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Avaliação Ambiental da Fazenda Paraíso

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Diego Oliveira
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RELATÓRIO DE AVALIAÇÃO DE

DESEMPENHO AMBIENTAL – RADA

ESPÓLIO DE JOÃO RANULFO PEREIRA E


OUTRO

MARÇO DE 2022
RELATÓRIO DE AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO AMBIENTAL –
RADA

1 - Identificação do Empreendedor

Nome: Espólio de João Ranulfo Pereira e outro


CPF: 015.269.468-40
Endereço: Avenida José Luiz Adjuto, 618 Bairro Centro Unaí – MG
CEP 38.610-064.
Fone (38) 3676-3612

2 - Identificação do Empreendimento

Nome: Fazenda Paraíso, São Jerônimo, Barra, Saco da Barra, Areias e Buriti
Endereço: Rod. BR 040 Paracatu sentido Belo Horizonte por 80 Km, após o Rio da
Prata ir por 1,4 km virar a esquerda, km 12. Bairro Zona Rural
Município: João Pinheiro – MG CEP: 38.770-000

Endereço para correspondência: Avenida José Luiz Adjuto, 618. Bairro Centro
Município: Unaí – MG
CEP: 38.610-064
Telefone: (38) 3676-3612

3 - Responsável técnico:

Responsável Técnico: Jorge Fernando Moraes Carbonell


Habilitação para execução do projeto: Engenheiro Agrônomo Especialista em
Gestão Ambiental em Sistemas Agrícolas pela Universidade Federal de Lavras –
MG.
Registro no conselho: 4569/D
Endereço para correspondência: Avenida José Luiz Adjuto, 618. Bairro Centro. Unaí-
MG
Telefone: (38) 3676-3612
E-mail para contato: carbonell@[Link]

2
4 - Caracterização do empreendimento

4.1. Usos do solo do empreendimento

O empreendimento está inserido em imóvel rural, denominado Fazenda


Paraíso, São Jerônimo, Barra, Saco da Barra, Areias e Buriti, situada no município
de João Pinheiro, Estado de Minas Gerais.
Possui área medida de 3.219,4091 hectares, cuja característica geral de uso
e ocupação e cobertura natural apresentam-se assim distribuídas:

Descrição Valores %
Pasto 2039,5593 63,35
APP 72,3239 2,25
RL 646,0619 20,07
Cerrado 191,6889 5,95
Pivo - Lavoura 213,0567 6,62
Sede 0,8340 0,03
Curral 0,1115 0,00
Servidão 1,2962 0,04
Campo Úmido 16,8091 0,52
Campo 24,3538 0,76
Estrada/Corredores 13,3138 0,41
Total 3219,4091 100,00

As áreas de reserva legal e APP se encontram em bom estado de


conservação.

4.1.2. FASE DE REGULARIZAÇÃO AMBIENTAL

O empreendimento possui licenciamento ambiental através do processo nº


90059/2002/005/2014 certificado LOC n° 018/2016.

A licença requerida é de renovação da licença de operação.

3
4.2 – CARACTERIZAÇÃO, CONTROLE, TRATAMENTO E DISPOSIÇÃO FINAL
DAS EMISSÕES

4.2.1. Níveis de pressão sonora

Fonte geradora: Durante a operação de cultivo das culturas anuais e a


criação de bovinos, pode-se afirmar que os principais equipamentos geradores de
pressão sonora são:
 Tratores
 Caminhões
 Colhedora
Tratamento: pela manutenção periódica dos equipamentos.
Os ruídos ficam contidos dentro da área do empreendimento.

4.2.2. Efluente atmosférico

Fonte geradora: Os principais efluentes atmosféricos são oriundos das


operações com máquinas agrícolas e caminhões pela queima de combustível,
preparo do solo, tratos culturais, colheita e transporte.
Outra emissão que ocorre é de caráter local, é a emissão de poeira durante
as operações de algumas máquinas agrícolas.
Tratamento: Manutenção periódica dos equipamentos, a fim de mantê-los
constantemente regulados.

4.2.3. Efluentes líquidos

[Link]. Efluentes líquidos domésticos.

Fontes de geração: os efluentes líquidos domésticos são oriundos das residências


dos moradores.
Caracterização: São os despejos líquidos resultante do uso da água para higiene e
necessidades fisiológicas humanas.
Sistemas de transporte: transportado através de tubulação
Tratamento: fossa séptica.
Disposição final: vala de infiltração

4
[Link]. Efluentes líquidos da caixa separadora de sólidos, água e óleo.

Fontes de geração: área de abastecimento de veículos e máquinas agrícolas e


lavador.
Caracterização: água, óleo e areia.
Sistemas de transporte: transportado através de piso impermeável inclinado,
canaletas e tubulação.
Tratamento: caixa separadora de água, óleo e areia.
Disposição final: aterro sanitário classe I.

[Link]. Efluentes líquidos águas pluviais.

Fontes de geração: chuva


Caracterização: água
Sistemas de transporte: escoamento nas laterais das pistas e retenção nas curvas
de nível em terraços distribuídos nas áreas de plantio e bacias de contenção.
Tratamento: não há
Disposição final: infiltração no solo.

[Link]. Efluentes líquidos dos tanques de pulverizador.

Fontes de geração: pulverizadores


Caracterização: restos de agrotóxicos no tanque do pulverizador
Sistemas de transporte: no próprio tanque
Tratamento: diluição em água, agitação.
Disposição final: distribuição na área de lavoura.

[Link]. Efluentes líquidos óleo queimado.

Fontes de geração: veículos e máquinas agrícolas


Caracterização: óleo lubrificante usado.
Sistemas de transporte: tambores
Tratamento: não há.
Disposição final: entregue a empresa especializada, conforme recibos em anexo.

5
4.2.4. Efluentes sólidos
[Link]. Pneus

Fontes de geração: veículos e máquinas agrícolas


Sistemas de coleta: não especificado
Acondicionamento: não há
Armazenamento: em barracão
Disposição intermediária: devolução para distribuidor
Disposição final: desconhecido

[Link]. Lama da Caixa Separadora de Sólidos, Água e Óleo.

Fontes de geração: veículos e máquinas agrícolas


Sistemas de coleta: coletado em periodicidade variável, dependendo do volume
gerado. O efluente é coletado em um local específico da caixa separadora e
separado por ação da gravidade.
Acondicionamento: acondicionado em tambores.
Armazenamento: no empreendimento em barracão ao abrigo de chuva.
Disposição final: aterro classe I

[Link]. Material contaminado com hidrocarbonetos.

Fontes de geração: veículos e máquinas agrícolas. São estopas, filtros, panos,


papelão, etc., que estão contaminados com óleo.
Sistemas de coleta: o agente que está manuseando o material é o encarregado de
descartar o mesmo no local adequado.
Acondicionamento: acondicionado em tambores.
Armazenamento: no empreendimento em barracão ao abrigo de chuva.
Disposição final: aterro classe I

[Link]. Lodo da fossa séptica.

Fontes de geração: efluente doméstico.


Sistemas de coleta: efluente contido na fossa séptica por período de um ano.
Coletado em tambor.

6
Acondicionamento: em tambor de 200 litros.
Armazenamento: não.
Disposição intermediária: não.
Disposição final: área de lavoura.

[Link]. Ferro velho.

Fontes de geração: veículos, máquinas agrícolas e equipamentos.


Sistemas de coleta: o material que pode haver possibilidade de servir em algum
reparo ficará armazenado no empreendimento.
Acondicionamento: não
Armazenamento: coberto com lona plástica.
Disposição intermediária: comerciante de sucata.
Disposição final: indústria para reciclagem.

[Link]. Embalagens vazias de agrotóxicos.

Fontes de geração: agrotóxicos aplicados nas culturas anuais


Sistemas de coleta: após a tríplice lavagem e perfuração, as embalagens são
acondicionadas nas próprias caixas e levadas para o depósito destinado a este fim
específico.
Acondicionamento: caixas do próprio agrotóxico ou sem acondicionamento.
Armazenamento: no depósito de defensivos agrícolas na área destinada a este fim.
Disposição intermediária: unidade de recebimento de embalagens de agrotóxicos,
conforme comprovante de devolução de embalagens vazias de agrotóxicos.
Disposição final: indústria para reciclagem ou incineração.

[Link]. Lixo doméstico.


[Link].1. Lixo doméstico orgânico

Fontes de geração: residências e cantina


Sistemas de coleta: diária, com obrigatoriedade de quem está manuseando o
mesmo em destinar até os tambores distribuídos na sede do empreendimento.
Acondicionamento: em sacos plásticos.
Armazenamento: em bolsas plásticas.

7
Disposição intermediária: não há
Disposição final: aterro dentro do empreendimento.

[Link].2. Lixo não orgânico

Fontes de geração: residências e cantina. São os papeis, papelão, vidros, latas e


alumínios.
Sistemas de coleta: diária, com obrigatoriedade de quem está manuseando o
mesmo em destinar até os tambores distribuídos na sede do empreendimento.
Acondicionamento: em tambores ou Bag de prolipropileno.
Armazenamento: em barracão ao abrigo da chuva.
Disposição intermediária: para comerciante de sucatas e material reciclável
Disposição final: indústria para reciclagem.

4.3 - Recursos hídricos

O empreendimento está localizado na micro bacia hidrográfica do Rio


do Prata contribuinte da Bacia do Rio São Francisco, na unidade de
planejam ento dos recursos hídricos SF7.
No empreendimento o rio que banha é o Rio da Prata.

Figura – Mananciais que banham o empreendimento.


Carta IBGE: João Pinheiro.
Folha: SE-23-V-D.

8
No empreendimento existem as seguintes outorgas para a captação de água:

1. Captação em poço tubular para fins de consumo humano, irrigação, lavagem


de veículos outorgado através da certidão de uso insignificante nº
320381/2022, nas coordenadas geográficas latitude 17º 35’ 19,2” longitude
46º 22’ 59,4”, com vencimento em 18/03/2025;
2. Captação em poço tubular para fins de consumo humano outorgado através
da portaria nº 3295/2017, nas coordenadas geográficas latitude 17º 35’ 44,7”
longitude 46º 23’ 33,7”, com vencimento em 03/10/2022;
3. Captação em poço tubular para fins de dessedentação de animais e
abastecimento de pulverizadores outorgado através da portaria nº 3296/2017,
nas coordenadas geográficas latitude 17º 34’ 02,7” longitude 46º 22’ 08,7”,
com vencimento em 03/10/2022;
4. Captação em corpo de água para fins de irrigação em uma área de 150 ha,
outorgado através da portaria de outorga n° 1832/2016, nas coordenadas
geográficas latitude 17º 35’ 50” longitude 46º 23’ 57”, com vencimento em
15/08/2022;
5. Captação em corpo de água para fins de irrigação em uma área de 400 ha,
outorgado através da portaria de outorga n° 1831/2016, nas coordenadas
geográficas latitude 17º 35’ 48,4” longitude 46º 23’ 57,8”, com vencimento em
15/08/2022.

4.4 - Geração de empregos

O empreendimento Fazenda Paraíso, São Jerônimo, Barra, Saco da Barra,


Areias e Buriti, são gerados com as atividades desenvolvidas na propriedade cerca
de 10 empregados fixos. O empreendimento possui um engenheiro agrônomo
responsável técnico pelas atividades.

4.5 – Caracterização do processo de produção.


4.5.1. Culturas anuais

Área ocupada: 213,0567 ha

9
Localização: as áreas destinadas às lavouras mantém afastadas das áreas de
preservação permanente, preservação ambiental, veredas e reserva legal de acordo
com a legislação ambiental vigente.

Tipo de solo:

Os solos da Fazenda Paraíso, São Jerônimo, Barra, Saco da Barra, Areias e


Buriti estão distribuídos da seguinte forma:

1– Latossolos

Os Latossolos são os solos de maior ocorrência, ocupando as grandes


superfícies aplainadas dos planaltos altos e medianos os quais pela importância
serão descritos.
Num conceito geral, Latossolos são solos profundos ou muito profundos, de
textura variando de muito argilosa a média, bem drenados, com boas propriedades
físicas e, quando ocupam superfícies com topografia favorável, oferecem ótimas
condições de manejo e tratos culturais. De modo geral, apresentam, como restrição
básica, suas propriedades químicas, devido à acidez, pequena capacidade de troca
de cátions e de soma de bases trocáveis, refletindo-se em baixa fertilidade natural.
Pedogenética e taxonomicamente, são solos altamente intemperizados, com
uma típica uniformidade ao longo do perfil e se caracterizam pela presença do
horizonte diagnóstico B latossólico conforme os conceitos do CNPS (Embrapa,
1999), similar ao “oxic horizon” (USDA, 1994).
A fração argila é constituída, fundamentalmente, de argilominerais 1:1
(especialmente caulinita) e da mistura de óxidos e oxi-hidróxidos de ferro e de
alumínio; enquanto na fração areia predominam grãos de quartzo; restando na terra
fina, pouco ou nenhum mineral primário que possa liberar bases, ferro ou alumínio.
Possui uma capacidade de troca de cátions, determinada por NH4Oac pH 7, menor
que 17cmolc/kg de argila (sem correção para carbono).
Os perfis são bastante homogêneos, isto é, com grande uniformidade ao
longo do perfil, com variação pequena ou gradativa no conteúdo de argila entre os
horizontes A e Bw. Isto é, não apresentam indícios de mobilização de argila, o que
significa pequena ou nenhuma acumulação de argila no horizonte B, o que é
refletido em baixo gradiente textural.
No presente levantamento ocorrem os solos:

10
 Latossolo Vermelho-Amarelo distrófico típico A moderado textura
argilosa + Neossolo Quatzarenico Ortico típico A fraco/moderado;
ambos fase caatinga hipoxerófila, relevo plano (LVAd13).
 Latossolo Vermelho-Amarelo distrófico típico A fraco/moderado textura
média + Neossolo Quatzarenico Ortico típico A fraco/moderado; ambos
fase campestre, relevo plano (LVAd13).

2– Neossolo Flúvico + Gleissolo Melânico/Gleissolo Háplico

Os Neossolos Flúvicos são solos minerais não hidromórficos, oriundos de


sedimentos recentes referidos ao período Quaternário. São formados por
sobreposição de camadas de sedimentos aluviais recentes sem relações
pedogenéticas entre elas, devido ao seu baixo desenvolvimento pedogenético.
Geralmente apresentam espessura e granulometria bastante diversificadas, ao longo
do perfil do solo, devido a diversidade e a formas de deposição do material
originário. Geralmente a diferenciação entre as camadas é bastante nítida, porém,
existem situações em que torna-se difícil a separação das mesmas, principalmente
quando são muito espessas. São solos profundos com um horizonte superficial A
diagnóstico e abaixo deste uma sequência de camadas do tipo: A, 2C, 3C, etc.; A,
C1, C2, 2C3, 3C4, etc.; A, 2Cn1, 2Cn2, etc.; A, 2Cn, 3Cnz, etc.; A, 2C1, 3Ck, etc.; A,
2C1, 2C2, 3Cv, etc.; ou simplesmente A, C1, C2, C3, etc. Possuem cores e terxturas
bastante diversificadas, com predomínio das cores variando de bruno-escuro a
bruno-claro, matizes 10YR e 7,5YR com valores de 3 a 6 e cromas de 2 a 4 e
texturas mais comuns nas classes franco-arenosoa, franco-argilosa, argilossiltosa,
franca e argilosa. Podem ainda, ocorrer camadas com cores avermelhadas nos
matizes 5YR a 2,5YR e mosqueamentos de tamanho e cores diversas,
particularmente nas camadas com restrições de drenagem.
Gleissolo Melânico apresenta horizonte A escuro relativamente espesso e,
logo abaixo, uma camada de cor acinzentada com ou sem mosqueado ou variegado.
Anteriormente, eram conhecidos como Gleis Húmicos. O teor de matéria orgânica é
relativamente alto e, em consequência, a capacidade de troca de cátions é alta. Se
for eutrófico, haverá condições bastante favoráveis para o desenvolvimento radicular
em profundidade. Mas se for álico ou distrófico, haverá limitação em subsuperfície
quanto ao desenvolvimento do sistema radicular. Apresentam baixo teor de fósforo

11
natural. Ocorrem em relevo plano de várzea e devido ao nível elevado do lençol
freático, há necessidade de se fazer a drenagem do solo.
Gleissolos Háplico são solos minerais, hidromórficos, apresentando
horizontes A (mineral) ou H (orgânico), seguido de um horizonte de cor cinzento-
olivácea, esverdeado ou azulado, chamado horizonte glei, resultado de modificações
sofridas pelos óxidos de ferro existentes no solo (redução) em condições de
encharcamento durante o ano todo ou parte dele. O horizonte glei pode começar a
40 cm da superfície. São solos mal drenados, podendo apresentar textura bastante
variável ao longo do perfil. Podem apresentar tanto argila de baixa atividade, quanto
de alta atividade, são solos pobres ou ricos em bases ou com teores de alumínio
elevado. Como estão localizados em baixadas, próximas às drenagens, suas
características são influenciadas pela contribuição de partículas provenientes dos
solos das posições mais altas e da água de drenagem, uma vez que são formados
em áreas de recepção ou trânsito de produtos transportados.
No presente levantamento ocorre o solos Neossolo Flúvico Tb eutrófico típico
A moderado + Gleissolo Melânico distrófico/ Gleissolo Háplico distrófico típico A
moderado/proeminente; todos fase floresta subperenifólia e campestre, relevo plano
(Rube1).
A seguir demonstramos o mapa simplificado dos solos que ocorrem no
empreendimento.

Figura - Mapa simplificado dos solos que ocorrem no empreendimento Fazenda Paraíso, São
Jerônimo, Barra, Saco da Barra, Areias e Buriti

12
Declividade: relevo plano inclinado e suave ondulado.

4.5.2. Informações sobre a área:


[Link]. Espécie utilizada e manejo da culturas anuais:
a). Soja
Espécie: Glycine Max (L) Merril Nome vulgar: Soja
Pré-plantio: Todo o processo de correção e adubação do solo é calculado com
base nas análises químicas e físicas. A última aplicação foi feita
com esparramadeira de calcário aplicando-se 0,5 t/ha de gesso
agrícola e 1,0 t/ha de calcário nas áreas de plantio direto. Nessas
áreas é feita uma dessecação das plantas daninhas verdadeiras e
remanescentes de culturas antes do plantio, e caso seja
necessário, o material dessecado é derrubado com triton ou com
roçadeira. Toda semente utilizada é tratada com fungicida e
inoculada.
Plantio: O plantio ocorre, normalmente, nos meses de outubro a
novembro. Tem varias plantadeiras que são utilizadas de acordo
com a necessidade, aplicando-se o adubo por esta ocasião.
Utilizam-se 12 a 21 sementes/m colocadas a uma profundidade
de 3-5 cm e com espaçamento de 0,4 a 0,5 m entrelinhas. A
cultivar é recomendada dentre as mais promissoras no mercado
por ocasião do plantio.
Pós-plantio: Por essa ocasião são realizados os tratos culturais necessários à
cultura, de acordo com as recomendações do técnico
responsável. Normalmente são feitos controles de plantas
daninhas, pragas e doenças.
Colheita: Quando se torna tecnicamente adequado é feita à dessecação da
cultura com dessecantes recomendados e então se inicia a
colheita mecanizada.
Pós-Colheita: Parte do produto da colheita é transportado para secagem (se
necessário), armazenamento e comercialização na fazenda.

13
b). Milho
Espécie: Zea mays L Nome Milho
vulgar:
Pré-plantio: Todo o processo de correção e adubação do solo é calculado com
base nas análises químicas e físicas. A última aplicação foi feita
com esparramadeira de calcário aplicando-se 0,5 t/ha de gesso
agrícola e 1,0 t/ha de calcário nas áreas de plantio direto. Nessas
áreas é feita uma dessecação das plantas daninhas verdadeiras e
remanescentes de culturas antes do plantio, e caso seja
necessário, o material dessecado é derrubado com triton ou com
roçadeira.
Plantio: O plantio ocorre no período das águas, normalmente nos meses de
outubro-novembro. Tem varias plantadeiras que são utilizadas de
acordo com a necessidade, aplicando-se o adubo por esta ocasião.
Utilizam-se 5 a 6 sementes/m colocadas a uma profundidade de 3-
5 cm, com espaçamento de 0,9 m entre linhas. Esse espaçamento
pode eventualmente ser reduzido com o lançamento de híbridos de
folhas mais eretas e atestado pelos órgãos de pesquisa. Utiliza-se
sempre semente híbrida de alta produtividade presente no mercado
e recomendada na ocasião de plantio.
Pós-plantio: Por essa ocasião são realizados os tratos culturais necessários à
cultura, de acordo com as recomendações do técnico responsável.
Normalmente são feitos controles de plantas daninhas, pragas e
doenças. A adubação de cobertura é feita 20 a 30 dias após a
emergência com 220 kg de uréia.
Colheita: È realizado com colheitadeiras.
Pós-Colheita: Parte do produto da colheita é transportado para secagem (se
necessário), armazenamento e comercialização na fazenda.

14
c). Feijão
Espécie: Phaseolus vulgaris L Nome Feijão
vulgar:
Pré-plantio: Todo o processo de correção e adubação do solo é calculado com
base nas análises químicas e físicas. A última aplicação foi feita
com esparramadeira de calcário aplicando-se 0,5 t/ha de gesso
agrícola e 1,0 t/ha de calcário nas áreas de plantio direto. Nessas
áreas é feita uma dessecação das plantas daninhas verdadeiras e
remanescentes de culturas antes do plantio, e se necessário, o
material dessecado é derrubado com triton ou roçadeira.
Plantio: A semeadura ocorre em dois períodos: nas águas – outubro a
novembro e na seca - fevereiro até no máximo julho. Tem varias
plantadeiras que são utilizadas de acordo com a necessidade,
aplicando-se o adubo por esta ocasião. Utilizam-se 12 a
15 sementes/m colocadas a uma profundidade de 3-5 cm, com
espaçamento de 0,45 a 0,6 m entre linhas, dependendo da cultivar
utilizada. Utilizam-se sementes do grupo Carioca e outros,
normalmente a cultivar é escolhida de acordo com o preço
oferecido pelo mercado, resistência e tolerâncias às doenças e
produtividade.
Pós-plantio: Por essa ocasião são realizados os tratos culturais necessários à
cultura, de acordo com as recomendações do técnico responsável.
Normalmente são feitos controles de plantas daninhas, pragas,
doenças e adubações foliares. A adubação de cobertura é feita 20
a 30 dias após a emergência com 220 kg/ha de uréia, indicado para
atingir alto nível tecnológico. A adubação foliar é feita com L-6, MS
30 e MS florada.
Colheita: Todas as lavouras de feijão são dessecadas para a realização da
colheita. Após a colheita é realizada com recolhedouras de feijão
ou colheitadeiras adaptadas.
Pós-Colheita: Parte do produto da colheita é transportado para secagem (se
necessário), armazenamento e comercialização na fazenda.

15
d). Sorgo
Espécie: Sorghum bicolor L. Nome Sorgo
Moench vulgar:
Pré-plantio: Como o sorgo é semeado após a colheita do feijão, já se beneficia
da correção e gessagem da cultura anterior. Com a realização da
dessecação para colheita do feijão, a semeadura do sorgo ocorre
com o terreno livre de plantas daninhas.
Plantio: O plantio ocorre normalmente em janeiro/fevereiro, após a colheita
do feijão das águas. A adubação de plantio é calculada pela análise
do solo. Tem varias plantadeiras que são utilizadas de acordo com
a necessidade, aplicando-se o adubo por esta ocasião. Utilizam-se
7 a 12 sementes/m colocadas a uma profundidade de 3-5 cm, com
espaçamento de 0,5 a 0,7 m entrelinhas. O híbrido é escolhido
dentre os mais promissores existentes no mercado na ocasião do
plantio.
Pós-plantio: Por essa ocasião são realizados os tratos culturais necessários à
cultura, de acordo com as recomendações do técnico responsável.
Normalmente são feitos controle de plantas daninhas e o controle
da lagarta do cartucho. A adubação de cobertura é feita 20 a 30
dias após a emergência com 100 kg/ha do adubo uréia.
Colheita: È realizado com colheitadeiras.
Pós-Colheita: Parte do produto da colheita é transportado para secagem (se
necessário), armazenamento e comercialização na fazenda.

16
[Link]. Água, Fertilizantes e Corretivos.
Tabela 2 – Insumos utilizados nas culturas do empreendimento Fazenda Paraíso, São Jerônimo, Barra, Saco da Barra, Areias
e Buriti.
SOJA MILHO FEIJÃO SORGO
OBSEVAÇÃO
Produto Quantidade Produto Quantidade Produto Quantidade Produto Quantidade
Água
Água Variável Água Variável Água Variável Água Variável
(m³/mê[Link]) No feijão também são utilizados os
Fertilizante MAP 250 Kg MAP 250 kg MAP 250 kg MAP 100 Kg
(kg/ha) KCl 150 Kg KCl 150 kg KCl 150 kg KCl --- adubos foliares L6, MS 30, MS
Uréia 220 kg Uréia 220 kg Uréia 100 Kg Florada.
Corretivo Calcário 1,0 t Calcário 1,0 t
Gesso 0,5 t
(t/ha. ano) Gesso 0,5 t Gesso 0,5 t Gesso 0,5 t

17
[Link]. Agrotóxicos

Agrotóxico Princípio ativo Dosagem Classe FORMAS DE APLICAÇÃO


utilizada toxicológica SOJA MILHO FEIJÃO SORGO
Abamex Abamectim 1,0 l/ha II
Aliette etil fosfonato 1,0 kg/ha IV
Alto 100 Cyproconazole 0,6 l/ha III
Amistar 500 WG Azoxystrobin 0,1 kg/ha IV
Antracal --- 2,0 kg/ha ---
Atrazina Atrazine 3,0 l/ha III 1
Baysiston Triadimenol 50 kg/ha III
Bravonil 500 Chlorothalonil 1,5 I 1
Bravonil Utrex Clorotalonil 1,5 kg/ha I
Brigade 25 CE Bifenthrin 40 ml/ha II 1
Brigade 25 CE Bifenthrin 100 ml/ha II 1
Captan Captan 1,0 l/ha III
Cobra + Classic Lactofen + Chlorimuron Ethyl 0,4 l + 40 g/ha I e III 1
Cobre Ubyfol --- 0,5 kg/ha ---
Cuprogarb Oxicloreto de Cobre 3,5 kg/ha IV
Derosal 500 SC Carbendazin 1,0 l/ha III
Derosal 500 SC Carbendazin 0,5 l/ha III
Derosal 500 SC Carbendazin 0,5 l/ha III 2 1

18
Dissulfan CE Endosulfan 1,0 l/ha I 1
Nonil fenoxi poli (Etilenoxi) etanol + sal
Energic sódico do ácido dodecil benzeno 200 ml/100 l - 1 1
sulfônico
Flex Fomesafen 0,4 l/ha I 1 1 (2x)
Folicur 200 CE Tebuconazone 1,0 l/ha III
Fugutal Verde --- 1,5 kg/ha ---
Gallaxy 100 CE Novaluron 150 ml/ha 1
Garant Hidróxido de Cobre 1,5 kg/ha IV
Glifosato Nortox Glyphosate 2,0 l/ha IV 1
Glifosato Nortox Glyphosate 2,5 l/ha IV 1
Hostation Triazophos 1,0 l/ha I
Juno Propiconazole 0,4 l/ha III 1
Karate 50 CE Lambdacyhalotrin 60 ml/ha II 1
Kasumim --- 1,0 l/ha ---
Kocid --- 1,5 kg/ha ---
Manzate Mancozeb 1,5 kg/ha III
Manzate Mancozeb 1,0 kg/ha III
Match CE Lufenuron 200 ml/ha IV 1
Mertin 400 Trifenil hidróxido estanho 0,5 l/ha I 1
Metafós Methamidophos 0,8 l/ha I 1
Mix Mongan --- 1,5 l/ha ---

19
Monceren Pencycuron 0,3 kg/ha
Nabrico Star --- 0,5 l/ha ---
Natur’l Óleo Óleo vegetal 0,5 l/100 l IV 1 1
Pívot Imazethapyr 0,6 l/ha IV 1
Pounce 384 CE Permetrina 65 ml/ha II 1
Radar Glyphosate 2,0 l/ha IV 1
Ronstar 250 BR Oxadiazon 4,0 l/ha II
Rovral Iprodione 1,0 l/ha IV
Sanson 40 SC Nicosulfuron 1,0 l/ha IV 1
Score Difenoconazole 0,5 l/ha I
Sialex Procimidone 1,0 kg/ha II
Temik Aldicarb 30 kg/ha I
Thiodan CE Endosulfan 0,5 l/ha II
Tifon Permethrin 0,1 l/ha III
Tracer Spinosad 80 ml/ha III 1
Legenda: (1) Pulverizador Terrestre de Barra; (1*) com adição de adjuvante; (2) Tambor de Tratamento; (3) Granuladeira (3*) Granuladeira acoplada a
semeadeira/adubadeira; (4) Via aérea; (6) Jato dirigido.

20
[Link]. Produtos e sub-produtos gerados:

Produto Grãos
Destino Comercialização na fazenda ou outros comerciantes que
SOJA
ofereçam bons preços.
Sub-produto Não há geração de subprodutos por parte do proprietário.
Produto Grãos
Destino Comercialização na fazenda ou outros comerciantes que
MILHO
ofereçam bons preços.
Sub-produto Não há geração de subprodutos por parte do proprietário.
Produto Grãos
Destino Comercialização na fazenda ou outros comerciantes que
FEIJÃO
ofereçam bons preços.
Sub-produto Não há geração de subprodutos por parte do proprietário.
Produto Grãos
Destino Comercialização na fazenda ou outros comerciantes que
SORGO
ofereçam bons preços.
Sub-produto Não há geração de subprodutos por parte do proprietário.

[Link]. Criação de Bovinos (Extensivo)

A atividade bovino de corte é explorada como atividade principal. A quantidade


máxima de animais que são mantidos na fazenda é de 2.500 cabeças.
Todas as regras sanitárias são aplicadas aos mesmos.
Os animais ficam em áreas que não lhes permite acesso as áreas destinadas a
reserva legal e preservação permanente.
O acesso a água é por meio de bebedouros.
O sistema de exploração da bovinocultura de corte é extensivo. O animais são
criados diretamente nas pastagens.

[Link].1. Princípios ecológicos de manejo das pastagens

A legislação ambiental brasileira é embasada em princípios ecológicos, que,


quando respeitados, permitem aumentar a capacidade de suporte biológico dos recursos
naturais, a eficiência dos insumos externos utilizados (adubos e água) e a produtividade
de forma sustentável.
A água residente é um dos elementos mais importantes para a produção vegetal
nos trópicos e somente pode ser implementada por manejo e conservação de solo e

21
vegetação permanente, constituindo o tripé indissociável do sucesso agrícola: água
residente + solo permeável + vegetação diversificada.
A manutenção da permeabilidade do solo, mediante pastejo adequado ou
descanso, para que as plantas forrageiras possam recuperar-se, por exemplo, por meio da
vedação, além das práticas que aumentam o retorno de resíduos vegetais para a
superfície do solo, como a suspensão das queimadas, permite a reposição de água do
lençol freático e a manutenção da vazão das nascentes, bem como reduz o escoamento
superficial das águas.
A proteção permanente da superfície do solo pela vegetação evita seu
sobreaquecimento e seu ressecamento, além de diminuir sua compactação superficial e
seu arrastamento por águas pluviais. A vegetação arbórea, estrategicamente disposta na
paisagem, atuando como bomba vaporizadora e hidrotermorreguladora, que consegue
bombear água do lençol freático, aumenta a umidade relativa do ar, reduz a temperatura
e, assim, aumenta o conforto animal e permite melhores condições de desenvolvimento
das pastagens, e conforme as espécies utilizadas, podem servir como fonte de alimento
no período seco do ano, além de fonte de nutrientes para as gramíneas forrageiras. O
estabelecimento dos sistemas silvo-pastoris tem esse objetivo.
Sua implementação é recomendável, em especial nas regiões com mais de dois
meses de seca. As árvores estabelecidas como quebra-ventos reduzem as perdas de
água residente. Todas essas práticas e as árvores protegendo os mananciais e os corpos
de água permitem maior disponibilidade de água para o estabelecimento rural, reduzindo a
necessidade de irrigação, de energia elétrica e de captação de água, além de valorizar a
terra e de aumentar a produtividade e a lucratividade. A sustentabilidade econômica passa
pela recuperação e pela conservação dos recursos naturais água-solo-biodiversidade, e
pela sustentabilidade ambiental, na qual está embutida a segurança social.
Considerando que a agricultura, em especial a pecuária extensiva, contribui para
a mudança climática, em conseqüência do desmatamento de extensas áreas, além de
constituir-se em produtora de gases de efeito estufa, causas da elevação da temperatura e
do agravamento de falta de água no período seco, ter-se-ia, com a suspensão das
queimadas, aumento da produtividade vegetal sob pastejo rotacionado e redução da idade
de abate (evitando que os animais percam peso no inverno), técnicas de impacto
ambiental positivo, já que permitem que ocorram menor produção de gases de efeito
estufa (gás carbônico pelas queimadas e gás metano pelos ruminantes) e maior seqüestro
22
ou imobilização de gases de efeito estufa, pelas árvores em crescimento e pelo sistema
radicular das forrageiras nos ciclos de pastejo em que ocorre morte-renovação
consecutiva. Para a recuperação rápida do componente arbóreo, deve-se dar preferência
às leguminosas fixadoras de nitrogênio e de desenvolvimento mais rápido, sob as quais
podem-se estabelecer espécies nativas de maior valor econômico.
Evitando o acesso dos animais aos corpos de água, em especial em terrenos
amorrados, com estabelecimento de bebedouros, previne-se a formação de trilhas de
escoamento superficial de água e a formação de vossorocas, bem como a contaminação e
o assoreamento dos corpos de água, além da contaminação da água com coliformes
fecais e vermes, que podem reinfestar os animais, além de prejudicar a saúde das
populações ribeirinhas, ou encarecer o tratamento da água para abastecimento urbano a
jusante.
Assim, verifica-se que o atendimento aos princípios ecológicos, que aumentam a
produtividade, o valor da propriedade e a lucratividade, automaticamente coloca o
proprietário rural de acordo com a lei ambiental, evitando-se o pagamento de multas
ambientais.

[Link].2. Instalações

Os bovinos são animais gregários ou seja, vivem em grupos e isso parece ser tão
importante que os indivíduos isolados do rebanho tornam-se estressados. Na verdade,
embora a vida em grupo traga uma série de vantagens adaptativas (defesa contra
predadores, facilidade para encontrar o parceiro sexual, etc.), ela também traz o aumento
na competição por recursos, principalmente quando estes são escassos, resultando na
apresentação de interações agressivas entre os animais do mesmo grupo ou rebanho
(Paranhos da Costa e Nascimento Jr., 1986). Essa é uma questão muito importante na
vida social dos bovinos mantidos em sistemas intensivos de criação ou em condições
pouco apropriadas às suas necessidades sociais, mas não chega a preocupar muito
quando o sistema de criação é extensivo e os recursos importantes são de fácil acesso a
todos os animais.
Em condições naturais, essa agressividade é controlada, pois os bovinos
apresentam uma série de padrões de organização social, que definem como serão as
interações entre grupos e entre animais do mesmo grupo, contribuindo para minimizar os
23
efeitos negativos da competição. O conhecimento desses padrões é imprescindível para
que se possa manejar o gado adequadamente.
Aspecto importante está relacionado com o uso do espaço pelos animais. Os
animais não se dispersam ao acaso em seu ambiente. Essa falta de casualidade no uso
do espaço é relacionada com as estruturas física e biológica do ambiente, com o clima e
com o comportamento social (Arnold e Dudzinski, 1978).
Em rebanhos criados extensivamente e pouco manejados, os animais definem a
sua área de moradia, que é caracterizada pela área onde eles desenvolvem todas as suas
atividades, sendo, portanto, o seu espaço mais amplo. De maneira geral, essas áreas
apresentam dimensões variáveis, dependendo da disponibilidade dos recursos e da
pressão ambiental (clima, predadores, etc.). Essa área pode ser subdividida de acordo
com a sua utilização pelos animais em áreas de descanso (malhadouro) e de alimentação.
Um dado rebanho de bovinos pode ter mais de uma área de descanso, dependendo das
condições ecológicas prevalecentes, por exemplo, eles podem descansar em locais mais
ventilados se são muito incomodados pela presença de moscas, ou em locais sombreados
nas horas mais quentes do dia, ou ainda próximo das aguadas se o ambiente for muito
quente e seco. Em determinadas situações é difícil definir o porquê da escolha de
determinada área para descanso, como, por exemplo, quando se encontram áreas de
descanso sob torres de alta tensão.
Quando qualquer uma dessas áreas é defendida, surge o que se denomina
território, que pode ser de uso múltiplo, quando compreende toda a área de moradia, de
descanso que se restringe à área onde os animais acampam para descansar, e assim por
diante. Os bovinos não são animais essencialmente territoriais, portanto não é comum a
defesa de áreas de moradia, descanso ou qualquer outra.
A simples busca de sombra para se abrigar da radiação solar não caracteriza a
definição de uma área de descanso; para tanto, o animal deve usar a mesma área
regularmente.
Para cada um dos indivíduos do grupo há ainda a caracterização de um espaço
individual, representado pela área onde o animal se encontra ou se encontrará e, portanto,
se desloca com ele. Esse espaço compreende, aditivamente ao espaço físico que o
animal necessita para realizar os movimentos básicos, um espaço social, que caracteriza
a distância mínima que se estabelece entre um animal e os demais membros do grupo.
Além disso, existe também a distância de fuga, que é o máximo de aproximação que um
24
animal tolera a presença de um estranho ou do predador, antes de iniciar a fuga. Tais
comportamentos de espaçamento são ilustrados na Figura 1.

Figura 1 - Esquema ilustrativo do espaço individual e da distância de fuga nos bovinos (as
diferenças apresentadas no desenho representam a existência de diferenças individuais).
Fonte: Paranhos da Costa, M.J.R. (2000).

Todavia, tais padrões de espaçamento não são suficientes para a neutralização ou


a diminuição da agressividade entre animais que estão competindo por algum recurso. Há
outro mecanismo de controle social, que tem origem na familiaridade e na competição
entre os animais, resultando na definição da liderança e da hierarquia de dominância,
respectivamente.
Hoje em dia os rebanhos bovinos raramente apresentam grupos sociais naturais,
basicamente porque tais grupos são formados de acordo com os interesses do homem.
Assim, formam-se grupos de acordo com o sexo desde a desmama, quando também
separam-se os bezerros das suas mães, formam-se também grupos tendo em conta a
idade dos animais ou ainda conforme a produção de leite.
A dominância se estabelece nesses grupos pela competição, ou seja, ela é produto
de interações agressivas entre os animais do mesmo grupo ao competirem por um
determinado recurso, definindo quem terá prioridade no acesso à comida, à água, à
sombra, etc. O dominante é o indivíduo ou indivíduos do grupo que ocupam as posições
mais altas na hierarquia, dominam os demais os atacando impunemente e têm prioridade
em qualquer competição; os submissos (ou dominados) são os que se submetem aos
dominantes. Os fatores que normalmente determinam a posição na hierarquia são o peso,
a idade e a raça. O tempo até o estabelecimento da hierarquia em um lote recém-formado
vai depender do número de animais e do sistema de criação, seguindo a tendência
apresentada na Figura 2.
25
Figura 2 - Intensidade das interações agressivas em função da formação da hierarquia de
dominância. Fonte: Paranhos da Costa, M.J.R. (2000).

Há diferenças entre raças nas relações sociais que determinam a hierarquia; por
exemplo, o estudo de Le Neindre (1989) mostrou que novilhas Salers foram mais ativas
socialmente e dominaram as Holandesas, e os resultados de Wagnon et al. (1966)
indicaram que vacas da raça Aberdeen-Angus foram dominantes em relação às da raça
Hereford. Assim, como já apontado por Paranhos da Costa e Cromberg (1997), deve-se
ter cautela na formação de lotes, sob pena de se manter certos animais em constante
estresse social.
Outro aspecto do comportamento social dos bovinos é a liderança, que muitas
vezes resulta na atividade sincronizada dos bovinos. Um rebanho de vacas se comporta
como uma unidade, na qual a maioria dos membros apresenta o mesmo comportamento
ao mesmo tempo. Há sempre um animal que inicia o deslocamento ou as mudanças de
atividade; quando ele é seguido pelos outros, trata-se do líder. Geralmente são as vacas
mais velhas que lideram os rebanhos, que não estão no topo da ordem de dominância.
Isto faz sentido se se considerar que a estrutura social dos bovinos é originalmente
matrilinear (Stricklin e Kautz-Scanavy, 1984).
Tal comportamento não envolve atividades agressivas, mas sua compreensão
pode ser muito útil para o manejo do gado nas pastagens, particularmente durante a
condução do rebanho para áreas de manejo.
Nas condições de sistemas intensivos de produção é muito comum a formação de
grandes grupos de animais, freqüentemente mantidos em alta densidade. A expectativa é
que nessas condições haja aumento da produtividade, mas não se pode esquecer que
também terá efeitos sobre a expressão do comportamento. Por exemplo, para os bovinos
em condições de alta densidade populacional, os animais não podem evitar a violação de
seu espaço individual, o que pode resultar em aumento de agressividade e estresse social

26
(Schake e Riggs, 1970; Arave et al., 1974; Hafez e Bouissou, 1975; Kondo et al., 1984).
Quando os grupos são muito grandes, os animais podem ter dificuldades em reconhecer
cada companheiro e em memorizar o "status" social de todos eles, e com isso também há
aumento na incidência das interações agressivas (Hurnik, 1982). Nessas condições os
animais ficam mais sujeitos a lesões, que podem prejudicar seu desenvolvimento e a
qualidade da carne.
Respeitando-se certos limites, desde que os grupos não sejam alterados em sua
constituição, principalmente com a introdução de animais novos, a ordem de dominância
se manterá relativamente estável ao longo do tempo, estabelecendo-se equilíbrio dinâmico
nas relações sociais entre os animais.
O tamanho do grupo e a densidade atuam de forma integrada na definição das
condições sociais. Se o espaço for considerável, pode ocorrer a diminuição da
agressividade mesmo com densidades altas, pois um dado animal teria condições de se
afastar do outro, diminuindo os encontros competitivos. Os resultados de Kondo et al.
(1989) mostraram que a média de distância entre bezerros (6 a 13 meses de idade) e
animais adultos (2 a 12 anos de idade) aumentou à medida que o grupo diminuiu de
tamanho; para os animais adultos isso se deu até um limite de aproximadamente 360 m2
por animal, quando a média de distância entre eles se manteve constante entre 10 - 12 m.
Não é claro qual o tamanho máximo que um grupo de bovinos deva ter. Rebanhos
com 150 animais são comuns, mas, por conveniência no manejo, talvez não devam
ultrapassar 100 animais por grupo. O que se deve ter em conta é que o tamanho ideal de
um grupo, para a manutenção da ordem social, é menor em condições de criação
intensiva do que em extensiva. Em rebanhos numerosos de gado de corte, não se sabe da
ocorrência de formação de um grupo dominante e outros subgrupos, com seus elementos
interagindo apenas entre si (Ewbank, 1969).
De qualquer forma, é importante enfatizar que é bom que o grupo seja estável em
sua composição. Qualquer alteração, principalmente com a entrada de outros animais, vai
alterar a hierarquia social previamente estabelecida, com influências na produção e no
bem-estar.

27
[Link].3. Alimentação

Ao nascer, os bezerros são considerados pré-ruminantes, com o estômago


apresentando características diferentes do ruminante adulto, não sendo capazes de
utilizar alimentos sólidos. Nessa fase inicial da vida, o leite é um importante alimento para
os bezerros. As mudanças anatômicas, fisiológicas e metabólicas que ocorrem no sistema
digestivo dos bezerros são caracterizadas pela transição de digestão semelhante à de um
monogástrico (essencialmente enzimático) para digestão de ruminante. Isto ocorre
geralmente no período entre o nascimento e o terceiro ou o quarto mês de idade. A
extensão dessas modificações é função do tipo de dieta ingerida. Assim, a diminuição da
ingestão de leite (que passa diretamente para o abomaso, através da goteira esofágica) e
o início da ingestão de forragem e/ou concentrado (que permanecem no rúmen-retículo)
estimulam a atividade celulolítica e, conseqüentemente, a absorção de ácidos graxos
voláteis (AGV), principal fonte energética dos ruminantes.
Efeito da produção de leite das vacas sobre o peso de bezerros à desmama.
A produção de leite das vacas de corte é importante para a alimentação dos
bezerros na fase de cria, pois a maior parte dos nutrientes ingeridos pelos bezerros nos
primeiros meses de vida é suprida pelo leite materno. A desmama tradicional realizada
aos 6 a 8 meses de idade segue a curva de lactação da vaca de corte. Vacas da raça
Nelore atingem seu máximo de produção (4,7 litros/dia) nos primeiros 30 dias de lactação,
permanecendo a produção mais ou menos estável até os 90 dias, quando declina
rapidamente até atingir a média diária de 2,7 litros aos 5 meses. Vacas de origem
européia e seus mestiços apresentam maior produção de leite do que vacas nelores. Além
de raça ou grupo genético, a produção de leite de vacas em pastejo é dependente tanto
da quantidade e da qualidade da forragem disponível, quanto da reserva de nutrientes que
a vaca armazena antes do parto, e influenciará no peso à desmama dos bezerros.
Existe relação linear positiva entre a produção de leite da vaca e o peso do
bezerro à desmama. Embora o aumento da produção de leite permita aumentar o ganho
de peso e o peso à desmama dos bezerros, não se pode esquecer que o nível nutricional,
na maioria dos sistemas baseados em pastejo, é limitante para dar suporte a níveis
elevados de produção de leite. Por outro lado, à medida que o bezerro cresce, sua
dependência do leite materno vai diminuindo, sua capacidade de pastar aumenta e,
conseqüentemente, reduz a quantidade de leite necessária para determinado ganho de
28
peso. Tem sido observado que o consumo de matéria seca de forragem aumenta com a
idade e observou-se que esse consumo representa 0,62; 1,46; 1,51; 1,75 e 2,20% do peso
do bezerro aos dois, três, quatro, cinco e seis meses de vida, respectivamente.

Suplementação para bezerros em aleitamento


À idade de aproximadamente 3 meses, mais da metade da energia necessária ao
bezerro de corte provém de outras fontes alimentares que não o leite da mãe. A
suplementação dos bezerros em pastagens é necessária quando se objetiva maior taxa de
ganho de peso ou maior peso à desmama. Para um animal ser desmamado com 150 kg
de peso vivo aos 7 meses de idade, a média diária de ganho de peso será de 0,57 kg,
ganho possível de ser alcançado somente com leite e pastagem. Para desmamar um
bezerro com 200 kg de peso vivo, seria necessário ganho de peso vivo diário de 0,80 kg, o
que pode ser conseguido sem suplementação somente em situações em que se utilizem
animais com bom potencial genético e bom manejo da pastagem. Para obtenção de média
de ganho diário superior a 0,80 kg até a desmama, é necessário algum tipo de
suplementação de boa qualidade.
Quando os bezerros se aproximam da desmama, suas exigências nutricionais
aumentam. O aumento das exigências é maior em bezerros com potencial maior de ganho
de peso (por exemplo, machos cruzados). Se as exigências nutricionais do bezerro são
maiores do que os nutrientes supridos pelo leite e pelo pasto, obviamente o ganho de
peso será restrito. A produção de leite da vaca decresce no final da estação chuvosa,
assim como a disponibilidade e a qualidade do pasto. Então, a diferença entre as
exigências nutricionais do bezerro e a quantidade de nutrientes supridos pelo pasto e pelo
leite tendem a aumentar. Como opções para evitar que deficiências nutricionais
influenciem o desempenho dos bezerros, existem dois tipos de suplementação que podem
ser utilizados para suplementar a dieta dos bezerros na fase pré-desmama, conhecidas
como creep feeding e creep grazing.

Creep feeding
O creep feeding é a suplementação alimentar para os bezerros durante a fase que
eles mamam nas vacas. A suplementação tem sido feita geralmente com concentrado em
cocho privativo, ao qual só os bezerros têm acesso. A estrutura para esse sistema de
alimentação exclusivo para os bezerros é bastante simples. Compõe-se basicamente de
29
um pequeno cercado, onde ficam os cochos e aos quais apenas os bezerros têm acesso.
A vantagem dessa técnica é permitir a desmama de bezerros mais pesados e
proporcionar redução no tempo de abate dos animais.
Recomenda-se fornecer diariamente de 0,5 a 1,0% do peso vivo do bezerro em
concentrado. A média do consumo durante o período de fornecimento será de 0,6 a 1,2 kg
de concentrado/animal/dia. A sugestão dos teores de nutrientes é de 75 a 80% de NDT e
de 18 a 20% de proteína bruta. Como exemplo, a composição pode conter
aproximadamente 78% de milho, 20% de farelo de soja, 2% de calcário calcítico e 1% de
mistura mineral. É importante lembrar que a recomendação da composição e dos teores
de nutrientes do concentrado para diferentes propriedades pode variar em função da taxa
de ganho, da quantidade de leite produzida pelas mães e, principalmente, da quantidade
de forragem disponível e da qualidade da forragem, lembrando que os bezerros possuem
hábito de pastejo seletivo e que, portanto, na amostragem deve-se procurar colher
amostras representativas da forragem que está sendo pastejada.
O aumento no peso à desmama com a utilização desse sistema é variável. Os
fatores que influenciam a resposta são a quantidade e a qualidade do pasto, a produção
de leite das mães, o potencial genético do bezerro, o sexo, a idade dos bezerros à
desmama, o tempo de administração, o consumo e o tipo de suplemento. Alguns trabalhos
mostram variação de 13 a 40 kg.
Na maioria dos programas de cruzamento utilizam-se matrizes da raça Nelore,
cujos produtos ½ sangue europeu apresentam maiores exigências nutricionais. Quando
essas exigências são atendidas, os bezerros cruzados expressam o maior potencial de
ganho de peso que possuem, em comparação ao dos animais nelores puros. Para suprir
as deficiências, o emprego da suplementação pelo método creep feeding tem
proporcionado bons resultados no desempenho de bezerros ½ europeu + ½ Nelore , com
pesos à desmama acima dos 230 kg para os machos.

Creep grazing
O creep grazing pode ser empregado de duas formas. Uma opção é utilizar uma
área de pasto de acesso exclusivo dos bezerros. Outra alternativa é a utilização de
sistema rotacionado, em que os bezerros têm acesso ao pasto antes das vacas. O
objetivo é que os bezerros pastem as pontas tenras ou as partes mais nutritivas das

30
plantas, em vez dos colmos ou folhas velhas (senescentes), que serão usadas pelas
vacas no restante do pastejo.
Trabalho realizado nos Estados Unidos (Harvey & Burns, 1988) mostra aumento
significativo no ganho de peso vivo por hectare com a utilização do creep grazing em
milheto. Trabalhos com a utilização do creep grazing precisam ser realizados no Brasil
para verificar a viabilidade dessa técnica nas diferentes condições edafoclimáticas.

Alimentação de novilhas na fase de recria


Dentre os fatores que contribuem para o baixo desfrute da bovinocultura de corte
no Brasil, destaca-se a idade elevada de acasalamento das novilhas. Essa idade está
associada com a fase de recria, que envolve o desenvolvimento do animal da desmama
ao início do processo produtivo, ou seja, o estágio em que este atinge o peso ideal para
manifestar a puberdade.
Em virtude de o desenvolvimento ponderal entre o desmame e o início da vida
produtiva ser vagaroso, a fase de recria nas regiões tropicais reúne o maior contingente
populacional. Ademais, a fase de recria retém os bovinos, especialmente os zebuínos, por
longo tempo, entre 12 e 36 meses. Essas duas características combinadas, ou seja,
grande contingente populacional e prolongada duração da fase de recria, contribuem para
reduzir a eficiência do processo produtivo nos trópicos.
Face aos grandes investimentos (terra, instalações, animais, etc.) e aos altos
custos de manutenção (alimentação, trabalho, produtos veterinários, etc.) que
acompanham um rebanho de recria, torna-se desejável que os animais entrem em
produção o mais precocemente possível e haja melhora da eficiência reprodutiva
principalmente das fêmeas primíparas. Assim, torna-se necessário encurtar o tempo de
permanência dos animais na fase de recria e para que isso seja possível é necessário o
conhecimento das alternativas que propiciarão melhor aproveitamento dos recursos
produtivos visando a maximizar o retorno econômico.
A idade à puberdade é de extrema importância quando o sistema de produção
prevê acasalamento de novilhas para possibilitar o primeiro parto em idade mais precoce.
A puberdade e, conseqüentemente, a idade ao primeiro parto são reflexo direto da
taxa de crescimento, que é determinado pelo consumo de alimentos. As novilhas que
concebem cedo na estação de monta desmamam bezerros maiores e têm maior

31
produtividade durante a vida. Novilhas com puberdade inerentemente precoce podem
acasalar a custo menor do que novilhas com idade inerentemente tardia à puberdade.
As novilhas devem manter-se crescendo durante todo o ano para que alta
porcentagem delas apresente ciclo estral e taxa de concepção normal. Períodos de
irregularidade na distribuição de alimentos ocasionam severos efeitos no retardamento da
concepção. Variações no consumo de alimento, com nível restrito durante a seca,
exercem influência negativa sobre a idade à puberdade e a idade à primeira fecundação.
A taxa de fertilidade de novilhas cobertas em seu primeiro cio é menor do que a
obtida no terceiro estro e, conseqüentemente, seria ideal que as novilhas atingissem a
puberdade cerca de dois meses antes da estação de monta. Isto evitaria que novilhas
concebam ao final da estação de monta e, conseqüentemente, tenham ainda menores
possibilidades de conceber durante a estação de monta seguinte como primíparas.
A utilização de pastagens melhoradas, com espécies de maior qualidade e
adequada disponibilidade, é uma garantia para índices reprodutivos altos e consistentes
entre os anos, especialmente para vacas jovens, sendo fundamental em sistemas
intensivos de pecuária.
Embora a fase de recria seja menos complexa do que a fase de cria, ela requer
muita atenção do produtor, pois os requerimentos nutricionais do animal em crescimento
estão constantemente mudando, em função de alterações na composição de seu corpo. À
medida que a idade do animal vai avançando, reduz-se a taxa de formação de ossos e
proteína, com aumento acentuado na deposição de gordura. Do início dessa fase até a
puberdade, o monitoramento do ganho de peso diário é fundamental, não devendo
ultrapassar a média de 900 gramas por dia. Este procedimento evita a má formação da
glândula mamária (acúmulo de gordura e menor quantidade de tecido secretor de leite)
resultando em menor produção de leite para o bezerro e, conseqüentemente, menor
desempenho de sua progênie.
A idade à primeira cobrição determinará a alimentação das novilhas nessa fase.
Idades à primeira cobrição mais precoces (15 - 16 meses) exigirão planos mais elevados
de alimentação do que aqueles para idades mais avançadas para a primeira cobrição (24 -
26 meses).
Embora a idade cronológica da novilha seja importante, geralmente a puberdade
ou a idade ao primeiro cio para a maioria das raças européias ou cruzamentos é reflexo da
idade fisiológica (tamanho ou peso). Desse modo, o plano de alimentação a ser adotado
32
para as novilhas cruzadas será aquele que, de forma mais econômica, permita que elas
atinjam o peso para cobrição o mais cedo possível. O peso vivo para cobrição das
novilhas varia de acordo com a raça ou o grupo genético e também com o nível de
alimentação que poderá ser fornecido após a cobrição, mas tem sido sugerido de modo
geral o peso de 300 kg para as fêmeas cruzadas e de 280 kg para as fêmeas da raça
Nelore.

[Link].4. Recria de novilhas em pastagem

Pastos de excelente qualidade e bem manejados podem suprir os nutrientes para


o crescimento das novilhas durante o período das águas, desde que uma mistura mineral
esteja sempre à disposição. A suplementação volumosa na seca pode ser feita com
forragens verdes picadas, cana-de-açúcar adicionada de 1% de uréia, silagens ou fenos.
Para o fornecimento de volumosos em cochos, é necessário minimizar a competição por
alimento entre os animais manejados em grupos e, para isso, é importante propiciar aos
animais área suficiente de cocho, permitindo que todos tenham chance de se alimentar.
O fornecimento de concentrado às novilhas depende da idade, da qualidade do
alimento volumoso utilizado e do plano de alimentação adotado. A suplementação da dieta
de novilhas cruzadas Angus x Nelore, Simental x Nelore, Canchim x Nelore e Nelore, com
aproximadamente 12 meses de idade, na Embrapa Pecuária Sudeste, com cana, 0,9% de
uréia, 0,1% de sulfato de amônio e 1,5 kg de concentrado contendo 18% de proteína
bruta, mantidas em pastagem na seca, resultou em média de ganho diário de
aproximadamente 0,4 kg por animal por dia. Em outro trabalho realizado na Embrapa
Pecuária Sudeste, utilizando fêmeas desmamadas com sete meses mantidas em
pastagem e recebendo cana-de-açúcar e 1,5 kg de concentrado com 70% de farelo de
soja, 17% de milho, 4,5% uréia, 0,5% de sulfato de amônio, 2,0% de calcário calcítico,
6,0% de mistura mineral e 48% de proteína bruta, observou-se média diária de ganho de
0,63 kg por animal por dia nos animais cruzados de Angus x Nelore e Simental x Nelore.

[Link].5. Recria e terminação de bovinos para produção de carne

A recria é geralmente realizada em pastagem, com suplementação de mistura


mineral durante o ano todo e com ou sem suplementação de concentrados nos períodos
33
críticos de produção de forragem. Alguns autores, principalmente nos Estados Unidos,
sugerem o uso de concentrados durante o verão, para aumentar a taxa de lotação das
pastagens ou em pequenas quantidades para explorar o efeito aditivo de volumoso e
concentrado no aumento do ganho diário de peso vivo (Owensby et al., 1995). Quando a
quantidade de concentrados é elevada (>0,4% do peso vivo) ou a qualidade da forragem
(pasto) é adequada, pode ocorrer redução do consumo de pasto (efeito substitutivo)
(Pordomingo et al., 1991). Como o desejado é o consumo máximo de forragem durante a
recria em pastagens de verão, o fornecimento de concentrados deve ser limitado a 0,4%
do peso vivo dos animais.
A terminação de bovinos para produção de carne pode ser realizada das seguintes
maneiras:
1) no pasto;
2) no pasto com suplementação no verão;
3) no pasto com suplementação na seca (semiconfinamento); e
4) em confinamento.
Nos sistemas extensivos de produção, a terminação dos bovinos geralmente é
realizada no pasto, com suplementação de mistura mineral. Em conseqüência das
limitações de produção de forragem, em quantidade e qualidade, os animais apresentam
desempenho inadequado na seca, idade de abate elevada (acima de 36 meses), carcaça
com baixo peso e terminação inadequada, resultando em baixa produtividade por unidade
de área.
Nos sistemas que utilizam a suplementação com mistura de concentrados na seca
(semiconfinamento), há necessidade de vedar áreas de pastagem para utilização durante
a seca. Nesses sistemas, ocorre melhor distribuição (redução da sazonalidade) da
produção de carne em relação aos sistemas de produção unicamente em pastagem,
porém, a produtividade da propriedade ganha pequenos incrementos. Esses sistemas são
atrativos pela simplicidade, isto é, requerem investimentos apenas na compra de cochos e
concentrados, que são fornecidos na proporção de 1% do peso vivo dos animais, na
própria pastagem (Almeida & Azevedo, 1996).
A tomada de decisão de fazer semiconfinamento ou confinamento depende do tipo
de animal que o criador possui, do ganho de peso desejado ou necessário para produzir
bovinos prontos para abate e do planejamento antecipado na produção de alimentos
volumosos, entre outros fatores. O baixo ganho de peso vivo, entre 0,34 a 0,64
34
kg/animal/dia, dependendo do peso vivo inicial (Almeida et al., 1994), obtido com animais
nelorados em sistema de semiconfinamento, pode ser considerado como uma
desvantagem deste sistema de criação, em relação aos sistemas que utilizam o
confinamento para a terminação de bovinos para abate, como mostrado a seguir.
Nos sistemas mais intensificados, a recria e ou a terminação pode ocorrer em
pastos com diferentes graus de correção e fertilização dos solos. A correção e a adubação
das pastagens aumenta a produção e a qualidade da forragem disponível para os bovinos.
Dessa maneira, é possível aumentar a taxa de lotação e o ganho diário de peso vivo,
resultando em maiores produções por unidade de área.
Os sistemas de produção de carne bovina da região Sudeste, que utilizam mais
intensivamente o fator terra, fazem uso do confinamento de bovinos como técnica para
reduzir a idade de abate, liberar áreas de pastagens para outras categorias de animais,
reduzir a taxa de lotação das pastagens nos períodos críticos (seca), obtendo, dessa
maneira, melhor taxa de abate, carcaças mais pesadas na entressafra e maior produção
de carne por unidade de área. O confinamento de bovinos na década de 1990 era
realizado com o objetivo de "estocar boi em pé", isto é, obter lucro com a variação de
preço de safra-entressafra do boi gordo.
O diferencial de preço em moeda americana (dólar) foi de 15,3%, em média, de
1992 a 1997. Atualmente, o confinamento tem de ser realizado com planejamento de tipo
ou grupo genético de animais, disponibilidade de alimentos volumosos e concentrados,
formulação da dieta adequada para os animais, instalações, época do ano mais
apropriada e idade dos animais, entre outros fatores. Diversos estudos mostram que
animais que entraram em confinamento acima de 20 meses de idade apresentaram
eficiência de conversão alimentar (ECA) de 8,7, enquanto que aqueles que possuíam
idade entre 7 e 17 meses apresentaram ECA de 6,3 kg de matéria seca ingerida por
quilograma de ganho de peso vivo, mostrando vantagem de 27% em favor do
confinamento de animais mais jovens. Por outro lado, animais de alto potencial para
ganho de peso que foram recriados em pastagens podem apresentar elevado ganho de
peso compensatório por períodos de até 60 dias, sendo então adequados para os
sistemas que produzem carne para mercados pouco exigentes quanto à terminação dos
bovinos.

35
[Link].6. Pastagem

As forrageiras mais comuns e que podem ser utilizadas sob manejo extensivo são:
capim-braquiária, capim-braquiarão, capim-colonião, capim-tanzânia, capim-tobiatã,
capim-mombaça, capim-coastcross, capim-estrela e capim-tifton.
O produtor deve dar preferência às pastagens adaptadas à sua região, que
apresentem condição de responder mais rapidamente às adubações e não estejam em
processo de degradação.

Gênero Brachiaria
Teve papel extremamente importante no Brasil, pois viabilizou a pecuária de corte
nos solos ácidos e de baixa fertilidade, predominantes na região dos Cerrados, e constitui
ainda hoje a base das pastagens cultivadas brasileiras. Além disso, propiciou o
desenvolvimento de expressiva indústria de semente, colocando o Brasil como o maior
exportador desse insumo para o mundo tropical (Valle et al., 2000).

Gênero Panicum
O Panicum maximum Jacq. é uma das espécies de plantas forrageiras mais
importantes para a produção de bovinos nas regiões de clima tropical e subtropical, sendo
a cultivar Colonião a mais difundida e de introdução mais antiga no Brasil. A demanda por
sementes dessa cultivar vem diminuindo, em virtude de lançamentos de novas cultivares
mais produtivas. O uso e o interesse por plantas pertencentes ao gênero Panicum têm
crescido nos últimos anos, provavelmente em virtude de seu grande potencial de produção
de matéria seca por unidade de área, ampla adaptabilidade, boa qualidade de forragem e
facilidade de estabelecimento.
Dessa forma, já foram lançados no Brasil, por diversas instituições de pesquisa,
várias outras cultivares de Panicum maximum, tais como: Tobiatã, Vencedor, Centenário,
Centauro, Aruana, Tanzânia, Mombaça e Massai.
As cultivares de Panicum maximum Jacq. disponíveis comercialmente são
basicamente adaptadas a solos profundos, bem drenados e de boa fertilidade. O cultivo
dessas espécies em solos que não satisfazem essas condições e que não recebem
adequado suprimento de nitrogênio, tem levado freqüentemente à má formação, ou, mais
comumente, à baixa persistência sob pastejo, com conseqüente perda da capacidade
36
produtiva e necessidade de medidas corretivas de recuperação em curto prazo (Herling et
al., 2000).

Gênero Cynodon
O gênero Cynodon se apresenta como mais um recurso forrageiro para as regiões
tropicais e subtropicais. Existem duas espécies principais: C. dactylon (L.) Pers. (capim-
bermuda), e Cynodon nlemfuensis Vanderyst var. nlemfuensis (capim-estrela). No grupo
das bermudas, vários híbridos estão disponíveis: Coastcross, Florakirk, Tifton 44, Tifton 68
e Tifton 85. No grupo das estrelas estão disponíveis as cultivares: Florico, Florona e Ona.
No Brasil, as áreas de pastagens com o gênero Cynodon são pouco representativas em
relação às áreas com os gêneros Panicum e Brachiaria. Além disso, as informações sobre
Cynodon no Brasil são escassas e estão mais relacionadas com a cultivar Coastcross
(Vilela & Alvim, 1998). Esta espécie, nas condições brasileiras, tem apresentado, sob
adubação, elevada produção de forragem de boa qualidade, sendo usada tanto na forma
de pastejo como na forma de feno.
Com relação aos novos híbridos lançados nos Estados Unidos, eles chegaram ao
Brasil recentemente e não foram ou ainda estão em fase de avaliação nos Centros de
Pesquisa (Vilela & Alvim, 1998).

[Link].6.1. Estande

O estande representa a população de plantas por área, portanto, o produtor, ao


escolher a área, deve levar em consideração o percentual de cobertura da planta
forrageira existente na pastagem.
De maneira geral, pastagens com estande de 70 a 80% da forrageira selecionada
podem ser recuperadas para utilização no sistema de pastejo intensivo rotacionado. A
recuperação, nesse caso, se dará por meio de correção da fertilidade e adubações em
cobertura, não necessitando do preparo convencional de solo. O produtor deve estar
atento para que a área escolhida esteja livre de plantas invasoras e pragas, como cupins e
formigas.

37
[Link].6.2. Implantação da pastagem

Boa formação do pasto é essencial para o sucesso de sistemas de produção


animal em pastagens. Dentre as causas de insucesso na implantação de pastagens,
podem-se citar: métodos incorretos de semeadura; espécies forrageiras inadequadas; tipo
de solo inadequado; baixo vigor e baixo valor cultural das sementes; equipamentos para
semeadura mal regulados ou inadequados; época do ano em que é feito o plantio; pragas
e doenças; falta de umidade no solo; cobertura insuficiente da semente; cobertura
demasiada da semente; formação de crostas no solo; falta de corretivos e fertilizantes;
drenagem insuficiente; e presença de plantas invasoras.
Dessa forma, para boa formação do pasto, os seguintes itens devem ser
observados: escolha da espécie ou cultivar; escolha da área; preparo do solo; época de
plantio; calagem e adubação de formação; qualidade e quantidade de mudas ou
sementes; e método de plantio.
A escolha da espécie ou cultivar e da área deve ser feita levando-se em
consideração as características. Em áreas de maior declividade, é importante a adoção de
técnicas de conservação do solo, como a construção de terraços.
O preparo do solo deve ser feito de forma a criar condições ideais para a
germinação das sementes e para o crescimento da planta. Como as sementes de
gramíneas forrageiras são, de modo geral, muito pequenas, o preparo adequado do solo
(evitando o preparo excessivo e a degradação física) é muito importante a fim de permitir
maior contato da semente com as partículas de solo. Esse processo irá facilitar, também,
a colocação das sementes em profundidade adequada. Para a maioria das espécies
forrageiras, a profundidade de plantio recomendada é de 2 a 4 cm.
As forrageiras tropicais devem ser plantadas durante o período chuvoso e quente
do ano, quando as condições climáticas são mais favoráveis ao desenvolvimento das
plantas. Na região Sudeste do Brasil, recomenda-se que este seja realizado entre
novembro e janeiro.
É importante ressaltar que as gramíneas forrageiras, de modo geral, respondem
bem à adubação fosfatada no momento da implantação.
A aquisição de boa semente ou muda é essencial para o sucesso da implantação.
A semente deve ser de procedência idônea, para evitar a contaminação do solo com
plantas daninhas indesejáveis e garantir a integridade genética da espécie ou cultivar
38
adquirido. A escolha da semente deve ser feita com base em sua qualidade. Esta pode ser
determinada por meio de procedimentos específicos de análise, em que serão
determinados a pureza física, a presença de plantas daninhas, e o vigor e o valor cultural
das sementes. É importante ressaltar que o valor cultural da semente, de modo isolado,
não é um bom critério de escolha. Sementes com alto valor cultural, porém contaminadas
com determinadas espécies invasoras ou com vigor muito baixo devem ser evitadas.
A densidade de semeadura varia de acordo com a espécie forrageira.
A semeadura pode ser feita nos sulcos, utilizando-se semeadoras de sementes
miúdas, ou em superfície, utilizando-se calcareadoras. O plantio com semeadoras é mais
indicado. Neste caso, o espaçamento entre linhas deve ser de 20 cm. Após o plantio, é
interessante que seja feita a compactação da semente para aumentar o contato dela com
o solo. Essa operação pode ser feita com o auxílio de rolos compactadores ou com o
próprio rodado do trator.
Para as gramíneas que não produzem sementes, como os cultivares dos gêneros
Cynodon, a formação é feita por via vegetativa. Nesse caso, devem-se utilizar mudas
maduras e sadias, colhidas de locais livres de pragas, doenças e plantas daninhas. Mudas
jovens, pequenas e tenras não devem ser utilizadas, pois desidratam rapidamente no
sulco. Para o plantio de espécies do gênero Cynodon, as mudas devem ser colhidas com
cerca de 110 dias e serão necessários 2,5 t/ha de mudas para plantio no sulco, 3,0 t/ha de
mudas para plantio em covas e 4,0 a 5,0 t/ha para plantio a lanço (Rodrigues et al., 1998).
O mais indicado é o plantio em sulcos, que devem ser feitos com 50 a 100 cm de
espaçamento, a 5 a 15 cm de profundidade. Nesse caso, dois terços da muda devem ser
enterrados, deixando-se o terço apical sobre o solo.

[Link].6.3. Manejo de plantas forrageiras dos gêneros Panicum, Brachiaria e


Cynodon

Os principais objetivos do manejo das pastagens são assegurar a longevidade e a


produtividade da planta, além de fornecer alimento em quantidade e qualidade para
atender às exigências nutricionais de ruminantes (Silva et al., 1998).
O manejo das espécies forrageiras está relacionado às suas características
morfológicas e fisiológicas, estando também inter-relacionado com a rebrota, com a
composição botânica e com a produção animal pretendida (Maraschin, 1988).
39
Em pastagens, as plantas forrageiras estão sujeitas a desfolhas consecutivas, cuja
freqüência e intensidade dependem principalmente da estratégia de manejo utilizada.
Existem dois métodos clássicos de pastejo, com suas variações: o contínuo e o
rotacionado.

Pastejo com lotação contínua


No pastejo com lotação contínua, os animais permanecem na mesma área
durante toda a estação de pastejo ou durante o ano. As plantas forrageiras do gênero
Brachiaria, principalmente a B. decumbens e a B. humidicola, e as do gênero Cynodon
podem apresentar bom desempenho sob pastejo contínuo, pois esse sistema é mais
adequado para plantas de crescimento prostrado, estoloníferas e/ou rizomatosas, que
apresentam intenso perfilhamento e ritmo acelerado de produção de folhas.
Gomide et al. (1997), com base em estudos preliminares com lotação contínua em
Brachiaria decumbens, recomendaram manter a altura da pastagem entre 20 e 40 cm.
Outra forma de se ajustar o manejo é por meio da disponibilidade de forragem. Euclides et
al. (1993), em pastejo continuo, verificaram que em pastagens de Brachiaria decumbens e
Brachiaria brizantha o ponto de máximo ganho por animal foi de 500 g/dia com
disponibilidade de MVS (matéria verde seca) de 1000 kg/ha. Esse valor foi estimado por
esses autores como sendo o limite mínimo, abaixo do qual o desempenho animal é
limitado pela disponibilidade de forragem.
No caso de plantas forrageiras do gênero Cynodon, os trabalhos de pesquisa
feitos na Universidade da Flórida têm recomendado, de forma geral, manter a altura de
pastejo entre 15 e 25 cm. Por outro lado, Hill et al. (1993) sugerem que pastagens de
Tifton 78 e Tifton 85 devem ser manejadas com disponibilidade de forragem ao redor de
2500 kg de matéria seca por hectare. Já para os capins do grupo estrela (Florico e
Florona), que são de porte mais elevado do que os capins do grupo bermuda, é indicado
manter altura de pastejo acima de 30 cm (Mislevy et al., 1989a, b).
A vantagem do método de pastejo com lotação contínua é a possibilidade de se
obter desempenho animal mais elevado, em vista da oportunidade que o animal tem de
exercer pastejo seletivo. Todavia, quando se trabalha com oferta elevada de forragem com
gramíneas tropicais, com o avançar da estação de pastejo ocorre o acúmulo de material
morto, o qual passa a contribuir negativamente para a produção futura do pasto (Penati et
al., 1999).
40
Assim, à medida que se intensificar a produção das pastagens com essas
forrageiras, o pastejo rotacionado também passa a ser indicado, por permitir controle do
resíduo pós-pastejo de forma mais adequada.

Pastejo rotacionado
Com a elevada produção de forragem obtida sob adubação intensiva, o sistema de
pastejo rotacionado, que se caracteriza pela mudança periódica e freqüente dos animais
de um piquete para outro dentro da mesma pastagem, é o mais indicado, por garantir
maior uniformidade e melhor eficiência de pastejo e maior controle do estoque de
forragem. Esse sistema facilita, assim, a determinação da oferta de forragem ótima, que é
definida em termos de quilogramas de matéria seca de forragem ofertada por dia por 100
kg de peso vivo (% PV). Essa avaliação é importante, pois não são desejáveis nem o
excesso de animais em relação à forragem disponível (superpastejo), porque interfere na
produção animal e prejudica a rebrota das plantas, nem a falta de animais (subpastejo),
porque propicia perdas de forragem.
O pastejo rotacionado é também indicado, independentemente da intensificação,
para espécies forrageiras de hábito de crescimento ereto, tais como as cultivares de
Panicum maximum e a Brachiaria brizantha cv. Marandu (Penati et al., 1999).
O número de piquetes de cada pastagem será função do período de descanso
(PD) e do período de ocupação (PO), que pode ser obtido pela equação: Número de
piquetes = (PD/PO) + 1. O período de ocupação deve ser de curta duração, de um a três
dias, para garantir melhor rebrota das plantas e facilitar o controle da lotação da
pastagem. O período de descanso varia conforme a espécie forrageira, para obter melhor
equilíbrio entre produção e qualidade da forragem.

[Link].7. Saúde

Doenças e Parasitos mais comuns


Na pecuária de corte, pretere-se a clínica curativa em favor da clínica profilática.
Isto se deve ao tamanho do rebanho e o seu manejo diferenciado. No rebanho criado a
campo, torna-se difícil a observação de animal por animal, como acontece na pecuária de
leite.

41
Atualmente, com a facilidade de transporte, tornou-se muito intensa a
movimentação de animais de uma região para outra. Com isto, houve grande
disseminação de doenças entre os bovinos, principalmente as doenças viróticas. Para
controle dessas doenças, utilizam-se as vacinações como forma preventiva. No Brasil,
existem vacinas obrigatórias por lei, como é o caso da vacina contra a febre aftosa e, mais
recentemente, a da brucelose em alguns Estados. Outras tornam-se obrigatórias não por
lei, mas pelo fato de que sem elas fica quase impossível a criação de bovinos em certas
regiões, a exemplo da vacinação contra a raiva bovina e o carbúnculo sintomático.
Para obter sucesso na pecuária de corte, faz-se necessário elaborar um
calendário profilático, esquematizando as épocas de vacinações. Há vacinas que são
aplicadas no rebanho todo, outras são aplicadas somente em certas categorias de
animais, selecionando idade e até mesmo o sexo, como é o caso das vacinações contra o
carbúnculo sintomático e a brucelose. Uma das práticas para bom manejo sanitário na
pecuária de corte é a implantação de uma estação de monta, para concentrar os
nascimentos dos bezerros na mesma época do ano. O manejo profilático inicia-se com a
cura do umbigo do bezerro, para evitar a onfalite (inflamação do umbigo). Em seguida, é
recomendável a aplicação de l mL de avermectina, para evitar as miíases (bicheiras por
larvas de moscas).
As doenças e as vacinações mais comuns na pecuária de corte são:
Febre aftosa: É uma doença aguda que acomete os animais fissípedes (que têm
os cascos partidos), extremamente contagiosa e causada por um vírus. É caracterizada
por febre alta e feridas na boca e nos cascos. Essa doença é de grande interesse para o
Brasil, por ser um fator limitante na exportação de carne para outros países onde ela já foi
erradicada. Atualmente, a vacina é oleosa, que dá imunidade mais duradoura. É uma
vacina de caráter obrigatório e feita em todo rebanho, independentemente de idade. O seu
calendário é determinado pela secretaria de agricultura de cada Estado.
Brucelose: É uma doença bacteriana, que interfere na reprodução, provocando
aborto. Essa doença, além do prejuízo econômico, pode ser transmitida ao homem. A
vacinação contra ela está se tornando obrigatória em vários Estados brasileiros. Ela é feita
em dose única e somente em fêmeas de 3 a 8 meses de idade. É recomendável que se
faça um teste de soro aglutinação anualmente em todos os animais em idade reprodutiva.
Tuberculose: Embora a tuberculose em bovinos de corte tenha menor incidência
do que no gado de leite, ela não deixa de ser preocupante. Foi criado recentemente um
42
programa nacional para erradicação da brucelose e da tuberculose no rebanho bovino
brasileiro. Considerando que a vacinação contra a tuberculose é de pouca eficácia, faz-se
o controle dessa doença em bovinos por meio do teste de tuberculinização. Em bovinos de
corte, o teste é feito com a aplicação de tuberculina PPD bovina em animais de idade igual
ou superior a seis semanas de vida. A aplicação é feita na prega caudal, fazendo-se a
leitura 72 horas após. Os animais positivos são eliminados do rebanho. Animais reagentes
positivos deverão ser isolados de todo o rebanho e sacrificados no prazo máximo de 30
dias após o diagnóstico, em estabelecimento sob serviço de inspeção oficial, indicado pelo
serviço de defesa oficial federal e estadual. Na impossibilidade de sacrifício em
estabelecimento sob serviço de inspeção oficial, indicado pelo serviço de defesa oficial
federal e estadual, os animais serão destruídos no estabelecimento de criação, sob
fiscalização direta da unidade local do serviço de defesa oficial, respeitando
procedimentos estabelecidos pelo Departamento de Defesa Animal.
Raiva bovina: É uma doença causada por um vírus e transmitida por morcegos
hematófagos. A vacinação contra essa doença só é feita em regiões onde existem
colônias permanentes de morcegos sugadores de sangue. A vacinação se torna
obrigatória quando aparecem focos esporádicos da doença em certas regiões. A aplicação
da vacina é anual e feita em todo o rebanho, independentemente de idade.
Clostridiose: Das clostridioses que acometem os bovinos, a mais importante no
Brasil é o carbúnculo sintomático. É uma doença típica de animais jovens (até 2 anos).
Para sua prevenção, utilizam-se as vacinas polivalentes, isto é, que dão imunidade
também contra outros tipos de clostrídios. Quando se utiliza a vacina polivalente, a
aplicação é feita no pré-parto, ao nascimento, à desmama e aos 12 meses de idade. Nos
animais adultos ela é aplicada uma vez ao ano.
Botulismo: É causada por uma toxina de uma espécie de Clostridium e que ataca
o sistema nervoso dos animais. Essa toxina pode estar presente na medula de ossos de
carcaças nas pastagens, em águas estagnadas e em cama de aves. A vacinação contra
essa doença é feita quando ocorrem surtos na região. É uma vacina aplicada somente em
animais acima de um ano de idade. De uma forma geral, recomenda-se o uso de duas
doses iniciais com 4 a 6 semanas de intervalo e a seguir uma dose anual em todo o
rebanho.
Leptospirose: É uma doença de distribuição mundial, sendo mais freqüente em
áreas de clima quente e úmido. Essa doença é uma zoonose, isto é, pode ser transmitida
43
ao homem. No bovino, a importância da doença é mais de ordem econômica, por
influenciar o potencial reprodutivo do rebanho. No homem, porém, ela pode ser fatal. Essa
doença nos bovinos pode ser controlada por vacinação, sendo a primeira dose aplicada
entre 4 a 6 meses de idade, com reforço quatro semanas após. Todo o rebanho deve ser
vacinado semestralmente.
Salmonelose: Essa doença, também chamada de paratifo, é mais comum em
animais jovens. Ela provoca enterite (inflamação intestinal), acompanhada de diarréia,
febre alta, descoordenação nervosa e morte em 24 a 48 horas. Embora os animais
doentes respondam bem ao tratamento com antibióticos, a doença pode ser evitada com
vacinação. A vacina é aplicada na vaca no pré-parto (8o mês de gestação) e no bezerro
entre 15 e 30 dias após o nascimento.
Pasteurelose: É uma doença infecciosa aguda, que causa febre, perda do apetite,
diarréia sanguinolenta e prostração. Os animais enfermos respondem bem ao tratamento
com sulfas. Essa doença pode ser evitada por vacinação, que é feita juntamente com a do
paratifo (vacina polivalente). Sua aplicação se faz também no pré-parto e no bezerro entre
15 e 30 dias de vida.
IBR, BVD, PI3 e BRSV: São viroses comumente associadas com doenças
respiratórias e perdas reprodutivas em bovinos. A prevenção contra essas doenças é feita
com vacinas polivalentes, ou seja, existem vacinas para todas elas em conjunto. A
vacinação é feita aos três meses de idade, com reforço 30 dias após, com revacinação
anual em dose única.
Combate a ectoparasitos e endoparasitos: Os principais ectoparasitos de
bovinos no Brasil são os carrapatos, os bernes e a mosca-dos-chifres. Só é recomendável
combater esses parasitos quando as infestações forem altas. Isso ocorre mais nos meses
de verão. Eles podem ser combatidos com produtos cujas vias de aplicação podem ser:
pulverização, "pour-on" (sobre o dorso do animal), em banheiros de aspersão ou imersão
e injetáveis. Quanto aos parasitos internos (vermes em geral), a preocupação maior é com
os animais jovens, visto que os animais adultos são mais resistentes. Portanto, o combate
à verminose deve estar mais voltado aos animais com menos de três anos. A melhor
época para everminação deve abranger o período das secas.

44
Calendário profilático para bovinos de corte
Febre aftosa: É feita em todo rebanho, sendo o calendário de aplicação
determinado pela secretaria de agricultura de cada Estado.
Brucelose: A vacina é aplicada somente em fêmeas de 3 a 4 meses de idade,
acompanhada da marcação com um V seguido do último número do ano de nascimento,
no lado esquerdo da cara. Deve-se fazer teste de soro aglutinação em todos os animais
em idade reprodutiva uma vez ao ano.
Tuberculose: Fazer o teste de tuberculinização com PPD bovino na prega caudal,
seguindo orientação do PNCEBT (Programa Nacional de Controle e Erradicação da
Brucelose e da Tuberculose).
Raiva bovina: Vacinar todo rebanho, nas regiões endêmicas uma vez por ano, E
nas regiões livres, somente quando determinada pelas secretarias de agricultura.
Clostridioses:
- Pré-parto
- Nascimento
- Desmama
- Aos 12 meses
- Todo o rebanho uma vez por ano
Botulismo: Proceder vacinações quando ocorrer surto da doença. De uma forma
geral, recomenda-se o uso de 2 doses iniciais, com 4 a 6 semanas de intervalo e a seguir
uma dose anual em todo o rebanho.
Leptospirose: Vacinar os animais de 4 a 6 meses de idade, com reforço quatro
semanas após. Vacinação em todo rebanho semestralmente.
Salmonelose e pasteurelose: Vacas pré-parto (8o mês de gestação) e bezerros de
15 a 30 dias de vida.
IBR, BVD, PI3 e BRSV: Vacinar aos 3 meses de idade, com reforço 30 dias após.
Revacinação anual com dose única.
Combate a carrapatos, bernes e mosca-dos-chifres: Combate conforme a
necessidade.
Everminação:
- Ao nascimento, 1ml de avermectina
- Em maio e julho, todos os animais até 24 meses
- Em outubro, todo o rebanho.
45
[Link].8. Mercado e comercialização

No Brasil, a pecuária bovina de corte possui longo ciclo de produção, variando de


5 a 7 anos, de acordo com o nível da tecnologia adotado.
De acordo com a maturação do seu produto final, a produção de gado de corte é
dividida em diversas fases, que podem ou não estar integradas dentro da mesma
propriedade rural. São as fases de cria, recria e engorda, todas elas desenvolvidas
predominantemente em pastagens. A fase de cria concentra-se na produção de bezerros,
mantidos ao pé da vaca até a desmama (7 a 9 meses), sendo extremamente importante,
nesta fase, o manejo da reprodução e da alimentação. Esta fase representa o cerne da
pecuária bovina e é a mais sensível à baixa produção de forragens, principalmente no
inverno ou na seca, sendo responsável, quase integralmente, pelos baixos índices de
produtividade do rebanho nacional. A fase de recria vai da desmama até a época de
acasalamento das fêmeas e engorda dos machos, variando de 2 a 4 anos, dependendo da
tecnologia adotada. A fase de engorda tem duração de aproximadamente 12 meses,
sendo na sua quase totalidade realizada em pastagens, embora nos últimos dez anos
tenha aumentado significativamente o número de animais confinados no País. De 1992 a
2001, o número de bovinos confinados aumentou de 825.000 animais (cerca de 0,5% do
rebanho efetivo em 1992) para 1.868.000 animais (cerca de 1,1% do rebanho efetivo em
2001), representando aumento de 126,42% no período (Anualpec, 2002). De qualquer
modo, em relação ao efetivo bovino brasileiro, o número de animais confinados é muito
pequeno, caracterizando-se a produção em pastagens.

Abate e comercialização
A concentração geográfica, a proporção de machos e de fêmeas em oferta e as
formas de compra e venda de animais são as principais características do abate e da
comercialização no País. A maior concentração do abate e do comércio se dá no centro-
sul brasileiro (cerca de 76% do total), sendo o maior mercado consumidor o Estado de
São Paulo (Estado com maior renda per capita do País), onde se encontra o maior número
de estabelecimentos de abate do Brasil, muitos deles operando hoje com capacidade
ociosa. Nas últimas décadas, têm se verificado deslocamentos de frigoríficos para as
regiões de maior produção de gado de corte, caindo com isto a importância da capacidade

46
instalada de abate do Estado de São Paulo, notabilizando-se hoje por concentrar mais
estabelecimentos de desossa e de distribuição.
A taxa geral de abate no Brasil em 1992 foi de 19,6% e em 2001 de 22,6%
(Anualpec, 2002).
Os preços são formados nas regiões de comercialização e as decisões dos
produtores de compra e venda se baseiam nas cotações ali praticadas. No Estado de São
Paulo, destacam-se as praças de Araçatuba, Marília, Bauru, São José do Rio Preto,
Barretos e Presidente Prudente; no Estado de Mato Grosso do Sul, as praças de Três
Lagoas e Campo Grande; no Estado do Mato Grosso, a praça de Barra do Garça; no
Paraná, as praças de Londrina e Maringá; em Goiás, a praça de Goiânia; e em Minas
Gerais, a praça de Uberaba.
Os ganhos de produtividade e o aumento da produção somente se viabilizarão mediante a
utilização econômica eficiente de técnicas intensivas de produção, como, por exemplo,
adubação e manejo intensivo de pastagens de gramíneas de alta produção de massa,
possibilitando elevada carga animal por hectare, estação de monta (reprodução)
concentrada e bem definida, visando à obtenção de taxas elevadas de natalidade e
desmame, cruzamentos industriais para exploração da heterose e produção de novilho
precoce com excelente qualidade de carcaça, compatível com a demanda internacional,
principalmente, União Européia, EUA, Extremo Oriente, Oriente Médio e outros mercados,
representando, segundo a ABIEC, no ano de 2000, respectivamente 53,0%; 11,79%;
15,34% e 19,84% das nossas exportações de carne bovina.

[Link]. Avicultura de corte e reprodução.

A atividade de avicultura de corte e reprodução é explorada como atividade


secundária de subssistência para a fazenda. A quantidade máxima de animais que são
mantidos na fazenda é de 50 cabeças.
Os animais são criados soltos durante o dia e presos a noite.
Em decorrência da quantidade pequena de animais, não serão efetuados estudos
especiais sobre esta atividade.

47
[Link]. Posto de Abastecimento

Na propriedade existe um sistema de armazenamento aéreo de óleo diesel, com


capacidade para 15.000 litros, que abastecem as máquinas, com bacia de contenção;
área de abastecimento com piso impermeável e com canaletas ligadas a caixa SAO. A
lavagem e reparos dos veículos e máquinas/equipamentos são realizados em local com
piso impermeável, e um sistema de captação de efluentes. Segue em anexo a dispensa
de licenciamento ambiental.

[Link]. Equipamentos utilizados:

Tipo: Uso:
Atividades diversas como arraste das plantadeiras para o
plantio; transporte de materiais dentro da propriedade;
Tratores:
pulverização, aplicação de calcário, gesso e adubo de
cobertura.
Plantadeiras: Plantio de todas as culturas da propriedade.
Pulverizador: Aplicação de dessecantes e outros herbicidas e inseticidas.
Colheitadeiras: Colheita mecanizada das culturas da soja, milho e sorgo.
Distribuidor de
Distribuição do adubo de cobertura (uréia) nas culturas.
uréia
Distribuidor de
Aplicação do calcário e gesso agrícola na propriedade.
calcário
Máquina
Batedora de Trilhar o feijão
feijão
Recolhedor de
Recolhimento do feijão
feijão
Patrola Concerto das estradas
Pá mecânica Serviços Gerais.
Caminhão Transporte de produtos agrícolas e insumos.

48
Caminhão
Lubrificação das máquinas e equipamentos agrícolas.
Melosa
Máquina de
Tratamento de Fazer tratamento na semente para o plantio.
sementes

[Link]. Local para abastecimento de máquinas

Na propriedade existe um sistema de armazenamento aéreo de óleo diesel, com


capacidade para 15.000 litros, que abastecem as máquinas, com bacia de contenção;
área de abastecimento com piso impermeável e com canaletas ligadas a caixa SAO. A
lavagem e reparos dos veículos e máquinas/equipamentos são realizados em local com
piso impermeável, e um sistema de captação de efluentes.

[Link]. Armazenamento de insumos e produtos:

[Link].1. Insumos e produtos utilizados na atividade:

a) Agrotóxicos (produtos químicos): São transportados para a fazenda em


quantidades suficientes para pequenos períodos.

b) Fertilizantes: Os fertilizantes são armazenados no galpão da fazenda.

[Link].2. Produtos e sub-produtos gerados na atividade:

a) Grãos
Na fazenda existe um sistema para armazenamento e limpeza.
b) Palhas dos cereais:
A palha dos cereais colhidos fica distribuída na lavoura, uma vez que a colheita é
mecanizada e a colheitadeira é dotada de picador de palha.

49
[Link]. Manutenção dos equipamentos:

A manutenção básica das máquinas é realizada na fazenda pelos funcionários.


Caso sejam necessários reparos de maior monta, os mesmos são direcionados à cidade
de João Pinheiro.

[Link]. Emissões:

Produtos Descartes
O lixo doméstico é recolhido, separado o que se pode ser reciclado e
os lixos orgânicos são depositado em uma vala, afastada das
Lixo
residências e os que podem ser reciclados são levados a uma
doméstico
empresa em João Pinheiro ou Paracatu para fazer a reciclagem do
material.
Óleos Todo óleo recolhido tem sido armazenado em tambores.
lubrificantes Posteriormente é destinado para um agente recolhedor.
Recolhido tem sido armazenado em tambores. Posteriormente é
Filtros
destinado para um agente recolhedor.
Pneus São devolvidos por ocasião da compra de novos.
As embalagens vazias de defensivos, após sofrerem a tríplice
Embalagens
lavagem e serem perfuradas no fundo, são levados e armazenados e
vazias de
posteriormente entregues no posto de recebimento de embalagens
agrotóxicos
de agrotóxicos.
Efluentes Nas residências e alojamento as águas servidas são conduzidas
domésticos para uma fossa séptica e depois para a vala de infiltração.
Embalagens Ficam armazenadas em uma sala destinada a este fim.
graxas e
lubrificantes

[Link]. Resultados das análises de solo, das áreas produtivas

50
Segue em anexo os resultados das análises de solos.

5 – DESEMPENHO DO SISTEMA DE CONTROLE AMBIENTAL

5.1. Análise dos impactos ambientais relacionados ao empreendimento

5.1.1. Demanda por água, uso excessivo e possibilidade de contaminação.

Este impacto ambiental previsto na fase de operação do empreendimento foi


mitigado através da instalação de bomba sem a utilização de óleo diesel ou gasolina.

5.1.2. Uso de fertilizantes e de defensivos agrícolas.

Este impacto ambiental previsto para a fase de operação do empreendimento foi


mitigado pela utilização de técnicas de análise de solo e interpretação dos resultados
visando a adequação das adubações as exigências do solo e culturas. Já o uso de
defensivos agrícolas foi mitigado pela utilização de controle integrado de pragas e
doenças.

5.1.3. Manejo mecanizado dos solo

Este impacto ambiental previsto para a fase de operação do empreendimento foi


mitigado pela implementação do sistema de plantio direto na palha que diminuí a utilização
de máquinas agrícolas no solo.

5.2. Monitoramento Ambiental

5.2.1. Qualidade do solo:

Objetivos: verificar o equilíbrio químico e físico do solo, para verificar a quantidade


necessária da adubação a ser aplicado.

51
Forma de verificação: análises químicas e físicas. São analisados os seguintes elementos
químicos: pH H2O, pH CaCl2O, P meh-1, K+, S-SO4=, Ca2+, Mg2+, Al3+, H+Al, M.O., SB, t, T, V, m. E
quanto a textura são analisados: Areia Total, Silte e Argila.

Período de monitoramento: é realizado as análises de solo anualmente.

5.2.2. Práticas Conservacionistas:

Objetivos: verificar as condições das estradas internas na tentativa de eliminar qualquer


situação que possa provocar erosão.

Forma de verificação: com vistoria nas estradas internas da propriedade, nos locais onde
necessitam fazer algum reparo com cascalho e foi feito bacias de contenção onde é retido
a água da enxurrada para infiltração.

Período de monitoramento: antes do período chuvoso.

5.2.3. Embalagens vazias:

Objetivos: recolher todas as embalagens vazias de defensivos, lubrificantes e sacarias de


adubo, armazenadas na propriedade para a unidade de recebimento.

Forma de destinação: as embalagens vazias de defensivos armazenados são levadas a


empresas especializadas; as embalagens de lubrificante são entregues junto com o óleo
usado conforme o certificado de coleta de óleo usado ou contaminado.

Período: sempre que houver um volume suficiente para uma carga.

5.2.4. Condições de conservação das vegetações:

Objetivos: verificar as condições de conservação das áreas de preservação permanente e


reserva legal da propriedade.

52
Forma: Os empregados e proprietários vão às áreas destinadas a reserva legal e APP,
periodicamente, verificar se há invasão com gado dos vizinhos, evitar riscos de incêndios,
erosões, ataques intensos de formigas, cupins migrantes das lavouras.

Período: Periodicamente.

5.2.5. Condições de higiene:

Objetivos: verificar as condições de higiene das instalações.

Forma: vistorias in loco.

Período: Periodicamente.

5.2.6. Óleos Usado:

Objetivos: recolher os recipientes de óleos usados cheias e dar destinação.

Forma: os recipientes cheias de óleo usados são armazenados e posteriormente são


destinados a um agente recolhedor conforme o certificado de coleta de óleo usado ou
contaminado.

Período: sempre que houver uma quantidade que de uma carga.

5.2.7. Fossa séptica:

Objetivos: fazer a manutenção para evitar o enchimento total da caixa séptica.

Forma: promove a retirada do lodo e aplica em área de lavoura ou na horta.

Período: bianual ou quando necessário.

53
5.2.8. Plano de conservação de água e solo

O empreendimento vem dando continuidade ao plano com o plantio direto,


possuem curva de nível em locais onde são necessários para evitar erosão, as estradas
estão bem conservadas e possuem cacimbas evitando enxurradas e erosão.

[Link]. Conservação do Solo

O empreendimento realiza um manejo de solo adequado, composto por adubação,


fertilização, calagem e aplicação de gesso. Todo esse manejo possui orientação
agronômica que define a quantidade a ser aplicada, de forma a manter o equilíbrio do
solo.
Através dos resultados das análises de solo é possível mensurar a quantidade ideal
de corretivos e fertilizantes a serem aplicados no solo, fazendo com que seja uma
intervenção racional, visando minimizar o impacto causado por diversas intempéries e
ainda, a execução das atividades no empreendimento.
O empreendimento também realiza plantio direto em suas lavouras visando
minimizar processos erosivos, aumentar a permeabilização da água no solo e ainda,
contribuir para o aumento de matéria orgânica no solo.
O empreendimento também realiza manutenções periódicas nas estradas internas
da fazenda, visando evitar erosões e assoreamento de recursos hídricos.

Figura 1- Estradas internas em 2020.

54
55
Fonte: Jéssica de Pádua, 2020.

Figura 2- Estradas internas em 2021.

56
Fonte: Jéssica de Pádua, 2021.
[Link]. Conservação da Água

No que tange à conservação da água, além de todo o manejo realizado na


conservação (que interfere também na conservação da água), são realizadas vistorias
frequentes nas áreas de preservação existentes no empreendimento para verificação de
possíveis alterações e o monitoramento das captações de água é realizado conforme
solicita a legislação vigente e condicionantes da outorga.
O empreendimento também possui diversas bacias de contenção que permitem
acúmulo de água beneficiando o lençol freático e minimizado a formação de erosão nas
estradas.

57
Figura 3- Horímetros e hidrômetros utilizados para a realização dos monitoramentos.

Fonte: Jéssica de Pádua, 2021.

58
[Link]. Uso racional de fertilizantes, corretivos agrotóxicos

Para atendimento desta condicionante o empreendedor realiza a aplicação de


fertilizantes e corretivos de acordo com as recomendações técnicas baseadas nas
necessidades do solo, identificadas através das análises de solo realizadas, além disso os
produtos agrotóxicos utilizados nas lavouras possuem registro e sua aplicação é realizada
com orientação de profissional responsável.

Figura 4-Defensivos a serem utilizados nas lavouras.

Fonte: Jéssica de Pádua, 2021.

[Link]. Programa de destinação de embalagens vazias de agrotóxicos

O empreendimento realiza a tríplice lavagem, após aplicação na lavoura, em suas


embalagens de defensivos. O empreendimento conta com local específico para
armazenamento dessas embalagens até serem destinadas para o recolhimento final.

59
Figura 5- Armazenamento de embalagens vazias em 2020.

Fonte: Jéssica de Pádua, 2020.

Figura 6- Armazenamento de embalagens vazias em 2021.

Fonte: Jéssica de Pádua, 2021.

As notas e receituários agronômicos ficam arquivados no empreendimento conforme é


solicitado na condicionante.

60
[Link]. Sistema de controle das águas pluviais e erosão

O empreendedor realiza o monitoramento de todas as áreas de sua propriedade.


Sempre que necessário são realizadas práticas que controlam a erosão e controle de
águas pluviais.
Dentre as práticas conservacionistas, o plantio em nível, a rotação de culturas, o
plantio direto e o preparo de solo são os mais praticados no empreendimento.

[Link]. Efluentes sanitários

Tratamento do efluente sanitário, efluentes líquidos das


atividades e Destinação final do efluente

O empreendimento possui o tratamento de efluentes realizado através de fossas


sépticas em suas residências e em seu lavador existe a caixa separadora de água e óleo.
A limpeza da caixa separadora é realizada e a lama é entregue à Pró Ambiental para a
destinação final. A limpeza das fossas também é realizada regularmente.

Figura 7- Fossa séptica.

Fonte: Jéssica de Pádua, 2021.

61
Figura 8- Caixa separadora de água e óleo.

Fonte: Jéssica de Pádua, 2021.

[Link]. Resíduos Sólidos


O armazenamento temporário dos resíduos é realizado na fazenda. Segue imagens
abaixo:

Figura 9- Armazenamento de resíduos.

62
Fonte: Jéssica de Pádua, 2021.

[Link]. Programa de controle de pragas

O empreendimento executa o programa de controle de pragas principalmente com


o uso de defensivos agrícolas aplicados através de orientação de profissional responsável
e produtos com registro junto ao órgão responsável.

63
[Link]. Monitoramento ambiental

O monitoramento ambiental é realizado no empreendimento através de todas as


analises solicitadas em condicionantes, práticas conservacionistas, controle de qualidade
da água, programas de segurança, saúde, prevenção de acidentes de trabalhadores,
manutenção de fossas sépticas e manejo integrado de pragas e doenças.
As áreas de Reserva Legal e APP’s passam por monitoramentos visual e “in loco”
constantes. Caso seja constatada alguma anormalidade, o empreendedor é orientado a
informar o órgão ambiental para as devidas providencias.

Figura 10- Áreas de Reserva Legal e APP’s do empreendimento.

64
65
66
Fonte: Jéssica de Pádua, 2021.

6 – CONCLUSÃO

As medidas propostas, quando da avaliação de impactos no processo de


licenciamento ambiental, foram implantadas e operam em conformidade com as
legislações vigentes.

67
GOVERNO DO ESTADO DE MINAS GERAIS
SEMAD-Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável

CERTIDÃO DE DISPENSA DE LICENCIAMENTO AMBIENTAL

A Superintendência Regional de Meio Ambiente Noroeste de Minas certifica que o empreendimento solicitado,
pertencente ao cadastro da pessoa JOAO RANULFO PEREIRA, CPF nº 015.269.468-40, com responsabilidade
administrativa vinculada ao endereço Fazenda Paraíso, São Jerônimo, Barra, Saco da Barra, Areias e Buriti
número/km S/N Bairro Zona Rural Cep 38770-000 João Pinheiro - MG, possui atividade não passível de
licenciamento ambiental pelo Estado de Minas Gerais – conforme informações prestadas por RAFAEL ZAVAGLIA
CARBONELL, CPF nº 06707344625, as quais instruíram o seu requerimento.

Denominação do empreendimento para fins do licenciamento: Espolio de João Ranulfo Pereira e Outro Fazenda
Paraíso, São Jerônimo, Barra, Saco da Barra, Areias e Buriti

A atividade de postos de combustíveis, apesar de se encontrar listada no âmbito da Deliberação Normativa nº


217/2017, Código F-06-01-7, quando esta se referir somente a sistema de abastecimento aéreo de combustíveis
cuja capacidade total de armazenagem não ultrapasse 15 m³, não haverá necessidade de submeter-se à
regularização por meio do instrumento de licenciamento ambiental, nos termos do § 4º, art. 1º da Resolução
Conama nº 273/2000.

Esta certidão não exime o requerente de obter junto aos órgãos ambientais competentes as demais autorizações
porventura necessárias, tais como a outorga para direito de uso de recursos hídricos, a autorização para
intervenção em área de preservação permanente e para a supressão de vegetação, bem como de possíveis
anuências relativas às unidades de conservação.

Salienta-se ainda que caso o empreendimento se situe em zona rural, a obrigação de inscrição no Cadastro
Ambiental Rural – CAR – é imprescindível para o efetivo cumprimento das obrigações ambientais e, por
consequência, dos próprios comandos legais.

Certificado emitido eletronicamente, no dia 24/03/2022 às 16:48 h, nos termos do art. 1º e art. 2º do Decreto
Estadual nº 47.222/2017 e do art. 6º, §4º, do Decreto Estadual nº 47.441/2018, com base nas informações
prestadas em seu requerimento.

[Link] CHAVE DE ACESSO: 1B-CB-A5-62


Página 1/1

Anotação de Responsabilidade Técnica - ART


Lei n° 6.496, de 7 de dezembro de 1977 CREA-MG ART OBRA / SERVIÇO
Nº MG20221164502
Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Minas Gerais
INICIAL

1. Responsável Técnico
JORGE FERNANDO MORAES CARBONELL
Título profissional: ENGENHEIRO AGRÔNOMO RNP: 0703452533
Registro: DF0000004569D MG

2. Dados do Contrato
Contratante: Espólio de João Ranulfo Pereira CPF/CNPJ: 015.269.468-40
FAZENDA Paraíso, São Jerônimo, Barra, Saco da Barra, Areias e Buriti Nº: S/N
Complemento: Bairro: Zona Rural
Cidade: JOÃO PINHEIRO UF: MG CEP: 38770000

Contrato: Não especificado Celebrado em:


Valor: R$ 5.000,00 Tipo de contratante: Pessoa Física
Ação Institucional: Outros

3. Dados da Obra/Serviço
FAZENDA Paraíso, São Jerônimo, Barra, Saco da Barra, Areias e Buriti Nº: S/N
Complemento: Bairro: Zona Rural
Cidade: JOÃO PINHEIRO UF: MG CEP: 38770000
Data de Início: 18/05/2022 Previsão de término: 30/12/2032 Coordenadas Geográficas: 0, 0
Finalidade: AMBIENTAL Código: Não Especificado
Proprietário: Espólio de João Ranulfo Pereira CPF/CNPJ: 015.269.468-40

4. Atividade Técnica
8 - Consultoria Quantidade Unidade
80 - Projeto > MEIO AMBIENTE > CONTROLE E MONITORAMENTO AMBIENTAL > #7.1.2 - DE 2,00 un
MONITORAMENTO AMBIENTAL
80 - Projeto > TOPOGRAFIA > LEVANTAMENTOS TOPOGRÁFICOS BÁSICOS > DE 1,00 un
LEVANTAMENTO TOPOGRÁFICO > #[Link] - PLANIALTIMÉTRICO
80 - Projeto > MEIO AMBIENTE > DIAGNÓSTICO E CARACTERIZAÇÃO AMBIENTAL > DE 1,00 un
DIAGNÓSTICO E CARACTERIZAÇÃO AMBIENTAL > #[Link] - DIAGNÓSTICO AMBIENTAL

Após a conclusão das atividades técnicas o profissional deve proceder a baixa desta ART

5. Observações
Relatório de cumprimento de condicionantes, planta topográfica, RADA - Relatório de Avaliação de Desempenho Ambiental e Cadastro Ambiental
Rural - CAR

6. Declarações
- A Resolução n° 1.094/17 instituiu o Livro de Ordem de obras e serviços que será obrigatório para a emissão de Certidão de Acervo Técnico - CAT
aos responsáveis pela execução e fiscalização de obras iniciadas a partir de 1º de janeiro de 2018. (Res. 1.094, Confea) .

7. Entidade de Classe
SMEA - Sociedade Mineira de Engenheiros Agrônomos

8. Assinaturas
Declaro serem verdadeiras as informações acima JORGE FERNANDO MORAES CARBONELL - CPF: 210.785.560-91

João Pinheiro 23 Maio


________________, ________ de ___________________ de ________
2022
Local data Espólio de João Ranulfo Pereira - CPF: 015.269.468-40

9. Informações
* A ART é válida somente quando quitada, mediante apresentação do comprovante do pagamento ou conferência no site do Crea.

10. Valor
Valor da ART: R$ 88,78 Registrada em: 23/05/2022 Valor pago: R$ 88,78 Nosso Número: 8598772051

A autenticidade desta ART pode ser verificada em: [Link] com a chave: 57Z3W
Impresso em: 24/05/2022 às 08:37:37 por: , ip: [Link]

[Link] crea-mg@[Link]
CREA-MG
Conselho Regional de Engenharia
Tel: 0312732 Fax: e Agronomia de Minas Gerais

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