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Integração Lavoura-Pecuária no Cerrado

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UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS

ESCOLA DE AGRONOMIA
SETOR DE CIÊNCIA DO SOLO

Manejo do solo
Disciplina 2022.1

Prof. WILSON MOZENA LEANDRO

GOIÂNIA – GOIÁS
2022
Apresentação

As instituições de Pesquisa, Ensino e


Extensão do Brasil tem intensificado o
desenvolvimento e a transferência de
tecnologias para recuperação e intensificação
das pastagens com sistemas de integração
lavoura-pecuária. Esta técnica de cultivo vem
ganhando destaque pelas inúmeras vantagens
que a consorciação de culturas anuais com
forrageiras tropicais proporcionam aos
sistemas de produção agrícola. Assim, o
interesse nesse tipo de exploração se sustenta
nos benefícios como a maximização do uso
da terra, de infraestrutura e de mão de obra,
diversificação da produção com redução dos
custos de produção, além de possibilitar
agregar valores aos produtos agropecuários
com maior sustentabilidade.
Os sistemas integrados têm sido
apontados na literatura para melhoria da
eficiência de uso destas áreas de produção.
Além disso, esses sistemas proporcionam
outros benefícios, como o maior sequestro de
carbono, aumento da matéria orgânica do solo
e economia de fertilizantes em decorrência da
ciclagem de nutrientes pelas forrageiras,
melhoria das condições microclimáticas,
descompactação do solo e redução da erosão,
recuperação de pastagens com produção de
silagem (OLIVEIRA et al., 2020) além da
maior disponibilidade de forragem de
qualidade na entressafra. Por estes motivos a
adoção dos sistemas integrados vem
crescendo no Brasil e está sendo considerada
parte das tecnologias mais sustentáveis e
competitivas que impulsionam o agronegócio
brasileiro.
A intensificação dos processos
produtivos na pecuária no Brasil, tanto a de
corte como a de leite, promoveu aumento das
necessidades de alimentos para os
ruminantes, principalmente nos períodos de
escassez de forragem.
3

INTRODUÇÃO

A oferta tecnológica para a agropecuária do cerrado brasileiro ocorreu de forma distinta


para a parte agrícola e pecuária. No início de sua exploração os sistemas de produção se baseavam
no preparo convencional do solo através do uso intensivo da aração e gradagem, trazendo como
conseqüência, o esgotamento dos recursos do ambiente, queda de produtividade das lavouras e da
taxa de lotação média animal em menos de 0,3 U.A. /ha. A produção forrageira tem sido suficiente
para o rebanho no verão ou período chuvoso, mas altamente deficiente nos meses do período seco
do ano. Isso tem levado ao emagrecimento dos animais e até a morte de bovinos no período seco
(EMBRAPA, 1995). O desempenho das lavouras, principalmente em razão do manejo degradante
do solo, na média, também não foge à regra já que a produção é duas a três vezes menor que o
potencial com a tecnologia disponível (KLUTHCOUSKI, 1994).
Segundo esses autores, observa-se que, em microrregiões do cerrado em que a atividade
agropecuária é mista há uma maior performance da lavoura e da pecuária, com reflexos positivos
também na economia de toda a região. No entanto, microrregiões de exploração exclusiva de
pecuária, apresentam, quase sempre, as pastagens degradadas e de baixa atividade econômica. De
posse dessa premissa, constata-se que o desenvolvimento regional requer que as duas atividades
primárias andem juntas com vistas a garantir sustentabilidade da agropecuária nos trópicos. Pois, a
sustentabilidade do setor agropecuário estar diretamente relacionada com a evolução do sistema de
produção, tal qual o plantio direto e a integração lavoura-pecuária.
Assim, a integração lavoura-pecuária tem grande importância, por proporcionar
benefícios recíprocos, eliminando ou reduzindo as causas de degradação física, química e biológica
do solo, resultantes de cada uma das explorações (BROCH et al., 1997). Além disso, as gramíneas
forrageiras são altamente resistentes à maioria das pragas e doenças, sendo ainda uma excelente
barreira as suas disseminações e quebrarem o ciclo dos patógenos nocivos às plantas cultivadas,
resultando em menor uso de defensivos agrícolas.
Segundo KLUTHCOUSKI & AIDAR (2002) são muitos os benefícios da integração
lavoura-pecuária para a sustentabilidade da atividade agropecuária no cerrado tais como: 1-
Agronômicos, por meio da recuperação e manutenção das características produtivas do solo; 2-
Econômicos, por meio da diversificação de oferta e obtenção de maiores rendimentos a menor
custo e com qualidade superior; 3- Ecológicos, por meio da redução da erosão e da biota nocivas às
espécies cultivadas com a conseqüente redução da necessidade de defensivos agrícolas e 4- Sociais,
por meio da diluição da renda, já que as atividades pecuárias e agrícolas concentram e distribuem
renda, respectivamente. Também a maior geração de tributos, de empregos diretos e indiretos, além
de fixação do homem ao campo.
Nesse contexto da integração lavoura - pecuária foi desenvolvido o Sistema Santa Fé-
Tecnologia Embrapa, que se baseia no consórcio de culturas ou cultivos múltiplos em uma mesma
área durante o mesmo ano, cujos objetivos são a produção de grãos no verão e de forrageira para a
entressafra e palhada em quantidade e qualidade para o Sistema Plantio Direto. O consórcio é
estabelecido anualmente, podendo ser implantado simultaneamente ao plantio da cultura anual ou
cerca de 10 a 20 dias após a emergência desta (KLUTHCOUSKI et al., 2001). A diferença em
relação ao sistema convencional de implantação da lavoura é a adição e mistura das sementes da
forrageira ao adubo por ocasião da semeadura.
O Sistema Santa Fé em sua fase de pesquisa pela Embrapa Arroz e Feijão vem
registrando rendimentos de grãos com as culturas anuais semelhantes aos obtidos nos cultivos
isolados. A inclusão da brachiária no consórcio apenas em alguns casos ainda carece de melhor
avaliação, como o arroz e a soja. Com o milho já se pode considerar plenamente definido. Os
rendimentos das culturas anuais de grãos em consórcio já alcançados pela pesquisa da Embrapa
Arroz e Feijão são semelhantes com os rendimentos em cultivo solteiro, como se observa nos
rendimentos obtidos na safra 2000/2001.
Segundo KLUTCOUSKI & AIDAR (2002) na safra 2000/2002 o milho em cultivo
solteiro rendeu 9.311 kg/ha e o cultivo consorciado com a brachiária rendeu 9.017 kg/ha. A Soja
4

em cultivo solteiro produziu 3.332 kg/ha e o cultivo em consórcio com a brachiária produziu 3.127
kg/ha.
O arroz não apresentou bom desempenho no sistema com consórcio simultâneo com a
brachiária, onde a cultura não sobreviveu à competição exercida pela forrageira. Estudos
complementares serão necessários com essa cultura, incluindo semeadura em épocas distintas,
visando sua inserção no sistema.
O rendimento do feijoeiro que é cultivado em regime solteiro em semeadura direta
sobre a palhada do Sistema Santa Fé apresentou melhor rendimento em cultivo sobre palhadas
envolvendo a brachiária com produtividade de 3.425 kg/ha contra 3.080 kg/há no regime solteiro,
evidenciando os efeitos positivos da rotação e da palhada da brachiária.
Atualmente além do sistema Santa Fe tem sido relatados o sistema Santa Brigida que
envolve na forrageira (Braquiaria ruziziensis ou Brizanta e o capim Mombaça) plantar o feijão
guandu como banco de proteína. Os resultados para a produção pecuária são incontestáveis. Outro
sistema bastante difundido é o sistema São Francisco na qual se faz a sobresseadura de forrageiras
(normalmente o Mombaça, Colonião etc) da soja de ciclo médio o tardio.

No Brasil, os sistemas de integração lavoura-pecuária são instalados de acordo com o perfil


e os objetivos específicos de cada produtor. As diferenças nos sistemas são atribuídas às
peculiaridades regionais e da propriedade, como condições de clima e de solo, infraestrutura,
experiência do produtor e tecnologia disponível (VILELA et al., 2011).
Existem três modalidades de integração que podemos destacar: fazendas de pecuária, em
que culturas de grãos, arroz, soja, milho, sorgo e milheto, são introduzidas em áreas de pastagens
para recuperar a produtividade dos pastos; fazendas especializadas em lavouras de grãos, que
utilizam gramíneas forrageiras para melhorar a cobertura de solo em sistema plantio direto, e, na
entressafra, para uso da forragem para alimentação de bovinos e fazendas que sistematicamente,
adotam a rotação de pasto e lavoura para intensificar o uso da terra e se beneficiar do sinergismo
entre as duas atividades (Vilela et al., 2011).
Nesse sentido, a mais de 27 anos, a Embrapa tem intensificado o desenvolvimento e a
transferência de tecnologias com os sistemas de integração lavoura-pecuária.

Sistema Barreirão
Em 1983 iniciou-se o aperfeiçoamento de algumas técnicas já utilizadas por produtores
rurais do Estado de Goiás, e a partir disso, foi iniciada a recuperação de pastagens degradadas na
Fazenda Barreirão, localizada no município de Piracanjuba-GO. Ao conjunto das técnicas
empregadas no processo de recuperação o Sistema Barreirão, foi lançado em 1991 pela Embrapa
Arroz e Feijão (OLIVEIRA et al., 1996).
As práticas que compõem o sistema, no entanto, fundamentam-se na possibilidade de
redução de riscos climáticos inerentes à cultura, que no início centrava-se no arroz, e na correção,
pelo menos parcial, das limitações físico-químicas do solo. O maior benefício do sistema foi em um
primeiro momento o de incentivar os produtores para a necessidade de se recuperar/renovar
pastagens degradadas e posteriormente para as vantagens da integração lavoura-pecuária
(COBUCCI et al., 2007).
O Sistema Barreirão é constituído por um conjunto de práticas, como técnicas adequadas de
preparo de solo, plantio de precisão e utilização de insumos, que possibilitam a
recuperação/renovação de pastagens degradadas em consórcio com culturas anuais e proporciona a
expansão das potencialidades da área para o cultivo do

Sistema Santa Fé
arroz de sequeiro. Outras culturas, também, foram inseridas no sistema para suprir as necessidades
do pecuarista, que visa diversificar suas atividades ou fazer o aproveitamento de outros grãos ou
forragem na própria propriedade. Consorcia-se arroz de Terras Altas, o milho, o sorgo e o milheto
5

com forrageiras como Andropogon gayanus e Panicum sp. e/ou com leguminosas forrageiras, como
Stylosanthes sp., Calopogonio mucunoides e Arachis pintoe (OLIVEIRA et al., 1996).
Este sistema é utilizado em áreas com necessidades de descompactação e correção dos
solos, utilizando, portanto, o preparo do solo no sistema convencional (Figura 1). É caracterizado
pela correção dos solos no período seco do ano (julho a setembro) e o preparo do solo com grade
aradora. Em seguida é realizada uma aração profunda com arado de aivecas (30 a 35 cm) no início
das chuvas, entre outubro e novembro. Objetivando a correção e descompactação do solo, controle
de ervas daninhas e incorporação de resíduos (GONÇALVES; FRANCHINI, 2007).
Após 10 anos do sistema Barreirão, foram aperfeiçoadas as pesquisas para o Sistema Santa
Fé, que foi lançado em 2001. Este sistema se fundamenta na produção consorciada de culturas de
grãos, especialmente o milho (Zea mays L.), o sorgo (Sorghum spp.), o milheto (Pennisetum
americanum L.) e a soja (Glycine max L.), com forrageiras tropicais, principalmente do gênero
Brachiaria, em áreas de lavoura com solo parcial ou totalmente corrigido; tem como objetivo
produzir forragem para a entressafra, palha em quantidade e qualidade para o sistema de plantio
direto e plantio convencional. Este sistema apresenta grandes vantagens, pois não altera o
cronograma de atividades do produtor, é de baixo custo e não exige equipamentos especiais para
sua implantação (KLUTHCOUSKI et al., 2000).
O Sistema Santa Fé se constitui no primórdio daquilo que em alguns anos poderá ser
chamado de a maior revolução agrícola de todos os tempos na região tropical, uma vez que, a partir
deste sistema, materializou-se a integração lavoura-pecuária. Com isso, cientistas e produtores
rurais passaram a acreditar que poderia haver uma grande mudança nos sistemas de produção dos
trópicos. Assim, a braquiária passou a ser vista, também, como um componente da rotação de
culturas, em especial, no sistema de rotação lavoura pastagem, que teve suas primeiras experiências
no Estado de Mato Grosso do Sul (BROCH et al., 1997).
Na implantação do sistema, depois do preparo do solo ou dessecação, realiza-se a
semeadura simultânea da cultura anual com a forrageira. As sementes das forrageiras são também
misturadas com adubo e semeadas a uma profundidade maior ou pode optar pela semeadura
defasada da forrageira, com aproximadamente 20 a 30 dias depois da emergência da cultura anual
(KLUTHCOUSKI et al., 2000).
Após a colheita da cultura anual, deve-se fazer pastejo rápido de formação para estimular o
perfilhamento da forrageira. Depois da saída dos animais, a área deve ser vedada por período
suficiente para a rebrota e crescimento até a fase do pastejo definitivo. Por fim, após o período
seco, a pastagem fica em descanso e no início das chuvas, dessecada, dando início ao novo ciclo de
consórcio, em sistema de plantio direto ou convencional. O ganho de peso dos animais na
entressafra (estação da seca) com este sistema, em comparação com os sistemas tradicionais em
que os animais perdem peso, é muito grande, devido à quantidade de alimento produzido, em se
tratando de solos férteis (KLUTHCOUSKI; AIDAR, 2003).

Sistema Santa Brígida


O Sistema Santa Brígida, foi lançado em 2010, em homenagem à Fazenda Santa Brígida,
em Ipameri-GO, em parceria com a empresa de máquinas e implementos agrícolas John Deere e a
Embrapa Arroz e Feijão, com propósito de validar e transferir tecnologias relacionadas à integração
lavoura-pecuária.
Esse sistema visa incorporar mais um componente benéfico no sistema, que são as
leguminosas consorciadas, principalmente, com milho e braquiária. Segundo OLIVEIRA et al.
(2010), essa associação tem como propósito o aumento do aporte de nitrogênio ao solo, via fixação
biológica do nitrogênio atmosférico. A cultura subsequente pode se beneficiar do nitrogênio
proveniente das leguminosas (guandu-anão e crotalária), permitindo a redução no fornecimento de
nitrogênio mineral. Portanto, tem-se como premissa que o consórcio de leguminosas com outras
espécies resultará na prática, em agricultura de custo mais barato e menos poluidora do ambiente.
Ainda, pode-se citar como vantagens desse sistema a melhoria na qualidade das pastagens e a
diversificação da biomassa para o sistema plantio direto (OLIVEIRA et al., 2013).
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O Sistema Santa Brígida representa, ainda, uma alternativa para o produtor com a utilização
da integração lavoura-pecuária-floresta, que consiste em uma das metas do Programa de
Agricultura de Baixa Emissão de Carbono (Programa ABC), lançado pelo governo Federal, em
2010, por meio do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Sistema São Mateus

O Sistema São Mateus, lançado em 2013, visa à produção sustentável em solos arenosos,
através da introdução de pasto com braquiária, no período de outono-inverno. Todas as operações e
procedimentos, denominados no sistema, foram comparados aos sistemas tradicionais de lavoura e
pecuária, e em seguida validados durante cinco anos na Fazenda São Mateus, localizada no
Município de Selvíria-MS (SALTON et al., 2013).
O Sistema é um modelo de integração lavoura-pecuária indicado para a região do Bolsão
Sul-Mato-Grossense, tendo como base a utilização da integração com a antecipação da correção
química e física do solo e do cultivo de soja em plantio direto para amortizar os custos da
recuperação da pastagem. Tal sistema de produção, proporciona a diversificação das atividades
(Figura 4), diluindo os riscos de frustrações e ampliando a rentabilidade e a margem de lucro da
propriedade rural (SALTON et al., 2013).
No período do inverno e primavera, realizar a limpeza e adequação da área, correção das
deficiências químicas do solo com a aplicação de calcário, gesso e adubos, incorporados ao solo na
camada de 20 a 30 cm. No início do período chuvoso, implanta a pastagem temporária (Brachiaria
brizantha cvs. Marandu, Piatã ou Xaraés - 4 a 6 kg ha-1 de sementes puras viáveis), com o objetivo
de adequação física do solo pelo desenvolvimento das raízes da forrageira; formação de palhada
para o plantio direto da soja. Utiliza-se a pastagem por 6 a 9 meses, com início de pastejo aos 60 a
70 dias após a emergência até o mês de setembro. A produtividade de carne obtida nesse período
poderá amortizar parcial ou totalmente os custos da adequação química e física do solo e adequada
produção de biomassa para o plantio direto da soja. Logo após o início das chuvas (outubro)
procede a dessecação da pastagem com herbicida e cerca de 20 dias após, efetua a semeadura da
soja sobre a biomassa da pastagem dessecada. Após a colheita da soja, semear imediatamente a
pastagem que será utilizada na produção pecuária nos próximos dois anos, retornando à soja no
terceiro ano (SALTON et al., 2013).

Sistema Santa Ana


A Unoeste (Universidade do Oeste Paulista), lançou oficialmente, em 13 de março de 2015,
durante seu 2º Dia de Campo sobre Produção Agropecuária, o sistema chamado “Santa Ana”.
Desenvolvido em parceria com a Embrapa, o sistema se destina principalmente a pecuaristas que
precisam reformar pastagens e, ao mesmo tempo, produzir silagem. O intuito é produzir o sistema
de integração lavoura pecuária de baixo custo e risco, utilizando máquinas que o pecuarista já
possui na propriedade (EMBRAPA CERRADOS, 2016).
O sistema é considerado simples e versátil, e permite a consorciação de capim com diversas
culturas: milho, sorgo, milheto, girassol e guandu-anão, dentre outras para a produção de silagem e
posteriormente tem-se a pastagem formada para os animais.
A produção de silagem de culturas anuais com forrageiras tropicais tem mostrado os
benefícios da consorciação, por produzir silagem de melhor qualidade e aumento da massa ensilada
(PARIZ et al., 2017; COSTA et al., 2018; SOUZA et al., 2019; OLIVEIRA et al., 2020), reduzindo
custo para o pecuarista.

Sistema São Francisco


Validado em 2016 pela Embrapa Cerrados, em parceria com o Instituto Federal Goiano,
Campus Rio Verde, a Emater-GO e a Sementes Moeda em fazendas de Quirinópolis, o sistema São
Francisco consiste na sobressemeadura de forrageira do gênero Panicum de porte alto sobre lavoura
de soja ou milho em final de ciclo (LOBATO, 2017; REVISTA DBO, 2017). Esse sistema tem
7

como finalidade produção de forragem na entressafra, conhecido também como "boi safrinha" e
posteriormente produção de biomassa para o sistema de plantio direto da soja.
Vilela et al. (2015) relataram que os termos “boi safrinha” ou “pasto safrinha” referem-se ao
uso da forragem produzida em consórcio no verão, com a finalidade de cobertura de solo para o
sistema de plantio direto, para a alimentação de bovinos na estação da seca, em que é caracterizada
por ser uma pastagem de curta duração num período em que, normalmente ocorre déficit de
forragem. Com a janela de semeadura do milho é restrita, o consórcio com a soja por
sobressemeadura ganhou importância em regiões tradicionais de pecuária (BORGHI et al., 2017).
A sobressemeadura de forrageiras na cultura anual pode diminuir os efeitos da competição
entre as culturas. Sendo assim, o sistema São Francisco, oferece benefícios tanto para agricultores
como para pecuaristas, entre eles a melhoria das propriedades químicas do solo, melhoria da
qualidade de cobertura do solo para sistemas de plantio direto, redução da ocorrência de pragas e
doenças, maior produtividade das plantas e dos animais e a redução de riscos financeiros pela
diversificação das atividades (LOBATO, 2017).

Sistema Gravataí
O Sistema Gravataí surge como uma tecnologia disponível para integração lavoura pecuária,
com produção animal e de forragem como principais atividades na segunda safra. Consiste no
consórcio do feijão-caupi (Vigna unguiculata) com Brachiaria ruziziensis e Brachiaria brizantha
cvs. BRS Paiaguás e BRS Piatã (EMBRAPA AGROSSILVIPASTORIL, 2018).
O sistema tem como objetivo viabilizar o consórcio sustentável entre gramínea e
leguminosa para formação de pastagens de safrinha ou para plantas de cobertura e adubação verde
nos sistemas de plantio direto em solos de textura média e/ou argilosa do Cerrado brasileiro,
produzindo forragem em grande quantidade com elevado teor de proteína bruta no período da seca
para as condições do Cerrado. Além de contribuir para a construção do perfil do solo por meio da
melhoria dos seus atributos físicos, químicos e microbiológicos, viabilizando cultivo precedente e
responsivo para as culturas da soja e do arroz de terras altas no sistema de plantio direto
(EMBRAPA AGROSSILVIPASTORIL, 2018).
A implantação do Sistema Gravataí, após a colheita da lavoura, pode ser feita, basicamente,
de três formas: implantação do consórcio simultâneo, utilizando uma semeadora que contenha a
terceira caixa de forrageira ou a mistura das sementes de braquiárias com o adubo, ou com a
implantação do consórcio com duas operações consecutivas de semeaduras diretas em linha, onde,
na primeira etapa semeia-se o feijão-caupi e na segunda semeia-se a braquiária, e por fim, pode
ocorrer com a implantação do consórcio com duas operações, primeiro com a semeadura a lanço da
braquiária e, logo em seguida, a semeadura na linha do feijão-caupi (EMBRAPA
AGROSSILVIPASTORIL, 2018).

Integração Lavoura – Pecuária – Lona Viva ou Tapete Verde

Esta tecnologia de integração lavoura - pecuária foi desenvolvido pela CIRAD na


região do Mato Grosso e se baseia no consórcio de culturas ou cultivos múltiplos em uma mesma
área durante o mesmo ano, cujos objetivos são a produção de grãos no verão e de forrageira para a
entressafra e palhada em quantidade e qualidade para o Sistema Plantio Direto. O consórcio é
estabelecido anualmente, podendo ser implantado simultaneamente ao plantio da cultura anual ou
cerca de 10 a 20 dias após a emergência desta semelhante ao sistema anterior. A diferença em
relação ao sistema Santa Fé e que após a implantação da lona viva (Forragem de alta agressividade
como a grama batatais, crost-cross, Tifton, Puerária etc.) esta é estressada com herbicidas para não
competir com a cultura de verão..
Um das dificuldades da implementação do Lona Viva é eliminar a competição sem
provocar danos irreversíveis nas forragem estabelecidas.
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Integração Lavoura Pecuária Floresta

A introdução do iLPF (integração lavoura pecuária floresta) tem sido empregado. O


Mato Grosso do Sul é o estado com maior índice de adoção. A Embrapa de Sinop no Mato Grosso
tem fomentado muitos trabalhos. Ela junto com a Embrapa Gado de Corte tem fomentado o selo de
qualidade Carne Carbono neutro que justifica a neutralização dos gases das mudanças climáticas
globais sendo emitida pela pecuária com a fixação nas florestas plantadas. A mais empregada tem
sido as exóticas de crescimento rápido (eucalipto e pinus) mas há potencial de nativas brasileiras
com o carvoeiro, baru, angico, apeiba e outras. Outras exóticas como o cedro australiano, o mogno
africano e a teca também tem sido empregadas. Normalmente são 2 a 3 linhas de arbóreas no
sentido leste-oeste espaçadas em função de múltiplos da largura do pulverizador empregado.

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