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Fundamentos da Psicologia Experimental

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PROCESSOS PSICOLÓGICOS I - PROF MARCIA OLIVEIRA

OBJETIVOS

• Estabelecer relações entre o surgimento da psicologia experimental e o campo de


estudo da psicologia da percepção; Possibilitar o conhecimento de experimentos e a
compreensão dos limites do objeto em questão;

• Distinguir entre a abordagem filosófica e a psicológica;

• Evidenciar a aplicabilidade dos conceitos relativos às funções de atenção, memória e


senso-percepção.

• Fazer uma discussão sobre a Psicologia da percepção, da atenção e da memória,


apresentando as principais questões e teorias desse campo.

• Conhecer e compreender os fenômenos psicológicos básicos da consciência: da


atenção e da memória (suas estruturas, aspectos e dinâmicas particulares) e dos
fenômenos da sensação e percepção.

• Ressaltar a aplicabilidade destes conceitos na prática do profissional de psicologia.

PLANO DE ENSINO

PROCESSOS PSICOLÓGICOS I (3239)CARGA HORÁRIA: 80H

• EMENTA

• As características do processo perceptivo segundo a Psicologia.


• Teorias da percepção.

• O processo de atenção e sua relação com os demais processos cognitivos.

• Funções da atenção: seleção, vigilância e controle.

• A atenção segundo a Psicologia Cognitiva contemporânea.

• As características do processo mnêmico (ato de memorizar) segundo a Psicologia.

• Teorias da memória.

• Fenômeno das falsas lembranças e suas implicações na prática profissional do


psicólogo

PROCESSOS PSICOLÓGICOS

• Os processos psicológicos básicos correspondem às funções mentais elementares, tais


como a memória, a emoção, a sensação, a percepção, a atenção e a linguagem.

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• Esses processos básicos perpassam todos os processos cognitivos e afetivos e dão
suporte às complexas funções mentais do raciocínio lógico, pensamento abstrato e
tomada de decisão.

• Os estudos dos processos psicológicos básicos têm aplicação em uma diversidade de


áreas da psicologia. Cada área de conhecimento na psicologia, requer metodologias
específicas (CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA-CFP, 2013).

CIÊNCIA PSICOLÓGICA

• Existe um domínio da vida que pode ser entendido como vida por excelência, ou seja,
o cotidiano.

• É no cotidiano que tudo flui, que as coisas acontecem, que nos sentimos vivos, que
vivemos a realidade. Esse tipo de conhecimento que vamos acumulando em nosso
cotidiano é chamado de senso comum.

• Sem esse conhecimento intuitivo, espontâneo de tentativas e erros, a nossa vida seria
muito complicada. Esse tipo de conhecimento percorre um caminho que vai do hábito à
tradição.

• O senso comum integra, de um modo precário, o conhecimento humano.

• Por exemplo: Quando utilizamos termos como “rapaz complexado”, “menina


histérica”, “ficar neurótico”, estamos usando termos definidos pela Psicologia
Científica.

• Não nos preocupamos em definir as palavras usadas e nem por isso deixamos de ser
entendidos pelo outro.

PSICOLOGIA – CIÊNCIA HUMANA

• Ciência compõe-se de um conjunto de conhecimentos sobre fatos ou aspectos da


realidade, expresso por meio de uma linguagem precisa e rigorosa.

• Essa característica da produção científica possibilita sua continuidade, um novo


conhecimento é produzido sempre a partir de algo anteriormente desenvolvido.

• A ciência tem ainda uma característica fundamental, ela aspira à objetividade, ou seja,
suas conclusões devem ser passíveis de verificação e isentas de emoção.

• Desta forma é possível torna-las válidas para todos.

• Muito se fala sobre a diversidade de objetos da Psicologia e muitos atribuem essa


diversidade ao fato de a Psicologia ter se desenvolvido como Ciência apenas no final do
século XIX.

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• Provavelmente, a Psicologia jamais terá um único paradigma confiável que possa ser
adotado por todos sem questionamentos. Isso porque a Psicologia é uma ciência
humana.

MÉTODO CIENTÍFICO

• “O método científico é a abordagem usada pelos psicólogos para adquirir


sistematicamente conhecimento e compreensão sobre o comportamento e outros
fenômenos de interesse”. Consiste em quatro passos principais:

1) identificar questões de interesse;

2) formular uma explicação;

3) realizar pesquisa destinada a apoiar ou refutar a explicação;

4) comunicar as descobertas.

ANTECEDENTES DA PSICOLOGIA CIENTÍFICA

• MEDIR - Para ascender à cientificidade


• Nas origens da Psicologia Científica....

Fisiologia - Estudo de como os organismos funcionam. Cada vez mais relacionada à


psicologia.

Ex.: Processamento da informação através dos sentidos

JOHANNES MÜLLER (1801 – 1858)

• Universidade de Berlim - 1833/40;

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• A doutrina de energias nervosas específicas (Nervo sensorial);

• Sensações (aspectos fisiológicos e psicológicos);

• Processamento top-down...

• Descreve as expressões faciais de diversas emoções e padrões de movimento


expressivo.

HERMANN VON HELMHOLTZ (1821-1894)

• Verdadeira base da psicologia experimental;


• Conhecer as sensações;

• Forças orgânicas e inorgânicas eram perceptíveis e poderiam ser medidas por meios
mecânicos (fisiologia mecânica);

• Estuda a fisiologia e a física da visão – oftalmoscópio (derruba argumento dos


vitalistas);

• Teoria da Percepção: “A sensação é a captação do estímulo enquanto a percepção


compõe-se da sensação e da experiência”. A percepção é um processo cognitivo muito
mais complexo que implica inferências inconscientes baseadas na experiência passada.

• “A percepção está longe de nos relacionar de um modo simples e direto com o mundo
exterior

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ERNST HEINRICH WEBER (1795-1878)

• Anatomista e fisiologista;
• Estudo pioneiro dos órgãos dos sentidos e a sensibilidade da pele;

• Mudanças físicas nem sempre produzem mudanças psicológicas;

• Problema da relatividade perceptual: Weber inspirou-se em Daniel Bernoulli que em


1838 disse que 1 franco vale mais para um homem pobre do que 10 francos para um
homem rico.

• Qual é a menor diferença entre dois pesos que pode ser percebida com confiabilidade?

• A percepção da diferença não era fixa mas variável e dependia do tipo de peso
apresentado.

• “A capacidade para discriminar pequenas diferenças em um estímulo depende não só


da intensidade do estímulo, senão também de uma certa relação entre a diferença de
pesos e o peso padrão utilizado no experimento

PSICOFÍSICA

• Ciência exata das relações funcionais de dependência entre o mundo físico e o


psíquico, em que o evento físico era medido e controlado com os instrumentos da física,
e o evento mental era indiretamente registrado mediante o relato verbal dos sujeitos
experimentais;

• A psicofísica foi o embrião da psicologia. Permanece viva até hoje constituindo-se


assim na área mais tradicional de atuação profissional da psicologia.

INÍCIO DOS ESTUDOS DA SENSAÇÃO

• A exploração das sensações na Psicologia iniciou-se com Wundt, na Alemanha do


século XIX, com a instalação do Laboratório de Psicologia Experimental na
Universidade de Leipzig.

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• O laboratório tinha como proposta realizar experimentos na área de Psicofisiologia.
Nele, Wundt desenvolveu a concepção de paralelismo psicofísico. Segundo este
conceito, aos fenômenos mentais correspondem fenômenos orgânicos (BOCK;
FURTADO; TEIXEIRA, 2008).

• O trabalho de Wundt ganha destaque para o cenário psicoterapêutico, levando em


consideração as sensações como suporte básico. Mas, a pesquisa de Wundt nunca teve o
toque humanista que atrairia o psicoterapeuta.

• Identificar as sensações básicas não é uma tarefa fácil. Se fosse possível fechar a
distância entre as sensações básicas e o comportamento mais complexo, provavelmente
haveria menos exemplos de ações incongruentes.

LURIA – A TEORIA DO SISTEMA FUNCIONAL

• Alexander Romanovich Luria foi um russo que viveu no século passado (1902-1977)
e é considerado o pai da Neuropsicologia moderna, sendo inclusive o criador deste
termo. Trabalhou junto com Lev Semionovich Vygotsky

• Para Luria, a função cerebral não pode ser entendida como a função de uma área em
particular, assim como a função respiratória não é “propriedade” apenas do pulmão, mas
de todo o sistema respiratório.

• Luria pensou o Sistema Nervoso Central como estruturado hierarquicamente de uma


forma vertical. As estruturas inferiores serviriam de base para as atividades das
estruturas superiores. O funcionamento adequado das estruturas superiores, portanto,
dependeria do funcionamento das estruturas inferiores.

Quanto mais acima na hierarquia, mais as estruturas seriam novas na filogênese e na


ontogênese, mais seriam elaboradas e seria, até mesmo, mais frágeis.

• A divisão dentro desta hierarquia foi em três grandes unidades funcionais

• Fenômenos psicológicos como percepção, memória, imagem corporal ou atenção


podem ser considerados produtos do processamento de diversas áreas cerebrais que,
trabalhando em concerto, proporcionam a função requerida, sendo que cada zona
cerebral individual contribui com um fator específico ao processo.

NEURÔNIOS

• Cada célula nervosa recebe informações de milhares de outros neurônios e transmite


as, por sua vez, para outros milhares de neurônios.

• Os neurônios são capazes de receber, integrar e transmitir informações eletroquímicas.


Tal capacidade é essencial para o funcionamento do Sistema Nervoso.

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• Células Gliais (grego=cola). Menores que os neurônios, sua função é dar sustentação
ao neurônio (apoiar sua estrutura). Nutrem e melhoram a velocidade de comunicação
entre os neurônios e removem resíduos, inclusive neurônios mortos.

TIPOS DE NEURÔNIOS

• Transmitem informações diferentes:


– Neurônios Sensitivos: transmitem informações sobre o meio, como luz e som, para o
cérebro por meio de receptores especiais da superfície celular nos órgãos do sentido.
Também transmitem informações da pele e de órgãos para o cérebro.

– Neurônios Motores: transmitem impulsos para os músculos e glândulas do corpo. O


simples movimento de piscar os olhos ativa milhares de neurônios motores.

– Neurônios de Associação: transmitem impulsos entre os neurônios.

CARACTERÍSTICAS DOS NEURÔNIOS


1. Corpo celular: Contém o núcleo que fornece energia para o neurônio
desempenhar suas funções. Também contém estruturas que são encontradas em
todas as células do corpo e material genético.
2. Dendritos: ramificações que recebem mensagens de outros neurônios e de
células específicas.
3. Axônio: Tubo alongado que saí do corpo celular. Levam informações para
outros neurônios e outras células, glândulas e músculos. É na arborização
terminal que as informações são transmitidas aos alvos. Alguns neurônios não
possuem axônios.
4. Nodos de Ranvier: Intervalos no axônio que não são recobertos pela bainha de
mielina.
5. Bainha de Mielina: Cobertura cilíndrica, composta de camadas de gordura,
derivada das células gliais. Ajuda a isolar um neurônio do outro.

• Neurônios envolvidos com mielina conduzem as informações 20 vezes mais rápido.

• Sua degeneração pode gerar redução da velocidade ou interrupção na transmissão das


mensagens o que resulta em distúrbios motores ou sensoriais. Ex: esclerose múltipla –
apresenta sintomas como fraqueza, perda da coordenação, perturbação da fala e da
visão.

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ESQUEMA DE NEURÔNIO

SINAPSES
Sinapse é a junção entre dois neurônios.

É pela sinapse que os sinais são transmitidos de um neurônio para outro


(neurotransmissão química).

Os neurônios se organizam de maneira a enviar informações sinápticas para outros


neurônios e também de modo a receber informações sinápticas de outros neurônios.

SINAPSES QUÍMICAS
O impulso nervoso, ao atingir os terminais sinápticos, provoca liberação de
neurotransmissores, que interagem com receptores localizados nas membranas pós e
pré-sináptica.

• Comunicação entre os neurônios

Pré-sináptico: que envia a mensagem

Pós-sináptico: que recebe

Fenda sináptica: espaço que separa um neurônio do outro.

A maior parte da comunicação entre os neurônios é química.

SINÁPSE

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NEUROTRANSMISSORES (NT)

• Cada pensamento, ação e emoção envolve liberação de neurotransmissores.


• Capacidade de perceber, sentir, pensar, movimentar-se, agir e reagir depende do
delicado equilíbrio dos NT no SN.

• São mensageiros químicos produzidos por um neurônio.

• Eles tem um papel importante pois carregam as informações que podem ativar ou não
outros neurônios (isso dependerá do receptor que ele se agregar).

• Níveis anormais estão associados a problemas físicos e comportamentais.

EXEMPLOS DE NEUROTRANSMISSORES E SUAS FUNÇÕES


• Acetilcolina (Ach) –

Estimula a contração dos músculos

Todos os movimentos exigem acetilcolina.

É encontrada em muitos neurônios

É importante também para a memória, aprendizagem e trabalho intelectual

* Doença de Alzheimer - perda de acetilcolina.

EXEMPLOS DE NEUROTRANSMISSORES E SUAS FUNÇÕES

• Dopamina
Envolvimento com movimentos (voluntários), atenção, aprendizagem, sensações
agradáveis ou de gratidão.

*Dependência de drogas: Uso de cocaína e nicotina provocam aumento da dopamina

*Parkinson: causado pela degeneração dos neurônios que produzem dopamina.

*Esquizofrenia: níveis excessivos (eventualmente).

EXEMPLOS DE NEUROTRANSMISSORES E SUAS FUNÇÕES

• Serotonina
Serotonina: sono (sonhar), humores e estados emocionais, inclusive depressão,
controle do impulso.

Anti-depressivos aumentam a disponibilidade de serotonina em algumas áreas do


cérebro.

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EXEMPLOS DE NEUROTRANSMISSORES E SUAS FUNÇÕES

• Noradrenalina - Excitação e vigilância


Estimula os neurônios, dá alerta de perigo ou ameaça em situações de perigo, tem
função importante na memória.

*Depressão – falta do NT

COMO AS DROGAS AFETAM A TRANSMISSÃO SINÁPTICA?

• Há drogas que aumentam ou diminuem a quantidade de neurotransmissores liberados


pelos neurônios.

• Interferem no tempo que os neurotransmissores ficam na fenda sináptica. Interferência


na reabsorção pelo neurônio transmissor.

Ex: Prozac inibe a reabsorção da serotonina, aumentando a disponibilidade de


serotonina no cérebro.

Ex: Cocaína produz os efeitos excitatórios pois interfere com a reabsorção de dopamina.

• Simular o neurotransmissor: droga semelhante ao neurotransmissor produzirá o


mesmo efeito.

Ex: nicotina. Estimulante. Semelhante à acetilcolina e pode ocupar o sítio receptor de


seu receptor, estimulando os músculos esqueléticos e aumentando as batidas cardíacas.

REFERÊNCIAS

• ATKINSON, R. L. et al. Introdução à Psicologia. 13ª ed. Porto Alegre: ARTMED,


2002.

• BOCK, Ana Mercês Bahia; FURTADO, Odair; TEIXEIRA, Maria de Lourdes Trassi
Psicologias: uma

introdução ao estudo de psicologia. São Paulo: Saraiva, 2008.

• FELDMAN, R. S. Introdução à Psicologia. 10ª ed. Porto Alegre: AMGH, 2015

• GAZZANIGA, M. S. & HEATHERTON, T. F. Ciência Psicológica: mente, cérebro e


comportamento. Porto

Alegre: Artmed, 2005.

• STERNBERG, R. J. Psicologia Cognitiva. Ed. Cengage Learning, 2009.

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