ARBITAGEM NO DIREITO
INTERNACIONAL
Ana Luiza Gonçalves
Direito Internacional Privado
2024.2
ARBITRAGEM
• É o meio de resolução de litígio comercial internacional mais utilizado.
• Procedimento célere em que permite as partes que escolham os julgadores e
tenham maior controle sobre o procedimento, que geralmente é sigiloso.
• A arbitragem se inicia pela celebração da convenção de arbitragem.
• Admite duas espécies:
• 1 – Cláusula de compromissória e 2 – Compromisso arbitral.
ARBITRAGEM
• A cláusula compromissória é o negócio jurídico que prevê a sujeição à
arbitragem de qualquer litígio futuro vinculado a determinada relação
jurídica, ordinariamente de natureza contratual.
• O compromisso arbitral é o ajuste firmado diante de um conflito já existente,
por força do qual, as partes acordam submeter sua disputa à arbitragem.
• Diferença entre as duas espécies é o momento de celebração.
• A convenção de arbitragem deve atender aos requisitos de validade dos
negócios jurídicos em geral.
ARBITRAGEM
• Art. 104. A validade do negócio jurídico requer:
I - agente capaz;
II - objeto lícito, possível, determinado ou determinável;
III - forma prescrita ou não defesa em lei.
• ARBITRAGEM INTERNACIONAL
• 1- ARBITRAGEM DE DIREITO PÚBLICO.
• 2 – ARBITRAGEM DE INVESTIMENTOS.
• 3 – ABRITRAGEM COMERCIAL INTERNACIONAL.
ARBITRAGEM DE DIREITO
INTERNACIONAL PÚBLICO
• Inicia-se pela celebração de tratado internacional.
• Elementos necessários:
• A) Descrição do objeto do litígio;
• B) Determinação do direito aplicável;
• C) Designação do arbitro escolhido pelas partes para a solução da controvérsia
• D) Os prazos, regras do procedimento do Tribunal Arbitral
• E) O compromisso de que as partes cumprirão fielmente como regra jurídica
mandamental, o laudo arbitral a ser proferido.
ARBITRAGEM DE DIREITO
INTERNACIONAL PÚBLICO
• Esse tipo de arbitragem é processada e decida conforme o direito
internacional público.
• O laudo arbitral tem força mandamental.
• Brasil tem tradição na participação de arbitragem dessa natureza, tanto como
parte quanto como arbitro.
ARBITRAGEM DE INVESTIMENTOS
• Controvérsias de Estados x Investidores.
• Internacional Centre of Investiment Disputes (ICISD) criado pela Convenção de
Washington.
• É uma organização internacional independente.
• Está ligado ao Banco Mundial que criou a instituição com finalidade de
facilitar as disputas relativas ao estado e investidores estrangeiros.
• Brasil não é parte.
ARBITRAGEM DE INVESTIMENTOS
• Todos os estados-membros, independente de serem partes na disputa
submetida à arbitragem, estão vinculadas ao laudo proferido pelo ICSID.
• A convenção determina que no mérito, deve-se aplicar a Lei do Estado
envolvido (art. 42).
ARBITRAGEM COMERCIAL
INTERNACIONAL
• É uma definição por exclusão.
• Relações que dizem respeito ao comércio internacional.
• Podem ser regidas pelo direito interno do País, regras costumeiras ou
princípios do comércio internacional. (Princípios da UNIDROIT – Instituto
Internacional para unificação do Direito Privado – ou a Convenção da ONU
sobre venda internacional de mercadorias – CISG).
• Os laudos proferidos no âmbito dessa arbitragem, caso sejam no exterior,
estão sujeitos à homologação pelo STJ para que produzam efeitos no Brasil.
LEI DE ARBITRAGEM
• Art. 34. A sentença arbitral estrangeira será reconhecida ou executada no
Brasil de conformidade com os tratados internacionais com eficácia no
ordenamento interno e, na sua ausência, estritamente de acordo com os
termos desta Lei. (Lei 9.307/96)
• Lei deixa claro que os tratados prevalecem a legislação interna.
CONVENÇÃO DE NOVA IORQUE
SOBRE ARBITRAGEM
• Decreto 4.311/02.
• Art. I, n. 3 - Quando da assinatura, ratificação ou adesão à presente Convenção, ou
da notificação de extensão nos termos do Artigo X, qualquer Estado poderá, com
base em reciprocidade, declarar que aplicará a Convenção ao reconhecimento e à
execução de sentenças proferidas unicamente no território de outro Estado
signatário. Poderá igualmente declarar que aplicará a Convenção somente a
divergências oriundas de relacionamentos jurídicos, sejam eles contratuais ou não,
que sejam considerados como comerciais nos termos da lei nacional do Estado que
fizer tal declaração.
CONVENÇÃO DE NOVA IORQUE
SOBRE ARBITRAGEM
• O brasil não fez reservas à Convenção, com isso, o art. 38 e 39 da Lei de
Arbitragem não são aplicados.
• Esses artigos abordam sobre o reconhecimento e execução, além das
hipóteses em que podem ser negada.
• Art. V da Convenção enumera taxativamente as cinco hipóteses em que o
reconhecimento e a execução poderão ser indeferidos.
CONVENÇÃO DE NOVA IORQUE
SOBRE ARBITRAGEM
ART. V, 1. O reconhecimento e a execução de uma sentença poderão ser indeferidos, a
pedido da parte contra a qual ela é invocada, unicamente se esta parte fornecer, à
autoridade competente onde se tenciona o reconhecimento e a execução, prova de que:
a) as partes do acordo a que se refere o Artigo II estavam, em conformidade com a lei
a elas aplicável, de algum modo incapacitadas, ou que tal acordo não é válido nos
termos da lei à qual as partes o submeteram, ou, na ausência de indicação sobre a
matéria, nos termos da lei do país onde a sentença foi proferida; ou
b) a parte contra a qual a sentença é invocada não recebeu notificação apropriada
acerca da designação do árbitro ou do processo de arbitragem, ou lhe foi impossível,
por outras razões, apresentar seus argumentos; ou
CONVENÇÃO DE NOVA IORQUE
SOBRE ARBITRAGEM
c) a sentença se refere a uma divergência que não está prevista ou que não se enquadra
nos termos da cláusula de submissão à arbitragem, ou contém decisões acerca de
matérias que transcendem o alcance da cláusula de submissão, contanto que, se as
decisões sobre as matérias suscetíveis de arbitragem puderem ser separadas daquelas
não suscetíveis, a parte da sentença que contém decisões sobre matérias suscetíveis de
arbitragem possa ser reconhecida e executada; ou
d) a composição da autoridade arbitral ou o procedimento arbitral não se deu em
conformidade com o acordado pelas partes, ou, na ausência de tal acordo, não se deu
em conformidade com a lei do país em que a arbitragem ocorreu; ou
CONVENÇÃO DE NOVA IORQUE
SOBRE ARBITRAGEM
e) a sentença ainda não se tornou obrigatória para as partes ou foi anulada ou suspensa
por autoridade competente do país em que, ou conforme a lei do qual, a sentença
tenha sido proferida.
2. O reconhecimento e a execução de uma sentença arbitral também poderão ser
recusados caso a autoridade competente do país em que se tenciona o reconhecimento
e a execução constatar que:
a) segundo a lei daquele país, o objeto da divergência não é passível de solução
mediante arbitragem; ou
b) o reconhecimento ou a execução da sentença seria contrário à ordem pública
daquele país.
ARBITRAGEM
• Com o advento da lei de arbitragem, a sentença arbitral produzirá efeitos sem
subordinar a qualquer ato de ratificação pelo judiciário, constituindo
inclusive, título executivo, se condenatório.
• Arts. 18 e 21 da Lei de Arbitragem.
• Se a sentença não tiver eficácia no exterior, não tem no brasil.
ARBITRAGEM
• Art. 39, Parágrafo único. Não será considerada ofensa à ordem pública
nacional a efetivação da citação da parte residente ou domiciliada no Brasil,
nos moldes da convenção de arbitragem ou da lei processual do país onde se
realizou a arbitragem, admitindo-se, inclusive, a citação postal com prova
inequívoca de recebimento, desde que assegure à parte brasileira tempo hábil
para o exercício do direito de defesa.
• Garantia do processo legal – idioma compreensível,