Propriedades Medicinais de Bixa Orellana
Propriedades Medicinais de Bixa Orellana
Bixa orellana L.
2018
UNIVERSIDADE DO ALGARVE
Faculdade de Ciências e Tecnologia
Bixa orellana L.
2018
Bixa orellana L.
Dissertação do Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas
Bixa orellana L.
Sendo totalmente original e único, declaro que sou a autora deste trabalho. Todos os
trabalhos que foram consultados estão devidamente citados no texto e na lista de
referências incluídas no fim.
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Dissertação do Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas
Albert Einstein
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Agradecimentos
Ao longo de todos estes anos, existiram fases de maior pressão, mas o término deste
processo de formação é um contentamento para mim e para quem sempre me apoiou e me
deu força para continuar. Esta é uma altura em que posso agradecer a todos os que fizeram
parte desta caminhada.
Em primeiro lugar, gostaria de agradecer a todos os professores que me acolheram
no meu processo de mudança, quando vim da Universidade do Porto para o Algarve. Para
além do excelente trabalho que desenvolveram como docentes, também me ajudaram
muito na integração. Destaco de forma especial a Professora Custódia Fonseca e a
Professora Maria Graça Miguel por me terem ajudado nesta fase tão embrionária e
complicada. Uma vez que as aulas de Fitoquímica e Farmacognosia me despertaram imenso
o interesse, é também graças à Professora Maria Graça Miguel que escolhi do tema desta
tese.
Agradeço também à Professora Doutora Isabel Ramalhinho que sem dúvida foi uma
excelente Orientadora de Estágio, que sempre me apoiou de forma total quando precisei e
que sempre me deu bons conselhos. Um grande obrigado pela sua persistência, uma vez
que não desistiu de mim e inclusive me estimulou a completar a tese.
A toda a minha família, e em particular à minha mãe Lídia que sempre acreditou que
era capaz e nunca desistiu de mim e ao meu pai Manuel. Um obrigado pelas velinhas e pela
paciência que sempre tiveram comigo. Sempre tive um apoio incondicional nos bons e maus
momentos, e todos eles tornaram o meu desenvolvimento académico possível, porque sem
eles, não teria alcançado nada do que tenho hoje. Um obrigado não é suficiente por tudo o
que fizeram e ainda fazem por mim. Os meus Avós Avelino, Maria “in memoriam”, Carolina
e João “in memoriam” também merecem um enorme destaque, porque mesmo tendo uma
idade mais avançada, sempre me estimularam a estudar e a procurar um futuro melhor.
Aos meus irmãos que sem dúvida, e à semelhança de em outros momentos me
guiaram e me apoiaram sempre com a maior estima.
Ao meu namorado, Francisco, por me ter feito sentir capaz de superar qualquer
adversidade estando sempre do meu lado e sendo o meu porto seguro e que sem dúvida
me aturou.
Não posso deixar de agradecer também aos meus amigos que à semelhança de
noutros momentos estiveram sempre ao meu lado.
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Bixa orellana L.
Dissertação do Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas
Resumo
Bixa orellana L., conhecida também por urucum, pertence à família Bixaceae, e foi
uma das primeiras plantas a serem cultivadas na floresta Amazónica, com uma longa
tradição na aplicação medicinal. Quando os portugueses chegaram à nova colónia, Pedro
Vaz de Caminha o escrivão da frota, deixou registadas as primeiras impressões do local e
dos habitantes, referindo esta planta. Esta monografia descreve as particularidades
fitoquímicas e farmacológicas desta espécie vegetal bem como do corante que dela se
extrai, que possui uma coloração avermelhada devido à presença do carotenoide bixina,
presente nas sementes ou no seu pericarpo. Os principais compostos ativos do urucum são
a bixina que é lipossolúvel e a norbixina que é hidrossolúvel. Estas têm também aplicações
comerciais e as suas diferenças estruturais resultam em particularidades a nível da
polaridade, solubilidade, coloração e, por consequência, determinam aplicações
tecnológicas singulares. O corante bixina tem diversas aplicações, nomeadamente nas
seguintes áreas: indústrias alimentícia, farmacêutica, cosmética e como corante. Este
corante é comercialmente conhecido como E160b, sendo considerado seguro para o
consumo humano. Contudo, as várias partes da planta apresentam constituintes químicos
de Bixa orellana que apresentam várias aplicações a nível medicinal.
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Abstract
Bixa orellana L., usually known as urucum, belongs to the Bixaceae family. It was one
of the first plants cultivated in the Amazon forest, traditionally used for medicinal purposes.
Upon arrival of the Portuguese fleet at the Amazon forest, one of the scribes named Pedro
Vaz de Caminha wrote his first impressions of the newly-discovered place and of its
inhabitants, referring to this plant. This manuscript describesthe phytochemistry and
pharmacological properties of the Bixa Orellana, as well as the dye, extracted either from
the pericarp or its seeds. The dye has a reddish coloration due to the presence of carotenoid
bixin. Bixin (liposoluble) and norbixin (hydrosoluble) are the main components of urucum.
These two components have many commercial uses and due to its individual structural
differences regarding polarity, solubility and colour, they also have certain purposes in
technology.
Bixin dye has several uses in the food industry. It also finds wide use in cosmetics, pharmacy
and for dyeing purposes. Commercially, it is known as E160b and is considered safe for
human consumption. Aside from these uses, the many parts of the plant are comprised of
other chemical compounds used in medicine. Since it is used in several biological
applications, indicates its potential use as an active ingredient in pharmaceutical products.
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Índice
Agradecimentos .......................................................................................................................... iii
Resumo ...................................................................................................................................... iv
Abstract ....................................................................................................................................... v
1. Introdução ............................................................................................................................... 1
2. Metodologia ............................................................................................................................ 3
4. Classificação botânica............................................................................................................... 7
5.1. Clima.................................................................................................................................. 11
5.4. Propagação........................................................................................................................ 14
9. Legislação .............................................................................................................................. 25
10. Toxicidade............................................................................................................................ 26
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16. Bibliografia........................................................................................................................... 44
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Índice de figuras
Figura 1 - Arbusto da Bixa orellana (Mónica Orfão, 2018) ..................................................................... 8
Figura 2 - Flor da Bixa orellana (Mónica Orfão, 2018)............................................................................ 8
Figura 3 - Broto jovem (A); Boto com pétalas parcialmente expostas(B); Flor (C); Desenvolvimentos
de frutos com 2 dias (D) e com 7 dias (E) (20). ....................................................................................... 9
Figura 4 - Cápsulas de urucum aberta com as sementes expostas (Mónica Orfão, 2018)................... 10
Figura 5 - Folha do urucum (Mónica Orfão, 2018). .............................................................................. 11
Figura 6 - As diferentes fases de maturação das cápsulas (Mónica Orfão, 2018). ............................... 14
Figura 7 - Bixa orellana planta produzindo cápsulas ovóides (A), cápsulas cónicas (B), ou cápsulas
hemisféricas (C). Flor rosa em uma variedade de cápsulas ovais (D). Flor roxa em uma variedade de
cápsula cónica (E). Flor branca em uma variedade de cápsulas hemisféricas (F). cápsulas ovóides (G).
Cônica grupo de cápsulas (H). Grupo de cápsulas hemisféricas (I). cápsula ovada (J), cápsula cónica
(K) e cápsula hemisférica (L). cápsula ovada deiscentes (M), cápsula cónica deiscentes (N) e cápsula
hemisférica deiscentes (O). (26) ........................................................................................................... 16
Figura 8 - Diferenças morfológicas nas folhas de variedades de B. orellana com formas diferentes.
Folha de uma variedade de cápsulas ovais de flor rosa (A), uma folha de uma variedade de cápsulas
cónicos de flor roxa (B) e uma folha de variedade de cápsula hemisféricos de flores brancas (C).
Barras de escala = 6,0 cm. (33) ............................................................................................................. 17
Figura 9 - Inter-relação dos pigmentos de Bixa orellana L. ................................................................. 21
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Índice de tabelas
Tabela 1 – Classificação de Bixa orellana. (21) ....................................................................................... 7
Tabela 2 - Classificação das sementes da Bixa orellana L., segundo as suas características físico-
químicas. (38) ........................................................................................................................................ 18
Tabela 3 - Informação Nutricional dos compostos da Bixa orellana L. (41) ......................................... 20
Tabela 4 - Contra-indicações/ Efeitos adversos.................................................................................... 39
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Lista de Abreviaturas
% Percentagem
µL micrólito
CE Comunidade Europeia
CI Colour Index
DMSO Dimetilsulfóxido
EU European Union
g grama
IgE Imunoglobulina E
x
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mg miligrama
ml mililitro
mm milímetro
ºc Grau Celsius
v/v volume/volume
xi
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1. Introdução
Desde há muito tempo que a humanidade utiliza, de forma regular e muito ativa, os
medicamentos à base de plantas. (1)
A sua cápsula possui características muito específicas que tem permitido a obtenção
de extratos lipossolúveis ou hidrossolúveis a partir das suas sementes. O corante extraído
destas sementes é estável e liga-se às proteínas, o que tem permitido a sua utilização como
corante alimentar. (5,6)
Foi detetado nos anos 70 que muitos dos corantes sintéticos utilizados na indústria
eram cancerígenos. Foram detetados não só na Europa, mas também em vários países uma
série de problemas em relação a estes compostos, levando à sua proibição para o consumo
humano. Em 1990 a FDA (Food and Drug Administration) dos Estados Unidos proibiu a
utilização de alguns destes corantes sintéticos de forma definitiva. Perante esta situação, é
dada uma maior importância aos corantes naturais, uma vez que as restrições à sua
utilização têm sido menores do que aquelas que afetam as cores artificiais. O corante
extraído de B. orellana é considerado inofensivo e a sua toxicidade é praticamente nula, não
só após a ingestão como após contacto com a pele. Esta é uma substância com alta
resistência a componentes químicos, sendo muito adequada para a utilização em todo o
tipo de bebidas e alimentos e até mesmo em cosmética. (7)
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2. Metodologia
A presente dissertação de mestrado contempla uma revisão bibliográfica sobre Bixa
orellana L. para que se disponha de informação fundamentada acerca da utilização da
planta atualmente.
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Após ter visitado uma outra ilha nas proximidades, apelidada Fernandina, Colombo
descreveu: “encontrei um homem sozinho na sua canoa indo da ilha de Santa Maria para
Fernandina, o homem segurava um pedaço de pão na sua primeira vez, carregando água na
sua cabeça cabaças de água e um pouco de terra vermelha amassada, e com algumas folhas
secas (tabaco) em que são muito apreciadas por este tipo de população”. As descrições
anteriormente feitas enaltecem a ideia de importância que as culturas pré-colombianas
depositavam no urucum. No dia 1 de maio de 1500, conforme Mendes-Ferrão (1993), Pedro
Vaz de Caminha dirigiu uma carta, na costa onde hoje é o Brasil, ao Rei D. Manuel de
Portugal, de Porto Seguro de Vera Cruz, onde descreveu o que alguns nativos traziam:
"Traziam alguns deles uns ouriços verdes, de árvores, que, na cor, queriam parecer de
castanheiros, embora mais e mais pequenos. E eram aqueles cheios duns grãos vermelhos
pequenos, que, esmagados entre os dedos, faziam tintura vermelha, de que eles andavam
tintos. E quanto mais se molhavam, tanto mais vermelhos ficavam". (2)
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Desde 1560, que os barcos carregavam como mercadoria principal pérolas, cacau,
baunilha e urucum em direção aos portos de Espanha. (2) O urucum era tido em alta
consideração pelos europeus. Mais tarde, em 1596, Raleigh descreveu os tesouros
encontrados no sul do rio Orinoco. O mesmo expôs:” há grandes quantidades de comida
brasileira e muitas bagas que produzem cor vermelha e rosa, corantes perfeitos para fazer
pinturas”, o mesmo que a França, a Itália ou a Índia oriental já faziam. (2)
Quanto mais a carne era lavada com o corante urucum, mais vistosa e bonita ficava
tendo em conta a cor avermelhada do corante. (16) Na cultura dos indígenas fazia-se
também uma bebida típica com esta planta, usada em rituais para parecer sangue e ainda
faziam uma mistura de urucum com cacau para melhorar a sua cor e ao mesmo tempo o seu
sabor. (13)
Hernandez, na história natural da Nueva España (1605), relatou que o urucum era
conhecido pelo nome de “chacangariqua” e “pamacua”. (2)
Gage, em 1648, durante as suas viagens à Nueva España, descreve que na região
Zocos, que atualmente se chama Guatemala, refere: “é uma rica Região devido à produção
de cacau e de outra droga chamada “achiote” (urucum), as suas sementes são usadas para
corar o chocolate e fazer a pasta com o nome de terra de orellana.”
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Ainda segundo Gage, a árvore podia ser encontrada em todas as ilhas tropicais”. Gage
confirmou também que se pode usar no tratamento de muitas doenças e escreveu como a
B. orellana é preparada através das suas sementes. (2)
Este historial evidencia e indica que existe um cultivo de urucum e até mesmo uma
ampla distribuição ao longo dos países tropicais americanos, com temperaturas quentes e
húmidas antes da chegada do Colombo. Posteriormente, o urucum foi distribuído um pouco
por todo o mundo, pelos países com humidade tropical e subtropical, graças aos espanhóis
e aos portugueses conquistadores e exploradores dos séculos XV e XVI. (2,13,14)
A planta nativa da América, que foi levada para a Europa desde o século XVII, fez
com que os ingleses tivessem conhecimento do corante do urucum e que começassem a
usá-lo na fabricação de queijos, por exemplo, pois este corante não perde a coloração
durante a cura, e ainda se consegue ligar à proteína do leite, mantendo assim a coloração
apresentando desta forma uma coloração mais vistosa e não a cor branca. (17)
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4. Classificação botânica
Bixa orellana pertence à família Bixaceae. Bixa provem da forma latinizada da
palavra índia Bija e o nome orellana foi dado em homenagem ao descobridor Espanhol
Francisco Orellana, que descobriu o rio Amazonas (1490-1546) do século XVI. (18–20)
O Sistema de Engler classifica B. orellana de acordo com o que está descrito na Tabela 1.
5. Descrição da planta
B. orellana L. é uma espécie de regiões tropicais da América, que é conhecida pelos
seguintes nomes comuns: achiote, urucum, urucu, anatto, orellana, changerica, entre
outros, conforme as zonas do globo. (21)
É um arbusto com altura entre os 3 e os 5 metros (Figura 1), cujas folhas são simples
e grandes. As flores estão dispostas em grupos e as suas cores variam de esbranquiçada a
rosa, dependendo da variedade. As pétalas são dialipétalas e espaçadas entre si, com cinco
sépalas (Figura 2), surgindo nas extremidades dos ramos. (14)
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Figura 3 - Broto jovem (A); Boto com pétalas parcialmente expostas(B); Flor (C); Desenvolvimentos
de frutos com 2 dias (D) e com 7 dias (E) (20).
tendo uma importante aplicação industrial. No pericarpo, 80% dos pigmentos existentes é
constituído por um carotenoide com o nome de bixina, corante que pode ser obtido usando
óleos vegetais como solvente de extração. No entanto, é constituído por mais compostos,
ainda que sejam substâncias inertes de menos relevância. A cápsula contém entre 30 a 40
sementes (Figura 4) em média, excecionalmente poderá existir cápsulas com 70 sementes. A
coloração da semente pode variar desde o vermelho escuro, o que significa que tem maior
concentração de corante, até uma cor rosada claro que apresenta menor concentração de
corante. (21,23)
Esta semente tem grande importância, pois é rica em pigmentos que podem ser
aplicados em várias indústrias. Os corantes do urucum poderão ser extraídos através de
uma solução alcalina aquosa, ou através de óleo vegetal, originando desta forma sais de
norbixina na forma hidrossolúvel e a bixina que apresenta na forma lipossolúvel. (23)
Figura 4 - Cápsula de urucum aberta com as sementes expostas (Mónica Orfão, 2018).
secundárias e terciárias ao longo da folha, tendo uma borda com o limbo ondulada e
pequenas ondulações ao longo da folha (Figura 5). (14)
O tronco apresenta uma cor castanho café, podendo atingir até 5 metros de altura,
com uma forma cilíndrica, tendo um diâmetro de base ente 10 a 15 cm, podendo existir
algumas delas com um diâmetro superior a 30 cm, assim como as suas raízes ramificadas,
onde da raiz principal grossa crescem mais raízes secundárias e terciárias que se encontram
distribuídas no solo, mais finas e apresentando cor café escuro. Estas raízes podem atingir
aproximadamente 30 cm de profundidade, podendo a raiz principal atingir até 1 m de
profundidade. (21,23)
5.1. Clima
B. orellana é heliófila, isto é, necessita de luz solar para se desenvolver. Para esta
planta ter um cultivo favorável para o seu desenvolvimento, a temperatura do meio
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5.2. Solo
Urucum é uma planta tropical que se adapta a diferentes tipos de solos,
desenvolvendo-se melhor em solos mais húmidos, profundos, drenados e com uma
composição um pouco argilosa, não sendo favoráveis para o desenvolvimento desta planta
solos compactados e com um clima ameno. Tendo em conta que é uma planta rústica e
tolerante, o urucum tem a capacidade de se adaptar a diferentes tipos de condições,
existindo a possibilidade de ser cultivado em solos pobres em termos nutricionais.
Consequentemente, esta produtividade será inferior, quando comparada a um cultivo de
um solo de alta fertilidade. (22)
Todavia, apesar de ter uma baixa exigência nutricional este deverá desenvolver-se
em solos com macronutrientes e micronutrientes que se encontrem equilibrados, tendo
uma variação média alta com um pH entre 5 a 7, sendo preciso bons níveis de cálcio e
magnésio e ausência de alumínio tóxico. (22)
Para plantar urucum é necessário proceder previamente a uma análise do solo onde
se vai fazer a plantação da planta. Para isso, devem retirar-se várias quantidades de solo de
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várias partes da área onde será realizada a plantação, a fim de determinar o pH do solo,
para analisar eventuais deficiências nutricionais dessa área, sendo muito importante esta
análise, pois através dela é possível saber que tipos de nutrientes se encontram em baixa
concentração para proceder à sua correção. (26-28)
5.3. Colheita
A maturação das cápsulas de urucum tem uma duração de 3 a 4 meses e a colheita
das mesmas é realizada de forma manual. A cor das cápsulas varia durante o período de
maturação que vai desde o verde, cor imatura, a amarelo, e quando apresenta uma cor
castanha avermelhada significa que se encontra no seu estado de maturação ideal para que
se proceda à sua colheita (Figura 6). Normalmente a primeira colheita ocorre nos meses de
junho e julho e a segunda colheita é feita entre o período de novembro e dezembro. (22)
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5.4. Propagação
A propagação do urucum tem sido maioritariamente por sementes. Devem ser
colhidas as cápsulas diretamente da planta, quando a mesma está a iniciar a abertura
espontânea (deiscentes), para que seja feita a propagação através das sementes (sexuada).
Posteriormente, as sementes são deixadas ao sol para completar a abertura e a libertação,
visto que as mesmas não se soltam com facilidade. Deverão ser removidos manualmente
batendo nas cápsulas com uma vara para dentro dos sacos. As sementes são viáveis por
mais de 6 meses após o seu armazenamento. (27)
Para a realização das mudas, as sementes são colocadas para germinação, após
serem colhidas e sem qualquer tipo de tratamento em canteiros semi-sombreados,
contendo substrato formado por terra vegetal, argila e adubo. Estes canteiros são cobertos
com um substrato previamente tamisado e regados diariamente. (27)
A propagação do urucum pode ser também por enxertia, havendo vários modos de a
fazer: vários tipos de garfagem e borbulhia. (8,24)
Visto o urucum ser uma espécie de polinização cruzada, resulta num processo de
alto grau de variabilidade genética, originando uma grande heterogeneidade nos plantios,
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Figura 7 - Bixa orellana planta produzindo cápsulas ovóides (A), cápsulas cónicas (B), ou cápsulas
hemisféricas (C). Flor rosa em uma variedade de cápsulas ovais (D). Flor roxa em uma variedade de
cápsula cónica (E). Flor branca em uma variedade de cápsulas hemisféricas (F). cápsulas ovóides (G).
Cônica grupo de cápsulas (H). Grupo de cápsulas hemisféricas (I). cápsula ovada (J), cápsula cónica
(K) e cápsula hemisférica (L). cápsula ovada deiscentes (M), cápsula cónica deiscentes (N) e cápsula
hemisférica deiscentes (O). (26)
Relativamente às cores das folhas das diversas variedades, nas árvores que têm flor
branca, as folhas apresentam uma cor verde-escuro, enquanto nas plantas que apresentam
flores cor-de-rosa ou roxas as folhas apresentam uma cor verde clara (Figura 8). (26,34,35)
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Figura 8 - Diferenças morfológicas nas folhas de variedades de B. orellana com formas diferentes.
Folha de uma variedade de cápsulas ovais de flor rosa (A), uma folha de uma variedade de cápsulas
cónicos de flor roxa (B) e uma folha de variedade de cápsula hemisféricos de flores brancas (C).
Barras de escala = 6,0 cm. (33)
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Para a classificação das sementes do urucum é essencial que estas estejam dentro
dos parâmetros referidos na Tabela 2. (34)
Tabela 2 - Classificação das sementes da Bixa orellana L., segundo as suas características físico-
químicas. (38)
Especificação Classe
Para efeito de padronização das sementes são considerados os seguintes fatores: (38)
1) Humidade: percentagem de água contida na amostra;
2) Conteúdo de bixina: percentagem de pigmento contido no pericarpo da semente
(matéria prima na indústria de corantes);
3) Aroma: cheiro típico desejado, aromático, penetrante;
4) Impurezas: detritos do próprio produto, como pedúnculos e folhas;
Citada pela primeira vez em 1825, por Boussingault, a cristalização da bixina foi
conseguida com êxito em 1878 por Etti. A análise elementar e a deliberação exata da sua
fórmula aconteceram, em 1917 por Panzer e por Heiduschka. Em 1928-1933, Kuhn e os
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Compostos % Nutricional
Celulose 40%-45%
Sacarose 3,5%-5,5%
Óleo essencial 0,3%-0,9%
Óleo fixo 3%
Pigmentos(70-80% Bixina) 4,5%-5,5%
Proteínas 13%-16%
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Quando há a intervenção das enzimas, este facto irá originar dois novos
carotenoides. Quando ocorre a perda do grupo éster metílico da bixina obtém-se a
norbixina. (3)
Apenas o pigmento natural norbixina reage com a caseína, característica esta que
torna este corante único no segmento de queijo e outros produtos lácteos. (41)
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As diferenças estruturais entre a bixina e norbixina, fazem com que estes isómeros
tenham solubilidade, polaridade, e tonalidade distintas, como resultado, cada uma poderá
ter uma aplicação distinta. Se estes corantes forem utilizados segundo os parâmetros Food
Chemical Codex dos USA, é um corante seguro e sem sabor. (39)
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Visto ser um corante com um preço muito acessível em relação aos corantes
artificiais, a bixina tem-se tornado muito conveniente, e tem sido substituto dos corantes
sintéticos. Como consequência da averiguação do impacto negativo dos corantes sintéticos,
as indústrias procuram cada vez mais corantes naturais e mais baratos. O corante extraído
do urucum, a bixina, foi aprovado pela Food Agriculture Organization (FAO) para o seu uso
em alimentos, no entanto, a sua utilização depende de país para país. (58)
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Desde a proibição por parte da União Europeia dos corantes alimentares artificiais,
por possíveis efeitos cancerígenos, que o urucum é importado de maneira intensa da
América tropical e da África. (3,9,15)
Os Índios americanos usavam desde há muito o urucum, não só para fins estéticos,
mas também como forma de proteção solar e como repelente de insetos como já foi
referenciado anteriormente. Seguindo a legislação da EU pode ser utilizado o urucum como
corante. (14)
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9. Legislação
No início do seculo XX, o urucum era usado ilegalmente para corar o leite, sendo
divulgado pelo laboratório britânico Public Analyst. (49) Atualmente, o urucum pode ser
utilizado na coloração de alguns queijos e margarinas, no entanto, não pode ser utilizado
para fazer coloração de manteigas, creme e leite, segundo a Diretiva 95/45/CE da Comissão,
de 26 de Julho de 1995, que estabelece os critérios de pureza específicos dos corantes que
podem ser utilizados nos géneros alimentícios. (49,66)
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como uma boa alternativa devido a ser um corante natural podendo ser utilizado nas
indústrias alimentícias, cosméticas e farmacêuticas. Contudo, existem algumas (poucas)
limitações ao seu uso, dependendo da legislação e do produto, cada país tem os seus limites
máximos de utilização, dependo da natureza do alimento, podendo ou não ser utilizado
como uma especiaria. (49)
10. Toxicidade
Podem considerar-se três grupos de corantes naturais que são os seguintes: (71)
De acordo com a legislação atual, o urucum encontra-se classificado na linha a). (22)
Foi permitido desde 1970 pelo FAO/OMS, que a ingestão diária seria de 1,25 mg/kg. (22,58)
Urucum não é genotóxico nem apresenta toxicidade crónica e toxicidade subaguda e
carcinogenicidade. A norbixina (derivado da bixina), após 24 horas da ingestão de bixina não
era detetado no plasma em humanos voluntários. (34,72,73)
O estudo de plantas para fins medicinais tinha por base, até há pouco tempo,
ensaios de triagem farmacológicos e biológicos. Hoje em dia, esse mesmo estudo tem
obtido algum desenvolvimento, uma vez que são realizados a níveis farmacodinâmicos e
farmacocinéticos. As provas de triagem englobam pesquisa molecular. (13)
A infusão é feita a frio e poderá ainda ser utilizada para a inflamação dos olhos, para
o tratamento de problemas de pele, disenteria, febres e hepatite, bem como para ser usado
como anti-séptico, afrodisíaco e adstringente, realiza-se uma infusão com brotos mais
jovens das folhas. Esta terapia medicinal é usada pela tribo Piura das florestas tropicais da
Amazónia. (9,77)
Os extratos da folha, raízes e casca da B. orellana são utilizados como antídoto para
o envenenamento de Jatropha curcas L. e Hura Crepitans L. (60) As sementes de urucum
têm a capacidade de neutralizar o ácido cianídrico presente em Manihot esculenta Crantz
(mandioca), que é uma espécie cianogénica. As sementes têm também sido usadas como
cardiotónico, hipotensor, expectorante, antibiótico, anti-Leishmania e antimalárica. Estudos
têm também revelado ação citotóxida, particularmente contra células A549 (carcinoma do
pulmão). (9,59,78,79)
A seiva da cápsula de urucum também foi usada para tratar diabetes mellitus tipo II e
infecções fúngicas. Foi tomada oralmente uma decocção de sementes maceradas para
aliviar a febre, e a polpa que envolve a semente feita em uma bebida adstringente usada
para tratar disenteria e infecção renal. (37)
28
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O urucum foi empregado pelos índios do Peru para fins medicinais para tratar a
insolação, amigdalite, queimaduras, lepra, pleurisia, apneia, desconforto retal, antisspético
vaginal e dores de cabeça. (37)
Não existiu nenhum estudo que tivesse como objetivo avaliar a toxicidade aguda
(LD50) (Lethal Dose 50) de qualquer um dos extratos e não tem sido descrito nenhum estudo
de toxicidade a longo prazo. Os teores de alcaloides, saponinas e de glicósidos cardiotónicos
nos vários extratos de folha da B. orellana aparentam ser bastante baixos. (60)
29
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Dissertação do Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas
Passa-se a descrever um ensaio de toxicidade levado a cabo por Koster. [88] Ratos
albinos suíços com um peso de 20-25 g de ambos os sexos foram divididos em grupos de 6
no qual foram administradas diferentes doses de extrato bruto de B. orellana (62.5,
125,250, 500, 1000, 2000 e 4000 mg/kg (v.o.). No ensaio, o grupo de controlo teve como
veículo Tween 80 a 1% em água (v.o.). Ao fim de 24 horas, os sintomas e sinais gerais de
toxicidade foram observados, e ao fim deste período foram mortos. (85)
No final, os autores verificaram a ausência de efeitos letais ao fim das 24 horas após
a administração do extrato de folhas de B. orellana, em qualquer uma das doses que foram
usadas, mesmo com a dose mais elevada testada que foi de 4000 mg/kg. Por consequência,
não foi possível determinar a dose letal (Lethal Dose 50) do extrato para os ratos. As doses
de 125, 250 e 500 mg/kg de peso corporal foram os selecionados por vários autores para a
triagem farmacológica que se descreve a seguir. (85)
Foi possível concluir que o extrato de folhas de Bixa orellana reduz expressivamente
o tempo de início do sono, relativamente ao controlo, com resultados estatisticamente
significativos (unicamente nos níveis de dose de 500 mg/kg). Averiguou-se também que o
extrato aumenta a duração do sono nos animais de teste, comparativamente com o
controlo com dados estatísticos significativos nos grupos com dose de 250 e 500 mg/kg. (85)
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Num determinado ensaio clínico com doentes com hiperplasia benigna da próstata
(HBP), 2 dos 68 doentes sujeitos ao tratamento com B. orellana apresentaram obstipação.
(90)
No ensaio realizado, ainda in vitro, foi possível observar-se que vários extratos do
urucum apresentaram um comportamento inibitório face às seguintes bactérias: Clostridium
perfringens, Lactococcus lactis, Streptococcus thermophilus, Bacillus cereus, Lactobacillus
casei subsp. casei, Paenibacillus polymyxa, Listeria monocytogenes e Enterococcus durans.
(91)
33
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12.10. Anti-ulceroso
Na avaliação da capacidade anti-ulcerosa de B. orellana, os autores usaram 64 ratos
Wistar. Após a úlcera ter sido provocada, nos 3 dias posteriores, aos animais foi-lhes
administrado meperidina (2mg/kg) por uma injeção na cavidade peritoneal de forma a
reduzir a dor e tornar mais fácil a sua nutrição. (3)
34
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Os ratos foram divididos de forma aleatória em 8 grupos, nos quais 4 grupos foram
tratados através uma solução bixina e outros 4 foram tratados com a solução salina. (76)
No dia 7, foi observada a presença de ulceração coberta por uma fibrina membrana
purulenta, no entanto, não está na sua completa reepitelização da lesão. No tecido de
granulação, pode ser observada a redução do número de neutrófilos e a presença de
macrófagos, linfócitos e células plasmáticas, aumentando deste modo o número de vasos
sanguíneos e a proliferação de fibroblastos quando comparado ao grupo de controlo no dia.
As fibras de colagénio eram escassas e desorganizadas, e apresentaram um aspeto não
homogéneo. No grupo experimental, todos os casos apresentaram reepitelização, com uma
redução na área da lesão e foi identificado uma ligeira inflamação crónica.
35
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Contudo, foi encontrada uma maior quantidade de fibroblastos com uma maior
deposição de fibras de colagénio. (100)
Uma vez que existiu uma redução de neutrófilos presentes no grupo experimental,
após os resultados obtidos neste estudo é possível entender a necessidade de estudos
adicionais relativamente às ações da bixina na modulação de neutrófilos. (100)
36
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A falta de efeito pode ter várias causas. Foi utilizada uma dose consideravelmente
baixa de constituintes ativos, e foi utilizada uma folha inteira em pó. Estudos de animais
mostraram que doses de extratos superiores a 3000 mg de dose humana ou equivalente
produzem efeitos farmacológicos. Sensivelmente apenas 30% do material vegetal é
constituído pelos princípios ativos, indicando que a dose diária utilizada neste estudo foi
equivalente a cerca de 250 mg, uma dose que pode ter sido demasiado baixa para o efeito
pretendido. (37,90)
37
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Estes resultados foram suportados por análise histopatológica dos tecidos hepáticos.
(60,102)
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• Num caso que foi conhecido, urucum provocou anafilaxia com alguns sintomas, dos
quais: urticária, angioedema, e hipotensão severa. Todos estes sintomas surgiram
após 20 min da ingestão de leite e fibras de cereal, que continham o corante
urucum. (108)
39
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• Cardiovascular: O urucum traz benefícios ao nível cardiovascular, uma vez que baixa
a pressão arterial. Relatos de efeitos adversos associados ao corante do urucum,
incluíram hipotensão grave e angioedema. (108)
Tendo por base os estudos em animais, doses de até 500 mg/kg de peso corporal
administradas por gavagem durante 7 dias não tiveram efeitos adversos em mães ou em
fetos. Não foi observado nenhum aumento na letalidade do embrião ou redução do peso
corporal fetal em ratos expostos ao urucum. O urucum não causou um aumento na
incidência de anomalias visíveis externamente, viscerais ou esqueléticas. Esses resultados
sugerem que o urucum é seguro tanto para a mãe quanto para o embrião. Em suma, o
NOAEL para toxicidade materna e para o desenvolvimento induzido pelo urucum foi igual ou
superior a 500 mg/kg de peso corporal por dia (ou 140 mg de bixina/kg de peso corporal por
dia) por via oral. (73)
41
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15. Conclusão
Esta monografia possibilita aumentar o conhecimento sobre Bixa orellana, uma vez
que em Portugal não é uma planta muito conhecida.
Os corantes da bixina e norbixina têm várias aplicações tecnológicas. Estas aplicações
podem ser como corante, pelas indústrias alimentares, indústria farmacêutica, têxtis e de
cosmética. No entanto, na indústria alimentar poderá ser utilizado como um antioxidante
natural, proporcionando uma alternativa, como já foi referida anteriormente, de substituir e
minimizar o uso de aditivos sintéticos. Contudo, nesta tese foi importante destacar que este
tipo de corante na União Europeia tem algumas aplicações específicas dependendo de país
para país. Uma das restrições na EU é o uso do corante como uma especiaria.
Estudos in vivo usando extratos de Bixa orellana compilados na presente monografia
permitiu concluir que os mesmos têm diversas atividades biológicas: analgésico, atividade
anticonvulsiva, atividade antidiarreica, efeito antimicrobiano, atividade anti-inflamatória,
anti-úlcera, atividade antioxidante, atividade hipoglicémico, entre outras, que parecem
confirmar a utilização da planta pelos indígenas desde há séculos.
Embora a exploração comercial do urucum esteja bem estabelecida, existem poucos
estudos relativamente aos seus efeitos farmacológicos. Considerando a necessidade de
desenvolver um produto seguro e eficaz, devem ser realizados mais estudos de forma a
confirmar outras atividades biológicas apoiadas pelos usos populares da Bixa orellana. Ainda
que presentes na medicina popular durante muitos anos, foram conduzidos poucos estudos,
bem controlados, relativamente a animais e seres humanos. Em relação a estes estudos
(animais e seres humanos) existem necessidades de segurança adicionais. São necessários
também um maior número de detalhes químicos, de forma a que as relações entre a
composição química e as ações fisiológicas e farmacológicas possam ser mais conhecidas,
como mais estudos para identificar e quantificar todos os efeitos dos compostos presentes
na planta e determinar a sua toxicidade.
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