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Drenagem e Percolação em Solos Saturados

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5.

Drenagem e
Percolação

Capítulo 8 do livro

A água nos solos


Nos solos saturados a água pode estar parada (em
situação estática) ou em movimento (escoamento)

Caso estático
No caso estático, o
nível de água no topo
do piezómetro
coincide com o nível
freático do solo

NF

Solo submerso e
B
saturado

1
Água em movimento
1 - Escoamento provocado por uma escavação que atravessa o nível freático

Sistema de
bombagem instalado
na escavação

2 - Escoamento permanente em barragens


de aterro
3 - Escoamento motivado por um Nível
carregamento (consolidação) freático

Drenagem, permeabilidade e variação


volumétrica
variação de variação de variação de volume de
volume volume de vazios água se solo saturado
Hipótese: Partículas muito rígidas (indeformáveis)

• Solos saturados - u constante


 =   Vs = const V = Vv = Vw

As variações de volume são devidas a percolação da água no solo


A compressão de um solo é como espremer água de uma esponja

2
Importância da velocidade de
aplicação das tensões totais

Há drenagem da água à medida que aumentam as


tensões (carregamento mais lento que a velocidade de
percolação da água)
– Não há variação da pressão intersticial u
– Variação de volume segue a variação da tensão
– Variações da tensão efectiva = variação da tensão
– Carregamento drenado
• Toda a drenagem durante o carregamento
• Estado permanente de pressão da água – u
constante durante todo o carregamento

Importância da velocidade de
aplicação das tensões totais

Não há drenagem da água à medida que aumentam as


tensões (carregamento mais rápido que a velocidade
de percolação da água)
– Não há variação de volume
– Não há variação das tensões efectivas
– Aumento da pressão intersticial = à variação da tensão
– Carregamento não drenado
• Não há drenagem durante o carregamento
• Estado permanente de tensão efectiva
• Não há qualquer variação de volume

3
Taxa de carregamento e drenagem

• Distinção entre carregamento drenado e não


drenado:
– Relação entre as taxas de carregamento e de
percolação
– Não é o valor absoluto da taxa de carregamento
• Velocidade da água no solo
– Dimensão dos vazios (granulometria) – coeficiente
de permeabilidade (k)
– Gradiente hidráulico (i)

Duração do carregamento ou da construção

Acontecimento Duração

Choque (sismo, cravação de estaca) <1s

Onda oceânica 10 s

Escavação de uma vala 104 s ~ 3 horas

Carga de uma pequena fundação 106 s ~ 10 dias

Grande escavação 107 s ~ 3 meses

Barragem de aterro 108 s ~ 3 anos

Erosão natural 109 s ~ 30 anos

4
Coeficiente de permeabilidade
u A = u0 =  w (hw 0 + hw ) h w = hw Gradiente hidráulico

h hw
i= =
s s
Escoamento horizontal h=hw

u B = u0 =  w hw0
u A = u A − u0 =  w hw
Velocidade de Darcy – velocidade aparente admitindo Lei de Darcy
que o escoamento se processa na área total
Velocidade real v*– escoamento
v* =
v v = ki
através dos vazios (n é a porosidade)
n

Coeficiente de permeabilidade
(condutividade hidráulica)
• Lei de Darcy (válida em regime laminar)

v = ki
– v – velocidade
– k - coeficiente de permeabilidade do solo
– i - gradiente hidráulico

• Número de Reynolds R = νd
e
v
– d – valor médio da dimensão das partículas do solo
–  – viscosidade cinemática da água (relação entre a
viscosidade dinâmica e massa volúmica)

• Nos solos, o regime é laminar – 1≤Re≤10


10

5
A permeabilidade de um solo depende de:
•Dimensão, forma e rugosidade das partículas sólidas
•Volume dos vazios
•Viscosidade do fluido intersticial
•Temperatura

Um dado material pode ter anisotropia em relação à


permeabilidade:
ky ky

kx= ky
kx= ky
y

Isotrópico: a Anisotrópico: a x
permeabilidade é igual em permeabilidade é diferente
todas as direcções para as várias direcções

11

Coeficiente de permeabilidade

12

6
Coeficiente de permeabilidade
Dimensão k (m/s)

Cascalho >10-2
Gradiente hidráulico unitário
Em cascalho - 1 m em menos de
Areia 10-2 a 10-5 100 segundos
Em argila – 1 m em 3 anos

Silte 10-5 a 10-8

Argila <10-8

13

Ensaio de carga constante


• Solos com elevada
permeabilidade
• Escoamento em regime
H
permanente
V H
v= i=
At L
L
V H VL
v = ki  =k k =
At L AtH

LAB 2
14

7
Ensaio de carga variável
H H
q = −a = Ak
t L
H Ak
H − = t
H aL
H H t Ak
H − = t
H0 H 0 aL
H 0 Ak aL H 0
ln = tk = ln
H aL At H
• Solos com baixa
permeabilidade
• Determinação gráfica –
gradiente da curva de
ln(H0/H) relativamente a t
15

Escoamento permanente
(não há variação de volume do solo)
Para um escoamento
Lei de Darcy unidimensional:
v=ki
H hAB
i=
L
A

hA
v – velocidade L
(admite-se constante nos solos) hB
k - coeficiente de permeabilidade Linha do B
escoamento=linha de
i – gradiente hidráulico
corrente=trajectória
H=h (se v constante)
Plano de referência (z=0)

16

8
Teorema de Bernoulli
Carga total H:

u v2 v2 Para
H = z+ + = h+ (m) velocidades H h
w 2g 2g muito baixas:

h - Energia Energia
potencial cinética

z- cota do ponto em relação a um plano de referência


u- pressão intersticial
w – peso volúmico da água (10kN/m3) Altura piezométrica:
v – velocidade do escoamento u
hw =
g- aceleração da gravidade (9,8m/s 2) w

17

Conservação da energia
H
Gradiente
hidráulico:
i=
HA=HB+HAB L

Sentido do
uA escoamento: da HAB
h =
A
maior para a
w
w
menor carga
A hidráulica

hAHA hwB =
uB
L w
zA hBHB

B
zB

Plano de referência (z=0)

18

9
Importância do sentido do escoamento

Influência do escoamento na tensão efectiva

19

Hidrodinâmica da percolação.
Equação geral
• Equilíbrio do corpo poroso
• Compatibilidade das deformações
• Interacção entre a água e o esqueleto sólido –
princípio das tensões efectivas
• Conservação de massa da água
• Relação de estado para a água nos poros
• Equilíbrio dinâmico da água dos poros

20

10
Conservação da massa de água

• Volume de água retida ou


libertada é igual à respectiva
variação de volume
Variação do Volume de Água Variação de Volume

  ( wv x )  ( wv y )  ( wv z )     w (dxdydz )S r e 
− + +  dxdydz =  
 x y z  t  1+ e 

   w (dxdydz )S r e  1  S  e 
 =   we r + S r e w + S r  w dxdydz
t  1+ e  1 + e  t t t 

 w
=0 Massa volúmica
t da água constante
   w (dxdydz )S r e  1  de 
S r  =   w dxdydz
=0 Solo permanece t  1+ e  1 + e  dt 
t saturado

21

• Variação da massa volúmica no tempo – equação de estado


– desprezada face à muito baixa compressibilidade da água
 w
=0
t
Muito baixa compressibilidade da água   
w w w
= = =0
x y z
• Solo permanece saturado
Sr
Sr=100% =0
• Variação do volume do solo t

   w (dxdydz )Sr e  1  de 
 =   w dxdydz
t  1+ e  1 + e  dt 

dp' dp − du
 vol = =
K K de  du dp  1 + e
dp − du = − 
 vol =−
de
= dt  dt dt  K 
1+ e K

22

11
Conservação da massa de água

  ( wv x )  ( wv y )  ( wvz )    (dxdydz )Sr e 


− + +  dxdydz =  w 
 x y z  t  1+ e 
Para cada direcção
(água incompressível)

 ( w v x )  v v 1 de 1  du dp 
= vx w +  w x   w x =  − 
x x x x 1 + e dt K   dt dt 

 v v v  1  u p 
−  x + y + z  =  − 
 x y z  K   t t 

23

Conservação da massa de água


 v v v  1  u p 
−  x + y + z  =  − 
 x y z  K   t t 

Equação de Darcy – equação constitutiva

h h h
v x = −k x , v y = −k y , v z = −k z
x y z

 2h  2h  2 h 1  u p 
kx 2 + k y 2 + kz 2 =  − 
x y z K   t t 

Equação hidrodinâmica geral


24

12
Hidrodinâmica da percolação: Equação geral
 2h  2h  2 h 1  u p 
kx + k y 2 + kz 2 =  − 
x 2
y z K   t t 

• Escoamento estacionário – as características do escoamento


não variam com o tempo

 2h  2h  2h
kx + k + k =0
x 2 y 2 z 2
y z

• Meio percolado isótropo do ponto de vista da permeabilidade

kx = k y = kz = k

 2h  2h  2h
+ 2 + 2 = 2h = 0 Equação de Laplace
x 2
y z

25

 2h  2h  2h
Escoamento estacionário kx + k + k =0
x 2 y 2 z 2
y z

• Escoamento estacionário – tensões h


efectivas e volume constantes vx = −k x
x
• Escoamento plano h
v y = −k y kx = k y = kz
y
permeabilidade
v h
v z + z dz vz = −k z isotrópica
z z z

v x v
v dxdz + z dzdx = 0
vx v x + x dx x z
x
vz v x v z
x + =0
x z
Equação de continuidade
26

13
Fluxo irrotacional
• Equação de Laplace + condição irrotacionalidade – definição
da distribuição da velocidade aparente na região plana onde
ocorre percolação
• Escoamento plano

v 
z rotv = 0
 
v z v x
x z = − =0
x vx vz x z

Equação de fluxo irrotacional


27

Função potencial – (x,z)


• Função potencial
 h  h
= v x = −k = v z = −k
x x z z
Equações de Cauchy-Riemann)

• Satisfaz a equação de Laplace


• Integração das equações anteriores
 ( x, z ) = −kh ( x, z ) + constante

• Cada valor da função representa uma curva ao


longo do qual a carga hidraúlica é constante –
curva equipotencial

28

14
Função de corrente – (x,z)
• Função de corrente
 h  h
vz = − = −k vx = = −k
x z z x
• Satisfaz a equação de Laplace
• Diferencial total  
d = dx + dz = −v z dx + v x dz
x z
• Cada valor da função representa uma curva
com d = 0
• Tangente à curva (x,z)= constante =
= direcção da velocidade do escoamento
Linha de corrente AB d = 0  vz = dz = tg
vx dx
29

Redes de Fluxo ou de Percolação


• Constituídas por linhas de corrente (d =0) e linhas
equipotenciais (d=constante).
•  e  são perpendiculares entre si
• Linha de corrente
v z dz
d = 0  =
v x dx
• Linha equipotencial
 
d = dx + dz = v x dx + v z dz
x z
 = constante  d = 0
 dz   dz  v v
v x dx + v z dz = 0 
dz v
=− x   .  = − x . z = −1
dx vz  dx   dx  vz vx

30

15
Redes de Fluxo ou de Percolação
• Escoamento plano irrotacional
e permeabilidade isotrópica –
as funções de corrente e
potencial formam uma rede de
duas famílias de curvas
ortogonais
• Forma da rede – condições de
fronteira
• Caudal através do elemento
delimitado pelas linhas de h
corrente e equipotenciais q = bki = bk
(espessura unitária) s
q
v=
b
31

Rede de fluxo bidimensional H =  = 1 − 7

• Rede quadrada – se db=ds


• Tubos de fluxo – Nf=3
• Caudal total

q = N f q = N f bv = N f bki
Linhas de corrente rectas paralelas –
velocidade de percolação e
gradientes constantes
• equipotenciais igualmente
espaçadas: Número de quedas
equipotenciais -Nd=6 H H
i=− =−
• Relação Nf/Nd depende da geometria s N d s
das fronteiras da rede
N b N
• Pressão da água: q = −k f H = −k f H
u = h w = (H − z ) w N d s Nd
32

16
Exemplos Equipotencial
Equipotencial

• Nível freático
à superfície
• Simetria de
escoamento
• Escoamento confinado – nenhuma linha de corrente
coincide com a superfície freática
• Condições de fronteira
– Fronteiras impermeáveis – linhas de corrente
– Eixo de simetria – linha de corrente
33

• Escoamento não confinado – superfície freática


Equipotencial

Linha de corrente
N d = 10
Nf =2
N d = 10

34

17
Forças de percolação
• Força de percolação por unidade de volume – actua
segundo o sentido do fluxo – natureza volúmica

Fs = −H wb = i wsb


V = sb Fs = i wV

35

• Fluxo vertical e descendente


Aumento da tensão efectiva na direcção do fluxo devido
ao escoamento
• Fluxo vertical e ascendente (Fundo da escavação da vala)
As forças de percolação actuam contra as tensões
devidas ao peso próprio –
Redução das tensões efectivas:
 v =  v − u − i ws =
= s +  w hw −  w (hw + s ) − i ws =
   
=  ws  − 1 − i 
  w  


ic = −1
w

Gradiente hidráulico crítico – o que anula as tensões efectivas

36

18
• Fluxo vertical e ascendente
– Se as forças de percolação anulam as tensões efectivas
– resistência nula – areia movediça (fluxo de água
ascendente sob pressão artesiana)
– Comportamento do terreno como um líquido –
suspensão de partículas sólidas em água

37

Percolação em solos anisótropos do ponto de


vista da permeabilidade
• Permeabilidade horizontal > permeabilidade vertical
• As linhas de corrente e equipotencial não se
intersectam ortogonalmente

kz
H = H k  = k z kh
kh

38

19

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