PODER CONSTITUINTE
Teoria do Poder Constituinte, criada por Emmanuel Joseph Sieyès.
É o poder de instituir uma nova ordem jurídica, de criar uma nova
Constituição, ou de proceder às reformas necessárias à sua
atualização, seja através da supressão, modificação ou acréscimo de
normas constitucionais.
Correntes do Poder Constituinte:
- Jusnaturalista: é um poder jurídico, que sofre limitações impostas
pelo Direito, no caso, limites advindos do direito natural.
- Positivista: não é percebido como um poder jurídico, mas sim
como um poder de fato. E como não é poder jurídico, não sofre
qualquer tipo de limitação imposta pelo Direito.
No Brasil, tem-se que a natureza do poder constituinte é de poder de
fato, energia ou força social. Nas provas objetivas adotar o
posicionamento de que o poder constituinte é um poder ilimitado
juridicamente, logo, um poder que, a rigor, tudo pode.
Titularidade e exercício: pertence ao povo.
PODER CONSTITUINTE:
1. ORIGINÁRIO: cria nova CF.
1.1 Derivado: nasce do originário.
a) Reformador: emenda a CF.
b) Decorrente: CF dos estados.
c) Revisor: revisão após 5 anos, feita em 1994.
1) Poder Constituinte ORIGINÁRIO
É o poder de criar uma nova Constituição, de inaugurar um novo
Estado e instituir uma nova ordem jurídica, rompendo por completo
com a ordem jurídica antecedente.
É um poder anterior e superior a qualquer constituição que esteja em
vigência.
Subdivisão:
- Poder constituinte histórico ou fundacional: é aquele que vem
no sentido de estruturar, pela primeira vez, o Estado.
- Poder constituinte pós-fundacional: é o que se entende por
todos os demais exercícios do poder constituinte posteriores ao
histórico. Ou seja, a partir da segunda Constituição já se considera o
poder pós-fundacional, é dizer, o poder que rompeu com a ordem
jurídica que estava estabelecida.
Formas de manifestação:
- Convenção: temos o exercício democrático indireto. O povo
elegerá os representantes que assumirão a responsabilidade de
elaborar a nova Constituição.
- Outorga: é a forma de manifestação constituinte pautada no
exercício autocrático do poder. Aqui, diferentemente da convenção,
não há que se falar em qualquer representante popular.
Dimensões:
- Formal: o ato de criação em si mesmo considerado, propriamente
dito. É aquele que delimita a noção de direito constitucional que vai
predominar no novo ordenamento jurídico. Ele exterioriza e ideia de
direito e elabora o conteúdo do novo texto constitucional. É quem
sedimenta aquilo que vai ser a nova Constituição.
- Material: corresponde ao lado substancial do poder constituinte
originário. É ele quem diz o que será considerado constitucional,
cabendo ao poder constituinte formal materializar e sedimentar
aquilo como Constituição. O poder constituinte material é anterior ao
formal.
Características:
- Inicial: cria um novo Estado, inaugura uma nova ordem
jurídica, rompendo por completo com a ordem precedente. É o
poder de criar uma nova Constituição.
- Autônomo: só as pessoas que vão exercer o poder é dado o
direito de fixar os termos em que a nova Constituição será
estabelecida.
- Ilimitado: é ilimitado juridicamente porque não sofre qualquer
limitação imposta pelo direito anterior.
- Incondicional: porque já não tem de obedecer a nenhuma
forma pré-fixada de manifestação.
Direito adquiridos e poder constituinte originário:
A lei não prejudicará o direito adquirido, ato jurídico perfeito e a coisa
julgada.
- Direito adquirido: ao tempo da norma vigente já se incorporou
definitivamente no patrimônio jurídico do seu titular. Ex.: No tempo
da lei vigente poderia se aposentar com 65 anos, porém optou por
continuar trabalhando, e surgiu nova lei com idade de 68 anos,
mesmo assim poderá se aposentar por já ter adquirido o direito.
- Ato jurídico perfeito: é aquele que já produziu todos os seus
efeitos ao tempo da norma vigente. Ex.: Determinado sujeito se
aposenta com 35 anos de serviço, norma vigente surgem
posteriormente com idade superior, essa nova regra não irá lhe
atingir.
- Coisa julgada: decisões que não cabem mais recurso.
2. Poder Constituinte DERIVADO
É aquele que deriva do poder originário e é criado por ele. O poder
constituinte originário é o criador, enquanto o poder constituinte
derivado é tão-somente a criatura. O originário é o poder principal,
o derivado é o acessório.
Características:
- Derivado: ele deriva do originário, é instituído por ele.
- Limitado: sofre as limitações impostas pelo originário.
- Condicionado: só pode ser manifestar a partir do trâmite
estabelecido na própria Constituição e nos termos por ela fixados.
ESPÉCIES:
a) Reformador:
São as EMENDAS À CONSTITUIÇÃO, assim, tem por finalidade
proceder às reformas necessárias à atualização da Constituição, seja
através da supressão, modificação ou, até mesmo, acréscimo de
normas constitucionais.
Emenda à Constituição:
- Limites materiais: cláusulas pétreas – não pode ser objeto de
deliberação a proposta de emenda constitucional que seja tendente a
abolir:
1. Forma federativa de estado;
2. Voto direito, secreto, universal e periódico;
3. Separação dos poderes;
4. Direitos e garantias individuais.
Não podem ser alteradas para restringirem direitos, mas para que
venham ampliar o alcance e o sentido.
As cláusulas pétreas não estão acima da demais normas
constitucionais. Não há hierarquia entre as normas constitucionais
originárias.
- Limites circunstanciais: períodos em que a Constituição não pode
ser alterada. Na vigência de:
1. Intervenção federal;
2. Estado de defesa;
3. Estado de sítio.
- Limites formais ou procedimentais: dispões quanto a
legitimidade para encaminhamento de PECs e demais fases do
procedimento. São legitimados:
1/3, no mínimo – Câmara dos Deputados ou Senado Federal.
Presidente da República.
Mais da 1/2 das assembleias legislativas das unidades da
federação, manifestando-se cada uma delas pela maioria
relativa de seus membros.
Demais fases:
Quórum de aprovação: 3/5.
Sessão: separada, uma na Câmara dos Deputados e outra do Senado
Federal.
Turnos de votação: 2 turnos em cada uma das casas.
Promulgação: mesa da Câmara dos Deputados e do Senado Federal.
Princípio da irrepetibilidade: no âmbito do processo legislativo, a
proposta de emenda constitucional rejeitada ou havida por
prejudicada só poderá ser objeto de nova proposta na próxima
sessão legislativa.
b) Decorrente:
Poder atribuído aos Estados-membros de elaborarem suas próprias
CONSTITUIÇÕES ESTADUAIS. Também estendido ao Distrito federal
para elaborar sua própria Lei Orgânica.
Estado: Constituição Estadual.
Distrito Federal: Lei Orgânica.
O Poder Constituinte Derivado Decorrente de Revisão
Estadual consiste na capacidade de os Estados modificarem
suas constituições, segundo procedimento especifico, se
manifestando por intermédio das emendas à Constituição Estadual.
Este poder possui limites, são eles:
Princípios constitucionais sensíveis: art. 34, VII, da CF, são
de observância obrigatória
Forma republicana, sistema representativo e regime
democrático;
Direitos da pessoa humana;
Autonomia municipal;
Prestação de contas da administração pública, direta e indireta;
Aplicação do mínimo exigido pela receita resultante de
impostos estaduais, compreendida a proveniente de
transferências, na manutenção e desenvolvimento do ensino e
nas ações e serviços públicos de saúde.
Em caso de violação desses preceitos, é possível uma intervenção
federal.
Princípios constitucionais estabelecidos ou
organizatórios
São aqueles princípios que já vieram estabelecidos na Constituição
Federal, e por isso não podem ser desrespeitados ou disciplinados de
maneira diferente no âmbito das Constituições Estaduais.
Princípios constitucionais extensíveis
Podem ser identificados a partir das normas atinentes ao processo
legislativo, à forma de investidura dos cargos eletivos, ao sistema
constitucional tributário, bem como das normas constitucionais de
caráter orçamentário.
COMPLEMENTANDO O TEMA:
Mutação constitucional / poder constituinte difuso:
É o processo informal de alteração da Constituição a partir do qual
se muda a norma, sem a necessidade de mudança no texto.
Texto na simples análise literal, é apenas o que está escrito. Norma,
por sua vez, é o alcance interpretativo que pode ser extraído
daquele texto. Nesse passo, conforme já sinalizado, mutação
constitucional é, portanto, a mudança da interpretação, sem a
necessária mudança do texto (SOMENTE DA CONSTITUIÇÃO).
Direito constitucional intertemporal:
É o estudo da situação da lei infraconstitucional antecedente ao
surgimento de uma nova Constituição.
1. Recepção:
Quando o direito infraconstitucional anterior é materialmente
compatível com a nova Constituição. Havendo conflito, deve
revogar a lei anterior.
Para o STF, lei anterior não pode ser inconstitucional em relação à
Constituição superveniente. A Constituição sobrevinda não torna
inconstitucional leis anteriores com ela conflitantes: revoga-as.
2. Repristinação:
Pelo instituto da repristinação, a revogação de uma lei revogadora
de outra tem o condão de restabelecer os efeitos da lei
originalmente revogada.
Lei A opera a revogação da lei B, e, futuramente, essa mesma lei
A vem a ser revogada pela lei C, com o fenômeno da repristinação
a lei B seria restabelecida, voltando a viger.
O Brasil, como regra, a repristinação é vedada.
Deve haver uma previsão expressa, para que seja admitida a
repristinação. No silencia, a regra é a sua não ocorrência.
3. Desconstitucionalização:
Uma norma que fazia parte da Constituição pretérita, passa a ser
admitida (recepcionada) pela nova ordem constitucional vigente
apenas com status de direito infraconstitucional, é dizer, como lei
ordinária e não mais norma constitucional. Para que isso ocorra,
deve haver previsão expressa no novo texto.
LIMITAÇÕES DO PODER CONSTITUINTE
1) Temporais: estabelece um período durante o qual o seu texto não
pode ser modificado. Há previsão na CF p/ poder revisor.
2) Circunstanciais: veda a modificação em situações excepcionais.
Intervenção federal, estado de defesa ou estado de sítio (art. 60, §1º,
CF).
3) Materiais ou substanciais: enumera certas matérias que não
poderão ser abolidas do seu texto pelo reformador;
3.1) Explícitas: forma federativa de Estado; voto direto, secreto,
universal e periódico; separação dos Poderes; direitos e garantias
individuais (art. 60, §4º, CF).
3.2) Implícitas: titularidade do poder constituinte originário e
derivado; o próprio processo de modificação (revisão e emenda);
4) Processuais ou formais: exigências no processo legislativo.
4.1) Subjetivas: iniciativa de apresentação de uma proposta de
emenda à Constituição (art. 60, I, II e III);
4.2) Objetivas: deliberação para aprovação da proposta (art. 60, §
2.º); promulgação da emenda (art. 60, § 3.º); vedação de
reapreciação de proposta rejeitada ou havida por prejudicada (art.
60, § 5.º).
CESPE – 2024 - Mutações constitucionais são processos informais
que, sem contrariar a Constituição Federal, alteram ou modificam o
sentido, o significado ou o alcance de suas normas. CERTO
CESPE – 2024 - O poder constituinte derivado revisor tem por
finalidade revisar a Constituição Federal a cada cinco anos, contados
da data de promulgação de seu texto. ERRADO
A revisão constitucional não é um processo contínuo, mas, sim, um
ato que já foi concluído e acabado. Ela ocorreu 5 anos após a
promulgação da CR (Art. 3 do ADCT) (Q1984096);