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Mapeamento da Arquitetura Art Déco em PG

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Anais Eletrônico ISBN 978-85-459-2238-4 EDUCAÇÃO PRESENCIAL E A DISTÂNCIA

XI Mostra Interna de Trabalhos de Iniciação Científica


IV Mostra Interna de Trabalhos de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação

GÊNESE DA MODERNIDADE: MAPEAMENTO DA ARQUITETURA


ART DÉCO EM PONTA GROSSA, PR

Yasmin Ayanara Stremel¹, Giovana Leuch Paganini², Gabriela Kratsch Sgarbossa³

¹ Acadêmica do Curso de Arquitetura e Urbanismo, Universidade Cesumar - UNICESUMAR. Bolsista PIBIC8/ICETI-UniCesumar.


yasminstremel@[Link]
² Acadêmica do Curso de Arquitetura e Urbanismo, Universidade Cesumar – UNICESUMAR, Campus Ponta Grossa-PR.
giovanapaganini@[Link]
³Orientadora, Mestre em Gestão Urbana, Docente do Curso de Arquitetura e Urbanismo, UNICESUMAR.
[Link]@[Link]

RESUMO
O foco deste trabalho é apresentar os resultados parciais alcançados pelo projeto de pesquisa em andamento, que visa
mapear a incidência da linguagem Art Déco na arquitetura em Ponta Grossa, no interior do Paraná. É na virada para o
século XX, com a implantação da ferrovia São Paulo-Rio Grande Do Sul passando por Ponta Grossa possibilita um
primeiro ciclo industrial. Nesse contexto, a arquitetura começa a se variar do arquétipo colonial e eclético, assumindo
ares de modernidade. A presença Art Déco é identificada desde residências unifamiliares, passando por grandes lojas
de departamentos e atingindo edifícios fabris, o que evidencia a grande presença desta linguagem na paisagem das
cidades brasileiras. Afim de atingir os objetivos propostos, a pesquisa se desenvolve em duas grandes etapas. A primeira
delas caracteriza-se por uma abordagem teórico-conceitual, a partir de método exploratório, apoiadas em técnicas de
pesquisa bibliográfica. A segunda etapa se caracteriza por sua abordagem empírica, visando a análise dos modelos
locais. Essa linguagem de “arte de massa” presente nas variadas tipologias e escalas são a prova da nova riqueza do
ciclo industrial local.

PALAVRAS-CHAVE: História das edificações; Inventário arquitetônico; Pesquisa em acervos; Ponta Grossa.

1 INTRODUÇÃO

O foco deste trabalho é apresentar os resultados parciais alcançados pelo projeto de pesquisa
em andamento, que visa mapear a incidência da linguagem art déco na arquitetura em Ponta Grossa,
no interior do Paraná. Essa linguagem surge na Europa, durante os anos de 1920, como uma
resposta de artistas e designers às inovações sociais e tecnológicas do período, por meio da
racionalização dos ornamentos, geometrização das formas, atingindo volumetrias mais retilíneas e
com materiais construtivos que simbolizam a modernidade (FRAMPTON, 2000).
A linguagem se desenvolve no Brasil quase paralelamente à ocorrência europeia, devido à
grande efervescência cultural vivenciada no início do século XX. Inicialmente, sua aplicação ocorre
nos grandes arranha-céus que começavam a ser implementados nas grandes capitais, que se
destacavam com signos de modernidade. Posteriormente, devido à sua versatilidade, passa a ser
aplicado em inúmeros programas, de escalas diferenciadas. Assim, podem ser encontrados desde
residências unifamiliares, passando por grandes lojas de departamentos e atingindo edifícios fabris,
o que evidencia a grande presença desta linguagem na paisagem das cidades brasileiras (CORREIA,
2010).
Alinhada à essas características, o município paranaense de Ponta Grossa, vivenciava durante
essa época um período de grande desenvolvimento, devido à instalação de linhas ferroviárias que
o interligava à rede de cidades nacional e possibilitou o surgimento de um primeiro ciclo industrial
(MONASTIRSKY, 2001). Nesse contexto, a arquitetura urbana se torna rica e variada, pois assume
diversas influências, relacionadas tanto com o signo da modernidade, quanto com a manutenção
de tradições relacionadas com a chegada de imigrantes, especialmente europeus.
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Neste sentido, o mapeamento da linguagem art déco no caso local se justifica por contribuir
com as lacunas no campo da história da arquitetura local, que carece de estudos mais específicos,
bem como evidenciar a presença destes exemplares na paisagem, já que o estilo é reconhecido
como a primeira linguagem efetivamente moderna na arquitetura (BENEVOLO, 2001). Assim, o
objetivo deste trabalho é apresentar os resultados parciais do projeto de pesquisa, discorrendo
sobre as principais características da expressão em estudo, a caracterização do município e sua área
de estudo, e o mapeamento dos exemplares identificados.

2 MATERIAIS E MÉTODOS

Afim de atingir aos objetivos propostos, a pesquisa se desenvolve em duas grandes etapas.
A primeira delas caracteriza-se por uma abordagem teórico-conceitual, na qual, a partir de método
exploratório, apoiadas em técnicas de pesquisa bibliográfica, webgráfica e documental,
possibilitarão a obtenção de dados em fontes científicas, como livros técnicos, artigos científicos
publicados em periódicos e anais de eventos científicos, visando o estabelecimento de um
referencial teórico relativo à expressão da arquitetura Art Déco no Brasil.
A segunda etapa se caracteriza por sua abordagem empírica, visando a análise dos modelos
locais, sendo subdividida em 4 fases. A primeira delas tem por objetivo a delimitação da área de
abrangência de estudo. A partir desta seleção, se desenvolve o levantamento de campo, no qual são
preenchidas fichas de inventário identificando os principais elementos que estejam presentes na
edificação, bem como sua localização na malha urbana. Posteriormente, será desenvolvido pesquisa
documental em acervos fotográficos e de projetos, que possibilitará a produção de um quadro
analítico afim de caracterizar a produção arquitetônica art déco no contexto local.

3 RESULTADOS E DISCUSSÕES

A linguagem Art Déco se torna especialmente relevante na paisagem das cidades brasileiras
devido à simplificação dos ornamentos arquitetônicos. Inicialmente é utilizado para a construção de
arranha-céus, mas ao longo do tempo, passa a ser aplicado a residências, mas também à grandes
lojas e fábricas. Devido às suas características formais, que representam o ideal de dinamismo e
progresso, foi uma linguagem muito utilizada em edifícios públicos e institucionais durante o
período denominado “Era Vargas”, no qual o grande objetivo era conduzir a nação ao ideal de
modernidade (SEGAWA, 2018).
Esse modelo pouco se diferenciava do modelo tradicional eclético, contudo, a
geometrização das formas ornamentais buscava assinalar a funcionalidade do novo modelo.
Contudo, tanto Segawa (2018) quanto Weimer (2010) concordam que a manifestação é muito mais
decorativa do que propriamente construtiva, sendo que as construções eram usadas apenas para
auxiliar as realizações artísticas com o objetivo de demostrar o poder financeiro do proprietário. O
estilo foi o suporte para o desenvolvimento de inúmeras tipologias arquitetônicas que surgiam no
início do século XX, como o cinema, a emissora de rádio, atingindo também pequenos teatros e
sedes de jornais, além de vultuosas obras públicas.
Deste modo, a linguagem pode ser compreendida como a vitrine da modernidade, pois
conseguia imprimir uma identidade visual às grandes inovações, especialmente do campo das
comunicações, que passaram a ser presentes nas grandes cidades. Dentre suas principais
características, pode-se destacar a racionalização dos volumes e dos elementos de ornamentação,
que passam a ser mais retilíneos, além da aplicação de materiais que representam a modernidade,
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como o concreto armado, o vidro e as estruturas metálicas. Os volumes dos edifícios também
possuem características diferenciadas, como a valorização das esquinas, o destaque dado para os
acessos da edificação. No entanto, o modelo segue a composição clássica da arquitetura, contendo
embasamento, corpo principal, que se diferencia pela possibilidade de verticalização, inexistente
anteriormente, e coroamento (FRAMPTON, 2000).
Mesmo sendo considerada uma forma de arte limitada, o art déco contribui para a evolução
arquitetônica no Brasil, abrindo caminho para o movimento modernista, tendo em vista que suas
formas abstracionistas demonstravam que o óbvio poderia ser elegante e sofisticado. Paralelamente,
o uso de estruturas em concreto, inéditas no Brasil possibilitaram a verticalização, refletindo o ideal
de progresso e modernização urbanas do período (MENDES; VERÍSSIMO; BITTAR, 2015). É
considerada ainda uma manifestação de “arte de massa”, por ser uma expressão de modernidade
acessível às diferentes classes sociais e em diversas áreas do país.
Devido a este fato, é possível identificar uma grande quantidade de bens edificados, tanto
em escala monumental nos grandes centros, quando em edifícios de caráter singelo em cidades do
interior (CORREIA, 2010). A linguagem garantia uma edificação com uma característica nobre,
mesmo sem utilizar revestimentos nobres. Mármores, granitos e elementos metálicos eram inseridos
apenas em halls de acesso, pórticos, portarias e outros ambientes de destaque. Os elementos
decorativos de fachada eram modelados com uma mistura de cimento, pó de pedra, compondo
colunas, entablamentos e outros elementos (MENDES; VERÍSSIMO; BITTAR, 2015).
Ponta Grossa é um município que se desenvolve devido à atividade tropeira. Essa atividade
demarca a posição do município como confluência de caminhos ainda no século XIX, situação
reforçada com a chegada da ferrovia, sendo que sua capacidade de intermediação de recursos ainda
hoje é uma de suas características mais marcantes (CHEMIN, 2011). As primeiras atividades
econômicas desenvolvidas no município, ainda em meados do século XIX, eram relacionadas com a
pecuária, atividade herdada dos tropeiros, sendo que ao final do século, quando a economia
paranaense se diversificava, em parte associada à chegada de imigrantes europeus, Ponta Grossa
acompanha o processo, investindo na indústria madeireira e no beneficiamento e exportação de
erva-mate (KNEBEL, 2001).
A implantação da ferrovia que interligava São Paulo e Rio Grande do Sul, no ano de 1904
contribui para a dinamização da economia local, bem como na dinamização da estrutura urbana,
que, com a instalação de um grande complexo ferroviário passou a observar o desenvolvimento de
novos bairros, ao longo da ferrovia (MONASTIRSKY, 2001). Concomitante a esse fato, a vida urbana
também se enriquecia, no centro da cidade havia um comércio bem estabelecido, ruas com
calçamento e iluminação pública, além da possibilidade de sociabilidade em símbolos de
modernidade urbana, como as praças e os cinemas (CHEMIN, 2011).
Assim, entre os anos de 1920 e 1930, Ponta Grossa se caracterizava como um dos principais
municípios do estado, vivenciando um ritmo de crescimento bastante acelerado. Neste momento a
sede passa a se expandir para além dos limites do atual centro da cidade (LÖWEN SAHR, 2001). Com
base nestas informações, e caracterizando o período de ocorrência da arquitetura art déco entre os
anos de 1925 até 1950, delimitou-se a área de abrangência do mapeamento destas edificações na
região da área central da área urbana de Ponta Grossa. Os limites do polígono conformado são, ao
norte, o campus central da UEPG, à leste, a Rua Doze de Outubro, à oeste a Rua Balduíno Taques e
ao sul o ponto inicial da Rua Santana.

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MAPA- Localização dos imóveis na área delimitada em Ponta Grossa

Fonte: Autoras, 2022

Na área delimitada foram identificadas através das fichas de levantamento 162 imóveis, sendo
a maioria de tipologia mista, de dois a três pavimentos com platibanda, balcão, marquise, frisos
verticais e horizontais. Das janelas originais que se mantém, a maioria são de madeira e guilhotina,
e as portas de entrada são de madeira almofadada com o uso de vidros trabalhados. Apesar de
estes imóveis estarem dispersos em toda a área central, evidencia-se que os maiores conjuntos estão
dispostos nas proximidades do calçadão da rua Coronel Cláudio, da Avenida Vicente Machado e na
Rua XV de Novembro, que se destacam como importantes eixos comerciais, e se marcam desde o
princípio como o centro primitivo do município.

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4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

No Brasil, os grandes centros notoriamente foram se transformando, durante o século XIX,


através de grandes influências, inspirados em exemplares importantes do Velho Mundo ou pelo
grande fluxo migratório. Cada um por um propósito ou finalidade, mas em todos a evidência da
modernidade, da industrialização e das modificações culturais e sociais. A linguagem de “arte de
massa” do Art Déco presente nas variadas tipologias e escalas são a prova da nova riqueza do ciclo
industrial local. Nesse sentido, o grande volume de edificações identificadas demonstra a intenção
dos proprietários locais de se alinhar com as novas ideologias modernizantes vigentes no período.
As próximas etapas desse trabalho consistem em finalizar os fichamentos de todos os imóveis
identificados e passar para a análise dos fichamentos para poder compreender as principais
características do Art Déco em Ponta Grossa.

REFERÊNCIAS

BENEVOLO, Leonardo. História da Arquitetura Moderna. São Paulo: Perspectiva, 2001.

CHEMIN, Marcelo. Cidade e turismo: retratos da paisagem urbana de Ponta Grossa, Paraná. Ponta
Grossa: Editora UEPG, 2011.

CORREIA, Telma de Barros. O art déco na arquitetura brasileira. Revista UFG. Goiânia, v. 12, n. 8.
2010.

FRAMPTON. Kenneth. História Crítica da Arquitetura Moderna. São Paulo: Ed. Martins Fontes,
2000.

KNEBEL, Rosemeri Leane. Belle époque ponta-grossense: imigração, ferrovia, sétima arte e música.
In: DITZEL, Carmencita de Holleben Mello; LÖWEN SAHR; Cicilian Luiza. Espaço e Cultura: Ponta
Grossa e os Campos Gerais. Ponta Grossa: Editora UEPG, 2001.

LÖWEN SAHR, Cicilian Luiza. Estrutura interna e dinâmica social da cidade de Ponta Grossa. In:
DITZEL, Carmencita de Holleben Mello; LÖWEN SAHR; Cicilian Luiza. Espaço e Cultura: Ponta
Grossa e os Campos Gerais. Ponta Grossa: Editora UEPG, 2001

MENDES, Chico; VERÍSSIMO, Chico; BITTAR, Willian. Arquitetura no Brasil: de Deodoro a


Figueiredo. Rio de Janeiro: Imperial Novo Milênio, 2015.

MONASTIRSKY, Leonel Brizolla. A mitificação da ferrovia em Ponta Grossa. In: DITZEL, Carmencita
de Holleben Mello; LÖWEN SAHR; Cicilian Luiza. Espaço e Cultura: Ponta Grossa e os Campos
Gerais. Ponta Grossa: Editora UEPG, 2001.

SEGAWA, Hugo. Arquiteturas no Brasil: 1900-1990. São Paulo: EDUSP, 2018.

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WEIMER, Günther. O conceito do Art Déco. Revista UFG. Goiânia. v. 12, n. 8, p. 9-13, jul. 2010.
Disponível em: [Link] Acesso em: 15 maio 2021.

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