Nutrição para Idosos: Recomendações Essenciais
Nutrição para Idosos: Recomendações Essenciais
Revisão Textual:
Prof.ª Dr.ª Selma Aparecida Cesarin
Recomendações Nutricionais
na Terceira Idade
• Introdução;
• Caracterização do Envelhecimento;
• Transição Epidemiológica;
• Alterações Fisiológicas do Idoso;
• Recomendações Nutricionais para o Idoso.
OBJETIVO DE APRENDIZADO
• Conhecer as principais mudanças físicas e biológicas na terceira idade e quais as recomen-
dações nutricionais e ferramentas de Planejamento Dietético para essa fase da vida.
Orientações de estudo
Para que o conteúdo desta Disciplina seja bem
aproveitado e haja maior aplicabilidade na sua
formação acadêmica e atuação profissional, siga
algumas recomendações básicas:
Conserve seu
material e local de
estudos sempre
organizados.
Aproveite as
Procure manter indicações
contato com seus de Material
colegas e tutores Complementar.
para trocar ideias!
Determine um Isso amplia a
horário fixo aprendizagem.
para estudar.
Mantenha o foco!
Evite se distrair com
as redes sociais.
Seja original!
Nunca plagie
trabalhos.
Não se esqueça
de se alimentar
Assim: e de se manter
Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte hidratado.
da sua rotina. Por exemplo, você poderá determinar um dia e
horário fixos como seu “momento do estudo”;
No material de cada Unidade, há leituras indicadas e, entre elas, artigos científicos, livros, vídeos
e sites para aprofundar os conhecimentos adquiridos ao longo da Unidade. Além disso, você tam-
bém encontrará sugestões de conteúdo extra no item Material Complementar, que ampliarão sua
interpretação e auxiliarão no pleno entendimento dos temas abordados;
Após o contato com o conteúdo proposto, participe dos debates mediados em fóruns de discus-
são, pois irão auxiliar a verificar o quanto você absorveu de conhecimento, além de propiciar o
contato com seus colegas e tutores, o que se apresenta como rico espaço de troca de ideias e
de aprendizagem.
UNIDADE Recomendações Nutricionais na Terceira Idade
Introdução
O envelhecimento ocorre de forma diferente para cada pessoa, porém, sua prin-
cipal característica é o declínio físico, que leva a perdas sociais e psicológicas.
Caracterização do Envelhecimento
A Organização Pan-Americana de Saúde – OPAS (2005) define envelhecimen-
to como:
Um processo sequencial, individual, acumulativo, irreversível, universal,
não patológico, de deterioração de um organismo maduro, próprio a to-
dos os membros de uma espécie, de maneira que o tempo o torne menos
capaz de fazer frente ao estresse do meio-ambiente e, portanto, aumente
sua possibilidade de morte.
Definição de Idoso
No Brasil, o Estatuto do Idoso e a Política Nacional do Idoso definem como
idosa a pessoa que tem 60 anos ou mais de idade. Em alguns países, essa idade
é de 65 anos (BRASIL, 2009).
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Alterações como redução da função do Sistema Imunológico, redução na intensi-
dade de percepção do sabor, dificuldades nos processos de mastigação e deglutição
são alguns dos fatores que podem tornar a pessoa idosa mais suscetível a compli-
cações decorrentes do consumo de alimentos (BRASIL, 2009).
É comum que o idoso se recuse a comer pois não sente fome ou porque sente
desconfortos ao se alimentar. Isso reforça a necessidade de cuidados diários para
preparar refeições seguras, saborosas e nutricionalmente completas para propor-
cionar o aporte adequado e que seja agradável para seu consumo (BRASIL, 2009).
Transição Epidemiológica
O envelhecimento populacional é uma realidade mundial. Dados do IBGE (Insti-
tuto Brasileiro de Geografia e Estatística) sobre o crescimento da população idosa
mostraram que o Brasil se tornará, em 2025, o país com a 6ª maior população
nessa faixa etária, com projeção de 33,4 milhões de pessoas.
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O declínio funcional nunca deve ser atribuído à velhice, e sim representar sinal
precoce de doença ou conjunto de doenças não tratadas, caracterizadas pela au-
sência de sinais ou sintomas típicos. O declínio funcional é a principal manifestação
de vulnerabilidade e o foco da intervenção geriátrica e gerontológica, independen-
temente da idade do paciente (MORAES, 2012).
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Idosos tendem a ter alimentação monótona e com pouca variedade. Por conta
disso, devemos ficar atentos para criar refeições que não sejam monótonas, que
sejam variadas e que favoreçam o processo digestório (PEREIRA, 1996).
Intestino Delgado
No intestino delgado, ocorre uma redução na superfície da mucosa, das vilosida-
des intestinais e fluxo sanguíneo entre 40 e 50%. Esse processo leva à redução na
absorção de algumas vitaminas e minerais.
Os principais são: vitamina D, ácido fólico, vitamina B12, cálcio, cobre, zinco,
ácidos graxos e colesterol.
Cólon
Aqui, devemos dar atenção a três aspectos principais relacionados aos idosos:
• Aumento da prevalência de constipação intestinal: Pode ser ocasionado pelo
sedentarismo, pela baixa ingestão de fibra alimentar e por alterações hormonais;
• Aumento da incidência de neoplasias: Menor proteção da mucosa, au-
mento da permeabilidade da mucosa intestinal, exposição prolongada a
agentes carcinogênicos;
• Aumento da prevalência de doença diverticular.
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Reto
A redução na força muscular e na estrutura do colágeno levam à maior dificul-
dade de retenção fecal voluntária. Alterações na musculatura esquelética e lesões
mecânicas podem levar, também, à maior dificuldade de controlar a vontade de ir
ao banheiro (FREITAS, 2013).
Pâncreas
Com a redução na capacidade de secretar lipase, bicarbonato e insulina devido
à redução na atividade pancreática ocasionada pelo envelhecimento, os idosos têm
uma possibilidade maior de desenvolver Diabetes Tipo 2 e intolerância à glicose
(MAGNONI, 2010).
Pulmões
As disfunções respiratórias são comuns em idosos devido à maior exposição
aos poluentes ambientais ao longo dos anos. A deterioração da função pulmonar
está associada ao aumento da taxa de mortalidade e com disfunções respiratórias
(RUIVO et al., 2009).
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Alterações Ósseas
O tecido ósseo saudável depende de um equilíbrio entre a síntese de novos tecidos
(realizada pelos osteoblastos) e a reabsorção de tecidos (realizadas pelos osteoclastos).
Vitamina D
A Vitamina D também interfere no metabolismo ósseo. Quando a vitamina D está
baixa, ocorre uma redução na absorção intestinal de cálcio e, consequentemente, de-
sequilíbrio celular e perda no tecido ósseo. A absorção reduzida de Vitamina D é um
dos fatores que contribui para a ocorrência da osteoporose (FREITAS, 2013).
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Por isso o Nutricionista deve estar sempre atento às condições de vida, financei-
ra, apoio familiar ou do cuidador, para adequar suas recomendações às necessida-
des e à possibilidade do paciente.
Recomendações Nutricionais
Tabela 1 – Macronutrientes
Proteína A ingestão mínima deve ser de 0,8 g/kg/dia segundo a DRI. As recomendações para
indivíduos com insuficiência renal ou Diabetes Melito de longa duração variam de
(10-35% do VET) 1,0-1,2g/kg.
A ingestão mínima deve ser de 130g/d, sendo que o açúcar de adição não deve ul-
trapassar 10% VET.
Carboidrato A ingestão de fibras deve ser de 30g para homens e 21g para mulheres.
(45-65% VET) O aumento na ingestão de carboidratos complexos, além de vitaminas e minerais,
melhora também o aporte de fibras, que atuam com efeito laxativo, evitando a
constipação, que é um problema muito comum em idosos.
Que se divide em:
• Ácidos Graxos saturados (até 10% do VET ou até 7% se houver dislipidemia
instalada) presentes em gorduras animais, laticínios, manteiga, e entre os ve-
Lipídio getais na gordura de coco e óleo de dendê;
(20-35% VET) • Ácidos Graxos poliinsaturados (até 10% do VET) presentes em óleos vege-
tais, peixes de águas frias, e frutas oleaginosas (castanhas, nozes, avelãs, etc.);
• Ácidos Graxos monoinsaturados (até 20% do VET) presentes no azeite de
oliva, óleo de canola, azeitona, abacate e frutas oleaginosas.
A recomendação de ingestão hídrica é de 30ml/kg de peso corporal ou, no mínimo,
Água 1.500ml/dia ou 1ml por caloria consumida.
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Tabela 2 – Micronutrientes
DRI: Idosos – Homens (H) e Mulheres (M)
Micronutriente RDA/IA dos 51-70 anos RDA/IA dos >70 anos
Vitaminas
900- H 900- H
Vitamina A (mcg RAE)
700- M 700- M
Vitamina E (mg) 15 15
1,2- H 1,2- H
Tiamina (mg)
1,1- M 1,1- M
1,3- H 1,3- H
Riboflavina (mg)
1,1- M 1,1- M
16- H 16- H
Niacina (mg)
14- M 14- M
1,7- H 1,7- H
Vitamina B6 (mg)
1,5- M 1,5- M
Folato (Ug DEF) 400 400
Vitamina B12 (mcg) 2,4 2,4
90- H 90- H
Vitamina C (mg)
75- M 75- M
120- H 120- H
Vitamina K (mg)
90- M 90- M
Vitamina D 10 15
Minerais
Fósforo (mg) 700 700
420- H 420- H
Magnésio (mg)
320- M 320- M
Ferro (mg) 8 8
11- H 11- H
Zinco (mg)
8-M 8-M
Cálcio (mg) 1.200 1.200
Sódio (mg) 1.300 1.200
Potássio 4.700 4.700
Fonte: PADOVANI, 2006
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O cardápio acima foi calculado a partir dos valores da TACO, com 1900 Kcal,
distribuídas em Proteínas (17,7%), Carboidratos (54,1%) e Lipídeos (28,2%) seguindo
as recomendações da OMS e os 10 passos para uma alimentação saudável do idoso.
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UNIDADE Recomendações Nutricionais na Terceira Idade
Material Complementar
Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:
Livros
Nutrigenômica e alimentos funcionais na prática clínica
CINTRA, D. Nutrigenômica e alimentos funcionais na prática clínica [Livro
on-line]. Capítulo 6. Nutrigenômica e alimentos funcionais no tratamento de doenças.
São Paulo: SENAC , 2018.
The Blue Zones: Lessons for Living Longer from the People Who’ve Lived the Longest
BUETTNER, D. The Blue Zones: Lessons for Living Longer from the People Who’ve
Lived the Longest. Washington: Ed. National Geographic Society. 2010.
Vídeos
TED – Dan Buettner: como viver para ter mais de 100 anos
[Link]
Leitura
Metabolismo Mitocondrial, Radicais Livres e Envelhecimento
SILVA, W.; FERRARI, C. Metabolismo Mitocondrial, Radicais Livres e Envelhecimento,
Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia, Rio de Janeiro, v, 14, n. 3, p. 441-
51, 2011.
[Link]
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Referências
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de
Atenção Básica. Alimentação saudável para a pessoa idosa: um manual para
profissionais de saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 2009.
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UNIDADE Recomendações Nutricionais na Terceira Idade
MAHAN, L. (org.). Krause: alimentos, nutrição e dietoterapia,. Ed. 14, Rio de Ja-
neiro, Ed. Elsevier, 2012.
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