Gestão de Serviços de TI: ITIL e Processos
Gestão de Serviços de TI: ITIL e Processos
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Vasco N. G. J. Soares
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Resumo
Num mundo cada vez mais tecnológico, a alta disponibilidade dos sistemas é cada vez
mais exigente aos serviços de Tecnologias de Informação (TI). O Information
Technology Service Management (ITSM) pode ter um papel fundamental na gestão de
TI, auxiliando clientes e parceiros para que o serviço prestado apresente a melhor relação
custo/benefício, e diminuindo o tempo de inatividade e as interrupções dos serviços.
Procura-se potenciar o valor do negócio. Neste contexto, o Information Technology
Infrastructure Library (ITIL) aparece como uma framework que tem como objetivo
auxiliar e facilitar a definição do negócio e a implementação da gestão de ITSM. Este
artigo centra-se na análise e discussão dos conceitos inerentes aos processos de TI,
auxiliando quem está a dar os primeiros passos nesta área. Ao longo do documento serão
descritas as fases que compõem o ITSM e o ITIL, sob a forma de um guia orientador.
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Revista de Ciências da Computação, 2023, nº18
1. Introdução
A alta disponibilidade dos sistemas é cada vez mais exigente aos serviços de Tecnologias
de Informação (TI). Entende-se por disponibilidade, a capacidade de um serviço estar em
funcionamento sempre que é necessário. A alta disponibilidade implica que o serviço
esteja disponível por um período de tempo máximo possível, e é crucial para empresas e
organizações clientes que têm serviços sensíveis e críticos. Com o aumento da
dependência de sistemas de TI, a exigência por alta disponibilidade também aumentou.
Para ser possível atingir estes objetivos, o ITSM dispõe de um conjunto de estratégias
para criar, entregar, dar suporte e gerir um negócio de TI. O uso destas estratégias permite
reduzir os custos, aumentar a produtividade e a qualidade do serviço. Juntamente ao
ITSM, é introduzida a framework Information Technology Infrastructure Library (ITIL),
que fornece um guia de boas práticas para auxiliar na implementação de uma estratégia
de ITSM, ao nível do planeamento, entrega e gestão de serviços de TI, potenciando o
valor do negócio.
Este artigo apresenta-se como um tutorial de ITSM e ITIL, e está estruturado da seguinte
forma. Na segunda secção é apresentada uma análise dos conceitos de ITSM, os vários
pontos em que este se divide e o valor que aportam ao negócio da gestão de TI. A terceira
secção introduz a framework ITIL. A quarta secção, fornece uma análise crítica e
discussão. Finalmente, na quinta secção, apresentam-se as conclusões e trabalho futuro.
Vivemos na era digital, onde a tecnologia cada vez mais se difunde e emerge no mundo
que nos rodeia. As empresas são cada vez mais dependentes das Tecnologias de
Informação. No entanto, as equipas de TI destas são usualmente vistas apenas com o
propósito de gerir os serviços e máquinas. Contudo, esta manutenção representa uma
baixa percentagem no que diz respeito à totalidade das tarefas a realizar no atual
panorama de TI (10% a 40%). Presentemente, é necessária a gestão de uma grande
quantidade de informação e tecnologia, sendo estas de grande importância nas empresas,
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pois aportam valor mas também trazem complexidade ao negócio. Todavia, esta mudança
de paradigma ainda não foi bem assimilada por parte dos colaboradores e gestores de
empresas [Conger, Sue 2008].
A gestão de TI tem como principal foco a entrega e o suporte de serviços. Procura trazer
benefícios ao negócio dos clientes, auxiliando as organizações a implementar os
processos adequados às suas necessidades e realidades. Algumas das principais atividades
da gestão de TI são projetar, planear, entregar e gerir serviços [Galup, Dattero, Quan and
Conger 2009], perspetivando as necessidades futuras, trabalhando na melhoria contínua
e formulando roadmaps, os quais têm como finalidade acrescentar valor aos negócios
[What is IT Service Management? 2021].
A gestão de ITSM evoluiu ao longo dos últimos anos, bem como os frameworks de
suporte à implementação de um sistema de gestão de ITSM. Alguns dos frameworks com
maior destaque na atualidade são: ITIL, Control Objectives for Information and related
Technology (COBIT), Microsoft Operations Framework (MOF), enhanced Telecom
Operations Map (eTOM), e The Open Group Architecture Framework (TOGAF). Apesar
de todos serem diferentes e terem as suas particularidades, todos podem trabalhar em
harmonia, o que faz com que seja possível usar o melhor de cada um deles, caso os
responsáveis de ITSM assim o entendam.
O COBIT surgiu nos anos 90, também com o propósito de ajudar a implementar
estratégias de ITSM, oferecendo recursos de implementação, melhoria contínua,
segurança e gestão de risco. O COBIT ao longo dos anos também foi evoluindo,
disponibilizando uma estrutura de três níveis: requisitos de negócio, recursos de TI e
processos de TI. As mais valias do COBIT passam pela capacidade de maximizar o valor
das TI e a confiança sobre as mesmas [Kidd, Chrissy 2019].
Outro dos frameworks que é também tido em conta como alternativa no mercado é o
MOF, cujo propósito é a criação de processos e implementação de serviços de TI. Foi
desenhado de modo a incluir todo o ciclo de vida de um serviço de TI, por forma a criar
uma metodologia com maturidade operacional. O modelo de processo do MOF inclui as
operações, o suporte, a mudança e a melhoria contínua. Apesar das semelhanças com os
outros modelos, o MOF foi desenvolvido para permitir que as empresas consigam
alcançar a fiabilidade dos produtos Microsoft [Schott, Saskia 2015].
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Este panorama de TI, tem como base e principal objetivo a entrega de serviço e suporte,
contrariamente às abordagens de TI tradicionais, orientadas à tecnologia. O ITSM, tem
por objetivo gerir operações de TI como um serviço orientado aos processos, os quais são
responsáveis por 60% a 90% da atual filosofia de TI. Alguns dos aspetos importantes são
também a qualidade dos serviços prestados e o relacionamento com o cliente. O
framework ITIL alinha as operações de TI e a interação com os processos, de tal forma,
que é possível ver o ITSM como uma das seções do ITIL. No que diz respeito ao suporte
de serviços e à entrega de operações, o ITSM baseia-se nas melhores práticas, de modo a
facilitar a entrega e a qualidade dos serviços de TI, sem nunca esquecer a melhoria
contínua [Galup, Dattero, Quan and Conger 2009].
Com base nesse pressuposto e com a atribuição da ISO/IEC 20000 [Disterer, 2009] as
empresas reconhecem no ITSM, juntamente com o ITIL, uma excelente oportunidade de
melhorar os seus processos no que diz respeito às TI, implementando para tal standards
ao nível processual. Esta ISO encontra-se dividida em duas seções. A ISO/IEC 20000-1,
que define os requisitos na entrega de serviços de excelência, e a ISO/IEC 20000-2
composta por um conjunto de regras que descreve as melhores práticas do ITSM [Raza,
2019].
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Apesar do Valor do Negócio ser tido em conta pelos líderes e gestores das empresas,
mesmo com um processo bem delineado e fundamentado, esse nível de previsão pode
não ser alcançado.
O ITSM é uma peça-chave para prever este valor com base nas TI. Um dos modelos mais
conhecidos e importantes neste campo, é o modelo Toyota/Kaizen, conhecido pelo seu
sucesso na indústria automóvel. No entanto, os seus princípios podem ser aplicados com
facilidade às TI, incrementando valor e benefícios. Neste caso, os benefícios podem
passar pela melhoria de processos, eficiência a nível do negócio e das tecnologias,
reduzindo os tempos de configuração e gestão, evitando o desperdício de recursos e
permitindo uma rápida comercialização dos serviços e/ou produtos. Atualmente,
podemos encontrar estes benefícios também na framework de ITIL, sendo os pontos
referidos fulcrais para aportar valor ao negócio [Toyota Production System, 2011]
[Hertvik Joe, 2020].
A maioria dos gestores foca-se nas operações de negócio. Isto faz com que os processos
de engenharia acabem por ser esquecidos. Mesmo que estes processos não sejam
definidos, estes acabam por acontecer de forma orgânica gerando valor ao negócio, no
entanto não o espectável. Assim, é desejável que os processos sejam definidos e estejam
em vigor com as medidas adequadas, para que possam criar a possibilidade de melhorar
o Valor do Negócio e os processos de ITSM a todos os níveis. Graças ao ITIL o Valor do
Negócio tornou-se um dos pontos centrais [Cusick, James 2019].
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A GPE não é equiparável a uma plataforma nem é uma iniciativa de uma tecnologia em
si para o processo de negócio. Mas introduz melhorias significativas nos processos de
negócio. Com a ajuda da GPE é possível coordenar, criar e manter processos, sejam estes
comportamentais ou de sistemas de informação. As melhorias ao nível dos processos,
ajudam a manter e/ou adicionar valor ao negócio, pois aumentam a eficácia de resposta
ao cliente [Business Process Management (BPM) - Definition, Steps, and Benefits 2022].
Apesar da Gestão de Processos Empresariais e do Valor do Negócio se cruzarem em
alguns pontos e contextos, ambos trabalham para o mesmo propósito e podem funcionar
em conjunto e em perfeita harmonia. Pretende-se automatizar os processos de rotina. Tal
ajuda a reduzir custos operacionais, diminuindo o desperdício, evitando a repetição de
tarefas e aumentando em geral a eficiência das equipas [What is BPM? 2021].
Os especialistas de TI apreciam o fato de lhes ser fornecida uma linguagem comum, que
possibilita comunicar com as partes interessadas no negócio. Uma das características da
GPE, é a unificação e compreensão conjunta do funcionamento interno de uma
organização, entre as suas várias áreas de gestão. Cada organização possui os seus
processos internos, os quais têm necessidade de garantir que produzem valor de forma
consistente. Este contributo é um ponto chave para a eficácia e competitividade das
organizações. As organizações gerem os seus ativos com base em processos, que vão de
encontro às necessidades dos seus clientes.
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A GSE tem por objetivo definir as necessidades inerentes ao negócio, tanto a nível de
equipamentos, como de infraestruturas de TI, ajudando assim ao planeamento e criação
de estruturas unificadas. Estas fazem parte da estratégia de negócio, combinando
processos e plataformas que melhoram a eficiência, visibilidade e economia da gestão de
TI. Outro dos objetivos é simplificar, uniformizar e automatizar estes processos,
capacitando a organização com recursos que permitam entender melhor os seus clientes.
A GSE trás benefícios ao negócio, podendo gerar uma vantagem competitiva, pois
permite estar sempre um passo à frente antevendo a necessidade do cliente. Para tal, é
necessário otimizar o fluxo de trabalho, desde o planeamento até à integração e
manutenção. A GSE reduz a dificuldade de comunicação entre todos os envolvidos, o que
torna mais fácil priorizar e resolver dificuldades, evitando assim o desperdício de tempo
e de recursos. A GSE foca-se na eficiência e na eficácia da entrega do produto, tornando
mais rápido e rentável o retorno do investimento. Atualmente, as equipas de TI de modo
a melhorar a sua competitividade e a do negócio, optam por automatizar os seus sistemas,
dando assim liberdade às equipas para continuar a otimização do negócio, das tecnologias
e das métricas [Watts, Stephen 2020].
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uma intervenção de alguém responsável por parte da empresa, de modo a ajudar nesta
transformação e na mudança de paradigma. Para tal, a GSE conta com um grande aliado,
o ITIL [Business Service Management (BSM) and ITIL: delivering value | AXELOS
2017].
Algumas das razões que levam as organizações a optar por procurar ajuda através de
outsourcing, é a falta de experiência em processos de boas práticas, levando a que estes
deixem de ser analisados e melhorados com o decorrer do tempo. Outra das razões é a
falta de conhecimento técnico e investimento necessário. Esta situação aplica-se a
organizações que possuem sistemas de TI que requerem atualizações ou substituição de
tecnologias. Dado o desinvestimento em TI em algumas organizações, especialmente no
que diz respeito aos processos de suporte, a terceirização é uma séria opção. Isto permite
às organizações um maior foco nos processos centrais, não consumindo energia, esforço,
capital e atenção dos gerentes que podem investir o seu tempo em processos essenciais
[John, Jeston and Johan, Nelis 2006].
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O Information Technology Infrastructure Library (ITIL) foi proposto nos anos 80 pela
Central Computer Telecommunications Agency (CCTA) do governo britânico, para dar
resposta à necessidade de gestão de TI. Inicialmente contava com 30 livros, nos quais
eram apresentadas as melhores práticas, incluindo práticas sobre a venda de serviços. Ao
longo dos anos outras agências estatais adotaram este framework, de modo a gerir e
otimizar o sector das TI. Com base no conhecimento, na potencialidade e nos resultados
alcançados no setor público, abriu-se a possibilidade de ser usado também no setor
privado, por trazer grande valor aos negócios. Face ao reconhecimento que o ITIL
arrecadou ao longo dos anos, as suas melhores práticas contribuíram para o
desenvolvimento da ISO/IEC 20000, que viria a ser a primeira norma para as Tecnologias
de Informação [White, Greiner 2019][Disterer, 2009].
A estratégia do ITIL passa por fornecer as melhores práticas para uma boa gestão do ciclo
de vida dos serviços, orientando os fornecedores de serviços sobre os processos, funções
e outros recursos necessários para apoiá-los com rigor e qualidade. A partir de 2013 este
framework passou a ser uma marca registada, detida pela AXELOS [AXELOS 2021]. Esta
empresa passou a deter a comercialização de licenças, atribuição e gestão de certificações
e é responsável pelas atualizações do framework. Se o ITIL for usado internamente não
necessita de licenciamento. Em 2019 foi lançada a versão 4 do ITIL. Contudo, a versão 3
de 2007 e atualizada em 2011 ainda continua a ser uma das mais utilizadas.
O ITIL é um conjunto de boas práticas, que não sendo obrigatórias, têm vindo a ser
adotadas por centenas de organizações a nível mundial. Tratando-se de uma orientação,
deve ser lida, compreendida e usada para criar valor junto de fornecedores e clientes. É
um ponto fulcral na altura de terceirizar serviços, pois os clientes têm em conta a
utilização do ITIL como guia na gestão de serviços [ITIL 4 2019].
• Foco no valor;
• Desenhar experiências;
• Começar onde está;
• Trabalhar holisticamente;
• Progresso iterativo;
• Observar diretamente;
• Ser transparente;
• Colaborar;
• Manter simples.
No que diz respeito às operações de serviços, estas dependem dos processos do ciclo de
vida. Ao considerar as operações de serviços, é tentador focar apenas na gestão das
atividades do dia-a-dia. No entanto, a operação de serviço existe num contexto muito
maior. É com base neste ciclo de vida, que as empresas veem e recebem o valor
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diretamente dos seus investimentos sobre as TI. Estes princípios visam ajudar os
profissionais de operações a reconhecer este aspeto importante e a alcançar um equilíbrio
entre todas essas responsabilidades [Carmona, Orbezo 2019].
As diferentes fases do ciclo de vida do serviço devem gerar valor e mais valias aos
negócios. Exemplo disso é o valor destes, o qual é calculado com base na estratégia de
serviço. Assim, este custo é calculado no momento do desenho da solução. Após ser
desenhado e implementado um serviço, espera-se que cumpra as metas orçamentais e de
Return Over Investment (ROI). Atualmente é possível calcular os custos da gestão com
eficácia, no entanto é difícil quantificar qual o valor dos serviços após vários anos
[Margaret 2022] [Britain 2011].
De acordo com o framework ITIL, as intervenções são desencadeadas por pedidos. Tais
pedidos podem ser classificados como Incidente, Pedido, Problema e Alteração:
Com base nas práticas definidas pelo ITIL, foi criado um padrão formal e universal,
atribuído através da ISO/IEC 20000, a qual procura ter os recursos de gestão de serviços
auditados e certificados. A versatilidade do ITIL faz com que ele possa interagir com
outras frameworks, tais como o COBIT ou o MOF. As práticas definidas pelo ITIL são
usadas em diversas organizações, incluindo a HSBC, a IBM e a NASA. [What is ITIL?
2021] [Hunnebeck 2011].
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𝑅𝑒𝑐𝑒𝑖𝑡𝑎 − 𝐶𝑢𝑠𝑡𝑜
𝑅𝑂𝐼 = × 100
𝐶𝑢𝑠𝑡𝑜
Fórmula 1. Cálculo do ROI.
De modo a cumprir a garantia do serviço é preciso ter em conta os ativos, sejam eles do
cliente ou de serviço. Podem ser considerados ativos, os bens de uma empresa, como o
hardware ou o software no caso das empresas de TI. É necessário garantir que estes ativos
sejam contabilizados, implementados, mantidos, atualizados ou descartados quando
necessário [O Que é o Gerenciamento de Ativos de TI?, 2023].
Muitos destes ativos, são indispensáveis para entregar valor ao cliente por parte do
fornecedor do serviço. Sem os mesmos não existiria a possibilidade de atribuir valor a um
serviço. Podemos considerar que os ativos do cliente são essenciais e uma preocupação
para o fornecedor de serviços. Só assim este consegue providenciar um serviço de valor.
Caso os ativos do cliente não apresentem o valor necessário para colocar em prática o
definido pelo projeto, existe a necessidade de investimento. Deve definir-se se este
investimento é efetuado pelo cliente, ou contratado via parceiro responsável pela
terceirização dos serviços.
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Outros fatores a ter em conta numa estratégia de serviços são a perspetiva, posição, planos
e padrões da estratégia [Hunnebeck 2011]:
ser selecionados os que aportam valor ao projeto com base nos critérios definidos. Para
efetuar esta análise, foram selecionados alguns dos fatores que podem ser tidos em conta:
definir o mercado e identificar os clientes; compreender o cliente; entender as
oportunidades; definir os serviços; classificar os serviços; quantificar os resultados; e
implementar os serviços com base em todas as anteriores.
De modo a ser mais fácil gerar e manter este portfólio, é construído um catálogo de
serviços. Os serviços apresentados no catálogo encontram-se desenvolvidos e prontos a
pôr em funcionamento. Trata-se de uma base de dados onde são listados todos os serviços
disponíveis e possíveis de oferecer aos clientes. Tem por objetivo, por um lado, auxiliar
o prestador de serviços na apresentação dos serviços disponíveis, e por outro auxiliar o
cliente no processo de tomada de decisão sobre os serviços. As necessidades de um cliente
podem vir a tornar-se num novo serviço necessário. Isto traz uma mais-valia para o
prestador de serviços, pois pode apresentar novos serviços, com uma descrição do produto
e os custos inerentes [Hunnebeck 2011] [Ronchetti 1987].
Com base no DS é possível ter uma visão geral dos serviços e do projeto. Esta fase não
tem obrigatoriamente de ser tida em conta. Nesse caso, os serviços acabam por surgir
organicamente. Contudo, tal pode levar a que não fiquem em concordância com as
necessidades do cliente. Outro dos aspetos passa por garantir que os serviços de TI exijam
o menor número de alterações durante o seu ciclo de vida. É também no DS que são
definidas as métricas e padrões dos serviços, sendo eles os Key Performance Indicators
(KPI) e o Service Level Agreement (SLA) [Great Britain Cabinet Office 2011]. O DS
funciona numa base holística. Em seguida apresentam-se cinco aspetos relacionados com
o DS:
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• Processos: durante a fase de desenho dos serviços de TI, os processos são necessários
de modo a desenvolver e configurar os serviços a implementar. Os processos devem
ser mantidos ao longo de todo o ciclo de vida do projeto.
• Produtos: são estes que fazem com que seja possível colocar em prática tudo o
desenhado. A tecnologia e a gestão de sistemas são assim usadas para entregar serviços
de TI.
• Pessoas: são estas que aportam valor para o desenvolvimento e design de uma boa
estratégia de TI, com base no seu conhecimento. Toda a orquestração e design da
solução do cliente tem como base as pessoas e o seu conhecimento.
• Parceiros: são primordiais, pois sem parceiros não existe matéria-prima, seja ela
física ou eletrónica. Compete a estes fornecer todos os materiais para ser possível pôr
em prática a estratégia desenhada.
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sua vez, a GNS negoceia e documenta os serviços de TI. É aqui onde é definido também
o SLA e os serviços de qualidade. No que diz respeito à GC, esta tem por objetivo definir
a capacidade do negócio e do seu crescimento. É necessário ter em conta a evolução
tecnológica e o crescimento do negócio ao longo de todo o ciclo de vida do projeto. Desta
forma, é necessário contemplar a capacidade e desempenho, tanto a nível de
software/hardware, como de meios humanos [Ronchetti 1987].
Esta transição foca-se em implementar todos os aspetos definidos para os serviços, pois
é necessário ter a certeza que o serviço está operacional, seja qual for a circunstância.
Como explicado anteriormente, ao migrar um servidor, este terá de ser instalado,
configurado, e estes pontos fazem parte da transição dos serviços. Esta transição é
dividida em vários pontos, de modo a não existir inoperacionalidade de serviços já
existentes e em funcionamento [The Cabinet Officer 2011].
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aprendizagem. Adotar standards pode aliviar alguns dos problemas, garantindo que as
mudanças sejam eficazes e em conformidade com os objetivos dos serviços [Krishna
Kaiser 2017] [The Cabinet Officer 2011].
Não deve ser descurada a gestão de implementação, que é entregue à equipa técnica
responsável pelos novos serviços ou pela alteração dos existentes. Esta equipa técnica,
mais do que implementar, é também responsável por manter a integridade dos serviços.
Pode recorrer a testes de implementação e verificação, de modo a assegurar que esta
ocorre conforme o definido. Nem todas as alterações estão sujeitas a testes. A adição ou
substituição de hardware é um desses casos. No que diz respeito à gestão de configuração,
a mesma pode ser entregue ao prestador de serviços ou gerida diretamente pelo cliente.
Esta decisão recai sobre o cliente, sendo ele responsável por definir quais os recursos que
tem disponíveis para efetuar esta gestão. Caso o cliente não disponha de recursos, a
solução mais simples e eficaz passa por terceirizar também esta gestão. O responsável
pela gestão de configuração tem como responsabilidade gerir as configurações de
máquinas, alteração de hardware e a sua configuração, bem como dispositivos externos.
Outra das soluções possíveis pode passar por uma gestão partilhada, sendo o cliente o
decisor sobre quais os serviços que deseja gerir e quais deseja terceirizar [The Cabinet
Officer 2011].
Esta gestão e planeamento envolve tanto o conhecimento dos recursos humanos, como o
conhecimento adquirido pelo prestador de serviços ao longo dos anos nos projetos
desenvolvidos. A gestão de conhecimento e planeamento surge dentro da transição de
serviços, no entanto esta tem um papel abrangente ao longo do ITIL. Com o passar dos
anos, empresas prestadoras de serviços e colaboradores evoluem no que diz respeito ao
conhecimento do negócio das TI. Adquirem assim maior capacidade para analisar,
planear e propor melhorias, bem como aprendem a comunicar de forma clara e assertiva
com cliente e equipas envolvidas. É essencial utilizar o conhecimento adquirido ao longo
dos anos, o qual trouxe maturidade tanto ao prestador de serviços como aos seus
colaboradores. Esta maturidade permite tomar decisões e ações imediatas em caso de
falha de algum serviço, evitando análises morosas por falta de conhecimento técnico [The
Cabinet Officer 2011] [Ronchetti 1987].
A transição e suporte têm por objetivo auxiliar na transição de serviços. Uma das suas
funções passa pela supervisão dos processos, a fim de garantir que os mesmos se
encontram em concordância com o planeado. É também responsável por validar o
desempenho e os riscos que surgem durante a transição de serviços. Os processos,
sistemas e tecnologias a ser implementadas, são aqui tidos em conta e deve ser garantida
a eficácia e eficiência do serviço. A equipa de transição e suporte também agiliza a
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Esta prioridade é classificada de acordo com a tabela da Figura 4, a qual define o impacto
de um determinado incidente e a urgência que o mesmo representa para o cliente. Estas
parametrizações devem ser definidas no momento do cálculo do Service Level Agreement
[Krishna Kaiser 2017][Britain 2011].
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É também parte da gestão de incidentes o workflow ilustrado na Figura 5, o qual tem por
objetivo auxiliar na tomada de decisão da criticidade de um incidente. Após um incidente
é necessário analisar o mesmo e descobrir o que o causou e qual a possível solução. Caso
o incidente surja após uma alteração, é necessária adotar uma solução temporária,
enquanto se procura uma solução definitiva.
A gestão de pedidos tem como objetivo gerir os pedidos gerados pelo cliente e pelos
utilizadores. Estes são de baixo impacto e risco. Por exemplo, a reposição e/ou
desbloqueio de uma password, a criação ou reativação da conta de um utilizador. Tal
como ilustrado na Figura 4, a criticidade das solicitações também deve ser tida em conta,
de modo a dar prioridade aos pedidos mais urgentes no menor tempo possível.
Na etapa final surge a gestão de acessos, que é o processo final do ciclo de vida da
operação de serviço. Tem por objetivo gerir os acessos a máquinas, servidores, redes e
outras infraestruturas das quais os utilizadores sejam dependentes [Britain 2011].
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A Melhoria Contínua de Serviço (MCS) tem como propósito alinhar os serviços de TI,
com as mudanças do negócio ao longo do tempo. Procura manter o valor do negócio dos
clientes e a contínua evolução e qualidade desse negócio e dos serviços. Esta fase permite
perceber quais são as diferentes necessidades dos clientes e as alterações a implementar
ao longo do tempo. São assim revistas, analisadas, priorizadas e efetuadas as
recomendações do estado do ciclo de vida descritas anteriormente [Ronchetti 1987][Long
2012]. A MCS por vezes é considerada e tida em conta apenas quando existem falhas.
Tal não deveria acontecer, pois a melhoria contínua deve estar enraizada na cultura
empresarial e principalmente para quem opta pelo uso do ITIL como auxílio ao negócio.
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A MCS torna possível uma abordagem correta sobre o negócio e sobre a perspetiva das
TI. Não está focada somente nos objetivos a longo prazo, mas também no
acompanhamento contínuo das soluções implementadas [Long 2012]. Pode pensar-se que
a MCS não incrementa valor a um serviço que ainda não existe. Contudo, a MCS pode
aportar valor no desenvolvimento de um novo serviço, ao contribuir com conhecimento
de outros projetos já implementados e dessa forma ajudar a prevenir a existência de falhas
nos novos serviços.
Pode ser definido um processo de melhoria constituído por quatro passos, com base no
ciclo de vida Plan-Do-Check-Act [Krishna Kaiser 2017][Long 2012]:
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Estes quatro passos têm como propósito definir e gerir os pontos necessários para obter,
processar, analisar e entregar melhorias. Eles promovem uma adequada utilização da
tecnologia e das ferramentas disponíveis por parte das organizações. Desta forma, com
base na MCS é possível ter uma evolução constante dos serviços e das novas tecnologias
disponíveis no mercado, conduzindo as organizações a uma evolução e melhoria contínua
[Long 2012].
4. Análise Crítica
Partindo do estudo aqui apresentado, pode concluir-se que é possível delinear uma
estratégia de ITSM sem recurso a qualquer framework. Contudo, pode ser benéfico o uso
de um dos frameworks existentes no mercado, de modo a desenvolver mais rapidamente
uma estratégia de ITSM. Neste trabalho, optou-se por uma abordagem ao ITIL. Ainda
que os vários tópicos abordados se cruzem e relacionem, também podem funcionar de
forma individual. É com o melhor de cada um deles que é possível elaborar uma estratégia
de ITSM completa. Mas é necessário começar pelo “princípio” e este diz respeito ao valor
de negócio. Os gestores têm de definir e atribuir um valor ao negócio, o que por vezes
não é uma tarefa fácil por desconhecimento tecnológico.
Também é importante definir os processos, uma vez que é necessário rentabilizar o valor
atribuído ao negócio, recorrendo à gestão de processos empresariais. Estes fazem com
que o trabalho possa ser executado de forma mais rápida, existindo um método de trabalho
a ser seguido de igual forma por todos. Os processos têm como objetivo otimizar o
negócio, fazendo com que o valor atribuído ao mesmo seja rentável. Outro fator
importante diz respeito à escolha e definição da equipa e das infraestruturas do cliente.
O outsourcing de serviços é cada vez mais uma realidade a nível empresarial. Existem
vantagens e desvantagens nesta abordagem, como em qualquer modelo de negócio. O
outsourcing faz com que todos os pontos anteriores deixem de ser uma preocupação para
a organização e passem a ser um problema do parceiro. O parceiro dispõe de ampla
experiência na análise e na conceção de uma estratégia de serviço. Isto faz com que os
clientes tirem o foco das TI e consigam focar-se nos seus negócios. No entanto, nem tudo
são vantagens. Por vezes, ao terceirizar, o TI interno acaba por ser básico ou praticamente
inexistente. O conhecimento geral não existe e na hora da realização de pedidos ocorrem
falhas de comunicação com as equipas especializadas do prestador de serviços.
Mas seja no campo da gestão interna de TI, ou no campo do outsourcing é necessário ter
em conta tudo o que rodeia o processo de ITSM, seja a nível de plataformas, de melhorias
a implementar ou dos processos. É no ITSM que se deve planear, projetar, entregar e gerir
serviços, sempre tendo em vista o futuro e trabalhando na melhoria contínua.
É possível orientar o ITSM aos processos e à melhoria da qualidade dos serviços, e utilizar
como aliado o ITIL. O framework ITIL auxilia na gestão de ITSM, recorrendo a um
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conjunto de boas práticas. Podemos considerar o ITIL um fio condutor para auxiliar na
análise e implementação de um serviço de ITSM, pois sem recurso a este torna-se mais
morosa e complicada a implementação de uma estratégia de ITSM. O ITIL está dividido
em Estratégia de Serviço, Desenho de Serviço, Transição de Serviço, Operação de
Serviço e Melhoria Contínua de Serviço. Estas cinco fases vêm mostrar o caminho a
seguir para implementar uma estratégia de ITSM com recurso ao ITIL.
Neste estudo concluiu-se que uma análise elaborada por equipas muito pequenas e não
qualificadas, além de morosa, pode não ser eficaz, nem identificar todas as necessidades
do cliente. Uma equipa numerosa, com experiência, terá maior facilidade em implementar
uma estratégia de ITSM com recurso ao ITIL. O ITSM e o ITIL, apesar de serem uma
grande mais-valia para as empresas, podem não ser viáveis para as pequenas e médias
empresas, uma vez que os recursos disponíveis são limitados.
Uma das melhores opções para implementar uma estratégia de ITSM, de forma mais
rápida e efetiva, passa por recorrer à terceirização de serviços. Para auxiliar na escolha de
uma entidade que possa prestar o serviço é importante ter em conta se esta é detentora da
ISO/IEC 20000 [Disterer, 2009]. Uma empresa que detenha esta certificação demonstra
que cumpre todos os requisitos para uma gestão de excelência. Este fator pode ser
decisivo na atribuição da gestão dos serviços de TI de uma empresa.
Outro dos pontos importantes e que necessita ser considerado, diz respeito às plataformas
de gestão de TI. Estas plataformas têm por objetivo auxiliar na gestão dos pedidos, bem
como na medição dos tempos de resolução. Estes fatores são importantes, uma vez que a
indisponibilidade de um serviço pode causar um grande impacto a nível do negócio do
cliente.
Por vezes, a área financeira acaba por ser o grande entrave ao desenvolvimento de um
projeto com as condições desejadas, pois caso os valores não sejam os esperados pela
área de gestão, o projeto pode não avançar, ou não evoluir conforme o esperado.
5. Conclusão
Num mundo cada vez mais tecnológico, é essencial conhecer os processos de negócio de
Tecnologias de Informação e tudo o que os envolve. Tal possibilitará delinear a melhor
estratégia de TI com vista a melhorar a qualidade dos serviços e incrementar valor ao
negócio.
Este artigo representa uma primeira etapa de um trabalho que visa a proposta de
implementação de um sistema de monitorização de TI. Teve como objetivos principais
enquadrar e clarificar os conceitos fundamentais relacionados com o Information
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Em trabalho futuro, pretende-se estender esse estudo teórico para uma implementação e
demonstração prática de um sistema de monitorização de TI baseado em ITSM e ITIL.
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