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Nutrição para Idosos: Recomendações Essenciais

Enviado por

Joana Freixo
Direitos autorais
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Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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Nutrição para Idosos: Recomendações Essenciais

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Nutrição e Planejamento

nos Ciclos da Vida


Material Teórico
Recomendações Nutricionais na Terceira Idade

Responsável pelo Conteúdo:


Prof.ª Me. Vanessa Fracaro Menck

Revisão Textual:
Prof.ª Dr.ª Selma Aparecida Cesarin
Recomendações Nutricionais
na Terceira Idade

• Introdução;
• Caracterização do Envelhecimento;
• Transição Epidemiológica;
• Alterações Fisiológicas do Idoso;
• Recomendações Nutricionais para o Idoso.

OBJETIVO DE APRENDIZADO
• Conhecer as principais mudanças físicas e biológicas na terceira idade e quais as recomen-
dações nutricionais e ferramentas de Planejamento Dietético para essa fase da vida.
Orientações de estudo
Para que o conteúdo desta Disciplina seja bem
aproveitado e haja maior aplicabilidade na sua
formação acadêmica e atuação profissional, siga
algumas recomendações básicas:
Conserve seu
material e local de
estudos sempre
organizados.
Aproveite as
Procure manter indicações
contato com seus de Material
colegas e tutores Complementar.
para trocar ideias!
Determine um Isso amplia a
horário fixo aprendizagem.
para estudar.

Mantenha o foco!
Evite se distrair com
as redes sociais.

Seja original!
Nunca plagie
trabalhos.

Não se esqueça
de se alimentar
Assim: e de se manter
Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte hidratado.
da sua rotina. Por exemplo, você poderá determinar um dia e
horário fixos como seu “momento do estudo”;

Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma


alimentação saudável pode proporcionar melhor aproveitamento do estudo;

No material de cada Unidade, há leituras indicadas e, entre elas, artigos científicos, livros, vídeos
e sites para aprofundar os conhecimentos adquiridos ao longo da Unidade. Além disso, você tam-
bém encontrará sugestões de conteúdo extra no item Material Complementar, que ampliarão sua
interpretação e auxiliarão no pleno entendimento dos temas abordados;

Após o contato com o conteúdo proposto, participe dos debates mediados em fóruns de discus-
são, pois irão auxiliar a verificar o quanto você absorveu de conhecimento, além de propiciar o
contato com seus colegas e tutores, o que se apresenta como rico espaço de troca de ideias e
de aprendizagem.
UNIDADE Recomendações Nutricionais na Terceira Idade

Introdução
O envelhecimento ocorre de forma diferente para cada pessoa, porém, sua prin-
cipal característica é o declínio físico, que leva a perdas sociais e psicológicas.

Hoje, existe uma grande preocupação em acertar estratégias de nutrição e ativi-


dade física para melhorar a qualidade de vida dos idosos. A saúde está diretamente
relacionada às condições e ao estilo de vida. Hábitos como tabagismo, alcoolismo,
as escolhas alimentares e o sedentarismo influenciam negativamente na qualidade
de vida.

Nesse módulo, veremos quais os principais aspectos relacionados ao envelheci-


mento e como isso vai interferir na nossa abordagem como nutricionistas.

Também veremos em quais nutrientes devemos prestar mais atenção e como


orientá-los na dieta.

Caracterização do Envelhecimento
A Organização Pan-Americana de Saúde – OPAS (2005) define envelhecimen-
to como:
Um processo sequencial, individual, acumulativo, irreversível, universal,
não patológico, de deterioração de um organismo maduro, próprio a to-
dos os membros de uma espécie, de maneira que o tempo o torne menos
capaz de fazer frente ao estresse do meio-ambiente e, portanto, aumente
sua possibilidade de morte.

Independente do ritmo de envelhecimento é preciso aceitar que esse processo


faz parte do ciclo natural da vida e, com o passar dos anos, o corpo começa a
apresentar, naturalmente, algumas mudanças, que podem interferir diretamente na
alimentação, saúde e estilo de vida dos nossos pacientes (BRASIL, 2009; MS, 2006).

Definição de Idoso
No Brasil, o Estatuto do Idoso e a Política Nacional do Idoso definem como
idosa a pessoa que tem 60 anos ou mais de idade. Em alguns países, essa idade
é de 65 anos (BRASIL, 2009).

O envelhecimento pode ser compreendido como um processo em que ocorrem


alterações orgânicas, funcionais e psicológicas próprias do envelhecimento natural
(Senescência) ou como um processo de envelhecimento patológico, associado a al-
terações decorrentes de doenças crônicas, podendo gerar incapacidades funcionais,
insuficiência dos órgãos e morte precoce (senilidade), porém, tais alterações, podem
ser minimizadas pela assimilação de um estilo de vida mais ativo (FREITAS, 2013).

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Alterações como redução da função do Sistema Imunológico, redução na intensi-
dade de percepção do sabor, dificuldades nos processos de mastigação e deglutição
são alguns dos fatores que podem tornar a pessoa idosa mais suscetível a compli-
cações decorrentes do consumo de alimentos (BRASIL, 2009).

É comum que o idoso se recuse a comer pois não sente fome ou porque sente
desconfortos ao se alimentar. Isso reforça a necessidade de cuidados diários para
preparar refeições seguras, saborosas e nutricionalmente completas para propor-
cionar o aporte adequado e que seja agradável para seu consumo (BRASIL, 2009).

A atuação do nutricionista, nesse processo, é muito importante, tanto com


o idoso, como com a família e os cuidadores, para que eles ajudem nos cuida-
dos nutricionais.

Transição Epidemiológica
O envelhecimento populacional é uma realidade mundial. Dados do IBGE (Insti-
tuto Brasileiro de Geografia e Estatística) sobre o crescimento da população idosa
mostraram que o Brasil se tornará, em 2025, o país com a 6ª maior população
nessa faixa etária, com projeção de 33,4 milhões de pessoas.

Em 2050, estima-se que a população de idosos no Brasil será cerca de 22,71%


da população total do país (IBGE, 2010).

Figura 1 – Mudanças e projeções na estrutura etária no Brasil (1940 – 2050)


Fonte: IBGE, 2010

As projeções para o envelhecimento da população brasileira mostram o alar-


gamento do topo da pirâmide etária, o que pode ser observado pelo crescimento
da participação relativa da população com 65 anos ou mais no topo da pirâmide
(IBGE, 2010).

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UNIDADE Recomendações Nutricionais na Terceira Idade

Na Área da Saúde, essa rápida transição demográfica e epidemiológica traz gran-


des desafios, pois é responsável pelo surgimento de novas demandas de Saúde, espe-
cialmente a “epidemia de doenças crônicas e de incapacidades funcionais”, resultan-
do em maior e mais prolongado uso de Serviços de Saúde (MORAES, 2012).

Alterações Fisiológicas do Idoso


O envelhecimento está associado a diversas alterações estruturais e funcionais
nos Sistemas Fisiológicos principais (Sistema Nervoso, Cardiovascular, Respirató-
rio, Digestivo, Geniturinário, Locomotor etc.).

São exemplos de alterações normais do envelhecimento a sarcodina (redução


da massa muscular), a osteogenia (redução da massa óssea), a redução do conte-
údo de água corporal e a redução da capacidade aeróbica (MORAES, 2012).

O comprometimento das atividades de vida diária pode ser o reflexo de uma


doença grave ou conjunto de doenças que prejudicam direta ou indiretamente essas
quatro grandes funções citadas acima.

O declínio funcional nunca deve ser atribuído à velhice, e sim representar sinal
precoce de doença ou conjunto de doenças não tratadas, caracterizadas pela au-
sência de sinais ou sintomas típicos. O declínio funcional é a principal manifestação
de vulnerabilidade e o foco da intervenção geriátrica e gerontológica, independen-
temente da idade do paciente (MORAES, 2012).

Alterações no Sistema Digestório


As alterações estruturais que acometem o Sistema do Aparelho Digestório mu-
dam a motilidade intestinal e a liberação de secreções. O que pode levar à saciedade
precoce, disfagia, dores, regurgitação e pirose e indigestão. Estas alterações podem
ocasionar tosse, refluxo gastroesofágico, pneumonias e outras doenças específicas
do esôfago (FREITAS, 2013).

Estas alterações, comumente, levam à:


• Disgeusia: Alteração do paladar, devido a diminuição do número e da função
das células gustativas;
• Xerostomia: Redução da salivação;
• Disfagia: Dificuldade de mastigação e deglutição;
• Redução na saúde dental: Aceleração da deterioração dos dentes, perda do
dente e uso de próteses.

São alterações importantes e que exigem cuidados do nutricionista, visto que as


alterações no sabor, a anorexia e a redução na absorção de nutrientes podem levar
a emagrecimento, a desnutrição e à perda de massa muscular.

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Idosos tendem a ter alimentação monótona e com pouca variedade. Por conta
disso, devemos ficar atentos para criar refeições que não sejam monótonas, que
sejam variadas e que favoreçam o processo digestório (PEREIRA, 1996).

No caso de disfagia ocorre a redução da capacidade de controlar o bolo ali-


mentar e a coordenação motora para mastigar os alimentos são decorrentes do
processo de envelhecimento. A tendência é que os idosos tenham preferência por
alimentos menos consistentes (OLIVEIRA, 2014).

Na presença de disfagia com perda de peso, recomenda-se o uso de sopas liqui-


dificadas espessadas e o aumento da densidade energética da dieta.

Pode ocorrer redução da pressão no esfíncter do esôfago e abdominal, ocasio-


nando disfagia, refluxo gastroesofágico e hérnia de hiato (OLIVEIRA, 2014).

No estômago pode ocorrer hipocloridria/acloridria (diminuição na produção de


ácido clorídrico) dificultando o processo digestivo, o que pode acarretar carências
nutricionais, como, por exemplo, deficiência de vitamina B12 (devido à redução na
produção de fator intrínseco).

Ocorre também, uma redução na irrigação sanguínea no estômago, diminuição


na produção de prostaglandinas, de bicarbonato, de muco e de fatores protetores
da mucosa gástrica. Esse processo leva à menor resistência da mucosa, o que pode
aumentar o risco de úlceras.

Nos idosos ocorre, também, redução na secreção de pepsina e redução do tem-


po de esvaziamento gástrico. Ambos podem levar à anorexia devido, à sensação de
distensão abdominal e à saciedade precoce e prolongada (OLIVEIRA, 2014).

Intestino Delgado
No intestino delgado, ocorre uma redução na superfície da mucosa, das vilosida-
des intestinais e fluxo sanguíneo entre 40 e 50%. Esse processo leva à redução na
absorção de algumas vitaminas e minerais.

Os principais são: vitamina D, ácido fólico, vitamina B12, cálcio, cobre, zinco,
ácidos graxos e colesterol.

Cólon
Aqui, devemos dar atenção a três aspectos principais relacionados aos idosos:
• Aumento da prevalência de constipação intestinal: Pode ser ocasionado pelo
sedentarismo, pela baixa ingestão de fibra alimentar e por alterações hormonais;
• Aumento da incidência de neoplasias: Menor proteção da mucosa, au-
mento da permeabilidade da mucosa intestinal, exposição prolongada a
agentes carcinogênicos;
• Aumento da prevalência de doença diverticular.

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UNIDADE Recomendações Nutricionais na Terceira Idade

Reto
A redução na força muscular e na estrutura do colágeno levam à maior dificul-
dade de retenção fecal voluntária. Alterações na musculatura esquelética e lesões
mecânicas podem levar, também, à maior dificuldade de controlar a vontade de ir
ao banheiro (FREITAS, 2013).

Fígado e Vesícula Biliar


Com o envelhecimento, o peso, o volume e o fluxo sanguíneo para o fígado
reduzem. Isso prejudica a capacidade de responder ao estresse e a capacidade de
metabolização de medicações. O idoso é mais suscetível a intoxicações por medica-
mentos, especialmente quando se tem o uso de muitos medicamentos.
Ocorre um aumento na produção de colecistoquinina pela vesícula, que estimula
a contração para a digestão de gorduras e proteínas. Inversamente, ocorre a redu-
ção na produção de ácidos biliares, dificultando a absorção de colesterol e levando
a possível acúmulo de colesterol dentro da vesícula. Isso pode contribuir para o
aparecimento de cálculos biliares e aterosclerose (MAGNONI, 2010).
Alimentos ricos em fibras e Ômega 3 auxiliam no processo de desintoxicação do
fígado e da vesícula biliar. Alimentos como as brássicas (couve manteiga, couve flor,
brócolis) também auxiliam nele para prevenção e tratamento de cálculos biliares.

Pâncreas
Com a redução na capacidade de secretar lipase, bicarbonato e insulina devido
à redução na atividade pancreática ocasionada pelo envelhecimento, os idosos têm
uma possibilidade maior de desenvolver Diabetes Tipo 2 e intolerância à glicose
(MAGNONI, 2010).

Alterações do Sistema Cardiovascular


É comum aumento da pressão arterial. O enrijecimento arterial é um processo
próprio do envelhecimento que ocasiona o aumento da pressão arterial e o aumen-
to na incidência de doenças arteriais e coronarianas (FREITAS, 2013) por desgaste
e ruptura das fibras de elastina e redução da elasticidade do colágeno.
O coração dos idosos possui menor capacidade em se adaptar a situações que
necessitam sobrecarga. As alterações que ocorrem no endotélio contribuem para o
desenvolvimento de arteriosclerose (MAHAN, 2014).

Pulmões
As disfunções respiratórias são comuns em idosos devido à maior exposição
aos poluentes ambientais ao longo dos anos. A deterioração da função pulmonar
está associada ao aumento da taxa de mortalidade e com disfunções respiratórias
(RUIVO et al., 2009).

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Alterações Ósseas
O tecido ósseo saudável depende de um equilíbrio entre a síntese de novos tecidos
(realizada pelos osteoblastos) e a reabsorção de tecidos (realizadas pelos osteoclastos).

Quando a taxa de reabsorção é maior do que a de síntese, os ossos ficam fragi-


lizados e ficam mais suscetíveis a fraturas e à osteoporose. A perda de massa óssea
vem como resultado de um desequilíbrio hormonal que controlam o processo de
remodelamento ósseo.

A partir dos 40 anos de idade, a densidade óssea passa a reduzir gradualmente,


sendo mais significativa em mulheres após a menopausa (MAHAN, 2010).

Vitamina D
A Vitamina D também interfere no metabolismo ósseo. Quando a vitamina D está
baixa, ocorre uma redução na absorção intestinal de cálcio e, consequentemente, de-
sequilíbrio celular e perda no tecido ósseo. A absorção reduzida de Vitamina D é um
dos fatores que contribui para a ocorrência da osteoporose (FREITAS, 2013).

Alguns fatores que levam à deficiência de vitamina D são a redução da mobili-


dade, o uso de vários agasalhos, a redução na exposição ao Sol, maior tempo em
interiores e alimentação monótona. Além disso, o envelhecimento da pele leva à
menor produção de Vitamina D do que a pele do adulto jovem (FREITAS, 2013).

Alterações na Função Renal


Com o envelhecimento, ocorre um processo de diminuição da filtração glome-
rular em até 60% em relação à idade adulta, processo que pode levar a perda de
proteínas e eletrólitos.

O uso excessivo de medicamentos e o baixo consumo hídrico pode acometer


ainda mais esse órgão.

A perda da percepção da sentidos e a incontinência urinária também são co-


muns em idosos, aumentando os riscos de desidratação. A desidratação pode levar
ao desequilíbrio eletrolítico, a efeitos alterados de medicamentos, à constipação, ao
aumento da pressão arterial, à confusão mental, boca e a nariz secos, entre outros.

Alterações na Musculatura Esquelética – Músculo Esquelético


Com o envelhecimento, ocorre um processo chamado de sarcopenia, que é o
processo de envelhecimento e perda do tecido muscular. Gradualmente, a muscula-
tura esquelética vai sendo substituída por colágeno e gordura. O idoso perde força,
flexibilidade e velocidade na contração muscular (FREITAS, 2013).

Segundo a European Working Group on Sarcopenia in Older People (EWGSOP),


citado por MAHAM (2014) podemos dividir a sarcopenia em três estágios:

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UNIDADE Recomendações Nutricionais na Terceira Idade

• Pré-sarcopenia: Há perda de massa muscular, porém, sem perda de força


ou desempenho físico. Esse processo pode ser identificado por meio das
medidas antropométricas;
• Sarcopenia: Há redução da massa muscular, com redução da força e/ ou do
desempenho físico;
• Sarcopenia grave: Ocorre grande perda de massa muscular, redução de força
e capacidade física.

Os principais fatores de risco são: sedentarismo, ingestão insuficiente de calorias


e proteínas, alterações hormonais e alterações nos níveis de citocina decorrentes do
processo de envelhecimento (CRUIZ, 2010).

Recomendações Nutricionais para o Idoso


É muito comum a desnutrição no idoso por consequência de diversos fatores,
sendo eles físicos, como a dificuldade no ato de se alimentar, má saúde bucal,
disfagia, dor; perda do apetite pelo uso de muitos medicamentos, decréscimo de
paladar ou olfato ou mesmo por fatores sociais, como morar sozinho, dificuldade
para transporte, limitação para fazer compras e preparar os alimentos.

Por isso o Nutricionista deve estar sempre atento às condições de vida, financei-
ra, apoio familiar ou do cuidador, para adequar suas recomendações às necessida-
des e à possibilidade do paciente.

Recomendações Nutricionais
Tabela 1 – Macronutrientes
Proteína A ingestão mínima deve ser de 0,8 g/kg/dia segundo a DRI. As recomendações para
indivíduos com insuficiência renal ou Diabetes Melito de longa duração variam de
(10-35% do VET) 1,0-1,2g/kg.
A ingestão mínima deve ser de 130g/d, sendo que o açúcar de adição não deve ul-
trapassar 10% VET.
Carboidrato A ingestão de fibras deve ser de 30g para homens e 21g para mulheres.
(45-65% VET) O aumento na ingestão de carboidratos complexos, além de vitaminas e minerais,
melhora também o aporte de fibras, que atuam com efeito laxativo, evitando a
constipação, que é um problema muito comum em idosos.
Que se divide em:
• Ácidos Graxos saturados (até 10% do VET ou até 7% se houver dislipidemia
instalada) presentes em gorduras animais, laticínios, manteiga, e entre os ve-
Lipídio getais na gordura de coco e óleo de dendê;
(20-35% VET) • Ácidos Graxos poliinsaturados (até 10% do VET) presentes em óleos vege-
tais, peixes de águas frias, e frutas oleaginosas (castanhas, nozes, avelãs, etc.);
• Ácidos Graxos monoinsaturados (até 20% do VET) presentes no azeite de
oliva, óleo de canola, azeitona, abacate e frutas oleaginosas.
A recomendação de ingestão hídrica é de 30ml/kg de peso corporal ou, no mínimo,
Água 1.500ml/dia ou 1ml por caloria consumida.

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Tabela 2 – Micronutrientes
DRI: Idosos – Homens (H) e Mulheres (M)
Micronutriente RDA/IA dos 51-70 anos RDA/IA dos >70 anos
Vitaminas
900- H 900- H
Vitamina A (mcg RAE)
700- M 700- M
Vitamina E (mg) 15 15
1,2- H 1,2- H
Tiamina (mg)
1,1- M 1,1- M
1,3- H 1,3- H
Riboflavina (mg)
1,1- M 1,1- M
16- H 16- H
Niacina (mg)
14- M 14- M
1,7- H 1,7- H
Vitamina B6 (mg)
1,5- M 1,5- M
Folato (Ug DEF) 400 400
Vitamina B12 (mcg) 2,4 2,4
90- H 90- H
Vitamina C (mg)
75- M 75- M
120- H 120- H
Vitamina K (mg)
90- M 90- M
Vitamina D 10 15
Minerais
Fósforo (mg) 700 700
420- H 420- H
Magnésio (mg)
320- M 320- M
Ferro (mg) 8 8
11- H 11- H
Zinco (mg)
8-M 8-M
Cálcio (mg) 1.200 1.200
Sódio (mg) 1.300 1.200
Potássio 4.700 4.700
Fonte: PADOVANI, 2006

• Algumas considerações quanto a condições de alguns micronutrientes:


» Vitamina B12: a deficiência de B12 é mais comum em idosos, principal-
mente, pela redução do consumo de carnes, produtos de origem animal ou
fortificados. A deficiência de vitamina B12 também pode ser causada pelo
uso prolongado de antiácidos e por distúrbios gastrointestinais que geram
hipocloridria (menor produção de ácido clorídrico);
» Vitamina D: o risco de deficiência também é aumentado, pela redução da
exposição à luz solar junto da síntese menos eficiente, podendo haver neces-
sidade de suplementação;
» Potássio: um aumento na ingestão de potássio reduz o efeito do sódio, o que
favorece o controle da pressão arterial, como é a estratégia da dieta DASH,
por exemplo. Elevar o consumo de frutas e legumes favorece o aumento do
consumo de potássio;
» Sódio: uma ingestão acima de 2.300mg/d pode trazer sérias consequências
como desidratação e hiponatremia;

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UNIDADE Recomendações Nutricionais na Terceira Idade

» Zinco: uma baixa ingestão de zinco reflete na redução do paladar e prejudica


a função imunológica, além de prejudicar a recuperação de feridas. Por isso,
é muito importante estimular o consumo de carnes magras, ostras, laticínios,
feijões, amendoim, nozes e sementes, que são suas fontes alimentares.

A seguir, veremos um modelo de planejamento dietético para um idoso, com


quantidades em gramas e em medidas caseiras. Para cada sugestão, temos duas
opções de substituição para você se basear.

Tabela 3 – Plano alimentar


REFEIÇÃO ALIMENTO SUBSTITUIÇÃO 1 SUBSTITUIÇÃO 2
· Café com leite semidesnatado · 1 copo de suco de laranja natural · Vitaminado com
(1 xícara de 100ml) com 1 folha de couve (200 ml) · 1 copo de leite semidesnatado
· 1 filão integral com · 2 fatias de pão de forma integral (200ml)
CAFÉ DA
· 1 colher de sobremesa de azeite · 1 colher de sopa de queijo cremo- · 1 colher de sopa de aveia
MANHÃ (5g) e uma pitada de orégano so (cottage ou ricota) (30g) · 1 banana média (70g)
· 10 unidades de uva ·1 colher de sopa de geleia sem · 9 morangos médios (108g)
açúcar (20g)
·3 colheres de sopa cheias de · 1 copo de iogurte · 1 copo de suco de laranja com ace-
LANCHE abacate amassado com desnatado (200ml) rola (200 ml)
· 1 colher de sobremesa de mel · 2 colheres de sopa de aveia (30g) ·1 fatia de pão de forma integral
DA MANHÃ e 1 colher de sopa de aveia em · 1 fatia pequena de mamão formo- com 1 colher de sopa de pasta de
flocos finos (15g) sa (100 g) amendoim
· ½ Prato de salada de · ½ prato de repolho roxo cru · ½ prato de rúcula e alface
couve refogada · 1 colher de sopa de azeite · 1 colher de sopa de azeite
· 5 colheres de sopa de · Limão e sal a gosto · Limão e sal a gosto para temperar
brócolis cozido para temperar · 5 colheres de sopa de
· 5 colheres de sopa de beterra- · 5 colheres de sopa de cenoura cozida
ba cozida couve-flor cozida · 1 colher de servir de espinafre
· 1 filé pequeno de · 3 colheres de sopa de refogado
frango grelhado abobrinha refogada · 1 filé de salmão grelhado
ALMOÇO · 2 colheres de servir de · Escondidinho de purê de batata · 2 colheres de servir de
arroz branco com carne moída (4 colheres de arroz integral
· ½ concha média de feijão preto sopa de purê de batata + · ½ concha média de feijão carioca
· 1 laranja de sobremesa · 1 colher de servir de carne moída · 1 mexerica de sobremesa
· 1 colher de servir de arroz branco
· 1 concha pequena de
feijão carioca
· 1 rodela de abacaxi de sobremesa
· Mingau de chocolate com aveia · 1 copo de iogurte · 1 copo de suco de abacaxi
· 1 copo de leite desnatado (200ml) com hortelã
LANCHE semidesnatado (200ml) · 5 colheres de sopa rasas de grano- · 3 unidades de torrada
DA TARDE · 2 colheres de sopa de aveia la (25g) · 1 colher de sopa de patê de ricota
· 1 colher de sopa de chocolate · 1 banana média (70g) com cenoura
em pó 50% · Adicionar canela a gosto
· 1 colher de servir de · 1 colher de servir de taioba ou · Sopa de legumes e verduras
acelga refogada couve refogada com frango desfiado: mandioca,
· 4 colheres de sopa de purê · 4 colheres de sopa de berinjela cenoura, abobrinha, espinafre,
de abóbora · 3 colheres de sopa de abobrinha frango desfiado
JANTAR · 1 filé médio de merluza cozido, · 2 ovos cozidos
temperado com pimentão e cebola · 2 colheres de servir de
· 1 colher de servir de arroz branco arroz integral
· ½ concha média de feijão carioca · ½ concha média de feijão carioca
· 1 banana cortada em rodelas co- · 1 goiaba grande · Vitamina de mamão
zida no micro-ondas com canela · 1 copo de leite semidesnatado
CEIA (200 ml)
· 1 fatia pequena de mamão formo-
sa (100g)

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O cardápio acima foi calculado a partir dos valores da TACO, com 1900 Kcal,
distribuídas em Proteínas (17,7%), Carboidratos (54,1%) e Lipídeos (28,2%) seguindo
as recomendações da OMS e os 10 passos para uma alimentação saudável do idoso.

A seguir temos os “Dez passos para a alimentação saudável de idosos”, se-


gundo o Ministério da Saúde (2010):
1. Realizar pelo menos três refeições (café da manhã, almoço e jantar) e dois
lanches saudáveis por dia. Não pular as refeições;
2. Incluir diariamente seis porções do grupo dos cereais (arroz, milho, trigo
pães e massas), tubérculos como a batata, raízes como mandioca/maca-
xeira/aipim, nas refeições. Dando preferência aos grãos integrais e aos
alimentos na sua forma mais natural;
3. Comer diariamente pelo menos três porções de legumes e verduras
como parte das refeições e três porções ou mais de frutas nas sobreme-
sas e lanches;
4. Comer feijão com arroz todos os dias ou, ao menos, cinco vezes por
semana. Esse prato brasileiro é uma combinação completa de proteínas;
5. Consumir diariamente três porções de leite e derivados e uma porção de
carnes, aves, peixes ou ovos. Retirar a gordura aparente das carnes e a
pele das aves antes da preparação torna esses alimentos mais saudáveis.
Os idosos podem optar por leites vegetais, como o de soja caso não con-
sumam laticínios;
6. Consumir, no máximo, uma porção por dia de óleos vegetais, azeite,
manteiga ou margarina. As oleaginosas são uma opção de alimento fonte
de gordura mono e poliinsaturada;
7. Evitar refrigerantes e sucos industrializados, bolos, biscoitos doces e re-
cheados, sobremesas doces e outras guloseimas como regra da alimenta-
ção. No máximo, duas vezes por semana;
8. Diminuir a quantidade de sal na comida e retirar o saleiro da mesa;
9. Beber no mínimo dois litros (seis a oito copos) de água por dia. Dar pre-
ferência ao consumo de água nos intervalos das refeições;
10. Tornar sua vida mais saudável. Praticando, pelo menos, 30 minutos de
atividade física todos os dias e evitando as bebidas alcoólicas e o fumo.

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UNIDADE Recomendações Nutricionais na Terceira Idade

Material Complementar
Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:

Livros
Nutrigenômica e alimentos funcionais na prática clínica
CINTRA, D. Nutrigenômica e alimentos funcionais na prática clínica [Livro
on-line]. Capítulo 6. Nutrigenômica e alimentos funcionais no tratamento de doenças.
São Paulo: SENAC , 2018.
The Blue Zones: Lessons for Living Longer from the People Who’ve Lived the Longest
BUETTNER, D. The Blue Zones: Lessons for Living Longer from the People Who’ve
Lived the Longest. Washington: Ed. National Geographic Society. 2010.

Vídeos
TED – Dan Buettner: como viver para ter mais de 100 anos
[Link]

Leitura
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