UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO
Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas
Departamento de História
Prof. Dr. Rodrigo Goyena Soares
e-mail: [Link]@[Link]
1º semestre 2024 – FLH0341
HISTÓRIA DO BRASIL IMPÉRIO
HISTORY OF THE BRAZILIAN EMPIRE
Unidade I – A formação do Brasil Independente
5. O regresso conservador e a política nacional da escravidão (1836-1845)
ESTAFANES, Bruno Fabris; PARRON, Tâmis; e YOUSSEF, Alain
El. “Vale Expandido: contrabando, consenso e regime
representativo no Império do Brasil”. In: MUAZE, Mariana e
SALLES, Ricardo. O vale do Paraíba e o Império do Brasil nos
quadros da segunda escravidão. Rio de Janeiro: &Letras, 2015.
DOLHNIKOFF, Miriam. “Representação e participação das elites
provinciais e locais nas instituições da monarquia brasileira”.
CARVALHO, José Murilo; SILVA, Isabel Corrêa da Silva; e
RAMOS, Rui. A monarquia constitucional dos Braganças.
Alfragide: Publicações Dom Quixote, 2018.
I] O reconhecimento da Independência
o Dom Pedro I passa a negociar diretamente com Portugal:
o Lisboa reclama indenização em 2 milhões de libras.
o Obrigava-se o Brasil a não incluir outras posses coloniais portuguesas em seu projeto
independentista.
O Reino de Angola apresentou projeto formal de adesão ao Estado brasileiro,
que passaria a ter duas margens no Atlântico.
o Dom Pedro I aceita e obtém reconhecimento de Portugal em 1825.
o Inglaterra torna-se mediadora do reconhecimento da independência do Brasil por
Portugal.
Brasileiros cedem às três requisições britânicas: comércio, tráfico negreiro e
extraterritorialidade.
Pelo tratado anglo-brasileiro de 1826/1827, renovaram-se os privilégios
alfandegários e os direitos extraterritoriais por 15 anos.
Brasil assina compromisso para findar o tráfico negreiro em três anos,
a contar de 1827.
o No mesmo ano que a Inglaterra reconheceu a independência do Brasil, a Áustria juntava-se ao
coro, seguida de Rússia (1828) e Espanha (1834).
o Lei Bernardo Pereira de Vasconcellos (1828).
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O trato negreiro
Tipos de explicação para compreender as pressões inglesas para o fim do trato negreiro no
Brasil:
o Liberal:
William Wilberforce, abolicionista britânica, defende fim da escravidão nas
colônias inglesas.
Produção com mão de obra escrava menos onerosa do que a produção com
mão de obra livre; no entanto, abolição do tráfico vingou nas colônias
britânicas em 1807 (e da escravidão, em 1833).
o Mercantil:
Concorrência escrava, no Brasil, em relação aos lucros auferidos nas
produções antilhanas.
Libertar a mão de obra era libertar fracção de capital empatada no tráfico.
Controle das rotas comerciais globais.
Pressões internacionais contra o tráfico vieram da Revolução Francesa ou da Revolução
Industrial?
Principal destino dos escravos africanos era o Brasil, seguido dos Estados Unidos.
o Baixa reprodutibilidade e alta mortalidade torna o comércio de escravos essencial à
estrutura produtiva brasileira.
o Consentir com fim do trato seria pôr em xeque os latifundiários brasileiros, fossem eles
ligados à produção açucareira ou cafeeira.
1827-1831: Mais de 500.000 de escravos teriam ingressado no Brasil.
Muitos, comparados aos 750.000 que ingressaram entre 1800 e 1831.
II] A Guerra Cisplatina e a América do Sul
o A Guerra Cisplatina (1825-1828)
Bacia do Prata permanece sendo a região cobiçada na época independente.
o Franca expansão do comércio na bacia do Prata.
o Bernardino Rivadavia não enxerga com bons olhos a presença
brasileira no Prata.
Fortalecimento comercial do porto de Buenos Aires.
Investimento em esquadra naval.
Bernardino Rivadavia incentiva e financia a expansão militar dos orientais
exilados em Buenos Aires.
A Guerra Cisplatina eclodiu em abril de 1825.
o Envio dos 33 Orientais, liderados por Juan Antonio Lavalleja, para
tomar a Cisplatina e consolidar o vínculo com as Províncias Unidas do
Rio da Prata.
A Banda Oriental faria parte da federação argentina.
o Entre os 33 Orientais, Manuel Oribe e Fructuoso Rivera.
Do lado brasileiro:
Osório, Bento Manuel e Bento Gonçalves.
Litoral do Sul do Império sofre com a guerra:
o Ação dos corsários.
Prejuízos ao comércio imperial.
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o Incidente entre o Brasil e os EUA:
Tentativas feitas por navios mercantes dos EUA de romper o
bloqueio imperial imposto ao porto de Buenos Aires.
1827: navio Spark é apresado pela esquadra imperial,
acusado de agir como corsário ao serviço das
Províncias Unidas.
o EUA rompem relações diplomáticas com o
Brasil.
Situação superada em 1828, com
Tratado de Amizade, Navegação e
Comércio.
Impasse na Batalha de Passo do Rosário (Ituzaingó), fevereiro de 1827:
o Inicia-se processo de negociação.
o Inglaterra articula a negociação, visto que bloqueio comercial no Prata
era sinônimo de perdas financeiras.
o Rivadavia renuncia, e Dorrego aceita proposta de negociação inglesa.
Convenção de paz de 1828:
o Lord Ponsonby, Dorrego e Dom Pedro I.
Reconhecer independência do Uruguai.
As relações com a América do Sul
o Alto Peru (Bolívia):
Incidente de Chiquitos:
O governador de Chiquitos ofereceu anexação ao Brasil, para evitar
entrar na Bolívia independente.
Governo provisório do Mato Grosso aceita.
o Nomeia-se Sebastião Ramos para o cargo de governador e
Chiquitos.
Sucre dá ultimato ao Brasil!
Dom Pedro I cede: não poderia sustentar guerras em duas frentes.
o Províncias Unidas do Rio da Prata entabulam plano de invasão: Bolivar agiria pelo
Norte, via o Amazonas, com apoio de Sucre, no Centro-Oeste; pelo Sul, Lavalleja.
Foreign Office desaconselha a iniciativa portenha!
1826: Congresso Anfictiônico do Panamá
o Criar Confederação de Estados Americanos.
1815: Carta da Jamaica.
Promoção da paz no continente.
Abolição da escravidão.
Contingente militar comum: equilíbrio na balança de poder.
O Império é convidado ao Congresso de Panamá:
o Nomeia o plenipotenciário Theodoro José Biancardi, que não chegou a tempo.
o Convém ao Brasil participar de foros multilaterais?
Brasil rechaça proposta de Canning, para levar o contencioso platino para
deliberação no Congresso de Panamá.
o Relações bilaterais são de igual para igual?
Contrariando as expectativas de Bolivar:
o Dom Pedro I envia o Marquês de Santo Amaro à Europa entre 1828 e 1831.
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III] A crise econômica
o Crise na quase totalidade do Primeiro Reinado.
Renovados os privilégios alfandegários com a Inglaterra.
Empréstimo de 2 milhões de libras esterlinas contraído junto à Inglaterra,
como preço do reconhecimento da independência pago a Portugal.
Novo empréstimo de 3 milhões de libras após a independência:
Guerra Cisplatina (1825-1828).
Ao término da guerra, os títulos do tesouro em circulação somavam
21,5 mil contos de réis, quando o orçamento imperial era de 12 mil.
Banco do Brasil recorre à emissão do meio circulante:
Inchaço monetário.
Títulos do tesouro passam a ser pagos com altos índices de deságios:
o O detentor do título, quando buscava ser ressarcido pelo
empréstimo feito aos cofres públicos, recebia papel-
moeda em valor inferior aos depósitos iniciais em moeda
metálica.
1829: Extinção do Banco do Brasil.
o Constantes desvalorizações do mil-réis contribuíram para o surto inflacionário.
27, 28 e 29 de julho de 1830 na França: reflexos no Brasil.
o Novembro de 1830: assassinato de Libero Badaró.
Dom Pedro I demite seu gabinete, e prevê constituição de outro mais
conservador sob o comando de Francisco Gomes da Silva, o Chalaça.
Fevereiro de 1831: motins em Vila Rica.
Noite das Garrafadas (1831).
o 7 de Abril de 1831.
Dom Pedro I deixa, no Brasil, o futuro dom Pedro II, com apenas 5 anos de
idade e órfão de mãe desde 1826.
IV] A Regência(1831-1840)
O período que se estende de 7 de abril de 1831, quando da abdicação de Dom Pedro I, a 23
de julho de 1840, quando da investidura de Dom Pedro II, constituiu verdadeiro
laboratório de experiências políticas (MOREL, 2003):
o Implementou-se aquilo que desde a independência era controverso entre liberais e
conservadores: a descentralização.
o Foi período de formação de partidos exclusivamente brasileiros.
Caracterização do período
Expulsos os portugueses, o Brasil atravessou até 1840 período de agitação política e social,
à semelhança do que ocorrera na América hispânica de 1810 a 1825.
Se a centralização do Primeiro Reinado garantiu a unidade territorial tão cara a José
Bonifácio, a Regência dava lugar ao caos que caracteriza os anos de formação do Estado
nacional – ou pelo menos assim afirmou a historiografia do Instituto Histórico e Geográfico
Brasileiro (IHGB) no pós-1840.
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Pouco mais de um século se passou para que uma releitura marxista da Regência
vislumbrasse nas sedições provinciais um movimento de classes agindo contra a opressão
do centro dirigente, o Rio de Janeiro.
o Para essa historiografia dos anos de 1970, a Regência não foi caótica, mas
republicana.