Diagnóstico e Tratamento de Asma e DPOC
Diagnóstico e Tratamento de Asma e DPOC
ASMA
Inflamação crônica + hiperreatividade reversível de VA (broncoconstrição + hiperprodução de muco)
Fenótipos: asma alérgica (~80%) → outros: obstrução persistente (overlap asma-DPOC), obesidade
o Asma não alérgica (ocupacional, medicamentosa), asma de início tardio → má resposta a CI
Diagnóstico diferencial
o Broncoespasmo no exercício: clima frio/seco → aquecimento + beta-2-agonista antes de exercício
o Asma na gravidez: 1/3 melhora, 1/3 piora, 1/3 fica igual → tratar sempre (mesmo tto)
Broncoespasmo + uso de b-agonista durante TP: bb pode nascer hipoglicêmico (atenção)
Clínica: dispneia, sibilância, tosse crônica (geralmente não produtiva), desconforto torácico, rinite
o Variável/intermitente (inflamação oscila); pior à noite/começo da manhã; gatilhos (mofo, umidade)
Diagnóstico: obstrução reversível
o Espirometria inicial: VEF1/CVF < 0,7 → obstrução
o 2ª espirometria (pós broncodilatador): ↑12% + >200ml na VEF1 → reversão
Crianças: apenas aumento >12% na VEF1
o Se espirometria inicial normal → provocar hiper-reatividade (prova broncoprovocadora)
Teste provocativo: metacolina (provoca obstrução em todos, mas muito mais no asmático)
Queda >20% no VEF1
o Crianças pequenas: LER NA APOSTILA
TRATAMENTO: MANUTENÇÃO
Todos: aderência ao tratamento; cessar tabagismo; vacinação (influenza); atividade física; ↓umidade e mofo
o Imunoterapia se hiperreatividade a ácaros (bom resultado); NÃO MATAR O GATO (não faz diferença)
Droga regular + droga de alívio (quadro exacerbado)
o Passo 1: sintomas <2x por mês
o Passo 2: sintomas >2x ao mês, mas não todos os dias
o Passo 3: sintomas quase diários ou sintomas noturnos >1x por semana (acorda com asma)
o Passo 4: sintomas quase diários + sintomas noturnos >1x/sem + ↓função pulmonar (↓peak flow)
o Passo 5: asma descontrolada (crise: 5-7 dias de corticoide oral)
Adultos
o Passo 1/alívio: corticoide inalatório (budesonida) + B2 longa (formoterol) – BUDFORM (usar s/n)
o Passo 2: corticoide inalatório (dose baixa regular): budesonida 200-400ug/dia; declometasona/clenil
o Passo 3: corticoide inalatório (dose baixa) + b2 de longa → uso regular + alívio s/n
o Passo 4: corticoide inalatório (dose média: budesonida 400-800ug/dia) + b2 de longa uso regular
o Passo 5: corticoide inalatório (dose alta: budesonida > 800ug/dia) + b2 de longa uso regular
Encaminhar para especialista: tiotrópio (antimuscarínico de longa), antileucotrienos, anti IgE
Crianças (6-11 anos): evitar b2 de longa quanto mais nova for a criança (induz taquifilaxia)
o Passo 1 ou alívio: corticoide inalatório dose baixa + b2 de curta (usar quando necessário)
o Passo 2: corticoide inalatório dose baixa (budesonida 100-200ug/dia)
o Passo 3: CI dose média apenas OU CI dose baixa + b2 de longa
o Passo 4: CI dose média + beta2 de longa + especialista
o Passo 5: passo 4 + anti IgE
Crianças (<5 anos)
o Método: máscara facial (0-3 anos); espaçador (4-5 anos)
o Passo 1 ou alívio: B2 de curta quando necessário
o Passo 2: corticoide inalatório dose baixa
o Passo 3: corticoide inalatório dose baixa dobrada
o Passo 4: passo 3 + especialista
CLASSIFICAÇÃO
Controle→ controlada: nenhum sim / parcialmente controlada: até 2 sim / descontrolada: crise ou 3-4 sim
Atividades limitadas?
Broncodilatador de alívio >2x por semana? (menores de 5 anos: 1x por semana)
Sintomas noturnos?
Sintomas diurnos >2x por semana? (menores de 5 anos: 1x por semana)
o Asma não controlada: antes de aumentar passo, verificar ambiente, aderência e técnica
o Asma controlada por 3 meses: descalonar (usar sempre menor dose de CI possível)
Gravidade→ leve: controla com passo 1 ou 2 (CI dose baixa) / moderada: passo 3 / grave: passos 4/5
Peak flow pode ser utilizado para avaliar gravidade da crise asmática
Broncodilatador: espaçador + máscara (lactentes), espaçador direto (escolares); nebulização (= espaçador)
Asma grave Fala por palavras (frases incompletas); agitação ABCD: atrovent + b2 curta +
PFE < 50 / FC >120 / SO2 <90 / FR >30 corticoide + dar oxigênio
OU paciente não melhorou com tto leve após 1h Adicionar IPRATROPIO (atrovent)
Corticoide IV se incapacidade de
engolir
Considerar Mg IV ou CI dose alta
Asma muito grave Sonolência, confusão + TÓRAX SILENCIOSO Atrovent + B2 + corticoide + O2
Pode haver pulso paradoxal (= Indicar CTI
tamponamento) Preparar IOT
Alta: iniciar tto ou escalonar; medidas ambientais, aderência, técnica + corticoide VO 5-7 dias (3-5d crianças)
o Retorno: nova consulta em 2-7 dias; esclarecer dúvidas
DPOC
Sintomas persistentes de obstrução e limitação ao fluxo aéreo, devido a alterações estruturais em VA
Tipos: bronquite crônica obstrutiva / enfisema pulmonar – maioria dos pctes está entre os dois extremos
FR: tabagismo, história familiar de DPOC, deficiência de a1-antitripsina (suspeitar se DPOC em não tabagista)
o Deficiência de a-1-antitripsina: enfisema em jovem sem risco, enfisema em região basal, hepatopatia
inexplicada, vasculite C-ANCA +, história familiar, enfisema panacinar (tabagismo: centroacinar)
Clínica: tosse crônica, normalmente produtiva (mucoide), dispneia progressiva
Diagnóstico: obstrução praticamente irreversível
o Espirometria inicial: VEF1/CVF <0,7 → obstrução
o Espirometria pós-broncodilatador: sem melhora → irreversibilidade
Se VEF1/CVF pós broncodilatador entre 0,6-0,8 → repetir espirometria em outro dia
Classificação
o GOLD (gravidade da obstrução): VEF1 pós broncodilatador
GOLD1: VEF1 > 80% / GOLD2: VEF1 > 50% / GOLD3: VEF1 > 30% / GOLD4: VEF1 < 30%
o ABCD
A: pouco sintomático, pouca exacerbação / B: muito sintomático, pouca exacerbação
C: pouco sintomático, muita exacerbação → anti muscarínico de longa (reduz exacerbações)
D: muito sintomático, muita exacerbação → anti muscarínico de longa
TRATAMENTO
DPOC DESCOMPENSADA
Infecção pulmonar viral (principal causa); bacteriana (principal agente: haemophilus > pneumo), IAM, IC, TEP
o Pneumonia: cobrir germes típicos → se pneumonia grave ou ATB recente: cobrir pseudomonas
Como suspeitar (qualquer um): piora da dispneia / aumento do volume do escarro / secreção mais purulenta
Tratamento
o A: antibiótico → amoxi-clavulanato ou macrolídeo (5-7 dias)
Se secreção mais purulenta + piora da dispneia OU aumento do volume
Indicação de suporte ventilatório (VM ou VNI)
o B: broncodilatador de CURTA (SABA ou SAMA)
o C: corticoide (5-7 dias: prednisona)
o D: dar O2 → SO2 88-92% (geralmente CN baixo fluxo)
VNI se acidose ± hipercapnia (PaCO2 > 45) ± dispneia grave ou refratariedade
IOT: paciente sonolento
DPOC: nebulizar com AR COMPRIDO (nebulização com O2 → ↑↑PaO2 → apneia e ↓SNC)
TVP/TEP
Fatores de risco: tríade de Virchow (lesão endotelial + estase + hipercoagulabilidade)
o Hereditários: trombofilia (Fator V de Leiden, mutação do gene da protrombina)
o Adquiridos: pós-operatório (ortop), medicamentos (ACO), neoplasia maligna (CIVD), imobilização
TVP
o Maioria assintomática: manter alto índice de suspeição → edema, dor à palpação, empastamento
Sinal de Homans: dor na panturrilha com dorsiflexão do pé (pouco sensível e específico)
Quanto mais proximal, maior risco de TEP (panturrilha: baixo risco / íleofemoral: alto risco)
o Diagnóstico: US doppler (perda da compressibilidade do vaso: lúmen não colaba)
Venografia contrastada: padrão ouro (invasivo, pouco realizado)
TEP
NÓDULO PULMONAR
Nódulo: lesão de até 3cm, envolta por parênquima normal (>3cm: massa)
Características de malignidade: idade (>50 anos), tabagismo, tamanho, contornos (irregulares, espiculado)
o Padrões de calcificação (TC): central ou difusa, pipoca (hamartoma) = benigna / excêntrica = maligna
o Crescimento nos últimos 2 anos
Conduta
o Calcificação benigna ou sem crescimento por 2 anos → FIM
Não/não tem informações: avaliar tamanho do nódulo
o Lesão maior que 8mm → não: TC seriada (3-9-24 meses)
Sim: avaliar risco de Ca → alto: biópsia ou ressecção
Médio: PET-scan → positivo: biópsia ou ressecção / neg: TC seriada (3-9-24 meses)
CÂNCER DE PULMÃO
Ca de pulmão = carcinoma broncogênico; carga tabágica (maços-ano = maços/dia x anos fumados)
Rastreio: TC baixa dosagem (TCBD) anual → RX não é rastreio
o Idade: 55-80 anos / carga > 30 maços-ano / fumante ou ex-fumante (há menos de 15 anos)
Tipos histológicos
o Não pequenas células (80%)
Epidermoide (escamoso – 30%): incidência em queda (↓tabagismo)
Homem, idoso, tabagista; origem mais central (epitélio da árvore respiratória)
Adenocarcinoma (40%): menor associação com tabagismo
Mulheres, jovens, não fumantes/fumante com baixa carga
Apresentação periférica: mais DP (invade cavidade pleural) → aderramecarcinoma
Grandes células (10%)
o Pequenas células (oat cell): pior prognóstico; origem neuroendócrina (síndrome paraneoplásica)
Clínica
o Crescimento tumoral: tosse, hemoptise, dispneia, dor torácica
Síndrome de Pancoast: tumor no ápice (sulco superior do pulmão)
Erosão do 1º e 2º arcos costais, dor em ombro/face ulnar de braço (plexo braquial)
Síndrome de Horner: miose, ptose palpebral, enoftalmia, anidrose facial ipsilateral
o Compressão gânglios simpáticos cervicais = supressão da atividade simpática
SVCS: edema face e MMSS, cefaleia, TJ, circulação colateral (tórax superior/pescoço)
Oat cell tem grande associação (crescimento rápido)
o Metástase: suprarrenal, fígado, osso, SNC
o Síndromes paraneoplásicas: liberação de mediadores com alterações sistêmicas
Ca EPTHERMOIDE → hipercalcemia (peptídeo PTH-like): ↓SNC, desidratação, QT curto
Adeno: reação periosteal (osteoartropatia hipertrófica) → dedos elevados, baqueteamento
OACTH CELL: síndrome de Cushing (ACTH ectópico), SIADH
Síndrome miastênica: anticorpos anti canais de Ca = alteração na junção neuromuscular
Fraqueza muscular (ddx miastenia gravis: anticorpos anti receptores de acetilcolina)
Estadiamento: TNM (tumores não pequenas células)
o T1: nódulo (até 3cm)
o T2: maior que 3cm ou brônquio fonte (atelectasia, pneumonite)
o T3: maior que 5cm ou parede torácica (pancoast)
o T4: maior que 7cm ou carina, grandes vasos, esôfago, vértebra
o N: linfonodos/metástases
N1: peri-brônquicos e hilares ipsilaterais / N2: mediastinais ipsilaterais, subcarinais
N3: contralaterais, supraclaviculares → irressecável
M1: derrame neoplásico (cels neoplásicas no líquido: ddx exsudato), MTX → irressecável
Tratamento: cirurgia + QT adjuvante (exceto N3 e M1)
Doença limitada: confinada a um pulmão e seus respectivos linfonodos → QT + RT; cirurgia rara
o Tumor muito replicativo (boa resposta à QT); tumor localizado (boa resposta à RT)
Doença avançada: ultrapassa os limites de um pulmão e seus linfonodos → tto paliativo (QT + RT)
MECÂNICA VENTILATÓRIA
Pressão intra-pleural basal negativa: caixa torácica tem tendência elástica externa + pulmão tende a colabar
Inspiração (ativa) + expiração (passiva: sem usar musculatura) → pressão pleural vai de -8 a -5 (sempre neg)
Volume corrente: volume de ar que se movimenta na respiração (6-7ml/kg ~500ml)
o Normal: igual na inspiração e expiração
Volume minuto: VC x FR (~7 litros) → 70% chegam ao alvéolo (ventilação alveolar)
o Controla pCO2 (ventilação alveolar bota CO2 pra fora do sangue)
o Aumentar Vminuto tem, portanto, mais influência na pCO2 (não necessariamente aumenta pO2)
o Hiperventilação = hipocapnia (e vice-versa), mas não necessariamente melhora na oxigenação
o 30% não atinge espaço fisiológico de troca: espaço morto (não é trocado)
pCO2 (CO2 no sangue): principal determinante do controle bulbar
o pCO2 aumentada → acidificação do líquor → taquipneia (lavar CO2)
pO2: só estimula centro bulbar se queda acentuada (<65mmHg)
DPOC retentor crônico CO2: hipossensibilidade à pCO2 (não estimula centro bulbar)
o Nesses pacientes, controle bulbar passa a ocorrer por PO2: hiperóxia → bradipneia/hipoventilação
Acidose resp crônica agudizada + carbonarcose (CO2 em neurônio = edema cerebral, coma)
Transporte de O2 → curva de saturação de hemoglobina
o CO2 anda diluído no sangue (aumento da ventilação diminui CO2) / O2 é transportado por Hb
Há uma faixa de pO2 em que SO2 aumenta muito (qualquer ↑pO2 provoca ↑SO2)
pO2 abaixo de 60: saturação despenca (hemoglobina torna-se incapaz de carrear O2)
o Desvio à esquerda: aumenta afinidade da hemoglobina → ex: SO2 90% com níveis menores de pO2
o Desvio à direita (fatores de estresse) diminui afinidade da hemoglobina por O2
Hb tende a entregar O2 para tecidos: acidose, má-perfusão
Mecanismo importante para aumento de aporte do O2 em quadros graves
INSUFICIÊNCIA RESPIRATÓRIA
Hipoventilação = ↑pCO2
o Crônica (DPOC): adaptação renal (retenção de bicarbonato) → pH normal ou acidose discreta
o Aguda/crônica agudizada: acidose súbita grave (sem compensação renal/compensação insuficiente)
Hipoventilação acentuada → hipoxemia com gradiente (A-a)O2 normal
o Gradiente (A-a) normal: sem alterações de membrana alveolocapilar (espessamento, muco, etc)
Causas: SNC, medula cervical (nervo frênico), muscular (fadiga muscular), caixa torácica, doenças de VA
o ↑espaço morto não causa IRp ventilatória (espaço funcional diminuído consegue lavar CO2)
Tratamento: ventilação + pressão positiva (VNI ou VM) → VNI contraindicada se rebaixamento SNC
o IOT + VM: fadiga muscular, rebaixamento, respiração agônica, pH < 7,25
SDRA
10 a 20% dos pacientes intubados evoluem com SDRA; 80% dos pacientes com SDRA são intubados
o Prognóstico reservado: mortalidade ~30%
Lesão inflamatória difusa da membrana alveolocapilar de fisiopatologia heterogênea
o Edema pulmonar intersticial/alveolar + formação de membrana hialina + colapso alveolar
o IRp refratária por distúrbio grave de trocas gasosas
Distúrbio V/Q (lesão de membrana alveolar e capilares) → relação PaO2/FiO2 < 300
Evolui para shunt intraparenquimatoso pulmonar
Principal mecanismo: alvéolos preenchidos não são ventilados
o Perda da complacência (capacidade de distensão) – maior pressão necessária para abrir alvéolo
Etiologias: agentes lesivos (endógenos/exógenos) – ar inspirado, aspiração VAS/estômago, circulação
o Diretas: aspiração gástrica, pneumonias (bacterianas, virais), contusão pulmonar, inalação de
produtos tóxicos, afogamento, embolias (gordurosa, aérea, LA)
o Indiretas: choque (qualquer tipo), sepse, trauma não torácico, grande queimado, edema pulmonar
neurogênico, hemotransfusão maciça, pancreatite aguda, overdose (narcóticos)
Sepse: principal causa
Se sepse → SDRA: principal causa é infecção intra-abdominal
Se SDRA → sepse: principal causa é pneumonia nosocomial bacteriana
FR: idade, etilismo, acidose metabólica e gravidade da doença de base (APACHE II elevado)
Histopatológico: dano alveolar difuso → edema intersticial e alveolar proteináceo, congestão capilar,
hemorragia alveolar, necrose dos pneumócitos I e formação de membrana hialina
o Fase exsudativa (1-7 dias): edema intersticial/alveolar + membrana hialina e infiltrado neutrofílico
o Fase proliferativa (7-21 dias): regeneração dos pneumócitos I + infiltrado mononuclear
Melhora clínica e desmame da VM
o Fase fibrótica: fibrose + hipertensão pulmonar → nem sempre ocorre; pior prognóstico
Clínica
Sintomas um pouco antes de infiltrado: taquidispneia, esforço, taquicardia, cianose e agitação + RX normal
o Infiltrado aparece em 24h: obrigatoriamente bilateral; pode poupar ângulos costofrênicos (ddx EAP
cardiogênico) ou comprometer todos os pulmões (síndrome dos pulmões brancos)
Febre, expectoração, sibilos, hipotensão, choque: depende de causas bases (não são consequência da SDRA)
Imagem: infiltrado pulmonar agudo e difuso (RX)
o TC: infiltrado difuso (principalmente bases e regiões posteriores); consolidação, vidro fosco
o US: pulmão alterado sofre “hepatização” (substituição do ar por líquido)
Quantifica perda de aeração pulmonar; não específico para SARA; útil para definição de CD
Laboratório: gaso (hipoxemia, alcalose respiratória); aumento do gradiente A-a O2, lesões de órgãos alvo
Diagnóstico e classificação
Início dos sintomas dentro de 1 semana após insulto conhecido OU piora progressiva ao longo de 1 semana;
Opacidades bilaterais (não explicadas por atelectasia, derrame ou nódulos);
IRp não explicada por falência cardíaca/congestão; relação PaO2/FiO2 reduzida
Principal ddx: EAP cardiogênico (clínica, BNP, ECO)
o Padrão ouro: medida da pressão capilar pulmonar (pressão de oclusão na artéria pulmonar)
o Biópsia: casos reservados (quadros com tto específico que demandam histologia = vasculites)
Classificação: relação PaO2/Fio2 → <300: SDRA leve / 100-200: SDRA moderada / <100: SDRA grave
MANEJO
Analgesia e sedação: individualizar (iniciar com opioide → escalonar para sedação se necessário)
Curare: individualizar → VM parâmetros altos (analgesia/sedação insuficientes), paciente tomando o drive;
Suporte hemodinâmico
o IOT induz reflexo vagal, bradicardia/hipotensão/choque
o VM: pressão positiva intratorácica na inspiração piora retorno venoso e DC → hipotensão/choque
o Considerar monitorização invasiva: PIA?
Suporte ventilatório: VNI, cânula de alto fluxo → pacientes com SDRA leve (não atrasar IOT)
VM
o Baixo volume corrente (< 6ml/kg – evita volutrauma/barotrauma)
Hipercapnia permissiva: permitir certa acidose respiratória para evitar lesão associada à VM
o Pressão plateau < 30cm H2O (pressão máxima no fim da inspiração, que se mantém durante pausa)
Pressão de pico: pressão máxima na inspiração
o Pressão de distensão 15cmH2O = Pplateau – PEEP (pressão positiva de final da expiração)
Vai da menor pressão positiva (PEEP) até Pplateau → pressão necessária para abrir pulmão
o Modo ventilatório assistido-controlado: ventilação com pressão controlada (evita volu/barotrauma)
o PEEP terapêutica: entre 10-25cm H2O → recruta unidades alveolares (revertendo microatelectasias)
+ redistribui líquido intraalveolar – melhora trocas gasosas/PaO2 e SO2
PEEP: normalmente, alvéolos se fecham no fim da expiração (pressão chega a 0)
Na VM, deve-se manter PEEP “fisiológica” de ao menos 5 para evitar atelectasias
Ajustar conforme FiO2 (manter relação); SO2 88-95
o Prona: gravidade reduz desbalanço V/Q e shunt (pior em bases/porção posterior) → quadros graves
o Relação inspiração/expiração invertida (inspiração>expiração): ↑oxigenação sem ↓mortalidade
Suporte nutricional, profilaxia gástrica e TVP; controle glicêmico (<180)
Corticoides: controverso (prescrever se tto causa base; não iniciar após 14 dias); evitar hipervolemia
TUBERCULOSE
1/3 do mundo está infectado com o BK → Infecção: bacilífero x suscetível (contato íntimo: doença urbana)
Primoinfecção: 1º contato (BR: infância) → entrada por pulmões; ainda não há imunidade específica
o Até 3sem: proliferação/disseminação do BK (todo lugar: ossos, TGU, SNC) → 15%: TB extrapulmonar
o 3-8 sem: imunidade celular complexa
Granuloma caseoso: imunidade celular forma granuloma e impede contato de BK com O2
BK é O2 dependente: não morre, mas se torna inerte
Altamente específico para TB; conteúdo: necrose caseosa
Nódulo de Ghon: granuloma grande calcificado no RX → paciente teve contato com o BK
o 90% → Infecção latente (não é doença)
o 10% → doença
TB primária: no primeiro contato
TB pós-primária: reativação ou reinfecção (inalação de novo BK pode recrutar células do
granuloma anterior, liberando o BK antigo)
TUBERCULOSE PULMONAR
Primária → CRIANÇAS (primeiro contato), pneumonia/gripe arrastada (febre, coriza, tosse), autolimitada
o Não responsiva a ATB (amoxi, azitro); RX: adenopatia hilar unilateral
o Criança é paucibacilífera: investigar adulto implicado na cadeia de transmissão!
o Complicação: TB miliar (sistêmica: disseminação hematogênica descontrolada do BK → “sepse”)
RX: micronódulos pulmonares difusos bilaterais → padrão miliar
FR: <2 anos, imunodeprimidos, não vacinados com BCG (previne TB miliar e meníngea)
TB pós-primária → ADULTOS (15-40 anos: reativação ou reinfecção)
o Rompimento do granuloma → BK acessa via respiratória e meio externo → paciente bacilífero
o Replicação do bacilo induz resposta imune agressiva (que já existia) → infiltrado pulmonar/cavitação
Lobo superior (apical e posterior); lobo inferior (superior): mais aerados
o Complicação: aspergilose → bola fúngica (infecção da caverna por aspergillus)
HP TB tratada adequadamente + novo quadro de tosse + bola fúngica no RX
o Diagnóstico (2 de 3) → CLÍNICA + RX TÓRAX + ESCARRO
Clínica: tosse > 3 sem (sintomático respiratório), febre vespertina (melhora no início da
noite, sudorese noturna), perda ponderal (hiporexia)
Escarro
TRM-TB (molecular): escolha → pronto em 2h, amostra única, avalia resistência à R
o Identifica fragmentos de DNA (bactéria viva ou morta: não acompanha tto)
Baciloscopia (BAAR): se TRM-TB indisponível
o Pelo menos 2 amostras (1 na consulta, uma no dia após), alto risco biológico
Cultura: dúvida diagnóstica (clínica + RX sugestivos com TRM/BAAR neg), resistência
o Iniciar tto de qualquer forma (clínica + RX); cultura fica pronta em 45 dias
o Cultura permite avaliação do antibiograma
Crianças menores 10 anos são incapazes de escarrar
o Lavado gástrico: SNG + lavar com SF + aspirar → dificílima execução
o Sistema de pontuação (MS): 5 parâmetros
Clínica, RX tórax, contato com TB, PPD, estado nutricional
> 40: TRATAR / 30-35: tto a critério médico
TB MENÍNGEA
Crianças não vacinadas com BCG, imunodeprimidos → meningite de evolução arrastada, subaguda
Forma + sequelante da TB: acomete pares cranianos → resposta imune ultrapassa meninges
LCR: ↑proteínas, ↓glicose (glicose LCR = 2/3 da glicemia); infiltrado linfomononuclear (nos 1os dias, PNM)
Diagnóstico: baciloscopia (15%). cultura (50-80%) → não precisa aguardar resultado para iniciar tto
o Métodos têm baixa sensibilidade (mas ninguém vai fazer biópsia de meninge)
TB PLEURAL
Principal forma extrapulmonar no Brasil → em pessoas vivendo com HIV ou crianças: TB ganglionar
Derrame pleural: exsudato (inflamação: ↑ptn), ↓glicose (menor que glicemia), infiltrado linfomonocitário
o Nos primeiros dias de TB pleural, infiltrado pode ser neutrofílico (polimorfonuclear)
o Sem eosinófilos/células mesoteliais (revestem pleura: aumentam em carcinomatose/metástase)
ADA (adenosina deaminase) > 40 → sugestivo: somada às outras características, autoriza tto
Diagnóstico: biópsia pleural (padrão ouro) → granuloma caseoso - BK apenas na pleura (não está no DP)
o Outros métodos têm baixa sensibilidade: baciloscopia (<5%), cultura (<40%)
TRATAMENTO
COXCIP-4: RHZE em cp único → melhora adesão terapêutica (número de cps aumenta conforme peso)
o Tratamento diretamente observado: ACS vai diariamente na casa da pessoa e observa ingesta do cp
Na ausência de ACS, deve ser realizado por familiar
Esquema
o Básico: RHZE 6 meses (2RHZE + 4RH)
<10 anos: RHZ → não prescrever etambutol (risco de neurite óptica)
Kids não avisam que estão tendo alterações visuais; pode levar à cegueira
o TB meníngea/osteoarticular: RHZE 12 meses (2RHZE + 10RH)
TB meníngea: corticoide (primeiros 3 meses): reduz risco de sequelaS
o Falência/multirresistência (rifampicina + isoniazina): esquema CLEPT (18 meses)
Capreomicina (macrolídeo IV: aplicar na UBS), levo, etambutol, pirazinamida, terizidona
Falência: realizar esquema CLEPT e descalonar após cultura
Acompanhamento: baciloscopia mensal (ideal) ou 2/4/6 meses (mínimo)
Critérios de falência: baciloscopia positiva → coletar cultura + iniciar CLEPT (encaminhar p/ atenção terciária)
o Qualquer baciloscopia/BAAR positiva (1 cruz) ao final do tratamento
o Baciloscopia/BAAR fortemente positiva (2 cruzes ou mais) até 4º mês
o BAAR que volta a ser positiva e se mantém por 2 meses
Efeitos adversos
o Todos: intolerância gástrica (náusea, vômito)
o RHZ: hepatotoxicidade (pirazinamida > isoniazida > rifampicina)
o Rifampicina: reações imunes (gripais, alérgicas, NIA, asma – fármaco muito antigênico), suor laranja
o Isoniazida: neuropatia periférica (por depleção de B6/piridoxina)
o Pirazinamida: hiperuricemia (pode precipitar gota: não contraindica se gota controlada)
o Etambutolho (neurite óptica)
o Levofloxacino (e outras quinolonas): lesão aórtica e ruptura tendínea (aquiles)
Intolerância: efeito adverso grave contraindica medicamento para sempre
o Se intolerância à rifampicina ou isoniazida → substituir por levofloxacino
Se rifampicina retirada: prolongar tto (LHZE 12 meses)
Se isoniazida retirada: RLZE 6 meses
o Se pirazinamida retirada: prolongar tto (RHE 9 meses)
o Se etambutol retirado: RHZ 6 meses
Situações especiais
o Hepatotoxicidade (RHZ)
Suspender RHZE por 30 dias:
Icterícia, ↑3x AST/ALT + sintomas (dor abdominal, diarreia) OU ↑5x AST/ALT
Se melhora: reintroduzir RE (rifampicina +etambutol) → isoniazida → pirazinamida
Intervalo de 3-7 dias: permite identificar qual causou hepatotoxicidade
Se não houve melhora/HP cirrose: capreomicina + etambutol + levofloxacino (CEL 12 meses)
o Gestante: RHZE + suplementação de piridoxina (B6)
o Coinfecção HIV/TB
TB: principal causa de morte em soropositivos
Iniciar RHZE e aguardar 2sem para iniciar TARV → risco de síndrome da reconstituição imune
CONTROLE
Tratamento dos bacilíferos (1 bacilífero infecta 15 por ano) → principal medida de controle
o Paciente deixa de ser bacilífero após 15 dias de tto
BCG: não impede infecção nem adoecimento (apenas previne TB miliar e meníngea)
Avaliação dos contactantes (mora, trabalha, estuda na mesma sala): anamnese e exame físico
o Sintomáticos: investigar adoecimento (RX + escarro)
o Assintomáticos: investigar TB latente (prova tuberculínica/PPD)
PPD: avalia existência de infecção (pcte infectado permanece infectado por toda a vida) – não avalia doença
o Reação imune exagerada (endurada) se resposta imune específica prévia ao BK
o Interpretação: medir área ENDURADA (não medir eritema ao redor)
<5mm: não reator (sem infecção ou infecção recente)
Repetir em 8 semanas (avaliar viragem: ↑PPD em ao menos 10mm)
≥5mm: reator (infecção latente) → tratar infecção latente
BCG não influencia análise mais!!! Toda PPD > 5 é TRATADA
INFECÇÃO LATENTE
Tratamento infecção latente diminui risco de TB doença → escolha: isoniazida 270 doses (9 a 12 meses)
o 2ª escolha: rifampicina 120 doses (4-6m) - preferível em <10 ou >50 anos ou intolerância a isoniazida
Situações especiais
o Profissionais de saúde: tratar se viragem (↑PPD > 10mm em 1 ano); PPD > 5 apenas não indica tto
Profissionais de saúde devem realizar PPD anualmente
o RN de mãe bacilífera ou contactante de bacilífero → QUIMIOPROFILAXIA PRIMÁRIA anti-TB
Não vacinar com BCG ao nascer
Iniciar rifampicina OU isoniazida por 3 meses + PPD após 3 meses
>5mm: infecção → não vacinar + 3m iso OU 1m rifamp (continuar medicação inicial)
<5mm: não há infecção → BCG + suspender R/H
MICOSES PULMONARES
Suspeita de TB com epidemiologia atípica
Toda micose pulmonar tem fase aguda (nada se assemelha a TB) e fase crônica (que simula TB)
Toda micose pulmonar tem um tto para formas leves (azol: geralmente itraconazol) e formas graves (anfo B)
PARACOCCIDIOIDOMICOSE
o P. braziliensis → “blastomicose sulamericana”; “TB rural”: atividades agrárias/zona rural
o Forma aguda (<30 anos): síndrome “monolike” → febre, adenomegalia difusa, hepatoespleno
o Forma crônica (>30 anos): sintomas respiratórios arrastados + lesões cutaneomucosas
Infiltrado pulmonar em asa de morcego (não tem infiltrado em ápice! Ddx TB)
o Diagnóstico: escarro/raspado (micológico)/biópsia → lesões ricas em paracocos
Microscopia: RODA DE LEME
o Tratamento: itraconazol (leve), bactrim (2ª escolha); anfo b (quadros graves)
HISTOPLASMOSE
o H capsulatum → atenção: cavernas, galinheiros (contato com fezes de morcego e de pássaros)
o Forma aguda: síndrome gripal
o Forma crônica: geralmente acomete pulmão doente (DPOC, bronquiectasias)
=TB → sintomas respiratórios arrastados + infiltrado em ápice
Forma disseminada: micronódulos pulmonares difusos (=TB MILIAR)
o Diagnóstico: cultura do escarro, biópsia, sorologia
o Tratamento: itra/vorico (leve), anfo B (grave: insuficiência respiratória)