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Conexidade por Caminhos em Espaços Topológicos

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28.

Espaços conexos por caminhos


28.1. Definição. Um espaço topológico X é dito conexo por caminhos se
dados a, b ∈ X, existe uma função contı́nua f : [0, 1] → X tal que f (0) = a e
f (1) = b. Diremos que f é um caminho em X entre a e b.
28.2. Proposição. Cada espaço conexo por caminhos é conexo.
Demonstração. Seja X um espaço conexo por caminhos. Suponhamos que
existam dois abertos disjuntos não vazios A e B tais que X = A ∪ B. Sejam
a ∈ A e b ∈ B, e seja f : [0, 1] → X um caminho em X entre a e b. Segue que

[0, 1] = f −1 (A) ∪ f −1 B,

e [0, 1] não seria conexo.


28.3. Exemplos.
(a) Rn é conexo por caminhos. De fato, dados a, b ∈ Rn , seja f : [0, 1] → Rn
definida por f (t) = (1 − t)a + tb.
(b) R2 \ E é conexo por caminhos para cada conjunto enumerável E ⊂ R2 .
De fato, para cada a ∈ R2 \ E, existe uma famı́lia não enumerável de retas em
R2 \ E que passam por a. Dai, dados a, b ∈ R2 \ E, existem duas retas L1 e
L2 em R2 \ E que passam por a e b, respectivamente, e que tem interseção não
vazia. Essa retas fornecem um caminho em R2 \ E entre a e b.
(c) Se n ≥ 2, então Rn \ E é conexo por caminhos para cada conjunto
enumerável E ⊂ Rn . De fato, dados a, b ∈ Rn \ E, seja S um subespaço
vetorial de Rn de dimensão 2 que contém a e b. Segue de (b) que existe um
caminho em S ∩ (Rn \ E) = S \ (S ∩ E) entre a e b.
28.4. Definição. Seja X um espaço topológico, seja f : [0, 1] → X um
caminho entre a e b, e seja g : [0, 1] → X um caminho entre b e c. Seja
f ∗ g : [0, 1] → X o caminho entre a e c definido por
1
(f ∗ g)(t) = f (2t) (0 ≤ t ≤ ),
2
1
(f ∗ g)(t) = g(2t − 1) ≤ t ≤ 1).
(
2
28.5. Definição. Um espaço topológico X é dito localmente conexo por
caminhos se cada x ∈ X admite uma base de vizinhanças abertas e conexas por
caminhos.
28.6. Proposição. Se X é conexo e localmente conexo por caminhos, então
X é conexo por caminhos.
Demonstração. Seja a ∈ X, e seja S o conjunto dos x ∈ X tais que existe
um caminho em X entre a e x. Claramente a ∈ S. Para provar que S = X,
basta provar que S é aberto e fechado.

93
Para provar que S é aberto, seja b ∈ S, e seja U uma vizinhança aberta de b
que é conexa por caminhos. Seja f um caminho em X entre a e b, e seja g um
caminho em X entre b e c ∈ U . Então f ∗ g é um caminho em X entre a e c, e
portanto U ⊂ S. Logo S é aberto.
Para provar que S é fechado, seja c ∈ S, e seja U uma vizinhança aberta de
c que é conexa por caminhos. Seja b ∈ U ∩ S, seja f um caminho em X entre
a e b, e seja g um caminho em X entre b e c. Então f ∗ g é um caminho em X
entre a e c, e portanto c ∈ S. Logo S é fechado.

Exercı́cios
28.A. Um conjunto S ⊂ Rn é dito convexo se (1 − t)a + tb ∈ S para todo
a, b ∈ S e t ∈ [0, 1]. Prove que cada conjunto convexo em Rn é conexo por
caminhos.
28.B. Prove que a imagem contı́nua de um espaço conexo por caminhos é
conexo por caminhos.
28.C. Seja {Xi : i ∈ I} uma famı́lia
Q não vazia de espaços topológicos não
vazios. Prove que o produto X = i∈I Xi é conexo por caminhos se e só se
cada Xi é conexo por caminhos.
28.D. (a) Prove que S 1 é conexo por caminhos.
(b) Prove que S n é conexo por caminhos para cada n ∈ N.
28.E. Prove que os espaços R e Rn não são homeomorfos se n ≥ 2.
28.F. Prove que os espaços [0, 1] e S 1 não são homeomorfos.
28.G. Prove que os espaços S 1 e S n não são homeomorfos se n ≥ 2.
28.H. Prove que cada subconjunto aberto e conexo de Rn é conexo por
caminhos.
28.I. Consideremos os conjuntos

S = {(x, y) ∈ R2 : 0 < x ≤ 1, y = sen(1/x)},

T = S ∪ {(0, y) : −1 ≤ y ≤ 1}.
(a) Prove que S é conexo.
(b) Prove que T é conexo.
(c) Prove que S é conexo por caminhos.
(d) Prove que T não é conexo por caminhos.
Sugestão: Para provar (d) suponha que f = (f1 , f2 ) : [0, 1] → T seja um
caminho em T entre (0, 0) e (1/π, 0). Prove que f1 toma todos os valores 1/nπ,
com n ∈ N. A seguir prove que, em cada vizinhança de 0 em [0, 1] f2 toma os
valores 1 e −1. Conclua que f2 não é contı́nua em 0.

94
28.J. Seja X um espaço topológico, e sejam f , g e h caminhos em X entre
a e b, entre b e c, e entre c e d, respectivamente.
(a) Prove que
1
[(f ∗ g) ∗ h](t) = f (4t) (0 ≤ t ≤ ),
4
1 1
[(f ∗ g) ∗ h](t) = g(4t − 1) ( ≤ t ≤ ),
4 2
1
[(f ∗ g) ∗ h](t) = h(2t − 1) ( ≤ t ≤ 1).
2
(b) Prove que
1
[f ∗ (g ∗ h)](t) = f (2t) (0 ≤ t ≤ ),
2
1 3
[f ∗ (g ∗ h)](t) = g(4t − 2) ( ≤ t ≤ ),
2 4
3
[f ∗ (g ∗ h)](t) = h(4t − 3) ( ≤ t ≤ 1).
4

95

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