Terapia Analítica
TTPC
Funcional (FAP)
Prof. Sarah Izbicki
sarahizbicki@[Link]
Um (brevíssimo) histórico
A FAP nasceu em um momento histórico no qual
• A TCC vinha se apresentando como proposta para explicar e
tratar problemas envolvendo cognição e sentimentos (2ª onda)
• Esta proposta abria mão da coerência epistemológica ao unir
duas abordagens fundadas em bases filosóficas distintas e,
muitas vezes, opostas.
• O desafio dos analistas do comportamento era desenvolver
uma prática que desse conta das cognições e dos sentimentos,
mantendo uniformes os princípios filosóficos e a
fundamentação científica.
Um (brevíssimo) histórico
A FAP foi inicialmente apresentada por Robert Kohlenberg e Mavis Tsai
em um artigo de 1987
Em 1991, estes mesmos autores publicaram o
primeiro livro sobre o assunto: Functional Analytic
Psychotherapy: Creating Intense and Curative
Therapeutic Relationships
O livro foi traduzido para o português
apenas em 2001
Mas afinal, o que é?
É uma proposta de terapia baseada nos princípios
da ciência da Análise do Comportamento e da
filosofia do Behaviorismo Radical aplicados ao
contexto interpessoal psicoterápico.
Mas afinal, o que é?
É uma proposta de terapia baseada nos princípios
da ciência da Análise do Comportamento e da
filosofia do Behaviorismo Radical aplicados ao
contexto interpessoal psicoterápico.
É uma proposta de terapia Um diferencial da
baseada nos princípios da psicoterapia é a
ciência da Análise do “audiência não punitiva”
Comportamento e da
filosofia do Behaviorismo
Radical aplicados ao O terapeuta ouve e compreende
contexto interpessoal os comportamentos do cliente
sem julgá-los
psicoterápico.
Desta forma, algumas classes de
comportamentos anteriormente
Um de seus efeitos é a intimidade suprimidas por punição voltam a
(repertório interpessoal que ocorrer na própria sessão
envolve a autorrevelação de
pensamentos e sentimentos,
resultando em sentimentos de
conexão, apego e proximidade)
O foco da FAP tem sido cada vez
mais a construção da intimidade
Por quê?
Deste modo, a FAP defende que o papel
Os problemas dos clientes são
da terapia é o de ajudarmos o cliente a
essencialmente relacionados à esquiva
construir uma nova história de
de intimidade, sendo este um fator
relacionamentos íntimos, a começar
central na busca por psicoterapia.
pela própria relação terapeuta-cliente.
Desenvolveram uma forma de utilizar a relação
terapêutica como principal mecanismo de
mudança clínica.
Comportamentos Clinicamente Relevantes
(Clinically Relevant Behaviors - CRBs)
São comportamentos do cliente
que ocorrem na relação com o
terapeuta e que têm especial
relevância clínica
Existem três tipos
Comportamentos Comportamentos Comportamentos
Clinicamente Clinicamente Clinicamente
Relevantes do Tipo 1 Relevantes do Tipo 2 Relevantes do Tipo 3
(CRB1) (CRB2) (CRB3)
São os comportamentos do cliente na terapia
que representam uma amostra do próprio
problema que a terapia se propõe a tratar.
Comportamentos
Clinicamente O CRB1 não necessariamente corresponde
à queixa expressa pelo cliente.
Relevantes do Tipo 1
(CRB1)
A identificação de CRBs advém da análise
funcional, construída pelo terapeuta ao longo
das sessões de atendimento.
Existem três tipos
Comportamentos Comportamentos Comportamentos
Clinicamente Clinicamente Clinicamente
Relevantes do Tipo 1 Relevantes do Tipo 2 Relevantes do Tipo 3
(CRB1) (CRB2) (CRB3)
São comportamentos de
melhora, ocorrendo na própria
relação com o terapeuta.
Comportamentos
Clinicamente
Relevantes do Tipo 2
(CRB2) Se referem a comportamentos
que, se fossem reproduzidos
no dia a dia, os problemas do
cliente melhorariam.
Existem três tipos
Comportamentos Comportamentos Comportamentos
Clinicamente Clinicamente Clinicamente
Relevantes do Tipo 1 Relevantes do Tipo 2 Relevantes do Tipo 3
(CRB1) (CRB2) (CRB3)
São os comportamentos do cliente de fazer
análises sobre o próprio comportamento
Comportamentos
Inclui descrições das variáveis envolvidas nos
Clinicamente
problemas do cliente e das variáveis
Relevantes do Tipo 3 associadas às melhoras ou mudanças.
(CRB3)
O papel do terapeuta é o de modelar os CRB3 do
cliente, de modo que seja mais um mecanismo de
mudança na FAP, por meio de comportamento
governado por regras
O papel do terapeuta diante dos CRBs
Quando o terapeuta identifica quais
comportamentos correspondem a cada tipo de
CRB, seu foco de atuação se torna mais preciso.
Ex: supondo que um Caso ele pergunte ao
cliente possui terapeuta se poderá Se o terapeuta não
dificuldades em falar a mudar a forma de identificasse o
respeito de questões pagamento da terapia, comportamento em
financeiras com as isso deve ser questão como CRB2,
pessoas, o que o compreendido como possivelmente não daria
prejudica em seu CRB2 e, como tal, a devida atenção a ele.
trabalho. deverá ser reforçado.
As regras da FAP
São regras que
norteiam a atuação do
terapeuta na abordagem da
Terapia Analítica Funcional
Para todas elas, a recomendação é se
OBSERVAÇÃO
atentar à função, e não à topografia,
que precisa combinar mais com o estilo
de cada terapeuta.
Regra 1: Consciência
No
Regra 2: Coragem
total,
são Regra 3: Amor
cinco Regra 4: Behaviorismo
regras
Regra 5: Behaviorismo
Regra 1: Consciência
O terapeuta deve estar
consciente e atento ao que
acontece na sessão
Regra 1: Consciência 1 Observar e descrever os O que e como fala; se há
comportamentos que coerência entre forma e
ocorrem em sessão conteúdo
2 Como ele sente, pensa e
Observar os
age pode ser uma amostra
comportamentos do
de como outras pessoas se
Para isso, são próprio terapeuta
relacionam com o cliente
necessárias
algumas
3
habilidades: Utilizar o que foi observado
nas análises funcionais
4
Verificar se os
comportamentos se Junto com o cliente
referem a CRBs
Regra 1: Consciência
No
Regra 2: Coragem
total,
são Regra 3: Amor
cinco Regra 4: Behaviorismo
regras
Regra 5: Behaviorismo
Regra 2: Coragem
O terapeuta deve evocar o CRB, o
que envolve o manejo de uma
situação difícil e de autoexposição
Regra 2: Coragem
1
O foco é evocar CRB2, e
Usar gentileza e simpatia
não CRB1
2 Considerando as etapas
Para isso, são
Definir o que deve ser da modelagem e sabendo
necessárias algumas considerado CRB2 que ocorrem com menos
habilidades: frequência no início
3
Sempre comunicando o
Evocar CRB2 e bloquear
que está sentindo e
CRB1
observando
Regra 1: Consciência
No
Regra 2: Coragem
total,
são Regra 3: Amor
cinco Regra 4: Behaviorismo
regras
Regra 5: Behaviorismo
Regra 3: Amor
O terapeuta deve apresentar
ações e expressões genuínas de
afeto
Regra 3: Amor
1
Demonstrando, por
Responder ao cliente de
exemplo, os efeitos na
forma genuína
relação entre ambos
Para isso, são
necessárias algumas
habilidades: 2 Deve correr risco de
passar vergonha,
desconforto etc., risco
Se vulnerabilizar
este inerente ao
desenvolvimento da
intimidade
(Lucena-Santos, P; Pinto-Gouveia, J; da Silva, M., 2015, p. 330)
Regra 1: Consciência
No
Regra 2: Coragem
total,
são Regra 3: Amor
cinco Regra 4: Behaviorismo
regras
Regra 5: Behaviorismo
Regra 4: Behaviorismo
O terapeuta deve avaliar os efeitos
potencialmente reforçadores das
consequências dos CRB2.
Regra 5: Behaviorismo
O terapeuta deve promover a
generalização desses CRB2 para fora
da terapia.
Regra 4: Behaviorismo
Regra 5: Behaviorismo
1
Analisar diferentes Os sentimentos e
indicadores de a tendência à
reforçamento ação
Todas as habilidades
anteriores são
necessárias para as
regras 4 e 5. Além Sugerir tarefas
2
delas, destacam-se: de casa (ações
ou reflexões),
Planejar a generalização
auxiliar no
planejamento de
metas
Situações que geralmente evocam CRBs
• Estrutura de tempo (50’)
• Características do terapeuta (idade, gênero, raça, características físicas)
• Silêncios
• Férias do terapeuta
• Encerramento do tratamento
• Pagamentos
• Feedback positivo ou expressões de cuidado do terapeuta
• Eventos não usuais (condições menos comuns)
O modelo da sequência lógica
1. Terapeuta estabelece um paralelo “fora para dentro” e o discute com o cliente.
2. Cliente confirma o paralelo.
3. Terapeuta evoca comportamento clinicamente relevante.
4. Cliente emite o comportamento problemático acostumado.
5. Terapeuta enfraquece esse comportamento.
6. Cliente emite comportamento mais saudável.
7. Terapeuta reforça esse novo comportamento.
8. Cliente engaja-se em mais comportamento mais saudável.
9. Terapeuta verifica o efeito das suas ações descritas anteriormente sobre o
cliente.
10. Cliente engaja-se em mais comportamento mais saudável.
11. Juntos estabelecem um paralelo “dentro para fora”.
12. Juntos combinam uma lição de casa.
(Vandenberghe, 2017)