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Formação do Brasil Independente: 1808-1815

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UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas


Departamento de História
Prof. Dr. Rodrigo Goyena Soares
e-mail: [Link]@[Link]
1º semestre 2023 – FLH0341

HISTÓRIA DO BRASIL INDEPENDENTE I


HISTORY OF THE BRAZILIAN EMPIRE

Unidade I – A formação do Brasil Independente

1. O processo de independência I (1808-1815)


 DIAS, Maria Odila Leite da Silva. “A interiorização da metrópole ”.
In: __________. Interiorização da metrópole e outros estudos. São
Paulo: Alameda, 2005.
 NEVES, Lucia Bastos Pereira das. “Estado e política na
independência”. In: GRINBERG, Keila e SALLES, Ricardo. O
Brasil Imperial, 1808-1830. Vol I. Rio de Janeiro: Civilização
Brasileira, 2009.
 CARIELLO, Rafael e PEREIRA, Thales Zamberlan. Adeus, Senhor
Portugal. São Paulo: Companhia das Letras, 2022. Capítulo 1: “A
crise inaugural”.

 Interpretações de matriz marxista


o Caio Prado Jr., Evolução Política do Brasil (1933):
 Grupos politicamente dirigentes não estariam desvinculados dos
economicamente dominantes.
 Aburguesamento da classe senhorial.
 Tornando-se menos autárquica e encastelada em pretéritas
instituições patrimonialistas.
o Controle político do Estado não seria decorrência de uma pluralidade de atores
que competiriam pelo poder em posições relativamente iguais.
 Mas o resultado da imposição dos interesses uma classe econômica.

o Ilmar Rohloff de Mattos, O tempo saquarema (1987)


 Constituição do Estado imperial examinada à luz da formação da classe
senhorial.
 Intervenção deliberada sobre os rumos imperiais.
o Ação no mundo das relações de produção e naquele que
estabelece mecanismos para reproduzir essas relações de
produção.
 Classe senhorial:
o Formação histórica particular, que teve seus
comportamentos e valores moldados na escravidão, em
particular naquela praticada no Vale do Paraíba, e em
íntima conexão com a construção do Estado e ordem
imperial.
o Classe senhorial não se formava apenas em seu fazer
econômico, mas no seu modo de vida, habitus, formas de
ser, sentir e agir.

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III] Derivações na agenda historiográfica sobre a escravidão

 Corrente agencial-escravista (a partir da década de 1980)


o Contra docilização alegada por Gilberto Freyre (1933) e contra coisificação de
FHC (1962):
 Repensar conceito de violência:
 Admitindo espaço de negociação entre escravo e senhor.
o Estratégias de sobrevivência.
o João José Reis e Eduardo Silva.
 Há conflito, mas há negociação também: é
acordo sistêmico.
 Escravo ator de sua história
 Sidney Chalhoub:
o Recusa a coisificação e vê agência escrava, que incide
na política.

 Corrente estrutural-globalista (a partir da década de 1990):


o Dale Tomich, Pelo prisma da escravidão (2004):
 Segunda escravidão:
 Escravidão em interação com a construção de Estados
nacionais e com a expansão internacional do mercado
capitalista.
 Segunda escravidão se expande no momento da crise da
escravidão colonial, com a Revolução Haitiana.
 Segunda escravidão não seria o inverso histórico do
capitalismo.
o Pressupõe, ao contrário, a existência da escravidão
como condição para a reprodução capitalista.
o Duas bifurcações:
 Ricardo Salles, E o vale era o escravo (2008)
 Bacia do Paraíba – e além –, organizada em torno da
escravidão, grande propriedade e exportação do café, foram
centrais na conformação socioeconômica, política e cultural do
Império.
o Especificidades nacionais.

 Rafael Marquese (a partir de 2010)


 Concorda com Salles, desde que a escravidão nacional seja
pensada em consonância com a reabilitação global do
cativeiro.
o Especificidades internacionais.

2
1. Brasil, sede do Estado monárquico português

1.1. As relações interestatais europeias de 1808

 18 Brumário: fim do Diretório e início do Consulado.


 Napoleão torna-se primeiro-cônsul.
 1804: Aclamado Imperador.
o Livre iniciativa britânica vs. capitalismo intervencionista francês.
 Inglaterra busca ligar-se à Áustria, à Rússia e a Prússia, contra
Napoleão.
 1805: Trafalgar.
o Lord Nelson e a esquadra inglesa.
 Resposta à derrota francesa em Trafalgar:
 Bloqueio Continental, decretado em Berlim (1806).

 Posição portuguesa: aderir ou não ao Bloqueio de Berlim?


o Aliança com França e Espanha, para reverter as perdas econômicas do
Tratado de Methuen (Pombal)?
o Aliança com a Inglaterra, para garantir proteção militar contra possível
expansionismo napoleônico?
 Posição da Dinamarca
o Tradicional aliada da Inglaterra, mas adere ao bloqueio.

3
o 1807: Bombardeio de Copenhague pela esquadra inglesa.
 Portugal alia-se à Inglaterra contra o bloqueio continental.

 Resposta napoleônica:
o Tratado de Fontainebleu, 1807, assinado entre Bonaparte e Manuel de Godoy.
 Quais foram as cláusulas?
o Espanha cede passagem, em seu território, para tropas francesas,
que não teriam, portanto, de invadir Portugal pela via marítima.
o Napoleão divide o Portugal em dois principados e um reino:
 Sul: Principado de Algarves.
 Norte: Reino de Lusitânia Setentrional.
 Centro: Beira, Trás-os-Montes, Estremadura e Alentejo.
 Em posse francesa, e somente devolvido a Portugal
em troca de “Gibraltar, Trindade e outras colônias,
que os ingleses têm conquistado à Espanha e seus
aliados”.
 1808: transmigração da Coroa bragantina para o Rio de Janeiro.
o Reabilita-se o projeto de dom Rodrigo de Souza Continho.
o Vasto e poderoso Império

2. A política interna joanina e a interiorização da metrópole

 Ineditismo da partida da Coroa portuguesa para a América.


o Escolta da frota britânica.
 Primeira parada: Salvador, após rápida escala nas ilhas Madeira.
 Segunda parada: Rio de Janeiro.
 Chegam reinóis: burocratas e administradores.
o Mas também músicos e artistas.

 Primeiras medidas administrativas:


o Pastas ministeriais
 Substituição da pasta dos Negócios do Reino pela dos Negócios do
Brasil, que passa a incluir a Fazenda e o Real Erário.
 Rodrigo de Souza Coutinho assume a pasta dos Negócios
Estrangeiros.
 Criação das Juntas de Comércio e de Agricultura.

o Medidas jurisdicionais
 Criação de Tribunais Superiores.
o Tribunal da Mesa do Desembargo do Paço:
jurisdição sobre todas as capitanias.
 Elevação do Tribunal de Relação do Rio de
Janeiro à Casa de Suplicação.
o Medidas coercitivas
 Criação da Intendência-Geral de Polícia.

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o Políticas culturais
 Criação de Imprensa Régia (1808).
 Criação do Museu Real (1808): estudar a botânica e a zoologia
local.
 Criação de Escolas de Medicina na Bahia e no Rio de Janeiro
(1813).
 Criação da Real Biblioteca (1814).
 Criação da Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios (1816).
 Abertura dos portos para missões científicas: Cook e Humboldt
(geografia); e Saint-Hilaire e o Barão Von Langsdorff (ciências
naturais).
 Missões artísticas:
o Austríaca: Spix e Martius.
o Francesa: Debret, Taunay e Grandjean de
Montigny.

o Contratação de funcionários locais.


 Novos servidores públicos.

 Caracterização da sociedade brasileira

o Unidade ou fratura?
 Títulos nobiliários outorgados a comerciantes de grosso trato
como retribuições ao auxílio financeiro prestado.
 Em troca, ainda, isenções fiscais.
o Essas isenções fiscais passam a pesar nas capitanias.
 Para elas, o Rio de Janeiro parecia substituir Lisboa, não havendo
mudança real da condição colonial.
 Coleta tributária ficava no Rio de Janeiro: magra redistribuição.
o Maior mal-estar: Pernambuco.
 Acumulava um dos maiores superávits comerciais do Império.
 Maior parte do fisco advinha das alfândegas.
 Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte unem-se ao
descontentamento pernambucano.
o Contrastes:
 O Rio de Janeiro urbaniza-se, mas o Brasil é rural.
 A nova capital recebe imigrantes, que contrastam com as
populações negras.
 3.817.000 brasilienses.
 1.043.000 brancos e 1.930.000 negros escravos.
 526.000 eram pardos e negros libertos.

2.1 A economia no período joanino

 XVIII: expansão do mercado interno consumidor e produtor.


o Rio Grande do Sul: gado.
 Exporta para Rio de Janeiro e Bahia.
o Rio de Janeiro e Bahia: tecidos e escravos.

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 Exportam para mercados sulinos.
o São Paulo: cana de açúcar.
o Pernambuco, Maranhão, Paraíba, Piauí: gado, algodão, açúcar.

 Principais vias de integração econômica:


o Rio São Francisco.
o Tropeiros de SP a RJ.
o Rota da serra de MG a RJ.

Atividades econômicas no século XVIII

Fonte: THERY, Hervé e APARECIDA DE MELLO, Neli, Atlas do Brasil: disparidades e dinâmicas do território, 2a edição, São Paulo:
EdUSP, 2008, pp. 39

 Ao desembarcar no Rio de Janeiro, Dom João encontrou uma economia menos


dependente de Portugal do que imaginava.
o Mercado interno.
o Burguesia comercial.
o Proprietários rurais.

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 Ação de Visconde de Cairu, José da Silva Lisboa.
o Abertura dos portos às nações amigas
 Ato de 1808: mercadorias importadas por navios
estrangeiros seriam taxadas em 24% ad valorem, e aquelas
trazidas por embarcações portugueses, em 16%.

 Resposta inglesa:
o 1810: Tratado de Comércio e Navegação.
 Os produtos importados por intermédio de embarcações inglesas
seriam taxados em 15% ad valorem.
 Acordo tem validade de 15 anos.
o Um ano inteiro de desajuste tarifário entre Portugal e
Inglaterra!
 Fica proibida a exportação de bens como açúcar, café e
produtos similares aos das colônias britânicas para a
Inglaterra.
 Pelo resto, Inglaterra distribuiria internacionalmente bens
exportáveis brasileiros.
o Comércio de reexportação autorizado.

o 1810: Tratado de Aliança e Amizade.


 Ingleses passam a ter jurisdição especial no Rio de Janeiro e
magistrados especiais para julgamentos contra britânicos.
 Compromisso com a extinção gradual do trato negreiro.

Avaliação
a. Prova escrita no final do semestre - 50% da nota.
b. Fichamento de livro (ou seminário) – 35% da nota.
c. Fichamento de texto obrigatório - 15% da nota.

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