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Símbolo da Psicopedagogia: Borboleta

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A ATUAÇÃO DO PSICOPEDAGOGO E A

INTERDISCIPLINARIDADE
118 minutos

 Aula 1 - Avaliação e intervenção psicopedagógica clínica

 Aula 2 - Avaliação e intervenção psicopedagócia institucional

 Aula 3 - A psicopedagogia e a inclusão

 Aula 4 - A atuação interdisciplinar em psicopedagogia

 Referências

Aula 1

AVALIAÇÃO E INTERVENÇÃO PSICOPEDAGÓGICA CLÍNICA


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29 minutos

INTRODUÇÃO

Olá, estudante!

Neste bloco estudaremos sobre as concepções de avaliação e intervenção psicopedagógica clínica; técnicas de
avaliação em psicopedagogia clínica e modalidade de intervenção em psicopedagogia clínica. Vamos refletir
sobre como diagnosticar um paciente que apresenta alguma dificuldade de aprendizagem e entender que no
decorrer de todo este processo, a relação entre o profissional da Psicopedagogia, a família e a escola é
extremamente valiosa!

Não deixe de refletir sobre suas leituras e de compreender que vivemos numa sociedade heterogênea. Como
profissionais da educação, devemos sempre compreender o outro e mergulharmos nas diferentes formas de
intervenção que auxiliem o paciente nesse processo.
Bons estudos!

PSICOPEDAGOGIA CLÍNICA: AVALIAÇÃO E INTERVENÇÃO


Antes de adentrarmos no assunto “avaliação”, cabe ressaltar que por mais que o psicopedagogo consiga realizar
avaliações e intervenções psicopedagógicas, o profissional dessa área não está apto a emitir laudos. Na

Psicopedagogia, a avaliação serve para levantamento de hipóteses. Sampaio (2012) nos apresenta o objetivo da
avaliação psicopedagógica clínica: identificar as causas dos bloqueios que se apresentam nos sujeitos com
dificuldades de aprendizagem. Podemos entender esses bloqueios como sintomas: baixo rendimento escolar,
agitação, baixa concentração, agressividade, etc. Esses sintomas são os sinais de que algo não está indo bem
com o sujeito. Fernandez (1991) ressalta que a avaliação diagnóstica dá suporte ao psicopedagogo, a fim de que

o profissional consiga realizar os encaminhamentos necessários.


A psicopedagogia é um campo multidisciplinar, com isso, temos diferentes caminhos que podem ser
percorridos a fim de obter a avaliação psicopedagógica. Destes, vamos estudar o modelo proposto por Weiss
(1994).

Maria Lúcia Weiss, em seu livro Psicopedagogia Clínica: uma visão diagnóstica aborda aspectos que remetem
um sujeito ao fracasso escolar. Segue a sequência investigativa proposta por ela:
1- Entrevista Familiar Exploratória Situacional (E.F.E.S): uma entrevista com a família e com o paciente, com
duração aproximada de 50 minutos, que consiste em compreender as dimensões familiar e escolar do paciente.
2- Anamnese: coleta de dados significativos sobre a história de vida do paciente.

3- Sessões Lúdicas centradas na aprendizagem (para crianças): coletar dados que trazem aspectos afetivos para
a aprendizagem.

4- Complementação com provas e testes: para que esse momento tenha eficácia, são necessárias 3 a 4 sessões,

em que terão provas e testes para a avaliação psicopedagógica.


5- Síntese Diagnóstica – Prognóstico: momento em que o psicopedagogo faz uma análise de toda a

problemática levantada nos itens anteriores, com a finalidade de chegar a conclusão da situação.

6- Devolução – Encaminhamentos: relato aos responsáveis e ao paciente a síntese obtida, juntamente com as
orientações necessárias. Caso houver necessidade, nesse momento, é feito também o encaminhamento a

outros profissionais.
Após estudarmos sobre um dos vários métodos de avaliação psicopedagógica, é importante que conheçamos

sobre a modalidade de intervenção em Psicopedagogia Clínica, que é o momento em que o psicopedagogo atua

quando o paciente apresenta algum sintoma, a fim de gerar mudanças que auxiliem positivamente a rotina de
quem receberá a assistência.

Existem diferentes modalidades de intervenção, aqui iremos estudar a Metodologia por meio de Projetos de
Trabalho, de Barbosa (2003).

Laura Monte Serrat Barbosa, em seu livro O projeto de trabalho: uma forma de atuação psicopedagógica, traz

essa forma de intervenção que trabalha o cognitivo e cria situações que favorecem o desenvolvimento do
paciente. As competências cognitivas do projeto de trabalho são: observação, atenção, planejamento, memória

e avaliação.
São etapas do projeto de trabalho:

• Determinação da temática a ser estudada (a partir do interesse do paciente).

• Definição de etapas: planejamento e organização das ações.


• Apresentação dos resultados.

• Estabelecimento de critérios de avaliação.

• Avaliação das etapas de trabalho, com os devidos ajustes, quando necessário.


• Fechamento, com proposta de produção final.

Por meio dessa metodologia, desenvolve-se habilidades que possam interferir no processo de aprendizagem. É
importante que o profissional esteja alinhado com seus objetivos, a fim de alcançar as expectativas do paciente.

PRINCIPAIS CAUSAS DE PROCURA PELO PROFISSIONAL DA PSICOPEDAGOGIA

A essa altura de seus estudos, você já deve imaginar que nas intervenções psicopedagógicas clínicas, com um
paciente, conseguimos alcançar os objetivos quando ocorre uma parceria entre psicopedagogo, família do

paciente e a escola.

Considerando isso, é importante conhecermos as principais causas que levam os responsáveis a buscarem o
apoio de um psicopedagogo. Vale ressaltar que muitas vezes, os responsáveis já possuem algumas suspeitas,

considerando relatos de professores ou até mesmo, encaminhamento médico.


As maiores procuras pela consulta psicopedagógica são:

• Transtorno de Matemática.

• Transtorno da Leitura.
• Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).

• Transtorno do Espectro Autista.


Existem outros transtornos, conforme o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-V).

Iremos nos ater somente aos mais procurados.

Transtorno de Matemática: conhecido como discalculia. O paciente com esse transtorno apresenta dificuldades
para domínio de cálculos e raciocínios lógicos. Em alguns casos, não reconhece números e precisa contar nos

dedos para associar o número à quantidade.


Transtorno de Leitura: conhecido como dislexia. O paciente com esse transtorno apresenta dificuldade

ortográfica, muitas vezes, não conseguindo decodificar. A leitura é lenta e isolada.

Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH): o paciente com esse transtorno apresenta falta de
atenção, impulsividade e hiperatividade. É facilmente distraído em suas tarefas, apresenta esquecimento em

sua rotina, é agitado. Para um exitoso trabalho com esse paciente, é necessário desmistificar o conceito de “sem

limites” ou “desatento”. Os responsáveis precisam estar cientes de que o apoio e o entendimento nesses
momentos são primordiais para o desenvolvimento do paciente.

Transtorno do Espectro Autista (TEA): o paciente com TEA apresenta dificuldade linguística, comportamental e

sociológica. Em alguns casos, é agressivo.


Cabe salientar que não existem métodos prontos para solucionar essas situações. Ao profissional da

Psicopedagogia, cabe realizar a intervenção, conforme o desenvolvimento do paciente vai acontecendo, sempre

estimulando que o contexto seja multidisciplinar.

Tendo em vista o que estudamos até agora, sobre a importância da avaliação psicopedagógica, devemos
salientar que o principal objetivo desta é identificar as dificuldades de aprendizagem do paciente e os processos

psicológicos que abarcam a compreensão de fala e escrita. Tendo o diagnóstico pronto, a atuação do
profissional da Psicopedagogia passa a ter como objetivo principal a reaproximação do paciente no contexto

escolar, auxiliando-o com novas perspectivas de interação, de forma que favoreça seu autodesenvolvimento.

Iniciamos este bloco, trazendo a reflexão sobre a parceria entre psicopedagogo, família do paciente e escola e

finalizaremos nesse âmbito: o profissional da Psicopedagogia precisa de liberdade para entrar em contato com

a escola do paciente, agendar reuniões para um diagnóstico preciso. Ouvir atentamente a escola é tão
importante quanto ouvir os responsáveis. Essa junção fará com que o trabalho psicopedagógico tenha

sensibilidade para compreender todos os ambientes que cercam o paciente.

AVALIAÇÃO PSICOPEDAGÓGICA

Diante do que estudamos até agora, podemos refletir sobre o dia a dia de um profissional da Psicopedagogia.

Certo? Vamos analisar a situação a seguir:

Na escola X, o aluno J., de nove anos de idade, apresenta dificuldades de interação social. Não gosta de brincar
com outras crianças, enquanto a professora regente está ensinando algo, mesmo que de maneira lúdica, o

aluno está distraído com suas pinturas no caderno. A professora solicita ao aluno que guarde o caderno e

preste atenção na aula, mas ele não atende o solicitado pela professora e fica agressivo, jogando seus pertences

no chão.

A educadora solicita à coordenação da escola que entre em contato com os responsáveis da criança para uma
reunião.

Ao iniciar a reunião, a professora inicia suas falas destinadas ao aluno: desatento, desobediente, só faz o que

quer, não brinca com ninguém. A coordenação da escola, por sua vez, orienta os responsáveis a irem em busca

de um profissional da Psicopedagogia, a fim de investigar as causas que levam J. a se portar como tem se

portado.
Ao consultar, o psicopedagogo inicia seu trabalho investigativo, com aplicação de técnica de avaliação. Faz uma

longa entrevista com a família, incluindo dados sobre a rotina de J. e sobre sua significativa história de vida.

Feito isso, o psicopedagogo inicia o trabalho lúdico nas sessões, desafiando J. com jogos, verificando como J.

reage a diferentes formas de aprendizagem. Cabe salientar que esse momento pode ser realizado em mais

sessões e cabe também como um teste.


Após esses momentos, o psicopedagogo observou que J. sente-se atraído por atividades que envolvam músicas.

Quando as atividades não são com o que J. sente-se atraído, este demonstra carência de interesse e

agressividade.

Feita a síntese diagnóstica, o profissional da Psicopedagogia entra em contato com a escola. Em conversa com a

professora, esclarece todos os sintomas de Déficit de Atenção e Hiperatividade e Transtorno de Espectro


Autista: J. apresenta comportamentos que trazem indícios a esses prognósticos. Sugere também que a

professora tenha mais cuidado com palavras taxativas e auxilie a família nesse processo.

O diálogo e a parceria entre o profissional da Psicopedagogia e o professor é imprescindível nesse momento, a


fim de realizar intervenções que facilitem o desenvolvimento do paciente.

O profissional da Psicopedagogia faz a devolutiva aos responsáveis, trazendo à tona todas as características do

TDAH e do Transtorno do Espectro Autista e orienta-os de buscarem um neurologista, a fim de uma


investigação mais aprofundada, com laudo médico.

A situação descrita serve para que você reflita sobre a atuação do profissional da Psicopedagogia. Não esqueça

que não podemos fornecer laudos médicos, mas podemos levantar diagnósticos e auxiliar no desenvolvimento

do paciente. Caso tenhamos suspeitas, precisamos solicitar à família que busque um profissional que possa

emitir o laudo médico.

VÍDEO RESUMO

Olá, estudante! Tudo bem?

Nesta aula você conhecerá sobre as principais causas de dificuldade de aprendizagem que fazem parte do

cotidiano escolar. Você aprenderá como realizar um diagnóstico e conseguirá perceber que existem diferentes

formas de intervenção para que o desenvolvimento do paciente ocorra de forma exitosa, com a parceria entre
profissional da Psicopedagogia, escola e família.

 Saiba mais
Dicas de ensino para crianças e adultos com autismo.

Autora: Temple Grandin – PhD.

Tradução: Kathia (Delegada Regional e Funcionária da APAE - Betim/MG).

Aula 2

AVALIAÇÃO E INTERVENÇÃO PSICOPEDAGÓCIA


INSTITUCIONAL
A partir de agora, você irá estudar sobre um campo de trabalho em que a contribuição do
psicopedagogo é valiosa.

29 minutos

INTRODUÇÃO

Olá, estudante!

A partir de agora, você irá estudar sobre um campo de trabalho em que a contribuição do psicopedagogo é
valiosa: a psicopedagogia institucional. Seus saberes são essenciais para o desenvolvimento de uma instituição
e dos sujeitos que nela atuam. Neste bloco, você irá estudar sobre concepções de avaliação e intervenção

psicopedagógica institucional, bem como técnicas de avaliação e modalidade de intervenção na área.

Com o objetivo de mergulhar nos conhecimentos psicopedagógicos institucionais, iremos apropriar-nos de

conceitos e práticas de atuação no campo das organizações.


Desejo que você tenha um ótimo aprendizado e continue em busca de novos conhecimentos!

PSICOPEDAGOGIA INSTITUCIONAL: ÁREA DE ATUAÇÃO

Estudaremos agora sobre as teorias que abarcam a avaliação e intervenção psicopedagógica institucional.

Até aqui, decerto, você já compreendeu sobre o papel de um psicopedagogo, não é mesmo? Sendo assim,

iniciaremos nossos estudos com o conceito de psicopedagogia institucional, que acaba sendo mais ampla que a
psicopedagogia clínica, pois pode-se atuar em diversas áreas institucionais. A psicopedagogia institucional

trabalha com o grupo e com os formadores deste grupo. Exemplo: se você trabalhar numa instituição escolar,

sua atuação, enquanto profissional da Psicopedagogia, será diretamente ligada à equipe profissional, você será

o profissional que atuará com a formação desse grupo de trabalho. Logo, você irá atingir toda a instituição, pois

executará a formação da equipe e isso irá se refletir nos estudantes.


Cabe salientar que, quando utilizamos o termo instituição, este se aplica a: escolas, hospitais, centros de saúde,

organizações empresariais e organizações não-governamentais.

Dentro dessas instituições existem processos educacionais e organizacionais. Ao profissional da psicopedagogia

institucional compete analisar o que está havendo dentro desses processos, que a aprendizagem não está

sendo significativa – sintoma do grupo – e realizar o diagnóstico e a intervenção na causa do sintoma do grupo.
Para estudarmos com mais profundidade, iremos nos ater aos estudos de Maria Lúcia Lemme Weiss.

Para Weiss (1994), psicopedagogia institucional apresenta três vertentes diferentes:

Primeira vertente: o psicopedagogo atua com assessoria psicopedagógica, realizando a escuta e o diálogo sobre

a instituição com os profissionais atuantes. Assim, a autora afirma que seu trabalho será diagnosticar,
compreender e analisar as práticas institucionais e suas relações com a aprendizagem. Juntamente com os

demais profissionais da instituição, construiriam novas práticas para melhor aprendizagem.


Segunda vertente: o psicopedagogo institucional precisa atuar em âmbitos que trazem suporte pedagógico e/ou

clínico realizado na instituição, juntamente com apoio da equipe de profissionais que ali atuam.
Terceira vertente: o trabalho de um psicopedagogo institucional deve ser preventivo no que tange a problemas
de aprendizagem. Aqui, precisamos compreender que a instituição é a solução e não o problema e, o

responsável por efetivar tal compreensão, é o psicopedagogo institucional.


Ao psicopedagogo institucional, compete colaborar com o ambiente da instituição de forma que este se torne

um espaço de construção de conhecimento. Assim, o profissional da psicopedagogia institucional pode


contribuir com projetos pedagógicos que englobem três questões: o que ensinar, como ensinar e para quê
ensinar.

A seguir, trago algumas reflexões sobre diagnóstico e intervenção no que tange à psicopedagogia institucional.
Não trago um modelo pronto, pois o psicopedagogo institucional precisa saber renunciar a este e compreender
que existem sempre novas formas de busca de conhecimento e intervenção, fazendo deste profissional, um

eterno pesquisador, pois aprender e ensinar deve fazer parte de sua rotina de atuação, que deve ter a
incumbência para executar as intervenções necessárias, a fim de solucionar as problemáticas encontradas.

REFLEXÕES SOBRE DIAGNÓSTICO E INTERVENÇÃO PSICOPEDAGÓGICA

INSTITUCIONAL

É fundamental que uma instituição tenha uma equipe que trabalhe de forma cooperativa, sendo assim, as
instituições precisam formar os profissionais que nela atuam, sempre analisando críticas e sugestões que

possam vir a valorizar o trabalho da equipe. Cabe aqui salientar que ambientes com excesso de competitividade
e hostilidade entre a equipe pode causar dificuldades para a aprendizagem das competências, pois acaba
influenciando nos talentos que poderiam auxiliar a instituição como um todo.

A análise psicopedagógica institucional atua com a prevenção, detecção e intervenção dessas questões de
aprendizagem, que acabam por refletir nos objetivos da instituição e até mesmo, na qualidade de vida dos

profissionais que nela atuam.


No campo profissional há constantes mudanças e elas, quando não há engajamento de equipe, geram
incertezas, angústias e, em alguns casos, conflitos. Caso os profissionais da instituição tenham resiliência, tais

mudanças podem gerar transformações no ambiente. Por isso, é fundamental que os profissionais das
instituições se adequem às novas formas de trabalho. Encontrar falta de resiliência é algo comum no

diagnóstico de um psicopedagogo institucional, que é o profissional que faz a mediação desses processos,
auxiliando na aprendizagem dos colaboradores. Lembre-se que a Psicopedagogia é uma ciência que trabalha
com o ato de aprender, acreditando que a aprendizagem proporciona novos espaços para o sujeito,

favorecendo novas competências para que ele atue conforme as necessidades que o cercam.
Vamos refletir sobre diagnóstico e intervenção, fundamentando-nos em Carvalho (2006), que aborda três áreas

que devem ser analisadas para um diagnóstico preciso: análise da empresa, análise das tarefas e análise
psicológica do colaborador. Abordarei cada uma delas, a seguir:
• Análise da empresa: deve indicar os segmentos onde se faz necessária a intervenção.

• Análise das tarefas: deve indicar em quê e como o profissional da instituição realiza seu trabalho.
• Análise psicológica dos colaboradores: deve indicar quais as competências são exercidas pelos colaboradores

dentro da instituição.
Carvalho (2006) ainda complementa que algumas perguntas devem ser respondidas no diagnóstico, a fim de
nortear as intervenções futuras. São elas:

• Quem está necessitando de formação?


• Em que setor há urgência de formação?

• Que tipo de formação é necessária?


Feito o diagnóstico, o psicopedagogo institucional inicia o plano de ação (ou plano de intervenção). Nesse plano,
Carvalho (2006) traz as finalidades que devem conter:

• Estabelecimento de procedimentos, com métodos de formação padronizados.


• Definição orçamentária da formação, caso houver necessidade de recursos financeiros.
• Programação da intervenção, com sequências e prioridades.

• Esclarecimento quanto ao objetivo da intervenção, inclusive estabelecendo os resultados desejados.


Para que o trabalho tenha eficácia, a todo o momento, o profissional da psicopedagogia institucional precisa ter
clareza de seus maiores objetivos: proporcionar aos profissionais da instituição novas oportunidades de

reconstruir conceitos como trabalho em equipe, criatividade e autonomia nas competências.

ANÁLISE, DIAGNÓSTICO E INTERVENÇÃO PSICOPEDAGÓGICA INSTITUCIONAL

Conseguimos refletir acerca da atuação do psicopedagogo institucional. Que tal, agora, analisarmos uma
situação fictícia, porém comum em algumas instituições escolares? Cabe salientar que poderia aqui citar

inúmeros exemplos de diversas instituições, mas vamos nos ater ao exemplo de uma instituição escolar.
A aluna Maria, de 14 anos, iniciou seus estudos na escola X. A escola X é uma instituição municipal e conta com

profissionais como: coordenação pedagógica, equipe docente, direção, secretaria escolar, serviços gerais
(merenda, limpeza e portaria).
Maria apresentava boas notas de outra instituição escolar. Cabe salientar que foi transferida no meio do ano,

com início dos estudos na escola X no segundo semestre. Sua família resolve buscar apoio da escola, pois
percebe que Maria não demonstra mais o mesmo interesse pelos estudos, as primeiras avaliações não foram

exitosas e tem apresentado comportamentos rebeldes, a fim de não frequentar as aulas.


A direção da escola executa esse atendimento sozinha, alegando que a estudante está rebelde pela mudança de
escola e pelos problemas que possui em casa e que nada pode fazer a respeito.

Mas, assim como o caso de Maria, a escola X possui um grande número de alunos que não cumprem com os
objetivos de ensino e aprendizagem propostos pelos docentes, chegam atrasados e muitos ainda são

encaminhados para o órgão responsável, por não frequentarem à escola regularmente.


Observando a situação, o Secretário de Educação do município encaminha um psicopedagogo institucional para
realizar um diagnóstico. Nesse diagnóstico, o profissional conseguiu identificar:

• Carência de diálogo da direção escolar com a coordenação escolar: podemos perceber que no caso do
atendimento à família, a direção escolar não encaminhou para a coordenação.

• Dificuldade para analisar a equipe e investigar situações: em nenhum momento, os professores são
questionados sobre seus alunos e suas aulas. Seus planejamentos são entregues à coordenação somente para
cumprimentos burocráticos.

• Equipe desunida e desmotivada: os professores demonstram cansaço e se queixam do excesso de trabalho.


Cito aqui apenas alguns diagnósticos identificados, mas com a situação de Maria, outros diagnósticos poderiam

surgir. Faça uma reflexão a respeito de possíveis causas para os acontecimentos relatados.
Considerando tais análises, o psicopedagogo institucional inicia seu plano de intervenção. Sendo resumido com

os seguintes objetivos:
• Promover a união da equipe, por meio de dinâmicas que incentivem diálogos abertos.
• Conscientizar a equipe gestora (direção e coordenação escolar) que seu trabalho precisa ser em conjunto.
• Demonstrar à equipe gestora diferentes formas de avaliar o desempenho da equipe de profissionais atuantes

na escola, propondo rotinas de feedbacks a fim de solucionar os sintomas existentes.


• Em conjunto com todo o corpo docente, criar estratégias para que a escola consiga reverter o índice de evasão
de alunos.

Repare que poderíamos extrair diversos objetivos para esse plano de intervenção. Observe também, que com
esse plano de intervenção, mudanças ocorreriam com os alunos também, mesmo que o profissional da

Psicopedagogia não atue diretamente com eles. Agora, faça uma reflexão sobre alguns objetivos que aqui
poderiam ser inseridos.
Você percebeu que é solicitado que reflita sobre o diagnóstico e a intervenção? Essa provocação foi realizada

para que você, caro estudante, compreenda que não há um modelo engessado. Ao profissional da
psicopedagogia institucional compete analisar os sintomas e intervir com um trabalho de desconstrução de

identidades já formadas.

VÍDEO RESUMO

Mais do que uma introdução a este bloco, eu convido você a fazer uma viagem. Viagem esta que iremos
percorrer os caminhos da psicopedagogia institucional, uma área multidisciplinar que requer imprevisibilidade e

novos aprendizados. Dizem que depois de uma viagem, não somos mais os mesmos, que mudanças acontecem
e nos transformam!

Vamos lá?

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 Saiba mais
Quer conhecer mais sobre Psicopedagogia institucional? Sugiro aqui o livro:

ALMEIDA, M. G. Pedagogia empresarial: saberes, práticas e referências. Rio de Janeiro: Brasportt, 2006.
Boa leitura!

Aula 3

A PSICOPEDAGOGIA E A INCLUSÃO
Querido estudante, há pouco tempo, mal ouvíamos falar sobre pessoas com deficiência e, hoje,
graças à ciência, temos uma mudança nesse cenário.

30 minutos

INTRODUÇÃO
Querido estudante, há pouco tempo, mal ouvíamos falar sobre pessoas com deficiência e, hoje, graças à ciência,
temos uma mudança nesse cenário. Por isso, precisamos sempre aprofundar nossos estudos científicos. Sendo

assim, nesta aula, você conhecerá as leis que regem a educação especial e inclusiva e estudará a respeito da
inclusão escolar. Diretrizes para a educação inclusiva farão parte de seus estudos, além da relação entre a
psicopedagogia especial e inclusiva.

Você refletirá que é comum vivenciarmos, na rotina das instituições escolares, dificuldades para que a educação
especial inclusiva seja implantada.

Que tal mergulharmos juntos nesse conhecimento e fazermos a diferença nesse cenário?
Bons estudos!

DIRETRIZES PARA A EDUCAÇÃO INCLUSIVA

Para darmos início aos nossos estudos, é necessário que se compreendam sobre algumas legislações que

regem a educação especial, para que você consiga ficar por dentro das diretrizes da educação inclusiva. Cabe
salientar que, sempre que há um estudo sobre legislação, há recortes de textos que acreditamos serem

pertinentes para que você compreenda o contexto. Entretanto, é extremamente válido que você busque a
legislação na íntegra e faça uma leitura minuciosa, pois todo o profissional, independentemente da área, precisa
conhecer a legislação que ampara sua profissão.

Em 1994, tivemos a Declaração de Salamanca, uma Conferência Mundial de Necessidades Educativas Especiais,
que aconteceu na cidade de Salamanca, na Espanha, realizada pela Unesco. Seu objetivo foi discutir sobre a

carência de acessibilidade a todos os estudantes nas instituições escolares.


Segundo o art. 58 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação – LDB), a
educação especial é “a modalidade de educação escolar oferecida preferencialmente na rede regular de ensino

para educandos com deficiência, transtornos globais de desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação”
(BRASIL, 1996, [s. p.]).

Somente em 2015 foi consolidada, no Brasil, a Lei Brasileira de Inclusão (LBI) – Lei nº 13.146 –, que tem como
finalidade principal “assegurar e promover, em condições de igualdade, o exercício dos direitos e das liberdades
fundamentais por pessoa com deficiência, visando à inclusão social e à cidadania” (BRASIL, 2015, [s. p.]).

Com a LBI em vigor, consegue-se estabelecer a prevenção de discriminação contra os deficientes, além de
deixar claro que não é permitido que as escolas recusem a matrícula de alunos deficientes, bem como deixá-los

sem a acessibilidade que eles necessitam para que participem do cotidiano escolar.
Tendo conhecimento sobre a legislação, trataremos, agora, sobre o profissional da psicopedagogia e a sua
relação com a educação especial e inclusiva. Para isso, faz-se necessário que conheçamos a contribuição de

Vygotsky (1997), com os fundamentos da defectologia, que estão presentes em Obras escogidas.
Vygotsky estudou crianças com problemas (defeitos) intelectuais e físicos. Dentre elas, surdos, cegos e

deficientes intelectuais. Para o autor, existiam dois tipos de deficiência: primária e secundária.
A deficiência primária era relacionada a lesões e malformações, caracterizada como biológica e apresentava
características físicas no indivíduo. Já a deficiência secundária era caracterizada como orgânica e relacionada ao
desenvolvimento do indivíduo nas interações sociais e culturais em seu entorno.

Graças a esses estudos de Vygotsky, novas formas de analisar as pessoas com deficiência se fizeram presentes,
pois, para ele, os sujeitos se desenvolvem na interação e nos estímulos, pois são considerados as experiências

destes e seus contextos sociais e familiares, que acabam por produzir a personalidade de cada um.
Até os dias atuais, estudiosos da área fundamentam seus trabalhos com essas escrituras de Vygotsky.

ATUAÇÃO DO PSICOPEDAGOGO COM EDUCAÇÃO INCLUSIVA

Tendo conhecimento das leis que regem a educação especial e inclusiva, podemos aprofundar nossos estudos,

porém, antes de darmos continuidade, é importante lembrarmos que cada ser humano é um, mesmo que o
diagnóstico seja o mesmo, sendo assim, o olhar atento a cada paciente se torna imprescindível.

Aos profissionais da psicopedagogia, compete levar novas possibilidades pedagógicas aos sujeitos, além de
pesquisar sobre as especificidades que contribuem para a promoção do conhecimento sobre a inclusão destes
na sociedade. Sendo assim, é importante que o profissional da psicopedagogia tenha sensibilidade na sua

rotina, pois a relação psicopedagogo e paciente implica a construção de um trabalho em rede, que engloba:
instituição escolar, psicopedagogo, paciente e família.

Para que o trabalho do psicopedagogo tenha eficácia, o primeiro ponto a ser analisado e estudado é a
acessibilidade, pois, caso não seja contemplada, não haverá inclusão social.
Em nosso dia a dia, deparamo-nos com muitos problemas de acessibilidade. Como profissionais que atuam com

educação especial, essa consciência deve sempre existir, para que a participação dos deficientes na sociedade
não se torne mais debilitada do que já é.

Sassaki (2009) nos apresenta seis dimensões da acessibilidade. São elas:


• Acessibilidade arquitetônica: quando não há impedimentos físicos para circulação de deficientes em locais
públicos ou privados.

• Acessibilidade comunicacional: quando não há barreiras que dificultem a comunicação interpessoal.


• Acessibilidade metodológica: quando não há impedimentos para os métodos de estudo.

• Acessibilidade instrumental: quando não há impedimento nos instrumentos e nas ferramentas.


• Acessibilidade programática: quando as barreiras nas políticas públicas são eliminadas.
• Acessibilidade atitudinal: quando não há atitudes discriminatórias.

A acessibilidade possibilita a inclusão de todos e deve ser universal. Compreender essa dimensão auxiliará na
atuação do psicopedagogo na diversidade, promovendo práticas pedagógicas para todos e sensibilidade às

diferenças individuais.
Sobre essas práticas pedagógicas, cabe estudarmos também sobre as práticas psicopedagógicas na educação
inclusiva. Para adentrarmos nesse assunto, lembre-se de que não estamos lidando com uma área de exatas, em

que existem fórmulas precisas para solucionar determinadas questões. Quando lidamos com seres humanos,
devemos sempre lembrar-nos de que cada sujeito é um, tendo as suas demandas, conforme a sua realidade.

Sendo assim, apresentamos apenas reflexões que devem servir de apoio ao profissional, quando planejar sua
intervenção:
• Adapte recursos didático-pedagógicos, conforme dificuldade do paciente.
• Estimule sempre a participação nas atividades com colegas e familiares, porém respeite o tempo de

aprendizagem.
• Lembre-se de analisar se, apesar de o paciente não se comunicar, ele compreende o que você está orientando.

• Regras de convivência não devem ser extintas de serem trabalhadas.


• Antes de qualquer atividade, é importante explicar para o paciente o que será feito.
• Elogios devem sempre fazer parte desse processo, mesmo que o paciente não atinja o objetivo planejado.

Lembre-se: ele está evoluindo gradativamente.

A DIFICULDADE DE INCLUSÃO

Vamos refletir juntos sobre tudo o que estudamos até aqui? Não se esqueça de que, além desse material, você

pode pesquisar em nossa biblioteca, a fim de aprofundar suas reflexões.


Numa escola municipal, de ensino fundamental I, a demanda com alunos especiais tem crescido a cada dia.

Com apenas dez turmas, sendo cinco no período matutino e cinco no período vespertino, a escola possui uma

média de dois a três alunos especiais por turma, em sua maioria, autistas.

Quando há barulho, alguns dos alunos especiais entram em crise, ficando agressivos. Outros não gostam de
socializar com os demais, enquanto outros apresentam movimentos repetitivos com excesso na aula (por

exemplo, palmas), de forma que os colegas de sala se dispersam facilmente. Além disso, alguns alunos são

isolados em outras salas, com a intenção de não “atrapalharem” a aprendizagem dos demais colegas de classe.
Com todos esses fatores, alguns professores começaram a demonstrar inquietude, queixando-se das situações

e solicitando ajuda da coordenação pedagógica, pois, mesmo com a professora de educação especial, eles não

estavam conseguindo contornar essas situações.


Sendo assim, a direção escolar percebeu a necessidade de uma formação pedagógica com um profissional de

psicopedagogia, a fim de mostrar caminhos para que esses alunos estejam incluídos na escola.

O psicopedagogo agendou uma reunião com toda a equipe, levando conceitos e legislações que tratam sobre a

igualdade de direitos e oportunidades de desenvolvimento individual, afirmando que a escola se torna inclusiva
quando esses itens estão assegurados. Explicou também que, para que a inclusão se torne eficaz, deve haver

mobilização de toda a comunidade escolar, pois todos são pertencentes àquele espaço.

Antes de iniciar seu trabalho, o psicopedagogo fez um diagnóstico e, nesse dia, apresentou seu plano de
intervenção, que apresentava objetivos que reduziriam as queixas:

• Sobre os barulhos: alunos autistas costumam ter a audição aguçada, logo é comum que entrem em crise

quando há barulhos que fogem da rotina. Sendo assim, o primeiro passo é conscientizar os colegas de sala a
respeito disso, a fim de que estes saibam conviver com as limitações dos colegas autistas.

• Sobre a socialização: alunos autistas possuem dificuldade de interação social. É um processo de conquista e

afeto, que deve ser inserido diariamente na sua rotina.

• Sobre os movimentos repetitivos: chama-se estereotipia e comumente acontece quando o aluno recebe
excesso de estímulo e precisa de mediação para auxiliar no controle. O psicopedagogo orientou que não há
necessidade de retirar a estereotipia, mas reduzi-la, a ponto de que não dificulte o aprendizado de quem

convive no ambiente. Orientou também que converse com os estudantes a respeito.

• Sobre isolar os alunos em outra sala: o psicopedagogo vetou essa prática e orientou que isso é uma prática de
exclusão. A inclusão ocorre quando o aluno é inserido na sociedade de forma igualitária.

Querido estudante, você consegue refletir sobre a atuação e orientação do psicopedagogo para a instituição

escolar e associar a tudo o que vimos até aqui? Espero que você tenha percebido que a escola inclusiva é local
de respeito e de pertencimento.

VÍDEO RESUMO

Prezado aluno, os conteúdos disponibilizados nesse material objetivam construir novos conhecimentos, por

meio de reflexões voltadas às práticas pedagógicas e às particularidades do processo de ensino-aprendizagem

na educação especial inclusiva. Podemos falar de inclusão quando, de fato, houver compreensão e respeito às
diferenças que cotidianamente estão inseridas no espaço escolar. Desejo uma boa jornada a todos!

 Saiba mais
Você já ouviu falar em Temple Grandin? É uma mulher diagnosticada com autismo, que tem sua história

contada em um filme. Ela escreveu algumas dicas sobre o transtorno. A matéria está disponível no site do

Instituto Autismo e Vida.

Aula 4

A ATUAÇÃO INTERDISCIPLINAR EM PSICOPEDAGOGIA


Caro aluno, seja bem-vindo a mais um estudo a respeito da atuação do profissional da
psicopedagogia e suas contribuições para o ensino e a aprendizagem.

28 minutos

INTRODUÇÃO

Caro aluno, seja bem-vindo a mais um estudo a respeito da atuação do profissional da psicopedagogia e suas
contribuições para o ensino e a aprendizagem.

Estudaremos, no primeiro momento, sobre o conceito de interdisciplinaridade e o conceito de equipe

multidisciplinar, e no segundo momento, sobre o papel do psicopedagogo em equipes multidisciplinares. Tudo

isso com o objetivo de ampliar seus conhecimentos a respeito da atuação deste profissional, no que tange ao
desenvolvimento de ensino-aprendizagem.

Desejo a você um excelente trabalho e que tire o máximo proveito dos assuntos aqui tratados. Estimo ótimos
estudos e sucesso na sua trajetória acadêmica e profissional!

A INTERDISCIPLINARIDADE E A MULTIDISCIPLINARIDADE

Caro aluno, certamente, você já ouviu falar sobre os termos “interdisciplinaridade” e “multidisciplinaridade,

certo? Mas, você saberia explicar a alguém sobre esses conceitos? Vamos estudar mais a respeito?

Iniciaremos nossos estudos através do conceito de interdisciplinaridade.


Interdisciplinaridade “deriva da palavra primitiva disciplinar (que diz respeito à disciplina), por prefixação (inter

– ação recíproca comum) e sufixação (dade – qualidade, estado ou resultado da ação)” (ANDRADE, 1998, p.143).

Devemos considerar que muito falamos sobre o termo e que existem várias definições a respeito. Considerando
a definição de Andrade (1998), podemos afirmar que a interdisciplinaridade acontece quando os conhecimentos

de outras disciplinas podem ser utilizados em diversas áreas do conhecimento, ocorrendo aí uma interação

entre disciplinas. Digamos que, através do ensino interdisciplinar, se aprende sobre um assunto, com diversas
perspectivas, mas lembre-se: não é de maneira linear, é sempre interdisciplinar, estabelecendo conexões com

diversas redes de conhecimentos.

Japiassu (1976, p. 74) afirma que a “interdisciplinaridade caracteriza-se pela intensidade das trocas entre os

especialistas e pelo grau de interação real das disciplinas no interior de um mesmo projeto de pesquisa”. Sendo
assim, é importante que o professor se aproprie de conceitos de outras disciplinas, a fim de aprofundar os

conceitos da sua própria disciplina, pois há cooperação entre essas disciplinas, tendo assim, uma ação

coordenada.
Agora que você já conseguiu visualizar os conceitos básicos de interdisciplinaridade, vamos conhecer mais a

respeito do termo “multidisciplinaridade”?

Para Japiassu (1976), multidisciplinaridade nada mais é que um conjunto de disciplinas, sem cooperação entre
elas, apenas discutindo sobre um determinado tema comum. As disciplinas acabam se mantendo fixas, não

havendo preocupação de interligá-las entre si.

Nogueira (2001, p. 189) afirma que na multidisciplinaridade “não existe nenhuma relação entre as disciplinas,

assim como todas estariam no mesmo nível, sem a prática de um trabalho cooperativo”. Sendo assim, podemos
afirmar que as disciplinas estudam perto, mas não juntas, sendo uma ideia de justaposição, ou seja, há uma

temática comum, mas não há relação entre as disciplinas.

Para Domingues (2005), existem algumas características que podem ser elencadas, quando o assunto é
multidisciplinaridade:
a) aproximação de diferentes disciplinas para a solução de problemas específicos;

b) diversidade de metodologias: cada disciplina fica com a sua metodologia;


c) os campos disciplinares, embora cooperem, guardam suas fronteiras e ficam imunes

ao contato.
— (DOMINGUES, 2005, p. 22)

Caro estudante, com base nas leituras realizadas até aqui, você consegue distinguir e relacionar os termos

interdisciplinaridade e multidisciplinaridade?

Na interdisciplinaridade, o professor tem domínio do conteúdo de sua disciplina e busca outras disciplinas, a
fim de explorar mais a respeito do assunto tratado. Já na multidisciplinaridade, há um único assunto, sendo

trabalhado em todas as disciplinas, sem interligação entre elas.

Agora que compreendemos ambos os conceitos, conseguimos refletir sobre a atuação do profissional da

psicopedagogia. Vamos em frente!

A ATUAÇÃO DO PSICOPEDAGOGO FRENTE À EQUIPE MULTIDISCIPLINAR

Querido aluno, nesse bloco, temos o objetivo de compreender sobre a atuação do psicopedagogo frente à

equipe multidisciplinar. Para isso, você estudou os conceitos de interdisciplinaridade e multidisciplinaridade.

Agora, refletiremos sobre a inter-relação desses conceitos na atuação do profissional da psicopedagogia.


O trabalho do profissional da psicopedagogia está cada vez mais requisitado, tendo em vista que seu trabalho é

fundamental no auxílio com dificuldades e transtornos de aprendizagem. Diante do que estudamos até agora,

pudemos perceber que existem áreas multidisciplinares de atuação desse profissional: instituições, clínicas,
empresas, hospitais e ONGs.

Cabe salientar que o profissional da psicopedagogia atua também no contexto familiar, realizando diagnósticos

e intervenções sobre os fatores que possam influenciar nas dificuldades do paciente.

Todo o contexto citado é tratado pelo profissional da psicopedagogia, junto ao apoio de uma equipe
multidisciplinar. Tal equipe não atua com situações isoladas, mas, sim, de maneira coletiva, envolvendo todas as

especialidades, para que, assim, consigam fazer uma análise individual do paciente, partindo-se de suas

respectivas áreas, que podem ser: neurologia, psicologia, psiquiatria, enfermaria, pedagogia, fonoaudiologia,
endocrinologia, nutrição, entre outras. Atuando com esses profissionais qualificados, o paciente terá uma

resposta promissora em seu tratamento.

Você deve estar se perguntando: qual é a importância da atuação do profissional da psicopedagogia,


considerando toda essa multidisciplinaridade?

Caro aluno, nem todos esses profissionais terão aptidão nas áreas de aprendizagem e na tratativa de

dificuldades de aprendizagem do paciente. São áreas distintas e que precisam do psicopedagogo para eficácia

no tratamento do paciente. Cabe ressaltar que cada profissional possui sua área de atuação, e isso precisa ser
respeitado e dialogado rotineiramente.
A equipe multidisciplinar também deve possuir contato frequente com a família, pois todo o processo é
executado com o objetivo do bem-estar do paciente, promovendo o melhor para ele, de maneira tranquila.

A atuação do profissional da psicopedagogia deve ser interdisciplinar e multidisciplinar, ou seja, deve interligar

seu trabalho com os diferentes setores necessários. O psicopedagogo precisa explorar a criação de projetos e
desenvolver tarefas estimuladoras aos pacientes. Essa forma de atuação oferece uma visão global do que está

sendo aprendido, contribuindo para o desenvolvimento de uma melhor compreensão do cotidiano, que pode

ser aproveitado no dia a dia do paciente.

Tanto a abordagem interdisciplinar quanto a multidisciplinar fornecem vantagens e benefícios aos pacientes. A
abordagem multidisciplinar faz com que o paciente tenha um aprofundamento em algum assunto específico, já

a abordagem interdisciplinar também traz o aprofundamento desses assuntos, porém agrega com a formação

mais diversificada, promovendo troca de experiências e trabalho colaborativo, que tornam a aprendizagem
mais positiva.

Sendo assim, o processo de atendimento multidisciplinar promove a participação e o compromisso constituídos

entre os setores multidisciplinares e o diálogo entre instituição, equipe multidisciplinar e família.

DIFICULDADE DE APRENDIZAGEM: UM CASO A SER ANALISADO

Querido aluno, até aqui, vimos bastante a respeito da atuação do profissional da psicopedagogia. Analisaremos

a situação a seguir, para que, posteriormente, façamos a devida reflexão.

Ana é uma menina muito dócil e aplicada no espaço escolar. Ingressou na turma de 1º ano do ensino

fundamental I no mês de junho. Logo no início, a professora regente notou que a menina não se concentra em
seus afazeres, bem como sente dores de cabeça frequentemente, pedindo para ir embora.

A professora, então, entra em contato com a responsável, sua mãe, após duas semanas de aula, a fim de

investigar se Ana já se portava assim na outra escola.


A mãe de Ana responde que sua filha é “preguiçosa” e “fingida”. Isso faz com que a docente fique alerta, visto

que a estudante tem apenas seis anos de idade.

Com o tempo, a professora repara como a mãe de Ana age no que tange ao desenvolvimento da garota.
Situações como as listadas a seguir aconteceram entre os meses de junho, julho e agosto:

• Frequentemente, a mãe de Ana entra em contato com a escola, a fim de obter comunicações se sua filha está

faltando à aula. A professora questionou a mãe, que respondeu que tem medo de que a filha esteja gazeando

aula, visto que deixa a filha apenas dentro do ônibus escolar. A professora, então, explicou à mãe que Ana é
apenas uma criança, sem maturidade e entendimento para cometer tais atitudes.

• Quando existem exames agendados, a mãe de Ana entra em contato com a professora um dia antes,

perguntando sobre os conteúdos a serem estudados, sendo que a professora envia um comunicado aos
responsáveis sobre o assunto com quinze dias de antecedência. Uma hora após a professora enviar os

conteúdos, a mãe de Ana entra novamente em contato, em tom nervoso, explicando que sua filha não entende

nada. A professora, então, explica que Ana é uma criança, que o processo de aprendizagem é lento e
estimulador e que não é estudando um dia antes do exame que as coisas se resolvem.
• Quando Ana sente dores de cabeça e a escola entra em contato com a mãe dela, esta responde que a filha

está apenas simulando a dor para ir embora. A professora entra em contato com a mãe, explica que tem

observado que a menina apresenta dificuldades para enxergar o quadro e executar algumas tarefas.

Em Conselho de Classe, ao se tratar da aluna Ana, a professora relata todos os ocorridos mencionados. A
Coordenação Pedagógica, então, opta por encaminhar a aluna para:

• Atendimento psicopedagógico, para tratar de assuntos referentes à aprendizagem.

• Atendimento oftalmológico, a fim de identificar possíveis dificuldades para enxergar.


• Atendimento psicológico, a fim de investigar como se dá a sua relação familiar.

Estudante, você consegue perceber a multidisciplinaridade nesse caso? A aluna Ana será encaminhada para três

profissionais. A interdisciplinaridade ocorrerá quando os profissionais dialogarem e solucionarem os sintomas


concomitantemente.

VÍDEO RESUMO

Oi, estudante! Tudo bem com você? Você verá sobre os conceitos de interdisciplinaridade e de equipe

multidisciplinar e o papel do psicopedagogo em equipes multidisciplinares. Ampliar seus conhecimentos a


respeito da atuação deste profissional, no que tange ao desenvolvimento de ensino-aprendizagem, é

imprescindível! Vamos embarcar nessa jornada? Vem comigo!

 Saiba mais
Que tal conhecer o site da Associação Brasileira de Psicopedagogia (ABPp)? Lá, você consegue ter acesso a

artigos e publicações interessantes sobre a área da psicopedagogia.

REFERÊNCIAS
2 minutos

Aula 1

BARBOSA, L. M. S. O projeto de trabalho: uma forma de atuação psicopedagógica. Curitiba: Edição

independente, 2003.

FERNANDEZ, A. A inteligência aprisionada: abordagem psicopedagógica clínica da criança e sua família. Porto
Alegre: Artes Médicas, 1991.

SAMPAIO, S. Manual prático do diagnóstico clínico. Rio de Janeiro: Wak Editora, 2012.

WEISS, M. L. L. Psicopedagogia clínica: uma visão diagnóstica. Porto Alegre: Artes Médicas, 1994.
Aula 2

CARVALHO, A. V. de. Administração de recursos humanos. São Paulo: Cengage Learning, 2006.

WEISS, M. L. L. Psicopedagogia institucional: controvérsias, possibilidades e limites. In: SARGO, C. (org). A práxis
psicopedagógica brasileira. São Paulo: ABPp, 1994.

Aula 3

BRASIL. Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015. Institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência

(Estatuto da Pessoa com Deficiência). Brasília, DF: Presidência da República, [2023]. Disponível em:

[Link] Acesso em: 11 dez. 2022.


BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional.

Brasília, DF: Presidência da República, [2023]. Disponível em: [Link]

Acesso em: 11 dez. 2022.


SASSAKI, R. K. Inclusão: acessibilidade no lazer, trabalho e educação. Revista Nacional de reabilitação

(REAÇÃO), São Paulo, ano 12, p. 10-16, mar./abr. 2009.

UNESCO. Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura. Declaração de Salamanca:
sobre princípios, políticas e práticas na área das necessidades educativas especiais. Salamanca, Espanha:

Conferência Mundial de Educação Especial, 1994.

VYGOTSKY, L. S. Obras escogidas V: fundamentos de defectologia. Madrid: Visor, 1997.

Aula 4

ANDRADE, R. C. de. Interdisciplinaridade: um novo paradigma curricular. In: GOULART, I. B. (org.). A educação

na perspectiva construtivista. Petrópolis, RJ: Vozes, 1998.

DOMINGUES, I. Em busca do método. In: DOMINGUES, I. (org.). Conhecimento e transdisciplinaridade II:

aspectos metodológicos. Belo Horizonte, MG: Editora UFMG, 2005.


JAPIASSU, H. Interdisciplinaridade e patologia do saber. Rio de Janeiro, RJ: Imago, 1976.

NOGUEIRA, N. R. Pedagogia dos projetos: uma jornada Interdisciplinar rumo ao desenvolvimento das múltiplas

inteligências. São Paulo, SP: Érica, 2001.

Imagem de capa: Storyset e ShutterStock.

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