Número 749 Brasília, 19 de setembro de 2022.
Este periódico destaca teses jurisprudenciais e não consiste em repositório oficial de jurisprudência.
SÚMULAS
SÚMULA N. 212 (CANCELADA)
A compensação de créditos tributários não pode ser deferida em ação cautelar
ou por medida liminar cautelar ou antecipatória. Primeira Seção, súmula n. 212
cancelada em 14/09/2022.
SÚMULA N. 497 (CANCELADA)
Os créditos das autarquias federais preferem aos créditos da Fazenda estadual
desde que coexistam penhoras sobre o mesmo bem. Primeira Seção, súmula n.
497 cancelada em 14/09/2022.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 1/43
RECURSOS REPETITIVOS
PROCESSO REsp 1.953.607-SC, Rel. Min. Ribeiro Dantas, Terceira
Seção, por unanimidade, julgado em 14/09/2022 (Tema
1120).
RAMO DO DIREITO EXECUÇÃO PENAL
TEMA Remição de pena. Art. 126, §4º, da Lei 7.210/1984 (LEP).
Trabalho e estudo. Suspensão durante a pandemia de
Covid-19. Princípio da individualização da pena.
Proibição de remição ficta. Situação excepcionalíssima.
Derrotabilidade da norma jurídica. Preservação dos
direitos. Princípios da dignidade da pessoa humana, da
isonomia e da fraternidade. Diferenciação necessária
(distinguishing). Tema n. 1120/STJ.
DESTAQUE
Nada obstante a interpretação restritiva que deve ser conferida ao art. 126, §4º, da LEP, os
princípios da individualização da pena, da dignidade da pessoa humana, da isonomia e da
fraternidade, ao lado da teoria da derrotabilidade da norma e da situação excepcionalíssima da
pandemia de Covid-19, impõem o cômputo do período de restrições sanitárias como de efetivo
estudo ou trabalho em favor dos presos que já estavam trabalhando ou estudando e se viram
impossibilitados de continuar seus afazeres unicamente em razão do estado pandêmico.
INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR
A controvérsia consiste em definir a possibilidade ou não de concessão de remição ficta,
com extensão do alcance da norma prevista no art. 126, §4º, da Lei de Execução Penal, aos apenados
impossibilitados de trabalhar ou estudar em razão da pandemia ocasionada pelo novo coronavírus.
O STJ entende que a ausência de previsão legal específica impossibilita a concessão de
remição da pena pelo simples fato de o Estado não propiciar meios necessários para o labor ou a
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 2/43
educação de todos os custodiados. Entende-se, portanto, que a omissão estatal não pode implicar
remição ficta da pena, haja vista a ratio do referido benefício, que é encurtar o tempo de pena
mediante a efetiva dedicação do preso a atividades lícitas e favoráveis à sua reinserção social e ao
seu progresso educativo.
Contudo, em que pese tal entendimento, ele não se aplica à hipótese excepcionalíssima da
pandemia de Covid-19 por várias razões (distinguishing). A jurisprudência mencionada foi
construída para um estado normal das coisas, não para uma pandemia.
O art. 3º da Lei 7.210/1984 estabelece que, "ao condenado e ao internado serão
assegurados todos os direitos não atingidos pela sentença ou pela lei". Em outros termos,
ressalvadas as restrições decorrentes da sentença penal e os efeitos da condenação, o condenado
mantém todos os direitos que lhe assistiam antes do trânsito em julgado da decisão condenatória.
Por sua vez, a doutrina estabelece que a "Derrotabilidade é o ato pelo qual uma norma
jurídica deixa de ser aplicada, mesmo presentes todas as condições de sua aplicabilidade, de modo a
prevalecer a justiça material no caso concreto".
Nessa linha, negar aos presos que já trabalhavam ou estudavam antes da pandemia de
Covid-19 o direito de continuar a remitir sua pena se revela medida injusta, pois: (a) desconsidera o
seu pertencimento à sociedade em geral, que padeceu, mas também se viu compensada com
algumas medidas jurídicas favoráveis, o que afrontaria o princípio da individualização da pena (art.
5º, XLVI, da CF/1988), da isonomia (art. 5º, caput, da CF/1988) e da fraternidade (art. 1º, II e III, 3º, I
e III, da CF/1988); (b) exige que o legislador tivesse previsto a pandemia como forma de continuar a
remição, o que é desnecessário ante o instituto da derrotabilidade da lei.
Note-se, assim, que não se está a conferir uma espécie de remição ficta pura e
simplesmente ante a impossibilidade material de trabalhar ou estudar. O benefício não deve ser
direcionado a todo e qualquer preso que não pôde trabalhar ou estudar durante a pandemia, mas
tão somente àqueles que, já estavam trabalhando ou estudando e, em razão da Covid, viram-se
impossibilitados de continuar com suas atividades.
SAIBA MAIS
Recursos Repetitivos / DIREITO PENAL - EXECUÇÃO PENAL
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 3/43
PRIMEIRA SEÇÃO
PROCESSO CC 188.950-TO, Rel. Min. Assusete Magalhães, Primeira
Seção, por unanimidade, julgado em 14/09/2022.
RAMO DO DIREITO DIREITO ADMINISTRATIVO, DIREITO PROCESSUAL
TRABALHISTA, DIREITO PROCESSUAL CIVIL
TEMA Servidor contratado pelo regime celetista antes da
CF/1988. Sem concurso público. Alteração de regime.
Verbas trabalhistas. Pedidos abrangendo os períodos
trabalhados nos regimes celetista e jurídico-
administrativo. Competência da Justiça do trabalho.
DESTAQUE
Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar reclamação trabalhista ajuizada por
servidor admitido sem concurso público e sob o regime celetista antes da CF/1988, mesmo que haja
cumulação de pedidos referente ao período trabalhado sob o regime de contratação temporária.
INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR
Na origem, trata-se de reclamação trabalhista ajuizada, em 20/10/2020, contra o
município, na qual a parte autora narrou que fora admitida em 23/01/1986, sob o regime da CLT,
sem concurso público. Foi dispensada, sem justa causa, em 31/03/2020, e recontratada no dia
seguinte, em 01/04/2020, para a mesma função, com alteração de regime jurídico, na modalidade
de prestação temporária de trabalho. Informou que continuou a exercer o mesmo trabalho, a partir
de 01/04/2020, mas com grande redução salarial, e que, "apesar da dispensa sem justa causa, o
Município réu não realizou as devidas anotações de baixa na CTPS do reclamante, assim como
também não realizou nenhum pagamento de verbas rescisórias, tampouco recolheu o FGTS do
autor". Requereu o pagamento de verbas rescisórias trabalhistas, até 31/03/2020, sob regime da
CLT, por entender configurada a rescisão indireta do contrato de trabalho, bem como o pagamento
de diferenças salariais, a partir de abril de 2020, com a declaração de nulidade do contrato de
prestação temporária de serviço, por prazo determinado e o pagamento de indenização por dano
moral, em decorrência da redução remuneratória, a partir de 01/04/2020.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 4/43
Cinge-se a controvérsia a definir a competência para processar e julgar esta demanda.
Sobre o tema, o STF definiu, em sede de repercussão geral, "ser da competência da Justiça
do Trabalho processar e julgar demandas visando a obter prestações de natureza trabalhista,
ajuizadas contra órgãos da Administração Pública por servidores que ingressaram em seus quadros,
sem concurso público, antes do advento da CF/88, sob regime da Consolidação das Leis do Trabalho
-CLT. Inaplicabilidade, em casos tais, dos precedentes formados na ADI 3.395-MC (Rel. Min. Cezar
Peluso, DJ de 10/11/2006) e no RE 573.202 (Rel. Min. Ricardo Lewandowski, Dje de 5/12/2008,
Tema 43)".
Consubstanciando essa orientação, a Súmula n. 97/STJ estabelece que "compete à Justiça
do Trabalho processar e julgar reclamação de servidor público relativamente a vantagens
trabalhistas anteriores à instituição do regime jurídico único".
Acresça-se que, no caso, a competência da Justiça do Trabalho - na qual ajuizada a
reclamação - não se descaracteriza pelo fato de a parte reclamante ter adicionado, aos pedidos
relativos ao vínculo trabalhista - pagamento de aviso prévio, FGTS, liberação das guias do seguro-
desemprego, multa do art. 477, § 8º, da CLT, indenização de férias, 13º salário, adicional de
insalubridade e indenização por danos morais -, requerimento de pagamento de diferenças salariais
dos meses de abril a outubro de 2020, quando já estava sob o regime de contratação temporária,
bem como a declaração de nulidade de contrato de prestação temporária de serviço, a partir de
01/04/2020.
No caso de pedidos cumulados, incide a Súmula n. 97 desta Corte Superior conjugada com
a orientação firmada na Súmula n. 170, também deste Superior Tribunal de Justiça, que dispõe que
compete ao juízo onde primeiro for intentada a ação envolvendo acumulação de pedidos, trabalhista
e estatutário, decidi-la nos limites da sua jurisdição, sem prejuízo do ajuizamento de nova causa,
com o pedido remanescente, no juízo próprio.
SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 2 - Edição Especial
Informativo de Jurisprudência n. 690
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 5/43
SEGUNDA SEÇÃO
PROCESSO Processo em segredo de justiça, Rel. Min. Marco Aurélio
Bellizze, Segunda Seção, por unanimidade, julgado em
22/06/2022, DJe 30/06/2022.
RAMO DO DIREITO DIREITO PROCESSUAL CIVIL
TEMA Responsabilização civil de controladores. Acionistas
minoritários. Legitimidade extraordinária (ação social ut
singili). Inércia da companhia. Configuração.
Imprescindibilidade.
DESTAQUE
Os acionistas minoritários não têm legitimidade extraordinária para promover
procedimentos arbitrais destinados à responsabilização civil dos controladores, com base no art.
246 da Lei n. 6.404/1976, (ação social ut singili) enquanto não caracterizada a inércia da
companhia, o que se verifica quando, convocada assembleia geral para deliberar sobre a
responsabilidade destes, há deliberação autorizativa e não são promovidas as medidas cabíveis
dentro dos três meses subsequentes ou quando há deliberação negativa.
INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR
A ação de reparação de danos causados ao patrimônio social por atos dos
administradores, assim como dos controladores, deverá ser proposta, em princípio, pela companhia
diretamente lesada, que é, naturalmente, a titular do direito material em questão. A chamada ação
social de responsabilidade civil dos administradores e/ou dos controladores, deve ser promovida,
prioritariamente, pela própria companhia lesada (ação social ut universi). Em caso de inércia da
companhia (a ser bem especificada em cada caso), a lei confere, subsidiariamente, aos acionistas, na
forma ali discriminada, legitimidade extraordinária para promover a ação social em comento (ação
social de responsabilidade ut singuli).
A deliberação da companhia para promover ação social de responsabilidade do
administrador e/ou do controlador dá-se, indiscutivelmente, por meio da realização de assembleia
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 6/43
geral. A caracterização da inércia da companhia depende, pois, da deliberação autorizativa e,
passados os três meses subsequentes, a titular do direito não ter promovido a medida
judicial/artibral cabível; ou, mesmo da deliberação negativa, termos a partir dos quais é possível
cogitar na abertura da via da ação social ut singuli.
É certo que a Lei 6.404/1976 confere aos acionistas minoritários, na forma ali
discriminada, entre outras garantias destinadas justamente a fiscalizar a gestão de negócios e o
controle exercido, o direito de promover a convocação da assembleia geral, sobretudo para os casos
que guardam manifesta gravidade. Caso os controladores venham a interferir na própria
deliberação assembelar, a lei põe à disposição dos acionistas minoritários, na forma da lei, a
possibilidade de ajuizar ação social (subsidiariamente).
Em sendo a deliberação autorizativa, caso a companhia não promova a ação social de
responsabilidade de administradores e/ou de controladores nos três meses subsequentes, qualquer
acionista poderá promover a ação social ut singili (§ 3º do art. 159).
Se a assembleia deliberar por não promover a ação social, seja de responsabilidade de
administrador, seja de responsabilidade de controlador, acionistas que representem pelo menos 5%
(cinco por cento) do capital social poderão promover a ação social ut singili, com fulcro no § 4º do
art. 159 e no art. 246 da LSA.
Tem-se, todavia, que, nessa última hipótese, no caso de a assembleia deliberar por não
promover ação social, em se tratando de responsabilidade do controlador, seria dado também a
qualquer acionista, com base no § 1º, a, do art. 246, promover a ação social ut singili, desde que
preste caução pelas custas e honorários de advogado devidos no caso de vir a ação ser julgada
improcedente.
Em todo e qualquer caso, portanto, a ação social de responsabilidade de administrador
e/ou de controlador promovida por acionista minoritário (ut singili) em legitimação extraordinária,
por ser subsidiária, depende, necessariamente, da inércia da companhia, titular do direito lesado,
que possui legitimidade ordinária e prioritária no ajuizamento de ação social.
Não se pode conceber que a companhia, titular do direito lesado, fique tolhida de
prosseguir com ação social de responsabilidade dos administradores e dos controladores,
promovida tempestivamente e em conformidade com autorização assemblear (nos moldes
prescritos na lei de regência, mediante atuação determinante de acionista detentor de mais de 5%
do capital social) simplesmente porque determinados acionistas minoritários, em antecipação a tal
deliberação e, por isso, sem legitimidade para tanto, precipitaram-se em promover a ação social de
responsabilidade de controladores, possivelmente objetivando receber o prêmio de cinco por cento,
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 7/43
calculado sobre o valor da indenização, a pretexto de defender os interesses da companhia, em
legitimidade extraordinária.
PROCESSO Processo em segredo de justiça, Rel. Min. Marco Aurélio
Bellizze, Segunda Seção, por unanimidade, julgado em
22/06/2022, DJe 30/06/2022.
RAMO DO DIREITO DIREITO PROCESSUAL CIVIL
TEMA Conflito de competência. Tribunais arbitrais vinculados à
mesma Câmara de Arbitragem. Questão que não é objeto
de disciplina regulamentar. Competência do Superior
Tribunal de Justiça.
DESTAQUE
Compete ao Superior Tribunal de Justiça conhecer e julgar o conflito de competência
estabelecido entre Tribunais Arbitrais vinculados à mesma Câmara de Arbitragem, quando a solução
para o impasse criado não é objeto de disciplina no regulamento desta.
INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR
A Segunda Seção do Superior Tribunal de Justiça, a partir do leading case - CC 111.230/DF
- passou a reconhecer que o Tribunal arbitral se insere, indiscutivelmente, na expressão "quaisquer
tribunais", constante no art. 105, I, d, da Constituição Federal.
Segundo a compreensão adotada pela Segunda Seção, a redação constitucional não
pressupõe que o conflito de competência perante o STJ dê-se apenas entre órgãos judicantes
pertencentes necessariamente ao Poder Judiciário, podendo ser integrado também por Tribunal
arbitral.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 8/43
Desse modo, compete ao Superior Tribunal de Justiça conhecer e julgar originariamente os
conflitos de competência entre quaisquer tribunais [leia-se, Tribunais de Justiça dos Estados e do
Distrito Federal, Tribunais Regionais Federais e Tribunais arbitrais], ressalvado o disposto no art.
102, I, 'o' [conflito entre Tribunais Superiores a ser julgado pelo STF], bem como entre tribunal [os
mesmos antes referidos] e juízes a ele não vinculados e entre juízes vinculados a tribunais diversos.
Afasta-se, assim, qualquer possibilidade de um conflito de competência estabelecido entre
Tribunais arbitrais ser dirimido por um juiz de primeira instância, independentemente da
necessidade ou não de interpretação da cláusula compromissória.
O mesmo se diga em relação aos Tribunais de segunda Instância. Pela norma
constitucional acima referida, os Tribunais de Justiça dos Estados e do Distrito Federal e Tribunais
Regionais Federais, residualmente, têm competência para dirimir conflito de competência entre
juízos a eles diretamente vinculados. Diversamente, os Tribunais arbitrais, em situação de conflito
competência, ainda que se encontrem situados na mesma unidade da Federação ou na mesma
Região, não são vinculados a nenhum Tribunal de Justiça ou Tribunal Regional Federal, ainda que se
utilize mais uma vez do dito paralelismo entre as jurisdições arbitral e estatal.
Poder-se-ia supor que, estando os Tribunais arbitrais suscitados vinculados à mesma
Câmara de Arbitragem, a competência para dirimir o conflito de competência seria da própria
câmara. Todavia, no procedimento arbitral, quem ostenta o poder jurisdicional é o tribunal arbitral
devidamente constituído, segundo a indicação das partes na formação do painel arbitral; a Câmara
de arbitragem apenas administra o procedimento arbitral, sem, portanto, deter nenhum poder
jurisdicional para dirimir eventual impasse criado entre os Tribunais arbitrais a ela vinculado que
profiram decisões inconciliáveis entre si.
Idealmente, a solução para o conflito de competência entre Tribunais arbitrais vinculados
à mesma Câmara de arbitragem haveria de ser disciplinado e solucionado pelo Regulamento da
Câmara de Arbitragem do Mercado, o qual, ao ser eleito pelas partes para dirimir seu conflito de
interesses, atenderia, naturalmente, ao princípio da autonomia de vontades, norteador de toda e
qualquer arbitragem.
Todavia, sendo absolutamente omisso o Regulamento da Câmara de Arbitragem em
disciplinar a solução para o impasse criado entre Tribunais arbitrais, compete ao Superior Tribunal
de Justiça, em atenção à função constitucional que lhe é atribuída no art. 105, I, d, da Carta Magna,
conhecer e julgar o conflito de competência estabelecido.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 9/43
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 10/43
TERCEIRA SEÇÃO
PROCESSO Processo em segredo de justiça, Rel. Min. Olindo Menezes
(Desembargador convocado do TRF da 1ª Região), Rel.
Acd. Min. João Otávio de Noronha, Terceira Seção, por
maioria, julgado em 14/09/2022.
RAMO DO DIREITO DIREITO PROCESSUAL PENAL
TEMA Revisão criminal. Ajuizamento contra decisão
monocrática no STJ. Possibilidade.
DESTAQUE
É cabível o ajuizamento de revisão criminal em face de decisão unipessoal de relator que
dá provimento a recurso especial para restabelecer sentença condenatória.
INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR
No Superior Tribunal de Justiça há julgados que não enfrentam o mérito revisional de
decisão singular do relator por ausência de previsão regimental específica. Esse entendimento parte
de uma leitura restritiva da norma prevista no art. 239 do RISTJ, assim redigido: "À Corte Especial
caberá a revisão de decisões criminais que tiver proferido, e à Seção, das decisões suas e das
Turmas". A indicada leitura dos termos "Seção" e "Turmas" restringe o cabimento às revisionais
ajuizadas contra decisões de órgãos colegiados, considerando que seriam os únicos competentes
para o seu conhecimento.
Em síntese, pode-se afirmar que, se um órgão do Tribunal decide reiteradamente, da
mesma maneira, uma questão de fato ou de direito, seus integrantes ficam autorizados a decidir, de
forma isolada e prévia, os demais processos sobre o mesmo tema, que inevitavelmente teriam a
mesma decisão. Essa reiteração de entendimentos consolidados fortalece a estabilidade e a
segurança jurídica. Por esse motivo, as cortes superiores consideram que o julgamento singular não
contraria o princípio da colegialidade (STF, AgRg no HC 214.006/SP, relatora Ministra Rosa Weber,
Tribunal Pleno, DJe de 13/05/2022; e STJ, AgInt na AR 6.475/SC, relator Ministro Felix Fischer,
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 11/43
Corte Especial, DJe de 18/12/2020).
No que diz respeito às revisões criminais, uma exaustiva pesquisa jurisprudencial
demonstra não haver, em verdade, consenso sobre o cabimento de revisão criminal de decisão
unipessoal de relator. Muitos julgados a inadmitem, adotando uma posição restritiva; outros
tacitamente a admitem, adentrando o tema revisional sem nenhum tipo de consideração acerca do
cabimento; outros poucos, por fim, expressamente admitem o cabimento de revisões criminais de
decisões monocráticas.
Feitas essas considerações preliminares, o posicionamento mais adequado a ser adotado
na Terceira Seção é aquele que admite revisionais de decisões monocráticas de relator; que prima
por conferir maior garantia aos réus em processo penal, assegurando-lhes o exercício de um direito
que a lei não restringe.
Pontua-se que o entendimento contrário provoca efeitos altamente indesejáveis, a saber: 1
- confere maior solidez e imutabilidade à decisão unipessoal de relator, em indireto desprestígio às
decisões do colegiado; 2 - cria uma categoria de decisões condenatórias não suscetíveis de revisão
criminal, em descompasso com garantias constitucionais; e 3 - obriga as partes ao automático e
indiscriminado manejo do agravo regimental, circunstância que apenas colabora para a sobrecarga
recursal desta Corte.
Considera-se, portanto, que a decisão singular substitui o julgamento colegiado, sendo-lhe
ontologicamente equiparada. Representa mera antecipação de julgamento, que não fere o princípio
da colegialidade ou do juiz natural.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 12/43
PRIMEIRA TURMA
PROCESSO AREsp 956.526-SP, Rel. Min. Gurgel de Faria, Primeira
Turma, por unanimidade, julgado em 13/09/2022.
RAMO DO DIREITO DIREITO ADMINISTRATIVO
TEMA Procuradores da Fazenda Nacional - PFN. Remuneração.
MP 43/2002. Pagamento de VPNI. Parâmetro.
DESTAQUE
O parâmetro remuneratório sobre o qual deve incidir a VNPI para o cálculo da
remuneração dos Procuradores da Fazenda Nacional é o existente em março/2002.
INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR
É pacífico no âmbito do STJ que, a partir de 26/6/2002, data da publicação da MP
43/2002, a composição da remuneração dos Procuradores da Fazenda Nacional passou a ser a
seguinte: a) vencimento básico; b) pro labore, calculado no percentual de 30% (trinta por cento)
sobre o referido vencimento básico; c) Vantagem Pessoal Nominalmente Identificada - VPNI, caso
ocorra redução na totalidade da remuneração dos servidores públicos.
A MP 43/2002 (convertida na Lei n. 10.549/2002), embora tenha sido publicada em
julho/2002, determinou, no art. 3º, que a nova estrutura de pagamento nela prevista retroagiria ao
mês de março/2002, sem excluir, desse período "intermediário", as vantagens que até então foram
percebidas pelos Procuradores da Fazenda Nacional, o que acabou ocasionando uma situação
virtualmente híbrida, porque entre o regime remuneratório anterior (até março/2002) e o regime
novo (a partir de julho/2002) os agentes públicos fizeram jus aos valores correspondentes às
vantagens de ambos os regimes.
Hipótese em que a discussão é sobre qual o parâmetro remuneratório em relação ao qual
deve incidir a VNPI acima citada: se aquele existente em março/2002, ou se o que existiu entre
março/2002 e junho/2002, sendo certo que deve prevalecer a primeira opção, em função de
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 13/43
interpretação teleológica e histórica da lei.
A MP 43/2002 (convertida na Lei n. 10.549/2002) foi criada para esmorecer o estado de
incongruência, então existente, entre os cargos das carreiras jurídicas da União, no que diz respeito
às remunerações daqueles profissionais, sendo certo que, a se concluir pela necessidade de
manutenção do regime "intermediário", em vez de dar tratamento isonômico com as demais
carreiras da AGU, estar-se-ia conferindo aos Procuradores da Fazenda Nacional tratamento muito
mais benéfico, no sentido oposto à finalidade legal.
Se era para preponderar, em caráter definitivo, um regime remuneratório intermediário,
que somava vantagens da antiga estrutura remuneratória, com os novos benefícios, não faria o
menor sentido determinar a exclusão de rubricas ou mesmo determinar a aplicação retroativa de
parte da lei, pois bastaria criar novas vantagens e somá-las às já existentes.
Hipótese em que, na prática, não houve realmente a existência de três regimes, um antigo,
um intermediário e um novo, pois o regime "híbrido" ou "intermediário" figurou apenas como uma
ficção legal, que teve impactos financeiros favoráveis em relação aos Procuradores da Fazenda
Nacional, somente em caráter retroativo, mas que não chegou a efetivamente vigorar ao longo dos
meses de março a junho/2002, o que reforça a conclusão de que a irredutibilidade de vencimentos
deve tomar como parâmetro o regime que efetivamente existia antes da alteração, qual seja: a
composição remuneratória prevista em março/2002.
Caso o parâmetro remuneratório para fins de pagamento da VPNI fosse aquele fictícia e
atecnicamente criado pela MP 43/2002 (convertida na Lei n. 10.549/2002), possibilitar-se-ia que os
Procuradores da Fazenda Nacional violassem mensal e prolongadamente o art. 37, XI, da CF, o qual
estabelece o teto remuneratório do serviço público e que, naquela época, previa importância inferior
à que resultou do regime "intermediário".
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 14/43
SEGUNDA TURMA
PROCESSO REsp 2.008.627-RS, Rel. Min. Assusete Magalhães,
Segunda Turma, por unanimidade, julgado em
13/09/2022.
RAMO DO DIREITO DIREITO CIVIL, DIREITO PROCESSUAL CIVIL
TEMA Execução fiscal. Penhora de vaga de garagem. Art. 1.331,
§ 1º, do CC. Alienação a pessoas estranhas ao
condomínio. Convenção de condomínio. Ausência de
autorização expressa. Impossibilidade. Hasta restrita a
condôminos.
DESTAQUE
A hasta pública para alienação de vaga de garagem em condomínio se restringe aos demais
condôminos, salvo autorização expressa na convenção condominial.
INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR
Sobre o direito à guarda de veículos em garagens, a Lei n. 4.591/1964, em seu art. 2º,
prevê que, nas edificações ou conjuntos de edificações, este "será tratado como objeto de
propriedade exclusiva, com ressalva das restrições que ao mesmo sejam impostas por instrumentos
contratuais adequados, e será vinculada à unidade habitacional a que corresponder, no caso de não
lhe ser atribuída fração ideal específica de terreno". Dispõe ainda que este direito "poderá ser
transferido a outro condômino, independentemente da alienação da unidade a que corresponder,
vedada sua transferência a pessoas estranhas ao condomínio".
Ou seja, nos termos do referido dispositivo legal, as vagas de garagem seriam tratadas
"como objeto de propriedade exclusiva", vinculadas "à unidade habitacional a que corresponder",
podendo ser transferidas "a outro condômino", sendo, contudo, "vedada sua transferência a pessoas
estranhas ao condomínio".
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 15/43
Além disso, a posterior Lei n. 12.607/2012 deu nova redação ao art. 1.331, § 1º, do Código
Civil, que passou a prever que, em edificações, "as partes suscetíveis de utilização independente, tais
como apartamentos, escritórios, salas, lojas e sobrelojas, com as respectivas frações ideais no solo e
nas outras partes comuns, sujeitam-se a propriedade exclusiva, podendo ser alienadas e gravadas
livremente por seus proprietários, exceto os abrigos para veículos, que não poderão ser alienados
ou alugados a pessoas estranhas ao condomínio, salvo autorização expressa na convenção de
condomínio".
Assim, levando em conta os objetivos do referido diploma, no sentido de dar maior
segurança aos condomínios, entende-se que a vedação de alienação dos abrigos para veículos a
pessoas estranhas ao condomínio, estipulada no art. 1.331, § 1º, do Código Civil, deva prevalecer
também nas alienações judiciais. Em tais casos, a hasta pública deverá ocorrer no universo limitado
dos demais condôminos.
SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 375
Informativo de Jurisprudência n. 437
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 16/43
TERCEIRA TURMA
PROCESSO REsp 2.004.335-SP, Rel. Min. Moura Ribeiro, Terceira
Turma, por unanimidade, julgado em 09/08/2022, DJe
18/08/2022.
RAMO DO DIREITO DIREITO CIVIL, DIREITO PROCESSUAL CIVIL
TEMA Execução de contrato de honorários advocatícios.
Exceção de pré-executividade. Expressa cessão de crédito
que se operou entre advogado ingressante e a sociedade
de advocacia. Legitimidade da sociedade de advocacia.
DESTAQUE
A sociedade de advocacia é parte legítima para cobrar honorários contratuais na hipótese
de expressa cessão de crédito operada por advogado ingressante.
INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR
A controvérsia consiste em saber se sociedade de advocacia é parte legítima para executar
contrato de honorários advocatícios de titularidade de sócio que ingressou posteriormente na
sociedade.
A cessão, em princípio, independe de forma. A disposição constante do art. 288 do Código
Civil diz da exigência de instrumento público ou instrumento particular apenas para a produção de
eficácia "em relação a terceiros". A doutrina estabelece que com relação ao cedente e ao cessionário
(credor originário e novo credor), a cessão tem forma livre, podendo ser verbal. Em regra, portanto,
esta não exige forma rígida.
Por sua vez, o art. 778 do Código de Processo Civil é muito claro ao permitir a execução
forçada, ou nela prosseguir, em sucessão ao exequente originário: "III - o cessionário, quando o
direito resultante do título executivo lhe for transferido por ato entre vivos."
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 17/43
Ademais, também se refuta a falta de notificação da cessão ao devedor, porque isso não
compromete a validade da cessão, mas, no máximo, serviria para dispensar o devedor não notificado
de ter de pagar novamente ao credor-cessionário.
Nesse entendimento, a jurisprudência desta Corte Superior já afirmou que: "se a falta de
comunicação da cessão do crédito não afasta a exigibilidade da dívida, basta a citação do devedor na
ação de cobrança ajuizada pelo credor-cessionário para atender ao comando do art. 290 do Código
Civil, que é a de 'dar ciência' ao devedor do negócio, por meio de 'escrito público ou particular. A
partir da citação, o devedor toma ciência inequívoca da cessão de crédito e, por conseguinte, a quem
deve pagar. Assim, a citação revela-se suficiente para cumprir a exigência de cientificar o devedor da
transferência do crédito'". (EAREsp 1125139/PR, Rel. Ministra Laurita Vaz, Corte Especial, julgado
em 06/10/2021, DJe 17/12/2021).
No caso, o contrato foi firmado exclusivamente com a sócia-majoritária - atuante em
momento anterior ao seu ingresso na sociedade de advocacia -, e dele o escritório não figurou, de
forma expressa, no contrato e nas procurações ou substabelecimentos juntados. Destaca-se, ainda,
que se tratava de título extrajudicial, no qual não se poderia admitir que a legitimidade ativa da
parte credora decorresse de presunções, especialmente após a análise de documentos que não
guardavam relação com o título executado. Por conseguinte, pelo conjunto de elementos e
circunstâncias, houve expressa cessão do crédito por parte da advogada em favor da sociedade em
que passou a integrar. Logo, tornando-se a nova credora, é patente a legitimidade derivada da
sociedade.
Assim, não se observaram impedimentos para que a sociedade procedesse a cobrança,
porquanto na prática assumiu a condição de nova credora. A eventual discordância ou oposição do
devedor relativamente à cessão tem-se por irrelevante, pois ele não é parte na cessão de crédito.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 18/43
PROCESSO REsp 1.888.428-DF, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva,
Terceira Turma, por unanimidade, julgado em
21/06/2022, DJe 24/06/2022.
RAMO DO DIREITO DIREITO EMPRESARIAL
TEMA Operadora de plano de saúde. Cooperativa de trabalho
médico. Autodissolução. Efeitos da liquidação
extrajudicial. Suspensão pelo prazo de 1 (um) ano.
Prorrogação por igual período. Aprovação por
assembleia-geral. Demandas em fase de execução. Ativos
garantidores. Penhora prévia. Irrelevância. Necessidade
de sustação do feito.
DESTAQUE
A sustação de quaisquer ações judiciais ajuizadas contra a entidade cooperativa é
decorrência da publicação da ata da Assembleia-Geral que deliberou pela sua liquidação
extrajudicial, pelo prazo de 1 (um) ano, prorrogável por igual período, sendo vedadas diversas
prorrogações sucessivas, haja vista que a suspensão da ação judicial não pode perdurar por prazo
indeterminado.
INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR
A questão controvertida é definir se os efeitos da liquidação extrajudicial aprovada pela
própria cooperativa (no caso, cooperativa de trabalho médico) são capazes de atingir penhora de
valores realizada em cumprimento de sentença em data anterior ao ato assemblear que optou pela
autodissolução da sociedade.
De início, cumpre asseverar que as cooperativas são sociedades de pessoas que
reciprocamente se obrigam a contribuir com bens ou serviços para o exercício de uma atividade
econômica, de proveito comum, sem objetivo de lucro.
Nas cooperativas de trabalho, como a de médicos, a produção (ou o oferecimento de
serviço) é realizada em conjunto pelos associados, sob a proteção da própria cooperativa.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 19/43
Assim, a cooperativa coloca à disposição do mercado a força de trabalho, cujo produto da
venda - após a dedução de despesas - é distribuído, por equidade, aos associados, ou seja, cada um
receberá proporcionalmente ao trabalho efetuado (número de consultas, complexidade do
tratamento, entre outros parâmetros).
Essas cooperativas têm como finalidade melhorar os salários e as condições de trabalho
pessoal de seus associados, dispensando, mediante ajuda mútua, a intervenção de um patrão ou
empresário, procurando sempre o justo preço, visto que a entidade não busca o lucro: a sobra
apurada em suas operações é distribuída em função do montante operacional de cada associado.
Nesse contexto, dadas as peculiaridades do sistema cooperativo, de índole mais social, há regras que
lhe são intrínsecas, a exemplo da liquidação extrajudicial voluntária (art. 63, I, da Lei n. 5.764/1971)
e dos seus efeitos.
Depreende-se que, na autodissolução da sociedade cooperativa, é decorrência da
publicação da ata da Assembleia-Geral que deliberou pela sua liquidação extrajudicial a sustação de
quaisquer ações judiciais ajuizadas contra a entidade, pelo prazo de 1 (um) ano, prorrogável por
igual período, na existência de motivo relevante, mediante nova decisão assemblear.
O Supremo Tribunal Federal já reconheceu a constitucionalidade de tal dispositivo legal ao
asseverar que "A suspensão das ações contra a cooperativa, em liquidação extrajudicial, pelo prazo
de um ano, não importa em ofensa ao art. 5º, XXXV, da Constituição" (RE nº 232.098 AgR/PR, Rel.
Ministro Carlos Velloso, Segunda Turma, DJ de 26/8/2005).
Com efeito, a finalidade da norma que estipula a suspensão geral das ações propostas
contra a cooperativa em liquidação extrajudicial é a de preservar a integridade do sistema
cooperativo, porquanto permite à sociedade em dificuldades certo prazo para que se recupere
economicamente, de modo a adimplir suas dívidas. É um período para o ajuste de contas do ente,
minimizando eventuais prejuízos decorrentes da sua dissolução.
Ressalta-se que, em se tratando de cooperativa de trabalho médico, que também constitua
operadora de plano de saúde, aplicam-se ainda, quanto ao processo de liquidação extrajudicial, o art.
24-D da Lei nº 9.656/1998 e a RN-ANS n. 522/2022 (antiga RN-ANS n. 316/2012), os quais
permitem, de forma semelhante, a suspensão das ações e execuções já iniciadas quando da
decretação do ato de dissolução.
Ademais, o art. 17, § 2º, da RN-ANS n. 522/2022 (antiga RN-ANS n. 316/2012) vai ao
encontro da Lei das Sociedades Cooperativas, visto que permite a decretação da liquidação
extrajudicial, "(...) a requerimento dos administradores da operadora, quando autorizados pelos
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 20/43
estatutos ou por deliberação em assembleia geral extraordinária, expostos de forma circunstanciada
os motivos justificadores da medida".
No caso, houve apenas a primeira prorrogação da suspensão da demanda, em fase de
cumprimento de sentença. Por outro lado, o fato de a penhora de ativos ter se efetivado em data
anterior à publicação da ata da Assembleia-Geral que deliberou pela autodissolução da cooperativa
não é capaz de afastar a irradiação dos efeitos suspensivos oriundos da liquidação extrajudicial, pois
decorrem da própria lei, devendo-se aguardar a fluência do prazo para o feito ter regular
prosseguimento, com eventual levantamento de valores.
PROCESSO HC 711.194-SP, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, Rel. Acd.
Min. Nancy Andrighi, Terceira Turma, por maioria,
julgado em 21/06/2022, DJe 27/06/2022.
RAMO DO DIREITO DIREITO PROCESSUAL CIVIL
TEMA Medidas executivas atípicas. Medidas coercitivas.
Apreensão de passaporte. Limitação temporal.
Inexistência de duração pré-estabelecida. Verificação
caso a caso.
DESTAQUE
Não há um tempo pré-estabelecido fixamente para a duração da medida coercitiva atípica,
que deve perdurar por tempo suficiente para dobrar a renitência do devedor.
INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR
As medidas executivas atípicas, sobretudo as coercitivas, não são penalidades judiciais
impostas ao devedor, pois, se assim fossem, implicariam obrigatoriamente em quitação da dívida
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 21/43
após o cumprimento da referida pena, o que não ocorre.
Por esse motivo, é correto dizer que essas medidas também não representam uma
superação do dogma da patrimonialidade da execução, uma vez que são os bens - e apenas os bens -
do devedor que respondem pelas suas dívidas. Não se deve confundir, todavia, patrimonialidade da
execução com a possibilidade de imposição de restrições pessoais como método para dobrar a
recalcitrância do devedor.
De fato, essas medidas devem ser deferidas e mantidas enquanto conseguirem operar,
sobre o devedor, restrições pessoais capazes de incomodar e suficientes para tirá-lo da zona de
conforto, especialmente no que se refere aos seus deleites, aos seus banquetes, aos seus prazeres e
aos seus luxos, todos bancados pelos credores.
A limitação temporal das medidas coercitivas atípicas, a propósito, é questão inédita nesta
Corte, pois os precedentes até aqui examinados se circunscreveram aos pressupostos para
deferimento de medidas dessa natureza, mas não às hipóteses de manutenção e de verificação de
efetividade após o transcurso de determinado período.
Feitas estas considerações. é correto afirmar que não há uma formula mágica e nem deve
haver um tempo pré-estabelecido fixamente para a duração de uma medida coercitiva, que deve
perdurar, pois, pelo tempo suficiente para dobrar a renitência do devedor, de modo a efetivamente
convencê-lo de que é mais vantajoso adimplir a obrigação do que, por exemplo, não poder realizar
viagens internacionais.
No que tange ao bloqueio de passaporte, observa-se o peculiar e injustificado interesse
que os devedores que afirmam estar em situação de miserabilidade, de insolvência ou de qualquer
modo impossibilitados de adimplir as suas dívidas, possuem especificamente na posse desse
documento.
Isso porque ou bem o devedor realmente se encontra em situação de penúria financeira e
não reúne condições de satisfazer a dívida (e, nessa hipótese, a suspensão do passaporte será
duplamente inócua, como técnica coercitiva e porque o documento apenas ficará sob a posse do
devedor no Brasil, diante da impossibilidade de custear viagens internacionais) ou o devedor está
realmente ocultando patrimônio e terá revogada a suspensão tão logo quite as suas dívidas.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 22/43
SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 3 - Edição Especial
Informativo de Jurisprudência n. 631
Jurisprudência em Teses / DIREITO ADMINISTRATIVO - EDIÇÃO N. 186: IMPROBIDADE
ADMINISTRATIVA III
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 23/43
QUARTA TURMA
PROCESSO REsp 1.325.938-SE, Rel. Min. Raul Araújo, Quarta Turma,
por unanimidade, julgado em 23/08/2022, DJe
31/08/2022.
RAMO DO DIREITO DIREITO CIVIL
TEMA Matéria jornalística. Críticas jornalísticas a magistrada.
Autoridade pública. Direito de informação, expressão e
liberdade de imprensa. Ausência de configuração de
abuso no dever de informar. Interesse público. Dano
moral. Afastamento. Prevalência da liberdade de
informação e de crítica.
DESTAQUE
A divulgação de notícia ou crítica acerca de atos ou decisões do Poder Público, ou de
comportamento de seus agentes, não configuram, a princípio, abuso no exercício da liberdade de
imprensa, desde que não se refiram a núcleo essencial de intimidade e de vida privada da pessoa.
INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR
Esta Corte Superior estabeleceu, para situações de conflito entre a liberdade de expressão
e os direitos da personalidade, entre outros, os seguintes elementos de ponderação: "(I) o
compromisso ético com a informação verossímil; (II) a preservação dos chamados direitos da
personalidade, entre os quais incluem-se os direitos à honra, à imagem, à privacidade e à
intimidade; e (III) a vedação de veiculação de crítica jornalística com intuito de difamar, injuriar ou
caluniar a pessoa (animus injuriandi vel diffamandi)" (REsp 801.109/DF, Rel. Ministro Raul Araújo,
Quarta Turma, DJe de 12/03/2013).
Em princípio, a publicação de matéria jornalística que narra fatos verídicos ou verossímeis
não caracteriza hipótese de responsabilidade civil, ainda que apresentando opiniões severas,
irônicas ou impiedosas, sobretudo quando se tratar de figura pública que exerça atividade
tipicamente estatal, gerindo interesses da coletividade, e que se refira a fatos de interesse geral
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 24/43
relacionados à atividade pública desenvolvida pela pessoa noticiada.
A liberdade de expressão, nessas hipóteses, é prevalente, atraindo verdadeira excludente
anímica, a afastar o intuito doloso de ofender a honra da pessoa a que se refere a reportagem.
Contudo, a análise acerca da ocorrência de abuso no exercício da liberdade de expressão, a
ensejar reparação por dano moral, deve ser feita em cada caso concreto, mormente quando a pessoa
envolvida for investida de autoridade pública, pois, em tese, sopesados os valores em conflito, é
recomendável que se dê primazia à liberdade de informação e de crítica, como decorrência da vida
em um Estado Democrático.
Em observância à situação fática do processo em epígrafe, a reportagem baseou-se em
relatos do superintendente da Polícia Civil do Estado, acerca da deflagração de operação que
investigava pessoas envolvidas com o jogo do bicho em determinado Estado, citando a atuação da
autora no exercício de seu cargo público (magistrada), tendo o Tribunal local consignado
expressamente que "a intenção de narrar o ocorrido esteve presente durante toda a redação do
texto".
Nesse prisma, tem-se que a matéria jornalística relacionou-se a fatos de interesse da
coletividade, os quais dizem respeito diretamente com atos da magistrada enquanto autoridade
pública.
Assim, verifica-se que, em que pese o tom ácido da referida reportagem, com o emprego de
expressões como "aberração jurídica" e "descalabro", as críticas estão inseridas no âmbito da
matéria jornalística de cunho informativo, baseada em levantamentos de fatos de interesse público,
sem adentrar a intimidade e a vida privada da recorrida, o que significa que não extrapola
claramente o direito de crítica, principalmente porque exercida em relação a caso que ostenta
gravidade e ampla repercussão e interesse social.
Desse modo, quando não ficar caracterizado o abuso ofensivo na crítica exercida pela
parte no exercício da liberdade de expressão jornalística, deve-se afastar o dever de indenização,
por força da "imperiosa cláusula de modicidade" subjacente a que alude a eg. Suprema Corte no
julgamento da ADPF 130/DF.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 25/43
SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 738
PROCESSO EDcl no REsp 1.851.692-RS, Rel. Min. Luis Felipe
Salomão, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em
24/05/2022, DJe 09/09/2022.
RAMO DO DIREITO DIREITO FALIMENTAR
TEMA Recuperação judicial. Opção do credor por não habilitar
seu crédito. Sujeição aos efeitos desta. Novação do
crédito.
DESTAQUE
O credor que optar por não se habilitar na recuperação judicial sofrerá os seus respectivos
efeitos, caso em que o crédito será considerado novado e o credor deverá recebê-lo em
conformidade com o previsto no plano, ainda que em execução posterior ao encerramento da
recuperação judicial.
INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR
O titular do crédito não incluído no plano recuperacional possui a prerrogativa de decidir
entre habilitá-lo como retardatário, simplesmente não cobrar o crédito ou promover a execução
individual (ou o cumprimento de sentença) após o encerramento da recuperação judicial, com a
sujeição do seu crédito aos efeitos do plano aprovado e homologado (mediante a novação).
A lei é imperativa ao dispor que "estão sujeitos à recuperação judicial todos os créditos
existentes na data do pedido, ainda que não vencidos" (art. 49), e, da mesma forma, que "o plano de
recuperação judicial implica novação dos créditos anteriores ao pedido, e obriga o devedor e todos
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 26/43
os credores a ele sujeitos, sem prejuízo das garantias, observado o disposto no § 1º do art. 50 desta
Lei" (art. 59).
De acordo com a doutrina, entre os princípios da lei de regência está o da participação
ativa dos credores. Com a maior participação dos credores, os resultados obtidos nos processos
judiciais de falência e de recuperação são muito mais adequados às soluções de mercado, evitando-
se, também, a ocorrência de fraudes na execução do plano. Sem mencionar que haverá mais
democracia no processo decisório, sobretudo quanto ao destino da empresa em dificuldade.
Para que se alcance uma negociação efetiva dos credores com a devedora, por meio de um
acordo global capaz de viabilizar a reestruturação, é preciso conceber um ambiente que paralise a
ação dos credores resistentes ao acordo coletivo, os quais almejam prosseguir com a realização
individual dos seus créditos desconsiderando os demais (os chamados hold outs), e, por outro lado,
que haja uma estrutura de incentivos para que os credores participem, efetivamente, da
recuperação judicial. Apesar de ser prerrogativa do credor, a habilitação também é um ônus para
ele.
Assim, seria contraditório, por um lado, reconhecer que a norma incentiva a participação
do credor na recuperação judicial com a habilitação de seu crédito, ainda que de forma retardatária
(apesar das consequências), e, por outro lado, em relação ao credor reticente, que não participa da
recuperação e almeja o recebimento "por fora" do seu crédito, não prever o mesmo ordenamento
nenhum tipo de repercussão negativa, a não ser aguardar o prazo de encerramento da recuperação
judicial (LFRE, art. 61, c/c o art. 63). Premiaria o credor resistente à participação na recuperação
judicial e, pior, acarretaria o esvaziamento da própria recuperação.
Com relação as consequências materiais e processuais decorrentes da escolha do credor
em não se habilitar.
Se o credor não estiver habilitado, perderá a legitimidade para votar em assembleia,
privando-se de seus direitos políticos, e correrá contra ele a prescrição, além do fato de que estará
abrindo mão do direito de receber o seu crédito no âmbito da recuperação judicial, durante o
período de fiscalização judicial, com a possibilidade de requerer a sua convolação em falência no
caso de descumprimento (LREF, art. 61, § 1º, c/c o art. 73, IV).
Por fim, o credor que não tenha sido incluído no plano e que tenha optado por não se
habilitar de forma retardatária, sem interesse em participar do conclave pela execução individual,
deverá aguardar o encerramento da recuperação judicial (LREF, art. 63), assumindo todas as
consequências jurídicas (processuais e materiais) de sua escolha.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 27/43
SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 610
Informativo de Jurisprudência n. 698
Informativo de Jurisprudência n. 703
Informativo de Jurisprudência n. 738
Jurisprudência em Teses / DIREITO EMPRESARIAL - EDIÇÃO N. 37: RECUPERAÇÃO JUDICIAL II
PROCESSO AREsp 1.832.357-DF, Rel. Min. Marco Buzzi, Rel. Acd.
Min. Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, por maioria,
julgado em 23/08/2022.
RAMO DO DIREITO DIREITO PROCESSUAL CIVIL
TEMA Violação à coisa julgada. Título executivo judicial
transitado em julgado que estabelece fase liquidação de
sentença. Ausência de comprovação da liquidez da
dívida. Cumprimento imediato da sentença.
Descabimento.
DESTAQUE
Configura violação à coisa julgada o imediato cumprimento de sentença, quando o título
judicial transitado em julgado determina a apuração dos danos materiais sofridos pela parte em
liquidação de sentença e esta não apresenta documentação apta a comprovar a liquidez da dívida.
INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR
Na espécie, o Tribunal de origem acolheu a tese de que a indenização por danos materiais
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 28/43
fixados pelo título executivo judicial deve incluir o valor dos tributos não recolhidos e descritos na
certidão positiva de débitos expedida pela Secretaria da Fazenda do Distrito Federal.
Sustenta-se que, ao assim decidir, ter-se-ia configurado ofensa à coisa julgada em relação
ao parâmetro estabelecido no título judicial, pois os danos materiais deveriam ser apurados em
liquidação, onde seriam verificados os prejuízos suportados pela parte adversa, decorrentes do não
recolhimento dos tributos exigidos, sem estabelecer que deveria ser pago à própria exequente o
valor da dívida pendente perante o fisco.
Observo que os danos materiais em valor equivalente aos efetivos prejuízos suportados
pela ora agravada (critério adotado pelo título judicial), poderiam ser representados pelo montante
do débito tributário exigido pela Secretaria da Receita do Distrito Federal, desde que a exequente
tivesse comprovado a quitação dessa dívida, fato, todavia, sequer alegado e muito menos
comprovado no pedido de cumprimento de sentença.
Ademais, outros elementos estariam aptos a demonstrar eventuais prejuízos suportados
pela exequente, passíveis de comprovação na fase de liquidação de sentença, abarcados no título
exequendo. Figuro alguns possíveis exemplos: quantias por ela pagas a advogado com a finalidade
de patrocinar sua defesa no procedimento administrativo fiscal no qual foram identificados os
débitos tributários; despesas para defesa em executivos fiscais, ou outras despesas por ela
efetivadas ou prejuízos sofridos em decorrência do não recolhimento dos tributos. Essa
comprovação, acerca de quais teriam sido os danos materiais causados à autora pelo não
recolhimento dos tributos lançados em nome da empresa individual de sua propriedade após a
assunção do negócio, foi remetida pelo título judicial exequendo à fase de liquidação de sentença.
Com efeito, se a dívida fiscal não foi paga, sendo credor o fisco, o título judicial exequendo,
ao estabelecer que os "valores correspondentes a débitos tributários, lançados após a assinatura do
contrato, devem ser suportados pela requerida", naturalmente significa que devem ser pagos pela ré
à Fazenda credora. À autora da ação, deve ser pago, a título de indenização, a ser apurada em
liquidação de sentença, o valor correspondente aos danos materiais que sofreu decorrente do ato
ilícito perpetrado pela requerida após a assinatura do contrato ao não recolher os tributos devidos.
O título exequendo não determinou o pagamento à autora da dívida tributária da qual é
credor o fisco, interpretação essa, desprovida de razoabilidade.
A condenação imposta a título de danos materiais foi de indenização dos prejuízos
causados à autora decorrentes do não recolhimento dos tributos devidos após a assunção do
negócio. Se a autora, confessadamente, não recolheu os tributos, naturalmente o dano material por
ela sofrido não pode corresponder ao valor dos tributos.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 29/43
A despeito da obscuridade e da redação tortuosa do acórdão recorrido, a ofensa ao art.
502 do CPC é manifesta e deve conduzir, de pronto, ao integral provimento do recurso, para a
reforma do acórdão recorrido, facultado à autora requer liquidação por artigos na qual demonstre e
comprove os efetivos danos materiais (decréscimo em seu patrimônio) em decorrência do não
recolhimento dos tributos mencionados no dispositivo do acórdão exequendo.
PROCESSO HC 742.879-RJ, Rel. Min. Raul Araújo, Quarta Turma, por
unanimidade, julgado em 13/09/2022.
RAMO DO DIREITO DIREITO PROCESSUAL CIVIL, DIREITO FALIMENTAR
TEMA Falência. Medidas executivas atípicas. Apreensão e
retenção de passaportes. Ocultação de patrimônio.
Possibilidade. Aplicação subsidiária do CPC/2015.
Decisão fundamentada. Direito ao contraditório.
DESTAQUE
É cabível a medida coercitiva atípica de apreensão de passaportes, em sede de processo de
falência, quando constatados fortes indícios de ocultação de patrimônio.
INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR
Cinge-se a controvérsia a determinar a possibilidade de utilizar-se medidas executivas
atípicas, apreensão de passaporte, em processo de falência como medida coercitiva destinada a
compelir o falido a cumprir com sua obrigação de saldar o passivo concursal.
Dentre os efeitos da sentença declaratória da falência, destaca-se a designação do
administrador judicial, a quem a lei impõe o dever de praticar os atos necessários à realização do
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 30/43
ativo e ao pagamento dos credores, nos termos do art. 99, IX, c/c art. 22, III, "i", da Lei n.
11.101/2005.
Concomitantemente, desde o momento da decretação da falência, o falido perde o direito
de administrar os seus bens e deles dispor, por força do art. 103, caput, da Lei n. 11.101/2005.
Assim, considerando que a falência se caracteriza como um processo de execução coletiva
decretado judicialmente, devendo o patrimônio do falido estar comprometido exclusivamente com o
pagamento da massa falida, tem-se possível a aplicação do art. 139, IV, do CPC/2015, de forma
subsidiária, observando o disposto no art. 189 da Lei n. 11.101/2005.
Referido artigo do CPC/2015 prevê a possibilidade do juízo utilizar medidas executivas
atípicas quando a busca persistente de bens do devedor não descortina patrimônio sujeito à
execução, mas o comportamento social do executado evidencia incompatibilidade desse dado com a
realidade, tais como: sinais de solvência em ambientes e em redes sociais ou públicos, em oposição à
indisponibilidade patrimonial alegada e aparentada no processo.
Existem alguns limites materiais que vêm sendo construídos para orientar a aplicação dos
meios atípicos. Um deles é a necessidade de prévio exaurimento dos meios típicos ou
subsidiariedade dos meios atípicos. Não obstante isso, a imposição de prévio exaurimento da via
típica é exigência que pode ser relativizada em alguns casos. É o que deve ocorrer quando o
comportamento processual da parte, em qualquer das fases do processo, descortina a sua
propensão à deslealdade ou à desordem.
A boa-fé objetiva é princípio cuja inobservância deve implicar não apenas sanções
processuais, como a prevista no caso de conduta atentatória à dignidade da justiça (CPC, art. 774). O
descumprimento do princípio, para além da sanção punitiva, deve irradiar efeitos jurídicos para
repelir as consequências da atuação maliciosa. Diagnosticando o atuar processualmente desleal,
deve o juiz se utilizar de meios capazes de imediatamente fazer cessar ou, ao menos, remediar a
nocividade da conduta. Logo, diante de um comportamento infringente à boa-fé objetiva, passa o
juiz a desfrutar da possibilidade de utilizar-se de meios executivos atípicos antes mesmo de
exaurida a via típica.
Outros limites apresentados à aplicação dos meios atípicos são a observância do
contraditório prévio - salvo quando puder frustrar os efeitos da medida - e a exigência de
fundamentação adequada, garantias do devido processo legal.
Destarte, demonstradas a conduta processualmente temerária do falido, a consistente
fundamentação da decisão e a observância do contraditório prévio, não configura constrangimento
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 31/43
ilegal a apreensão e retenção de passaportes.
SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 3 - Edição Especial
Informativo de Jurisprudência n. 631
Jurisprudência em Teses / DIREITO ADMINISTRATIVO - EDIÇÃO N. 186: IMPROBIDADE
ADMINISTRATIVA III
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 32/43
QUINTA TURMA
PROCESSO HC 746.737-DF, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, Quinta
Turma, por unanimidade, julgado em 06/09/2022, DJe
12/09/2022.
RAMO DO DIREITO DIREITO PROCESSUAL PENAL
TEMA Crime eleitoral ou conexão do delito comum com delito
eleitoral. Inocorrência. Justiça eleitoral. Incompetência.
DESTAQUE
Não tendo havido imputação de crime eleitoral ou a ocorrência de conexão de delito
comum com delito eleitoral, não se justifica o encaminhamento do feito à Justiça Eleitoral.
INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR
O núcleo da controvérsia consiste na identificação do Juízo competente para o julgamento
do crime descrito no art. 312, §1º, c/c art. 327, § 2º, ambos do Código Penal - CP (peculato-furto
majorado) imputado ao paciente.
A leitura das decisões proferidas pelas instâncias ordinárias revela que não foram
imputados crimes eleitorais ao paciente. A menção, na denúncia, ao propósito eleitoreiro é
circunstância adjeta, caracterizadora de mero proveito da conduta típica. Elemento subjetivo do tipo
penal do peculato-furto é o dolo, que se aperfeiçoa independente da finalidade específica ou do
objetivo remoto da conduta. Dessa forma, em análise tipológica, os interesses político-eleitorais
envolvidos no peculato são írritos para fins de definição de competência da Justiça Eleitoral.
A jurisprudência do STJ, na linha da orientação firmada pelo Supremo Tribunal Federal -
STF no julgamento do Inquérito 4.435/DF, tem reconhecido a competência da Justiça Eleitoral
quando denúncias narram a utilização de dinheiro de origem criminosa em campanha, mediante
falsidade ideológica eleitoral, conduta tipificada no art. 350 do Código Eleitoral. Contudo, na
singularidade do caso concreto, não há notícias de que o paciente tenha utilizado qualquer
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 33/43
numerário oriundo de fontes ilícitas para sua campanha eleitoral, tendo havido, somente, imputação
e condenação pela prática de desvio de computadores doados para estudantes carentes, conduta
que se amolda ao crime de peculato majorado, mas que não se encontra descrita como crime
eleitoral. Além disso, não há notícias de qualquer delito eleitoral possivelmente conexo, em tese
praticado pelo paciente, que pudesse justificar o deslocamento da competência para a Justiça
Especializada.
SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 713
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 34/43
SEXTA TURMA
PROCESSO Processo em segredo de justiça, Rel. Min. Laurita Vaz,
Sexta Turma, por unanimidade, julgado em 16/08/2022,
DJe 30/08/2022.
RAMO DO DIREITO DIREITO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE
TEMA Ato infracional análogo ao crime de homicídio
qualificado, ocultação de cadáver e furto. Extinção de
medida socioeducativa pelo juízo das execuções. Decisão
cassada em segunda instância sob o fundamento de
gravidade abstrata do ato infracional. Impossibilidade.
Ausência de unidades de internação para o regime de
semiliberdade. Manutenção da internação de
Adolescente em regime de execução mais gravoso que o
devido. Descabimento.
DESTAQUE
A gravidade do ato infracional cometido, dissociada de elementos concretos colhidos no
curso da execução da medida socioeducativa, não é fundamento suficiente para, por si, justificar a
manutenção de adolescente em internação.
INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR
De início, assevera-se que "[n]a esfera da Lei n. 8.069/1990, as medidas socioeducativas
aplicadas em resposta a ato infracional cometido por adolescente possuem o objetivo de
responsabilização quanto às consequências lesivas do ato, a integração social e garantia de seus
direitos individuais e sociais, bem como a desaprovação da conduta infracional (art. 1.º, § 2.º, incisos
I, II e III, da Lei n. 12.594/2012 - SINASE)" (REsp 1.916.596/SP, Rel. Ministra Laurita Vaz, Sexta
Turma, julgado em 27/04/2021, DJe 04/05/2021).
No caso, o tribunal de origem restabeleceu a medida de internação com base na gravidade
dos atos infracionais - homicídio qualificado, ocultação de cadáver e furto qualificado -, deixando de
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 35/43
apontar circunstâncias concretas, ocorridas no curso da execução da medida socioeducativa, que
demonstrassem a necessidade de manutenção da medida por tempo maior, conforme preceitua o
art. 46, inciso, II, da Lei n. 12.594/2012.
De outro lado, observa-se que o Juízo das Execuções explicita que "na grande Florianópolis
não há unidades de internação para o regime de semiliberdade, o que resulta que as medidas em
meio fechado aplicadas, são sempre internação. Assim, não vejo como não aplicar tais dispositivos
aos adolescentes que se encontram em regime de internação, que já alcançaram os requisitos
acordados para concessão de suas saídas temporárias".
Desse modo, a manutenção da internação do adolescente implicaria sua manutenção em
regime de execução mais gravoso que o devido, tendo em vista a incapacidade do aparato estatal em
oferecer condições para a progressão à semiliberdade e ao gozo das saídas temporárias. De fato, a
finalidade principal da aplicação das medidas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente não
é retributiva, mas reeducativa, com vistas à proteção integral do adolescente.
PROCESSO AgRg no REsp 1.945.790-MS, Rel. Min. Sebastião Reis
Júnior, Sexta Turma, por unanimidade, julgado em
13/09/2022.
RAMO DO DIREITO DIREITO PENAL
TEMA Falsidade ideológica em documento público.
Continuidade delitiva por 15 vezes. Aplicação do
aumento do crime continuado no patamar máximo.
Adoção de fração de 2/3 no caso de 7 ou mais infrações.
Adequada proporcionalidade. Consonância com a
jurisprudência do STJ.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 36/43
DESTAQUE
É proporcional a aplicação da fração máxima de 2/3 na hipótese de a conduta criminosa
corresponder a 7 ou mais infrações em continuidade delitiva.
INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR
A jurisprudência do STJ entende que "a fração a ser aplicada a título de continuidade
delitiva deve ser proporcional ao número de infrações cometidas, sendo aplicada a fração máxima
de 2/3 no caso de 7 ou mais infrações." (AgRg no AREsp n. 2.067.269/SP, Ministro Olindo Menezes
(Desembargador convocado do TRF 1ª Região), Sexta Turma, DJe de 5/8/2022).
No caso, a defesa do acusado sustentou pedido de redução da fração decorrente do
reconhecimento da continuidade delitiva. Contudo, as condutas criminosas foram praticadas por 15
vezes, demonstrando fundamento suficiente para aplicar o aumento do crime continuado no
patamar adotado de 2/3.
PROCESSO Processo em segredo de justiça, Rel. Min. Antonio
Saldanha Palheiro, Sexta Turma, por unanimidade,
julgado em 13/09/2022.
RAMO DO DIREITO DIREITO PROCESSUAL PENAL
TEMA Imposição de outra medida cautelar. Mera referência à
legalidade da interceptação telefônica. Validação pelo
Superior Tribunal de Justiça. Inocorrência.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 37/43
DESTAQUE
A mera referência à legalidade da interceptação telefônica, com exclusiva intenção de
justificar a imposição de outra medida cautelar, não significa que tenha havido a sua validação pelo
STJ.
INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR
Na origem, o Tribunal, ao reformar a sentença que havia extinguido o processo em razão
da declaração de nulidade das decisões que prorrogaram a medida de interceptação telefônica,
declinou, como único fundamento, a anterior chancela que o Superior Tribunal de Justiça teria
conferido aos referidos atos decisórios.
A presente ação penal, cuja investigação se iniciou perante o Tribunal Regional Federal,
em determinado momento, foi remetida para esta Corte em razão da existência de investigado com
prerrogativa de foro. Nesta ocasião, insta consignar, as decisões impugnadas já haviam sido
proferidas em segundo grau.
Ocorre que, ao contrário do que foi decidido, não houve por parte desta Corte a análise da
fundamentação das decisões que prorrogaram a medida de interceptação telefônica. Este Tribunal
Superior limitou-se a apontar, de passagem, a medida de interceptação telefônica como suporte
probatório para a decretação de outra medida cautelar, a de busca e apreensão. Assim, a toda
evidência, não houve o exame da fundamentação das decisões e, por conseguinte, de sua
legitimidade.
Em suma, a mera referência à legalidade da medida, com exclusiva intenção de justificar a
imposição de outra medida cautelar em âmbito de competência originária não significa que tenha
havido a sua validação por esta Corte.
Do contrário, haveria indevido cerceamento à defesa dos acusados, que, não obstante
tenham suscitado essa questão perante esta Corte, naquele instante, não tiveram seus argumentos
examinados, justamente por ter sido o processo encaminhado para a instância de origem.
Portanto, não houve o exame das decisões pelo Superior Tribunal de Justiça, visto que
ausente a análise do conteúdo das decisões e sua compatibilidade com o disposto no art. 5º da Lei n.
9.296/1996.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 38/43
SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 640
Informativo de Jurisprudência n. 723
PROCESSO REsp 1.794.907-RS, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, Sexta
Turma, por unanimidade, julgado em 13/09/2022.
RAMO DO DIREITO DIREITO PROCESSUAL PENAL
TEMA Audiência de inquirição de testemunhas. Defensor dativo.
Ausência de contato prévio com o réu. Cerceamento de
defesa. Prejuízo demonstrado.
DESTAQUE
No âmbito da audiência de inquirição de testemunhas, a ausência de contato prévio entre
o réu e seu defensor dativo configura cerceamento de defesa.
INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR
É evidente o prejuízo do réu que, por falha no estado, tem cerceado o seu direito de
comparecer ao depoimento das testemunhas arroladas pelo órgão acusador, ocasião onde foi
representado por um advogado dativo com quem nunca tivera contato. Exigir que a defesa indique
desde já os detalhes de um prejuízo é exigir a chamada "prova diabólica", tendo em vista que não há
como a parte provar como o processo seguiria caso estivesse presente na audiência.
No caso, diante da responsabilidade exclusiva do Estado, a ausência do recorrido na
audiência de inquirição de testemunhas, ante a impossibilidade de transporte de presos, não lhe
pode ser imputada. Com efeito, não se pode permitir que o Estado seja ineficiente em cumprir com
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 39/43
suas obrigações mínimas, como disponibilizar o recorrido para a audiência previamente marcada.
Ademais, a informação de que a ausência de contato prévio entre o recorrido e seu
defensor inviabilizou que este tomasse conhecimento da versão do acusado e formulasse a defesa de
forma adequada durante a audiência em que ouvidos os policiais, revela que ele não possuía
conhecimento dos fatos, não podendo fazer nada numa audiência desta natureza, denotando, mais
uma vez, o efetivo prejuízo sofrido pelo recorrido. Logo, tratando-se de nulidade absoluta insanável
- podendo ser reconhecida e declarada a qualquer tempo, e estando inequivocamente demonstrado
o prejuízo ao réu - é de ser declarada a nulidade do ato processual - no caso, a audiência.
PROCESSO AgRg no AREsp 2.021.072-RR, Rel. Min. Antonio Saldanha
Palheiro, Sexta Turma, por unanimidade, julgado em
13/09/2022.
RAMO DO DIREITO DIREITO PROCESSUAL PENAL
TEMA Alegação de nulidade. Intimação em nome de causídico
diverso. Não ocorrência. Publicação em nome dos
advogados constituídos à época do ato processual. Mais
de uma oportunidade para registrar o novo patrocínio.
DESTAQUE
É incabível a alegação de nulidade por ausência de intimação na hipótese em que novo
causídico, ainda que sem juntada de mandato, omitiu-se em registrar seu efetivo patrocínio em ata
de audiência e, sucessivamente, em novo prazo para alegações finais.
INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR
O art. 266 do CPP dispõe que "a constituição de defensor independerá de instrumento de
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 40/43
mandato, se o acusado o indicar por ocasião do interrogatório". Isto é, é válida a constituição de
defensor apud acta, independentemente da juntada de mandato, desde que haja o efetivo registro na
ata de audiência. Outrossim, o STJ possui entendimento de que "a outorga de poderes a um novo
patrono, sem reserva quanto aos do antigo advogado, revoga tacitamente o mandato anterior" (HC
441.103/PI, rel. Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 26/02/2019).
Contudo, no caso, o Tribunal de origem afastou a alegação de nulidade em razão do réu ser
patrocinado, efetiva e formalmente, por outro defensor - quando do interrogatório de uma das rés -
e o presente advogado, a quem se alega terem sido outorgados poderes com exclusividade, não
demandou registro expresso da alegada nulidade em ata, conforme disposto no art. 266 do CPP.
Ademais, aberto novo prazo para a apresentação de alegações finais para o novo causídico, este
optou por deixar transcorrer o prazo sem apresentar a peça, preferindo a interposição de agravo
regimental para tentar obstar o prosseguimento do feito.
Logo, não há de se falar em nulidade, porquanto a Corte de origem atuou dentro da
realidade fático-processual do momento, realizando a intimação dos efetivos defensores com
poderes para tanto, e a atual defesa escolheu estratégia diversa que, a posteriori, não pode ser
considerada prejudicada em razão de não ter alcançado os efeitos pretendidos.
PROCESSO HC 742.815-GO, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, Sexta
Turma, por unanimidade, julgado em 23/08/2022, DJe
31/08/2022.
RAMO DO DIREITO DIREITO PROCESSUAL PENAL
TEMA Tráfico de drogas. Denúncia anônima de traficância local.
Fundada suspeita da posse de corpo de delito. Ato de
dispensar sacola na rua ao notar a aproximação da
polícia. Demonstração de nervosismo e inquietude.
Circunstâncias autorizadoras de busca pessoal. Art. 244
do CPP.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 41/43
DESTAQUE
O ato de dispensar uma sacola na rua ao notar a aproximação da guarnição, somado ao
nervosismo demonstrado e à denúncia anônima pretérita de que o acusado estava praticando o
crime de tráfico de drogas no local, indica a existência de fundada suspeita de que o recipiente
contivesse substâncias entorpecentes e de que o réu estivesse na posse de mais objetos relacionados
ao crime.
INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR
O art. 244 do Código de Processo Penal dispõe que "a busca pessoal independerá de
mandado, no caso de prisão ou quando houver fundada suspeita de que a pessoa esteja na posse de
arma proibida ou de objetos ou papéis que constituam corpo de delito, ou quando a medida for
determinada no curso de busca domiciliar".
Em recente julgamento sobre o tema, a Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça
estabeleceu, interpretando o referido dispositivo legal, alguns critérios para a realização de tal
medida. Exige-se, nesse sentido, "a existência de fundada suspeita (justa causa) - baseada em um
juízo de probabilidade, descrita com a maior precisão possível, aferida de modo objetivo e
devidamente justificada pelos indícios e circunstâncias do caso concreto - de que o indivíduo esteja
na posse de drogas, armas ou de outros objetos ou papéis que constituam corpo de delito,
evidenciando-se a urgência de se executar a diligência" (RHC 158.580/BA, Rel. Ministro Rogerio
Schietti, Sexta Turma, julgado em 19/04/2022, DJe 25/4/2022).
No caso, a busca pessoal realizada no acusado não se baseou apenas em denúncia
anônima. Além das informações recebidas pelos policiais a respeito da traficância no local onde
estava o paciente, os agentes ressaltaram que ele demonstrou nervosismo e dispensou uma sacola
no chão quando avistou a guarnição.
Com efeito, o ato de dispensar uma sacola na rua ao notar a aproximação da guarnição,
somado ao nervosismo demonstrado pelo acusado e à denúncia anônima pretérita de que ele estava
praticando o crime de tráfico de drogas no local, indica a existência de fundada suspeita de que o
recipiente contivesse substâncias entorpecentes e de que o réu estivesse na posse de mais objetos
relacionados ao crime.
Cabe frisar, aliás, que a apreensão das drogas não decorreu da revista pessoal do paciente,
porquanto a sacola com tais objetos havia sido por ele dispensada em via pública anteriormente, de
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 42/43
modo que não estava mais junto ao seu corpo.
Assim, os elementos indicados apontam que a busca pessoal foi precedida de fundada
suspeita da posse de corpo de delito, de modo que, ao menos por ora, dentro dos limites de cognição
possíveis do habeas corpus, não se constata ilegalidade patente que justifique o excepcional
trancamento do processo.
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