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Discriminalização da Maconha: Impactos e Benefícios

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COLÉGIO ESTADUAL BENEDICTO JOÃO CORDEIRO

FILOSOFIA

SARAH CRISTINA MAYER


MARJORIE LAYANE SOARES
JULIA BEATRIZ KOSLOSKI

DISCRIMINALIZAÇÃO DA MACONHA

CURITIBA
2022
SARAH CRISTINA MAYER
MARJORIE LAYANE SOARES
JULIA BEATRIZ KOSLOSKI

DISCRIMINALIZAÇÃO DA MACONHA

Trabalho de pesquisa apresentado a


matéria de filosofia, com intuito de avaliação
trimestral do 2º trimestre.

CURITIBA
2022
RESUMO

A maconha (Cannabis sativa) é a droga ilícita mais usada em todo o mundo.


Acredita-se que tenha se originado na Ásia, e seu cultivo começou a ocorrer, a
princípio, com o objetivo da extração de fibras, na China. A maconha tem sido
alvo de constantes debates. A maconha é uma planta que apresenta uma série
de substâncias químicas, sendo que algumas delas apresentam importantes
propriedades medicinais. Estima-se que a Cannabis sativa apresente mais de
400 componentes, sendo cerca de 60 deles componentes canabinoides.
Segundo Honório e colaboradores no trabalho Aspectos Terapêuticos de
Compostos de Plantas Cannabis sativa, dá-se o nome de canabinoides aos
compostos presentes na maconha que possuem 21 átomos de carbono, além
dos respectivos ácidos carboxílicos, análogos e possíveis produtos de
transformação. Por um lado, há o fato de ser uma droga ilícita e que pode causar
danos ao organismo. Por outro lado, existem os estudos sobre os benefícios
ocasionados por substâncias presentes na planta.

Palavras-chaves: Cannabis, maconha, dogra, befícios.


SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................ 5
2 DESENVOLVIMENTO .................................................................................... 7
3 CONCLUSÃO................................................................................................ 10
REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS ................................................................. 11
5

1 INTRODUÇÃO

A maconha é uma planta da família Moraceae originária da Ásia Central e


apresenta como característica sua capacidade de resistir a diferentes altitudes, climas
e solos diferenciados, sendo encontrada principalmente em regiões tropicais e
temperadas. Seu nome científico é Cannabis sativa – Cannabis significa cânhamo e
sativa está relaciona à cultura plantada ou semeada.
A maconha possui mais de 400 componentes diferentes, e cerca de 60 deles
são chamados de canabinoides (grupo de compostos com 21 átomos de carbono
presentes na maconha). Seu componente psicoativo principal é o Δ9-
tetrahidrocanabinol (Δ9-THC), que causa uma complexa influência no cérebro. Vale
destacar que as propriedades psicoativas da maconha variam de acordo com o clima
onde a planta foi cultivada.
Os efeitos da maconha no organismo são os mais variados e podem depender
de cada usuário. Entre as principais alterações observadas, podemos citar euforia,
sensação de relaxamento, sentidos mais aguçados, alteração na percepção do tempo,
interferência no tempo de reação, alterações nas capacidades sensoriais, perda de
memória de curto prazo, dificuldade de controle motor, boca seca, taquicardia e
hipotensão postural (queda de pressão que ocorre quando uma pessoa, anteriormente
sentada ou deitada, muda de posição, levantando-se). Além de todos esses efeitos
citados, não podemos esquecer das alterações mais graves, como ansiedade,
ataques de pânico e aumento de sintomas psicóticos já existentes. Doses muito altas
da droga podem desencadear ainda alucinações.
O uso crônico da maconha, de acordo com alguns estudos, relaciona-se com
problemas de aprendizagem, improdutividade, apatia, bronquites, tosses crônicas,
alteração na imunidade e infertilidade. Vale salientar que a maconha torna-se mais
prejudicial quando seu uso começa muito cedo, por muito tempo ou se houver
exposição ainda no útero. A curto prazo, a utilização dessa droga não apresenta
efeitos prejudiciais evidentes como os que são identificados em outras drogas como
a cocaína.
O trabalho de Rigoni, intitulado “O consumo de maconha na adolescência e as
consequências nas funções cognitivas”, demonstrou que houve diferença estatística
significativa quando compararam as funções cognitivas de 30 usuários de maconha e
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30 não usuários. De acordo com esse trabalho, adolescentes usuários apresentaram


um desempenho inferior no que diz respeito às funções cognitivas que aqueles que
não eram usuários, evidenciando que a maconha pode interferir no funcionamento
neuropsicológico de quem a utiliza.
No que diz respeito à esquizofrenia, vários estudos demonstraram que a
maconha é capaz de piorar quadros dessa doença, além de desencadeá-la em
indivíduos que apresentam predisposição. De acordo com Soares-Weiser, em seu
trabalho Uso de maconha na adolescência e risco de esquizofrenia, o risco de
desenvolver transtornos esquizofrênicos parece estar relacionado à frequência do uso
da maconha.
Apesar do que muitos pensam, a maconha pode, sim, causar dependência, e
existem vários estudos demonstrando esse padrão. A dependência aumenta de
acordo com a quantidade consumida, entretanto, nem todos os usuários tornam-se
dependentes. Na realidade, a maioria não apresenta esse quadro. Ribeiro, na
pesquisa Abuso e dependência da Maconha, cita como sintomas da abstinência dessa
droga: fissura, irritabilidade, nervosismo, inquietação, depressão, insônia, redução do
apetite e cefaleia (dor de cabeça).
7

2 DESENVOLVIMENTO

Nos últimos anos, vários estudos tem mostrado as utilidades médicas das
substâncias presentes na cannabis, principalmente o canabidiol (CBD), que ao
contrario do tetrahidrocanabinol (THC) não provoca euforia e tem menos efeitos
colaterais.
Quando o canabidiol é utilizado, geralmente é capaz de regular a homeostase
e atuar em sinais e sintomas como apetite, dor, pressão intraocular, inflamação,
controle muscular, qualidade do sono, metabolismo, resposta ao estresse, humor e
memória.
Além disso, o TH, assim como outros medicamentos, tem a capacidade de criar
dependência, no entanto tem muita importância em tratamentos como na esclerose
múltipla, náuseas e vômitos causados pela quimioterapia, epilepsia, Alzheimer e
Parkinson.
Os substratos da Cannabis podem ser administrados por muitas vias, a
principal é por via oral ou sublingual ingerido na forma de óleo. Além disso, podem ser
ingeridos na forma de chá, capsulas, produtos de uso tópico como cremes, pomadas,
óleos de massagem e adesivos transdérmicos, supositórios e vaporizadores.

Benefícios da cannabis medicinal

Epilepsia
 Efeito anticonvulsivante em pacientes refratários as medicações atuais
 Redução das crises de epilepsia intratável como Lenoxx-Gastaut e Síndrome
de Dravet.
Autismo
 Ajuda a controlar a ansiedade e a agitação comuns da doença
 O CBD contribui reduzindo as convulsões nos casos mais graves do transtorno
do espectro autista.
Esclerose Múltipla
 Controle dos espasmos produzidos pela doença foram relatados pelos
pacientes logo após o primeiro mês em uso da medicação.
Anorexia
 O THC é indicado para estimular o apetite e o ganho de peso.
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Dores crônicas
 Alivio da dor crónica causada pela artrite, fibromialgia ou enxaqueca
 Diminuição da inflamação em doenças como a síndrome do intestino irritável,
doença de Crohn e artrite reumatoide.
Quimioterapia
 O THC diminui os efeitos colaterais da quimioterapia, como náusea, vômito,
perda de apetite e tontura.
 Auxilia no tratamento paliativo de pacientes terminais.

Entretanto o uso da Cannabis em excesso e não medicinal pode causar


diversos malefícios para a saúde, entre eles:
Perda da memória
A perda da memória é um efeito colateral da maconha, principalmente da
memória recente, pois o THC, se liga a receptores no hipocampo, uma área no cérebro
responsável pela memória e aprendizado, interferindo no seu funcionamento e
impedindo o cérebro de registrar novas memórias.
Além disso, o uso crônico da maconha também pode causar dificuldade de
aprendizado ou de concentração ou de atenção.
Náuseas e vômitos intensos
O uso frequente e prolongado da maconha pode levar algumas pessoas a
desenvolver a síndrome de hiperemese canabinoide, que ocorre devido a ação do
THC no cérebro e no sistema gastrointestinal, provocando náuseas e vômitos intensos
e frequentes que podem levar a uma desidratação grave, sendo necessário
atendimento médico imediato.
Esquizofrenia
A esquizofrenia é outro efeito colateral da maconha que acontece devido ao
efeito do THC no cérebro, que provoca alterações nos neurotransmissores, como
dopamina, epinefrina e norepinefrina, causando sintomas psicóticos como delírio,
alucinações, paranóias, comportamentos violentos ou agressivos, por exemplo.
Alguns estudos mostram que a esquizofrenia causada pela maconha é mais
comum de ocorrer em pessoas que iniciam o uso da maconha na adolescência pois é
uma fase em que o cérebro ainda está em desenvolvimento. Além disso, em pessoas
que já têm o diagnóstico de esquizofrenia, o uso da maconha pode piorar os sintomas
e dificultar o tratamento desta doença.
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Bronquite crônica
No momento do uso, a maconha tem um efeito dilatador dos brônquios, por
relaxar os seus músculos. No entanto, a fumaça inalada pelos pulmões contém
substâncias irritantes que podem causar uma intensa inflamação no sistema
respiratório e causar bronquite crônica e outros problemas respiratórios como
enfisema, infecções pulmonares ou câncer de pulmão.
Infertilidade
O uso frequente da maconha ou quando consumida em grandes quantidades,
aumenta o risco de infertilidade, tanto feminina quanto masculina, por alterar os níveis
de hormônios sexuais no corpo.
Nos homens, a maconha causa uma redução nos níveis de testosterona, o que
diminui a produção de espermatozóides, que também podem sofrer alteração na sua
motilidade e capacidade de alcançar o óvulo para que ocorra a fecundação. Além
disso, o uso frequente da maconha pode diminuir o desejo sexual e causar impotência.
Já nas mulheres, a maconha pode provocar alterações no ciclo menstrual,
interferir na ovulação e diminuir a lubrificação vaginal que é importante para que os
espermatozóides alcancem o óvulo, alterando a fertilidade da mulher.
Problemas no desenvolvimento do bebê
Alguns estudos mostram que o uso da maconha durante a gravidez pode
causar problemas no desenvolvimento do bebê, principalmente no cérebro,
aumentando o risco da criança ter problemas cerebrais e comportamentais ao nascer,
como dificuldade de atenção, memória e menor capacidade de resolver problemas.
Além disso, o uso da maconha na gravidez aumenta o risco de parto prematuro
e do bebê nascer com baixo peso.
A maconha também pode afetar o cérebro do bebê em amamentação, pois o
THC pode passar para o bebê pelo leite materno.
Infarto
A maconha provoca efeitos imediatos no sistema cardiovascular, e que podem
durar até 3 horas após seu uso, como aumento dos batimentos cardíacos e da pressão
arterial, o que pode causar infarto, especialmente em pessoas mais velhas ou que
tenham algum problema cardíaco.
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3 CONCLUSÃO

A discussão sobre o uso da cannabis para fins medicinais tem evoluído nos
últimos anos, especialmente a partir das regulações propostas pela Agência Nacional
de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pela discussão do tema no Congresso Nacional,
ainda que a passos lentos quando comparada com outros países (como, por exemplo,
Canadá, Uruguai, Espanha, Holanda e alguns estados americanos) e que, inclusive,
já permitiram o uso não só para fins medicinais, mas também para o uso recreativo,
assunto específico que no Brasil ainda está longe de amadurecer.
No entanto, para qualquer exercício sobre a pauta da cannabis para o ano de
2022 é preciso entender, ainda que brevemente, como chegamos ao estágio atual.
As recentes pesquisas realizadas sobre o uso de Cannabis Sativa para fins
medicinais comprovam a sua eficácia em tratamentos e terapias de diversas doenças,
porém, no Brasil seu uso é permitido apenas alguns casos específicos ou mediante
ações judiciais.
A expectativa para os defensores do uso medicinal continua sendo a
possibilidade de autorizar a plantação da cannabis em território nacional para fins
medicinais, o que certamente traria inúmeros benefícios aos país, como o
desenvolvimento do agronegócio e toda sua cadeia de suprimentos; novos estudos
científicos e novas tecnologias de medicamentos pela indústria; além da arrecadação
de tributos e geração de empregos, mas, principalmente, na possibilidade de redução
de custos e ampliação de tratamento médico aos inúmeros pacientes que hoje
necessitam da cannabis. Contudo, não pode ser descartada que a descriminalização,
legalização é sim, uma possível solução para, pelo menos, boa parte dos problemas
relacionados às drogas.
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS

DANIEL CICOLIN, Paulo. A pauta legal do uso medicinal da cannabis no Brasil em


2022. B, 6 out. 2020. Disponível em: [Link]
pauta-uso-medicinal-cannabis-brasil-2022. Acesso em: 3 jul. 2022.

RAMIRES, [Link]. 7 principais malefícios da maconha. Google, 13 maio 2021.


Disponível em: [Link] Acesso
em: 3 jul. 2022.

FEITOZA DA SILVA, Beatriz. Cannabis e os benefícios dessa planta para a medicina.


B, 24 jul. 2021. Disponível em: [Link]
dessa-planta-para-a-medicina-colunistas. Acesso em: 3 jul. 2022

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