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A Jornada de Idril: Um Drow em Fuga

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Tiago Leonardo
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As profundezas do mundo são a moradia de algumas criaturas que fazem da escuridão do

subterrâneo o seus lares. Os drows são uma dessas raças. Acostumados a subjugarem as
raças da superfície como inferiores, ocasionalmente organizam expedições à superfície
para saquear vilas e capturar escravos, utilizando-se dos meios mais covardes e cruéis.

Por vezes as escravas chegam ao subterrâneo grávidas, devido às consequências das


barbáries cometidas pelos drows nos ataques. O que nem de longe é um problema, pois,
dão a luz a novos escravos, esses já sem a necessidade de captura.

E assim nasceu Idril Evernight, Evernight é o sobrenome dado a todos os bastardos de


origem drow naquela região. Filho de uma escrava humana, viveu alguns anos com a mãe
antes de ser vendido.

Idril foi vendido ainda bem jovem, pois seu dono precisava de alguém forte para trabalhos
braçais e Idril se mostrava muito fraco até para uma criança com aquela idade. Por sorte,
uma família havia perdido seu filho mais velho em uma emboscada sofrida na superfície. E
os pais acharam por bem comprar um “animal de estimação” para que a filha mais nova,
Aeryn, não se sentisse sozinha.

Passaram-se os anos e Idril e Aeryn desenvolveram grande afinidade um pelo outro, a elfa
negra não tinha a perversidade característica dos drows em suas ações. Aeryn, estava
sendo preparada para assumir o comando da casa futuramente, já que a sociedade drow é
extremamente matriarcal.

Aprendiz da magia arcana, dedicava o tempo livre para ensinar noções da arte a Idril,
sempre clandestinamente. Que por sua vez, quando não estava com Aeryn, ajudava nas
tarefas juntamente com os outros escravos. O contato com a natureza dos drows aflorou as
habilidades sociais de Idril ao passo que o convívio com os outros escravos lhe
proporcionou conhecimentos ardilosos de grande importância.

Certo dia, durante uma das aulas, Aeryn com um brilho diferente no olhar, surpreendeu Idril
com um beijo. Em um misto de surpresa e curiosidade, Idril retribuiu o carinho, o beijo durou
tempo suficiente para que nenhum dos dois percebesse a chegada de seus pais, que
alertados por escravos que sabiam da proximidade dos dois, resolveram apurar.

O fato de sua filha estar sentimentalmente envolvida com um escravo era o que menos
incomodava a mãe de Aeryn, dada a cultura depravada dos drow. A filha estar ensinando a
arte arcana para um homem e ainda escravo era um erro inaceitável, pois na cultura drow
os poucos homens com acesso à magia são selecionados minuciosamente. Tal insulto não
poderia passar em branco, aliás, deveria ser punido pública e exemplarmente. Sendo
assim, os dois foram condenados à morte. Ela queimada em praça pública e ele enforcado
no dia seguinte para que, assim como todos os escravos pudesse ver o resultado de
tamanha insolência.

A execução se deu com toda a cidade presente, os responsáveis por ela diziam que o fogo
que queimava a jovem drow trazia de volta o respeito de sua família. Vendo tudo aquilo sem
poder esboçar reação estava Idril, o sentimento de impotência diante de tamanha covardia
se aliava à culpa da morte da única criatura que lhe dispensou algum afeto. Sem dúvida
alguma sua preocupação era maior com a drow do que com sua própria execução no dia
seguinte.

Após a morte de Aeryn, já preso em sua cela aguardando o dia seguinte para morrer, Idril
se vê lamentando por não ter aprofundado seu conhecimento ao ponto de conseguir efeitos
mágicos que pudessem ajudá-la ao mesmo tempo que era obrigado a admitir sua fraqueza
física que sempre foi um limitador em sua vida.

Após as súplicas de Idril, no fundo da cela, de dentro de uma pilha de ossos, uma espada
com somente metade da lâmina, começa a flutuar e emitir um brilho esverdeado. Conforme
ela ganhava altura, seu brilho aumentava em intensidade ao mesmo tempo em que a
lâmina se reconstituía. Já com a lâmina íntegra, a espada se oferece para ser empunhada
por Idril. Ao segurar a espada, uma voz se faz audível em sua cabeça:

— A partir de agora, seu magnetismo e determinação serão sua força. Terá poder para
vencer as batalhas da forma que desejar. Não ficarás impotente diante das dificuldades.

O brilho esverdeado da espada recobre de maneira rápida o corpo de Idril e imediatamente


após se apagar, uma escuridão mística toma conta da área, a lâmina antes longa, toma
uma forma menor nas mãos de Idril, guardas logo chegam desorientados, revelando que a
poderosa escuridão capaz de cegar os drows não afetam Idril de nenhuma forma. Se
aproveitando da vantagem, Idril golpeia o guarda que abriu a porta e foge. A escuridão o
acompanha, Idril praticamente fica invisível aos olhos dos drows que enxergam tão bem no
escuro. Mas mesmo sabendo de sua vantagem momentânea, Idril foi se encaminhando em
direção a superfície, pois sabia que seria questão de tempo as sacerdotisas e as magas
mais poderosas entenderem a situação. Aproveitando a escuridão, a fuga se tornou
possível. Idril alcançou a superfície.

Ainda receoso, passou alguns meses viajando e tendo florestas como moradia. Tempo que
foi útil para que compreendesse as habilidades concedidas pela Lâmina Maldita. Com o
controle de seus poderes, passou a viver como caçador de recompensas. Não se apegou a
vingança, tomou os acontecimentos para si como experiência. Ficando indiferente até
mesmo aos drows que lhe provocaram tanto sofrimento. Pois entendia que no fim das
contas o que passou foi necessário para que se encontrasse de verdade. Valoriza esse
equilíbrio. Sabe que coisas boas e ruins acontecem.

Tomou como objetivo para sua vida, juntar uma grande quantidade de recursos para trazer
Aeryn de volta à vida. Pois é de seu conhecimento que magos e sacerdotes de imenso
poder são capazes de tal façanha, mas os custos são grandiosos quanto o feito. Por isso
vive de missões que possam render-lhe algo. E tantas idas e vindas, Idril já possui uma boa
rede de contatos em algumas regiões que o possibilitam acesso a informações sobre
possíveis trabalhos e recompensas.

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