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Propriedades Medicinais de Bixa Orellana

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UNIVERSIDADE DO ALGARVE

Faculdade de Ciências e Tecnologia

Bixa orellana L.

Mónica Maria Orfão Vieira

Dissertação para obtenção de Grau de Mestre em Ciências


Farmacêuticas

Trabalho elaborado sob a orientação da


Professora Doutora Maria da Graça Costa Miguel

2018
UNIVERSIDADE DO ALGARVE
Faculdade de Ciências e Tecnologia

Bixa orellana L.

Mónica Maria Orfão Vieira

Dissertação para obtenção de Grau de Mestre em Ciências


Farmacêuticas

Trabalho elaborado sob a orientação da


Professora Doutora Maria da Graça Costa Miguel

2018
Bixa orellana L.
Dissertação do Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas

Bixa orellana L.

Declaração de autoria de trabalho

Sendo totalmente original e único, declaro que sou a autora deste trabalho. Todos os
trabalhos que foram consultados estão devidamente citados no texto e na lista de
referências incluídas no fim.

________________________________________________

© Mónica Maria Orfão Vieira

“A Universidade do Algarve reserva para si o direito, em conformidade com o disposto no


Código do Direito de Autor e dos Direitos Conexos, de arquivar, reproduzir e publicar a obra,
independentemente do meio utilizado, bem como de a divulgar através de repositórios
científicos e de admitir a sua cópia e distribuição para fins meramente educacionais ou de
investigação e não comerciais, conquanto seja dado o devido crédito ao autor e editor
respetivos.”

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Bixa orellana L.
Dissertação do Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas

“Life is like riding


a bicycle. To keep your balance, you must keep moving”.

Albert Einstein

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Bixa orellana L.
Dissertação do Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas

Agradecimentos
Ao longo de todos estes anos, existiram fases de maior pressão, mas o término deste
processo de formação é um contentamento para mim e para quem sempre me apoiou e me
deu força para continuar. Esta é uma altura em que posso agradecer a todos os que fizeram
parte desta caminhada.
Em primeiro lugar, gostaria de agradecer a todos os professores que me acolheram
no meu processo de mudança, quando vim da Universidade do Porto para o Algarve. Para
além do excelente trabalho que desenvolveram como docentes, também me ajudaram
muito na integração. Destaco de forma especial a Professora Custódia Fonseca e a
Professora Maria Graça Miguel por me terem ajudado nesta fase tão embrionária e
complicada. Uma vez que as aulas de Fitoquímica e Farmacognosia me despertaram imenso
o interesse, é também graças à Professora Maria Graça Miguel que escolhi do tema desta
tese.
Agradeço também à Professora Doutora Isabel Ramalhinho que sem dúvida foi uma
excelente Orientadora de Estágio, que sempre me apoiou de forma total quando precisei e
que sempre me deu bons conselhos. Um grande obrigado pela sua persistência, uma vez
que não desistiu de mim e inclusive me estimulou a completar a tese.
A toda a minha família, e em particular à minha mãe Lídia que sempre acreditou que
era capaz e nunca desistiu de mim e ao meu pai Manuel. Um obrigado pelas velinhas e pela
paciência que sempre tiveram comigo. Sempre tive um apoio incondicional nos bons e maus
momentos, e todos eles tornaram o meu desenvolvimento académico possível, porque sem
eles, não teria alcançado nada do que tenho hoje. Um obrigado não é suficiente por tudo o
que fizeram e ainda fazem por mim. Os meus Avós Avelino, Maria “in memoriam”, Carolina
e João “in memoriam” também merecem um enorme destaque, porque mesmo tendo uma
idade mais avançada, sempre me estimularam a estudar e a procurar um futuro melhor.
Aos meus irmãos que sem dúvida, e à semelhança de em outros momentos me
guiaram e me apoiaram sempre com a maior estima.
Ao meu namorado, Francisco, por me ter feito sentir capaz de superar qualquer
adversidade estando sempre do meu lado e sendo o meu porto seguro e que sem dúvida
me aturou.
Não posso deixar de agradecer também aos meus amigos que à semelhança de
noutros momentos estiveram sempre ao meu lado.

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Bixa orellana L.
Dissertação do Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas

Resumo
Bixa orellana L., conhecida também por urucum, pertence à família Bixaceae, e foi
uma das primeiras plantas a serem cultivadas na floresta Amazónica, com uma longa
tradição na aplicação medicinal. Quando os portugueses chegaram à nova colónia, Pedro
Vaz de Caminha o escrivão da frota, deixou registadas as primeiras impressões do local e
dos habitantes, referindo esta planta. Esta monografia descreve as particularidades
fitoquímicas e farmacológicas desta espécie vegetal bem como do corante que dela se
extrai, que possui uma coloração avermelhada devido à presença do carotenoide bixina,
presente nas sementes ou no seu pericarpo. Os principais compostos ativos do urucum são
a bixina que é lipossolúvel e a norbixina que é hidrossolúvel. Estas têm também aplicações
comerciais e as suas diferenças estruturais resultam em particularidades a nível da
polaridade, solubilidade, coloração e, por consequência, determinam aplicações
tecnológicas singulares. O corante bixina tem diversas aplicações, nomeadamente nas
seguintes áreas: indústrias alimentícia, farmacêutica, cosmética e como corante. Este
corante é comercialmente conhecido como E160b, sendo considerado seguro para o
consumo humano. Contudo, as várias partes da planta apresentam constituintes químicos
de Bixa orellana que apresentam várias aplicações a nível medicinal.

Palavras-chave: “Anatto”, “Fitoquímica”, “Atividade biológica”, “Corante”.

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Bixa orellana L.
Dissertação do Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas

Abstract
Bixa orellana L., usually known as urucum, belongs to the Bixaceae family. It was one
of the first plants cultivated in the Amazon forest, traditionally used for medicinal purposes.
Upon arrival of the Portuguese fleet at the Amazon forest, one of the scribes named Pedro
Vaz de Caminha wrote his first impressions of the newly-discovered place and of its
inhabitants, referring to this plant. This manuscript describesthe phytochemistry and
pharmacological properties of the Bixa Orellana, as well as the dye, extracted either from
the pericarp or its seeds. The dye has a reddish coloration due to the presence of carotenoid
bixin. Bixin (liposoluble) and norbixin (hydrosoluble) are the main components of urucum.
These two components have many commercial uses and due to its individual structural
differences regarding polarity, solubility and colour, they also have certain purposes in
technology.
Bixin dye has several uses in the food industry. It also finds wide use in cosmetics, pharmacy
and for dyeing purposes. Commercially, it is known as E160b and is considered safe for
human consumption. Aside from these uses, the many parts of the plant are comprised of
other chemical compounds used in medicine. Since it is used in several biological
applications, indicates its potential use as an active ingredient in pharmaceutical products.

Keywords: "Anatto", " Phytochemistry", "Biological activity", "Dye".

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Bixa orellana L.
Dissertação do Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas

Índice
Agradecimentos .......................................................................................................................... iii

Resumo ...................................................................................................................................... iv

Abstract ....................................................................................................................................... v

Lista de Abreviaturas ................................................................................................................... x

1. Introdução ............................................................................................................................... 1

2. Metodologia ............................................................................................................................ 3

3. Antecedentes históricos da Bixa orellana .................................................................................. 4

4. Classificação botânica............................................................................................................... 7

5. Descrição da planta .................................................................................................................. 7

5.1. Clima.................................................................................................................................. 11

5.3. Colheita ............................................................................................................................. 13

5.4. Propagação........................................................................................................................ 14

6. Variedades Principais da planta .............................................................................................. 15

7. Componentes químicos principais das partes utilizáveis de urucum ......................................... 17

7.2. Bixina (C25H30O4) ................................................................................................................ 20

7.3. Norbixina (C24H28O4) .......................................................................................................... 21

8. Extração dos pigmentos de Bixa orellana ................................................................................ 22

8.1. Bixa orellana como corante .............................................................................................. 22

8.2. Uso cosmético de Bixa orellana ........................................................................................ 24

9. Legislação .............................................................................................................................. 25

10. Toxicidade............................................................................................................................ 26

11. Bixa orellana como planta medicinal .................................................................................... 27

12. Princípios terapêuticos ......................................................................................................... 29

12.1. Teste de toxicidade aguda .............................................................................................. 29

12.2. Avaliação do efeito de pentobarbitona na indução do sono .......................................... 30

12.3. Atividade neurofarmacológica ........................................................................................ 31

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12.4. Avaliação da atividade anticonvulsiva ............................................................................ 31

12.5. Avaliação da atividade analgésica ................................................................................... 31

12.6. Avaliação da atividade antidiarreica ............................................................................... 32

12.7. Motilidade gastrointestinal ............................................................................................. 32

12.8. Atividade antimicrobiana ................................................................................................ 33

12.9. Atividade anti-inflamatória ............................................................................................. 34

12.10. Anti-ulceroso ................................................................................................................. 34

12.11. Cancro da próstata ........................................................................................................ 37

12.12. Atividade antioxidante .................................................................................................. 37

12.13. Atividade hipoglicémico ................................................................................................ 38

12.14. Atividade diurética ........................................................................................................ 38

13. Precauções/Contra-indicações/Efeitos adversos.................................................................... 39

14. Papel do farmacêutico .......................................................................................................... 42

15. Conclusão ............................................................................................................................ 43

16. Bibliografia........................................................................................................................... 44

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Índice de figuras
Figura 1 - Arbusto da Bixa orellana (Mónica Orfão, 2018) ..................................................................... 8
Figura 2 - Flor da Bixa orellana (Mónica Orfão, 2018)............................................................................ 8
Figura 3 - Broto jovem (A); Boto com pétalas parcialmente expostas(B); Flor (C); Desenvolvimentos
de frutos com 2 dias (D) e com 7 dias (E) (20). ....................................................................................... 9
Figura 4 - Cápsulas de urucum aberta com as sementes expostas (Mónica Orfão, 2018)................... 10
Figura 5 - Folha do urucum (Mónica Orfão, 2018). .............................................................................. 11
Figura 6 - As diferentes fases de maturação das cápsulas (Mónica Orfão, 2018). ............................... 14
Figura 7 - Bixa orellana planta produzindo cápsulas ovóides (A), cápsulas cónicas (B), ou cápsulas
hemisféricas (C). Flor rosa em uma variedade de cápsulas ovais (D). Flor roxa em uma variedade de
cápsula cónica (E). Flor branca em uma variedade de cápsulas hemisféricas (F). cápsulas ovóides (G).
Cônica grupo de cápsulas (H). Grupo de cápsulas hemisféricas (I). cápsula ovada (J), cápsula cónica
(K) e cápsula hemisférica (L). cápsula ovada deiscentes (M), cápsula cónica deiscentes (N) e cápsula
hemisférica deiscentes (O). (26) ........................................................................................................... 16
Figura 8 - Diferenças morfológicas nas folhas de variedades de B. orellana com formas diferentes.
Folha de uma variedade de cápsulas ovais de flor rosa (A), uma folha de uma variedade de cápsulas
cónicos de flor roxa (B) e uma folha de variedade de cápsula hemisféricos de flores brancas (C).
Barras de escala = 6,0 cm. (33) ............................................................................................................. 17
Figura 9 - Inter-relação dos pigmentos de Bixa orellana L. ................................................................. 21

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Índice de tabelas
Tabela 1 – Classificação de Bixa orellana. (21) ....................................................................................... 7
Tabela 2 - Classificação das sementes da Bixa orellana L., segundo as suas características físico-
químicas. (38) ........................................................................................................................................ 18
Tabela 3 - Informação Nutricional dos compostos da Bixa orellana L. (41) ......................................... 20
Tabela 4 - Contra-indicações/ Efeitos adversos.................................................................................... 39

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Lista de Abreviaturas

% Percentagem

µL micrólito

ALT Alanina Aminotransferase

AST Aspartato Aminotransferase

CE Comunidade Europeia

CEE Comunidade Económica Europeia

CI Colour Index

CYP 450 Citocromo P450

DMSO Dimetilsulfóxido

E160b Food manufacture used as urucum dye

EU European Union

FAO Food Agriculture Organization

FDA Food and Drug Administration

g grama

GRAS Generally Recommended As Safe

HBP Benign Prostatic Hyperplasia

HDL Colesterol de alta densidade

I.P Via Intraperitoneal

IgE Imunoglobulina E

JECFA Joint Expert on Food Additives

KOH Hidróxido de potássio

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LD50 Lethal Dose, 50%

LDL Lipoproteína de baixa densidade

mg miligrama

mg/kg miligrama por kilograma

mg/mL miligrama por mililitro

ml mililitro

ml/kg mililitro por kilograma

mm milímetro

NaOH Hidróxido de sódio

NOAEL No Observed Adverse Effect Level

ºc Grau Celsius

OMS Organização Mundial da Saúde

RASFF Rapid Alert System for Food and Feed

SNC Sistema Nervoso Central

USA United States of America

UVB Ultra Violet type B

V.O Via Oral

v/v volume/volume

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1. Introdução
Desde há muito tempo que a humanidade utiliza, de forma regular e muito ativa, os
medicamentos à base de plantas. (1)

Bixa orellana L. (achiote, anatto, urucum, urucu, urucueiro) é uma árvore


proveniente da região amazónica conhecida popularmente por “urucum”, palavra que
deriva do “Guaraní (ru-ku)” o “urucum” que significa vermelho e tem origem da América
Latina. O primeiro corante vegetal a ser comercializado em grande quantidade para a
Europa foi o urucum, mas na América Latina já há vários séculos que era um produto muito
utilizado nos seus alimentos e tradições. (2–4)

A sua cápsula possui características muito específicas que tem permitido a obtenção
de extratos lipossolúveis ou hidrossolúveis a partir das suas sementes. O corante extraído
destas sementes é estável e liga-se às proteínas, o que tem permitido a sua utilização como
corante alimentar. (5,6)

Foi detetado nos anos 70 que muitos dos corantes sintéticos utilizados na indústria
eram cancerígenos. Foram detetados não só na Europa, mas também em vários países uma
série de problemas em relação a estes compostos, levando à sua proibição para o consumo
humano. Em 1990 a FDA (Food and Drug Administration) dos Estados Unidos proibiu a
utilização de alguns destes corantes sintéticos de forma definitiva. Perante esta situação, é
dada uma maior importância aos corantes naturais, uma vez que as restrições à sua
utilização têm sido menores do que aquelas que afetam as cores artificiais. O corante
extraído de B. orellana é considerado inofensivo e a sua toxicidade é praticamente nula, não
só após a ingestão como após contacto com a pele. Esta é uma substância com alta
resistência a componentes químicos, sendo muito adequada para a utilização em todo o
tipo de bebidas e alimentos e até mesmo em cosmética. (7)

O urucueiro é muito utilizado na medicina tradicional, particularmente como anti-


diabético e antibacteriano, embora existam outros tipos de aplicações, que serão abordados
posteriormente. A bixina que é extraída de B. orellana representa cerca de 80% de todos os
carotenoides existentes, apresentando uma coloração vermelho-amarelada. A partir da
bixina é possível obter a norbixina (lipossolúvel). (5,6,8,9)

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Na indústria farmacêutica existe uma procura de alternativas de pigmentos de


origem natural, a fim de serem utilizadas como excipientes em diferentes formas
farmacêuticas (pomadas, emplastros, coloração histológica, etc.). Os corantes provenientes
do urucueiro podem ser também usados em repelentes de insetos e protetores solares,
como também em alimentos. (10-12)

Esta monografia tem como objetivo principal aprofundar o conhecimento sobre B.


orellana, no que diz respeito às suas características botânicas, ao seu uso convencional e aos
seus atributos terapêuticos, assim como dar a conhecer as suas contra-indicações e
transmitir algumas advertências e precauções a tomar. Ao longo deste trabalho são
apresentados alguns trabalhos de investigação, considerados relevantes para o possível
desenvolvimento, a longo prazo, de uma terapêutica onde o urucum faça parte.

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2. Metodologia
A presente dissertação de mestrado contempla uma revisão bibliográfica sobre Bixa
orellana L. para que se disponha de informação fundamentada acerca da utilização da
planta atualmente.

Para o desenvolvimento do presente trabalho fez-se uma pesquisa da literatura


existente recorrendo a revistas científicas, livros e relatórios. Algumas das bases de dados
utilizadas como apoio foram: Scielo, ScienceDirect, SciFinder, Medline, PubMed, B-on e
Google Scholar. Durante este processo de pesquisa foram usadas diferentes palavras-chave,
tais como: “Anatto”, “Bixa orellana”, “Fitoquímica”, “Classificação botânica”,
“Farmacologia”, “Interações medicamentosas”, “e “Corante”.

Durante todo o processo de pesquisa e no desenvolvimento desta monografia foi


recolhida toda a informação considerada mais importante e ao mesmo tempo atualizada
acerca deste tema, incluindo o ano 2018. Parte da informação tratada abrangeu 3 idiomas:
Português, Espanhol e Inglês. No entanto, foi totalmente adaptada ao idioma pretendido
nesta monografia.

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3. Antecedentes históricos da Bixa orellana


Até à viagem de Colombo, Bixa orellana L. (achiote, anatto, urucum, urucu,
urucueiro) era uma planta desconhecida para os Europeus. Depois de encontrar a Ilha San
Salvador (ilha Watling até 1925), que pertence às Bahamas, Cristóvão Colombo fez a
primeira referência histórica ao urucum e à semente usada como corante, descrevendo as
pessoas nativas que vieram ao seu encontro, da seguinte forma: “eles pintam as caras, os
seus corpos, olhos e nariz em preto, branco e vermelho”. (2,13)

Após ter visitado uma outra ilha nas proximidades, apelidada Fernandina, Colombo
descreveu: “encontrei um homem sozinho na sua canoa indo da ilha de Santa Maria para
Fernandina, o homem segurava um pedaço de pão na sua primeira vez, carregando água na
sua cabeça cabaças de água e um pouco de terra vermelha amassada, e com algumas folhas
secas (tabaco) em que são muito apreciadas por este tipo de população”. As descrições
anteriormente feitas enaltecem a ideia de importância que as culturas pré-colombianas
depositavam no urucum. No dia 1 de maio de 1500, conforme Mendes-Ferrão (1993), Pedro
Vaz de Caminha dirigiu uma carta, na costa onde hoje é o Brasil, ao Rei D. Manuel de
Portugal, de Porto Seguro de Vera Cruz, onde descreveu o que alguns nativos traziam:
"Traziam alguns deles uns ouriços verdes, de árvores, que, na cor, queriam parecer de
castanheiros, embora mais e mais pequenos. E eram aqueles cheios duns grãos vermelhos
pequenos, que, esmagados entre os dedos, faziam tintura vermelha, de que eles andavam
tintos. E quanto mais se molhavam, tanto mais vermelhos ficavam". (2)

Num dia, em Honduras (1502), no norte da costa, Cristóvão Colombo avistou


centenas de nativos e descreveu o seguinte: “a cara pintada com vermelho e preto,
tentando ficar mais bonitos, porém invés de ficarem mais bonitos pareciam eram
demónios”. (2)

Gonzalo Fernandez de Oviedo (1535) mencionou igualmente que o urucum era


muito abundante no Caribe e no continente sul-americano, tendo feito uma ótima descrição
da planta, dos frutos, e do modo como os nativos preparavam e usavam o corante urucum.
(2)

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Posteriormente, em 1552, Lopez de Gomara, enquanto descrevia os Hispaniola


habitantes, citou que as suas armas eram constituídas por pedras chamadas “macanas”, que
eram usadas como espada e lança. (2)

Quando havia lutas, os indígenas penduravam pequenos ídolos na testa e


manchavam os seus corpos com “jagua” (Genipa americana L.) e com “bija” (urucum). Os
seus grãos são viscosos como cera de abelha e têm um corante encarnado. Com este
corante, as mulheres pintavam-se, ficando com a pele em tom avermelhado, com o intuito
de dançar as danças típicas e rituais do povo. Os Nativos da América do Sul utilizavam ceras
e gorduras extraídas de animais ou plantas e resinas. Quando usavam este tipo de produtos
reforçavam a ação protetora do urucum contra os insetos. (9,14,15)

Desde 1560, que os barcos carregavam como mercadoria principal pérolas, cacau,
baunilha e urucum em direção aos portos de Espanha. (2) O urucum era tido em alta
consideração pelos europeus. Mais tarde, em 1596, Raleigh descreveu os tesouros
encontrados no sul do rio Orinoco. O mesmo expôs:” há grandes quantidades de comida
brasileira e muitas bagas que produzem cor vermelha e rosa, corantes perfeitos para fazer
pinturas”, o mesmo que a França, a Itália ou a Índia oriental já faziam. (2)

Quanto mais a carne era lavada com o corante urucum, mais vistosa e bonita ficava
tendo em conta a cor avermelhada do corante. (16) Na cultura dos indígenas fazia-se
também uma bebida típica com esta planta, usada em rituais para parecer sangue e ainda
faziam uma mistura de urucum com cacau para melhorar a sua cor e ao mesmo tempo o seu
sabor. (13)

Hernandez, na história natural da Nueva España (1605), relatou que o urucum era
conhecido pelo nome de “chacangariqua” e “pamacua”. (2)

Gage, em 1648, durante as suas viagens à Nueva España, descreve que na região
Zocos, que atualmente se chama Guatemala, refere: “é uma rica Região devido à produção
de cacau e de outra droga chamada “achiote” (urucum), as suas sementes são usadas para
corar o chocolate e fazer a pasta com o nome de terra de orellana.”

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Ainda segundo Gage, a árvore podia ser encontrada em todas as ilhas tropicais”. Gage
confirmou também que se pode usar no tratamento de muitas doenças e escreveu como a
B. orellana é preparada através das suas sementes. (2)

Este historial evidencia e indica que existe um cultivo de urucum e até mesmo uma
ampla distribuição ao longo dos países tropicais americanos, com temperaturas quentes e
húmidas antes da chegada do Colombo. Posteriormente, o urucum foi distribuído um pouco
por todo o mundo, pelos países com humidade tropical e subtropical, graças aos espanhóis
e aos portugueses conquistadores e exploradores dos séculos XV e XVI. (2,13,14)

B. orellana foi usada para pinturas, tatuagens, simbolicamente como agradecimento


aos deuses pelas colheitas, pescas e a saúde, e também como repelente de insetos, por
algumas tribos nativas da América do Sul. (2,4,14)

Os argumentos usados por Alejandro Humboldt, relativamente às tribos indígenas


que habitavam em terras perto do Rio Orinoco revelam que estas tribos não usavam roupas,
apenas usavam pinturas, as quais eram extraídas da B. orellana. (3,13)

A planta nativa da América, que foi levada para a Europa desde o século XVII, fez
com que os ingleses tivessem conhecimento do corante do urucum e que começassem a
usá-lo na fabricação de queijos, por exemplo, pois este corante não perde a coloração
durante a cura, e ainda se consegue ligar à proteína do leite, mantendo assim a coloração
apresentando desta forma uma coloração mais vistosa e não a cor branca. (17)

Em 1983, a produção a nível mundial do urucum foi de 3.000 toneladas de sementes,


no entanto, com o passar dos anos tem sido um produto cada vez mais utilizado não só na
América Latina como também na União Europeia, tendo aumentado para 10.000 toneladas
por ser um corante natural. Um dos principais países na produção de urucum é o Brasil,
onde se produz mais de metade de urucum. (9,13)

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4. Classificação botânica
Bixa orellana pertence à família Bixaceae. Bixa provem da forma latinizada da
palavra índia Bija e o nome orellana foi dado em homenagem ao descobridor Espanhol
Francisco Orellana, que descobriu o rio Amazonas (1490-1546) do século XVI. (18–20)

O Sistema de Engler classifica B. orellana de acordo com o que está descrito na Tabela 1.

Tabela 1 – Classificação de Bixa orellana. (21)

XVIII Divisão: Angiospermae


Subdivisão: Angiosperma
Classe: Dicotiledoneae
Ordem: Parietales
Subordem: Cistianeae
Família: Bixaceae
Género: Bixa
Espécie: Bixa orellana L., Sinónimos: Bixa americana
Poir., Bixa purpurea Sweet, Bixa upatensis
Ram. Goyena, Bixa tinctaria Salisb.

5. Descrição da planta
B. orellana L. é uma espécie de regiões tropicais da América, que é conhecida pelos
seguintes nomes comuns: achiote, urucum, urucu, anatto, orellana, changerica, entre
outros, conforme as zonas do globo. (21)

É um arbusto com altura entre os 3 e os 5 metros (Figura 1), cujas folhas são simples
e grandes. As flores estão dispostas em grupos e as suas cores variam de esbranquiçada a
rosa, dependendo da variedade. As pétalas são dialipétalas e espaçadas entre si, com cinco
sépalas (Figura 2), surgindo nas extremidades dos ramos. (14)

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Figura 1 - Arbusto da Bixa orellana (Mónica Orfão, 2018)

Figura 2 - Flor da Bixa orellana (Mónica Orfão, 2018).

A flor do urucum é hermafrodita, contudo a flor não pode autofecundar-se devido à


protandria que faz com que os grãos de pólen estejam viáveis ou maduros anteriormente às
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anteras se apresentarem recetivas. O grão do pólen fica maduro na véspera da abertura da


flor e os estames duram apenas um dia, obstruindo deste modo a autopolinização. Devido a
esta situação a fecundação acontece apenas devido à polinização cruzada, que
normalmente é realizada por ventos ou por insetos (entomófila). Esta polinização favorece a
ocorrência de uma maior diversidade de atributos do fenótipo, características estas que irão
influenciar no teor de bixina nos grãos e nos frutos. (22)

Há flores na planta de urucum praticamente durante todo o ano, contudo, há uma


maior intensidade em duas estações em circunstâncias de clima consideradas normais, a
primeira floração é mais intensa entre os meses de fevereiro e março, uma vez que a
colheita principal ocorre de junho a julho. A segunda floração ocorre nos meses de julho e
agosto, sendo que a colheita acontece em novembro e dezembro. Ambas as colheitas são
geralmente feitas de forma manual, uma vez que a maior parte da produção do urucum
provém da agricultura familiar. Relativamente à duração que há entre abertura das flores e
o seu amadurecimento (Figura 3), poderá variar de sítio para sítio, mas pode variar entre
100 e 140 dias. (20,22)

Figura 3 - Broto jovem (A); Boto com pétalas parcialmente expostas(B); Flor (C); Desenvolvimentos
de frutos com 2 dias (D) e com 7 dias (E) (20).

O fruto é uma cápsula vermelha de 2 a 6 centímetros de comprimento, com


“cabelos” espinhosos maleáveis, que evolui da tonalidade verde-escuro e quando atinge a
maturação sofre uma transição apresentando uma cor avermelhado escuro. As sementes
apresentam 5 milímetros de comprimento e com um diâmetro até 3 milímetros, revestidas
com uma substância viscosa avermelhada (Figura 4). Estas sementes apresentam uma forma
que varia entre piramidal a quase cónica. É nesta camada que se encontram os pigmentos,
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tendo uma importante aplicação industrial. No pericarpo, 80% dos pigmentos existentes é
constituído por um carotenoide com o nome de bixina, corante que pode ser obtido usando
óleos vegetais como solvente de extração. No entanto, é constituído por mais compostos,
ainda que sejam substâncias inertes de menos relevância. A cápsula contém entre 30 a 40
sementes (Figura 4) em média, excecionalmente poderá existir cápsulas com 70 sementes. A
coloração da semente pode variar desde o vermelho escuro, o que significa que tem maior
concentração de corante, até uma cor rosada claro que apresenta menor concentração de
corante. (21,23)

Esta semente tem grande importância, pois é rica em pigmentos que podem ser
aplicados em várias indústrias. Os corantes do urucum poderão ser extraídos através de
uma solução alcalina aquosa, ou através de óleo vegetal, originando desta forma sais de
norbixina na forma hidrossolúvel e a bixina que apresenta na forma lipossolúvel. (23)

Figura 4 - Cápsula de urucum aberta com as sementes expostas (Mónica Orfão, 2018).

As folhas apresentam-se em forma de coração, dispostas em forma de espiral e


podem medir de 8 a 20 cm de comprimentos e 4 a 15 cm de largura, tendo uma estrutura
peciolada, isto quer dizer que tem uma nervação da folha peninérvea com nervuras
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secundárias e terciárias ao longo da folha, tendo uma borda com o limbo ondulada e
pequenas ondulações ao longo da folha (Figura 5). (14)

Figura 5 - Folha do urucum (Mónica Orfão, 2018).

O tronco apresenta uma cor castanho café, podendo atingir até 5 metros de altura,
com uma forma cilíndrica, tendo um diâmetro de base ente 10 a 15 cm, podendo existir
algumas delas com um diâmetro superior a 30 cm, assim como as suas raízes ramificadas,
onde da raiz principal grossa crescem mais raízes secundárias e terciárias que se encontram
distribuídas no solo, mais finas e apresentando cor café escuro. Estas raízes podem atingir
aproximadamente 30 cm de profundidade, podendo a raiz principal atingir até 1 m de
profundidade. (21,23)

5.1. Clima
B. orellana é heliófila, isto é, necessita de luz solar para se desenvolver. Para esta
planta ter um cultivo favorável para o seu desenvolvimento, a temperatura do meio

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ambiente deverá variar entre 20 oC e 27 oC, considerando-se que 25 oC é a temperatura


ideal. Ainda que as temperaturas máximas sejam de 36 oC a 38 oC e como temperatura
mínima de 15 oC, desenvolvendo-se melhor em áreas, em que a pluviosidade esteja entre
um mínimo de 1200 mm e um máximo de 3000 mm, sendo necessário também um período
de precipitação entre 3 a 4 meses, essencial para que ocorra a maturação e
desenvolvimento favorável dos frutos. Se houver ausência de chuvas superior a 3 meses,
isto será prejudicial para a sua produtividade. A humidade relativa ideal está por volta dos
80%, se ultrapassar esta percentagem pode haver o desenvolvimento de fungos. (22)

Ao ocorrer variações de temperaturas acentuadas do período diurno para o período


noturno, assim como ventos frios e fortes à noite, estes são fatores que criam um ambiente
desfavorável para o desenvolvimento da planta, fazendo lesões, nomeadamente nas folhas,
que, por sua vez irá diminuir a eficácia fotossintética, consequentemente retarda o seu
desenvolvimento e a produção da planta. (24)

5.2. Solo
Urucum é uma planta tropical que se adapta a diferentes tipos de solos,
desenvolvendo-se melhor em solos mais húmidos, profundos, drenados e com uma
composição um pouco argilosa, não sendo favoráveis para o desenvolvimento desta planta
solos compactados e com um clima ameno. Tendo em conta que é uma planta rústica e
tolerante, o urucum tem a capacidade de se adaptar a diferentes tipos de condições,
existindo a possibilidade de ser cultivado em solos pobres em termos nutricionais.
Consequentemente, esta produtividade será inferior, quando comparada a um cultivo de
um solo de alta fertilidade. (22)

Todavia, apesar de ter uma baixa exigência nutricional este deverá desenvolver-se
em solos com macronutrientes e micronutrientes que se encontrem equilibrados, tendo
uma variação média alta com um pH entre 5 a 7, sendo preciso bons níveis de cálcio e
magnésio e ausência de alumínio tóxico. (22)

Para plantar urucum é necessário proceder previamente a uma análise do solo onde
se vai fazer a plantação da planta. Para isso, devem retirar-se várias quantidades de solo de

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várias partes da área onde será realizada a plantação, a fim de determinar o pH do solo,
para analisar eventuais deficiências nutricionais dessa área, sendo muito importante esta
análise, pois através dela é possível saber que tipos de nutrientes se encontram em baixa
concentração para proceder à sua correção. (26-28)

5.3. Colheita
A maturação das cápsulas de urucum tem uma duração de 3 a 4 meses e a colheita
das mesmas é realizada de forma manual. A cor das cápsulas varia durante o período de
maturação que vai desde o verde, cor imatura, a amarelo, e quando apresenta uma cor
castanha avermelhada significa que se encontra no seu estado de maturação ideal para que
se proceda à sua colheita (Figura 6). Normalmente a primeira colheita ocorre nos meses de
junho e julho e a segunda colheita é feita entre o período de novembro e dezembro. (22)

A identificação da maturação da cápsula é essencial, visto que influencia a qualidade


final do produto. Esta conjuntura é verificada aproximadamente 140 dias após a abertura
das flores, apenas quando estas ficarem secas e apresentarem uma coloração castanha
(Figura 6). É essencial que ao colher as cápsulas estas estejam mesmo maduras e secas, pois
a apresentação de uma elevada humidade nas sementes fará com que perca a qualidade e
também o desenvolvimento de bolores. Quando se realiza a colheita, pode-se utilizar uma
tesoura de poda ou uma faca, para cortar os pedúnculos o mais adjacente possível das
cápsulas. (22,24)

É necessário ter muito cuidado na pós-colheita das sementes. Este procedimento


terá que ser bem realizado, visto que influencia a qualidade do produto final. O processo de
pós-colheita inclui: pré-secagem dos frutos para garantir que estão secos e não têm
humidade; descapsulamento, no qual se faz a abertura da cápsula e a análise das sementes;
secagem das sementes; peneiramento; armazenamento; classificação e, por fim, a
comercialização. (24)

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Figura 6 - As diferentes fases de maturação das cápsulas (Mónica Orfão, 2018).

5.4. Propagação
A propagação do urucum tem sido maioritariamente por sementes. Devem ser
colhidas as cápsulas diretamente da planta, quando a mesma está a iniciar a abertura
espontânea (deiscentes), para que seja feita a propagação através das sementes (sexuada).
Posteriormente, as sementes são deixadas ao sol para completar a abertura e a libertação,
visto que as mesmas não se soltam com facilidade. Deverão ser removidos manualmente
batendo nas cápsulas com uma vara para dentro dos sacos. As sementes são viáveis por
mais de 6 meses após o seu armazenamento. (27)

Para a realização das mudas, as sementes são colocadas para germinação, após
serem colhidas e sem qualquer tipo de tratamento em canteiros semi-sombreados,
contendo substrato formado por terra vegetal, argila e adubo. Estes canteiros são cobertos
com um substrato previamente tamisado e regados diariamente. (27)

Quando as plântulas atingem entre 5 a 8 centímetros deverão ser transplantadas


para sacos de polipropileno. Por norma, o desenvolvimento das plântulas é um processo
bastante rápido, no entanto, a sua transferência para o local final poderá ocorrer em menos
de 3 meses. (27)

A propagação do urucum pode ser também por enxertia, havendo vários modos de a
fazer: vários tipos de garfagem e borbulhia. (8,24)

Visto o urucum ser uma espécie de polinização cruzada, resulta num processo de
alto grau de variabilidade genética, originando uma grande heterogeneidade nos plantios,

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como é o caso da tolerância às pragas e doenças. Na produtividade reflete-se em variações


no teor de bixina, no período de floração promove falta de sincronismo na coloração das
flores e cápsulas, e na forma e quantidade de pêlos nas cápsulas. (28,29)

As diferentes técnicas de cultivo em in vitro de órgãos ou de tecidos vegetais têm


importância na propagação vegetativa ou na regeneração de espécies, e nos cultivares de
interesse hortícola. O uso de uma técnica concreta varia de acordo com o objetivo que se
pretende e a sua capacidade de reconstituir plantas está demarcada pelo genótipo,
condições de cultura (nutrientes, reguladores de crescimento e condições físicas) e pelo
estado de desenvolvimento da planta-mãe. Hoje em dia, dispõem-se de informações
relevantes relativamente às necessidades para a propagação vegetativa em in vitro de
numerosas espécies vegetais, sendo uma delas o urucum. (33-35)

6. Variedades Principais da planta


As três variedades da B. orellana são diferenciadas pelas cores das suas flores e
sementes. Uma das variedades de B. orellana tem flores brancas e cápsulas verdes, outra
variedade é constituída por flores de cor roxa e as suas cápsulas são de cor castanhas-
avermelhadas e, por fim, a terceira apresenta flores cor-de-rosa e cápsulas vermelhas
(Figura 7). Estas diferenças de cor não têm influência relativamente ao efeito terapêutico
nem à alteração a nível do sabor. (33) Porém, ainda têm sido observadas algumas pequenas
variações ao nível da cor ou na forma da cápsula, ainda que não existam informações
disponíveis relativamente a este tipo de variações. Logo, estes tipos de B. orellana não
apresentam nomes específicos e não têm subespécies verdadeiras, visto que a alteração da
composição genética é tão insignificante. Contudo, há estudos que indicam que o teor dos
pigmentos das sementes pode variar entre os 5 % em cápsulas hemisféricas e 3-3,5 % em
variedade cónica e 1,5-2% em variedade ovada (Figura 7). (33)

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Figura 7 - Bixa orellana planta produzindo cápsulas ovóides (A), cápsulas cónicas (B), ou cápsulas
hemisféricas (C). Flor rosa em uma variedade de cápsulas ovais (D). Flor roxa em uma variedade de
cápsula cónica (E). Flor branca em uma variedade de cápsulas hemisféricas (F). cápsulas ovóides (G).
Cônica grupo de cápsulas (H). Grupo de cápsulas hemisféricas (I). cápsula ovada (J), cápsula cónica
(K) e cápsula hemisférica (L). cápsula ovada deiscentes (M), cápsula cónica deiscentes (N) e cápsula
hemisférica deiscentes (O). (26)

Relativamente às cores das folhas das diversas variedades, nas árvores que têm flor
branca, as folhas apresentam uma cor verde-escuro, enquanto nas plantas que apresentam
flores cor-de-rosa ou roxas as folhas apresentam uma cor verde clara (Figura 8). (26,34,35)

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Figura 8 - Diferenças morfológicas nas folhas de variedades de B. orellana com formas diferentes.
Folha de uma variedade de cápsulas ovais de flor rosa (A), uma folha de uma variedade de cápsulas
cónicos de flor roxa (B) e uma folha de variedade de cápsula hemisféricos de flores brancas (C).
Barras de escala = 6,0 cm. (33)

7. Componentes químicos principais das partes utilizáveis de urucum


As partes utilizadas incluem as flores, sementes, folhas e raízes. Para além do
pigmento das sementes, a planta de urucum também é uma fonte de vitaminas do
complexo B e vitamina C. (36,37)

Planta: riboflavina, cianidina, niacina, ácido salicílico, ácido tomentósico e ácido


elágico. As folhas também apresentam uma fração volátil onde é possível encontrar os
sesquiterpenos ishwarano e bixaganeno. (38–40)

Sementes: lípidos, minerais (cálcio, ferro, fósforo), proteína, aminoácidos (arginina,


leucina, lisina, isoleucina, fenilalanina, histidina, treonina, metionina, triptofano, valina),
terpenoides (bixina, norbixina, isobixina).

Cápsula: lípidos, ferro, fósforo, ácido ascórbico, terpenoides (-carotenoides, bixol),


hidratos de carbono e fibra.

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Para a classificação das sementes do urucum é essencial que estas estejam dentro
dos parâmetros referidos na Tabela 2. (34)

Tabela 2 - Classificação das sementes da Bixa orellana L., segundo as suas características físico-
químicas. (38)

Especificação Classe

Tipo 1 Tipo 2 Tipo 3

Humidade ≤ 10% >10% ≤ a 14% >14%

Bixina > 2,5% 2,0 a 2,5% <1,8%

Impurezas < 5% <5% > 5%

Material Estranho Ausente Ausente Ausente

Para efeito de padronização das sementes são considerados os seguintes fatores: (38)
1) Humidade: percentagem de água contida na amostra;
2) Conteúdo de bixina: percentagem de pigmento contido no pericarpo da semente
(matéria prima na indústria de corantes);
3) Aroma: cheiro típico desejado, aromático, penetrante;
4) Impurezas: detritos do próprio produto, como pedúnculos e folhas;

5) Material estranho: grãos ou sementes de outros vegetais, além de corpos estranhos de


qualquer natureza não oriundos dos produtos e que não sejam nocivos à saúde humana;

6) Bolor: bolor proveniente de fermentação do produto provocado por fungos e/ou


bactérias.

As sementes de B. orellana são constituídas, na sua maioria, por carotenoides, como


por exemplo a bixina e norbixina, encontrando-se em maior percentagem a bixina. (10)

Citada pela primeira vez em 1825, por Boussingault, a cristalização da bixina foi
conseguida com êxito em 1878 por Etti. A análise elementar e a deliberação exata da sua
fórmula aconteceram, em 1917 por Panzer e por Heiduschka. Em 1928-1933, Kuhn e os

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colaboradores sugeriram a fórmula estrutural, fórmula esta que foi confirmada


posteriormente por Kerrer. (39)

As estruturas químicas da bixina e da norbixina estão representadas na Figura 8.


Outros constituintes podem ser encontrados no urucum, como sejam aminoácidos (lisina,
fenilalanina, tirosina, leucina e isoleucina); (23) lípidos, incluindo os ácidos gordos ácido
linoleico, oleico e -linolénico, assim como minerais (Ferro, Zinco, Fósforo e Cálcio). (23,40)

Figura 8 - Estrutura química dos principais pigmentos de B. orellana L.

7.1. Informação nutricional de Bixa orellana L.


De modo geral, a composição nutricional das sementes de urucum apresentam a
seguinte distribuição: 40 a 45 % de celulose; 3,5 a 5,5 % de açúcares; 0,3 % a 0,9 % de óleo
essencial; 3 % de óleo fixo; 1,0 % a 4,5 % de pigmento; 13 % a 16 % de proteína (Tabela 3),
como também - e -caroteno, além de taninos e saponinas. Apresenta ainda 17,5 % de
lipídos na forma de ácido linoleico, α-linolénico e oleico, 10,6 % de aminoácidos. As cinzas
(5,4 %) apresentaram alto conteúdo de Fósforo, Ferro e Zinco, com reduzido teor de cálcio.
Além da bixina e norbixina, outros carotenos são encontrados em menores quantidades no
arilo da semente do urucum, entre eles isobixina, -caroteno, criptoxantina, luteína,
zeaxantina e a orellina. (23,41)

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Tabela 3 - Informação Nutricional dos compostos da Bixa orellana L. (41)

Compostos % Nutricional
Celulose 40%-45%
Sacarose 3,5%-5,5%
Óleo essencial 0,3%-0,9%
Óleo fixo 3%
Pigmentos(70-80% Bixina) 4,5%-5,5%
Proteínas 13%-16%

7.2. Bixina (C25H30O4)


A estrutura química da Bixina consiste numa cadeia isoprénica de 24 carbonos, tendo
na sua constituição um grupo carboxílico e um éster metílico nas extremidades. O que torna
este corante num dos mais utilizados é a possibilidade de, através da extração dos
pigmentos das sementes, obter uma variedade de cores desde o amarelo (norbixina) até ao
vermelho (bixina). Dependendo do solvente que for utilizado para realizar a extração, é
possível obter um corante hidrossolúvel ou um corante lipossolúvel. (3,36,42)

A bixina tem como singularidade o facto de, entre os carotenoides, se apresentar na


configuração cis de forma natural. Foi o primeiro cis-carotenóide a ser isolado de fontes
naturais, a sua molécula contém um grupo carboxílico e um éster metílico que concede
lipossolubilidade à molécula. Na configuração cis, os dois grupos estão situados no mesmo
lado da molécula, o que não acontece na forma trans-bixina, que é mais solúvel em óleos
conferindo uma coloração avermelhada, ao contrário do isómero cis-bixina que apresenta
uma coloração alaranjada. É importante ressalvar que este tipo de composto do urucum
poderá sofrer algumas alterações, sendo suscetível a mudanças na estrutura devido ao
calor, à luz e à oxidação. Também pode sofrer alterações na presença de alguns solventes.
Logo que a semente do urucum fica isolada, a bixina permanece mais exposta, daí é
provável que ocorra a sua deterioração mais facilmente. (43,44)

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Quando há a intervenção das enzimas, este facto irá originar dois novos
carotenoides. Quando ocorre a perda do grupo éster metílico da bixina obtém-se a
norbixina. (3)

7.3. Norbixina (C24H28O4)


Com a presença do segundo grupo carboxilo na molécula, este irá aumentar a
hidrosulubilidade. (45) As ligações duplas conjugadas quer na norbixina quer na bixina
podem sofrer isomerização. As configurações cis como da bixina e da norbixina, que se
encontram presentes no urucum, podem transformar-se na configuração trans, que é uma
configuração mais estável, sempre que a molécula for sujeita a temperaturas mais elevadas
(Figura 9). (43)

Apenas o pigmento natural norbixina reage com a caseína, característica esta que
torna este corante único no segmento de queijo e outros produtos lácteos. (41)

A hidrossolubilidade da bixina e da norbixina pode ser aumentada com a adição de


polissorbatos ou propilenoglicol, no entanto, o urucum encontra-se em várias configurações
solúveis em água e em solventes orgânicos, dependendo do meio de extração e do tipo de
misturas, emulsões, diluições e suspensões que se utilizam para a extração ou para a
obtenção do produto final. (3,34,39)

Figura 9 - Inter-relação dos pigmentos de Bixa orellana L.

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Em suma, a bixina pode ocorrer nas configurações estereoquímicas cis e trans. Em


condições normais, a que mais prevalece é a cis-bixina, ou cis-norbixina, sendo esta uma
configuração mais instável do que a trans-bixina. (3,8,43)

As diferenças estruturais entre a bixina e norbixina, fazem com que estes isómeros
tenham solubilidade, polaridade, e tonalidade distintas, como resultado, cada uma poderá
ter uma aplicação distinta. Se estes corantes forem utilizados segundo os parâmetros Food
Chemical Codex dos USA, é um corante seguro e sem sabor. (39)

8. Extração dos pigmentos de Bixa orellana


Os processos de extração dos pigmentos das sementes do urucum podem ser físico-
químicos, através de solventes e enzimas, e processo mecânico, através de atrito e
raspagem. (46) Já relativamente à extração por solvente através de técnicas convencionais
por imersão de sementes em soluções, esta poderá ser realizada através de três processos,
antes dos quais é realizada a pesagem dos grãos de urucum, colocados num recipiente com
um agitador (permanecendo por um determinado período de tempo) juntamente com o
solvente pretendido, onde é feita a extração com óleo de soja ou milho. A extração pode
também ser feita recorrendo a solventes orgânicos, como por exemplo, etanol, acetona,
clorofórmio e propilenoglicol, sendo este um dos processos que resulta na forma mais pura
dos pigmentos, e, por fim, a extração alcalina, que resulta da utilização de soluções de KOH
e NaOH. (8,41)

A extração com óleo produz um corante que é maioritariamente na forma de bixina.


A extração aquosa alcalina saponifica o grupo metilo da bixina, produzindo assim a
norbixina como principal corante natural. (47–51)

8.1. Bixa orellana como corante


De origens distintas, os corantes são substâncias que alteram ou fortalecem a cor,
não só de alimentos como também de outros produtos (produtos de cosmética e

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medicamentos). Quanto à utilização de corantes alimentares, a humanidade já o faz desde a


antiguidade, extraindo-os não só de plantas, mas também de minério. (52,53)

A observação e perceção da cor não é simplesmente uma capacidade que o ser


humano tem de distinguir a luz nos diferentes tipos de onda. A cor é um estímulo originado
pelo cérebro, estímulo esse que, quando é luminoso, capta mais a atenção, tornando
possível distinguir as diferentes cores. Todo este conjunto de apreciação da cor é
considerado fundamental, uma vez que é através da apreciação da cor que muitas vezes
reconhecemos, adquirimos ou rejeitamos determinados produtos, sejam eles alimentares
ou cosméticos. De maneira a que determinados alimentos sejam mais atrativos, recorre-se
ao uso de corantes, caso os mesmos não tenham cores muito apelativas, o que promove a
aquisição destes produtos, pois o contacto inicial que temos com qualquer produto é o
visual e, aí, a cor tem um grande impacto. Para nós, consumidores, a vivacidade das cores
num alimento, transmite-nos a sensação do sabor e até de uma qualidade superior.
(42,43,54,55)

A fim de tornar possível um controlo de qualidade por parte da União Europeia,


existem normas a cumprir no que toca ao uso de corantes. Novas técnicas analíticas têm
sido desenvolvidas para a quantificação de corantes em diversas matrizes, incluindo os
corantes bixina e norbixina. (56,57)

Visto ser um corante com um preço muito acessível em relação aos corantes
artificiais, a bixina tem-se tornado muito conveniente, e tem sido substituto dos corantes
sintéticos. Como consequência da averiguação do impacto negativo dos corantes sintéticos,
as indústrias procuram cada vez mais corantes naturais e mais baratos. O corante extraído
do urucum, a bixina, foi aprovado pela Food Agriculture Organization (FAO) para o seu uso
em alimentos, no entanto, a sua utilização depende de país para país. (58)

Contudo, o urucum é mundialmente empregado como corante para diversos fins,


principalmente na indústria alimentar, nomeadamente, queijos, manteiga, doces, bebidas,
pudins, entre outros. Estas formulações de extrato de urucum são feitas para dar tons de
cor amarelo-alaranjado a baixa temperaturas para alimentos processados, sendo estável por
um período de 2 meses. (3,59)

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Na União Europeia não é permitida a utilização do urucum como especiaria. O


urucum também começou a ser adicionado às sementes constituintes das rações para os
animais, não só por ser nutritivo, mas porque dava cor à mesma. (60–62)

Desde a proibição por parte da União Europeia dos corantes alimentares artificiais,
por possíveis efeitos cancerígenos, que o urucum é importado de maneira intensa da
América tropical e da África. (3,9,15)

8.2. Uso cosmético de Bixa orellana


Está a aumentar o uso de urucum em produtos cosméticos, uma vez que as suas
propriedades previnem queimaduras solares, por causa da existência de tocotrienóis na sua
composição, que facultam um efeito protetor ao queratinócitos de malefícios originados
pelos raios UV do tipo B. (42,59)

Em relação ao extrato oleoso é um emoliente, com alto teor de carotenoides na sua


constituição que proporcionam benefícios antioxidantes aos artigos de cosmética, e que
ainda promovem uma intensificação da cor. É muito apreciado para o uso em protetores
solares, produtos bronzeadores e até mesmo para o favorecimento da tonalidade de
batons. (10,63,64)

Porém, as mulheres de origem indiana que casavam em cultos usavam o urucum,


uma vez que o mesmo era um corante natural e não trazia malefícios, ao contrário de
outros, como era o caso do “sindoor” (símbolo avermelhado tradicional da Índia, usado
pelas mulheres casadas e que é constituído por açafrão e mercúrio), que com um uso mais
intensivo, poderia causar edemas e queda de cabelo. (65)

Os Índios americanos usavam desde há muito o urucum, não só para fins estéticos,
mas também como forma de proteção solar e como repelente de insetos como já foi
referenciado anteriormente. Seguindo a legislação da EU pode ser utilizado o urucum como
corante. (14)

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9. Legislação
No início do seculo XX, o urucum era usado ilegalmente para corar o leite, sendo
divulgado pelo laboratório britânico Public Analyst. (49) Atualmente, o urucum pode ser
utilizado na coloração de alguns queijos e margarinas, no entanto, não pode ser utilizado
para fazer coloração de manteigas, creme e leite, segundo a Diretiva 95/45/CE da Comissão,
de 26 de Julho de 1995, que estabelece os critérios de pureza específicos dos corantes que
podem ser utilizados nos géneros alimentícios. (49,66)

De acordo com o artigo presente da legislação 94/36/CE, é autorizado o uso de


urucum, bixina e norbixina, como corante para o uso em alimentos. O uso do urucum, entre
outros corantes, segundo a legislação da União Europeia não é permitido nas especiarias.
No entanto, pode ser utilizado para produtos alimentícios e cereais. O Programa de
alimentos importados do Reino Unido (Food Standards Agency), fez uma análise em 893
amostras, através da qual, foi detetado o corante bixina em 18 amostras. Entre estas
amostras estavam óleos, molhos e especiarias. Dada esta situação foi criado um alerta para
RASFF da Europa (Rapid Alert System for Food and Feed). Devido à presença não permitida
tanto da bixina, como da norbixina em óleo de palma e pimenta, houve uma alteração
relativamente à indústria de alimentos. Logo depois desta situação, a comissão da União
Europeia para clarificar esta matéria do que seria legal e do que não seria legal, realizou
uma lista dos produtos alimentares que poderiam utilizar o corante urucum, bixina e
norbixina, no sentido de não se repetir o mesmo procedimento, e ficando assim mais
clarificado em que situações poderão ser utilizados estes corantes, pois a União Europeia
tem uma legislação diferente de corantes relativamente aos restantes países. (49,66)

Segundo a legislação da comissão da união europeia – CEE (Comunidade Económica


Europeia), o urucum encontra-se classificado sob n º E160b e CI Natural Color 4. (49,67,68)
O urucum encontra-se listado no Food Chemical Codex dos USA, referência nº73.30,
73.1030 e 73.2030, e encontra-se na listagem do GRAS (Generally Recommended As Safe),
permitido a utilização em produtos alimentícios para consumo humano. (69)

O urucum é um corante que é permitido e utilizado mundialmente por ser um


corante natural. Devido às limitações da utilização dos corantes sintéticos, o urucum surge

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como uma boa alternativa devido a ser um corante natural podendo ser utilizado nas
indústrias alimentícias, cosméticas e farmacêuticas. Contudo, existem algumas (poucas)
limitações ao seu uso, dependendo da legislação e do produto, cada país tem os seus limites
máximos de utilização, dependo da natureza do alimento, podendo ou não ser utilizado
como uma especiaria. (49)

Em suma, a Food Agriculture Organization (FAO) debate sobre a legislação para a


prática de corantes naturais, relativamente à adoção de corantes e diversos outros aditivos
alimentares. Assim como a organização JECFA (Joint Expert on Food Additives), realizou um
conjunto de pormenorizações de identidade e pureza, relativamente aos procedimentos a
serem analisados na realização das avaliações toxicológicas e estudos. (70)

10. Toxicidade
Podem considerar-se três grupos de corantes naturais que são os seguintes: (71)

a) Corante isolado quimicamente inalterado de um alimento, e usado no mesmo tipo de


alimento em níveis normalmente encontrados nesses alimentos. Este corante é aceite como
se fosse o alimento, não sendo necessários dados toxicológicos;

b) Corante isolado quimicamente inalterado de um alimento, e usado no mesmo tipo de


alimento em níveis superiores aos normalmente encontrados nesses alimentos ou usados
em outros alimentos. Este corante deve ser avaliado toxicologicamente como se fosse
corante artificial;

c) corante isolado de um alimento, porém, quimicamente modificado durante a sua


obtenção ou extraído de outra fonte não alimentar. Este corante deve ser avaliado
toxicologicamente como se fosse corante artificial.

De acordo com a legislação atual, o urucum encontra-se classificado na linha a). (22)

Nas averiguações feitas na Holanda com ratos e suínos, relativamente a toxicidade


do urucum, verificou-se que o corante não apresentava toxicidade, podendo ser utilizado
como um corante natural e seguro, para dar coloração às margarinas, queijos e outros
produtos.
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Foi permitido desde 1970 pelo FAO/OMS, que a ingestão diária seria de 1,25 mg/kg. (22,58)
Urucum não é genotóxico nem apresenta toxicidade crónica e toxicidade subaguda e
carcinogenicidade. A norbixina (derivado da bixina), após 24 horas da ingestão de bixina não
era detetado no plasma em humanos voluntários. (34,72,73)

11. Bixa orellana como planta medicinal


O uso das plantas no tratamento e na cura de enfermidades é tão antigo quanto a
espécie humana. Tendo em conta a opinião pública face à utilização e à eficiência de plantas
medicinais, começou a existir uma ideia mais clara face os seus efeitos benéficos, sem existir
o conhecimento profundo da sua constituição, composição química e propriedades. Assim,
o conhecimento popular teve um impacto positivo na propagação da ação terapêutica de
determinadas plantas. Os consumidores de plantas, para fins medicinais, continuam a
manter ativo o uso de produtos naturais à base de plantas, fazendo com que sejam válidas
as informações terapêuticas acumuladas com o passar dos anos. (34)

Aproximadamente 80% dos fármacos eram produtos naturais ou inspirados nesses


produtos. São exemplos a vincristina, a colchicina, a atropina e até mesmo a morfina. (74)

O estudo de plantas para fins medicinais tinha por base, até há pouco tempo,
ensaios de triagem farmacológicos e biológicos. Hoje em dia, esse mesmo estudo tem
obtido algum desenvolvimento, uma vez que são realizados a níveis farmacodinâmicos e
farmacocinéticos. As provas de triagem englobam pesquisa molecular. (13)

B. orellana é usada na medicina tradicional, dando origem a alguns fármacos


destinados ao tratamento de várias doenças. Os extratos de urucum das folhas, raízes e
sementes têm sido tradicionalmente utilizados para fins medicinais pelos índios da América
do Sul; o pericarpo do urucum que envolve a semente é bastante utilizado na fitoterapia, no
tratamento da disenteria, da gonorreia, da febre, da obstipação e como antipirético.
(9,60,75,76)

A infusão das folhas da B. orellana é utilizada pela medicinal tradicional para o


tratamento de azia, vómitos, náuseas, problemas estomacais, assim como problemas na
próstata, bronquite, dor de garganta, inflamação, diurético leve, e laxante.
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A infusão é feita a frio e poderá ainda ser utilizada para a inflamação dos olhos, para
o tratamento de problemas de pele, disenteria, febres e hepatite, bem como para ser usado
como anti-séptico, afrodisíaco e adstringente, realiza-se uma infusão com brotos mais
jovens das folhas. Esta terapia medicinal é usada pela tribo Piura das florestas tropicais da
Amazónia. (9,77)

A fitoterapia peruana utiliza as folhas para tratar de hipertensão arterial,


hipercolesterolemia, obesidade, cistite e insuficiência renal. As folhas têm também sido
descritas na eliminação do ácido úrico. (9)

Os extratos da folha, raízes e casca da B. orellana são utilizados como antídoto para
o envenenamento de Jatropha curcas L. e Hura Crepitans L. (60) As sementes de urucum
têm a capacidade de neutralizar o ácido cianídrico presente em Manihot esculenta Crantz
(mandioca), que é uma espécie cianogénica. As sementes têm também sido usadas como
cardiotónico, hipotensor, expectorante, antibiótico, anti-Leishmania e antimalárica. Estudos
têm também revelado ação citotóxida, particularmente contra células A549 (carcinoma do
pulmão). (9,59,78,79)

A pasta de sementes é indicada como afrodisíaco e na proteção contra picadas de


insetos e em xarope contra faringite e bronquite. As sementes também são recomendadas
em casos de muco intestinal, sarampo e como emenagoga. (80) Aplicado como tinta
corporal, absorve a luz ultravioleta e repele mosquitos e moscas. A pasta de urucum filtra os
raios ultravioletas da luz do sol, protegendo a pele contra queimaduras excessivas. Os
extratos das sementes Bixa orellana apresentam atividade anti-Leishmania. (37,81,82)

A seiva da cápsula de urucum também foi usada para tratar diabetes mellitus tipo II e
infecções fúngicas. Foi tomada oralmente uma decocção de sementes maceradas para
aliviar a febre, e a polpa que envolve a semente feita em uma bebida adstringente usada
para tratar disenteria e infecção renal. (37)

Os extratos de raízes inteiras foram relatados como tendo atividade espasmolítica.


(83) A preparação de folhas e raízes tem sido usada no tratamento de diabetes, icterícia e
hipertensão. Este tratamento é utilizado em Trinidad e Tobago, também se utiliza para o

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tratamento de Leishmaniose e na mordedura de cobras como neutralizador do veneno de


cobra e de outros efeitos colaterais associados. (60,77)

Estudos revelaram que os extratos da B. orellana têm atividades anti-helmíntica,


anti-plaquetária, antiagregante e anti-protozoária. (10,84)

O urucum foi empregado pelos índios do Peru para fins medicinais para tratar a
insolação, amigdalite, queimaduras, lepra, pleurisia, apneia, desconforto retal, antisspético
vaginal e dores de cabeça. (37)

As sementes, sendo ligeiramente adstringentes e em decocção, eram um remédio


muito usado para tratar a gonorreia. No Uruguai, a polpa moída das sementes, se aplicado
imediatamente a queimaduras, servia para prevenir a formação de bolhas ou cicatrizes. A
polpa foi também prescrita para dor de estômago. Nas Filipinas, uma decocção da casca foi
utilizada em picos febris. Na Guiana Francesa, uma infusão foi prescrita como um purgativo
na disenteria. Foi tomada oralmente uma decocção de raiz para controlar a asma. Oligúria e
icterícia foram tratadas com chás de raiz; infusões de raiz em água e rum foram usados para
tratar doenças venéreas. (37)

12. Princípios terapêuticos


Para se avaliar as propriedades farmacológicas (neuro-farmacológicos, analgésica,
anti-convulsionante, antidiarreica e avaliação na motilidade gastrointestinal) e de toxicidade
de B. orellana, têm sido usados vários modelos animais, nomeadamente roedores. (85)

12.1. Teste de toxicidade aguda


Antes de se iniciar qualquer ensaio in vivo para determinar atividades biológicas são
geralmente efetuados ensaios de toxicidade.

Não existiu nenhum estudo que tivesse como objetivo avaliar a toxicidade aguda
(LD50) (Lethal Dose 50) de qualquer um dos extratos e não tem sido descrito nenhum estudo
de toxicidade a longo prazo. Os teores de alcaloides, saponinas e de glicósidos cardiotónicos
nos vários extratos de folha da B. orellana aparentam ser bastante baixos. (60)
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Passa-se a descrever um ensaio de toxicidade levado a cabo por Koster. [88] Ratos
albinos suíços com um peso de 20-25 g de ambos os sexos foram divididos em grupos de 6
no qual foram administradas diferentes doses de extrato bruto de B. orellana (62.5,
125,250, 500, 1000, 2000 e 4000 mg/kg (v.o.). No ensaio, o grupo de controlo teve como
veículo Tween 80 a 1% em água (v.o.). Ao fim de 24 horas, os sintomas e sinais gerais de
toxicidade foram observados, e ao fim deste período foram mortos. (85)

No final, os autores verificaram a ausência de efeitos letais ao fim das 24 horas após
a administração do extrato de folhas de B. orellana, em qualquer uma das doses que foram
usadas, mesmo com a dose mais elevada testada que foi de 4000 mg/kg. Por consequência,
não foi possível determinar a dose letal (Lethal Dose 50) do extrato para os ratos. As doses
de 125, 250 e 500 mg/kg de peso corporal foram os selecionados por vários autores para a
triagem farmacológica que se descreve a seguir. (85)

12.2. Avaliação do efeito de pentobarbitona na indução do sono


O teste hipnótico induzido por pentobarbitona foi utilizado seguindo o método
descrito por Ramirez. (86) Neste ensaio, os animais foram divididos ao acaso em 3 grupos:
controlo, controlo positivo e teste de grupo, sendo que cada um era constituído por 6 ratos.
Foi administrado no grupo de controlo o extrato bruto nas seguintes doses: 125, 250 e 500
mg/kg (v.o). No grupo de controlo positivo foi administrado diazepam 1 mg/kg (i.p.). Já o
grupo de controlo recebeu como veículo a 1% Tween 80 em água na dose de 10 ml/kg (v.o.).
Após trinta minutos e de forma a induzir o sono foi administrado em cada rato
pentobarbital a 50 mg/kg (i.p.). Os ratos foram observados durante o período de latência
(tempo entre a administração do pentobarbital e o início da sonolência), assim como a
duração do sono, ou seja, o tempo entre a perda e a recuperação do reflexo. (10,85)

Foi possível concluir que o extrato de folhas de Bixa orellana reduz expressivamente
o tempo de início do sono, relativamente ao controlo, com resultados estatisticamente
significativos (unicamente nos níveis de dose de 500 mg/kg). Averiguou-se também que o
extrato aumenta a duração do sono nos animais de teste, comparativamente com o
controlo com dados estatísticos significativos nos grupos com dose de 250 e 500 mg/kg. (85)

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12.3. Atividade neurofarmacológica


Num ensaio de hipnose com um extrato das folhas de Bixa orellana, após
administração de pentobarbitona reparou-se que com uma dose de 500 mg/kg do extrato
de B. orellana diminuía o tempo de início do sono e que com uma dose entre 250 e 500
mg/kg aumentava o tempo total de sono dos animais, por se verificar um decréscimo na
atividade locomotora. (10,34)

12.4. Avaliação da atividade anticonvulsiva


Foi administrado no grupo de controlo o veículo Tween 80 a 1% em água a dose de
10 ml/kg (v.o.), enquanto que no teste de grupo foram administrados extratos nas doses de
125, 250 e 500 mg/kg (v.o.). Esta administração ocorre 45 minutos antes da injeção de
estricnina (i.p) (2 mg/kg). Este teste de atividade anticonvulsivante foi baseada no método
escrito por Gupta. (87) Neste ensaio houve um aumento médio de sobrevivência dos
animais testados com 250 e 500 mg/kg. (60,85)

12.5. Avaliação da atividade analgésica


Tendo por base o método de Koster, foi efetuado um ensaio de contorção com
administração de ácido acético. (88) O extrato bruto de B. orellana com doses de 125, 250 e
500 mg/kg foi administrado via oral aos 6 ratos, 45 minutos antes da injeção (i.p) de ácido
acético a 0,6% (v/v) numa dose de 10 ml/kg, enquanto que o veículo 1% Tween 80 em água
foi utilizada como tratamento de controlo. No entanto, foi administrado no grupo de
controlo ácido acetilsalicílico, na dose de 100 mg/kg (v.o.). Posteriormente a um intervalo
de 5 minutos para a absorção adequada do ácido acético, foram observadas as contrações
específicas do corpo dos animais nos quais foram registadas durante 15 minutos. Em suma,
após a administração do extrato metanólico das folhas de B. orellana e através do teste de
contorção, os ratos mostraram um reflexo de contorção reduzido induzido pelo ácido
acético. (85)

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12.6. Avaliação da atividade antidiarreica


Neste ensaio, com base no procedimento descrito por Abdullahi, a atividade
diarreica foi induzida pelo óleo de rícino. (89) Os ratos foram divididos em 3 grupos:
controlo, controlo positivo e grupo teste (sendo cada grupo constituído por 6 ratos). No
entanto, o grupo de controlo recebeu como veículo Tween 80 a 1% em água numa dose de
10 ml/kg (v.o.). Foi administrado loperamida no grupo de controlo positivo numa dose de 3
mg/kg (v.o.). No grupo teste foi administrado o extrato bruto com doses de 125, 250 e 500
mg/kg v.o. Esta administração foi realizada 30 minutos antes da administração oral do óleo
de rícinio, tendo um efeito laxante após uma administração de 0,5 ml em cada rato. Cada
rato foi colocado numa gaiola individual. O chão da gaiola encontrava-se forrado com papel
e o mesmo era mudado de hora a hora. O número total de fezes diarreicas e não diarreicas
segregadas pelos animais foi registado num período de análise de 4 horas. Tendo em conta
a solidez das fezes foi feita a seguinte escala: fezes normais = 1; fezes semi-sólidas = 2; e
fezes aquosas = 3. (85) Nos ratos onde foi administrado extrato de folhas de B. orellana,
estes apresentaram um decréscimo significativo do número total de fezes. (85)

Num determinado ensaio clínico com doentes com hiperplasia benigna da próstata
(HBP), 2 dos 68 doentes sujeitos ao tratamento com B. orellana apresentaram obstipação.
(90)

12.7. Motilidade gastrointestinal


Foi adotado um método de forma a avaliar o efeito do extrato bruto de metanol em
relação ao sistema gastrointestinal dos ratos. Os animais teste estiveram sem alimento
durante 24 horas, tendo apenas acesso a água. Foram divididos em grupos de teste, grupo
de controlo, controlo positivo, sendo que cada grupo foi constituído por 6 ratos. Os grupos
de teste receberam extrato bruto nas doses de 125, 250 e 500 mg/kg (p.o.). O grupo de
controlo recebeu veículo Tween 80 a 1% em água numa dose de 10 ml/kg (p.o.). Já o grupo
de controlo positivo recebeu sulfato de atropina na dose de 0,1 mg/kg (i.p.). Passados 30
minutos, todos os ratos foram alimentados com 1 ml de farelo de carvão (3% de suspensão
de carvão vegetal em metilcelulose aquosa a 0,5%). No final, todos os ratos foram
sacrificados. Foi medido o comprimento do intestino (esfíncter pilórico ao ceco), e a
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distância percorrida pelo carvão. O movimento do carvão ao longo do intestino foi


apresentado na forma de percentagem. Verificou-se que as folhas de B. orellana reduziram
a motilidade intestinal estatisticamente significativa para a concentração 500 mg/kg de
extrato bruto de B. orellana. (85)

12.8. Atividade antimicrobiana


Tendo como base estudos in vitro, e utilizando várias partes da planta, foi possível
reparar que a B. orellana apresentou características antibacterianas. (26,85,91)

No ensaio realizado, ainda in vitro, foi possível observar-se que vários extratos do
urucum apresentaram um comportamento inibitório face às seguintes bactérias: Clostridium
perfringens, Lactococcus lactis, Streptococcus thermophilus, Bacillus cereus, Lactobacillus
casei subsp. casei, Paenibacillus polymyxa, Listeria monocytogenes e Enterococcus durans.
(91)

Outros estudos revelaram que extratos de folhas de B. orellana também


apresentavam atividade antifúngica para além de atividade antibacteriana. Verificou-se que
os primeiros estudos demonstraram que um extrato etanólico apresentou atividade
antimicrobiana contra espécies de Bacillus, Pseudomonas aeruginosa, Staphylococcus
aureus e Streptococcus faecalis (Gram-positivo), existindo uma menor atividade contra
Escherichia coli (Gram-negativo), e os fungos Candida albicans e Aspergillus niger.
(26,92,93,101)

Mais recentemente, foi mostrado que os extractos hidroalcoólicos liofilizados das


folhas da B. orellana exibiram uma actividade inibidora relevante contra P. aeruginosa e
Proteus mirabilis, com atividade intermédia contra Bacillus cereus e S. aureus, e menor
atividade contra Salmonella typhimurium. O extrato demonstrou pouca atividade contra
Mycobacterium tuberculosis. (94)

Um extrato aquoso de folhas de B. orellana mostrou ter boa atividade


antimicrobiana contra as espécies Streptococcus e Shigella dysenteriae. Exibiu uma atividade
modesta contra E. coli. (95)

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Extratos metanólicos de folhas de Bixa orellana exibiram uma atividade inibidora


considerável contra uma diversidade de fungos e bactérias, sendo que a atividade mais
acentuada foi contra Salmonela typhi, espécies Acinetobacter, Trichophyton rubrum e
Tricophyton mentagrophytes. (96) As atividades antimicrobianas de extratos alcoólicos de B.
orellana determinaram uma atividade inibidora contra Bacillus cereus e P. aeruginosa. (97)

12.9. Atividade anti-inflamatória


Foi estudado o efeito anti-inflamatório de um extrato aquoso de folhas de Bixa
orellana. (98) No estudo, a inflamação foi induzida em ratos (patas) através da
administração de carragenina (polissacarídeos obtidos a partir de extratos de algas
marinhas), histamina, serotonina e bradicinina, reações estas que foram inibidas pela
administração oral de 50 mg/kg e 150 mg/kg de extrato de folha de B. orellana aos 30 min
após-indução de bradicinina. A inibição significativa da inflamação crónica foi também
verificada pela administração oral diária de 150 mg/kg do extrato da folha de B. orellana.
Com um extrato aquoso liofilizado extraído das folhas de B. orellana é possível inibir a
inflamação criada pela administração de bradicinina, que foi confirmada por Keong. (99)

Os indicadores de existência de inflamação foram um edema induzida pela


bradicinina na pata do rato e a permeabilidade vascular peritoneal. A administração do
extrato da folha de B. orellana nas concentraçõese 50 mg/kg e 150 mg/kg suprimiu de
forma significativa os marcadores inflamatórios. O extrato de B. orellana diminuiu a
produção de monóxido de azoto, indiciando que o efeito anti-inflamatório pode estar
associado a uma redução nas espécies reativas de oxigénio. (99)

12.10. Anti-ulceroso
Na avaliação da capacidade anti-ulcerosa de B. orellana, os autores usaram 64 ratos
Wistar. Após a úlcera ter sido provocada, nos 3 dias posteriores, aos animais foi-lhes
administrado meperidina (2mg/kg) por uma injeção na cavidade peritoneal de forma a
reduzir a dor e tornar mais fácil a sua nutrição. (3)

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Os ratos foram divididos de forma aleatória em 8 grupos, nos quais 4 grupos foram
tratados através uma solução bixina e outros 4 foram tratados com a solução salina. (76)

Os animais foram mortos em períodos de 2, 7, 14 e 21 dias após o início do


tratamento, quatro grupos são grupos controlo aos quais foram feitas aplicações tópicas de
solução de DMSO numa dose (50 µL), por minuto em todas as áreas lesionadas, apenas uma
vez por dia, sempre ao mesmo tempo. Os outros quatro grupos experimentais receberam
administrações tópicas diárias de solução de bixina (bixina foi diluída em dimetilsulfóxido
com uma concentração de 3mg/mL) e DMSO numa dose (50 µL) por minuto em todas as
áreas lesadas. Os ratos de cada grupo (grupo de controlo e grupo experimental) foram
sujeitos ao protocolo de overdose com tiopental sódico, através de uma injeção
intraperitoneal, nos intervalos de tempo mencionados anteriormente. Os animais foram
mortos e os tecidos estudados. Os tecidos foram corados com eosina/hematoxilina e
vermelho de picro-sirius. (100)

No dia 2 de tratamento no grupo de controlo, foi observada uma área de úlcera


coberta por uma membrana purulenta de fibrina. O tecido de granulação pode ser
identificado numa porção profunda da úlcera que apresentava uma inflamação intensiva
com predomínio de neutrófilos, edema grave e vasos sanguíneos. O grupo experimental
mostrou um número menor de neutrófilos. (100)

Nestas análises histológicas, puderam ser observados fibroblastos, reepitelização e a


contração da ferida, bem como a quantificação de plasmócitos, neutrófilos, macrófagos,
colágeno maduro e imaturo e linfócitos. (100)

No dia 7, foi observada a presença de ulceração coberta por uma fibrina membrana
purulenta, no entanto, não está na sua completa reepitelização da lesão. No tecido de
granulação, pode ser observada a redução do número de neutrófilos e a presença de
macrófagos, linfócitos e células plasmáticas, aumentando deste modo o número de vasos
sanguíneos e a proliferação de fibroblastos quando comparado ao grupo de controlo no dia.
As fibras de colagénio eram escassas e desorganizadas, e apresentaram um aspeto não
homogéneo. No grupo experimental, todos os casos apresentaram reepitelização, com uma
redução na área da lesão e foi identificado uma ligeira inflamação crónica.

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Contudo, foi encontrada uma maior quantidade de fibroblastos com uma maior
deposição de fibras de colagénio. (100)

Foi observada em todos os períodos uma diminuição no número médio de


neutrófilos no grupo experimental, em relação ao grupo controlo. Em dois dias, o total da
área de colagénio era maior no grupo experimental, do que no grupo controlo. A deposição
de colagénio maduro, no 14º dia, foi maior no grupo experimental do que no grupo
controlo. (100)

No dia 14 de tratamento, o epitélio tinha sido completamente restabelecido em


ambos os grupos. No grupo de controlo, o tecido conjuntivo subjacente à área ulcerada
ainda apresentava um estado crónico de inflamação, com dispersão de células
mononucleares e presença de fibroblastos, apresentando fibras de colagénio
desorganizadas e vasos sanguíneos. No grupo experimental, a organização do colagénio foi
mais evidente, com fibras mais espessas e coesas, mostrando uma melhor organização
quando comparado ao grupo controlo. Foi observada novamente, uma pequena área de
lesão.

Após 21 dias de tratamento, as características histológicas provaram ser bastante


semelhantes comparativamente ao grupo experimental e para o grupo controlo. A
reepitelização foi completa. (100)

Os resultados obtidos neste estudo indicam que a solução de bixina elimina a


inflamação aguda e acelera a reepitelização, contração da ferida e maturação do colagénio.
Em suma, esta solução de B. orellana é importante para o tratamento de úlceras, uma vez
que demonstrou uma boa resposta face a estes aspetos. (100)

Uma vez que existiu uma redução de neutrófilos presentes no grupo experimental,
após os resultados obtidos neste estudo é possível entender a necessidade de estudos
adicionais relativamente às ações da bixina na modulação de neutrófilos. (100)

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12.11. Cancro da próstata


Foi conduzido um ensaio clínico de 12 meses em dupla ocultação, randomizado,
verificado por placebo onde foi administrada uma preparação de folhas liofilizadas da B.
orellana a homens com sintomas do trato urinário menores. Os grupos placebo e tratados
incluíam 68 participantes. Os sujeitos tratados consumiam 250 mg cápsula do pó de folha,
três vezes ao dia. Não foram constatadas diferenças no que diz respeito à melhoria clínica
entre os grupos tratados e placebo, e a proporção de efeitos adversos foi idêntica. (90)

A falta de efeito pode ter várias causas. Foi utilizada uma dose consideravelmente
baixa de constituintes ativos, e foi utilizada uma folha inteira em pó. Estudos de animais
mostraram que doses de extratos superiores a 3000 mg de dose humana ou equivalente
produzem efeitos farmacológicos. Sensivelmente apenas 30% do material vegetal é
constituído pelos princípios ativos, indicando que a dose diária utilizada neste estudo foi
equivalente a cerca de 250 mg, uma dose que pode ter sido demasiado baixa para o efeito
pretendido. (37,90)

12.12. Atividade antioxidante


A atividade antioxidante e anti-radicalar dos extratos das folhas de B. orellana
também foram estudadas por diversos grupos de investigadores que demonstraram que os
extratos etanólicos de folhas da B. orellana apresentaram uma atividade antioxidante
considerável baseada em cinco sistemas de ensaio diferentes. Foi descoberto que os
extratos etanólicos de B. orellana preveniam e diminuíam a peroxidação de lípidos induzida
por radicais livres, aumentavam a atividade da catalase, mas reduziam os níveis séricos de
glutationa em ratos tratados com tetracloreto de carbono. (95,97,101)

Um extrato metanólico de folhas da Bixa orellana foi utilizado de forma a fornecer


hepatoproteção ao tetracloreto de carbono administrado a ratos. Uma dose na quantidade
de 500 mg/kg de peso corporal, do extrato, quando administrado três vezes por dia
diminuiu os níveis da alanina aminotransferase (ALT), aspartato aminotransferase (AST) e
colesterol em 52%, 57% e 53%, respetivamente, induzida pelo tetracloreto de carbono.

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Estes resultados foram suportados por análise histopatológica dos tecidos hepáticos.
(60,102)

12.13. Atividade hipoglicémico


O urucum reduz a glicose plasmática dos cães e dos ratos onde foram feitos estudos,
bem como dos níveis de LDL (lipoproteína de baixa densidade), o colesterol total, eleva o
HDL (colesterol de alta densidade), indicando então um efeito hipocolesterolémico. (103–
105)

Quando administrado 15 minutos antes da carga de glicose, o extrato metanólico


produziu uma redução de cerca de 19% nos níveis de glicose plasmático. Um extrato aquoso
da B. orellana foi administrado aos ratos 45 minutos antes de uma dose de glicose ser
administrada e verificou-se uma diminuição dos níveis de glicose em cerca de 30%. A
dosagem foi de 520 mg/kg. Num estudo in vitro, um extrato metanólico de folhas da B.
orellana apresentou atividade inibidora da atividade da α-amilase, ação esta que retardaria
a absorção de glicose no trato gastrointestinal. (99,106)

12.14. Atividade diurética


Para avaliar a atividade diurética in vivo de B. orellana, foram utilizados ratos Wistar
que foram divididos em 8 grupos de 6 elementos. Todos os animais ficaram sem comida e
água 16 horas antes da experiência. Antes da administração oral de drogas para ensaio, em
cada animal foi-lhes administrada uma quantidade de 25 ml/kg de soro fisiológico. Entre os
8 grupos de animais, o 1º grupo recebeu o óleo de amendoim como controlo e o veículo
para os extratos e o 2º grupo recebeu a furosemida 20 mg/kg. Cada extrato foi analisado em
duas concentrações distintas. Desde o 3º grupo até ao 8º grupo, foram administrados
extratos metanólicos (250 e 500 mg/kg), extratos obtidos com éter de petróleo (250 e 500
mg/kg) e um extrato aquoso (250 e 500 mg/kg). Os ratos usados eram saudáveis, dos dois
sexos, aproximadamente com a mesma idade e pesando cerca de 150-180 g. Foram
alimentados com a dieta Chow (padrão) e água (ad libitum). Os animais foram acomodados
em gaiolas de polipropileno preservadas em condições de ambiente padrão, ou seja, 12

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horas de luz e 12 horas em ciclo escuro, 25 ± 3 º c e 35-60% de humidade relativa. Os


resultados alcançados demonstraram que o extrato metanólico revelou uma atividade
diurética notável com uma quantidade de 500 mg/kg, aumentando deste modo o volume
total de urina, assim como os níveis de sódio, cloreto e potássio. (107)

13. Precauções/Contra-indicações/Efeitos adversos


A Tabela 4 compila as contra-indicações e efeitos adversos de B. orellana.

Tabela 4 - Contra-indicações/ Efeitos adversos

• Evitar a utilização de sementes da Bixa orellana, constituintes de Bixa orellana, ou


de qualquer membro da família Bixaceae, em indivíduos alérgicos ou hipersensíveis
aos constituintes da planta. O corante do urucum pode conter proteínas das
sementes contaminantes ou residuais, às quais o doente pode ter desenvolvido
hipersensibilidade (IgE). Este corante é uma causa rara de anafilaxia. (108,109)

• Num caso que foi conhecido, urucum provocou anafilaxia com alguns sintomas, dos
quais: urticária, angioedema, e hipotensão severa. Todos estes sintomas surgiram
após 20 min da ingestão de leite e fibras de cereal, que continham o corante
urucum. (108)

De acordo com a opinião de um especialista, o urucum pode ser classificado como


sendo pouco alérgico, tendo em conta o seu longo uso principalmente como um
aditivo alimentar. (109,110)

• Existe um relato de um homem de 58 anos que experimentou anafilaxia após a


ingestão de urucum num produto de queijo. Após o sucedido o mesmo sofreu
quatro episódios de anafilaxia severa com urticária e angioedema. (111)

• Dermatológico: Existem relatos de casos de reações adversas associadas à utilização


do corante do urucum em produtos alimentícios: urticária e angioedema, e em
alguns casos também eczema. (108,111)

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• Cardiovascular: O urucum traz benefícios ao nível cardiovascular, uma vez que baixa
a pressão arterial. Relatos de efeitos adversos associados ao corante do urucum,
incluíram hipotensão grave e angioedema. (108)

• Endócrino: Tendo por base os estudos em animais, o urucum pode influenciar os


níveis glicémicos e de insulina. (103,112) Em alguns casos foram relatados, após o
uso de pigmentos de urucum, casos de hiperinsulinemia.

• Hepática: Num ensaio realizado em cães, a administração do urucum induziu


hiperglicemia, ao mesmo tempo que provocou danos nas mitocôndrias, no retículo
endoplasmático, e maioritariamente no fígado e no pâncreas. (113)

• Gastrintestinal: Num ensaio clínico, 68 pacientes com HBP e com sintomas


moderados do trato urinário inferior, quando usaram a Bixa orellana queixaram-se
de obstipação. (90)

• Utilizado de forma cuidadosa em doentes nos quais foram administrados agentes


mutagénicos, como é o caso da ciclofosfamida. O urucum não tem atividade
mutagénica nem inibidora de mutações induzidas, no entanto deve ser utilizado
com precaução, pois altas doses podem aumentar o efeito de um mutagénico. (114)

• Utilizar cuidadosamente em doentes que utilizem substratos do citocromo P450 1A


ou 2B, uma vez que, em estudos em in vitro e em animais, o urucum induziu estas
isoenzimas. (116)

• O urucum, pode potencializar os efeitos dos medicamentos anti-hipertensivos. (10)

• O urucum pode ter efeitos diuréticos, podendo aumentar o risco de desequilíbrio


eletrolítico. (103)

• Usar de forma cuidadosa em doentes com historial de obstipação ou os que


recorram a laxante. Tendo por base o estudo feito em animais, urucum pode ter
uma atividade antidiarreica e contrariar esses efeitos. (85)

• Utilizar com precaução em doentes com diabetes, ou que utilizem agentes


antidiabéticos, uma vez que, estudos em animais, demonstraram que o urucum
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pode alterar os níveis de glicose e insulina. (103,104)

• Utilizar cuidadosamente em doentes que utilizem medicamentos administrados por


via oral, pois um extrato metanólico de folhas de Bixa orellana reduziu a motilidade
gastrointestinal em animais, podendo alterar a absorção de medicamentos
administrados concomitantemente. (85)

• Evitar a utilização em mulheres grávidas ou a amamentar e em crianças com doses


superiores às normalmente encontradas em alimentos. Existem dados clínicos
humanos insuficientes para sustentar a sua segurança neste momento, embora
estudos em animais, nomeadamente em ratos sugiram que o urucum não é tóxico
para a mãe nem para o embrião. (73)

• Utilizar cuidadosamente em pacientes que usem depressores do SNC, pois, com


base em estudos com animais, um extrato metanólico de folhas de B. orellana
exerceu efeitos sedativos. (85)

O uso de B. orellana durante a gravidez e durante lactação não foi aprofundado em


ensaios clínicos. No entanto, a Bixa orellana é considerada segura quando usada oralmente
em quantidades, como as encontradas nos alimentos, devido à sua longa história de uso
como aditivo alimentar. A utilização de quantidades medicinais de urucum durante a
gravidez e durante lactação não é recomendada, uma vez que existe escassez de dados
disponíveis.

Tendo por base os estudos em animais, doses de até 500 mg/kg de peso corporal
administradas por gavagem durante 7 dias não tiveram efeitos adversos em mães ou em
fetos. Não foi observado nenhum aumento na letalidade do embrião ou redução do peso
corporal fetal em ratos expostos ao urucum. O urucum não causou um aumento na
incidência de anomalias visíveis externamente, viscerais ou esqueléticas. Esses resultados
sugerem que o urucum é seguro tanto para a mãe quanto para o embrião. Em suma, o
NOAEL para toxicidade materna e para o desenvolvimento induzido pelo urucum foi igual ou
superior a 500 mg/kg de peso corporal por dia (ou 140 mg de bixina/kg de peso corporal por
dia) por via oral. (73)
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14. Papel do farmacêutico


Ser farmacêutico é ser polivalente, ou seja, é uma profissão que pode ter vários tipos
de funções: farmácia comunitária, farmácia hospitalar, indústria farmacêutica, análises
clínicas ou dedicar-se à investigação. Assim, o farmacêutico pode ter um papel fundamental
no que diz respeito à pesquisa sobre a Bixa orellana L., uma vez que pode desenvolver os
seus conhecimentos sobre os seus constituintes, nomeadamente se estão presentes ou se
as quantidades são suficientes para exercer efeitos fisiológicos e farmacológicos. O
farmacêutico pode desempenhar um papel crucial, tanto no desenvolvimento da aplicação
como corante para a utilização em várias áreas, como nos alimentos a nível do
desenvolvimento na indústria alimentar, analisar que tipo de toxicidade tem o corante,
assim como a quantidade máxima em que pode ser utilizado e em que produtos pode ser
aplicado. Relativamente à aplicação em cosméticos, os farmacêuticos têm um papel muito
importante no desenvolvimento dos mesmos, podendo através do urucum, com pesquisas e
análises experimentais mais profundas desenvolver novas aplicações. Porém, através do
urucum já foram desenvolvidas várias aplicações: batons vermelhos, spray para
bronzeamento, entre outras. O farmacêutico tem o papel de garantir a qualidade e dosagem
do produto definidas pela norma da EU, desenvolvendo deste modo controlo de qualidade.

Contudo, um farmacêutico que trabalhe no âmbito da investigação tem um papel


essencial, pois pode desenvolver técnicas e experiências quer in vitro quer in vivo de modo a
procurar novas atividades biológicas ou aprofundar as que têm sido relatadas até à data,
confirmando ou não tais atributos. A investigação pode ainda levar ao conhecimento dos
mecanismos moleculares envolvidos nas propriedades biológicas encontradas, bem como,
ainda detetar possíveis interações medicamentosas, efeitos terapêuticos, toxicidade aguda
(LD50) e realizar um estudo de toxicidade a longo prazo. Não é um desenvolvimento fácil,
porém possível, no entanto, o farmacêutico coadjuva numa área muito ampla como referido
anteriormente, podendo assim desenvolver novas aplicações terapêuticas, explorar as
interações medicamentosas, mecanismos de ação das mesmas e fontes de potencial de
novos fármacos. O urucum apresenta um grande potencial não só para a indústria
alimentar, cosmética como também a para a indústria farmacêutica.

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15. Conclusão
Esta monografia possibilita aumentar o conhecimento sobre Bixa orellana, uma vez
que em Portugal não é uma planta muito conhecida.
Os corantes da bixina e norbixina têm várias aplicações tecnológicas. Estas aplicações
podem ser como corante, pelas indústrias alimentares, indústria farmacêutica, têxtis e de
cosmética. No entanto, na indústria alimentar poderá ser utilizado como um antioxidante
natural, proporcionando uma alternativa, como já foi referida anteriormente, de substituir e
minimizar o uso de aditivos sintéticos. Contudo, nesta tese foi importante destacar que este
tipo de corante na União Europeia tem algumas aplicações específicas dependendo de país
para país. Uma das restrições na EU é o uso do corante como uma especiaria.
Estudos in vivo usando extratos de Bixa orellana compilados na presente monografia
permitiu concluir que os mesmos têm diversas atividades biológicas: analgésico, atividade
anticonvulsiva, atividade antidiarreica, efeito antimicrobiano, atividade anti-inflamatória,
anti-úlcera, atividade antioxidante, atividade hipoglicémico, entre outras, que parecem
confirmar a utilização da planta pelos indígenas desde há séculos.
Embora a exploração comercial do urucum esteja bem estabelecida, existem poucos
estudos relativamente aos seus efeitos farmacológicos. Considerando a necessidade de
desenvolver um produto seguro e eficaz, devem ser realizados mais estudos de forma a
confirmar outras atividades biológicas apoiadas pelos usos populares da Bixa orellana. Ainda
que presentes na medicina popular durante muitos anos, foram conduzidos poucos estudos,
bem controlados, relativamente a animais e seres humanos. Em relação a estes estudos
(animais e seres humanos) existem necessidades de segurança adicionais. São necessários
também um maior número de detalhes químicos, de forma a que as relações entre a
composição química e as ações fisiológicas e farmacológicas possam ser mais conhecidas,
como mais estudos para identificar e quantificar todos os efeitos dos compostos presentes
na planta e determinar a sua toxicidade.

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