ITBI e Fundos de Investimento Imobiliário
ITBI e Fundos de Investimento Imobiliário
Este periódico destaca teses jurisprudenciais e não consiste em repositório oficial de jurisprudência.
PRIMEIRA TURMA
DESTAQUE
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 1/45
Imobiliário com emissão de novas quotas.
Cabe à entidade administradora a gestão e a administração dos bens por ela adquiridos
em caráter fiduciário em nome do condomínio, designando-se a ela a atribuição exclusiva de dispor
diretamente deste patrimônio conforme o interesse do fundo (art. 8°).
É o que se extrai da norma constante do art. 9° da Lei, que determina que a disposição dos
bens e direitos integrantes do patrimônio do fundo, assim como a aquisição de novos bens a serem
incorporados ao seu patrimônio, deve ser efetivada diretamente pela própria administradora.
Nesse ponto, pode-se assumir a relação jurídica fiduciária firmada entre os quotistas do
fundo e a administradora como uma relação jurídica fundada na confiança (fidúcia), com natureza
de mandato oneroso (arts. 653 e 658, parágrafo único, do CC/2002 e art. 10, IV, da Lei n.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 2/45
8.668/1993) e com algumas especificações, como o fato de se firmar ex lege (art. 5° da Lei n.
8.668/1993 e art. 657 do CC/2002), concedendo ao administrador poderes definidos na própria lei
(art. 661 do CC/2002 e arts. 8°, 9°, 10, 11 e 12 da Lei n. 8.668/1993) e instrumentalizada pelo
regulamento e pela obrigatória averbação no registro imobiliário da propriedade fiduciária (arts. 10
e 11, e §§, da Lei n. 8.668/1993 e art. 653, parte final, e 654 do CC/2002).
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
Lei n. 8.668/1993, arts. 1º, 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º, 8º, 9º,10, 11, 12 e 13, I
Código Civil, arts. 653, 654, 657, 658, 661, 1.368-A
Código Tributário Nacional, art. 35
Constituição Federal, art. 156, II
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 3/45
PROCESSO REsp 1.940.975-RJ, Rel. Ministro Benedito Gonçalves,
Primeira Turma, por unanimidade, julgado em
28/2/2023, publicado em 3/3/2023.
DESTAQUE
O art. 1º, inciso I, da Lei n. 9.481/1997, ao dispor "sobre a incidência de imposto de renda
na fonte sobre rendimentos de beneficiários residentes ou domiciliados no exterior", estabeleceu
alíquota zero (0%) para o imposto de renda retido pela fonte pagadora, na hipótese de residentes ou
domiciliados no exterior auferirem receitas decorrentes de afretamento de embarcações marítimas.
A Lei n. 9.430/1996, por sua vez, ao tratar da tributação das multas, vantagens ou
indenizações por rescisão de contrato, estabelece a incidência do imposto de renda com a alíquota
de quinze por cento (15%), desde que não seja paga para fins de indenização trabalhista ou
destinadas a reparar danos patrimoniais.
Este último dispositivo veicula verdadeira norma antielisiva específica, o que se evidencia
sobretudo pelo fato de que o legislador impôs a incidência do imposto inclusive se o beneficiário do
pagamento for pessoa isenta, a menos que, na forma do § 5º, seja comprovado o caráter trabalhista
ou de reparação de danos patrimoniais.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 4/45
O objetivo da norma é evitar que sejam embutidos no pagamento de contratos -
principalmente os sujeitos à tributação privilegiada, outras despesas, a título de multas ou
indenizações rescisórias, que não correspondam efetivamente à causa do contrato propriamente
dito, isto é, à atividade ou serviço favorecidos pela ausência de tributação.
Em primeiro lugar, porque a referida receita não integra o conceito de "receitas de fretes,
afretamentos, aluguéis ou arrendamentos" de que trata a Lei n. 9.481/1997.
No caso, não se trata de uma receita de afretamento, mas, sim, uma compensação obtida
pela não realização integral de um afretamento, conforme inicialmente previsto. Ou seja, aquela
receita da pessoa jurídica estrangeira, embora decorrente de um contrato de afretamento, não foi
paga por uma prestação positiva na exploração e produção de petróleo e gás, mas, sim, pela
frustração parcial dessa prestação.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 5/45
Na presente hipótese, ainda que se considerasse a referida "taxa de compensação" uma
receita decorrente do afretamento, a norma antielisiva seria a norma especial deste conflito
aparente de normas (entre alíquota zero por receita de afretamento versus alíquota de 15% por
rescisão de contrato).
Nesse contexto, se as normas que estabelecem isenção (assim como as que estabelecem
alíquota zero), fossem consideradas normas especiais, o artigo 70 da Lei n. 9.430/1996 jamais seria
aplicável às pessoas jurídicas ou às receitas isentas do imposto. Ou, quando muito, a regra seria
eficaz apenas em relação às isenções já existentes antes de sua vigência - sendo todas as normas
isentivas posteriores especiais em relação a ela. Solução que, não condiz com a vocação de uma
norma antielisiva. Tal entendimento tornaria inócua a previsão do artigo 70 da Lei n. 9.430/1996,
de que a incidência atinge "a beneficiária pessoa física ou jurídica, inclusive isenta".
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
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Informativo de Jurisprudência n. 416
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 6/45
SEGUNDA TURMA
DESTAQUE
Como se vê, o STF, sob o regime de repercussão geral, concluiu que a contribuição
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 7/45
destinada ao INCRA, incidente sobre a folha de salários, é devida também pelas empresas urbanas,
mesmo após o advento da EC 33/2001, pelo que firmou entendimento de que não fora ela extinta,
seja pela Lei n. 7.787/1989, seja pelas Leis n. 8.212/1991 e n. 8.213/1991, citando, inclusive,
julgamento do STJ, de 2008, que concluiu que "resta inequívoca dessa evolução, constante do teor do
voto, que: (a) a Lei n. 7.787/1989 só suprimiu a parcela de custeio do Prorural; (b) a Previdência
Rural só foi extinta pela Lei n. 8.213, de 24 de julho de 1991, com a unificação dos regimes de
previdência; (c) entretanto, a parcela de 0,2% (zero vírgula dois por cento) - destinada ao INCRA -
não foi extinta pela Lei n. 7.787/1989 e tampouco pela Lei n. 8.213/1891, como vinha sendo
proclamado pela jurisprudência desta Corte".
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
Lei n. 8.212/1991
Lei n. 8.213/1991
Lei n. 7.787/1989, art. 3º, § 1º
PRECEDENTES QUALIFICADOS
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Informativo de Jurisprudência n. 556
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 8/45
PROCESSO AREsp 2.020.222-RJ, Rel. Ministro Francisco Falcão,
Segunda Turma, por unanimidade, julgado em
28/3/2023.
DESTAQUE
A Corte de origem concluiu que, por se tratar de ausência de complementação das custas
iniciais, a hipótese não estaria enquadrada no art. 290 do Código de Processo Civil, que estabelece o
prazo de 15 dias para o pagamento das custas e despesas após a intimação da parte autora na
pessoa de seu advogado, sob pena de cancelamento da distribuição do feito.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 9/45
CPC/1973). (...) (AgInt no REsp 1.842.026/SP, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma,
julgado em 29/11/2021, DJe de 1/12/2021)".
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
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Informativo de Jurisprudência n. 1 - Edição Especial
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 10/45
TERCEIRA TURMA
DESTAQUE
Quando a operadora, por sua livre iniciativa ou por previsão contratual, oferecer a
internação domiciliar como alternativa à internação hospitalar, o Serviço de Atenção Domiciliar -
SAD deverá obedecer às exigências mínimas previstas na Lei n. 9.656/1998, para os planos de
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 11/45
segmentação hospitalar, em especial o disposto nas alíneas "c", "d", "e" e "g", do inciso II do artigo 12
da referida Lei.
Acrescenta-se a isso que, nos termos da jurisprudência desta Corte, "é abusiva a cláusula
contratual que veda a internação domiciliar (home care) como alternativa à internação hospitalar"
Por sinal, o atendimento domiciliar deficiente, nessas hipóteses, levará, ao fim e ao cabo, a
novas internações hospitalares, as quais obrigarão a operadora, inevitavelmente, ao custeio integral
de todos os procedimentos e eventos delas decorrentes.
Não por outro motivo, a Terceira Turma, no julgamento do REsp 1.378.707/RJ (julgado em
26/5/2015, DJe 15/6/2015), decidiu, à unanimidade, que "nos contratos de plano de saúde sem
contratação específica, o serviço de internação domiciliar (home care) pode ser utilizado em
substituição à internação hospitalar, desde que observados certos requisitos como a indicação do
médico assistente, a concordância do paciente e a não afetação do equilíbrio contratual nas
hipóteses em que o custo do atendimento domiciliar por dia supera o custo diário em hospital".
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
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Informativo de Jurisprudência n. 694
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 12/45
PROCESSO REsp 1.902.410-MG, Rel. Ministro Paulo de Tarso
Sanseverino, Terceira Turma, por unanimidade, julgado
em 28/2/2023, DJe 3/3/2023.
DESTAQUE
É válido o negócio jurídico firmado por Diretor-geral de Clube de Futebol, por aplicação da
Teoria da aparência, quando atuar em nome e no interesse do clube, em negócio jurídico que lhe
gerou proveito econômico, ainda que não tenha poderes para representá-lo.
Nos termos do art. 47 do Código Civil, como regra, as pessoas jurídicas apenas se obrigam
pelos atos de seus administradores, exercidos nos limites de seus poderes definidos no ato
constitutivo.
No caso, o clube de futebol assinou Termo de Compromisso por meio do qual o jogador foi
apresentado ao clube e nele efetivamente atuou, tendo sido posteriormente negociado a outro clube.
Porém, tal dispositivo legal, nos termos do Enunciado n. 145 da III Jornada de Direito Civil, não
afasta a Teoria da Aparência na situação, porquanto o signatário, Diretor-geral do Futebol de Base,
atuou em nome e no interesse do clube, em negócio jurídico que lhe gerou proveito econômico.
A doutrina corrobora que, "de fato, afigura-se merecedora de tutela a confiança legítima
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 13/45
investida por terceiro diante de circunstâncias objetivas que indiquem que a pessoa que celebra o
negócio em nome da pessoa jurídica efetivamente possui poderes para fazê-lo. Nesse caso, a pessoa
jurídica restará vinculada à conduta do administrador aparente, tal qual ocorreria se celebrado por
administrador regularmente dotado de poderes".
Por outro lado, o Clube suscita, perante terceiros, a nulidade do negócio jurídico por
ofensa ao próprio Estatuto Social quando, em verdade, ele próprio acabou por se aproveitar
economicamente desse contrato, o que demonstra efetivo comportamento contraditório e, portanto,
contrário à boa-fé objetiva ao tentar impor a seu contratante a observância de norma prevista em
seu Estatuto Social que foi por ele próprio descumprida, vício que não pode ser invocado por quem
lhe deu causa.
Portanto, àquele que deu causa ao vício não é dado invocá-lo para arguir a nulidade do
negócio jurídico. Logo, a aplicação da 'teoria dos atos próprios', como concreção do princípio da boa-
fé objetiva, segundo a qual a ninguém é lícito fazer valer um direito em contradição com a sua
conduta anterior ou posterior interpretada objetivamente, segundo a lei, os bons costumes e a boa-
fé.
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Informativo de Jurisprudência n. 690
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 14/45
PROCESSO Processo em segredo de Justiça, Rel. Ministro Ricardo
Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, por unanimidade,
julgado em 28/2/2023.
DESTAQUE
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 15/45
exclusivamente à entidade de prática desportiva ou ao atleta. O que ocorre é que esses direitos são
tratados nessas operações como expectativa de direitos, em momento antecedente aos requisitos
que os constituem como devidos, e que podem ou não ocorrer.
Nesse aspecto, a negociação de tal expectativa de direitos se dará nas hipóteses do art. 28,
I, "a", da Lei n. 9.615/1998, ou seja, quando houver transferência do atleta durante a vigência do
contrato de trabalho desportivo, sendo denominada nesse mercado como "direitos econômicos".
Ao tempo dos fatos, os chamados direitos econômicos eram negociados tanto com clubes
como com investidores e outros interessados, em operações relativas à transferência do vínculo
desportivo, mas que tinham por objeto o futuro e incerto recebimento da indenização prevista na
cláusula indenizatória, obrigatória por força da lei para essa espécie de contrato de trabalho.
Evidente que a própria lógica do negócio parece desvirtuar a razão pela qual são previstas
cláusulas indenizatórias. É dizer, o próprio clube supostamente prejudicado pelo descumprimento
contratual é que na maioria das vezes negocia a transferência do vínculo federativo do atleta antes
do término do contrato de trabalho e, por consequência, os direitos econômicos correspondentes.
Ainda que atualmente esses negócios só possam ser entabulados entre entidades de
prática desportiva, contexto diverso daquele existente na época da operação, o certo é que não há
vedação legal à cessão de direitos econômicos.
Portanto, no caso, a cessão de crédito sobre 10% (dez por cento) dos direitos econômicos
relacionados com a operação, ou seja, percentual sobre a expectativa do valor que seria recebido a
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 16/45
título de cláusula indenizatória em razão da transferência do vínculo desportivo do atleta para o
clube estrangeiro continuou hígida, sendo válida e eficaz em relação ao clube recorrente, sem que se
possa falar em violação dos arts. 27-B, 27-C e 28, inciso II, da Lei n. 9.615/1998.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
Lei n. 9.615/1998, arts. 27-B, 27-C , 28, caput, I, "a", II, § 2º e § 5º, e art. 39
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 17/45
DESTAQUE
No caso, em que pese ter sido admitida a existência de documento oficial emitido pelo
Banco Central do Brasil por meio do qual se conclui que a instituição financeira não foi incorporada
pelo banco, mas por outra pessoa jurídica que integra o mesmo conglomerado econômico, foi
reconhecida a legitimidade do banco, pois teria sido quem foi indicado como parte executada no
pedido de cumprimento de sentença.
A legitimidade para a propositura da ação rescisória não pode ser definida a partir da
constatação de quem está respondendo, ainda que indevidamente, ao pedido de cumprimento de
sentença, senão pela averiguação de quem foi diretamente alcançado pelos efeitos da coisa julgada
formada na decisão rescindenda, ou seja, quem integrava a relação jurídico-processual na demanda
originária da qual resultou o título judicial que se busca rescindir.
Nos termos do art. 967 do Código de Processo Civil de 2015, são legitimados para a
propositura de ação rescisória quem foi parte no processo ou o seu sucessor a título universal ou
singular, o terceiro juridicamente interessado, o Ministério Público e aquele que não foi ouvido no
processo em que lhe era obrigatória a intervenção.
O fato de ter sido apresentado pedido de cumprimento de sentença contra pessoa jurídica
distinta daquela que sucedeu a parte ré no processo originário não serve ao propósito de lhe
conferir legitimidade para a propositura da ação rescisória, nem sequer sob a condição de terceiro
interessado, tendo em vista que o interesse capaz de conferir legitimidade ativa ao terceiro é apenas
o jurídico, e não o meramente econômico.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 18/45
Ainda sob a disciplina do revogado art. 487, II, do Código de Processo Civil de 1973, que
também conferia legitimidade ao terceiro juridicamente interessado para propor ação rescisória,
esta Corte Superior de Justiça bem delimitou o conceito de "interesse jurídico" para fins de aplicação
do referido preceito legal, no sentido de que "revela-se pela titularidade de relação jurídica conexa
com aquela sobre a qual dispôs sentença rescindenda, bem como pela existência de prejuízo jurídico
sofrido".
Assim, deve ser julgada extinta a ação rescisória ajuizada pelo banco, por ilegitimidade
ativa ad causam.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 19/45
DESTAQUE
O artigo 1.003, § 6º, do Código de Processo Civil estabelece que o recorrente comprovará a
ocorrência de feriado local no ato de interposição do recurso, o que impossibilita a regularização
posterior.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 20/45
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
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Informativo de Jurisprudência n. 1 - Edição Especial
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 21/45
QUARTA TURMA
DESTAQUE
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 22/45
pelo não exercício do direito passível de ser exercido por um lapso temporal - não determinável a
priori - a outra parte da relação obrigacional confia que a situação se estabilizou e que não será
compelida a cumpri-la, revelando-se, pois, certo abrandamento do princípio pacta sunt servanda,
não mais tomado no sentido absoluto típico de sua formulação liberal.
No caso presente, contudo, a supressio não tem aplicação, porquanto não se permite o
reconhecimento de que a suspensão do processo de execução, em razão da inexistência de bens,
tenha incutido no executado a expectativa legítima de que não seria mais exercido. Ora, o direito do
exequente foi efetivamente exercido ao ajuizar a ação e ao ser dado início ao cumprimento da
sentença transitada em julgado. Conquanto determinadas vicissitudes a que estão sujeitos os
processos judiciais possam implicar delongas em seu desenvolvimento ou mesmo na concretização
do direito das partes, tais circunstâncias não podem ser consideradas verdadeiramente
significativas, de modo a qualificar uma omissão como relevante para a extinção do direito.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 23/45
Em casos tais, o exequente permanece em uma situação de espera, e o elemento
significativo para a circunstância da suspensão do processo - e o protraimento da concretização do
direito reconhecido na sentença - não é sua omissão, mas a ausência de patrimônio passível de
excussão para o adimplemento da obrigação. Infere-se, pois, que não se pode caracterizar a
relevância jurídica da paralisação do processo como causa para a extinção do direito, integral ou
parcialmente, pela ocorrência da supressio.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 478
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 24/45
PROCESSO REsp 1.759.745-SP, Rel. Ministro Marco Buzzi, Quarta
Turma, por unanimidade, julgado em 28/2/2023.
DESTAQUE
Essa expressão caracteriza-se como puffing, sendo forma de publicidade que utiliza o
exagero publicitário como método de convencimento dos consumidores.
A respeito deste método publicitário, a doutrina aponta que "haverá muitos casos em que
o puffing, ainda que utilizado intencionalmente para atrair o consumidor incauto, acaba não
podendo ser capaz de tornar enganoso o anúncio. Isso é muito comum nos casos dos aspectos
subjetivos típicos dos produtos ou serviços: quando se diz que é o 'mais gostoso'; tenha 'o melhor
paladar'; 'o melhor sabor'; 'o lugar mais aconchegante'; 'o mais acolhedor'; 'a melhor comédia'; 'o
filme do ano'; etc. Como tais afirmações dependem de uma avaliação crítica (ou não) subjetiva de
cada consumidor, fica difícil, senão impossível, atribuir de fato a possibilidade da prova da verdade
da afirmação. Afinal, gosto é difícil de discutir".
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 25/45
No caso, de acordo com o exposto nas razões do especial, as peças publicitárias dariam a
entender ser o seu produto melhor do que outros em relação aos atributos cor, consistência e sabor,
e, por esse motivo, a ocorrência de propaganda enganosa, bem como concorrência desleal capazes
de violar, respectivamente, o art. 37 do Código de Defesa do Consumidor e o art. 195 da Lei da
Propriedade Industrial.
Percebe-se, desse modo, que os exemplos indicados pela doutrina como de puffing se
amoldam perfeitamente à hipótese sub judice, qual seja, uma afirmação exagerada que depende de
uma avaliação crítica subjetiva para averiguação, não sendo possível mensuração objetiva.
Não há, na expressão veiculada nas propagandas comerciais, nenhuma depreciação aos
produtos de suas concorrentes, apenas exortação ao seu próprio, o que não é vedado pela legislação
brasileira.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 26/45
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 550
DESTAQUE
Não configura decisão extra petita a sentença que, reconhecendo a usucapião, determina a
liquidação para individualizar a área usucapida, ainda que não haja pedido expresso na inicial.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 27/45
INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR
Nos termos do art. 492 do Código de Processo Civil, é vedado ao juiz proferir decisão de
natureza diversa da pedida, bem como condenar a parte em quantidade superior ou em objeto
diverso do que lhe foi demandado.
Por sua vez, o mesmo diploma legal, no art. 141, dispõe que "o juiz decidirá o mérito nos
limites propostos pelas partes, sendo-lhe vedado conhecer de questões não suscitadas a cujo
respeito a lei exige iniciativa da parte".
Esta Corte já definiu que não há violação dos limites da causa quando o julgador reconhece
os pedidos implícitos formulados na petição inicial, não estando restrito ao que está expresso no
capítulo referente aos pedidos, sendo-lhe permitido extrair da interpretação lógico-sistemática da
petição inicial aquilo que a parte pretende obter, aplicando o princípio da equidade (AgInt no REsp
1.823.194/SP, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, julgado em 14/2/2022, DJe
17/2/2022).
Logo, não há falar em julgamento extra petita, porquanto o órgão julgador não
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 28/45
desrespeitou os limites objetivos da pretensão inicial nem concedeu providência jurisdicional
diversa da que fora requerida, em atenção ao princípio da congruência ou adstrição.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
DESTAQUE
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 29/45
INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 30/45
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 655
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 31/45
QUINTA TURMA
DESTAQUE
Incide a causa especial de aumento de pena prevista no § 3º do art. 334 do Código Penal
quando se tratar de descaminho praticado em transporte aéreo, não sendo relevante o fato de o voo
ser regular ou clandestino.
O art. 334, § 3º, do Código Penal prevê a aplicação da pena em dobro, se "o crime de
contrabando ou descaminho é praticado em transporte aéreo". Nos termos da jurisprudência desta
Corte, se a lei não faz restrições quanto à espécie de voo que enseja a aplicação da majorante, não
cabe ao intérprete restringir a aplicação do dispositivo legal, sendo irrelevante que o transporte seja
clandestino ou regular (HC 390.899/SP, Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe 28/11/2017).
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 32/45
a mercadoria ingressou no país, transpondo a aduana, concluindo-se pela modalidade consumada
do delito e a consequente causa de aumento.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
SAIBA MAIS
Pesquisa Pronta / DIREITO PENAL - CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
DESTAQUE
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 33/45
INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR
O art. 65 do Código de Processo Penal Militar (CPPM) dispõe que o assistente não poderá
"impetrar recursos, salvo de despacho que indeferir o pedido de assistência".
O art. 271 do Código de Processo Penal (CPP), por sua vez, dispõe que ao "assistente será
permitido propor meios de prova, requerer perguntas às testemunhas, aditar o libelo e os
articulados, participar do debate oral e arrazoar os recursos interpostos pelo Ministério Público, ou
por ele próprio, nos casos dos arts. 584, § 1º, e 598".
Conforme explica a doutrina, "o Direito não é um mero conjunto de normas, mas compõe
um ordenamento, em que cada parte tem conexão com o todo, à luz do qual deve ser compreendida.
A interpretação sistemática busca promover a harmonia entre essas partes. Isso não significa dizer
que essa harmonia no ordenamento seja um dado da realidade, que se possa comprovar pela análise
das leis em vigor. Sabe-se, pelo contrário, que no Estado contemporâneo, caracterizado pela inflação
legislativa e pelo pluralismo dos interesses que são juridicamente tutelados, a existência de tensões
e conflitos entre normas jurídicas é fenômeno corriqueiro. Na verdade, a busca da harmonização e
da coerência no ordenamento é uma tarefa que o intérprete deve perseguir; muitas vezes uma tarefa
dificílima. Trata-se de um ponto de chegada que se aspira atingir, e não do ponto de partida do
intérprete".
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 34/45
acesso à justiça e do duplo grau de jurisdição" (HC 123.365/SP, Rel. Ministro Og Fernandes, Sexta
Turma, DJe 23/8/2010).
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
SAIBA MAIS
Pesquisa Pronta / DIREITO PROCESSUAL PENAL - SUJEITOS PROCESSUAIS
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 35/45
SEXTA TURMA
DESTAQUE
A partir da entrada em vigor da Lei n. 13.431/2017, nas comarcas em que não houver vara
especializada em crimes contra a criança e o adolescente, compete à vara especializada em violência
doméstica julgar as ações penais que apurem crimes envolvendo violência contra crianças e
adolescentes, independentemente de considerações acerca do sexo da vítima ou da motivação da
violência, ressalvada a modulação de efeitos realizada no julgamento do EAREsp 2.099.532/RJ.
A Terceira Seção desta Corte Superior uniformizou a interpretação a ser conferida ao art.
23 da Lei n. 13.431/2017 no julgamento do EAREsp 2.099.532/RJ, fixando a tese de que, após o
advento desta norma, "nas comarcas em que não houver vara especializada em crimes contra a
criança e o adolescente, compete à vara especializada em violência doméstica, onde houver,
processar e julgar os casos envolvendo estupro de vulnerável cometido pelo pai (bem como pelo
padrasto, companheiro, namorado ou similar) contra a filha (ou criança ou adolescente) no
ambiente doméstico ou familiar", ressalvada a modulação de efeitos realizada naquele julgamento.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 36/45
O Legislador estabeleceu, no caput do artigo supracitado, como possibilidade aos órgãos
responsáveis pela organização judiciária, a criação de varas especializadas em crimes contra a
criança e o adolescente. Enquanto não instituídas as varas especializadas, o parágrafo único do
mesmo dispositivo legal determinou que as causas decorrentes de práticas de violência contra
crianças e adolescentes, independentemente de considerações acerca do sexo da vítima ou da
motivação da violência, deveriam tramitar nos juizados ou varas especializadas em violência
doméstica.
Desse modo, as ações penais que apurem crimes envolvendo violência contra crianças e
adolescentes devem tramitar nas varas especializadas previstas no caput do art. 23 do referido
diploma legal e, caso elas ainda não tenham sido criadas, nos juizados ou varas especializadas em
violência doméstica, conforme determina o parágrafo único do mesmo artigo. Somente nas
comarcas em que não houver varas especializadas em violência contra crianças e adolescentes ou
juizados/varas de violência doméstica, poderá a ação tramitar na vara criminal comum.
Esta interpretação tem como objetivo, em primeiro lugar, evitar que os dispositivos da Lei
n. 13.431/2017 se transformem em letra morta, o que frustraria o objetivo legislativo de instituir
um regime judicial protetivo especial para crianças e adolescentes vítimas de violências. De outra
parte, também concretiza os princípios da proteção integral e da absoluta prioridade (art. 227 da
Constituição Federal), bem como o compromisso internacional do Brasil em proteger crianças e
adolescentes contra todas as formas de violência (art. 19 do Decreto n. 99.710/1990), estabelecendo
que a submissão destes à competência especializada decorre de sua vulnerabilidade enquanto
pessoa humana em desenvolvimento, independentemente de considerações quanto ao sexo,
motivação do crime, circunstâncias da violência ou outras questões similares.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 37/45
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 755
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 38/45
DESTAQUE
O art. 385 do Código de Processo Penal é compatível com o sistema acusatório e não foi
tacitamente derrogado pelo advento da Lei n. 13.964/2019, responsável por introduzir o art. 3º-A
no Código de Processo Penal.
O art. 385 do Código de Processo Penal prevê que, quando o Ministério Público pede a
absolvição do acusado, ainda assim o juiz está autorizado a condená-lo, dada, também aqui, sob a
ótica do Poder Judiciário, a soberania do ato de julgar. Ademais, no nosso sistema, ao contrário de
outros, o órgão ministerial não dispõe livremente da ação penal. O Ministério Público é o titular da
ação penal, mas dela não pode, por razões de conveniência institucional, simplesmente dispor, tal
como ocorre na ação penal de iniciativa privada.
Portanto, mesmo que o órgão ministerial, em alegações finais, não haja pedido a
condenação do acusado, ainda assim remanesce presente a pretensão acusatória formulada no
início da persecução penal - pautada pelos princípios da obrigatoriedade, da indisponibilidade e
pelo caráter publicista do processo -, a qual é julgada pelo Estado-juiz, mediante seu soberano poder
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 39/45
de dizer o direito (juris dicere).
É preciso lembrar, a propósito, que o princípio da correlação vincula o julgador apenas aos
fatos narrados na denúncia - aos quais ele pode, inclusive, atribuir qualificação jurídica diversa (art.
383 do CPP) -, mas não o vincula aos fundamentos jurídicos invocados pelas partes em alegações
finais para sustentar seus pedidos.
Dessa forma, uma vez veiculada a acusação por meio da denúncia e alterado o estado
natural de inércia da jurisdição - inafastável do Poder Judiciário, nos termos do art. 5º, XXXV, da
Constituição Federal -, o processo segue por impulso oficial e o juiz tem o dever - pautado pelo
sistema da persuasão racional - de analisar o mérito da causa submetida à sua apreciação à vista da
hipótese acusatória contida na denúncia, sem que lhe seja imposto o papel de mero homologador do
que lhe foi proposto pelo Parquet.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 40/45
para justificar a excepcionalidade de decidir contra o titular da ação penal".
Vale dizer, uma vez formulado pedido de absolvição pelo dominus litis, caberá ao julgador,
na sentença, apresentar os motivos fáticos e jurídicos pelos quais entende ser cabível a condenação
e refutar não apenas os fundamentos suscitados pela defesa, mas também aqueles invocados pelo
Parquet em suas alegações finais, a fim de demonstrar o equívoco da manifestação ministerial. Isso
porque, tal como ocorre com os seus poderes instrutórios, a faculdade de o julgador condenar o
acusado em contrariedade ao pedido de absolvição do Parquet também só pode ser exercida de
forma excepcional, devidamente fundamentada à luz das circunstâncias do caso concreto.
Assim, diante de todas essas considerações, não há falar em violação dos arts. 3°-A do CPP
("Art. 3º-A. O processo penal terá estrutura acusatória, vedadas a iniciativa do juiz na fase de
investigação e a substituição da atuação probatória do órgão de acusação") e 2°, § 1°, da Lei de
Introdução às Normas do Direito Brasileiro ("A lei posterior revoga a anterior quando
expressamente o declare, quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a
matéria de que tratava a lei anterior"), porquanto o art. 385 do CPP não é incompatível com o
sistema acusatório entre nós adotado e não foi tacitamente derrogado pelo advento da Lei n.
13.964/2019, responsável por introduzir o art. 3º-A no Código de Processo Penal.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 761
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 41/45
PROCESSO AgRg no HC 798.551-PR, Rel. Ministro Jesuíno Rissato
(Desembargador convocado do TJDFT), Sexta Turma, por
unanimidade, julgado em 28/2/2023.
DESTAQUE
A utilização do próprio filho para a prática de crimes, por se tratar de situação de risco ao
menor, obsta a concessão de prisão domiciliar.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 42/45
mercancia de entorpecentes, evidenciam o prognóstico de que a prisão domiciliar não impediria a
prática de novas condutas delitivas no interior de sua casa, na presença das filhas menores de 12
anos, circunstância que inviabiliza o acolhimento do pleito" (RHC 99.897/RS, relator Ministro
Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 25/9/2018, DJe 15/10/2018).
SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 733
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 43/45
CORTE ESPECIAL - JULGAMENTO NÃO CONCLUÍDO
O relator, Ministro Luis Felipe Salomão, votou contra a utilização da taxa Selic nos casos de
dívidas decorrentes de responsabilidade civil contratual ou extracontratual. Em seu voto, o Ministro
ponderou que a taxa Selic não é espelho do mercado, e que não reflete a real depreciação da moeda.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 44/45
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 306
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 45/45