Biografia - Vítima
Matthew Shepard foi um jovem estudante americano da Universidade de Wyoming, nascido
em Casper, em 1º de dezembro de 1976.
Matthew Shepard nasceu em Casper, Wyoming, e foi o primeiro filho de Judy Peck e Dennis
Shepard, seguido por seu irmão mais novo, Logan. Durante a adolescência, ele estudou em
várias instituições, incluindo a Crest Hill Elementary e a Natrona County High School. Em
1994, após seu pai ser contratado pela Saudi Aramco, a família mudou-se para Dhahran,
onde Shepard frequentou a American School In Switzerland, graduando-se em 1995. Mais
tarde, ele estudou na Catawba College, na Carolina do Norte, e na Casper College, em
Wyoming, antes de ingressar na Universidade de Wyoming para estudar ciência política.
Conhecido por seu espírito acolhedor e seu compromisso com a igualdade, Shepard era
representante estudantil no Conselho de Meio Ambiente do estado.
Em 1995, uma experiência traumática o marcou profundamente: durante uma visita escolar
ao Marrocos, ele foi atacado e violentado, o que levou a episódios de depressão e
ansiedade. A partir desse momento, alguns amigos temeram que ele pudesse ter se
envolvido com drogas. Shepard deixou um legado de luta pela aceitação e igualdade,
refletindo sua paixão por justiça e respeito às diferenças.
Caso
Na noite de 6 de outubro de 1998, Matthew Shepard, um jovem universitário de 21 anos, foi
abordado por Aaron McKinney e Russell Henderson no Fireside Lounge em Laramie,
Wyoming. Ambos os homens, também na faixa dos 20 anos, se ofereceram para dar uma
carona a Shepard até sua casa, mas o plano deles era, na verdade, roubar e agredir o
jovem. Shepard foi levado a uma área rural isolada, onde McKinney e Henderson o
espancaram brutalmente, torturaram e o amarraram a uma cerca de madeira. Eles o
deixaram ali, amarrado e ferido, em temperaturas quase congelantes, com o rosto coberto
de sangue exceto pelos rastros deixados por suas lágrimas.
Ao voltar para a cidade, McKinney e Henderson tentaram disfarçar sua ação e se
envolveram em uma briga com outros dois homens, o que levou a polícia ao local. Na
caminhonete de McKinney, os policiais encontraram evidências do crime, incluindo uma
arma manchada de sangue, os sapatos e o cartão de crédito de Shepard. Mais tarde,
McKinney e Henderson tentaram convencer suas namoradas a fornecer álibis e ajudá-los a
esconder as evidências, mas sem sucesso.
Dezoito horas após o ataque, Shepard foi encontrado ainda amarrado à cerca e em coma.
Aaron Kreifels, um ciclista, avistou Shepard e inicialmente o confundiu com um espantalho
devido ao seu estado debilitado. O policial Reggie Fluty foi o primeiro a chegar ao local e
encontrou Shepard ainda com sinais de vida, mas gravemente ferido. Ele foi imediatamente
levado ao Ivinson Memorial Hospital em Laramie e depois transferido para o Poudre Valley
Hospital em Fort Collins, Colorado, que possuía uma unidade de trauma avançada. Shepard
sofreu fraturas no crânio e no tronco cerebral, o que afetou o controle das funções vitais
como a frequência cardíaca e a temperatura corporal. Os ferimentos foram considerados
tão graves que os médicos não puderam operá-lo, e ele permaneceu inconsciente, em
coma profundo e sob suporte de vida.
Nos dias que se seguiram ao ataque, a história de Shepard atraiu atenção mundial, gerando
vigílias à luz de velas e manifestações em apoio à sua recuperação e contra crimes de ódio
e discriminação. Pessoas de diversas partes do mundo se uniram em solidariedade,
lamentando a violência e a intolerância enfrentadas por Shepard.
Infelizmente, Matthew Shepard faleceu em 12 de outubro de 1998, seis dias após o ataque,
devido aos ferimentos severos. Sua morte teve grande impacto e se tornou um símbolo na
luta contra a violência homofóbica, incentivando a criação de leis de proteção contra crimes
de ódio nos Estados Unidos e em outros países.
Julgamento
McKinney e Henderson foram presos e inicialmente acusados de tentativa de homicídio,
sequestro e roubo. Após a morte de Matthew Shepard, as acusações foram aumentadas
para homicídio em primeiro grau, tornando-os elegíveis para a pena de morte. Suas
namoradas, Kristen Price e Chasity Pasley, foram acusadas de cumplicidade. McKinney
admitiu que fingiram ser homossexuais para atrair Shepard, e Price relatou que McKinney
justificou a violência devido à sua aversão a gays.
Em dezembro de 1998, Pasley declarou-se culpada. Em abril de 1999, Henderson evitou
julgamento ao se declarar culpado, recebendo duas penas de prisão perpétua ao concordar
em testemunhar contra McKinney. No julgamento de McKinney, a defesa tentou alegar
"pânico gay", mas o juiz rejeitou a defesa. McKinney foi considerado culpado de homicídio
doloso. Com um acordo negociado pelos pais de Shepard, ele foi condenado a duas penas
perpétuas sem liberdade condicional, assim como Henderson. Price, após seu depoimento,
também se declarou culpada de uma acusação reduzida.
Legado
Em 2007, foi introduzido o Matthew Shepard Act, uma lei destinada a fortalecer a prevenção
de crimes de ódio, mas sua aprovação foi adiada pela oposição republicana e ameaça de
veto do presidente George W. Bush. Em 2009, uma versão revisada do projeto foi
finalmente aprovada e assinada pelo presidente Barack Obama como a Matthew Shepard e
James Byrd Jr. Hate Crimes Prevention Act, também em memória de James Byrd Jr., vítima
de um crime de ódio racial em 1998.
Matthew Shepard foi homenageado pela Fundação Matthew Shepard, fundada por seus
pais, que promove compreensão, compaixão e aceitação. Sua história inspirou a peça *O
Projeto Laramie*, baseada em entrevistas com moradores de Laramie, e dois filmes para
TV em 2002, incluindo uma adaptação da peça. Shepard foi finalmente sepultado em 2018
na Catedral Nacional de Washington, D.C., devido a temores de vandalismo.