DevoraDevoraDevoraDevora
Nota para o Mestre: eu me baseei em 4 creepypastas como a Casa sem Fim, A Gula, O
Devorador e O Karma. Caso queria ouvir, vou deixar lá no fim do arquivo links do canal
que eu conheci esses contos.
Um dia normal de setembro, me mudei para esse novo apartamento numa cidade
grande. Sabe, não sou muito acostumado a todo esse movimento para lá e para cá,
tem sido um pouco difícil se acostumar, mas a comunidade do prédio é bem
acolhedora devo dizer, quieta e até bem unida. Talvez isso tenha me ajudado a me
sentir em casa, como era no interior.
Os funcionários davam uma ideia de segurança, de noite ou de dia, você era capaz de
ouvi-los fora do prédio, lhe deixando claro que você está seguro e podia dormir bem,
sem questionar a veracidade do fato. Que nem o velho porteiro, ah... Dei sorte de ser o
do tipo que lhe dá bom dia sempre, sorri para quem passa e exala o ar de
responsabilidade e experiência, chega me impressiona: “Como é que um cara tão
gente boa ainda está nesse lugar? Ele podia estar trabalhando em outros
apartamentos melhores...”.
Todos nessa cidade o conheciam bem, era estranho, pois mesmo depois de alguns
meses nessa cidade, e por maior que seja, não consegui achar ninguém novo. C o m o
s e e u f o s s e o ú n i c o i m i g r a n t e d a c i d a d e. Não me importei nem um
pouco, como vim de uma cidade pequena, eu sempre procurei cuidar da minha própria
vida.
Mas era um pensamento que impregnava na minha mente, como se a minha própria
vida quisesse que eu descobrisse o porquê, ou que temesse o fato. Até que um dia
chegou uma nova pessoa no prédio, era gordo, foi a primeira coisa que se dava para
reparar, querendo ou não, não parecia bem-humorado, usava óculos escuros, como se
procurasse esconder o rosto. Até o próprio porteiro mudou sua face, o tom da voz era
preocupado, o encarava como se procurava ler o que se passava naquela mente. Pela
primeira vez senti medo de alguém nessa cidade E não acabou por ali, seu quarto era
simplesmente a minha frente, todas as noites eu lhe ouvia, barulhos de carne, pingos,
até alguns gritos abafados. Tem sido um terror completo, sempre de noite, a
penumbra, e que quando tive a coragem para tentar chamar a sua atenção, vi que ele
saia de casa com uma maleta, grande, talvez capaz de caber uma pessoa média ali, e
era sempre as 2 da manhã toda quarta.
Depois de 24 dias, numa manhã acordo com o noticiário, e sim, após a chegada
daquele homem, não consigo dormir sem a TV ligada, mas nesse noticiário havia algo
hipnotizante, como se estava prestes a me contar o sentido da vida, porém eu temia
isso. Foi então que era sobre o assassinato de um casal, ambos foram encontrados
decapitados e com seus órgãos removidos, deixados apenas como cascas vazias do que
antes havia uma alma. “Será? Será que eu que isso pode estar realmente
acontecendo? E-e se for o cara do meu lado...?!” tais pensamentos passam rápido em
minha mente, me amedrontando, como se uma respiração gélida, desconhecida, havia
assoprado em meu calcanhar.
Eu desligo a TV, me sentindo tanto aliviado como arrependido... Como se eu deveria
ter continuado a ouvir aquela noticia, que nela estaria alguma chave para alguma
fechadura. Mas agora, os barulhos que saiam daquele quarto pareciam mais altos,
mais convidativos, como se eu deveria entrar naquele quarto a todo custo, o barulho
da TV já não é mais o suficiente para abafar isso, felizmente ganho a luta e resisto a
tentação, a tentação de querer mais, de buscar mais sobre o que estava acontecendo e
consigo dormir.
Quando acordo, não consigo me mexer, era claramente de madrugada, mas, eu não
conseguia me mexer, estava paralisado, paralisado de um medo incondicional, meus
olhos se remexem nas órbitas, tentando fisgar algo invisível, porém é quando vejo... ah
deus, uma figura branca, esquelética, com a caixa torácica funcionando de tentáculos
segurando a batente da porta, como se a qualquer momento fosse pular dali, não
tinha braços nem pernas, não havia olhos nem língua e dentes em sua boca. Mesmo
sem olhos, eu a vi olhando em minha alma, quieta.
Em segundos que pareciam dias, ela abre a sua boca, apenas para sussurrar: “desejas
sobreviver? Desejas se alimentar do conhecimento que não lhe necessitas? Desejas
seguir contra a própria vontade de seu corpo e consumi-lo? Deixe-te o fruto do
conhecimento sob o teto do verticalizador de seus pés, diga-te o nome daquele que
não se chama, aquele qual sua alma já teme desde a eternidade, diga-te que não
estais pronto, a não ser que se prove-lhe o contrário, invoque o devora-“
Eu acordo num pulo... Era apenas um sonho... Talvez todo esse stress tem me deixado
paranoico até em meus sonhos, e reparo naquele mesmo comercial de que falava do
assassinato, há, quem podia imaginar, era coisa da minha cabeça também, era o
mesmo dia porém não falou dos malditos corpos.
Entretanto olho para de baixo da minha cama, era de dia, porém, a sua sombra lhe
conferia o aspecto de abismo, pedindo para ser preenchido. Eu desvio o olhar
novamente e me sinto confiante em descobrir o que raios rolava lá, ainda mais que ele
não saia mais de seu apartamento por vários dias, não custava investigar se ele ainda
estava no apartamento, ou se havia o abandonado. Já estava decidido, eu entraria a
noite ou apenas passaria na frente.
Já era de noite, e me deparei estando de frente com a porta, apenas para ver que
estava entre aberta, começo a escutar aqueles barulhos, carne, pingos e gritos
abafados. Recuo, mas o convite era forte demais, eu precisava saciar à vontade, a
vontade de descobrir o que acontecia. Eu abro a porte, extremamente relutante,
reparo na escuridão total do apartamento, apenas conseguindo ver uma pequena
quantidade de luz saindo do quarto. Em passos leves percebo a grande coleção de
filmes de terror, e isso me deixa mais calmo, talvez era só ele vendo filmes, o que
explicaria o por que o porteiro nunca veio aqui, em sua maleta? Huh, apenas um violão
simples. Me parece que era só paranoia mesmo, então mais confiante, vou no último
quarto, eu apenas iria dar uma espiada, nada mais.
....
deus, porque, o homem estava deitado, sem as pernas, diversas partes de seu corpo
haviam sido devoradas, o cheiro de carne podre e sangue era nauseante, e o pior, ele
estava vivo, apenas com um pedaço de peno em sua boca, abafando os gritos de
socorro sempre em que acordava, parecia que tinha perdido o senso de tempo e vida,
apenas com o seu corpo buscando sobreviver de qualquer forma.
“Bom dia meu senhor, o que faz aqui? Aaah, não precisa responder, me parece que
você estava pronto”
....
*leia em voz pedindo arrego*
porque, por que logo ele.
aquele velho, agora em minha frente, iluminado apenas pela tv fora do ar, em um
chuvisco eterno, e que oh deus, seu uniforme era a sua pele, e conforme meu
desespero e medo crescia, ele se deformava, sua boca se abria... sua barriga se cortava
ao meio mostrando os restos daquele homem, todos confinados por uma espessa
camada de pele e ossos, porém se abrindo como uma aranha... eu estava paralisado,
apenas com os meus olhos testemunhando el-, a-a-aquilo...
“sabe, fico feliz de que tenha ouvido até o finalzinho, isso me ajuda com o trabalho,
não posso simplesmente aparecer diante de você... EU QUERIA BRINCAR UM POUCO
COM VOCÊ, VER O QUÃO LONGE A SUA CURIOSIDADE QUERIA IR PARA SE SACIAR,
COMO A CADA VEZ QUE VOCÊ PENSAVA NESSE POBRE HOMEM VOCÊ SENTIA MEDO,
SENTIA MEDO DO SEU PRÓPRIO IRMÃO, UM MEDO QUE VINHA DO SEU
JULGAMENTO SEM PROVAS.
HAHAHAHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAH
AHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHAHAHahahahahaha................................................
...................................”
(sussurrando) “deixe me te contar 3 coisas... você não vai morrer agora, não tem
graça ganhar um brinquedo e estraga-lo no primeiro dia. O demônio não é aquele se
apresenta com chifres e com cabeça de animais, mas em uma figura que lhe conforta.
Por último, você ainda vai sair um pouquinho, vá conhecer novas pessoas e diga a elas
que, quando você contar sobre mim, quando você contar sobre aquelas palavras, elas
podem até não me reconhecer, mas eu, as reconhecerei, e estarei esperando pelas
respostas delas, queira elas ou não, afinal, elas sempre tiveram a opção de não
escutar...”
Fim do conto