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ITBI e Fundos de Investimento Imobiliário

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Número 765 Brasília, 7 de março de 2023.

Este periódico destaca teses jurisprudenciais e não consiste em repositório oficial de jurisprudência.

PRIMEIRA TURMA

PROCESSO AREsp 1.492.971-SP, Rel. Ministro Gurgel de Faria,


Primeira Turma, por unanimidade, julgado em
28/2/2023.

RAMO DO DIREITO DIREITO TRIBUTÁRIO

TEMA ITBI. Aquisição de imóvel. Composição de Fundo de


Investimento Imobiliário. Imunidade. Inexistência.
Transferência de propriedade. Fato gerador.
Configuração.

DESTAQUE

A aquisição de imóvel para a composição do patrimônio do Fundo de Investimento


Imobiliário, efetivada diretamente pela administradora do fundo e paga por meio de emissão de
novas quotas do fundo aos alienantes, configura transferência a título oneroso de propriedade de
imóvel para fins de incidência do ITBI, na forma do art. 35 do Código Tributário Nacional e 156, II,
da Constituição Federal, ocorrendo o fato gerador no momento da averbação da propriedade
fiduciária em nome da administradora no cartório de registro imobiliário.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR

Discute-se sobre a incidência de Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis (ITBI) em


Município sobre as operações de aquisição de imóveis para o patrimônio de Fundo de Investimento

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 1/45
Imobiliário com emissão de novas quotas.

A figura dos Fundos de Investimento Imobiliários é prevista na Lei n. 8.668/1993, que


apresenta ao instituto algumas características peculiares.

Segundo o referido diploma legal, o Fundo de Investimento Imobiliário é figura jurídica


despersonificada, caracterizada pela comunhão de recursos para o fim específico de aplicação em
empreendimentos imobiliários (art. 1°) e constituída sob a forma jurídica de condomínio fechado
incidente sobre um patrimônio, o qual é distribuído aos quotistas, em frações, na medida de suas
quotas individuais (títulos com natureza de valores mobiliários negociáveis no mercado) (arts. 2° e
3°).

A administração e a gestão do fundo (condomínio) e de seu patrimônio são designadas à


entidade com características específicas, que adquirirá, em nome do fundo e em caráter fiduciário,
os bens e direitos inerentes à atividade (arts. 5° e 6°), os quais, somados aos seus frutos e
rendimentos, não se confundem ou se comunicam com o patrimônio da administradora (art. 7°).

Cabe à entidade administradora a gestão e a administração dos bens por ela adquiridos
em caráter fiduciário em nome do condomínio, designando-se a ela a atribuição exclusiva de dispor
diretamente deste patrimônio conforme o interesse do fundo (art. 8°).

É o que se extrai da norma constante do art. 9° da Lei, que determina que a disposição dos
bens e direitos integrantes do patrimônio do fundo, assim como a aquisição de novos bens a serem
incorporados ao seu patrimônio, deve ser efetivada diretamente pela própria administradora.

Dito isso, verifica-se que, embora os bens adquiridos à universalidade de bens e


vinculados à atividade do fundo sejam de propriedade de cada um dos titulares das quotas do
condomínio - os quais gozarão dos direitos a elas inerentes na medida de suas quotas individuais -,
não podem estes quotistas exercer diretamente qualquer direito real sobre os imóveis e
empreendimentos integrantes deste patrimônio (arts. 8° e 13, I).

Anote-se, ainda, que a propriedade fiduciária averbada no registro do imóvel em nome da


entidade administradora é apenas o meio jurídico pelo qual se instrumentaliza o exercício da
atribuição designada pela lei à administradora do fundo.

Nesse ponto, pode-se assumir a relação jurídica fiduciária firmada entre os quotistas do
fundo e a administradora como uma relação jurídica fundada na confiança (fidúcia), com natureza
de mandato oneroso (arts. 653 e 658, parágrafo único, do CC/2002 e art. 10, IV, da Lei n.

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 2/45
8.668/1993) e com algumas especificações, como o fato de se firmar ex lege (art. 5° da Lei n.
8.668/1993 e art. 657 do CC/2002), concedendo ao administrador poderes definidos na própria lei
(art. 661 do CC/2002 e arts. 8°, 9°, 10, 11 e 12 da Lei n. 8.668/1993) e instrumentalizada pelo
regulamento e pela obrigatória averbação no registro imobiliário da propriedade fiduciária (arts. 10
e 11, e §§, da Lei n. 8.668/1993 e art. 653, parte final, e 654 do CC/2002).

A averbação da propriedade fiduciária sobre o bem imóvel identifica o negócio jurídico


fiduciário firmado entre o condomínio de quotistas (o fundo) e a administradora, por determinação
legal e sem natureza de garantia (art. 1.368-A do CC/2002), mas com a finalidade específica de
instrumentalizar a administração e disposição dos bens e direitos dos titulares das quotas.

Do exposto, no que interessa à controvérsia submetida ao julgamento, tem-se que a


aquisição de imóvel para o patrimônio do Fundo de Investimento Imobiliário, operacionalizada pela
emissão de novas quotas do condomínio e efetivada diretamente pela administradora do fundo,
configura, a toda evidência, transferência a título oneroso de propriedade de imóvel, caracterizadora
de fato gerador do ITBI na forma do art. 35 do CTN e 156, II, da Constituição Federal, ainda que
instrumentalizada pela averbação da propriedade fiduciária em nome da administradora no registro
imobiliário, momento em que se efetiva a obrigação tributária devida na operação.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS

LEGISLAÇÃO

Lei n. 8.668/1993, arts. 1º, 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º, 8º, 9º,10, 11, 12 e 13, I
Código Civil, arts. 653, 654, 657, 658, 661, 1.368-A
Código Tributário Nacional, art. 35
Constituição Federal, art. 156, II

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 3/45
PROCESSO REsp 1.940.975-RJ, Rel. Ministro Benedito Gonçalves,
Primeira Turma, por unanimidade, julgado em
28/2/2023, publicado em 3/3/2023.

RAMO DO DIREITO DIREITO TRIBUTÁRIO

TEMA Imposto de Renda - IRRF. Contrato de afretamento de


embarcação. Rescisão antecipada. Cláusula contratual
denominada "Taxa de Compensação". Pagamento de
valores à empresa estrangeira domiciliada no exterior.
Retenção pela fonte pagadora. Alíquota aplicável. Art. 70
da Lei n. 9.430/1996 versus Art. 1º, I, da Lei n.
9.481/1997.

DESTAQUE

A multa por rescisão de um contrato de afretamento deve se submeter à alíquota de 15%


para fins de Imposto de Renda, nos termos do art. 70 da Lei n. 9.430/1996.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR

O art. 1º, inciso I, da Lei n. 9.481/1997, ao dispor "sobre a incidência de imposto de renda
na fonte sobre rendimentos de beneficiários residentes ou domiciliados no exterior", estabeleceu
alíquota zero (0%) para o imposto de renda retido pela fonte pagadora, na hipótese de residentes ou
domiciliados no exterior auferirem receitas decorrentes de afretamento de embarcações marítimas.

A Lei n. 9.430/1996, por sua vez, ao tratar da tributação das multas, vantagens ou
indenizações por rescisão de contrato, estabelece a incidência do imposto de renda com a alíquota
de quinze por cento (15%), desde que não seja paga para fins de indenização trabalhista ou
destinadas a reparar danos patrimoniais.

Este último dispositivo veicula verdadeira norma antielisiva específica, o que se evidencia
sobretudo pelo fato de que o legislador impôs a incidência do imposto inclusive se o beneficiário do
pagamento for pessoa isenta, a menos que, na forma do § 5º, seja comprovado o caráter trabalhista
ou de reparação de danos patrimoniais.

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 4/45
O objetivo da norma é evitar que sejam embutidos no pagamento de contratos -
principalmente os sujeitos à tributação privilegiada, outras despesas, a título de multas ou
indenizações rescisórias, que não correspondam efetivamente à causa do contrato propriamente
dito, isto é, à atividade ou serviço favorecidos pela ausência de tributação.

Analisando os dispositivos em conflito, chega-se à conclusão de que sobre a multa por


rescisão antecipada do contrato de afretamento deve mesmo incidir o imposto, à alíquota de 15%.

Em primeiro lugar, porque a referida receita não integra o conceito de "receitas de fretes,
afretamentos, aluguéis ou arrendamentos" de que trata a Lei n. 9.481/1997.

De fato, nem toda receita prevista em um contrato de afretamento necessariamente se


caracterizará como "receita de afretamento", sendo preciso avaliar sua pertinência e seu objeto no
contexto contratual.

No caso, não se trata de uma receita de afretamento, mas, sim, uma compensação obtida
pela não realização integral de um afretamento, conforme inicialmente previsto. Ou seja, aquela
receita da pessoa jurídica estrangeira, embora decorrente de um contrato de afretamento, não foi
paga por uma prestação positiva na exploração e produção de petróleo e gás, mas, sim, pela
frustração parcial dessa prestação.

É inequívoco que, ainda que a receita derive do contrato de afretamento, trata-se


efetivamente de "multa ou qualquer outra vantagem paga ou creditada por pessoa jurídica, ainda
que a título de indenização, a beneficiária pessoa física ou jurídica, inclusive isenta, em virtude de
rescisão de contrato", conforme fixado pela origem, se amoldando aos termos do caput do art. 70 da
Lei n. 9.430/1996.

À luz do princípio da especialidade, a multa por rescisão contratual devida no contexto de


um afretamento, ainda que fosse considerada "receita decorrente do afretamento", deve se
submeter à alíquota de 15% do art. 70 da Lei n. 9.430/1996 (norma antielisiva), e não à alíquota
zero do art. 1º, inciso I, da Lei n. 9.481/1997 (norma que insere favor fiscal).

Assim, é da natureza da norma antielisiva específica (regra de prevenção à elusão),


estabelecer hipóteses de incidência específicas que alcancem situações vulneráveis a manobras
evasivas (ou elisivas que o legislador considere indesejáveis), determinando de antemão um
tratamento mais rigoroso ou mesmo fixando desde já a incidência específica da tributação,
justamente para prevenir tais flancos.

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 5/45
Na presente hipótese, ainda que se considerasse a referida "taxa de compensação" uma
receita decorrente do afretamento, a norma antielisiva seria a norma especial deste conflito
aparente de normas (entre alíquota zero por receita de afretamento versus alíquota de 15% por
rescisão de contrato).

Nesse contexto, se as normas que estabelecem isenção (assim como as que estabelecem
alíquota zero), fossem consideradas normas especiais, o artigo 70 da Lei n. 9.430/1996 jamais seria
aplicável às pessoas jurídicas ou às receitas isentas do imposto. Ou, quando muito, a regra seria
eficaz apenas em relação às isenções já existentes antes de sua vigência - sendo todas as normas
isentivas posteriores especiais em relação a ela. Solução que, não condiz com a vocação de uma
norma antielisiva. Tal entendimento tornaria inócua a previsão do artigo 70 da Lei n. 9.430/1996,
de que a incidência atinge "a beneficiária pessoa física ou jurídica, inclusive isenta".

INFORMAÇÕES ADICIONAIS

LEGISLAÇÃO

Lei n. 9.481/1997, art. 1º, I


Lei n. 9.430/1996, art. 70

SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 416

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 6/45
SEGUNDA TURMA

PROCESSO REsp 737.364-PR, Rel. Ministra Assusete Magalhães,


Segunda Turma, por unanimidade, julgado em
28/3/2023.

RAMO DO DIREITO DIREITO PREVIDENCIÁRIO, DIREITO TRIBUTÁRIO,


DIREITO ECONÔMICO

TEMA Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico


destinada ao INCRA devida pelas empresas urbanas e
rurais, sobre folha de salários. Emenda Constitucional n.
33/2001. Julgamento pelo STF, sob o regime de
repercussão geral. RE 630.898/RS. Juízo de retratação.

DESTAQUE

É constitucional a contribuição de intervenção no domínio econômico destinada ao INCRA


devida pelas empresas urbanas e rurais, inclusive após o advento da EC n. 33/2001.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR

A Segunda Turma do STJ, com fundamento na jurisprudência firmada à época - no sentido


da impossibilidade da cobrança da contribuição ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma
Agrária -INCRA, incidente sobre a folha de salários das empresas, a partir de setembro de 1989, em
face de sua extinção, pelo art. 3º, § 1º, da Lei n. 7.787/1989 -, negou provimento ao Recurso Especial
do INCRA, ensejando a interposição do Recurso Extraordinário.

O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 630.898/RS, em 8/4/2021, sob o


regime de repercussão geral, firmou a compreensão no sentido de que "é constitucional a
contribuição de intervenção no domínio econômico destinada ao INCRA devida pelas empresas
urbanas e rurais, inclusive após o advento da EC n. 33/2001".

Como se vê, o STF, sob o regime de repercussão geral, concluiu que a contribuição

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 7/45
destinada ao INCRA, incidente sobre a folha de salários, é devida também pelas empresas urbanas,
mesmo após o advento da EC 33/2001, pelo que firmou entendimento de que não fora ela extinta,
seja pela Lei n. 7.787/1989, seja pelas Leis n. 8.212/1991 e n. 8.213/1991, citando, inclusive,
julgamento do STJ, de 2008, que concluiu que "resta inequívoca dessa evolução, constante do teor do
voto, que: (a) a Lei n. 7.787/1989 só suprimiu a parcela de custeio do Prorural; (b) a Previdência
Rural só foi extinta pela Lei n. 8.213, de 24 de julho de 1991, com a unificação dos regimes de
previdência; (c) entretanto, a parcela de 0,2% (zero vírgula dois por cento) - destinada ao INCRA -
não foi extinta pela Lei n. 7.787/1989 e tampouco pela Lei n. 8.213/1891, como vinha sendo
proclamado pela jurisprudência desta Corte".

INFORMAÇÕES ADICIONAIS

LEGISLAÇÃO

Lei n. 8.212/1991
Lei n. 8.213/1991
Lei n. 7.787/1989, art. 3º, § 1º

PRECEDENTES QUALIFICADOS

Re percussão Geral - Tema 495

SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 556

Súmula Anotada n. 516

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 8/45
PROCESSO AREsp 2.020.222-RJ, Rel. Ministro Francisco Falcão,
Segunda Turma, por unanimidade, julgado em
28/3/2023.

RAMO DO DIREITO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

TEMA Recolhimento de custas iniciais. Pagamento parcial.


Intimação pessoal. Necessidade. Cancelamento de
distribuição. Impossibilidade.

DESTAQUE

A intimação pessoal do autor da ação é obrigatória para a complementação das custas


iniciais, restringindo-se à aplicação do cancelamento de distribuição estabelecida no art. 290 do
Código de Processo Civil às hipóteses em que não é feito recolhimento algum de custas processuais.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR

A Corte de origem concluiu que, por se tratar de ausência de complementação das custas
iniciais, a hipótese não estaria enquadrada no art. 290 do Código de Processo Civil, que estabelece o
prazo de 15 dias para o pagamento das custas e despesas após a intimação da parte autora na
pessoa de seu advogado, sob pena de cancelamento da distribuição do feito.

Fundamentou o acórdão recorrido tratar-se o presente caso de abandono da causa por


falta de promoção de atos ou diligências próprias do autor do feito, devendo-lhe aplicar a previsão
do § 1º do art. 485 do CPC, que prevê a intimação pessoal para oportunizar a regularização no prazo
de 5 dias.

O referido entendimento está em consonância com a jurisprudência desta Corte Superior,


que é assente quanto à necessidade de intimação pessoal do advogado no caso de recolhimento
parcial das custas ou despesas iniciais, sendo prescindível apenas nos casos de ausência completa de
recolhimento. Confira-se: "1. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça orienta-se no sentido
de que a intimação pessoal do autor da ação é exigência apenas para a complementação das custas
iniciais, de modo que, em relação às custas iniciais (em que não é feito recolhimento algum de custas
processuais), aplica-se a regra estabelecida no art. 290 do CPC/2015 (correspondente ao art. 257 do

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 9/45
CPC/1973). (...) (AgInt no REsp 1.842.026/SP, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma,
julgado em 29/11/2021, DJe de 1/12/2021)".

INFORMAÇÕES ADICIONAIS

LEGISLAÇÃO

Código de Processo Civil, arts. 290 e 485, § 1º

SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 1 - Edição Especial

Informativo de Jurisprudência n. 696

Informativo de Jurisprudência n. 762

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 10/45
TERCEIRA TURMA

PROCESSO REsp 2.017.759-MS, Rel. Ministra Nancy Andrighi,


Terceira Turma, por unanimidade, julgado em
14/2/2023.

RAMO DO DIREITO DIREITO CIVIL

TEMA Ação de obrigação de fazer. Plano de saúde. Home Care.


Internação domiciliar substitutiva da internação
hospitalar. Insumos necessários ao tratamento de saúde.
Cobertura obrigatória. Custo do atendimento domiciliar
limitado ao custo diário em hospital.

DESTAQUE

A cobertura de internação domiciliar, em substituição à internação hospitalar, deve


abranger os insumos necessários para garantir a efetiva assistência médica ao beneficiário -
insumos a que ele faria jus caso estivesse internado no hospital -, sob pena de desvirtuamento da
finalidade do atendimento em domicílio, de comprometimento de seus benefícios e da sua
subutilização enquanto tratamento de saúde substitutivo à permanência em hospital.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR

Destaca-se que, na saúde suplementar, os Serviços de Atenção Domiciliar - SAD, na


modalidade de internação domiciliar podem ser oferecidos pelas operadoras como alternativa à
internação hospitalar. Somente o médico assistente do beneficiário poderá determinar se há ou não
indicação de internação domiciliar em substituição à internação hospitalar e a operadora não pode
suspender uma internação hospitalar pelo simples pedido de internação domiciliar. Caso a
operadora não concorde em oferecer o serviço de internação domiciliar, deverá manter o
beneficiário internado até sua alta hospitalar.

Quando a operadora, por sua livre iniciativa ou por previsão contratual, oferecer a
internação domiciliar como alternativa à internação hospitalar, o Serviço de Atenção Domiciliar -
SAD deverá obedecer às exigências mínimas previstas na Lei n. 9.656/1998, para os planos de

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 11/45
segmentação hospitalar, em especial o disposto nas alíneas "c", "d", "e" e "g", do inciso II do artigo 12
da referida Lei.

Acrescenta-se a isso que, nos termos da jurisprudência desta Corte, "é abusiva a cláusula
contratual que veda a internação domiciliar (home care) como alternativa à internação hospitalar"

É dizer, a cobertura de internação domiciliar, em substituição à internação hospitalar,


deve abranger os insumos necessários para garantir a efetiva assistência médica ao beneficiário, ou
seja, aqueles insumos a que ele faria jus acaso estivesse internado no hospital, sob pena de
desvirtuamento da finalidade do atendimento em domicílio, de comprometimento de seus
benefícios, e da sua subutilização enquanto tratamento de saúde substitutivo à permanência em
hospital.

Por sinal, o atendimento domiciliar deficiente, nessas hipóteses, levará, ao fim e ao cabo, a
novas internações hospitalares, as quais obrigarão a operadora, inevitavelmente, ao custeio integral
de todos os procedimentos e eventos delas decorrentes.

Não por outro motivo, a Terceira Turma, no julgamento do REsp 1.378.707/RJ (julgado em
26/5/2015, DJe 15/6/2015), decidiu, à unanimidade, que "nos contratos de plano de saúde sem
contratação específica, o serviço de internação domiciliar (home care) pode ser utilizado em
substituição à internação hospitalar, desde que observados certos requisitos como a indicação do
médico assistente, a concordância do paciente e a não afetação do equilíbrio contratual nas
hipóteses em que o custo do atendimento domiciliar por dia supera o custo diário em hospital".

INFORMAÇÕES ADICIONAIS

LEGISLAÇÃO

Lei n. 9.656/1998, art. 12

SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 694

Jurisprudência em Teses / DIREITO CIVIL - EDIÇÃO N. 143: PLANO DE SAÚDE - III

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 12/45
PROCESSO REsp 1.902.410-MG, Rel. Ministro Paulo de Tarso
Sanseverino, Terceira Turma, por unanimidade, julgado
em 28/2/2023, DJe 3/3/2023.

RAMO DO DIREITO DIREITO CIVIL

TEMA Termo de compromisso firmado por funcionário que não


tinha poderes para representar clube esportivo. Diretor-
geral do futebol de base. Validade do negócio jurídico.
Aplicação da teoria da aparência.

DESTAQUE

É válido o negócio jurídico firmado por Diretor-geral de Clube de Futebol, por aplicação da
Teoria da aparência, quando atuar em nome e no interesse do clube, em negócio jurídico que lhe
gerou proveito econômico, ainda que não tenha poderes para representá-lo.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR

A questão controvertida versa acerca da possibilidade de se exigir de pessoa jurídica o


cumprimento de obrigação prevista em contrato firmado por pessoa que, embora sua funcionária,
não tem, à luz de seu Estatuto Social, poderes para representá-la.

Nos termos do art. 47 do Código Civil, como regra, as pessoas jurídicas apenas se obrigam
pelos atos de seus administradores, exercidos nos limites de seus poderes definidos no ato
constitutivo.

No caso, o clube de futebol assinou Termo de Compromisso por meio do qual o jogador foi
apresentado ao clube e nele efetivamente atuou, tendo sido posteriormente negociado a outro clube.
Porém, tal dispositivo legal, nos termos do Enunciado n. 145 da III Jornada de Direito Civil, não
afasta a Teoria da Aparência na situação, porquanto o signatário, Diretor-geral do Futebol de Base,
atuou em nome e no interesse do clube, em negócio jurídico que lhe gerou proveito econômico.

A doutrina corrobora que, "de fato, afigura-se merecedora de tutela a confiança legítima

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 13/45
investida por terceiro diante de circunstâncias objetivas que indiquem que a pessoa que celebra o
negócio em nome da pessoa jurídica efetivamente possui poderes para fazê-lo. Nesse caso, a pessoa
jurídica restará vinculada à conduta do administrador aparente, tal qual ocorreria se celebrado por
administrador regularmente dotado de poderes".

Assim, razoável que o instrumento contratual em questão, referente a jovem e promissor


talento futebolístico, pudesse ser assinado pelo Diretor-geral do Futebol de Base, especialmente
quando o documento parece ter sido confeccionado pelo próprio clube.

Por outro lado, o Clube suscita, perante terceiros, a nulidade do negócio jurídico por
ofensa ao próprio Estatuto Social quando, em verdade, ele próprio acabou por se aproveitar
economicamente desse contrato, o que demonstra efetivo comportamento contraditório e, portanto,
contrário à boa-fé objetiva ao tentar impor a seu contratante a observância de norma prevista em
seu Estatuto Social que foi por ele próprio descumprida, vício que não pode ser invocado por quem
lhe deu causa.

Portanto, àquele que deu causa ao vício não é dado invocá-lo para arguir a nulidade do
negócio jurídico. Logo, a aplicação da 'teoria dos atos próprios', como concreção do princípio da boa-
fé objetiva, segundo a qual a ninguém é lícito fazer valer um direito em contradição com a sua
conduta anterior ou posterior interpretada objetivamente, segundo a lei, os bons costumes e a boa-
fé.

SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 690

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 14/45
PROCESSO Processo em segredo de Justiça, Rel. Ministro Ricardo
Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, por unanimidade,
julgado em 28/2/2023.

RAMO DO DIREITO DIREITO DESPORTIVO

TEMA Transferência de atleta profissional de futebol. Direitos


federativos. Direitos econômicos. Diferença. Entidade de
prática desportiva. Compartilhamento dos direitos
econômicos. Cessão civil. Possibilidade.

DESTAQUE

O compartilhamento de direitos econômicos relativos a atleta profissional de futebol por


meio de cessão civil por entidade de prática desportiva não é vedado pelo ordenamento jurídico.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR

A controvérsia busca definir a diferença entre direitos federativos e direitos econômicos e


se o compartilhamento dos últimos por meio de cessão civil pela entidade de prática desportiva a
terceiro importaria violação dos arts. 27-B, 27-C e 28, inciso II, da Lei n. 9.615/1998.

Os direitos federativos estão relacionados ao vínculo desportivo do atleta com a entidade


de prática desportiva, acessório ao vínculo empregatício, e são constituídos com o registro do
contrato especial de trabalho desportivo na entidade de administração do desporto, como dispõe o
art. 28, § 5º, da Lei n. 9.615/1998. São indivisíveis, embora possam ser transferidos a título oneroso
ou gratuito, na última hipótese, como ocorre nos casos de empréstimo de atletas, regulado pelo art.
39 da referida lei.

Os direitos econômicos decorrem da obrigatoriedade de se estabelecer cláusula


indenizatória nos contratos de trabalho desportivo, podendo tal cláusula ser juridicamente
enquadrada como expectativa de direito.

Não se nega que sejam as cláusulas indenizatória e compensatória desportivas devidas

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 15/45
exclusivamente à entidade de prática desportiva ou ao atleta. O que ocorre é que esses direitos são
tratados nessas operações como expectativa de direitos, em momento antecedente aos requisitos
que os constituem como devidos, e que podem ou não ocorrer.

Nesse aspecto, a negociação de tal expectativa de direitos se dará nas hipóteses do art. 28,
I, "a", da Lei n. 9.615/1998, ou seja, quando houver transferência do atleta durante a vigência do
contrato de trabalho desportivo, sendo denominada nesse mercado como "direitos econômicos".

Ao tempo dos fatos, os chamados direitos econômicos eram negociados tanto com clubes
como com investidores e outros interessados, em operações relativas à transferência do vínculo
desportivo, mas que tinham por objeto o futuro e incerto recebimento da indenização prevista na
cláusula indenizatória, obrigatória por força da lei para essa espécie de contrato de trabalho.

Como o atleta e a nova entidade de prática desportiva empregadora são solidariamente


responsáveis pelo pagamento da cláusula indenizatória desportiva, conforme § 2º do art. 28 da Lei
n. 9.615/1998, o interesse em operações dessa natureza decorre exatamente do contexto do
mercado envolvido.

Os atletas originalmente vinculam-se desportivamente a entidades que realizam sua


formação e, com o passar do tempo e o desenvolvimento de seus talentos, a expectativa de que a
cláusula indenizatória alcance cifras expressivas torna a expectativa desse direito de recebê-la
altamente atrativa aos clubes.

Assim, embora os clubes sejam os titulares do direito ao recebimento dos valores


previstos na cláusula indenizatória, o mercado desportivo organizou-se de modo a tornar a
expectativa desse direito um ativo relevante e negociável.

Evidente que a própria lógica do negócio parece desvirtuar a razão pela qual são previstas
cláusulas indenizatórias. É dizer, o próprio clube supostamente prejudicado pelo descumprimento
contratual é que na maioria das vezes negocia a transferência do vínculo federativo do atleta antes
do término do contrato de trabalho e, por consequência, os direitos econômicos correspondentes.

Ainda que atualmente esses negócios só possam ser entabulados entre entidades de
prática desportiva, contexto diverso daquele existente na época da operação, o certo é que não há
vedação legal à cessão de direitos econômicos.

Portanto, no caso, a cessão de crédito sobre 10% (dez por cento) dos direitos econômicos
relacionados com a operação, ou seja, percentual sobre a expectativa do valor que seria recebido a

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 16/45
título de cláusula indenizatória em razão da transferência do vínculo desportivo do atleta para o
clube estrangeiro continuou hígida, sendo válida e eficaz em relação ao clube recorrente, sem que se
possa falar em violação dos arts. 27-B, 27-C e 28, inciso II, da Lei n. 9.615/1998.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS

LEGISLAÇÃO

Lei n. 9.615/1998, arts. 27-B, 27-C , 28, caput, I, "a", II, § 2º e § 5º, e art. 39

PROCESSO REsp 1.844.690-CE, Rel. Ministro Ricardo Villas Bôas


Cueva, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em
14/2/2023.

RAMO DO DIREITO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

TEMA Ação rescisória. Desconstituição de título judicial


condenatório. Cumprimento de sentença. Inclusão no
polo ativo de terceiro estranho à lide. Pessoa jurídica
distinta daquela que sucedeu a parte ré no processo
originário. Legitimidade ativa. Não configuração.
Terceiro juridicamente interessado. Não configuração.
Interesse meramente econômico.

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 17/45
DESTAQUE

Não possui legitimidade para a propositura da ação rescisória de título judicial


condenatório o terceiro, pessoa jurídica distinta daquela que sucedeu a parte ré no processo
originário, indevidamente incluído no polo passivo na fase de cumprimento de sentença.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR

A controvérsia resume-se a saber se o banco que integra o mesmo conglomerado


econômico de pessoa jurídica que incorporou outra instituição financeira possui legitimidade para o
ajuizamento de ação rescisória visando à desconstituição de título judicial condenatório proferido
contra esta.

No caso, em que pese ter sido admitida a existência de documento oficial emitido pelo
Banco Central do Brasil por meio do qual se conclui que a instituição financeira não foi incorporada
pelo banco, mas por outra pessoa jurídica que integra o mesmo conglomerado econômico, foi
reconhecida a legitimidade do banco, pois teria sido quem foi indicado como parte executada no
pedido de cumprimento de sentença.

A legitimidade para a propositura da ação rescisória não pode ser definida a partir da
constatação de quem está respondendo, ainda que indevidamente, ao pedido de cumprimento de
sentença, senão pela averiguação de quem foi diretamente alcançado pelos efeitos da coisa julgada
formada na decisão rescindenda, ou seja, quem integrava a relação jurídico-processual na demanda
originária da qual resultou o título judicial que se busca rescindir.

Nos termos do art. 967 do Código de Processo Civil de 2015, são legitimados para a
propositura de ação rescisória quem foi parte no processo ou o seu sucessor a título universal ou
singular, o terceiro juridicamente interessado, o Ministério Público e aquele que não foi ouvido no
processo em que lhe era obrigatória a intervenção.

O fato de ter sido apresentado pedido de cumprimento de sentença contra pessoa jurídica
distinta daquela que sucedeu a parte ré no processo originário não serve ao propósito de lhe
conferir legitimidade para a propositura da ação rescisória, nem sequer sob a condição de terceiro
interessado, tendo em vista que o interesse capaz de conferir legitimidade ativa ao terceiro é apenas
o jurídico, e não o meramente econômico.

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 18/45
Ainda sob a disciplina do revogado art. 487, II, do Código de Processo Civil de 1973, que
também conferia legitimidade ao terceiro juridicamente interessado para propor ação rescisória,
esta Corte Superior de Justiça bem delimitou o conceito de "interesse jurídico" para fins de aplicação
do referido preceito legal, no sentido de que "revela-se pela titularidade de relação jurídica conexa
com aquela sobre a qual dispôs sentença rescindenda, bem como pela existência de prejuízo jurídico
sofrido".

Assim, deve ser julgada extinta a ação rescisória ajuizada pelo banco, por ilegitimidade
ativa ad causam.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS

LEGISLAÇÃO

Código de Processo Civil, art. 967


Código Civil, art. 50

PROCESSO AgInt nos EDcl no REsp 2.006.859-SP, Rel. Ministra


Nancy Andrighi, Terceira Turma, por unanimidade,
julgado em 13/2/2023, DJe 15/2/2023.

RAMO DO DIREITO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

TEMA Tempestividade. Dia do servidor público (28 de outubro).


Segunda-feira de carnaval. Quarta-feira de Cinzas. Os dias
que precedem a sexta-feira da Paixão. Dia de Corpus
Christi. Feriados locais. Necessidade de comprovação no
ato da interposição do recurso. Art. 1.003, § 6º, do Código
de Processo Civil.

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 19/45
DESTAQUE

O dia do servidor público (28 de outubro), a segunda-feira de carnaval, a quarta-feira de


Cinzas, os dias que precedem a sexta-feira da Paixão e, também, o dia de Corpus Christi não são
feriados nacionais, em razão de não haver previsão em lei federal, de modo que deve a parte
comprovar a suspensão do expediente forense quando da interposição do recurso, por documento
idôneo.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR

O artigo 1.003, § 6º, do Código de Processo Civil estabelece que o recorrente comprovará a
ocorrência de feriado local no ato de interposição do recurso, o que impossibilita a regularização
posterior.

O dia do servidor público (28 de outubro), a segunda-feira de carnaval, a quarta-feira de


Cinzas, os dias que precedem a sexta-feira da Paixão e, também, o dia de Corpus Christi não são
feriados nacionais, em razão de não haver previsão em lei federal, de modo que o dever da parte de
comprovar a suspensão do expediente forense quando da interposição do recurso, por documento
idôneo, não é elidido.

Desse modo, os recursos interpostos na instância de origem, mesmo que endereçados a


esta Corte Superior, observam o calendário de funcionamento do tribunal local, não podendo se
utilizar, para todos os casos, dos feriados e das suspensões previstas em Portaria e no Regimento
Interno do Superior Tribunal de Justiça, que muitas vezes não coincidem com os da Justiça estadual.

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 20/45
INFORMAÇÕES ADICIONAIS

LEGISLAÇÃO

Código de Processo Civil, art. 1.003, § 6º.

SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 1 - Edição Especial

Informativo de Jurisprudência n. 660

Informativo de Jurisprudência n. 666

Informativo de Jurisprudência n. 697

Jurisprudência em Teses / DIREITO PROCESSUAL CIVIL - EDIÇÃO N. 183: AGRAVO INTERNO II

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 21/45
QUARTA TURMA

PROCESSO REsp 1.717.144-SP, Rel. Ministro Antonio Carlos Ferreira,


Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 14/2/2023.

RAMO DO DIREITO DIREITO CIVIL

TEMA Cumprimento de sentença. Ausência de bens passíveis de


excussão. Suspensão. Longo período de tempo sem
diligências por parte do credor. Juros e correção
monetária. Suspensão da fluência. Não cabimento.
Supressio. Não configuração.

DESTAQUE

A suspensão do cumprimento de sentença, em virtude da ausência de bens passíveis de


excussão, por longo período de tempo, sem diligência por parte do credor, não configura supressio,
de modo que não obsta a fluência dos juros e da correção monetária.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR

O Tribunal de origem, malgrado tenha afastado a prescrição intercorrente, ou seja, tenha


reconhecido que a fluência do tempo não extinguira a pretensão do exequente, identificou que a
inação do exequente foi significativa na convicção de que o direito não mais se exerceria. Como
consequência, excluiu do montante devido os juros e atualização monetária desde o momento da
suspensão do feito.

O instituto da supressio não se confunde com a extinção dos direitos, de exigência ou


formativos, pela prescrição ou pela decadência, embora tais institutos tenham como ponto comum
seu fundamento na necessidade de estabilização das relações jurídicas.

A supressio consubstancia-se na impossibilidade de se exercer um direito por parte de seu


titular em razão de seu não exercício por certo período variável de tempo e que, em razão dessa
omissão, gera da parte contrária uma expectativa legítima de que não seria mais exigível. Portanto,

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 22/45
pelo não exercício do direito passível de ser exercido por um lapso temporal - não determinável a
priori - a outra parte da relação obrigacional confia que a situação se estabilizou e que não será
compelida a cumpri-la, revelando-se, pois, certo abrandamento do princípio pacta sunt servanda,
não mais tomado no sentido absoluto típico de sua formulação liberal.

Há, por conseguinte, um deslocamento do eixo meramente temporal e, em decorrência,


subjetivamente indiferente, para a análise da omissão do credor distendida no tempo e do correlato
efeito quanto à expectativa do devedor na preservação da estabilidade jurídica gerada por aquele
comportamento. A omissão, portanto, ganha relevância jurídica ao provocar na outra parte a
convicção de que o direito subjetivo não mais será exercido.

Portanto, para a configuração da supressio e a decorrente perda do direito subjetivo de


exigência ou formativo, deve-se perquirir, concretamente, acerca da relevância jurídica da omissão
da parte e de sua repercussão na convicção da outra parte, confiante de que o direito não será
exercido. Torna-se patente, por conseguinte, que o instituto da supressio constitui fragmento do
princípio da boa-fé objetiva, em sua feição limitadora de direitos e, por esse motivo, é tratado pela
doutrina como o exercício inadmissível de direitos. Embora reconhecido pela jurisprudência antes
mesmo de sua previsão normativa, atualmente o princípio da boa-fé objetiva tem assento no art.
422 do Código Civil.

Contrariamente, na prescrição - extinção da pretensão - e na decadência - extinção do


direito potestativo ou formativo - não há que se indagar acerca da observância da boa-fé ou do dever
de lealdade ou confiança, porquanto seu elemento operativo é a simples fluência do tempo
legalmente determinado. Assim, independentemente da conduta do credor, o mero transcurso do
tempo implicará a extinção do direito de seu titular.

Curiosamente, o desenvolvimento do instituto da supressio, como de outros relacionados


à inadmissibilidade do exercício de direitos, liga-se exatamente ao fenômeno inflacionário e ao
abrandamento do princípio do nominalismo, para, com fundamento na boa-fé em sua vertente
objetiva, interferir no cumprimento das obrigações.

No caso presente, contudo, a supressio não tem aplicação, porquanto não se permite o
reconhecimento de que a suspensão do processo de execução, em razão da inexistência de bens,
tenha incutido no executado a expectativa legítima de que não seria mais exercido. Ora, o direito do
exequente foi efetivamente exercido ao ajuizar a ação e ao ser dado início ao cumprimento da
sentença transitada em julgado. Conquanto determinadas vicissitudes a que estão sujeitos os
processos judiciais possam implicar delongas em seu desenvolvimento ou mesmo na concretização
do direito das partes, tais circunstâncias não podem ser consideradas verdadeiramente
significativas, de modo a qualificar uma omissão como relevante para a extinção do direito.

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 23/45
Em casos tais, o exequente permanece em uma situação de espera, e o elemento
significativo para a circunstância da suspensão do processo - e o protraimento da concretização do
direito reconhecido na sentença - não é sua omissão, mas a ausência de patrimônio passível de
excussão para o adimplemento da obrigação. Infere-se, pois, que não se pode caracterizar a
relevância jurídica da paralisação do processo como causa para a extinção do direito, integral ou
parcialmente, pela ocorrência da supressio.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS

LEGISLAÇÃO

Código Civil, art. 422

SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 478

Informativo de Jurisprudência n. 640

Informativo de Jurisprudência n. 659

Informativo de Jurisprudência n. 680

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 24/45
PROCESSO REsp 1.759.745-SP, Rel. Ministro Marco Buzzi, Quarta
Turma, por unanimidade, julgado em 28/2/2023.

RAMO DO DIREITO DIREITO CIVIL, DIREITO DO CONSUMIDOR, DIREITO


MARCÁRIO

TEMA Publicidade. Utilização de propaganda comparativa.


Empresa que se autoavalia como a melhor no que faz.
Exagero tolerável. Puffing. Licitude. Propaganda
enganosa. Concorrência desleal. Não configuração.
Avaliação subjetiva de cada consumidor.

DESTAQUE

É lícita a peça publicitária em que o fabricante ou o prestador de serviço se autoavalia


como o melhor naquilo que faz, prática caracterizada como puffing.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR

Cinge-se a controvérsia a determinar se configuraria propaganda enganosa ou


concorrência desleal a utilização do claim "Melhor em tudo o que faz", pois seria uma informação
passível de medição objetiva.

Essa expressão caracteriza-se como puffing, sendo forma de publicidade que utiliza o
exagero publicitário como método de convencimento dos consumidores.

A respeito deste método publicitário, a doutrina aponta que "haverá muitos casos em que
o puffing, ainda que utilizado intencionalmente para atrair o consumidor incauto, acaba não
podendo ser capaz de tornar enganoso o anúncio. Isso é muito comum nos casos dos aspectos
subjetivos típicos dos produtos ou serviços: quando se diz que é o 'mais gostoso'; tenha 'o melhor
paladar'; 'o melhor sabor'; 'o lugar mais aconchegante'; 'o mais acolhedor'; 'a melhor comédia'; 'o
filme do ano'; etc. Como tais afirmações dependem de uma avaliação crítica (ou não) subjetiva de
cada consumidor, fica difícil, senão impossível, atribuir de fato a possibilidade da prova da verdade
da afirmação. Afinal, gosto é difícil de discutir".

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 25/45
No caso, de acordo com o exposto nas razões do especial, as peças publicitárias dariam a
entender ser o seu produto melhor do que outros em relação aos atributos cor, consistência e sabor,
e, por esse motivo, a ocorrência de propaganda enganosa, bem como concorrência desleal capazes
de violar, respectivamente, o art. 37 do Código de Defesa do Consumidor e o art. 195 da Lei da
Propriedade Industrial.

Contudo, não é razoável proibir o fabricante ou prestador de serviço de se autoproclamar


o melhor naquilo que faz, mormente porque essa é a autoavaliação do seu produto e a meta a ser
alcançada, ainda mais quando não há nenhuma mensagem depreciativa no tocante aos seus
concorrentes.

Além disso, a empresa concorrente, em sua argumentação, realiza uma excessiva


infantilização do consumidor médio brasileiro, como se a partir de determinada peça publicitária
tudo fosse levado ao pé da letra, ignorando a relevância das preferências pessoais, bem como a
análise subjetiva de custo-benefício.

Percebe-se, desse modo, que os exemplos indicados pela doutrina como de puffing se
amoldam perfeitamente à hipótese sub judice, qual seja, uma afirmação exagerada que depende de
uma avaliação crítica subjetiva para averiguação, não sendo possível mensuração objetiva.

Nesse sentido, caso se considere existir conteúdo comparativo na expressão entre o


produto de uma empresa e os demais da mesma espécie oferecidos no mercado, o entendimento do
STJ firmou-se no sentido de admitir a publicidade comparativa, desde que obedeça ao princípio da
veracidade das informações, seja objetiva e não abusiva. A propaganda ilegal é aquela que induz em
erro o consumidor, causando confusão entre as marcas, ocorrendo de maneira a depreciar a marca
do concorrente, com o consequente desvio de sua clientela, prestando informações falsas e não
objetivas (REsp 1.377.911/SP, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, julgado em
2/10/2014, DJe 19/12/2014).

Não há, na expressão veiculada nas propagandas comerciais, nenhuma depreciação aos
produtos de suas concorrentes, apenas exortação ao seu próprio, o que não é vedado pela legislação
brasileira.

Portanto, é lícita a utilização da frase "Melhor em tudo o que faz".

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 26/45
INFORMAÇÕES ADICIONAIS

LEGISLAÇÃO

Código de Defesa do Consumidor, art. 37


Lei n. 9.279/1996 (Lei da Propriedade Industrial), art. 195

SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 550

Legislação Aplicada / LEI 8.078/1990 (CÓDIGO DE PROTEÇÃO E DEFESA DO CONSUMIDOR) -


Dispõe sobre a proteção do consumidor e dá outras providências.

PROCESSO AgInt no REsp 1.802.192-MG, Rel. Ministro João Otávio


de Noronha, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em
12/12/2022, DJe 15/12/2022.

RAMO DO DIREITO DIREITO CIVIL, DIREITO PROCESSUAL CIVIL

TEMA Ação de usucapião. Reconhecimento. Liquidação de


sentença. Ausência de pedido expresso na inicial. Decisão
extra petita. Não configuração.

DESTAQUE

Não configura decisão extra petita a sentença que, reconhecendo a usucapião, determina a
liquidação para individualizar a área usucapida, ainda que não haja pedido expresso na inicial.

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 27/45
INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR

Nos termos do art. 492 do Código de Processo Civil, é vedado ao juiz proferir decisão de
natureza diversa da pedida, bem como condenar a parte em quantidade superior ou em objeto
diverso do que lhe foi demandado.

Por sua vez, o mesmo diploma legal, no art. 141, dispõe que "o juiz decidirá o mérito nos
limites propostos pelas partes, sendo-lhe vedado conhecer de questões não suscitadas a cujo
respeito a lei exige iniciativa da parte".

Daí se reconhece que a atuação de ofício do magistrado que ultrapassa os limites do


pedido inicial enseja decisão extra petita.

Esta Corte já definiu que não há violação dos limites da causa quando o julgador reconhece
os pedidos implícitos formulados na petição inicial, não estando restrito ao que está expresso no
capítulo referente aos pedidos, sendo-lhe permitido extrair da interpretação lógico-sistemática da
petição inicial aquilo que a parte pretende obter, aplicando o princípio da equidade (AgInt no REsp
1.823.194/SP, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, julgado em 14/2/2022, DJe
17/2/2022).

Isso porque, para compreender os limites do pedido, é preciso também interpretar a


intenção da parte com a instauração da demanda. Assim, não é extra petita o julgado que decide
questão que é reflexo do pedido deduzido na inicial. Supera-se a ideia da absoluta congruência entre
o pedido e a sentença para outorgar a tutela jurisdicional adequada e efetiva à parte, o que se
verifica no caso concreto.

A conclusão pela necessidade de liquidação de sentença com a produção de perícia técnica


para determinar e individualizar a área usucapida de imóvel maior e indiviso apenas outorga tutela
jurisdicional adequada e efetiva à parte, na medida em que necessária para a expedição do mandado
de registro da usucapião para certificar e dar publicidade ao domínio no cartório de registro de
imóveis, mormente quando os arts. 1.238 e 1.241, parágrafo único, do Código Civil estabelecem que
a sentença de usucapião servirá de título para o registo no cartório de imóveis.

Assim, a possibilidade de registro da sentença que reconheceu a usucapião de imóvel (aí


incluída a necessária individualização da área usucapida) é reflexo do pedido deduzido na inicial,
sendo desnecessário pedido explícito da parte nesse sentido.

Logo, não há falar em julgamento extra petita, porquanto o órgão julgador não

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 28/45
desrespeitou os limites objetivos da pretensão inicial nem concedeu providência jurisdicional
diversa da que fora requerida, em atenção ao princípio da congruência ou adstrição.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS

LEGISLAÇÃO

Código de Processo Civil, art. 141 e art. 492


Código Civil, art. 1.238 e art. 1.241

PROCESSO Processo em segredo de justiça, Rel. Ministro Luis Felipe


Salomão, Rel. para acórdão Ministro Marco Buzzi, Quarta
Turma, por maioria, julgado em 27/9/2022, DJe
16/2/2023.

RAMO DO DIREITO DIREITO DO CONSUMIDOR, DIREITO DA SAÚDE

TEMA Plano de saúde. Indisponibilidade de prestador de


serviço credenciado na área de abrangência. Operadora
que descumpre o dever de garantir o atendimento no
mesmo município, ainda que por prestador não
integrante da rede assistencial. Dever de reembolso.

DESTAQUE

Plano de saúde tem o dever de reembolsar as despesas médico-hospitalares realizadas por


beneficiário fora da rede credenciada na hipótese em que descumpre o dever de garantir o
atendimento no mesmo município, ainda que por prestador não integrante da rede assistencial.

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 29/45
INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR

Controvérsia afeta à possibilidade de considerar cumprida a obrigação do plano de


garantir acesso do beneficiário aos serviços e procedimentos para atendimento das coberturas, na
hipótese de indisponibilidade de prestador de serviço credenciado no município de abrangência do
plano, quando existir hospital credenciado em município limítrofe.

Nos termos da Resolução Normativa n. 259/2011 da Agência Nacional de Saúde


Suplementar (ANS), em caso de indisponibilidade de prestador credenciado da rede assistencial que
ofereça o serviço ou procedimento demandado, no município pertencente à área geográfica de
abrangência e à área de atuação do produto, a operadora deverá garantir o atendimento,
preferencialmente, no âmbito do mesmo município, ainda que por prestador não integrante da rede
assistencial da operadora do plano de saúde, cujo pagamento se dará mediante acordo entre as
partes (operadora do plano e prestador).

Somente em caso de inexistência de prestador não integrante da rede assistencial no


mesmo município é que será devido o atendimento em município limítrofe.

Ademais, competia à operadora de saúde ter realizado a indicação de prestador não


credenciado para o atendimento da beneficiária no município de abrangência, sendo certo que o
pagamento se daria "mediante acordo entre as partes", ou seja, entre a operadora e o prestador do
serviço.

Ressalte-se, que, nessas hipóteses, a operadora tem a obrigação, ainda, de custear o


transporte do beneficiário (ida e volta) e se, por qualquer motivo, descumprir a garantia de
atendimento, incidirá o disposto no artigo 9º, que prevê reembolso integral.

Seja em razão da primazia do atendimento no município pertencente à área geográfica de


abrangência, ainda que por prestador não integrante da rede credenciada, seja em virtude da não
indicação, pela operadora, de prestador junto ao qual tenha firmado acordo, bem como diante da
impossibilidade de a parte autora se locomover a município limítrofe, afigura-se devido o reembolso
integral das despesas realizadas, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data da solicitação de
reembolso, conforme previsão expressa do artigo 9° da RN n. 259/11 da ANS.

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 30/45
INFORMAÇÕES ADICIONAIS

LEGISLAÇÃO

Resolução Normativa n. 259/2011 da ANS, art. 9º

SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 655

Informativo de Jurisprudência n. 684

Informativo de Jurisprudência n. 729

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 31/45
QUINTA TURMA

PROCESSO AgRg no AREsp 2.197.959-SP, Rel. Ministro Reynaldo


Soares da Fonseca, Quinta Turma, por maioria, julgado
em 28/2/2023.

RAMO DO DIREITO DIREITO PENAL, DIREITO PROCESSUAL PENAL

TEMA Descaminho. Crime praticado em transporte aéreo. Voo


regular. Causa de aumento prevista no § 3º do art. 334 do
Código Penal. Incidência.

DESTAQUE

Incide a causa especial de aumento de pena prevista no § 3º do art. 334 do Código Penal
quando se tratar de descaminho praticado em transporte aéreo, não sendo relevante o fato de o voo
ser regular ou clandestino.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR

A controvérsia consiste em definir se a pena ao crime de descaminho deve ser aplicada em


dobro quando o transporte aéreo ocorre por meio de voo regular.

O art. 334, § 3º, do Código Penal prevê a aplicação da pena em dobro, se "o crime de
contrabando ou descaminho é praticado em transporte aéreo". Nos termos da jurisprudência desta
Corte, se a lei não faz restrições quanto à espécie de voo que enseja a aplicação da majorante, não
cabe ao intérprete restringir a aplicação do dispositivo legal, sendo irrelevante que o transporte seja
clandestino ou regular (HC 390.899/SP, Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe 28/11/2017).

No caso, a Corte de origem consignou o mesmo entendimento do Superior Tribunal de


Justiça no sentido de que, quando se tratar de descaminho praticado em transporte aéreo, incide a
causa de aumento supracitada, não sendo relevante o fato de o voo ser regular ou clandestino. No
relatório do acórdão da Corte Regional Federal, aliás, registra-se que parte das mercadorias foi,
inclusive, para a zona de abandono (fora das barreiras alfandegárias). Assim, ficou demonstrado que

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 32/45
a mercadoria ingressou no país, transpondo a aduana, concluindo-se pela modalidade consumada
do delito e a consequente causa de aumento.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS

LEGISLAÇÃO

Código Penal, art. 334, §3º

SAIBA MAIS
Pesquisa Pronta / DIREITO PENAL - CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

Pesquisa Pronta / DIREITO PENAL - CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

PROCESSO Processo em segredo de justiça, Rel. Ministro Joel Ilan


Paciornik, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em
28/02/2023.

RAMO DO DIREITO DIREITO PROCESSUAL PENAL, DIREITO PROCESSUAL


PENAL MILITAR

TEMA Processo penal militar. Assistente de acusação.


Interposição de recurso contra sentença absolutória.
Requerimento de absolvição pelo órgão ministerial.
Legitimidade. Interpretação sistemática. Analogia.

DESTAQUE

No processo penal militar, o assistente de acusação possui legitimidade para recorrer da


sentença absolutória, ainda que a absolvição tenha sido requerida pelo órgão ministerial.

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 33/45
INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR

A controvérsia apresentada diz respeito à possibilidade de o assistente de acusação, no


processo penal militar, interpor apelação independentemente da existência de recurso do Ministério
Público.

O art. 65 do Código de Processo Penal Militar (CPPM) dispõe que o assistente não poderá
"impetrar recursos, salvo de despacho que indeferir o pedido de assistência".

O art. 271 do Código de Processo Penal (CPP), por sua vez, dispõe que ao "assistente será
permitido propor meios de prova, requerer perguntas às testemunhas, aditar o libelo e os
articulados, participar do debate oral e arrazoar os recursos interpostos pelo Ministério Público, ou
por ele próprio, nos casos dos arts. 584, § 1º, e 598".

Esta Corte Superior, analisando o papel do assistente de acusação no processo penal


comum, aplica interpretação sistemática ao art. 271 do CPP, não se restringindo à literalidade do
dispositivo. No ponto, é firme a jurisprudência no sentido de que "o assistente de acusação tem
legitimidade para, quando já iniciada a persecução penal pelo seu órgão titular, atuar em seu auxílio
e também supletivamente, na busca pela justa sanção, podendo apelar, opor embargos declaratórios
e até interpor recurso extraordinário ou especial (REsp 1.675.874/MS, Voto do Ministro Rogério
Schietti Cruz)" (AgRg nos EDcl no AREsp 1.565.652/RJ, Relator Ministro Nefi Cordeiro, Sexta Turma,
DJe 23/6/2020).

Conforme explica a doutrina, "o Direito não é um mero conjunto de normas, mas compõe
um ordenamento, em que cada parte tem conexão com o todo, à luz do qual deve ser compreendida.
A interpretação sistemática busca promover a harmonia entre essas partes. Isso não significa dizer
que essa harmonia no ordenamento seja um dado da realidade, que se possa comprovar pela análise
das leis em vigor. Sabe-se, pelo contrário, que no Estado contemporâneo, caracterizado pela inflação
legislativa e pelo pluralismo dos interesses que são juridicamente tutelados, a existência de tensões
e conflitos entre normas jurídicas é fenômeno corriqueiro. Na verdade, a busca da harmonização e
da coerência no ordenamento é uma tarefa que o intérprete deve perseguir; muitas vezes uma tarefa
dificílima. Trata-se de um ponto de chegada que se aspira atingir, e não do ponto de partida do
intérprete".

Assim, igual raciocínio - interpretação sistemática acerca do papel do assistente de


acusação - deve ser aplicado à legislação processual penal militar, de vez que "não se pode privar a
vítima, que efetivamente sofreu, como sujeito passivo do crime, o gravame causado pelo ato típico e
antijurídico, de qualquer tutela jurisdicional, sob pena de ofensa às garantias constitucionais do

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 34/45
acesso à justiça e do duplo grau de jurisdição" (HC 123.365/SP, Rel. Ministro Og Fernandes, Sexta
Turma, DJe 23/8/2010).

Quanto à não caracterização de inércia do órgão ministerial a possibilitar a interposição


recursal supletiva, destaca-se que "O assistente de acusação possui legitimidade para interpor
recurso de apelação, em caráter supletivo, nos termos do art. 598 do CPP, ainda que o Ministério
Público tenha requerido a absolvição do réu em plenário" (REsp 1.451.720/SP, relator Ministro
Sebastião Reis Júnior, relator para acórdão Ministro Nefi Cordeiro, Sexta Turma, DJe 24/6/2015).

Esse mesmo entendimento já foi externado pelo Supremo Tribunal Federal no HC


102.085/RS, relatora ministra Cármen Lúcia, Tribunal Pleno, julgado em 10/6/2010, DJe
27/8/2010).

INFORMAÇÕES ADICIONAIS

LEGISLAÇÃO

Código de Processo Penal (CPP), arts. 271 e 598


Código de Processo Penal Militar (CPPM), arts. 3º e 65

SAIBA MAIS
Pesquisa Pronta / DIREITO PROCESSUAL PENAL - SUJEITOS PROCESSUAIS

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 35/45
SEXTA TURMA

PROCESSO Processo em segredo de justiça, Rel. Ministra Laurita Vaz,


Sexta Turma, por unanimidade, julgado em 14/2/2023.

RAMO DO DIREITO DIREITO PROCESSUAL PENAL

TEMA Estupro de vulnerável. Vítima do sexo masculino.


Competência para julgar crimes de violência sexual
contra crianças e adolescentes. Art. 23, caput e parágrafo
único, da Lei n. 13.431/2017. Criação de varas
especializadas. Competência subsidiária dos
juizados/varas de violência doméstica. Tramitação em
vara criminal comum apenas na ausência da jurisdição
especializada. Questões de gênero. Irrelevância. Proteção
integral e absoluta prioridade.

DESTAQUE

A partir da entrada em vigor da Lei n. 13.431/2017, nas comarcas em que não houver vara
especializada em crimes contra a criança e o adolescente, compete à vara especializada em violência
doméstica julgar as ações penais que apurem crimes envolvendo violência contra crianças e
adolescentes, independentemente de considerações acerca do sexo da vítima ou da motivação da
violência, ressalvada a modulação de efeitos realizada no julgamento do EAREsp 2.099.532/RJ.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR

A Terceira Seção desta Corte Superior uniformizou a interpretação a ser conferida ao art.
23 da Lei n. 13.431/2017 no julgamento do EAREsp 2.099.532/RJ, fixando a tese de que, após o
advento desta norma, "nas comarcas em que não houver vara especializada em crimes contra a
criança e o adolescente, compete à vara especializada em violência doméstica, onde houver,
processar e julgar os casos envolvendo estupro de vulnerável cometido pelo pai (bem como pelo
padrasto, companheiro, namorado ou similar) contra a filha (ou criança ou adolescente) no
ambiente doméstico ou familiar", ressalvada a modulação de efeitos realizada naquele julgamento.

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 36/45
O Legislador estabeleceu, no caput do artigo supracitado, como possibilidade aos órgãos
responsáveis pela organização judiciária, a criação de varas especializadas em crimes contra a
criança e o adolescente. Enquanto não instituídas as varas especializadas, o parágrafo único do
mesmo dispositivo legal determinou que as causas decorrentes de práticas de violência contra
crianças e adolescentes, independentemente de considerações acerca do sexo da vítima ou da
motivação da violência, deveriam tramitar nos juizados ou varas especializadas em violência
doméstica.

Desse modo, as ações penais que apurem crimes envolvendo violência contra crianças e
adolescentes devem tramitar nas varas especializadas previstas no caput do art. 23 do referido
diploma legal e, caso elas ainda não tenham sido criadas, nos juizados ou varas especializadas em
violência doméstica, conforme determina o parágrafo único do mesmo artigo. Somente nas
comarcas em que não houver varas especializadas em violência contra crianças e adolescentes ou
juizados/varas de violência doméstica, poderá a ação tramitar na vara criminal comum.

Esta interpretação tem como objetivo, em primeiro lugar, evitar que os dispositivos da Lei
n. 13.431/2017 se transformem em letra morta, o que frustraria o objetivo legislativo de instituir
um regime judicial protetivo especial para crianças e adolescentes vítimas de violências. De outra
parte, também concretiza os princípios da proteção integral e da absoluta prioridade (art. 227 da
Constituição Federal), bem como o compromisso internacional do Brasil em proteger crianças e
adolescentes contra todas as formas de violência (art. 19 do Decreto n. 99.710/1990), estabelecendo
que a submissão destes à competência especializada decorre de sua vulnerabilidade enquanto
pessoa humana em desenvolvimento, independentemente de considerações quanto ao sexo,
motivação do crime, circunstâncias da violência ou outras questões similares.

Outrossim, a tese de que o alargamento da competência dos juízos especializados em


violência doméstica poderá prejudicar a prestação jurisdicional precípua destes órgãos, qual seja, de
combate à violência doméstica e familiar contra a mulher, não justifica que se desconsidere a
disposição expressa da lei. Em verdade, incumbe aos órgãos responsáveis pela organização
judiciária avaliar o impacto do processamento de tais ações penais sobre os juizados de violência
doméstica e, analisando as peculiaridades de cada local, criar as varas ou juizados especializados, na
forma do art. 23 da Lei n. 13.431/17, dando assim cumprimento à imposição legal de conferir
prestação jurisdicional célere e especializada tanto às mulheres quanto às crianças e adolescentes.

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 37/45
INFORMAÇÕES ADICIONAIS

LEGISLAÇÃO

Lei n. 13.431/2017, art. 23


Constituição Federal, art. 227
Decreto n. 99.710/1990, art. 19

SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 755

PROCESSO REsp 2.022.413-PA, Rel. Ministro Sebastião Reis Júnior,


Rel. para acórdão Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta
Turma, por maioria, julgado em 14/2/2023.

RAMO DO DIREITO DIREITO PROCESSUAL PENAL

TEMA Sistema acusatório. Pedido de absolvição suscitado pelo


Ministério Público. Interpretação do art. 385 do CPP à luz
das alterações promovidas pela Lei n. 13.964/2019.
Compatibilidade. Revogação tácita. Não ocorrência.
Faculdade de o julgador condenar o acusado em
contrariedade ao pedido de absolvição do Parquet.
Excepcionalidade. Necessidade de fundamentação
substancial.

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 38/45
DESTAQUE

O art. 385 do Código de Processo Penal é compatível com o sistema acusatório e não foi
tacitamente derrogado pelo advento da Lei n. 13.964/2019, responsável por introduzir o art. 3º-A
no Código de Processo Penal.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR

A controvérsia consiste em definir se é possível que o julgador condene criminalmente o


réu mesmo quando o Ministério Público pede expressamente a sua absolvição em alegações finais,
sobretudo à luz das disposições trazidas pela nova Lei n. 13.964/2019, cuja sistemática haveria
revogado tacitamente o art. 385 do Código de Processo Penal.

Ao contrário de outros sistemas, em que o Ministério Público dispõe - por critérios de


discricionariedade -, da ação, no processo penal brasileiro o Promotor de Justiça não pode abrir mão
do dever de conduzir a actio penalis até seu desfecho, quer para a realização da pretensão punitiva,
quer para, se for o caso, postular a absolvição do acusado, hipótese que não obriga o juiz natural da
causa, consoante disposto no art. 385 do Código de Processo Penal, a atender ao pleito ministerial.

O art. 385 do Código de Processo Penal prevê que, quando o Ministério Público pede a
absolvição do acusado, ainda assim o juiz está autorizado a condená-lo, dada, também aqui, sob a
ótica do Poder Judiciário, a soberania do ato de julgar. Ademais, no nosso sistema, ao contrário de
outros, o órgão ministerial não dispõe livremente da ação penal. O Ministério Público é o titular da
ação penal, mas dela não pode, por razões de conveniência institucional, simplesmente dispor, tal
como ocorre na ação penal de iniciativa privada.

A compreensão, portanto, é de que as posições contingencialmente adotadas pelos


representantes do Ministério Público no curso de um processo não eliminam o conflito que está
imanente, permanente, na persecução penal, que é o conflito entre o interesse punitivo do Estado,
representado pelo Parquet, Estado acusador, e o interesse de proteção à liberdade do indivíduo
acusado, ambos sob a responsabilidade do órgão incumbido da soberana função de julgar, por meio
de quem, sopesadas as alegações e as provas produzidas sob o contraditório judicial, o Direito se
expressa concretamente.

Portanto, mesmo que o órgão ministerial, em alegações finais, não haja pedido a
condenação do acusado, ainda assim remanesce presente a pretensão acusatória formulada no
início da persecução penal - pautada pelos princípios da obrigatoriedade, da indisponibilidade e
pelo caráter publicista do processo -, a qual é julgada pelo Estado-juiz, mediante seu soberano poder

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 39/45
de dizer o direito (juris dicere).

É preciso lembrar, a propósito, que o princípio da correlação vincula o julgador apenas aos
fatos narrados na denúncia - aos quais ele pode, inclusive, atribuir qualificação jurídica diversa (art.
383 do CPP) -, mas não o vincula aos fundamentos jurídicos invocados pelas partes em alegações
finais para sustentar seus pedidos.

Dessa forma, uma vez veiculada a acusação por meio da denúncia e alterado o estado
natural de inércia da jurisdição - inafastável do Poder Judiciário, nos termos do art. 5º, XXXV, da
Constituição Federal -, o processo segue por impulso oficial e o juiz tem o dever - pautado pelo
sistema da persuasão racional - de analisar o mérito da causa submetida à sua apreciação à vista da
hipótese acusatória contida na denúncia, sem que lhe seja imposto o papel de mero homologador do
que lhe foi proposto pelo Parquet.

A submissão do magistrado à manifestação final do Ministério Público, a pretexto de


supostamente concretizar o princípio acusatório, implicaria, em verdade, subvertê-lo, transmutando
o órgão acusador em julgador e solapando, além da independência funcional da magistratura, duas
das basilares características da jurisdição: a indeclinabilidade e a indelegabilidade.

Com efeito, é importante não confundir a desistência da ação - que é expressamente


vedada ao Ministério Público pela previsão contida no art. 42 do CPP e que levaria, se permitida, à
extinção do processo sem resolução do mérito e sem a formação de coisa julgada material -, com a
necessária vinculação do julgador aos fundamentos apresentados por uma das partes em alegações
finais, cujo acolhimento leva à extinção com resolução do mérito da causa e à formação de coisa
julgada material insuperável, porquanto proibida a revisão criminal pro societate em nosso
ordenamento.

Bem observa a doutrina que, ao atribuir privativamente ao Ministério Público a função de


promover a ação penal pública, o Constituinte ressalvou no art. 129, I, que isso deveria ser exercido
"na forma da lei" ("promover, privativamente, a ação penal pública, na forma da lei"), de modo a
resguardar ao legislador ordinário alguma margem de conformação constitucional para tratar da
matéria, dentro da qual se enquadra a disposição contida no art. 385 do CPP. É dizer, mesmo sujeita
a algumas críticas doutrinárias legítimas, a referida previsão normativa não chega ao ponto de
poder ser considerada incompatível com o ordenamento jurídico brasileiro, tampouco com o
sistema acusatório entre nós adotado.

Faz-se apenas a necessária ponderação, à luz das pertinentes palavras do eminente


Ministro Roberto Barroso, no julgamento da AP 976/PE, de que "[t]al norma, ainda que considerada
constitucional, impõe ao julgador que decidir pela condenação um ônus de fundamentação elevado,

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 40/45
para justificar a excepcionalidade de decidir contra o titular da ação penal".

Vale dizer, uma vez formulado pedido de absolvição pelo dominus litis, caberá ao julgador,
na sentença, apresentar os motivos fáticos e jurídicos pelos quais entende ser cabível a condenação
e refutar não apenas os fundamentos suscitados pela defesa, mas também aqueles invocados pelo
Parquet em suas alegações finais, a fim de demonstrar o equívoco da manifestação ministerial. Isso
porque, tal como ocorre com os seus poderes instrutórios, a faculdade de o julgador condenar o
acusado em contrariedade ao pedido de absolvição do Parquet também só pode ser exercida de
forma excepcional, devidamente fundamentada à luz das circunstâncias do caso concreto.

Assim, diante de todas essas considerações, não há falar em violação dos arts. 3°-A do CPP
("Art. 3º-A. O processo penal terá estrutura acusatória, vedadas a iniciativa do juiz na fase de
investigação e a substituição da atuação probatória do órgão de acusação") e 2°, § 1°, da Lei de
Introdução às Normas do Direito Brasileiro ("A lei posterior revoga a anterior quando
expressamente o declare, quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a
matéria de que tratava a lei anterior"), porquanto o art. 385 do CPP não é incompatível com o
sistema acusatório entre nós adotado e não foi tacitamente derrogado pelo advento da Lei n.
13.964/2019, responsável por introduzir o art. 3º-A no Código de Processo Penal.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS

LEGISLAÇÃO

Código de Processo Penal, art. 385


Código de Processo Penal, art. 3º-A
Lei n. 13.964/2019

SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 761

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 41/45
PROCESSO AgRg no HC 798.551-PR, Rel. Ministro Jesuíno Rissato
(Desembargador convocado do TJDFT), Sexta Turma, por
unanimidade, julgado em 28/2/2023.

RAMO DO DIREITO DIREITO PROCESSUAL PENAL, DIREITO DA CRIANÇA E


DO ADOLESCENTE

TEMA Prisão domiciliar. Mãe com filho de até 12 anos


incompletos. Primeira infância. Acusada investigada pela
prática do crime de corrupção de menores em desfavor
do próprio filho. Não cabimento. Necessidade de integral
proteção dos menores.

DESTAQUE

A utilização do próprio filho para a prática de crimes, por se tratar de situação de risco ao
menor, obsta a concessão de prisão domiciliar.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR

O Superior Tribunal de Justiça possui entendimento no sentido de que "é possível o


indeferimento da prisão domiciliar da mãe de primeira infância, desde que fundamentada em reais
peculiaridades que indiquem maior necessidade de acautelamento da ordem pública ou melhor
cumprimento da teleologia da norma, na espécie, a integral proteção do menor" (AgRg no REsp
1.832.139/RS, relator Ministro Nefi Cordeiro, Sexta Turma, julgado em 18/2/2020, DJe 21/2/2020).

No caso, as instâncias ordinárias indeferiram o pedido de concessão de prisão domiciliar


por entenderem que a agravante também está sendo investigada pela prática do crime de corrupção
de menores em desfavor do próprio filho de 14 anos, o qual praticava o tráfico de drogas por
influência da acusada.

O fato de a genitora envolver o filho adolescente no tráfico representa risco à própria


proteção integral do menor. Nesse sentido, "os fatos de a investigada comercializar entorpecentes
em sua própria moradia, pertencer a organização criminosa, responder a outros procedimentos
criminais por delitos da mesma natureza e por homicídio, além de envolver os próprios filhos na

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 42/45
mercancia de entorpecentes, evidenciam o prognóstico de que a prisão domiciliar não impediria a
prática de novas condutas delitivas no interior de sua casa, na presença das filhas menores de 12
anos, circunstância que inviabiliza o acolhimento do pleito" (RHC 99.897/RS, relator Ministro
Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 25/9/2018, DJe 15/10/2018).

SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 733

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 43/45
CORTE ESPECIAL - JULGAMENTO NÃO CONCLUÍDO

PROCESSO REsp 1.795.982-SP, Rel. Ministro Luis Felipe Salomão,


Corte Especial, sessão de julgamento do dia 1º/3/2023.

RAMO DO DIREITO DIREITO CIVIL

TEMA Dano moral. Indenização. Art. 406 do Código Civil.


Critério de correção. Juros de mora. Taxa Selic. Pedido de
vista.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR

Trata-se de pedido de indenização por dano moral em que se discute a possibilidade de se


aplicar a taxa Selic em detrimento da correção monetária somada aos juros de mora.

O relator, Ministro Luis Felipe Salomão, votou contra a utilização da taxa Selic nos casos de
dívidas decorrentes de responsabilidade civil contratual ou extracontratual. Em seu voto, o Ministro
ponderou que a taxa Selic não é espelho do mercado, e que não reflete a real depreciação da moeda.

Após o voto do Ministro relator conhecendo do recurso especial e negando-lhe


provimento, pediu vista antecipada o Ministro Raul Araújo.

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 44/45
INFORMAÇÕES ADICIONAIS

LEGISLAÇÃO

Código Civil, art. 406

SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 306

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 45/45

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