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Desigualdade de Jensen e Convexidade

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1 Desigualdade de Jensen

1 Concavidade de Funções

Seja 𝐼 ⊆ ℝ um intervalo. Uma função 𝑓 ∶ 𝐼 → ℝ é dita convexa se, para todo 𝑥, 𝑦 ∈ 𝐼 e 𝛼 ∈ (0, 1), vale a
relação
𝛼𝑓 (𝑥) + (1 − 𝛼)𝑓 (𝑦) ≥ 𝑓 (𝛼𝑥 + (1 − 𝛼)𝑦).
Dizemos que a função é estritamente convexa se não ocorre a igualdade para nenhum 𝛼.
Similarmente, dizemos que uma função é côncava (estritamente côncava) se

𝛼𝑓 (𝑥) + (1 − 𝛼)𝑓 (𝑦) ≤ 𝑓 (𝛼𝑥 + (1 − 𝛼)𝑦).

B Observação 1: Note que se 𝑓 é convexa, então −𝑓 é função côncava. Portanto podemos apenas trabalhar
em funções convexas, que os resultados para as côncavas são análogos.

Proposição 2
Seja 𝑓 uma função duas vezes derivável no intervalo 𝐼. Se 𝑓 ′′ (𝑥) ≥ 0, para todo 𝑥 ∈ 𝐼, então 𝑓 é
função convexa.

1
CAPÍTULO 1. DESIGUALDADE DE JENSEN

2 Fecho Convexo

Nesta seção trabalharemos com convexidade de conjuntos em espaços vetoriais. Para isto, os espaços vetoriais
𝐸 tratados serão espaços definidos sobre o conjunto dos reais.

Seja 𝑆 ⊂ 𝐸 conjunto no espaço. Dizemos que 𝑆 é


convexo se, para todos 𝑢, 𝑣 ∈ 𝑆, os pontos 𝑡𝑢+(1−𝑡)𝑣 ∈
𝑆, para todo 𝑡 ∈ (0, 1). Uma visualização desta propri-
edade é a de que o segmento que liga 𝑢 e 𝑣 está inteira-
mente contida em 𝑆. Polígonos convexos são conjuntos
convexos, bem como círculos e o interior de uma elipse.

Para um conjunto 𝑆 ⊂ 𝐸, definimos o fecho convexo (convex hull) de 𝑆, o conjunto ch(𝑆), dado pelo menor
subconjunto convexo de 𝐸 que contém 𝑆. Note que se 𝑆 ⊂ 𝑆 ′ , então ch(𝑆) ⊂ ch(𝑆 ′ ).

2
3. DESIGUALDADE DE JENSEN

Proposição 3
Seja 𝑆 = {𝑎1 , 𝑎2 , … , 𝑎𝑛 } ⊂ 𝐸 O fecho convexo de 𝑆 é dado por:
{ 𝑛 }
∑ | ∑𝑛
|
ch(𝑆) = 𝑡𝑘 𝑎𝑘 | 𝑡𝑗 ∈ [0, 1] e 𝑡𝑘 = 1
|
𝑘=1 | 𝑘=1

3 Desigualdade de Jensen

Teorema 4: Desigualdade de Jensen


Seja 𝑓 ∶ 𝐼 → ℝ uma função estritamente convexa e tome 𝑥1 ≤ 𝑥2 ≤ … ≤ 𝑥𝑛 pertencentes a 𝐼.

𝑛
Considere também (𝑡𝑘 )𝑛𝑘=1 ∈ (0, 1) tais que 𝑡𝑘 = 1. vale que
𝑘=1
( )

𝑛 ∑
𝑛
𝑡𝑘 𝑓 (𝑥𝑘 ) ≥ 𝑓 𝑡𝑘 𝑥𝑘
𝑘=1 𝑘=1

com igualdade se, e somente se 𝑥1 = 𝑥2 = ⋯ = 𝑥𝑛 .

Podemos visualizar a desigualdade de Jensen no plano ℝ2 em que tomamos os pontos 𝑃𝑘 (𝑥𝑘 , 𝑓 (𝑥𝑘 )), formando
um polígono convexo. A Desigualdade de Jensen é visualizada ao vermos que o Fecho Convexo do conjunto dos
vértices 𝑆 = {𝑃1 , 𝑃2 , … , 𝑃𝑛 } fica situada acima do gráfico da função convexa 𝑓 , em particular, o ponto 𝑃 dado por

𝑛
𝑃 = (𝑥𝑝 , 𝑦𝑝 ) = 𝑡𝑘 𝑃𝑘 satisfaz 𝑦𝑝 ≥ 𝑓 (𝑥𝑝 ).
𝑘=1

3
CAPÍTULO 1. DESIGUALDADE DE JENSEN

3.1 Exercícios - Propostos

□ Exercício 1

Sejam 𝐴, 𝐵 e 𝐶 os ângulos internos de um triângulo acutângulo. Mostre que:

3
cos(𝐴) + cos(𝐵) + cos(𝐶) ≤ .
2

4
4. ALGUMAS DEMONSTRAÇÕES

4 Algumas demonstrações

Proposição 2
Seja 𝑓 uma função duas vezes derivável no intervalo 𝐼. Se 𝑓 ′′ (𝑥) ≥ 0, para todo 𝑥 ∈ 𝐼, então 𝑓 é
função convexa.

Demonstração:
Como 𝑓 ′′ (𝑥) ≥ 0, podemos afirmar que a função 𝑓 ′ é crescente. Assim, tomando 𝑥 < 𝑦 em 𝐼 e 𝛼 ∈ (0, 1),
segue que:
𝑦
𝑓 (𝑦) − 𝑓 (𝛼𝑥 + (1 − 𝛼)𝑦) = 𝑓 ′ (𝑡) d 𝑡
∫𝛼𝑥+(1−𝛼)𝑦
𝑦
⇒ 𝑓 (𝑦) − 𝑓 (𝛼𝑥 + (1 − 𝛼)𝑦) ≥ 𝑓 ′ (𝛼𝑥 + (1 − 𝛼)𝑦) d 𝑡
∫𝛼𝑥+(1−𝛼)𝑦
⇒ 𝑓 (𝑦) − 𝑓 (𝛼𝑥 + (1 − 𝛼)𝑦) ≥ 𝛼(𝑦 − 𝑥)𝑓 ′ (𝛼𝑥 + (1 − 𝛼)𝑦)

Analogamente,
𝛼𝑥+(1−𝛼)𝑦
𝑓 (𝛼𝑥 + (1 − 𝛼)𝑦) − 𝑓 (𝑥) = 𝑓 ′ (𝑡) d 𝑡
∫𝑥
𝛼𝑥+(1−𝛼)𝑦
⇒ 𝑓 (𝛼𝑥 + (1 − 𝛼)𝑦) − 𝑓 (𝑥) ≤ 𝑓 ′ (𝛼𝑥 + (1 − 𝛼)𝑦) d 𝑡
∫𝑥
⇒ 𝑓 (𝛼𝑥 + (1 − 𝛼)𝑦) − 𝑓 (𝑥) ≤ (1 − 𝛼)(𝑦 − 𝑥)𝑓 ′ (𝛼𝑥 + (1 − 𝛼)𝑦)

Assim,

(1 − 𝛼)𝑓 (𝑦) − (1 − 𝛼)𝑓 (𝛼𝑥 + (1 − 𝛼)𝑦) ≥ 𝛼(1 − 𝛼)(𝑦 − 𝑥)𝑓 ′ (𝛼𝑥 + (1 − 𝛼)𝑦)
𝛼(1 − 𝛼)(𝑦 − 𝑥)𝑓 ′ (𝛼𝑥 + (1 − 𝛼)𝑦) ≥ 𝛼𝑓 (𝛼𝑥 + (1 − 𝛼)𝑦) − 𝛼𝑓 (𝑥)

de onde concluímos
𝛼𝑓 (𝑥) + (1 − 𝛼)𝑓 (𝑦) ≥ 𝑓 (𝛼𝑥 + (1 − 𝛼)𝑦),
isto é, 𝑓 é convexa.

Proposição 3
Seja 𝑆 = {𝑎1 , 𝑎2 , … , 𝑎𝑛 } ⊂ 𝐸 O fecho convexo de 𝑆 é dado por:
{ 𝑛 }
∑ | ∑𝑛
|
ch(𝑆) = 𝑡𝑘 𝑎𝑘 | 𝑡𝑗 ∈ [0, 1] e 𝑡𝑘 = 1
|
𝑘=1 | 𝑘=1

Demonstração: { }

𝑛 | ∑𝑛
|
Para mostrar que 𝐶 = 𝑡𝑘 𝑎𝑘 | 𝑡𝑗 ∈ [0, 1] e 𝑡𝑘 = 1 é o fecho convexo de 𝑆, devemos mostrar que
|
𝑘=1 | 𝑘=1
𝐶 é convexo e que todo elemento de 𝐶 pertence a ch(𝑆).

5
CAPÍTULO 1. DESIGUALDADE DE JENSEN

Parte 1: 𝐶 é convexo
Tome 𝑥, 𝑦 ∈ 𝐶, isto é, temos:
⎧ ∑𝑛
⎪𝑥 = 𝑡(𝑥)
𝑘 𝑘
𝑎
⎪ 𝑘=1
⎨ ∑𝑛
⎪𝑦 = 𝑡(𝑦) 𝑎
⎪ 𝑘 𝑘
⎩ 𝑘=1


𝑛 ∑
𝑛
em que 𝑡𝑘(𝑥) = 𝑡(𝑦)
𝑘
= 1.
𝑘=1 𝑘=1
Para 𝑡 ∈ [0, 1], temos

𝑛
𝑡𝑥 + (1 − 𝑡)𝑦 = 𝑡 ⋅ 𝑡𝑘(𝑥) + (1 − 𝑡) ⋅ 𝑡(𝑦)
𝑘 𝑘
𝑎 ,
𝑘=1
em que

𝑛 ∑
𝑛 ∑
𝑛
𝑡 ⋅ 𝑡(𝑥)
𝑘
+ (1 − 𝑡) ⋅ 𝑡(𝑦)
𝑘
=𝑡 𝑡(𝑥)
𝑘
+ (1 − 𝑡) 𝑡(𝑦)
𝑘
= 𝑡 + (1 − 𝑡) = 1,
𝑘=1 𝑘=1 𝑘=1

nos permitindo concluir que 𝑡𝑥 + (1 − 𝑡)𝑦 ∈ 𝐶, isto é, 𝐶 é convexo.


Parte 2: 𝐶 ⊂ ch(𝑆)
Vamos provar esta parte por Indução no número de vetores em 𝑆.
[Base]
Se 𝑛 = 2, temos que 𝐶 descreve o segmento de reta de extremos 𝑎1 e 𝑎2 , que é convexo da própria definição
de conjunto convexo.
[Hipótese de Indução] { 𝑛 }
∑ | ∑𝑛
|
O conjunto 𝐶𝑛 = 𝑡𝑘 𝑎𝑘 | 𝑡𝑗 ∈ [0, 1] e 𝑡𝑘 = 1 é o fecho convexo de 𝑆𝑛 = {𝑎1 , 𝑎2 , … , 𝑎𝑛 }.
|
𝑘=1 | 𝑘=1
[Passo Indutivo] {𝑛+1 }
∑ | ∑
𝑛+1
|
Considere o conjunto 𝐶𝑛+1 = 𝑡𝑘 𝑎𝑘 || 𝑡𝑗 ∈ [0, 1] e 𝑡𝑘 = 1 . Tome 𝑎 ∈ 𝐶𝑛+1 . Existem
|
𝑘=1 | 𝑘=1
𝑡1 , 𝑡2 , … , 𝑡𝑛+1 não negativos cuja soma vale um que satisfazem:


𝑛+1 ∑
𝑛 ∑
𝑛
𝑡𝑘
𝑎= 𝑡𝑘 𝑎𝑘 = 𝑡𝑘 𝑎𝑘 + 𝑡𝑛+1 𝑎𝑛+1 ⇒ 𝑎 = (1 − 𝑡𝑛+1 ) 𝑎 +𝑡 𝑎
𝑘=1 𝑘=1 𝑘=1
1 − 𝑡𝑛+1 𝑘 𝑛+1 𝑛+1

Note que:

𝑛 ∑
𝑛
𝑡𝑘
𝑡𝑘 + 𝑡𝑛+1 = 1 ⇒ =1
𝑘=1 𝑘=1
1 − 𝑡𝑛+1


𝑛
𝑡𝑘
portanto 𝑎 ∈ ch(𝑆𝑛 ) ⊂ ch(𝑆𝑛+1 ).
𝑘=1
1 − 𝑡𝑛+1 𝑘


𝑛
𝑡𝑘
𝑎 = (1 − 𝑡𝑛+1 ) 𝑎 +𝑡 𝑎𝑛+1 ∈ ch(𝑆𝑛+1 ).
𝑘=1
1 − 𝑡𝑛+1 𝑘 𝑛+1 ⏟⏟ ⏟
⏟⏞⏞⏞⏞⏞⏞⏟⏞⏞⏞⏞⏞⏞⏟ ∈ch(𝑆𝑛+1 )
∈ch(𝑆𝑛+1 )

6
4. ALGUMAS DEMONSTRAÇÕES

Teorema 4: Desigualdade de Jensen


Seja 𝑓 ∶ 𝐼 → ℝ uma função estritamente convexa e tome 𝑥1 ≤ 𝑥2 ≤ … ≤ 𝑥𝑛 pertencentes a 𝐼.

𝑛
Considere também (𝑡𝑘 )𝑛𝑘=1 ∈ (0, 1) tais que 𝑡𝑘 = 1. vale que
𝑘=1
( )

𝑛 ∑
𝑛
𝑡𝑘 𝑓 (𝑥𝑘 ) ≥ 𝑓 𝑡𝑘 𝑥𝑘
𝑘=1 𝑘=1

com igualdade se, e somente se 𝑥1 = 𝑥2 = ⋯ = 𝑥𝑛 .

Demonstração:
Demonstramos por Indução.
[Hipótese de Indução]

𝑛
Se (𝑡𝑘 )𝑛𝑘=1 ∈ (0, 1) tais que 𝑡𝑘 = 1. vale que
𝑘=1
( )

𝑛 ∑
𝑛
𝑡𝑘 𝑓 (𝑥𝑘 ) ≥ 𝑓 𝑡𝑘 𝑥𝑘
𝑘=1 𝑘=1
com igualdade se, e somente se 𝑥1 = 𝑥2 = ⋯ = 𝑥𝑛 .
[Base]
Para 𝑛 = 1, nada há para fazer.
[Passo Indutivo]
Para 𝑛 + 1 pontos, veja que

𝑛+1 ∑
𝑛 ∑
𝑛
𝑡𝑘
𝑡𝑘 = 1 ⇒ 𝑡𝑘 + 𝑡𝑛+1 = 1 ⇒ =1
𝑘=1 𝑘=1 𝑘=1
1 − 𝑡𝑛+1
Daí:


𝑛+1 ∑
𝑛
𝑡𝑘 𝑓 (𝑥𝑘 ) = 𝑡𝑘 𝑓 (𝑥𝑘 ) + 𝑡𝑛+1 𝑓 (𝑥𝑘+1 )
𝑘=1 𝑘=1

𝑛+1 ∑
𝑛
𝑡𝑘
⇒ 𝑡𝑘 𝑓 (𝑥𝑘 ) = (1 − 𝑡𝑛+1 ) 𝑓 (𝑥𝑘 ) +𝑡𝑛+1 𝑓 (𝑥𝑘+1 )
𝑘=1 𝑘=1
1 − 𝑡𝑛+1
⏟⏞⏞⏞⏞⏞⏞⏞⏞⏞⏟⏞⏞⏞⏞⏞⏞⏞⏞⏞⏟
Hipótese
( )

𝑛+1 ∑ 𝑛
𝑡𝑘
⇒ 𝑡𝑘 𝑓 (𝑥𝑘 ) ≥ (1 − 𝑡𝑛+1 )𝑓 𝑥 + 𝑡𝑛+1 𝑓 (𝑥𝑘+1 )
𝑘=1 𝑘=1
1 − 𝑡𝑛+1 𝑘
( )

𝑛+1 ∑ 𝑛
𝑡𝑘
⇒ 𝑡𝑘 𝑓 (𝑥𝑘 ) ≥ 𝑓 (1 − 𝑡𝑛+1 ) 𝑥 + 𝑡 𝑓 (𝑥𝑘+1 )
𝑘=1 𝑘=1
1 − 𝑡𝑛+1 𝑘 𝑛+1
(𝑛+1 )

𝑛+1 ∑
⇒ 𝑡𝑘 𝑓 (𝑥𝑘 ) ≥ 𝑓 𝑡𝑘 𝑥𝑘
𝑘=1 𝑘=1
O caso de igualdade na Hipótese ocorre somente se 𝑥1 = 𝑥2 = ⋯ = 𝑥𝑛 e o caso de igualdade na desigual-
∑ 𝑛
𝑡𝑘
dade seguinte ocorre somente se 𝑥𝑛+1 = 𝑥 , nos permitindo concluir que ambas as igualdades
𝑘=1
1 − 𝑡𝑛+1 𝑘

7
CAPÍTULO 1. DESIGUALDADE DE JENSEN

ocorrem somente quando todos os elementos 𝑥𝑘 são iguais.


8
2 Desigualdade as Médias

1 Função Média

Neste capítulo fazemos um estudo de médias ponderadas. Fixamos 𝑎1 , 𝑎2 , … , 𝑎𝑛 reais positivos e 𝑡1 , 𝑡2 , … , 𝑡𝑛 ∈



𝑛
(0, 1) tais que 𝑡𝑘 = 1. Os números 𝑡𝑘 são os pesos da média ponderada.
𝑘=1
Definimos a 𝛼-média o valor 𝑀(𝛼) em que a função 𝑀 ∶ ℝ → ℝ∗+ é dada por:

⎧(∑ 𝑛
)1
𝑥
⎪ 𝑡𝑘 𝑎𝑥𝑘 , se 𝑥 ≠ 0

𝑀(𝑥) = ⎨ 𝑛𝑘=1
⎪∏ 𝑡𝑘
⎪ 𝑎𝑘 , caso contrário.
⎩𝑘=1

Proposição 8
A função 𝑀 é contínua, onde:

⎧(∑ 𝑛
)1
𝑥
⎪ 𝑡𝑘 𝑎𝑥𝑘 , se 𝑥 ≠ 0

𝑀(𝑥) = ⎨ 𝑛𝑘=1
⎪∏ 𝑡𝑘
⎪ 𝑎𝑘 , caso contrário.
⎩𝑘=1

2 Desigualdade das Médias

Teorema 9: Desigualdade das Médias - Versão Geral


Para todos 𝛼 e 𝛽 reais tais que 𝛼 > 𝛽, vale que

𝑀(𝛼) ≥ 𝑀(𝛽),

com igualdade ocorrendo se, e somente se, 𝑎1 = 𝑎2 = ⋯ = 𝑎𝑛 .

9
CAPÍTULO 2. DESIGUALDADE AS MÉDIAS

3 Médias mais comuns

É mais comum trabalharmos com médias de pesos iguais, além de que existem quatro médias normalmente
aparecem nos problemas. Enunciamos todas.

Teorema 10: Desigualdade das Médias


Dados 𝑎1 , 𝑎2 , … , 𝑎𝑛 reais positivos. Para 𝛼 > 𝛽, vale que
√ √
𝛼 𝛼 𝛼 𝛽 𝛽 𝛽
𝛼 𝑎1 + 𝑎2 + ⋯ + 𝑎𝑛 𝛽 𝑎 + 𝑎 + ⋯ + 𝑎𝑛
1 2

𝑛 𝑛

com igualdade se, e somente se, 𝑎1 = 𝑎2 = ⋯ = 𝑎𝑛 .

Os valores 𝑀(2), 𝑀(1), 𝑀(0) e 𝑀(−1) são, respectivamente, chamados Média Quadrática, Médio Aritmética,
Média Geométrica e Média Harmônica. A versão mais conhecida da Desigualdade das Médias nos diz que

Figura: Médias de 𝑎 e 𝑏 vistas em medidas na semicircunferência


𝑎21 + 𝑎22 + ⋯ + 𝑎2𝑛 𝑎1 + 𝑎2 + ⋯ + 𝑎𝑛 √ 𝑛
≥ ≥ 𝑛 𝑎 𝑎 ⋯𝑎
1 2 𝑛 ≥ .
𝑛 𝑛 ⏟⏞⏞⏞⏞⏟⏞⏞⏞⏞⏟ 1 1 1
⏟⏞⏞⏞⏞⏞⏞⏞⏞⏞⏞⏞⏞⏟⏞⏞⏞⏞⏞⏞⏞⏞⏞⏞⏞⏞⏟ ⏟⏞⏞⏞⏞⏞⏞⏞⏞⏞⏟⏞⏞⏞⏞⏞⏞⏞⏞⏞⏟ + + ⋯ +
𝑎1 𝑎2 𝑎𝑛
Média Quadrática Média Aritmética Média Geométrica ⏟⏞⏞⏞⏞⏞⏞⏞⏞⏞⏞⏞⏟⏞⏞⏞⏞⏞⏞⏞⏞⏞⏞⏞⏟
Média Harmônica

3.1 Exercícios - Propostos

□ Exercício 2

Calcule o volume máximo do paralelepípedo de lados 𝑎, 𝑏 e 𝑐 de forma que a soma dos comprimentos
de todas as arestas vale 36.

10
3. MÉDIAS MAIS COMUNS

□ Exercício 3 (Putnam and Beyond)

Dado 𝑛 natural, considere os números reais 𝑥0 > 𝑥1 > ⋯ > 𝑥𝑛 . Determine o menor valor de:

1 1
𝑥0 + +⋯+ − 𝑥𝑛
𝑥0 − 𝑥1 𝑥𝑛−1 − 𝑥𝑛

□ Exercício 4

Se 𝑠 = 𝑎 + 𝑏 + 𝑐, com 𝑎, 𝑏, 𝑐 positivos, verifique que:

1 1 1 9
+ + ≥
𝑠−𝑎 𝑠−𝑏 𝑠−𝑐 𝑠

□ Exercício 5 (Putnam and Beyond)

Mostre que o polinômio


𝑃 (𝑥) = 𝑥5 − 10𝑥 + 35
não possui raízes reais positivas.

□ Exercício 6

Sejam 𝑎, 𝑏, 𝑐, 𝑑, 𝑒, 𝑓 reais positivos tais que

𝑎 + 𝑏 + 𝑐 + 𝑑 + 𝑒 + 𝑓 = 2.

Mostre que:

(𝑎 + 𝑏 + 𝑐)(𝑏 + 𝑐 + 𝑑)(𝑐 + 𝑑 + 𝑒)(𝑑 + 𝑒 + 𝑓 )(𝑒 + 𝑓 + 𝑎)(𝑓 + 𝑎 + 𝑏) ≤ 1,

em que a igualdade é válida se, e somente se, 𝑎 = 𝑑, 𝑏 = 𝑒 e 𝑐 = 𝑓 .

11
CAPÍTULO 2. DESIGUALDADE AS MÉDIAS

4 Algumas demonstrações

Proposição 8
A função 𝑀 é contínua, onde:

⎧(∑ 𝑛
)1
𝑥
⎪ 𝑥
𝑡𝑘 𝑎𝑘 , se 𝑥 ≠ 0

𝑀(𝑥) = ⎨ 𝑛𝑘=1
⎪∏ 𝑡𝑘
⎪ 𝑎𝑘 , caso contrário.
⎩𝑘=1

Demonstração:
Note que a função é contínua em todo 𝑥 ≠ 0. Em 𝑥 = 0, consideramos a composta Ln ◦𝑀. Note que 𝑀 é
contínua se, e somente se, Ln ◦𝑀 também o é. Note que:
(∑𝑛 𝑥
)
Ln 𝑘=1 𝑡𝑘 𝑎𝑘
lim Ln(𝑀(𝑥)) = lim
𝑥→0 𝑥→0 𝑥
( 𝑛 )

O limite da direita é a derivada da função Ln 𝑡𝑘 𝑎𝑥𝑘 no ponto 0. Pela Regra da Cadeia, segue que:
𝑘=1
∑𝑛 ∑𝑛
0
𝑘=1 𝑡𝑘 𝑎𝑘 Ln(𝑎𝑘 ) 𝑘=1 𝑡𝑘 Ln(𝑎𝑘 )

𝑛
𝑡
lim Ln(𝑀(𝑥)) = ∑𝑛 0
= ∑𝑛 = 𝑎𝑘𝑘
𝑘=1 𝑡𝑘
𝑥→0
𝑘=1 𝑡𝑘 𝑎𝑘 𝑘=1

Teorema 9: Desigualdade das Médias - Versão Geral


Para todos 𝛼 e 𝛽 reais tais que 𝛼 > 𝛽, vale que

𝑀(𝛼) ≥ 𝑀(𝛽),

com igualdade ocorrendo se, e somente se, 𝑎1 = 𝑎2 = ⋯ = 𝑎𝑛 .

Demonstração:
Sabemos que 𝑀 é uma função contínua. Basta mostrarmos que a função é crescente em todo o conjunto
ℝ ⧵ {0}.
𝛼
Tome 𝛼, 𝛽 ≠ 0, com 𝛼 > 𝛽, e 𝑡 = . Defina a função 𝑓 ∶ (0, ∞) → ℝ dada por 𝑓 (𝑥) = 𝑥𝑡 . Temos:
𝛽

𝑓 ′ (𝑥) = 𝑡𝑥𝑡−1 ⇒ 𝑓 ′′ (𝑥) = 𝑡(𝑡 − 1)𝑥𝑡−2 .

Como 𝑥 > 0, então 𝑓 ′′ (𝑥) > 0 se 𝑡 ∈ (−∞, 0)∪(1, +∞) e 𝑓 ′′ (𝑥) < 0 se 𝑡 ∈ (0, 1). Aplicamos a Desigualdade
de Jensen com os pesos (𝑡𝑘 ) e abscissas 𝑥𝑘 = 𝑎𝛽𝑘 .

12
4. ALGUMAS DEMONSTRAÇÕES

[Caso 𝑓 ′′ (𝑥) > 0] [Caso 𝑓 ′′ (𝑥) < 0]


temos temos
( )𝑡 ( )𝑡

𝑛 ∑
𝑛

𝑛 ∑
𝑛
𝑡𝑘 (𝑥𝛽𝑘 )𝑡 ≥ 𝑡𝑘 (𝑥𝛽𝑘 ) 𝑡𝑘 (𝑥𝛽𝑘 )𝑡 ≤ 𝑡𝑘 (𝑥𝛽𝑘 )
𝑘=1 𝑘=1 𝑘=1 𝑘=1
( )𝛼 ( )𝛼

𝑛 𝛼 ∑
𝑛 𝛽

𝑛 ∑
𝑛 𝛽
𝑡𝑘 (𝑥𝛽𝑘 ) 𝛽 𝑡𝑘 (𝑥𝛽𝑘 )
𝛼
⇒ ≥ ⇒ 𝑡𝑘 (𝑥𝛽𝑘 ) ≤
𝛽 𝑡𝑘 (𝑥𝛽𝑘 )
𝑘=1 𝑘=1 𝑘=1 𝑘=1
( 𝑛 )1 𝛼 ( 𝑛 )1 𝛼
∑𝑛 ⎛ ∑ 𝛽⎞ ⎛ ∑ 𝛽⎞
∑𝑛
⇒ 𝑡𝑘 𝑥𝛼𝑘 ≥ ⎜ 𝑡𝑘 𝑥𝛽𝑘 ⎟ ⇒ 𝑡𝑘 𝑥𝛼𝑘 ≤ ⎜ 𝑡𝑘 𝑥𝛽𝑘 ⎟
⎜ 𝑘=1 ⎟ ⎜ 𝑘=1 ⎟
𝑘=1 ⎝ ⎠ 𝑘=1 ⎝ ⎠
Perceba que o primeiro caso ocorre sempre que 𝛼 > 0, enquanto o segundo caso ocorre sempre que 𝛼 < 0.
1
Elevando ambos os lados a , em ambos os casos obtemos:
𝛼
( )1 ( )1

𝑛 𝛼 ∑
𝑛 𝛽
𝑡𝑘 𝑥𝛼𝑘 ≤ 𝑡𝑘 𝑥𝛽𝑘
𝑘=1 𝑘=1

isto é, 𝑀(𝛼) ≥ 𝑀(𝛽) com igualdade se, se somente se, 𝑎1 = 𝑎2 = ⋯ = 𝑎𝑛 .

Teorema 10: Desigualdade das Médias


Dados 𝑎1 , 𝑎2 , … , 𝑎𝑛 reais positivos. Para 𝛼 > 𝛽, vale que
√ √
𝛼 𝛼 𝛼 𝛽 𝛽 𝛽
𝛼 𝑎1 + 𝑎2 + ⋯ + 𝑎𝑛 𝛽 𝑎 + 𝑎 + ⋯ + 𝑎𝑛
1 2

𝑛 𝑛

com igualdade se, e somente se, 𝑎1 = 𝑎2 = ⋯ = 𝑎𝑛 .

Demonstração:
1
Basta aplicar a versão geral da Desigualdade das Médias tomando 𝑡𝑘 = , para todo 𝑘 e lembrar que
√ 𝑛
1
𝑡
𝑥=𝑥 . 𝑡

13

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