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Deformações em Estruturas Geodésicas

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119

7. Aplicação da Resistência dos Materiais em Geodésia

Uma estrutura geodésica constitui-se de uma rede de


pontos materializados no terreno, cujas posições foram obtidas
por meio de observações e cálculos rigorosos.
Em algumas aplicações é importante o estabelecimento
de um controle de possíveis movimentos nesta estrutura, um
exemplo, são os deslocamentos das placas tectônicas.
Assumindo a estrutura geodésica como um corpo, então
qualquer mudança na forma, dimensão e posição trata-se de
uma deformação.
Uma das formas de identificar as deformações de uma
estrutura geodésica é através da aplicação dos conceitos da
Resistência dos Materiais nos deslocamentos detectados por
levantamentos em épocas diferentes. O resultado desta técnica
vem através de parâmetros que identificam tração e compressão
(e outros) sofridos pela estrutura nos pontos analisados.

7.1.1 Parâmetros de Deformação

A determinação das deformações de um corpo (ou de uma


estrutura) podem ser descritas em termos de tração, compressão
e cisalhamento, isto é, medem-se as alterações sofridas pelos
comprimentos de segmentos de retas e pelos ângulos entre eles
(Silva, 1986).
A deformação de um corpo, por tração ou compressão sob
a ação de cargas multiaxiais, é definida como a razão entre a
variação do seu comprimento pelo comprimento original. Deste
modo, as deformações especificas de um prisma (figura 7.1), ao
longo de cada um de seus eixos coordenados sob a ação de uma
força de tração P no sentido do eixo y são:
120

Ly
Lx z
P
Lz y

y
x x

Figura 7.1 Tração e Compressão

δx
εx = ;
Lx
δy
εy = ;
Ly
δz
εz = . (7.1)
Lz

O mesmo acontece na outra extremidade do prisma.


A figura 7.2 mostra a deformação por cisalhamento em
relação ao eixo X e é dado por:

y
Lx x

θ
Ly x
θ'
z

Figura 7.2 Cisalhamento


121

γ xy = tan(θ − θ ' ) (7.2)


ou
,
γ xy ≅ θ − θ '
(7.3)

e de modo análogo, obtém-se γXZ e γYZ.

Ressalta-se que os parâmetros εX, εY, εZ , γXY , γXZ, γYZ


mostram como se comportam os segmentos LX, LY, LZ na
vizinhança próxima do ponto analisado.

7.1.2 Parâmetros Básicos de Deformação

A geometria de deformação descrita na seção anterior é


feita através dos parâmetros apresentados pelas equações 7.1,
7.2 ou 7.3 as quais determinam as alterações sofridas por três
segmentos infinitesimais de reta (mutuamente perpendiculares
antes da deformação), que se interceptam no ponto analisado.
Deste modo, os parâmetros que descrevem esta geometria, são
definidos a partir de três funções básicas u(x,y,z), v(x,y,z) e
w(x,y,z) as quais são contínuas e analíticas, e representam os
deslocamentos sofridos pelos segmentos dx,dy,dz.
A figura 7.3 apresenta um corpo num sistema
bidimensional, mostrando os deslocamentos representados pelas
funções u(x,y) e v(x,y) como também distorções angulares
representadas pelos ângulos α e β . Os parâmetros de
deformação podem ser expressos como derivadas parciais de
primeira ordem das funções deslocamento u(x,y) e v(x,y).
122

u + u dy
y y C'
D'
v + v dy
y
D C B'

dy u A' v + v dx
v x

B
A
dx u + u dx
x

O x
Figura 7.3 Deslocamentos e distorções angulares

A deformação específica na direção do eixo OX é dado por


(Kuang,1996):

δ x ∂u
εx = = , (7.4)
dx ∂x

e generalizando para o caso tridimensional, tem-se que:

∂v
εy = , (7.5)
∂y

∂w
εz = . (7.6)
∂z
A distorção angular é determinada em função dos
ângulos α e β e para pequenas deformações, vem que:

∂u
α= , (7.7)
∂y

∂v
β= , (7.8)
∂x
123

e a deformação de cisalhamento no plano XY é dada por:

∂u ∂v
γ xy = γ yx = + , (7.9)
∂y ∂x

e por analogia em relação aos planos XZ e YZ, vem:

∂u ∂w
γ xz = γ zx = + , (7.10)
∂z ∂x

∂v ∂w
γ yz = γ zy = + . (7.11)
∂z ∂y

Pode-se agrupar os elementos básicos de deformação em


forma da matriz E, chamada de Tensor de Deformação (de
segunda ordem). Então tem-se (Kuang, 1996; Santos, 1999):

⎡ ∂u ∂u ∂u ⎤
⎢ ⎥
⎢ ∂x ∂y ∂z ⎥
∂v ∂v ∂v ⎥
E= ⎢ , (7.12)
⎢ ∂x ∂y ∂z ⎥
⎢ ∂w ∂w ∂w ⎥
⎢ ⎥
⎣⎢ ∂x ∂y ∂z ⎥⎦

e esta matriz pode ser decomposta analiticamente utilizando-se


de uma propriedade dos tensores de segunda ordem, isto é, todo
tensor de segunda ordem pode ser decomposto na soma de
outros dois tensores, sendo um simétrico e outro anti- simétrico
(Vanicek and Krakiwisky, 1986). Então, para um caso bi-
dimensional:
124

⎡ ∂u 1 ∂u ∂v ⎤ ⎡ 1 ∂u ∂v ⎤
⎢ ( + ) ( − )
2 ∂y ∂x ⎥ ⎢
0
∂x 2 ∂y ∂x ⎥
E=⎢ ⎥ + ⎢ 1 ∂u ∂v ⎥, (7. 13)
⎢ 1 ( ∂u + ∂v ) ∂v
⎥ ⎢− ( − ) 0 ⎥
⎢⎣ 2 ∂y ∂x ⎥⎦
⎣⎢ 2 ∂y ∂x ∂y ⎦⎥

ou de um modo mais compacto,

E=ε+ω (7.14)

onde a matriz ε é chamada de Tensor de Deformação Simétrica e


representa a deformação enquanto que ω é denominada de
Tensor de Deformação Anti- Simétrica representando o ângulo de
cisalhamento.

7.1.3 Parâmetros de Deformação em Estruturas Geodésicas

As seções anteriores descreveram como é possível


determinar a deformação de um corpo, quando sujeito a um
carregamento através de seus parâmetros de deformação. Estes
conceitos também podem ser aplicados para analisar
deslocamentos em estruturas geodésicas provocadas ou por
movimentos, por exemplo, de placas tectônicas ou detectados
quando compara-se dois conjuntos de coordenadas oriundos de
ajustamentos em épocas distintas.
Para a aplicação dos parâmetros de deformação em
estruturas geodésicas, duas hipóteses serão adotadas (Silva,
1986):

a- Admite-se que o processo de deformação subtendido


pelas estruturas geodésicas, seja regido segundo as
teorias de deformação homogênea e infinitesimal.
Considera-se a vizinhança de um vértice de uma
estrutura todos os vértices a ele conectado, figura 7.4;
b- A ordem de grandeza dos deslocamentos relativos de
dois vértices vizinhos é pequena em comparação com
a distância que os separa.
125

Figura 7.4 - Vizinhanças do ponto P

Então, o modelo matemático da função deslocamento é da


forma:

V(x,y) , (7.15)

que tem como componentes em relação a um sistema de


coordenadas adotado:

u=u(x,y) , (7.16a)

v=v(x,y) , (7.16b)

no caso um sistema bidimensional. Estas funções podem ser


desenvolvidas em um polinômio de primeira ordem, isto é:

u=u(x,y)=a0+a1(x-x0)+a2(y-y0) , (7.17a)

v=v(x,y)=b0+b1(x-x0)+b2(y-y0) , (7.17b)

onde (x0,y0) são as coordenadas do vértice analisado e é a origem


de uma sistema local de coordenadas, (x,y) as coordenadas do
vértice vizinho. Os coeficientes a1, b1, a2, b2 podem ser
aproximadas pelas derivadas parciais da função deslocamento
que integram o tensor de deformação. Então:

∂u
a1 = , (7.18a)
∂x
126

∂u
a2 = , (7.18b)
∂y

∂v
b1 = , (7.18c)
∂x

∂v
b2 = , (7.18d)
∂y

e a0, b0 são funções das coordenadas do ponto analisado, ou


seja:

a = u( x , y ), (7 19a)
0 0 0

b 0 = v ( x 0 , y 0 ). (7.19b)

Para a determinação dos parâmetros de deformação,


considera-se conhecido o valor da função deslocamento em todos
os vértices da estrutura. A obtenção desses valores pode ser
feita, por exemplo, comparando-se observações coletadas em
duas épocas diferentes, ou seja, para os ajustamentos (1) e (2) ,
tem-se que (Santos, 1999):

2 1
u = u( x , y ) = x − x , (7.20a)
2 1
v = v(x, y ) = y − y . (7.20b)

O cálculo dos parâmetros de deformação (a1, b1, a2, b2)


pode ser obtido através das equações 7.17a e 7.17b, para a
vizinhança de cada vértice a ser analisado. Deste modo,
considerando-se os n vértices vizinhos ao ponto P, de
coordenadas (x0,y0), as equações 7.17a e 7.17b tornam-se (Silva,
1986; Santos, 1999):

u( x − y ) = a + a ( x − x ) + a ( y − y ),
1 1 0 1 1 0 2 1 0

v ( x − y ) = b + b ( x − x ) + b ( y − y ),
1 1 0 1 1 0 2 1 0
127

. . . .
u( x − y ) = a + a ( x − x ) + a ( y − y ),
n n 0 1 n 0 2 n 0

v ( x − y ) = b + b ( x − x ) + b ( y − y ), (7.21)
n n 0 1 n 0 2 n 0

ou de forma matricial:

⎡ u(x1 , y1 ) ⎤ ⎡(x 1 − x 0 ) (y 1 − y 0 ) 0 0 ⎤ ⎡a 0 ⎤
⎢ v(x , y ) ⎥ ⎢ ⎥ ⎢ ⎥
⎢ 1 1 ⎥ ⎢ 0 0 (x 1 − x 0 ) (y 1 − y )
0 ⎥ ⎡ a 1 ⎤ ⎢b 0 ⎥
⎢ . ⎥ =⎢ . . . . ⎥ ⎢a ⎥ ⎢ . ⎥
⎢ ⎥ ⎢ ⎥ ⎢ 2 ⎥ + ⎢ ⎥ (7.22)
⎢ . ⎥ ⎢ . . . . ⎥ ⎢ b1 ⎥ ⎢ . ⎥
⎢ . ⎥ ⎢ . . . . ⎥ ⎢ ⎥ ⎢ . ⎥
⎢ ⎥ ⎢ ⎥ ⎣b 2 ⎦ ⎢ ⎥
⎢u(x n , y n )⎥ ⎢(x n − x 0 ) (y n − y 0 ) 0 0 ⎥ ⎢a 0 ⎥
⎢ v(x , y )⎥ ⎢ 0 0 (x − x ) (y − y )⎥ ⎢b ⎥
⎣ n n ⎦ ⎣ n 0 n 0 ⎦ ⎣ 0⎦

ou ainda:

d = Ae + c, (7.23)

onde d(2nx1), A(2nx4), e(4x1) e c(2nx1). A solução da equação 7.23 é


dada por:

e = −(A T A ) A T L ,
−1
(7.24)

com L = c − d,

e a solução da equação 7.24 conduzirá aos parâmetros de


deformação das equações 7.18.
A interpretação do significado dos parâmetros de
deformação pode ser feita através da respectiva representação
visual. A técnica para representação da deformação simétrica é
similar à elipse de erros formada a partir do resultado de um
ajustamento por mínimos quadrados (Gemael, 1994). Para a
rotação diferencial, se faz uso de arcos de circunferência. Deste
modo a elipse de deformação é definida a partir dos seus eixos
principais de deformação que têm a direção dos autovetores do
tensor de deformação simétrica. Os valores de seus semi-
128

eixos maior e menor são os autovalores do referido tensor. Então


tem-se que (Silva, 1986):

1
λ max = ( ε x + ε y ) + m, (7.25)
2

1
λ min = ( ε x + ε y ) − m, (7.26)
2

1/2
⎡1 1/2 2 ⎤
sendo m = −ε ) + ε xy
⎢⎣ 4 (ε x y ⎦⎥ .

A orientação da elipse de deformação, que orienta o seu


eixo maior, é dada por:
⎡ 1 ⎤
tan θ = − ⎢ (ε x − λ max )⎥. (7.27)
⎣⎢ ε xy ⎦⎥

O tensor de deformação admite autovalores positivos e


negativos representando tração e compressão, respectivamente.

Exemplo.
Após ajustamentos distintos de duas poligonais,
realizadas em épocas diferentes, (1) e (2), detectou-se um
deslocamento da estação O, situada sobre uma ponte. Calcular
os valores máximo e mínimo de deformação, bem como a
orientação da elipse de deformação. Dados as coordenadas UTM
dos pontos 1, 2, O(1) e O(2):

Ponto E (m) N (m)


O(1) 673.950,000 7.187.550,000
O(2) 673.950,090 7.187.550,080
1 668.960,000 7.186.770,000
2 679.940,000 7.185.940,000
129

O(2)

O(1)

1
2
E

Dados: E SP −−época
ponto

E 0 = 673950,000m; E1 = 668960 ,000 m;


1

N 0 = 7187550,000m; N1 = 7186770 ,000 m;


1

E 0 = 673950,090m; E 2 = 679940 ,000 m;


2

N 0 = 7187550,080m; N 2 = 7185940 ,000 m.


2

Da equação 7.23 tem-se que:

⎡ (E − E1o ) (N − N1o ) 0 0 ⎤
⎢ 1 1
1 1 ⎥
(E1 − E o ) (N1 − N o ) ⎥
A= ⎢ 0 0
,
⎢(E − E1 ) (N − N1 ) 0 0

⎢ 2 o 2 o ⎥
⎢⎣ 1 1
0 0 (E 2 − E o ) (N 2 − N o )⎥

⎡ a1 ⎤
⎢ ⎥
e = ⎢a 2 ⎥ , (a ser determinado)
⎢ b1 ⎥
⎢ ⎥
⎣b 2 ⎦
130

⎡ E o2 − E1o ⎤ ⎡ E12 − E11 ⎤ ⎡0 ⎤


⎢ 2 1⎥ ⎢ 2 1⎥ ⎢ ⎥
c = ⎢ No − No ⎥ , d = ⎢ N1 − N1 ⎥ , d = ⎢0⎥ , é nulo pois os
⎢ E 2 − E1 ⎥ ⎢ E 2 − E1 ⎥ ⎢0 ⎥
⎢ o2 o
1
⎥ ⎢ 22 2
1
⎥ ⎢ ⎥
⎢⎣ N o − N o ⎥⎦ ⎢⎣ N 2 − N 2 ⎥⎦ ⎣0 ⎦
pontos 1 e 2 são fixos.

⎡0⎤ ⎡− 4990 − 780 0 0 ⎤ ⎡ a1 ⎤ ⎡0,09⎤


⎢0 ⎥ ⎢ 0 0 − 4990 − 780 ⎥⎥ . ⎢⎢a 2 ⎥⎥ + ⎢⎢0,08⎥⎥ ,
⎢ ⎥ =⎢
⎢0⎥ ⎢ 5990 − 1610 0 0 ⎥ ⎢ b1 ⎥ ⎢0,09⎥
⎢ ⎥ ⎢ ⎥ ⎢ ⎥ ⎢ ⎥
⎣0 ⎦ ⎣ 0 0 5990 − 1610⎦ ⎣b 2 ⎦ ⎣0,08⎦

d A e c

e da equação 7.24,

e = - (ATA)-1ATL,

⎡ ∂u ⎤
⎢ ∂x ⎥
⎡0,059⎤ ⎢ ∂u ⎥
⎢0,777⎥ ⎢ ⎥
e =⎢ ⎥ x10 = ⎢ ∂y ⎥ .
-4

⎢0,052⎥ ⎢ ∂v ⎥
⎢ ⎥ ⎢ ⎥
⎣0,690⎦ ⎢ ∂x ⎥
⎢ ∂v ⎥
⎢⎣ ∂y ⎥⎦

Calculo da elipse de deformação.

Das equações 7.13, 7.25, 7.26 e 7.27 tem-se:


131

∂u ∂v
εx = ; εy = .
∂x ∂y

1 ∂u ∂v 1 ∂u ∂v
ε xy = ( + ); ε yx = ( + ).
2 ∂y ∂x 2 ∂y ∂x

εx = 0,059x10-4 strain,

εxy = 0,415x10-4 strain,

εy = 0,690x10-4 strain,

m = 5,21x10-5 strain,

λmax = 8,966x10-5 strain, (tração)

λmin = 8,966x10-5 strain, (compressão)


132

Orientação da elipse dos erros.

⎡1 ⎤
tan θ = − ⎢ (ε x − λ max)⎥ ⇒ θ = 63,6º
⎣⎢ ε xy ⎦⎥

Os parâmetros de deformação mostram, em cada vértice


da Estrutura Geodésica , variação (média de escala) das
distâncias entre o ponto analisado e a sua vizinhança. Estes
parâmetros são admensionais para os quais adota-se uma
unidade específica, o strain. Para fins de interpretação dos
resultados, usam-se os seus sub-múltiplos , isto é, o μstrain.
Como os parâmetros de deformação representam variações
relativas de uma grandeza linear , o μstrain vai afetar a sexta
casa decimal dessas variações, ou ainda, em ppm ( 1 μstrain =
1ppm).

7.2. Aplicação do Círculo de Mohr na Análise de Erros

Análise de erro é uma parte fundamental em


levantamentos geodésicos, pois nenhum deles é completo se
133

não houver uma verificação matemática sobre a ocorrência de


algum tipo de erro. A análise de erro, geralmente envolve um
ajustamento dos dados coletados para determinar o valor mais
provável (VMP) das posições dos pontos levantados. A precisão
do posicionamento pode ser descrita pela magnitude de regiões
de confiança em torno do VMP, e o ajustamento oferece
informações para determinar as dimensões de uma elipse de
erros, centrada no VMP, associada a um nível de probabilidade
ou confiança, dentro do qual o ponto se situa. Geralmente,
aplica-se o método dos mínimos quadrados para o ajustamento
(Haug, 1984).
Nesta seção, a técnica do círculo de Mohr (TCM) é
utilizada como uma técnica alternativa para análise de erro. O
desenvolvimento de fórmulas básicas é muito simples com esta
técnica, e também, é possível obter informação sobre a direção
da elipse de erros. O círculo de Mohr é apresentado graficamente
usando simplesmente um compasso e uma régua.
Através do processo de ajustamento por mínimos
quadrados, é possível determinar o VMP, por meio da solução de
um sistema de equações normais, como correções a serem
aplicadas a valores iniciais às coordenadas das posições (são as
observações). Aplicando o método paramétrico (Gemael, 1994), a
solução para o vetor X é dada por:

X = −(A T PA ) A T PL ,
−1
(7.28)

onde A é a matriz das derivadas parciais, P é a matriz dos pesos


e L o vetor das observações.
A determinação do VMP deve vir acompanhado de um
indicador de precisão, no caso (ATP A)-1 e σ 0
2
(variância a
priori), que fornecem informações sobre a precisão do
posicionamento no levantamento.
Os valores da variância-covariância para a precisão no
posicionamento pode ser obtido (para um ponto), para um caso
tridimensional, por:
134

⎡σ 2xx σ xy σ xz ⎤
⎢ ⎥
∑ vc = σ (A PA )
−1
2
0
T
=⎢ σ 2
yy σ yz ⎥. (7.29)
⎢ 2 ⎥
σ zz
⎣ ⎦

A matriz Σvc, equação 7.29, é chamada de variância-


covariância, onde as variâncias ocupam a diagonal principal e as
covariâncias os elementos não diagonal.
Com a matriz variância-covariância, pode-se determinar
o limite de probabilidade, sendo a elipse a figura ideal para este
propósito. A área dentro da elipse é descrita como uma região de
confiança, isto é, existe uma probabilidade que a posição esteja
dentro da elipse. A figura 7.5 mostra esta elipse que define a
região de confiança, onde os erros máximo e mínimo obtidos do
ajustamento, encontram-se sobre os semi- eixos maior e menor,
respectivamente, e a orientação é dada pelo angulo φ.

Figura 7.5 Elipse dos Erros

A TCM para a análise de erro (o calculo da precisão no


posicionamento) é fundamentado na variância e covariância.
Estes valores são obtidos, após o ajustamento por mínimos
quadrados, por meio da equação 7.29 . Desenha-se um sistema
de eixos: o horizontal, onde a abscissa representa a variância, e o
vertical , com a covariância representada pela ordenada, figura
7.6. Considerando dois pontos, P e Q, diametralmente opostos de
modo que as coordenadas de P sejam, σ x , σ xy e as
2
135

coordenadas de Q, σ y , σ xy . Admitindo que, σ x > σ 2y e σ xy > 0 , o


2 2

segmento de reta que une os pontos P e Q definem o diâmetro do


círculo de Mohr para a estação. As variâncias principais, máxima
e mínima, são encontradas graficamente, construindo-se um
circulo contendo os pontos P e Q, com centro C. A linha CP
representa a direção P, e a linha CQ a direção Q. O ângulo 2φ é
PCP’ e o φ é dado por PBP’.

covariâncias, σ xy

(
P σ 2x , σ xy )
σ xy max
II I

φ 2φ
0 B C P’ A variâncias,
σ 2xx , σ 2yy

σ 2min III IV

Q(σ 2y , σ yx )

2
σ med E
2
σ max

Figura 7.6 Círculo de Mohr

Então, pelo círculo de Mohr, utilizando uma escala


conveniente, uma régua e um transferidor obtém-se:
136

• Variância máxima (régua)


2
σ max = AO; 2
σ max

(7.30)

• Variância mínima (régua)


σ 2min = OB; (7.31)

• Relação angular (transferidor)

2Φ = PCP’, 7.32)

e os resultados das equações 7.30 , 7.31 e 7.32 são idênticos


aos fornecidos pelas equações 7.33 ,7.34 e 7.35 usadas para a
construção da elipse de erros encontras na literatura geodésica.

1 2
σ 2max = (σ X + σ 2Y + (σ 2X − σ 2Y ) 2 + 4σ 2XY ) , (7.33)
2
1 2
σ 2min = (σ X + σ 2Y − (σ 2X − σ 2Y ) 2 + 4σ 2XY ) , (7.34)
2
2σ xy
tan 2φ = . (7.35)
σ 2x − σ 2y

A tabela 7.1 apresenta a definição do quadrante da direção do


ponto P (Santos, 1984). Deste modo, o circulo de Mohr é dividido
em quadrantes, figura 7.6, indicados pelos números romanos e
os sinais dos valores σ xy e ( σ x 2 - σ y 2 ) que definem a direção P.
137

Tabela 7.1 Definição do quadrante da direção para P.

Valor Sinal Quadrante para P


σ xy +

(σ 2x − σ 2y ) + I
σ xy +

(σ 2
x − σ 2y ) -
II

σ xy -
III
(σ 2
x − σ 2y ) -
σ xy -
IV
(σ 2
x − σ 2y ) +

Exemplo

Um levantamento foi efetuado, no qual dois pontos A e B foram


ocupados, objetivando a determinação de um ponto C. As
observações coletadas (ângulos e distâncias) foram ajustadas, e o
valor mais provável do ponto C foi obtido, associado à matriz
variância covariância:

⎡3,510 0,500⎤
Σ vc = ⎢ ⎥ mm 2 .
⎣0,500 1,800 ⎦

a) Calcular graficamente o valor das variâncias e covariâncias


máximas e mínimas, bem como o ângulo de orientação da
direção P; b) Desenhe a elipse dos erros.

Quadrante da direção P ⇒ σ xy > 0 ; σ 2x − σ 2y > 0 ⇒ 1º quadrante


Escala : 1cm = 0,5 mm2
138

P
σ xy =1,05 mm2 2φ= 27º

0 σ min
2
=1, 65 mm2 B
C A σ max
2
= 3,75 mm2

σ2med =2,7mm2 E

b) Elipse dos erros.

σ max =1,94 mm ⇒ a

σ min =1,28 mm ⇒ b

φ = 13,50
Y

σ min σ max
φ

C X
139

Exercícios Propostos

1) Um levantamento foi efetuado, no qual dois pontos A e B


foram ocupados, objetivando a determinação de um ponto C. As
observações coletadas (ângulos e distâncias) foram ajustadas e o
VMP do ponto C foi obtido, associado a matriz variância
covariância. Calcular graficamente o valor das variâncias e
covariâncias máximas e mínimas, bem como o ângulo de
orientação da direção P, para os seguintes casos:

⎡ 5,31 0,50⎤
a) Σ vc = ⎢
2

0,50 6, 29 ⎥ mm .
⎣ ⎦

⎡4,650 0,200⎤
b) Σ vc = ⎢
2

0, 200 5, 410 ⎥ mm .
⎣ ⎦

⎡3,510 0,500⎤
c) Σ vc = ⎢
2

0,500 1,800 ⎥ mm .
⎣ ⎦

⎡3,58 1,61⎤
d) Σ vc = ⎢
2

1,61 2,16 ⎥ mm .
⎣ ⎦

⎡ 1,943 − 0,604⎤
e) Σ vc = ⎢ ⎥ mm 2 .
⎣− 0,604 0,494 ⎦
⎡ 4,018 2,296⎤
f) Σ vc = ⎢ ⎥ mm2 .
⎣2,296 1,722 ⎦
140

Respostas dos Exercícios Propostos

1) a- 6,5 mm2; 5,1 mm2; 0,7 mm2; -230.


b- 5,45 mm2; 4,60 mm2; 0,43 mm2; -280.
c- 3,75 mm2; 1,65 mm2; 1,0 mm2; 13,50.
d- 4,7 mm2; 1,2 mm2; 1,8 mm2; 330.
e- 2,2 mm2; 0,3 mm2; 1,0 mm2; -190.
f- 5,4 mm2; 0,3 mm2; 2,8 mm2, 320.

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