em fraturas abertas é recomendada após
a cicatrização e pode ser realizada facilmente com a fixação externa. Entretanto, a
utilização de FEE não está isenta de complicações. Um estudo retrospectivo conduzido
por Beever et al. (2018) em 97 cães que receberam FEE revelou uma alta taxa de
complicações (69%), com as mais frequentes sendo infecções superficiais no trajeto do
pino e falhas do implante. A localização anatômica da fratura e a configuração
transarticular do FEE foram identificadas como fatores de risco para o desenvolvimento
de complicações. No estudo de Knudsen et al. (2012), complicações semelhantes foram
observadas em cães e gatos tratados com fixadores externos.
A MIPO apresenta-se como uma alternativa para o tratamento de fraturas no
rádio e na ulna em cães, especialmente em fraturas cominutivas (Pozzi et al., 2021). A
MIPO pode ser aplicada a diversos tipos de fraturas, como transversais, oblíquas curtas
e espirais, embora algumas delas possam exigir uma abordagem minimamente aberta
para garantir a correta redução anatômica. Técnicas de redução indireta, como a
utilização de mesa de tração ou membros pendurados, podem ser empregadas para
facilitar a estabilização da fratura, tração ou pinagem intramedular, além da fixação
interna com placas e parafusos (Hudson et al., 2012; Pozzi et al., 2021; Fossum et al.,
2021).
Pozzi et al. (2013) relataram um alinhamento aceitável em todas as fraturas de
rádio e ulna estabilizadas com MIPO, facilitado pela aplicação de um fixador circular
temporário durante a cirurgia. Embora tenha sido observada uma translação
mediolateral significativamente maior nas fraturas estabilizadas via MIPO em
comparação com aquelas tratadas com placa aberta, a angulação no plano frontal não
apresentou diferenças entre os grupos, e o grau de translação não foi considerado
clinicamente prejudicial em nenhum dos cães. A função do membro foi considerada
normal em todos os casos, segundo o exame clínico no último acompanhamento. O
autor ressalta que a MIPO requer experiência do cirurgião e uma seleção cuidadosa dos
casos, mas tem se mostrado uma alternativa promissora para o tratamento de fraturas
27
em cães de pequeno porte, apresentando bons resultados funcionais (Hudson et al.,
2020).
O fixador externo circular (FEC) é outra opção para o tratamento de fraturas
distais no rádio e na ulna, especialmente em casos de fraturas cominutivas ou em
pacientes que necessitam de ajustes pós-operatórios (Rovesti et al., 2007). O FEC
proporciona estabilização da fratura e favorece a cicatrização óssea através de
micromovimento axial, embora possa ser mais complexo e exigir cuidados pós-
operatórios mais rigorosos em comparação com outras técnicas. Essa abordagem pode
enfrentar desafios, como alta incidência de inflamação nos pontos de fixação dos pinos,
risco de osteomielite em fraturas expostas e a possibilidade de não união em alguns
casos, o que demanda atenção e experiência do cirurgião para garantir o sucesso do
tratamento (Anderson et al., 2003).
Neste relato de caso, foi adotada a técnica de redução indireta com fixador
externo híbrido, que se mostrou eficaz para alcançar um alinhamento adequado dos
fragmentos ósseos. O acompanhamento pós-operatório rigoroso e individualizado para
cada paciente, conforme destacado por Hudson et al. (2020), é fundamental. A avaliação
clínica e radiográfica frequente possibilita o monitoramento da consolidação óssea e a
detecção precoce de potenciais complicações, assegurando o êxito do tratamento.
Portanto, é essencial que o tutor do animal esteja ciente dessa necessidade. A
comunicação entre o médico veterinário e o tutor é crucial, especialmente em casos de
animais resgatados, onde o histórico clínico pode ser desconhecido, pois a participação
ativa do tutor no tratamento e acompanhamento do paciente contribui para o sucesso
do caso. Isso evidencia a importância da colaboração entre a equipe veterinária e os
tutores no cuidado dos animais.
É vital destacar que a escolha do método de tratamento para fraturas de rádio e
ulna em cães deve ser individualizada, considerando as características da fratura, a
experiência do cirurgião, a configuração do fixador, o estado de saúde do paciente e os
recursos disponíveis (Pozzi et al., 2021). A descrição do procedimento cirúrgico,
incluindo a técnica de redução indireta com fixador externo circular e a aplicação do
fixador híbrido, pode servir como um guia para outros cirurgiões na execução desse tipo
de intervenção. Além disso, discutir as possíveis complicações e as medidas preventivas
adotadas pode ajudar a evitar intercorrências em casos futuros.
28
RELATO DE CASO
3.5 Triagem
O caso clínico de Bento , canino da raça spitz, de pelagem caramelo e peso
[Link], foi atendido em clinica particular , no município de Santo Andre -SP. Vítima de
queda em brinquedo na creche que frequenta em São Caetanos o Sul- SP, no dia
23/03/2024. Levado prontamente a clinica veterinária,após ser examinado pelo
veterinário foi constatado perda da função apoio do membro torácico esquerdo, feito
analgesia com tramadol 2mg/kg, Dipirona 25mg/kg e flamavet 1 mg/kg.
Solicidado exame de imagens onde se constatou fratura obliqua longa em terço
proximal de rádio, necessitando assim de intervenção cirú[Link] exames pré-
operatórios , hemograma, ureia,creatinina, alt,fal e eletrocardiograma.
3.6 Consulta Cirúrgica – Anamnese e Exame Físico
Durante a anamnese, a tutora informou que o cão estava na creche e sofreu a
referente fatura.
No exame físico o cão estava alerta, com postura normal, apoiado nos
membros exceto membro torácico direito, o qual estava elevado. Na avaliação do
exame físico, apresentou frequência cardíaca de 120 bpm, frequência respiratória de
38 mrpm, temperatura 38°C, pulso forte e rítmico e normohidratado. O escore corporal
era 5/9. As mucosas estavam hipocoradas e úmidas, com tempo de preenchimento
capilar (TPC) de 2 segundos. Os linfonodos não estavam reativos. Na avaliação
cardiorrespiratória (ausculta), apresentou batimentos cardíacos normorrítmicos e
normofonéticos (BCNRNF) e campos pulmonares limpos (CPL). Na avaliação
abdominal não foram notadas alterações.
29
Histórico de atendimento:
Data do acidente: 23/03/2024, durante brincadeira em creche.
Sintomas iniciais: Perda da função de apoio do membro torácico esquerdo.
Tratamento inicial: Analgesia com tramadol, dipirona e flamavet; exames de imagem
confirmaram fratura oblíqua no rádio.
Intervenção Cirúrgica Inicial
Data da cirurgia: 24/03/2024.
Anestesia: MPA com acepran, metadona, indução com propofol e manutenção com
isoflurano.
Procedimentos realizados:
Tricotomia ampla da articulação escapuloumeral até a articulação radiocárpica.
Luxação do rádio corrigida com parafuso e fios de poliéster; fixação da fratura com
placa e 5 parafusos.
Pós-operatório: Sem intercorrências, alta no dia seguinte com medicamentos para
dor e antibióticos.
Retorno e Nova Intervenção
Data do retorno: 30 dias após a cirurgia inicial.
Situação:
Sem apoio do membro operado; radiografia indicou não redução perfeita e início de
reabsorção óssea.
Nova opinião: Sugestão de remover o material de síntese e utilizar fixador externo
Ilizarov.
Segunda Intervenção Cirúrgica
Data da cirurgia: 03/07/2024.
Procedimentos:
Remoção do material de síntese.
Coleta de enxerto ósseo da crista ilíaca esquerda.
Instalação do fixador externo Ilizarov.
Radiografia:
Realizada durante o transoperatório.
Pós-operatório e Acompanhamento
15 dias após a cirurgia: Bento já apoiava o membro operado.
Tratamento adicional: Aplicação de Shock wave para acelerar a cicatrização óssea.
21
0
Acompanhamento radiográfico: Realizado mensalmente por 3 meses, seguido pela
dinamização do Ilizarov e remoção completa no 4º mês.
5.2 Procedimento Cirúrgico
Animal submetido a tratamento cirúrgico no dia seguinte, realizado MPA com acepran
0,2 % na dose de 0,025ml/kg , metadona na dose de 0,2 mg/kg, indução anestésica
com propofol na dose de 6mg/kg e manutenção com isoflurano na dose de 1,5%.
Realizado tricotomia ampla articulação escapuloumeral ate articulação radiocarpica em
360*, realizado acesso cirúrgico crânio lateral, observado luxação do radio em relação
ao condilo umeral, optando assim pela coloção de um parafuso em condilo lateral e
cabeça radio lateral utilizando um fio de poliéster em forma de oito para reduzir essa
luxação, colocado um parafuso da ulna para o radio para para corrigir fratura de
monteggia e por fim fixado fratura com placa e 5 parafuso, sem intercorrência no pós
operatório imediato.
Animal recebeu alta no dia seguinte com as seguintes medicações, dipirona
25mg/kg(TID), tramadol 2 mg/kg( TID), flamavet 1 mg/kg( SID) , agemox 25 mg/kg (BID).
Após 30 dias , animal veio para o retorno sem apoiar o membro , realizado nova
radiografia onde se constatou a não redução perfeita e inicio de reabsorção óssea,
indicando assim nova intervenção cirúrgica.
Proprietaria buscou uma nova opnião onde lhe foi sugerido a retirada de todo material
de síntese e colocação de Ilizarov, solicitado tomografia para planejamento.
Em 03/07/2024 foi submentido a intervenção cirúrgica para remoção dos implantes e
colocação do Ilizarov.
Acesso cirúrgico crânio lateral , removido material de síntese, coletado enxerto osséo
da crista ilíaca esquerda.
Feito a instalação do fixador externo Ilizarov com dois semi anéis e um anel inteiro , três
barras rosqueadas, sendo o semi anel medial sem fixação ao rádio, somente fixação
proximal e distal com dois fios de kirschnner 0,8 mm, utilizado enxerto da crista ilíaca
esquerda com sulfato de cálcio.
Realizado radiografia no transcirurgico.
21
1
Animal com 15 dias de pós operatório já apoiava membro operado, optado pela
realização de Shock wave para acelerar cicatrização óssea.
Feito acompanhamento radiográfico mensal por 3 meses, ate dinamização do Ilizarov e
remoção completa no 4 mês.
4. CONCLUSÃO
Em conclusão, o fixador externo híbrido, quando aplicado corretamente, se
mostra uma opção eficaz no tratamento de fraturas cominutivas distais de rádio e ulna
em cães. Este método proporciona estabilidade à fratura, permite o manejo adequado
dos tecidos moles e minimiza o trauma cirúrgico, principalmente quando a
osteossíntese é realizada de maneira minimamente invasiva.
Além disso, o fixador externo híbrido oferece a vantagem de facilitar a
visualização e o acesso cirúrgico, possibilitando um acompanhamento mais preciso
da cicatrização óssea e dos tecidos adjacentes. A sua versatilidade e a possibilidade
de ajustes pós-operatórios são aspectos que contribuem para um melhor prognóstico
e recuperação dos pacientes. Contudo, é essencial que o procedimento seja realizado
por profissionais capacitados e que haja um acompanhamento rigoroso durante todo
o processo de reabilitação, a fim de garantir os melhores resultados. Dessa forma, o
uso do fixador externo híbrido se destaca como uma abordagem inovadora e
promissora na ortopedia veterinária, proporcionando não apenas a recuperação
funcional dos animais, mas também melhorando sua qualidade de vida.
21
2
ANEXOS
21
3
Anexo I - Imagem Radiográfica da fatura.
21
4
Anexo II - Cirurgia.
Anexo III – Radiografia pós-operatória.
30
REFERÊNCIAS
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