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Esquemas Iniciais Desadaptativos e Seus Domínios

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RELATÓRIO DE ESQUEMAS

Os Esquemas Iniciais Desadaptativos (EIDs) são padrões emocionais e cognitivos responsáveis


por processos de funcionamento da personalidade, definidos como crenças e sentimentos
tomados como verdades sobre si e sobre o mundo (Young, Klosko, & Weishaar, 2008).
Segundo o autor, a origem dos EIDs ocorre a partir de necessidades emocionais fundamentais
não atendidas na infância e adolescência, situações repetitivas e/ou eventos traumáticos em
relação a demandas que necessitavam serem supridas pelos pais ou cuidadores.

Dessa forma, Young (2003) identificou 18 EIDs que são agrupados em cinco domínios,
correspondendo às cinco necessidades fundamentais na infância: I) necessidades de vínculos
seguros; II) senso de autonomia e de competência; III) limites realistas e de autocontrole; IV)
liberdade de expressão; V) espontaneidade e lazer. Assim, cada demanda emocional que não
foi satisfeita nas fases do desenvolvimento infantil e adolescência poderá originar um
determinado domínio esquemá[Link] EIDs e seus respectivos Domínios são descritos da
seguinte forma (Young et al., 2008): • I Domínio – Desconexão e Rejeição: privação emocional,
abandono, desconfiança/abuso, isolamento/alienação e defectividade/vergonha. • II Domínio
– Autonomia e Desempenho Prejudicados: fracasso, dependência/incompetência,
vulnerabilidade ao dano e doença e emaranhamento. • III Domínio – Limites prejudicados:
grandiosidade/ arrogo e autocontrole/autodisciplina insuficientes. • IV Domínio –
Direcionamento para o outro: subjugação, autossacrifício e a busca de aprovação/busca de
reconhecimento. • V Domínio – Supervigilância e Inibição: inibição emocional; padrões
inflexíveis; negativismo/pessimismo e uma postura punitiva.

RESULTADOS
PADRÕES MUITO ATIVADOS:
I DOMÍNIO - Desconexão e Rejeição
A expectativa do indivíduo de que suas necessidades de amor, segurança, cuidado,
afeto, proteção, expressão e compartilhamento de sentimentos, pertencimento social,
espontaneidade, reconhecimento e respeito não serão satisfeitas de forma
consistente. A família típica de origem é emocionalmente desconectada e distante,
fria, com falta de empatia, rejeitadora, crítica, negligente, solitária ou abusiva. Em
geral, com grupo de iguais, costuma sentir-se diferente e sem senso de pertencimento.
1. Privação Emocional (pe)
Expectativa do indivíduo de que seu desejo por um grau normal de apoio emocional e
conexão não será suprido de forma adequada pelos outros. As três principais formas
de privação são:
• Privação de Cuidado: Ausência de atenção, afeto, conforto ou companheirismo.
• Privação de Empatia: Ausência de compreensão, escuta, autorrevelações ou
compartilhamento mútuo de
sentimentos por parte outros.
• Privação de Orientação e Proteção: Ausência de força, direção ou orientação por
parte dos outros.
4. Defectividade/Vergonha (dv)
O sentimento de que o indivíduo é defeituoso, mau, indesejável, inferior ou incapaz
em aspectos importantes; ou que, caso fosse exposto, o indivíduo não seria mais digno
do amor das pessoas importantes para ele. Pode envolver hipersensibilidade à crítica,
rejeição e culpabilização; constrangimento, comparações e insegurança ao estar perto
de outras pessoas; ou um sentimento de vergonha em relação a falhas percebidas.
Essas falhas podem ser privadas (ex: egoísmo, impulsos raivosos, desejos sexuais
inaceitáveis) ou públicas (ex: não ser atraente fisicamente, ser inadequado
socialmente).

II DOMÍNIO: Autonomia e Desempenho Prejudicados


Expectativas a respeito de si e do ambiente que interferem na percepção do indivíduo
sobre sua capacidade de agir de forma independente na vida cotidiana, de ser bem-
sucedido no que se refere a conquistas pessoais/profissionais e de expressar seus
próprios sentimentos e necessidades livremente. Frequentemente envolve medo de
ser abandonado, ficar sozinho e uma forte sensação de que o mundo é perigoso. A
família de origem típica mina a autoconfiança da criança, é superprotetora,
emaranhada, falha no reconhecimento das conquistas, altamente controladora, focada
em perigos pouco comuns ou irrealistas e invalidante quando a criança expressa seus
próprios sentimentos e necessidades.
11. Subjugação/Invalidação (sb)

Abdicação excessiva do controle para outras pessoas pelo fato de o indivíduo sentir-se coagido
e temer de forma irrealista as consequências negativas de lutar pelos seus direitos e expressar
seus sentimentos (teme a raiva, criticismo, retaliação ou abandono por parte do subjugador).
Geralmente envolve a percepção de que os desejos, opiniões e sentimentos do indivíduo não
são válidos ou importantes para os outros. As duas principais formas de subjugação são:

a. Subjugação de Necessidades: Supressão das preferências, direitos, necessidades e desejos


legítimos do indivíduo.

b. Invalidação das Emoções: Supressão das emoções do indivíduo pela expectativa de que seus
sentimentos serão desconsiderados, ignorados, criticados ou não levados a sério pelos outros;
ou de que haverá algum tipo de punição ou rejeição por parte dos outros pelo fato de o
indivíduo ter expressado suas emoções.

III DOMÍNIO: Limites Prejudicados

Deficiência nos limites internos, no senso de responsabilidade pelas outras pessoas ou na


orientação a objetivos de longo prazo. Leva à dificuldade de respeitar os direitos dos outros, de
cooperar com eles, comprometer-se, controlar suas emoções e impulsos; ou estabelecer e
atingir objetivos pessoais realistas. Alguns desses indivíduos sentem que têm direitos especiais
ou se autoengrandecem, enquanto outros podem se comportar de forma impulsiva ou
indisciplinada. A família típica de origem é caracterizada pela permissividade, falta de limites,
tolerância excessiva, falha na imposição de regras normais ou transmissão de uma ideia de
superioridade em relação às outras pessoas.

Os pais normalmente não oferecem confrontação, disciplina, consequências negativas e


limites suficientes para que sejam assumidas responsabilidades, cooperação de forma
recíproca, restrição de impulsos, concretização de tarefas, respeito às normas sociais e
adiamento das gratificações de curto prazo com intuito de atingir objetivos de longo prazo. Em
alguns casos, pode não se ter exigido que a criança tolerasse níveis normais de desconforto, ou
ela pode não ter recebido supervisão, direcionamento ou orientação adequadas.

13. Autocontrole/Autodisciplina Insuficientes (ai)

Inabilidade ou recusa generalizada de exercer autocontrole, autodisciplina e tolerância à


frustração suficientes para atingir objetivos pessoais, ou para restringir a expressão
inapropriada de emoções e desejos imediatos. Esses indivíduos geralmente são impulsivos e
têm dificuldade para prorrogar gratificações imediatas. Eles também podem “perder o
controle” de suas emoções e expressá-las de forma inadequada. Por vezes, há dificuldade para
manter-se focado em uma tarefa, especialmente se esta é entediante ou desprazerosa,
independentemente dos benefícios a longo prazo. (Esse esquema geralmente não inclui
comportamentos aditivos ou compulsivos, a menos que sejam acompanhados por uma
dificuldade difusa com autodisciplina que inclua uma ampla variedade de situações).

17. Negatividade/Pessimismo (np)

Um foco difuso e duradouro nos aspectos negativos da vida (dor, morte, perdas, decepções,
conflitos, culpa, ressentimentos, problemas não resolvidos, possíveis erros, traição, coisas que
poderiam dar errado, etc.), enquanto minimiza ou negligencia os aspectos positivos ou
otimistas. Geralmente envolve uma expectativa exagerada – em uma grande variedade de
situações laborais, financeiras ou interpessoais – de que as coisas eventualmente irão dar
muito errado, ou de que aspectos da vida do indivíduo que aparentemente vão bem acabarão
por desmoronar. Geralmente envolve um medo excessivo de cometer erros que poderão levar
a: colapso financeiro, perdas, humilhação ou não conseguir sair de uma situação ruim. Pelo
fato de os resultados negativos serem exagerados (“catastrofização”), esses pacientes são
frequentemente caracterizados por preocupações crônicas, ansiedade, hipervigilância,
reclamações ou indecisão.

PADRÕES ATIVADOS – SOMENTE ATENÇÃO

DESCONEXÃO E REJEIÇÃO

2. Desconfiança/Abuso (da)

A expectativa de que os outros irão machucar, abusar, humilhar, trair, mentir, manipular ou
tirar vantagem do indivíduo. Geralmente envolve a percepção de que o mal é intencional ou
resultado de negligência extrema e injustificada. Em relação às outras pessoas, pode incluir a
sensação de que o indivíduo sempre acabará sendo traído ou de que “a corda sempre
arrebenta do lado do mais fraco”.
3. Inibição Emocional (ie)

Inibição excessiva de ações espontâneas, sentimentos ou comunicação – geralmente para


evitar reprovação por parte dos outros, sentimentos de vergonha ou a perda do controle dos
impulsos. As áreas mais comuns de inibição envolvem: (a) inibição da raiva e agressão; (b)
dificuldade de demonstrar afeto e amor; (c) dificuldade de compartilhar sentimentos privados
ou de discutir questões emocionais; (d) inibição de impulsos positivos (ex: alegria, excitação
sexual, diversão); (e) dificuldades de expressar vulnerabilidade, ou comunicar sentimentos e
necessidades para os outros; ou (f) ênfase excessiva na racionalidade, desconsiderando
emoções.

LIMITES PREJUDICADOS

12. Arrogo/Grandiosidade (ag)

Sentimento de ser superior aos outros; possuir direitos e privilégios especiais; ou ser
desobrigado de seguir as regras de reciprocidade que orientam as interações sociais normais.
Frequentemente há uma insistência por parte do indivíduo de que ele pode fazer ou ter o que
quer, independente do que é realista, do que os outros consideram razoável e seria
socialmente aceitável, ou sem considerar o prejuízo causado a outras pessoas.
Frequentemente caracteriza-se por um foco exagerado na superioridade (ex: estar entre os
mais bem-sucedidos, famosos, ricos) –geralmente para conquistar poder, controle, atenção ou
admiração. Às vezes inclui competitividade excessiva e inveja dos outros. Indivíduos com
arrogo geralmente dominam e controlam o comportamento das outras pessoas de forma
alinhada com seus próprios desejos – sem aparente empatia ou preocupação com as
necessidades ou sentimentos destes.

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