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Jurisprudência sobre Demissão e Arbitragem

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Jurisprudência sobre Demissão e Arbitragem

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Número 784 Brasília, 29 de agosto de 2023.

Este periódico destaca teses jurisprudenciais e não consiste em repositório oficial de jurisprudência.

SÚMULAS

SÚMULA N. 657

Atendidos os requisitos de segurada especial no RGPS e do período de carência, a


indígena menor de 16 anos faz jus ao salário-maternidade. (Primeira Seção.
Aprovada em 23/8/2023).

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 1/37
PRIMEIRA SEÇÃO

PROCESSO MS 22.750-DF, Rel. Ministra Regina Helena Costa,


Primeira Seção, por unanimidade, julgado em 9/8/2023,
DJe 15/8/2023.

RAMO DO DIREITO DIREITO ADMINISTRATIVO

TEMA Processo administrativo disciplinar. Pena de demissão.


Intimação do servidor público após o relatório final. Falta
de previsão legal. Ofensa aos princípios da ampla defesa,
do contraditório e do devido processo legal. Não
ocorrência.

DESTAQUE

A falta de intimação do servidor público, após a apresentação do relatório final pela


comissão processante, em processo administrativo disciplinar, não configura ofensa às garantias do
contraditório e da ampla defesa, ante a ausência de previsão legal.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR

O Impetrante alega violação aos princípios do contraditório e da ampla defesa, em razão


de, entre outros, não haver intimação dos novos causídicos acerca dos atos posteriores à juntada do
substabelecimento, especialmente quando da apresentação do relatório final.

Acerca do aludido cerceamento de defesa, o Supremo Tribunal Federal assentou


orientação no sentido de que, ante a ausência de previsão legal, a falta de intimação do servidor
público, após a apresentação do relatório final pela comissão processante, em processo
administrativo disciplinar, não configura ofensa às garantias do contraditório e da ampla defesa,
como espelha o seguinte julgado:

"DIREITO CONSTITUCIONAL E ADMINISTRATIVO. RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO


DE SEGURANÇA. ATO DO MINSTRO DA FAZENDA. DEMISSÃO DE SERVIDOR PÚBLICO POR ATO DE

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 2/37
IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. AUSÊNCIA DE VÍCIOS NO PROCESSO ADMINISTRATIVO
DISCIPLINAR. NEGATIVA DE PROVIMENTO DO RECURSO. [...] 2. Inexiste previsão na Lei n.
8.112/1990 de intimação do acusado após a elaboração do relatório final da comissão processante,
sendo necessária a demonstração do prejuízo causado pela falta de intimação, o que não ocorreu no
presente caso. [...]" (RMS n. 28.774, Relator(a): Ministro MARCO AURÉLIO, Relator(a) para acórdão:
Ministro Roberto Barroso, Primeira Turma, julgado em 22/9/2015, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-
180 DIVULG 24/8/2016 PUBLIC 25/8/2016).

Destaca-se, ainda, julgado desta Corte Superior:

"ADMINISTRATIVO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ORDINÁRIO. SERVIDOR PÚBLICO


ESTADUAL. DEMISSÃO. PROCESSO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR. OFENSA AOS PRINCÍPIOS DA
AMPLA DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INEXISTÊNCIA. [...] 2. Inexistindo previsão legal expressa
em sentido contrário, a ausência de intimação do indiciado, acerca do relatório final da comissão
processante, não importa em ofensa aos princípios da ampla defesa e do contraditório. Nesse
sentido, mutatis mutandis: MS n. 20.549/DF, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Seção, DJe
29/11/2016; MS n. 19.104/DF, Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Seção, DJe
1/12/2016. 3. Agravo interno não provido" (AgInt no RMS n. 45.478/MT, Rel. Ministro Benedito
Gonçalves, Primeira Turma, DJe 16/11/2017).

SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 523

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 3/37
SEGUNDA SEÇÃO

PROCESSO EREsp 1.636.889-MG, Rel. Ministra Nancy Andrighi,


Segunda Seção, por unanimidade, julgado em 9/8/2023,
DJe 14/8/2023.

RAMO DO DIREITO DIREITO CIVIL, DIREITO DO CONSUMIDOR

TEMA Ação cominatória para entrega de imóvel. Convenção de


arbitragem. Limites e exceções. Contratos de consumo.
Imposição da arbitragem. Impossibilidade.

DESTAQUE

Com o ajuizamento, pelo consumidor, de ação perante o Poder Judiciário, presume-se a


discordância dele em submeter-se ao juízo arbitral, sendo nula a cláusula de contrato de consumo
que determina a utilização compulsória da arbitragem.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR

Conforme consignado pela Terceira Turma no REsp 1.785.783/GO, apontado como


paradigma, "com a promulgação da Lei de Arbitragem, passaram a conviver, em harmonia, três
regramentos de diferentes graus de especificidade: (i) a regra geral, que obriga a observância da
arbitragem quando pactuada pelas partes; (ii) a regra específica, aplicável a contratos de adesão
genéricos, que restringe a eficácia da cláusula compromissória; e (iii) a regra ainda mais específica,
incidente sobre contratos sujeitos ao Código de Defesa do Consumidor, sejam eles de adesão ou não,
impondo a nulidade de cláusula que determine a utilização compulsória da arbitragem, ainda que
satisfeitos os requisitos do art. 4º, § 2º, da Lei n. 9.307/1996" (REsp 1.785.783/GO, Terceira Turma,

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 4/37
julgado em 5/11/2019, DJe 7/11/2019).

Na mesma oportunidade, definiu-se, ainda, que o ajuizamento, pelo consumidor, de ação


perante o Poder Judiciário caracteriza a sua discordância em submeter-se ao juízo arbitral, não
podendo prevalecer a cláusula que impõe a sua utilização.

No âmbito desta Corte Superior, o referido entendimento consolidou-se em ambas as


Turmas que compõem a Segunda Seção.

Nesse sentido, "Não há incompatibilidade entre os arts. 51, VII, do CDC e 4º, § 2º, da Lei n.
9.307/1996. Visando conciliar os normativos e garantir a maior proteção ao consumidor é que
entende-se que a cláusula compromissória só virá a ter eficácia caso este aderente venha a tomar a
iniciativa de instituir a arbitragem, ou concorde, expressamente, com a sua instituição, não havendo,
por conseguinte, falar em compulsoriedade. Ademais, há situações em que, apesar de se tratar de
consumidor, não há vulnerabilidade da parte a justificar sua proteção" (REsp 1.189.050/SP, relator
Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, julgado em 1º/3/2016, DJe 14/3/2016.)

Com efeito, ofenderia o sistema erigido para a proteção e defesa do consumidor, e


tampouco seria razoável exigir do sujeito vulnerável que recorresse ao juízo arbitral tão somente
para ver declarada a nulidade de cláusula compromissória que lhe impõe a utilização compulsória
da arbitragem.

Impor tal ônus ao consumidor, do ponto de vista pragmático, seria o mesmo que, por vias
oblíquas, lhe impor a adoção compulsória da arbitragem, fazendo letra morta tanto do art. 51, VII, do
CDC, quanto da jurisprudência sedimentada nesta Corte Superior.

Desse modo, conclui-se que: a) é nula a cláusula de contrato de consumo que determina a
utilização compulsória da arbitragem; e b) o ajuizamento, pelo consumidor, de ação perante o Poder
Judiciário caracteriza a sua discordância em submeter-se ao juízo arbitral, não podendo prevalecer a
cláusula que impõe a sua utilização.

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 5/37
INFORMAÇÕES ADICIONAIS

LEGISLAÇÃO

Código de Defesa do Consumidor (CDC), art. 51, VII


Lei n. 9.307/1996, art. 4º, § 2º

SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 508

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 6/37
TERCEIRA SEÇÃO

PROCESSO Rcl 45.054-MG, Rel. Ministro Reynaldo Soares Da


Fonseca, Terceira Seção, por unanimidade, julgado em
9/8/2023, DJe 17/8/2023.

RAMO DO DIREITO DIREITO PROCESSUAL PENAL, EXECUÇÃO PENAL

TEMA Revisão das condições de cumprimento de pena no


regime aberto pelo juízo executório. Determinação de
fundamentação das condições especiais.
Individualização. Reedição de uma condição especial -
relativa à proibição de ingestão de bebidas alcoólicas -
sem amparo em fundamentação atrelada à situação
individual do reeducando.

DESTAQUE

A proibição genérica de consumo de álcool imposta como condição especial ao apenado,


com o argumento geral de preservar a saúde mental do condenado ou prevenir futuros crimes, deve
vincular a necessidade da regra às circunstâncias específicas do crime pelo qual o condenado foi
sentenciado.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR

A criação de regra que destoe das condições gerais e obrigatórias previstas nos incisos do
art. 115 da LEP pressupõe, necessariamente, que a imposição esteja acompanhada de
fundamentação que justifique adequadamente a adequação da restrição imposta ao executado à sua
situação concreta.

A condição especial que veda ao apenado ingerir bebidas alcoólicas de qualquer espécie,
com base na justificativa genérica de que a proibição visaria à manutenção da saúde mental do

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 7/37
reeducando ou à prevenção do cometimento de novo delito, não atende ao comando da decisão
emanada desta Corte (HC 751.948/MG).

Ademais, não se nega que o apenado não deve ingerir álcool durante o trabalho ou antes
de conduzir veículo automotor, neste último caso, sob pena de incorrer no delito descrito no art. 306
do Código de Trânsito Brasileiro. No entanto, não parece, a princípio, irrazoável que o executado,
estando dentro de sua residência, no período noturno ou em dias de folga, venha a ingerir algum
tipo de bebida alcóolica (como uma cerveja, por exemplo), cujo consumo não é vedado no
ordenamento jurídico brasileiro. Aconselhando-se, por óbvio, a moderação, tendo em conta os
conhecidos efeitos deletérios do excesso de consumo de álcool para a saúde.

Assim, na hipótese, verifica-se a ausência de vinculação da regra imposta às circunstâncias


concretas relacionadas aos delitos pelos quais o executado cumpre pena, e/ou ao comportamento
do reeducando no curso da execução penal, ou até mesmo a problemas de saúde específicos de que
sabidamente padeça e que justifiquem a contraindicação da ingestão de bebidas alcoólicas.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS

LEGISLAÇÃO

Lei n. 7.210/1984 (Lei de Execuções Penais), art. 115

SAIBA MAIS
Legislação Aplicada / LEI 7.210/1984 (LEP) - Lei de Execução Penal.

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 8/37
PRIMEIRA TURMA

PROCESSO REsp 2.005.114-RS, Rel. Ministro Benedito Gonçalves,


Primeira Turma, por unanimidade, julgado em
22/8/2023.

RAMO DO DIREITO DIREITO ADMINISTRATIVO

TEMA Servidora pública estadual. Exoneração a pedido. Vício de


consentimento na manifestação da vontade atestado por
perícia judicial. Comprovação. Reintegração determinada
pela Corte local. Pretensão de recebimento de
indenização pelo período de afastamento.
Enriquecimento sem causa. Ausência de prestação de
serviço. Impossibilidade. Peculiaridades do caso
concreto.

DESTAQUE

Servidora pública que pede exoneração e fica inerte por mais de 3 anos até ingressar com
ação judicial requerendo declaração de nulidade do ato administrativo e a consequente reintegração
ao cargo, não tem direito à indenização de valores retroativos à exoneração, por configurar
enriquecimento sem causa.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR

A controvérsia limita-se à discussão quanto ao pagamento dos valores retroativos a


reintegração de servidora que pediu exoneração e depois de 3 anos ingressou com ação judicial
requerendo a declaração de nulidade do ato administrativo de exoneração, com a consequente
reintegração ao cargo público e a condenação da Administração no recebimento dos vencimentos e
direitos correspondentes desde a data da exoneração.

Quanto ao ponto, não se desconhece a existência de jurisprudência dessa Corte no sentido


de que o servidor público que for reintegrado ao cargo, em virtude de declaração judicial de
nulidade do ato de demissão, tem como consequência lógica a recomposição integral dos seus

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 9/37
direitos, com o pagamento dos vencimentos e vantagens que lhe seriam pagos durante o período em
que esteve indevidamente desligado. Contudo, o caso em análise comporta peculiaridades que o
distinguem desse entendimento.

Com efeito, após a exoneração, a recorrida permaneceu inerte por quase 3 anos sem
questionar o ato na seara administrativa ou judicial, tendo, inclusive, conforme comprovado pelo
Estado recorrente, desenvolvido atividades na esfera privada durante alguns períodos deste
interregno.

Outrossim, somente com a perícia judicial realizada nos autos, houve o reconhecimento de
que no momento do pedido de exoneração a recorrida encontrava-se privada momentaneamente de
capacidade, o que ampara a boa-fé da Administração Pública naquele momento em que aceitou o
pedido de exoneração de ofício, em respeito à legalidade administrativa.

Portanto, a pretensão, após esse longo período que ultrapassa 20 anos, de receber todas as
vantagens que lhe seriam devidas caso não tivesse sido exonerada, sem a devida contraprestação,
caracteriza inequívoco enriquecimento sem causa por parte da servidora pública.

Efetivamente, o direito a reintegração ao cargo já determinado pela Corte local, não deve
acompanhar indenização correspondente aos vencimentos pelo tempo não trabalhado, ante as
peculiaridades do caso concreto.

SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 722

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 10/37
PROCESSO REsp 1.856.024-SC, Rel. Ministro Gurgel de Faria,
Primeira Turma, por unanimidade, julgado em
22/8/2023.

RAMO DO DIREITO DIREITO ADMINISTRATIVO

TEMA Loteamento. Espaços livres. Decreto-Lei n. 58/1937.


Transferência automática ao domínio público.
Observância.

DESTAQUE

O registro do loteamento implica perda da posse e do domínio do espaço livre, com


transferência irreversível para o Poder Público.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR

A controvérsia consiste em saber qual a interpretação que deve ser conferida à norma do
art. 3º do Decreto-Lei n. 58/1937, redigida com o seguinte texto: "A inscrição torna inalienáveis, por
qualquer título, as vias de comunicação e os espaços livres constantes do memorial e da planta."

De um lado, os particulares aduzem que a expressão "inalienável" não implica dizer que a
área referida no comando normativo teria integrado o domínio público, ou seja, não transfere o bem
para a municipalidade. De outra banda, a Fazenda Pública defende que inalienabilidade mencionada
no dispositivo legal transfere automaticamente para o Poder Público a área.

A melhor interpretação do art. 3º do Decreto-Lei n. 58/1937 e dos arts. 65, 66 e 69 do


CC/1916 conduz ao entendimento de que o registro do loteamento implica perda da posse e do
domínio do espaço livre, com transferência irreversível para o Poder Público (REsp n.
1.230.323/GO, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 23/2/2016, DJe
18/12/2018.)

A jurisprudência do STF, à época, era no sentido de que a transferência das áreas


reservadas ao domínio público operava-se pleno juris (RE n. 89.252, Rel. Ministro Thompson

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 11/37
Flores).

INFORMAÇÕES ADICIONAIS

LEGISLAÇÃO

Código Civil (CC/1916), arts. 65, 66 e 69


Decreto-Lei n. 58/1937, art. 3º

SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 678

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 12/37
SEGUNDA TURMA

PROCESSO REsp 1.887.012-RJ, Rel. Ministro Francisco Falcão,


Segunda Turma, por unanimidade, julgado em
15/8/2023, DJe 18/8/2023.

RAMO DO DIREITO DIREITO TRIBUTÁRIO

TEMA Execução fiscal. Carta de fiança bancária. Substituição


por seguro garantia. Acréscimo de 30% sobre o valor do
débito. Desnecessidade.

DESTAQUE

A substituição de carta de fiança bancária por seguro garantia em execução fiscal não
necessita de acréscimo de 30% sobre o valor do débito.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR

O art. 656, § 2º, do CPC/1973 disciplina a questão relativa à necessidade de acréscimo


financeiro (30%) ao valor do débito executado quando for requerida a substituição da penhora em
dinheiro por carta de fiança ou seguro garantia judicial.

Com efeito, mediante o simples confronto analítico entre o mencionado dispositivo legal e
a situação fática dos autos, atestada pelo Tribunal de origem, percebe-se que o comando normativo,
contido no art. 656, § 2º, do CPC/1973, não é suficiente para alterar o entendimento firmado pelo
Juízo a quo, tendo em vista que disciplina a substituição da penhora em dinheiro por carta de fiança
ou seguro garantia, questão jurídica diversa da tratada no presente recurso especial, referente à
possibilidade de substituição da carta de fiança bancária originalmente apresentada por seguro
garantia judicial.

Ademais, a própria Lei de Execuções Fiscais (Lei n. 6.830/1980) em seu art. 9º, II,
equiparou o oferecimento da fiança bancária à apresentação inicial de seguro garantia e, no § 3º do
mesmo dispositivo, prescreveu que a garantia do feito executivo pode ser uniformemente alcançada

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 13/37
por meio do depósito em dinheiro, da fiança bancária, do seguro garantia e da penhora.

Por fim, a Portaria n. 440/2016, editada pela Advocacia-Geral da União para regulamentar
as condições de aceitação da fiança bancária e de seguro garantia pela Procuradoria-Geral Federal,
em seu art. 2º, § 3º, expressamente prescreveu que é indevida a exigência de acréscimo percentual
ao valor do débito para o oferecimento de ambas as garantias, ao passo em que o art. 3º, § 1º, da
mencionada norma infralegal possibilitou a substituição recíproca entre o seguro garantia e a carta
de fiança bancária.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS

LEGISLAÇÃO

Código de Processo Civil (CPC) de 1973, art. 656, § 2º


Lei de Execuções Fiscais, art. 9º, II, § 3º
Portar ia n. 440/2016, arts. 2º, § 3º, e 3º, § 1º

SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 773

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 14/37
TERCEIRA TURMA

PROCESSO REsp 2.055.135-SP, Rel. Ministro Moura Ribeiro, Terceira


Turma, por unanimidade, julgado em 8/8/2023, DJe
14/8/2023.

RAMO DO DIREITO DIREITO EMPRESARIAL

TEMA Contrato de concessão comercial de veículos


automotores de via terrestre. Lei Ferrari. Indenizações
devidas ao concessionário. Edifício erigido pelo
concessionário em imóvel alugado de propriedade de
terceiro. Bem que serviu à concessão. Estratégia
comercial arrojada eleita pelo concessionário e cujo risco
deve ser suportado por ele.

DESTAQUE

Na hipótese de não renovação de contrato de concessão comercial de veículos, o prédio


construído em terreno alheio, em razão da concessão, não se insere no conceito de "instalações", a
justificar o respectivo ressarcimento pela concedente à concessionária.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR

A questão central diz respeito à indenização devida pela empresa concedente em favor da
concessionária de veículos automotores, na hipótese de não renovação de contrato celebrado por
tempo determinado. De forma mais específica importa saber se ela deve ser ressarcida pelas
despesas havidas para edificar, em terreno alheio, o prédio que lhe serviu de domicílio.

A Concessão Comercial tratada pela Lei Ferrari impõe aos distribuidores diversas
obrigações, tais como a aquisição de quotas mínimas de produtos, a compra e manutenção em
estoque de bens e peças de reposição, o fornecimento de assistência técnica e garantia aos
adquirentes etc.

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 15/37
Esses distribuidores são obrigados a atender rígidos padrões determinados pelo
concedente, que envolvem treinamento regular de pessoal, especificações de arquitetura,
mobiliário, layout da loja, número de funcionários, adoção de sistemas específicos de contabilidade,
envio de minuciosos relatórios, balancetes e informações detalhadas acerca das operações, o
mercado e dados pessoais dos clientes, até a permissão para que a montadora examine, audite e
copie todos os registros, contratos, contas, livros contábeis e documentos pertinentes às vendas e
serviços realizados.

Todas essas obrigações demandam, como é cediço, muito trabalho e capital, de modo que
a Lei Ferrari, para assegurar a recuperação do investimento realizado pelo concessionário, lhe
garantiu diversos direitos, como o de vender os produtos com exclusividade em sua área de atuação
ou, pelo menos, de não ser prejudicado pela outorga de uma nova concessão na mesma área
territorial; a prerrogativa de usar gratuitamente a marca do concedente, de receber uma cota
mínima de veículos para revenda, de não concorrer com vendas diretas da própria montadora, etc.

Entre as medidas protetivas mencionadas em lei ainda se inclui uma disciplina bastante
minudente acerca da indenização cabível em caso de rompimento imotivado (arts. 21, 24 e 26) ou
de não renovação contratual (art. 23).

Especificamente para as hipóteses de não renovação do contrato estipulado por prazo


determinado, o art. 23 da Lei Ferrari estabelece que a empresa concedente ficará obrigada a
comprar/indenizar os elementos essenciais do estabelecimento do concessionário, isto é, deverá
readquirir o estoque de veículos e componentes novos, bem como equipamentos, máquinas,
ferramental e instalações empregadas na concessão.

Esses mecanismos protetivos, no entanto, visam apenas reequilibrar, tanto quanto


possível, a disparidade econômica que existe entre montadoras e concessionárias. Nenhuma dessas
proteções legais pode significar o afastamento definitivo do risco empresarial intrínseco à atividade
explorada pelo concessionário.

Nessa modalidade contratual, vale repisar, o concessionário adquire os veículos do


fabricante, por sua conta e risco, revendendo-os com exclusividade numa determinada área
geográfica, pelo melhor preço que conseguir (art. 13).

Em síntese, deve-se concluir que o art. 23, II, da Lei n. 6.729/1979, excluiu da indenização
devida ao concessionário em caso de não renovação do contrato todos os imóveis que serviram à
concessão.

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 16/37
INFORMAÇÕES ADICIONAIS

LEGISLAÇÃO

Lei n. 6.729/1979, art. 23, II

PROCESSO REsp 1.874.635-RJ, Rel. Ministro Marco Aurélio Bellizze,


Terceira Turma, por maioria, julgado em 8/8/2023, DJe
15/8/2023.

RAMO DO DIREITO DIREITO MARCÁRIO

TEMA Marca. Concorrência desleal. Aproveitamento parasitário.


Não configuração. Nome de empreendimento imobiliário.
Proteção à marca.

DESTAQUE

A proteção da marca, seja ela de alto renome ou não, busca evitar a confusão ou a
associação de uma marca registrada a uma outra, sendo imprescindível que, para que exista a
violação ao direito marcário, haja confusão no público consumidor ou associação errônea em
prejuízo do seu titular.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR

A marca Vogue, a despeito de ser famosa, não se encontrava entre as marcas de alto
renome no Brasil e, portanto, não se beneficia da proteção daí decorrente, mormente quanto à
exceção ao princípio da especialidade.

Contudo, as recorrentes informam a existência de fato novo, qual seja, a decisão

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 17/37
administrativa proferida pelo INPI reconhecendo formalmente a marca Vogue como de alto renome,
estendendo a proteção de sua marca a todos os ramos de atividade.

Esse fato, contudo, não tem o condão de interferir no julgamento do presente caso, pois,
consoante já decidido pela Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça, mesmo que o princípio
da especialidade não se aplique às marcas de alto renome, a proteção legal não abrange nomes de
edifícios e empreendimentos imobiliários, pois não gozam de exclusividade.

Como bem destacado no voto proferido pelo Ministro Moura Ribeiro, no REsp
1.804.960/SP, é comum que os aludidos bens recebam idêntica denominação e, por isso, proliferem
as homonímias sem que um condomínio possa impedir o outro de receber idêntica denominação, de
forma que seus nomes, na verdade, não qualificam produtos ou serviços, apenas conferem uma
denominação para individualização do bem.

Assim, a proteção à marca, principalmente a individualização de um produto e serviço


para exploração de determinada atividade econômica, não se estende à denominação atribuída a um
bem para identificar objetos singulares, sem nenhuma criatividade ou capacidade inventiva.

Diante disso, vê-se que o empreendimento imobiliário Vogue Square é constituído por
escritórios, lojas, hotel, academia e centro de convenções, de modo que não se vislumbra a
possibilidade de indução dos consumidores ao erro, da caracterização de concorrência parasitária
ou do ofuscamento da marca da autora, tratando-se apenas da individualização de um
empreendimento imobiliário.

Saliente-se que os estabelecimentos ali situados conservam seus nomes originais, sem
nenhuma vinculação de produtos ou serviços à marca Vogue, havendo, na verdade, uma busca pela
clientela de cada um dos comerciantes ali situados de acordo com suas próprias expertises, sem
nenhuma associação à referida marca, ou seja, os frequentadores do empreendimento lá não vão
com o objetivo de consumir nenhum produto ou serviço relacionado à Vogue, mas, sim, aqueles
prestados separadamente por cada um dos fornecedores que ali se encontram, com suas
particularidades, marcas próprias e segmentos específicos.

A diluição da referida marca decorre do uso de sinal distintivo por terceiros fora do campo
de especialidade de determinadas marcas de grande relevância ou famosas (mas que não foram
reconhecidas como de alto renome pelo INPI), de maneira que seu valor informacional deixa de ser
suficientemente significativo, tornando o signo cada vez menos exclusivo.

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 18/37
INFORMAÇÕES ADICIONAIS

LEGISLAÇÃO

Lei de Propriedade Industrial, art. 125

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 19/37
QUARTA TURMA

PROCESSO REsp 1.898.812-SP, Rel. Ministra Maria Isabel Gallotti,


Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 15/8/2023.

RAMO DO DIREITO DIREITO DO CONSUMIDOR

TEMA Saques irregulares em conta corrente. Transações


realizadas com uso de cartão com chip e senha pessoal
do correntista. Responsabilidade da instituição
financeira afastada.

DESTAQUE

Não se pode responsabilizar instituição financeira em caso de transações realizadas


mediante a apresentação de cartão físico com chip e a senha pessoal do correntista, sem indícios de
fraude.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR

As Turmas de Direito Privado do STJ têm decidido que cabe ao correntista, em caso de
eventuais saques irregulares na conta, feitos com o cartão e a senha cadastrada pelo consumidor, a
prova de que o banco agiu com negligência, imperícia ou imprudência na entrega do dinheiro.

Para o STJ, basta à instituição financeira comprovar que o saque foi feito com o cartão do
cliente e a respectiva senha, não tendo que demonstrar que foi ele pessoalmente que efetuou a
retirada.

Ressalta-se que, ainda que comprovado que não foi o autor, nem outra pessoa por ele
autorizada, que realizou os saques, ainda assim, ressalvada a excepcionalidade de saques atípicos,
não poderia a instituição financeira ser responsabilizada.

Ao se tornar cliente de qualquer banco, o correntista assume inteira responsabilidade por


sua senha e pelo cartão magnético. Portanto, cabe ao autor, como correntista, o devido zelo por seu

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 20/37
cartão e senha bancária de modo a impedir que terceiros tenham, de alguma forma, acesso a este.

No caso não houve retiradas frequentes e repetitivas da conta do autor em diferentes


caixas eletrônicos, com valores significativos em relação ao saldo, o que poderia indicar um possível
golpe ou clonagem do cartão, situação em que a instituição financeira teria a obrigação de tomar
medidas para evitar a continuação da fraude. Se não o fizesse, isso implicaria uma falha no serviço.

Desse modo, na situação analisada, não é possível responsabilizar o banco por saques
realizados ao longo de quatro meses na mesma agência bancária, usando o cartão físico com chip do
autor e sua senha pessoal.

SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 225

PROCESSO AgInt no RMS 69.967-PR, Rel. Ministro Raul Araújo,


Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 16/5/2023,
DJe 23/5/2023.

RAMO DO DIREITO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

TEMA Produção antecipada de prova. Decisão irrecorrível (art.


382, § 4º, do CPC). Comparecimento do perito em
audiência. Formulação de quesitos (art. 477, § 3º, do
CPC). Concessão de prazo. Inexistência de previsão legal.
Ausência de manifesta ilegalidade ou teratologia.

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 21/37
DESTAQUE

A concessão da segurança em relação à impetração do mandamus contra decisão em


procedimento de produção antecipada de provas requer a apreciação da eventual teratologia, da
manifesta ilegalidade ou do abuso de poder no ato judicial atacado.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR

No caso, requereu-se a intimação do perito para prestar esclarecimentos acerca de laudo


pericial sem apresentar, na ocasião, os quesitos a serem respondidos, conforme determina o art.
477, § 3º, do CPC/2015.

Antes do decurso do prazo estabelecido, a recorrente apresentou 6 quesitos. Todavia, um


dia antes da data designada para a nova audiência, apresentou 36 quesitos adicionais. Diante disso,
no mesmo dia, o perito requereu a prorrogação do prazo para a análise desses novos quesitos,
ocasião na qual o magistrado a quo reconheceu a intempestividade de todos os quesitos
apresentados em ambas as manifestações da agravante, mantendo, contudo, a realização da
audiência na data aprazada.

Durante a realização da audiência, entretanto, o magistrado reconsiderou a decisão


anterior e reputou tempestivos os primeiros 6 quesitos apresentados, ocasião na qual a ora
agravante requereu a reabertura do prazo para apresentação de quesitos, pedido que foi
imediatamente rejeitado.

Em que pese a jurisprudência do STJ reconheça ser cabível a impetração de mandado de


segurança contra decisão proferida em procedimento de produção antecipada de provas, contra a
qual não cabe recurso, nos termos do art. 382, § 4º, do CPC/2015, tal circunstância, por si só, não
enseja a concessão da segurança, devendo ser apreciada a eventual teratologia, a manifesta
ilegalidade ou o abuso de poder no ato judicial atacado (AgInt no RMS 63.075/SP, Relator Ministro
Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 23/11/2020, DJe 1º/12/2020).

Isso, porque, nos termos do § 3º do art. 477 do CPC/2015, é ônus da parte que requer a
intimação do perito para prestar esclarecimentos acerca do laudo apresentar, no momento do
requerimento, os quesitos complementares.

O simples fato de ter sido determinada nova data para a realização da audiência não
resulta na reabertura automática de prazo que, sem respaldo legal e por liberalidade do magistrado,

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 22/37
foi concedido à agravante, não constituindo, portanto, direito líquido e certo.

Ainda, não há falar em preclusão pro judicato no caso. Isso, porque a decisão que, por
liberalidade, concedeu prazo para a apresentação de quesitos complementares, sem respaldo legal,
não está sujeita à vedação de novo pronunciamento judicial acerca da questão, uma vez que tal
impedimento limita-se às decisões definitivas ou com força de definitivas, assim entendidas como
aquelas que põem fim à relação ou etapa processual, o que não se verifica na hipótese.

Por fim, segundo o princípio da proibição do comportamento contraditório (venire contra


factum proprium), a ninguém é lícito fazer valer um direito em contradição com a sua conduta
anterior ou posterior interpretada objetivamente, de modo que afigura-se descabido que a
agravante pretenda ser beneficiada com a reabertura do prazo que nem sequer deveria ter sido
concedido e que fora por ela descumprido.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS

LEGISLAÇÃO

Código de Processo Civil (CPC), arts. 382, § 4º, e 477, § 3º

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 23/37
QUINTA TURMA

PROCESSO AgRg no REsp 2.029.732-MS, Rel. Ministro Joel Ilan


Paciornik, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em
22/8/2023, DJe 25/8/2023.

RAMO DO DIREITO DIREITO PROCESSUAL PENAL

TEMA Roubo majorado. Fixação de indenização mínima por


danos morais. Art. 387, IV, do CPP. Pedido expresso na
inicial acusatória. Instrução probatória específica.
Desnecessidade. Limite de produção de provas extraído
do contexto criminoso. Não alargamento, característico
do Processo Civil. Valor mínimo, não exauriente.
Possibilidade de liquidação da sentença. Revisão de
entendimento da Quinta Turma para adoção do
posicionamento da Sexta Turma.

DESTAQUE

Para fixação de indenização mínima por danos morais, nos termos do art. 387, IV, do CPP,
não se exige instrução probatória acerca do dano psíquico, do grau de sofrimento da vítima,
bastando que conste pedido expresso na inicial acusatória, garantia suficiente ao exercício do
contraditório e da ampla defesa.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR

Sob análise mais acurada a respeito da alteração promovida pela Lei n. 11.719/2008 ao
art. 387, IV, do Código de Processo Penal e dos julgados do STJ, necessária a revisão do
posicionamento até então adotado pela Quinta Turma desta Corte.

A nova redação do art. 387, IV, do Código de Processo Penal tornou possível, desde a
sentença condenatória, a fixação de um valor mínimo para reparação dos danos causados pela
infração, afastando, assim, a necessidade da liquidação do título. O objetivo da norma foi o de dar
maior efetividade aos direitos civis da vítima no processo penal e, desde logo, satisfazer certo grau

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 24/37
de reparação ou compensação do dano, além de responder à tendência mundial de redução do
número de processos.

A previsão legal é a de fixação de um valor mínimo, não exauriente, sendo possível a


liquidação complementar de sentença para apurar o efetivo dano sofrido, nos termos do art. 509, II,
do CPC. Observe-se, nesse sentido, o art. 63, parágrafo único, do Código de Processo Penal:
"transitada em julgado a sentença condenatória, a execução poderá ser efetuada pelo valor fixado
nos termos do inciso IV do caput do art. 387 deste Código sem prejuízo da liquidação para a
apuração do dano efetivamente sofrido".

A mens legis, taxativamente, não é a estipulação do valor integral da recomposição


patrimonial, mas, isto sim, a restauração parcial do status quo por indenização mínima, na medida
do prejuízo evidenciado na instrução da ação penal, sendo desnecessário o aprofundamento
específico da instrução probatória acerca dos danos, característico do processo civil.

No caso, a existência do dano moral ipso facto é satisfatoriamente debatida ao longo do


processo, já que o réu se defende dos fatos imputados na denúncia, porventura ensejadores de
manifesta indenização, justamente para que não acarrete postergação do processo criminal. No
crime de roubo majorado pelo concurso de pessoas e uso de arma branca, o ofendido teve a faca
posta em seu pescoço, tendo sido constatado pelas instâncias ordinárias o trauma psicológico
sofrido, já que passou a ter dificuldades para dormir e medo de ser perseguido na rua pelos
acusados.

Assim, é possível a fixação de um mínimo indenizatório a título de dano moral, sem a


necessidade de instrução probatória específica para fins de sua constatação (existência do dano e
sua dimensão). Decorre de abalo emocional inequívoco, facilmente verificado pelas provas dos
autos, com pedido expresso na inicial acusatória.

Dessa forma, passa-se a adotar o posicionamento da Sexta Turma desta Corte, que não
exige instrução probatória acerca do dano psíquico, do grau de sofrimento da vítima, nos termos do
art. 387, IV, do CPP, bastando que conste o pedido expresso na inicial acusatória, garantia bastante
ao exercício do contraditório e da ampla defesa.

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 25/37
INFORMAÇÕES ADICIONAIS

LEGISLAÇÃO

Código de Processo Penal (CPP), art. 63 e 387, IV


Código de Processo Civil (CPC), 509, II

SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 588

Informativo de Jurisprudência n. 621

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 26/37
SEXTA TURMA

PROCESSO REsp 2.004.051-SC, Rel. Ministra Laurita Vaz, Sexta


Turma, por unanimidade, julgado em 15/8/2023.

RAMO DO DIREITO DIREITO PROCESSUAL PENAL

TEMA Produção unilateral de laudos periciais pela autoridade


policial e pelo Ministério Público. Instrução criminal
iniciada. Juntada na fase recursal. Nulidade. Ofensa aos
princípios do contraditório e da ampla defesa. Nulidade
na sentença de pronúncia não verificada. Ausência de
menção às provas nulas.

DESTAQUE

Ainda que os elementos de prova produzidos unilateralmente pelo Ministério Público e


pela autoridade policial, juntados após a sentença de pronúncia, sejam nulos, não existe nulidade a
ser reconhecida na pronúncia quando sua fundamentação não utilizou essas provas.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR

A controvérsia cinge-se à possibilidade de se utilizar elementos de prova produzidos


unilateralmente pelo Ministério Público e pela autoridade policial, quando já estava em curso a
instrução criminal e juntados após a sentença de pronúncia.

O STJ entende que "[...] é inconcebível admitir como prova técnica oficial um laudo que
emanou exclusivamente de órgão que atua como parte acusadora no processo criminal, sem
qualquer tipo de controle judicial ou de participação da defesa [...] (HC 154.093/RJ, Rel. Ministro
Jorge Mussi, Quinta Turma, julgado em 9/11/2010, DJe 15/4/2011).

No caso, o Tribunal de origem constatou a nulidade dos laudos periciais produzidos


unilateralmente pelo Ministério Público e pela autoridade policial, quando já estava em curso a
instrução criminal. Houve conhecimento do Juízo quando já havia sido proferida a sentença de

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 27/37
pronúncia, pois juntados aos autos somente na fase em que a defesa iria apresentar as razões ao seu
recurso em sentido estrito dirigido contra a pronúncia. O controle judicial não foi realizado na
produção das referidas perícias, tampouco seguiram o regramento previsto no CPP. Assim,
manifestou-se a ilegalidade na própria produção da prova, sendo anuladas e desentranhadas dos
autos.

Todavia, os referidos laudos periciais não foram utilizados pelo magistrado para
fundamentar a pronúncia, mesmo porque foram juntados aos autos em momento a ela posterior. O
fato de a pronúncia ter mencionado imagens que já constavam dos autos não configura nulidade ou
cerceamento de defesa, uma vez que as conclusões contidas nesses laudos não lastrearam a
sentença que finalizou a primeira fase do procedimento do júri.

Assim, inexiste nulidade a ser reconhecida na pronúncia, que não se fundamentou na


prova produzida unilateralmente e não foi submetida ao contraditório.

PROCESSO RHC 147.707-PA, Rel. Ministro Antonio Saldanha


Palheiro, Sexta Turma, por maioria, julgado em
15/8/2023, DJe 24/8/2023.

RAMO DO DIREITO DIREITO PROCESSUAL PENAL

TEMA Lavagem de dinheiro. Art. 1º, § 2º, I, da Lei n.


9.613/1998. Relatório de inteligência financeira do
COAF. Situação diversa da decidida pelo STF no RE
1.055.941/SP. Solicitação pela autoridade policial
diretamente ao COAF sem autorização judicial.
Impossibilidade.

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 28/37
DESTAQUE

Sem autorização judicial, é ilícita a solicitação de relatórios de inteligência financeira feita


pela autoridade policial ao COAF (atual UIF).

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR

O STF, ao julgar o RE 1.055.941/SP, em âmbito de repercussão geral, fixou as seguintes


teses: "1. É constitucional o compartilhamento dos relatórios de inteligência financeira da UIF e da
íntegra do procedimento fiscalizatório da Receita Federal do Brasil - em que se define o lançamento
do tributo - com os órgãos de persecução penal para fins criminais sem prévia autorização judicial,
devendo ser resguardado o sigilo das informações em procedimentos formalmente instaurados e
sujeitos a posterior controle jurisdicional; 2. O compartilhamento pela UIF e pela RFB referido no
item anterior deve ser feito unicamente por meio de comunicações formais, com garantia de sigilo,
certificação do destinatário e estabelecimento de instrumentos efetivos de apuração e correção de
eventuais desvios."

Infere-se do julgado que é possível o compartilhamento dos relatórios de inteligência da


UIF e da íntegra do procedimento fiscalizatório da Receita Federal do Brasil com os órgãos de
persecução penal, ou seja, constatadas pela UIF ou pela Receita Federal do Brasil ilegalidades nos
processos administrativos fiscais, deve ser feita a comunicação com os órgãos de persecução penal.

No caso em análise, a autoridade policial requisitou diretamente ao Conselho de Controle


de Atividades Financeiras - COAF (atual Unidade de Inteligência Financeira - UIF) o envio dos
relatórios de inteligência financeira sem autorização judicial, situação, portanto, diversa da qual foi
decidida pelo Supremo Tribunal Federal.

Acerca do tema, a Terceira Seção do STJ analisou situação similar, ao julgar o RHC
83.233/SP, no qual o Ministério Público requisitou diretamente à Receita Federal do Brasil o envio
da declaração de imposto de renda de determinadas pessoas, o que foi considerado ilícito por esta
Corte Superior.

Dessa forma, constata-se a ilicitude dos relatórios de inteligência financeira solicitados


diretamente pela autoridade policial ao COAF.

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 29/37
INFORMAÇÕES ADICIONAIS

LEGISLAÇÃO

Lei n. 9.613/1998, art. 1º, § 2º, I

SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 724

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 30/37
RECURSOS REPETITIVOS - AFETAÇÃO

PROCESSO ProAfR no REsp 2.062.375-AL, Rel. Ministro Sebastião


Reis Júnior, Terceira Seção, por unanimidade, julgado em
15/8/2023, DJe 18/8/2023. (Tema 1205).

RAMO DO DIREITO DIREITO PENAL

TEMA A Terceira Seção acolheu a proposta de afetação dos


REsps 2.062.375/AL e 2.062.095/AL ao rito dos recursos
repetitivos, a fim de uniformizar o entendimento a
respeito da seguinte controvérsia: "definir se a
restituição imediata e integral do bem furtado constitui,
por si só, motivo suficiente para a incidência do princípio
da insignificância".

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 31/37
PROCESSO ProAfR no REsp 2.048.422-MG, Rel. Min. Sebastião Reis
Júnior, Terceira Seção, por unanimidade, julgado em
15/8/2023, DJe 23/8/2023. (Tema 1206).

RAMO DO DIREITO DIREITO PROCESSUAL PENAL

TEMA A Terceira Seção acolheu a proposta de afetação dos


2.048.422/MG, 2.048.645/MG e 2.048.440/MG ao rito
dos recursos repetitivos, a fim de uniformizar o
entendimento a respeito da seguinte controvérsia:
"definir se a assinatura do laudo toxicológico definitivo
por perito criminal é imprescindível para a comprovação
da materialidade do delito de tráfico de drogas".

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 32/37
PROCESSO ProAfR no REsp 2.039.614-PR, Rel. Ministro Gurgel de
Faria, Primeira Seção, por unanimidade, julgado em
15/8/2023, DJe 24/8/2023. (Tema 1207).

RAMO DO DIREITO DIREITO PREVIDENCIÁRIO, DIREITO PROCESSUAL CIVIL

TEMA A Primeira Seção acolheu a proposta de afetação dos


REsps 2.039.614/PR, 2.039.616/PR e 2.045.596/RS ao
rito dos recursos repetitivos, a fim de uniformizar o
entendimento a respeito da seguinte controvérsia:
"definir se, no caso de compensação de prestações
previdenciárias, recebidas na via administrativa, quando
de levantamento de cálculos em cumprimento de
sentença concessiva de outro benefício, com elas não
acumulável, nos meses em que houver o percebimento
(na via administrativa) de importância maior que a
estabelecida na via judicial, a dedução deverá abranger
todo o quantum recebido pelo beneficiário ou ter como
teto o valor referente à parcela fruto da coisa julgada ".

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 33/37
PROCESSO ProAfR no REsp 2.049.870-MG, Rel. Ministra Laurita Vaz,
Terceira Seção, por unanimidade, julgado em 15/8/2023,
DJe 25/8/2023. (Tema 1208).

RAMO DO DIREITO DIREITO PROCESSUAL PENAL

TEMA A Terceira Seção acolheu a proposta de afetação dos


REsps 2.049.870/MG e 2.055.920/MG ao rito dos
recursos repetitivos, a fim de uniformizar o
entendimento a respeito da seguinte controvérsia:
"definir se a reincidência pode ser admitida pelo juízo
das execuções penais para análise da concessão de
benefícios, ainda que não reconhecida pelo juízo que
prolatou a sentença condenatória".

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 34/37
PROCESSO ProAfR no REsp 2.039.132-SP, Rel. Ministro Francisco
Falcão, Primeira Seção, por unanimidade, julgado em
22/8/2023, DJe 28/8/2023. (Tema 1209).

RAMO DO DIREITO DIREITO TRIBUTÁRIO

TEMA A Primeira Seção acolheu a proposta de afetação dos


REsps 2.039.132/SP, 2.013.920/RJ, 2.035.296/SP,
1.971.965/PE e 1.843.631/PE ao rito dos recursos
repetitivos, a fim de uniformizar o entendimento a
respeito da seguinte controvérsia: "definição acerca da
(in)compatibilidade do Incidente de Desconsideração de
Personalidade Jurídica, previsto no art. 133 e seguintes
do Código de Processo Civil, com o rito próprio da
Execução Fiscal, disciplinado pela Lei n. 6.830/1980 e,
sendo compatível, identificação das hipóteses de
imprescindibilidade de sua instauração, considerando o
fundamento jurídico do pleito de redirecionamento do
feito executório".

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 35/37
PROCESSO ProAfR no REsp 1.873.187-SP, Rel. Ministro Raul Araújo,
Segunda Seção, por unanimidade, julgado em 15/8/2023,
DJe 29/8/2023. (Tema 1210).

RAMO DO DIREITO DIREITO CIVIL

TEMA A Segunda Seção acolheu a proposta de afetação dos


REsps 1.873.187/SP e 1.873.811/SP ao rito dos recursos
repetitivos, a fim de uniformizar o entendimento a
respeito da seguinte controvérsia: "cabimento ou não da
desconsideração da personalidade jurídica no caso de
mera inexistência de bens penhoráveis e/ou eventual
encerramento irregular das atividades da empresa".

PROCESSO ProAfR no REsp 1.887.666-SC, Rel. Ministro Raul Araújo,


Segunda Seção, por unanimidade, julgado em 15/8/2023,
DJe 29/8/2023. (Tema 1211).

RAMO DO DIREITO DIREITO DO CONSUMIDOR

TEMA A Segunda Seção acolheu a proposta de afetação dos


REsps 1.887.666/SC e 1.926.108/SC ao rito dos recursos
repetitivos, a fim de uniformizar o entendimento a
respeito da seguinte controvérsia: "legalidade de cláusula
contratual que estabeleça reajuste do prêmio de seguro
de vida em grupo de acordo com a faixa etária".

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 36/37
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 37/37

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