TEATRO
PORTUGUÊS
PROF. MARCOS
9º ANO
LIVRO: CRIATURA CONTRA CRIADOR
CENA 1
Nicolly
(Antes de entrar em cena, há gritos. Música de suspense. Ensanguentada,
Nicolly entra por trás da plateia, se arrastando, atravessa o teatro, cai no palco
e morre).
Música de suspense com Andressa Oliveira
CENA 2
Geovana
Letícia
Malú
Alice
(As 4 patricinhas entram juntas em cena)
GEOVANA: Uma semana, e ainda não há pistas sobre o que aconteceu com
aquela menina. Ainda acho que ela pode ter caído sozinha, algo assim.
LETÍCIA: É muito pior do que isso. Dona Zuleica disse que pode ter sido um
assassinato.
MALÚ: Aqui? Nessa cidade? Aqui não tem Coca-Cola, quanto mais
assassinato.
LETÍCIA: Assassinato, sim. Acreditem.
ALICE: Vou ficar atenta. Se tiver algo do tipo de novo, tenho que estar
maquiada. Não é toda hora que a gente tem a chance de dar entrevista,
aparecer na TV.
(As 4 vão saindo de cena)
GEOVANA: Nem me fale.
MALÚ: O ideal é nós todas estarmos prontas, unhas feitas, cabelo feito e tudo.
(As 4 saem de cena)
CENA 3
Heitor
(Escritório de Heitor. Ambiente intimista, com escrivaninha bagunçada. Heitor
está sentado, lendo jornal, absorvendo as notícias que acabou de ler)
HEITOR: Tentativa de assassinato... Exatamente como no meu livro... (levanta
e anda de um lado para o outro, pensando) Mas como é possível? (Ele pega
um manuscrito do seu novo livro que está sobre a mesa e começa a folheá-lo,
procurando a passagem relevante).
HEITOR: (em voz alta) “O assassino entra na casa pela porta dos fundos,
descuidadamente entreaberta, e se depara com a jovem vítima”. Exatamente
como escrevi... Há mais de três semanas... Como é possível? (fica pensativo
por um tempo) Talvez seja só coincidência... Ou não. (Heitor pega o telefone e
disca um número) Detetive, vocês precisam ouvir o que tenho a dizer... (sai de
cena)
CENA 4
Nicolly
(A “Monstra” aparece num canto do palco, encarando a plateia)
Música de suspense com Andressa Oliveira
CENA 5
Heitor
Eduardo
Mayne
(Heitor vai à sala de Eduardo, na delegacia. A sala é desorganizada, com
muitos papeis espalhados. Heitor é acompanhado por um policial)
MAYNE: Doutor, o professor Victor está aqui para falar com o senhor.
EDUARDO: (se ajeitando) Opa! Senta aí, doutor. Como sempre, estou aqui
atolado de trabalho.
MAYNE: Vou deixar vocês (sai de cena).
EDUARDO: E então, como posso ajudar o senhor?
HEITOR: Delegado, preciso falar sobre o incidente da semana passada.
EDUARDO: É, estou trabalhando arduamente para solucionar o caso.
HEITOR: Que bom. Eu acho que eu é que posso ajudar. Estou escrevendo um
novo livro de suspense e... escrevi uma cena onde o assassino invade a casa
da vítima, se depara com ela e a mata.
EDUARDO: (se segurando para não rir) Você está dizendo que... (hesita) O
que aconteceu teve inspiração no seu livro... (hesita de novo) que não foi nem
finalizado?
HEITOR: Eu sei que... (interrompido pela gargalhada do delegado. Heitor fica
sem jeito)
EDUARDO: Desculpe... (ainda se segurando para não rir mais)
HEITOR: Delegado, eu posso ter pistas valiosas.
EDUARDO: (se segura para não rir, depois para) Desculpe, você está falando
sério.
(Heitor sai indignado)
CENA 6
Moisés
Heitor
Elysane
(Na saída da delegacia, Heitor se depara com um mendigo)
MOISÉS: Doutor... Tem um trocado pra me dar?
(Heitor mal olha para o mendigo, não responde e sai)
MOISÉS: (fala mais alto) Pelo amor de Deus! (fala baixo) Miserável.
ELYSANE: (Elysane estende a mão e dá um dinheiro ao mendigo) Aproveite,
se alimente.
MOISÉS: Obrigado.
ELYSANE: Podemos conversar um pouco? (Dá mais dinheiro ao mendigo)
Estou precisando de uma certa ajuda. Quem sabe você não me ajuda?
CENA 7
Álefe
Rebeca
Kaio Sérgio
(Jantar na casa de Álefe. Álefe está na cozinha. Heitor, na sala, mexendo no
celular)
ÁLEFE: (sai da cozinha com um prato na mão) Meu filho, o jantar está pronto.
Fiz o que você mais gosta... (Kaio Sérgio não responde) Pierre?
KAIO SÉRGIO: Desculpa, mãe. Estava lendo que Victor está escrevendo um
novo livro.
ÁLEFE: Outro?
KAIO SÉRGIO: Pois é, é meu amigo, mas também não entendo essa
necessidade excessiva pelo sucesso.
ÁLEFE: Ele sabia que você está pensando em começar a escrever também.
De onde eu vim, isso tem outro nome.
(A campainha toca)
KAIO SÉRGIO: Deve ser ele e Juli. (Kaio Sérgio se levanta, mas Álefe toca em
seu ombro)
ÁLEFE: Não se canse, meu filho. Deixe que eu abro... (Álefe abre a porta de
casa)
REBECA: Olá!
ÁLEFE: (bem empolgada) Juli! (as duas se abraçam) Onde está Pierre?
REBECA: Ele não pôde vir. Anda bem estressado com a escrita do novo livro.
ÁLEFE: Entre! Venha!
(Rebeca se senta na mesa com Kaio Sérgio e Rebeca. Eles ficam como cena
de fundo)
CENA 8
Geovana
Letícia
Malú
Alice
Elysane
Música divertida com Andressa Oliveira
GEOVANA: Meninas, vocês viram o que eu vi?
LETÍCIA: Gente, Juli entrou sozinha na casa de Pierre? Minha avó diria: “Isso
lá é coisa de mulher decente?”
MALÚ: (com celular na mão, ajeitando o cabelo e gravando vídeo em selfie) Oi,
meus amores! Tudo bem com vocês? Sei que estou meio sumida, mas voltei
com tudo, porque tenho uma história incrível. Olha só... (as outras olham para
ela. Ela ajeita os cabelos novamente) Uma vizinha acabou de entrar na casa...
(interrompida por Outra)
ALICE: Você está louca, amiga? O que é isso? Não tem nada disso.
MALÚ: Amor, você sabe quantos seguidores dá um caso de traição? (pega de
novo o celular, e de novo é interrompida)
GEOVANA: (Puxa Letícia pelo braço e chama as outras) Vem, amiga! Vamos
tentar ver ou ouvir alguma coisa!
(Todas saem de cena. Elysane atravessa de um lado para o outro, em direção
às meninas)
CENA 9
Victor Hugo
Kaio Lucas
João
Andressa O.
Adria
Mayne
(Policiais conversam na frente da delegacia)
MAYNE: Estou dizendo a vocês, foi o que eu ouvi. O maluco agora veio dizer
que os crimes que estão acontecendo são iguais aos da história que ele está
escrevendo.
VICTOR HUGO: Então... De repente, ele é o assassino.
ANDRESSA O.: Ele não ia ser tão burro assim.
ADRIA: Já vi tanta coisa nessa delegacia, que eu não duvido de mais nada. Se
eu fosse delegada, esse aí já seria o principal suspeito.
TODOS: Será?
JOÃO: Até que faz muito sentido! Veja... (os policiais são interrompidos pelo
grito do delegado)
EDUARDO: (em off) Batalhão! Venham cá!
TODOS: Sim, senhor!
CENA 10
Álefe
Rebeca
Kaio Sérgio
Andressa L.
João
Mayne
(Jantar na casa de Álefe. Kaio Sérgio e Rebeca conversam à mesa)
ÁLEFE: Vamos jantar, meus amores? (Álefe chega na sala e arruma a mesa
para o jantar) Fiz o seu prato preferido, Juli.
REBECA: Obrigada, Dona Pauline. A senhora sempre foi um amor.
ÁLEFE: Gosto muito de você, minha filha. Você sabe. E ver vocês dois juntos é
motivo de muita felicidade pra mim.
KAIO SÉRGIO: (constrangido) Mamãe!
REBECA: Só não posso demorar muito. Tenho que voltar pra casa e ver como
Victor está, ele não está bem.
ÁLEFE: Ele sempre foi um homem muito ocupado, sempre te deu pouca
atenção, né?
KAIO SÉRGIO: (constrangido) Mamãe! (faz sinal para a mãe parar)
ÁLEFE: Não é bem assim. O caso é que... (ela é interrompida por batidas na
porta)
KAIO SÉRGIO: (surpreso) Mas quem será, a essa hora?
ÁLEFE: Eu atendo. (sai parar abrir a porta. O delegado e dois policiais)
ANDRESSA L: Boa noite, senhora. Sou a detetive Michele Bescond. Gostaria
de saber se poderíamos trocar uma palavrinha com a senhora.
ÁLEFE: Claro, meus amores. Entrem.
(Todos entram)
ANDRESA L: Boa noite a todos.
JOÃO E MAYNE: Boa noite.
KAIO SÉRGIO: Boa noite.
REBECA: (nervosa e assustada com a entrada da detetive e dos policiais) Boa
noite! Desculpem, desculpem. Preciso ir para a casa. Já estou indo.
Desculpem. Boa noite. (sai um pouco apressada)
JOÃO: (gritando) Senhora! Cuidado! A essa hora, é perigoso! Senhora!
MAYNE: Que perigo. E com o assassino à solta!
ANDRESSA L: (para Álefe e Kaio Sérgio) Senhores, essa visita é apenas um
procedimento padrão. Estamos passando em todas as casas da vizinhança,
para saber se vocês ouviram algum barulho na noite anterior.
KAIO SÉRGIO: É sobre o tal assassinato que houve na vizinhança?
JOÃO: Não só esse, como outros dois que aconteceram.
KAIO SÉRGIO: Bom, infelizmente não podemos ajudar. Minha mãe tem um
leve grau de surdez. E eu não estava aqui ontem. Cheguei de viagem hoje pela
manhã.
ANDRESSA L: Entendo perfeitamente. Poderia saber onde o senhor estava?
KAIO SÉRGIO: Claro, em São Paulo.
ANDRESSA L: À trabalho? (a delegada faz anotações, à medida que consegue
as respostas. Os policiais vasculham a casa com os olhos)
KAIO SÉRGIO: Fui ser padrinho de um casamento.
ANDRESSA L: Entendo. Meus parabéns... (para os policiais) Bom, acho que
podemos visitar outras casas. Vamos?
JOÃO E MAYNE: Vamos. (Os três agradecem e saem. Álefe e Kaio Sérgio os
acompanham até a porta.
ÁLEFE: Vamos terminar de comer, meu filho.
KAIO SÉRGIO: Vamos.
(Os dois se sentam)
CENA 11
Moisés
Rebeca
Nicolly
(Moisés anda na rua, em busca de comida ou de dinheiro e vê Rebeca
andando apressada de volta para casa. Nicolly a observa)
CENA 12
Geovana
Letícia
Malú
Alice
Elysane
MALÚ: (com celular em mãos, falando um pouco baixo) Meus amores,
precisamos saber o que houve, não é? O que vocês acham de a gente
investigar um pouco mais? Vamos lá?
(Geovana e Alice se aprontam)
LETÍCIA: Espera aí, espera aí. É a minha vez de produzir conteúdo aqui.
(Posiciona o celular na frente, para filmar. Todas começam a dançar. No meio
da música, a “Monstra” as observa de longe e some logo em seguida. Depois
de dançar, elas voltam a conversar)
ALICE: Ai, alguém tem um lenço umedecido aí? Acabei suando um pouquinho.
Não quero que o público pense que tenho a pele oleosa.
MALÚ: Toma, amiga. (Entrega o lenço umedecido para Alice)
GEOVANA: Meninas, precisamos ir. Está tarde, estou com frio. Quanto mais
cedo esse vídeo terminar, mais cedo a gente volta pra casa.
LETÍCIA: Concordo! Vamos?
ALICE, GEOVANA E MALÚ: Vamos!
(As 4 saem de cena. Elysane vai atrás das 4. Em off, as 4 gritam)
CENA 13
Heitor
HEITOR: (andando de um lado para o outro da casa, levemente desesperado,
falando sozinho) Meu Deus, o que é que eu faço? O que eu faço para eles
acreditarem em mim? Eu sei que o que está acontecendo tem a ver com o meu
livro. Eu sei que tem a ver! Mas o que eu faço? Como avisar? Como evitar?
Meu Deus! (espera um pouco) Pensa, Victor! Pensa! (espera) Já sei. Onde
está meu livro? (Kaio Sérgio começa a procurar o livro por toda a casa)
(Batidas fortes na porta. Kaio Sérgio se assusta. Mais batidas fortes na porta)
REBECA: Amor? Sou eu!
HEITOR: Juli?
REBECA: Abre a porta!
(Kaio Sérgio abre a porta. Rebeca entra logo e volta a fechar a porta)
HEITOR: O que houve, meu amor? Tudo bem?
REBECA: (cansada) Eu estava na casa de Pierre e... A polícia chegou... Eu
fiquei muito assustada... Entrei em pânico... Você sabe que eu tenho trauma de
conflitos...
HEITOR: Eu sei, eu sei. Se acalme, está tudo bem. (Os dois se abraçam)
CENA 14
Eduardo
Policiais
EDUARDO: (estirado na cadeira) Pessoal, ontem tivemos mais um caso.
Felizmente, não aconteceu o pior, mas as quatro meninas estão muito
assustadas.
ANDRESSA O: Não conseguimos chegar tão rápido.
VICTOR HUGO: Felizmente, o assassino não conseguiu alcançar as meninas.
JOÃO: Por que as meninas?
EDUARDO: É isso que ainda não sabemos. Precisamos traçar um perfil do
assassino. Como sempre, eu estou cheio de trabalho, não tenho como fazer
isso no momento.
(Os policiais se entreolham)
ANDRESSA L: Pode deixar, vamos trabalhar sobre esse aspecto.
EDUARDO: Que bom. Eu até faria, mas estou realmente muito atarefado.
(Os policiais se entreolham novamente)
ANDRESSA L: Vamos, pessoal. Vamos resolver esse caso. (Todos saem. O
delegado se espreguiça e deita no sofá)
CENA 15
Todos
(Todos no palco. Todos conversam entre si, em seus grupos. Todos andam pelo
palco. Moisés fala para a plateia)
MOISÉS: Eu teria muito a falar. Tenho tanto tempo de rua que já vi coisa que
até Deus duvida. Mas esse tempo também me fez ver que não adianta, que
eles não me veem, que não acreditariam em mim. Seria a palavra de alguém
que vive nas ruas, que pra eles não vale nada. Eu sei quem é o assassino.
(Todos saem de cena)
Música de suspense com Andressa Oliveira
CENA 16
Heitor
Rebeca
HEITOR: Está decidido: amanhã eu vou voltar à delegacia.
REBECA: Eles vão rir de você!
HEITOR: Que riam! Quero ter a minha consciência limpa. Eu tenho certeza do
que está acontecendo, sei que as mortes têm a ver com o que se passa no
meu livro.
REBECA: Victor, ninguém vai acreditar nisso.
HEITOR: Não até eu contar que a próxima morte será a de um policial.
Música de suspense com Andressa Oliveira
(Kaio Sérgio aparece, ouve o que Heitor falou para Rebeca e se assusta)
CENA 17
Heitor
Álefe
(Heitor entra em casa ainda assustado. Álefe fica angustiada)
ÁLEFE: O que foi, meu filho?
(Heitor não responde. Pensativo)
ÁLEFE: Meu filho, pelo amor de Deus, me fala o que aconteceu?
HEITOR: Algo que eu jamais poderia prever, mãe.
ÁLEFE: Conta! Você está me deixando angustiada.
HEITOR: Eu sei quem é o assassino.
ÁLEFE: Descobriu? (Preocupada)
HEITOR: Descobri. E você não vai acreditar.
ÁLEFE: Quem? (Ainda preocupada)
HEITOR: Pierre.
ÁLEFE: Como é?
HEITOR: Isso mesmo. E ouvi ele contar para Juli que a próxima vítima será um
policial.
CENA 18
Heitor
Eduardo
(Cena quase toda muda. Heitor vai à delegacia. Passa por vários policiais, até
chegar ao delegado. Os dois conversam)
Música agitada com Andressa Oliveira
EDUARDO: (levanta) Pode ficar tranquilo, pode contar com a gente. Garanto
que agora mesmo vamos tomar providências.
HEITOR: Obrigado, Sr. Delegado.
EDUARDO: Mayne! (Dá um tempo) Mayne!
MAYNE: Pois não, Doutor.
EDUARDO: Vamos tomar providência sobre esse caso, agora mesmo.
(A cena volta a ficar muda. Heitor se despede e sai. O delegado e a policial
conversam. Mayne acena aos outros policiais, que aparecem. Todos passam a
conversar)
CENA 19
Eduardo
Policiais
Andressa L.
Moisés
(Coletiva de imprensa. Todos ficam atrás de Eduardo. Moisés atrás de todos)
EDUARDO: Senhoras e senhores, anunciamos essa coletiva pela importância
da notícia, pois estamos muito felizes em anunciar que finalmente conseguimos
prender o assassino que estava amedrontando a todos na nossa querida e
pacata cidade.
(Victor Hugo leva Moisés para frente e o coloca do lado de Eduardo. Moisés
com cara de inocente, sem entender muita coisa. Eduardo comemora,
aproveitando a fama do momento)
CENA 20
Geovana
Letícia
Malú
Alice
ALICE: Gente, que alívio voltar a poder andar pela cidade com mais
tranquilidade.
GEOVANA: Está muito mais policiada também.
LETÍCIA: (Tira o celular da bolsa) Pois é, dá pra voltar a gravar e tudo.
MALÚ: (ajeitando o cabelo) Nem me fale, eu já estava em abstinência.
GEOVANA: Que tal uma musiquinha?
(Geovana coloca uma música, e as 4 começam a dançar. No final, Kaio Sérgio
passa correndo por elas)
CENA 21
Kaio Sérgio
Eduardo
Andressa L.
(Kaio Sérgio é levado à sala do delegado. Eduardo e Andressa L. conversam)
KAIO SÉRGIO: Delegado, sinto muito, mas vocês prenderam a pessoa errada.
EDUARDO: Como é, rapaz?
KAIO SÉRGIO: É isso mesmo. Victor é o meu melhor amigo, mas não posso
passar por cima do que eu ouvi.
ANDRESSA L: O que você ouviu?
KAIO SÉRGIO: Que a próxima vítima que ele faria seria um policial.
EDUARDO: Você chegou um pouco atrasado, Barrichello. Ele mesmo esteve
aqui e contou que o assassino estava seguindo o que estava no livro dele e
que a próxima vítima seria um policial. Não será mais, o assassino está preso.
KAIO SÉRGIO: Não é ele, é o Victor!
EDUARDO: (cara de tédio) O caso já está resolvido, Pierre.
ANDRESSA L: Vamos fazer o seguinte: vá pra casa, fique tranquilo, que nós
vamos investigar. Combinado?
KAIO SÉRGIO: Combinado. Só quis ajudar e fazer justiça. (Kaio Sérgio sai)
EDUARDO: (Para Andressa L) Você disse que nós vamos investigar. “Nós”
quem?
(Andressa faz cara de chateada e sai. Eduardo boceja, se espreguiça e senta
com os pés pra cima)
CENA 22
Policiais
A “Monstra”
(Cena quase toda muda. Os policiais conversam. Nicolly olha eles, de longe.
De repente, um deles passa mal. Os outros se desesperam e choram)
Música de suspense com Andressa Oliveira
CENA 23
Heitor
Rebeca
Kaio Sérgio
(Heitor e Rebeca em casa. Com o livro em mãos, Heitor decide ligar para Kaio
Sérgio)
HEITOR: (com o livro em mãos, fala com Rebeca) Você precisa sair daqui. Eu
sou o alvo. No final, o assassino mata o escritor do livro.
REBECA: Eu não vou sair daqui. Não vou sair sem você, Victor!
HEITOR: Eu vou ficar bem. (Procurando o celular) Vou ligar para Pierre e pedir
para ele vir e ficar comigo. Ele vai me ajudar.
REBECA: Eu vou te ajudar!
HEITOR: Juli, entenda! Você precisa sair de casa. Você precisa fugir daqui. Já
não basta tudo isso? (Disca o número de Kaio Sérgio e espera)
KAIO SÉRGIO: (em off) Alô?
HEITOR: (um pouco afobado) Pierre, irmão, por favor, largue o que você
estiver fazendo e venha para cá. Preciso muito da sua ajuda!
KAIO SÉRGIO: (em off) O que houve? Por que toda essa urgência?
HEITOR: (Respira fundo e pausa) Eu devo ser a próxima vítima.
KAIO SÉRGIO: (em off) Do que você está falando?
HEITOR: Dos assassinatos que estão acontecendo. No livro, o escritor é o
último a morrer.
KAIO SÉRGIO: (em off) Vamos dar um jeito nisso. Vou pensar em como ir aí,
porque não posso deixar minha mãe sozinha.
HEITOR: Traga ela. Mas venha logo. Urgentemente, por favor!
KAIO SÉRGIO: (em off) Estamos indo, meu amigo.
(Som de telefone desligado)
CENA 24
Heitor
Kaio Sérgio
Rebeca
Álefe
Policiais
Eduardo
Andressa L.
(Heitor anda de um lado para o outro)
HEITOR: (Olhando no relógio) 20 minutos. Onde está Pierre?
(Batidas fortes na porta. Heitor corre para atender)
HEITOR: (Abre a porta) Entrem! Rápido! Entrem! (Kaio Sérgio e Álefe entram)
KAIO SÉRGIO: Como você está, meu amigo?
HEITOR: Angustiado. Não quero morrer.
KAIO SÉRGIO: Fique calmo. Você não vai morrer. Estamos juntos nessa.
REBECA: Nem me fale um negócio desses, Victor. (Com a mão no coração) Só
de ouvir isso, meu coração já começa a bater mais forte, de tanto medo.
KAIO SÉRGIO: Está tudo bem, Juli?
REBECA: Espero que fique tudo bem.
ÁLEFE: Como eu posso ajudar? Eu trouxe um pedacinho de bolo. Que tal um
cafezinho? Eu posso fazer.
KAIO SÉRGIO: Mãe, isso são horas? Por favor!
HEITOR: (para Kaio Sérgio) Deixe ela, ela só quer ajudar. (Para Álefe)
Obrigado, Dona Pauline. Acho que estou mesmo com a barriga vazia. E
adoraria um cafezinho também.
ÁLEFE: Que bom, meu filho! Vou trazer um cafezinho pra todo mundo. (sai de
cena)
(Os três conversam sem voz e com muitos gestos. Álefe volta, segurando uma
bandeja com um bolo e três canecas)
Música de suspense com Andressa Oliveira
ÁLEFE: Aqui está, meus filhos. Um para cada.
(Cada um segura uma caneca e agradece. Só Kaio Sérgio bebe. Rebeca e
Heitor chegam perto de bebê, mas param para falar)
HEITOR: Não consigo me acalmar. Tá difícil.
REBECA: Imagine eu. Já estou super nervosa. Meu coração está muito
acelerado.
KAIO SÉRGIO: Fique calma. O que precisamos agora é união.
(Os dois deixam as canecas em cima da mesa e se abraçam. Na volta, por
engano, Rebeca bebe da caneca de Heitor)
HEITOR: Se algo acontecer comigo, por favor, cuidem da Juli.
KAIO SÉRGIO: Nada vai acontecer.
(Batidas na porta. Heitor vai abrir. Rebeca passa mal, cai e é socorrida por
Álefe e Kaio Sérgio)
(Cena muda. Os policiais e a delegada entram. Todos gestualizam bastante,
até que os policiais prendem Heitor, que se debate)
Música impactante com Andressa Oliveira
CENA 25
Eduardo
Andressa L.
Policiais
(Coletiva de imprensa. Todos ficam atrás de Eduardo)
EDUARDO: Senhoras e senhores, anunciamos essa coletiva pela importância
da notícia, pois estamos muito felizes em anunciar que finalmente conseguimos
prender o assassino que estava amedrontando a todos na nossa querida e
pacata cidade.
(Ele sai de cena. Nicolly observa ao fundo. As cortinas se fecham)