Competência da Justiça Federal em Embargos
Competência da Justiça Federal em Embargos
Este periódico destaca teses jurisprudenciais e não consiste em repositório oficial de jurisprudência.
CORTE ESPECIAL
DESTAQUE
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interpretações dadas quanto à necessidade ou não de seguimento do feito na Justiça Federal ante a
intervenção da União na demanda, na qualidade de assistente simples pela Quarta e Segunda
Turmas do Superior Tribunal de Justiça.
À luz da interpretação dada pela Quarta Turma, no caso em comento seria aplicável o art.
43 do CPC, que estabelece a regra da perpetuatio jurisdictionis em favor do Tribunal de Justiça, para
se evitar deslocamentos indesejáveis do foro, consignando ainda que, tendo as decisões de mérito
sido proferidas pela Justiça Estadual, tanto no 1º como no 2º grau de jurisdição, não há que se falar
em possibilidade revisional pela Justiça Federal.
Por outro lado, entende a Segunda Turma, no julgamento do AgRg na RCDESP no REsp n.
556.382/DF, sendo relator para o acórdão o Ministro Herman Benjamin, que, havendo a intervenção
da União na demanda, bem como o provimento do recurso por ofensa ao art. 535 do CPC, a remessa
dos autos deve ser feita não mais ao Tribunal de Origem, mas sim ao Tribunal Regional Federal da
circunscrição, de modo a respeitar efetivamente o art. 109, I, da Constituição Federal, sob pena de
nulidade de qualquer ato decisório praticado em relação à União no foro estadual.
O art. 5º, parágrafo único, da Lei n. 9.469/1997 traz em sua redação a previsão legal da
modalidade da intervenção anômala. Referida norma legal possibilita que, nas demandas que
figurarem como parte - na qualidade de autoras ou rés - autarquias, fundações públicas, sociedades
de economia mista e empresas públicas, a União e demais pessoas jurídicas de direito público
intervenham de maneira ampla, não sendo necessária a demonstração de interesse jurídico,
bastando que os atos realizados no processo possam lhes gerar algum reflexo, ainda que meramente
econômico.
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Outrossim, no que diz respeito à competência por ocasião da ocorrência da intervenção
anômala, conforme entendimento desta Corte Superior, a intervenção anômala da União no
processo não é causa para o deslocamento da competência para a Justiça Federal.
A assistência simples, por seu turno, encontra previsão nos arts. 119 a 123 do Código de
Processo Civil/2015. Nos termos do referido código, o assistente simples deve atuar como auxiliar
da parte principal, na qual exercerá os mesmos poderes e sujeitar-se-á aos mesmos ônus
processuais que o assistido, sendo ainda que do art. 119 extraem-se pressupostos de
admissibilidade da assistência, quais sejam: i) a existência de uma relação jurídica entre uma das
partes do processo e o terceiro e; ii) a possibilidade de a sentença influir na relação jurídica.
Dessa forma, verifica-se que, na assistência simples, pela própria dicção do Código de
Processo Civil, o terceiro interessado necessita ter interesse jurídico na causa, diferentemente do
que ocorre na intervenção anômala, na qual basta, tão somente, o interesse meramente de natureza
econômica.
Com efeito, o art. 109, I, da Constituição Federal dispõe que compete à Justiça Federal
processar e julgar as causas em que a União for interessada na condição de autora, ré, assistente ou
oponente, fato que implicaria a remessa dos autos ao Juízo federal. Assim, existindo o interesse da
União no feito, na condição de assistente simples, a competência afigura-se como da Justiça Federal,
conforme prevê o art. 109, I, da Constituição Federal, motivo pelo qual devem ser acolhidos os
embargos de declaração opostos pela União para determinar a baixa não mais ao Tribunal de
origem, mas ao Tribunal Regional Federal competente para a análise do feito, para o que
desinfluente o fato de que o acórdão a ser integrado fora proferido no Juízo estadual, uma vez que se
trata de matéria atinente à competência absoluta, não sujeita à perpetuatio jurisdictionis, consoante
expresso no art. 43 do CPC, parte final, tudo nos termos do paradigma.
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Dessa forma, deve prevalecer o entendimento dado pela Segunda Turma do STJ,
reconhecer a competência da Justiça Federal, sendo o Tribunal Regional Federal competente para
novo julgamento dos embargos de declaração.
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PRIMEIRA TURMA
DESTAQUE
O magistrado em gozo de licença para capacitação no exterior não faz jus ao pagamento
das vantagens de Retribuição por Direção de Fórum e Gratificação pelo Exercício Cumulado de
Jurisdição ou Acumulação de Acervo Processual.
Ora, em sendo inerente a tal espécie de vantagem que seu pagamento tem por pressuposto
o efetivo "exercício cumulativo de jurisdição ou acumulação de acervo processual", a ser paga "para
cada mês de atuação", conclui-se que a ausência desses requisitos legais autoriza a que
Administração, de imediato, faça cessar seu pagamento, sem a necessidade da prévia abertura de
processo administrativo.
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Por sua vez, também não há falar em ofensa ao princípio da legalidade, pois a cessação do
pagamento da gratificação em tela não decorreu de eventual limitação imposta por portaria
regulamentadora, mas do fato de que os pressupostos legais para seu pagamento não mais estavam
presentes no caso concreto.
De outra parte, não se extrai do art. 73 da LOMAN comando normativo capaz de assegurar
a manutenção da gratificação pleiteada. Conquanto esse dispositivo legal estabeleça que o
afastamento do magistrado para "frequência a cursos ou seminários de aperfeiçoamento e estudos"
deverá ser concedido "sem prejuízo de seus vencimentos e vantagens", tal regra não tem o condão
de alcançar as vantagens de caráter eventual e de natureza proper laborem, como é o caso da
gratificação criada pela Lei Complementar Estadual 327/2019.
Tal compreensão, inclusive, está em harmonia com o estabelecido pelo Conselho Nacional
de Justiça, precisamente no art. 5º, II, b, c e d, da Resolução/CNJ n. 13/2006, que dispõe sobre a
aplicação do teto remuneratório constitucional e do subsídio mensal dos membros da magistratura.
Pela leitura da LCE 327/2019 pode-se inferir que a "Gratificação pelo exercício cumulativo
de jurisdição ou acumulação de acervo processual", abrange algumas das verbas classificadas como
de caráter eventual elencadas no inciso II do artigo 5º da Resolução n. 13/2006, enquadrando-se
nas alíneas c (exercício cumulativo de atribuições) e d (substituições), o que também evidencia o
indiscutível caráter de contraprestação à atividade suplementar atribuída ao magistrado.
Da leitura do art. 1º da referida lei c/c o art. 5º, II, b, da Resolução/CNJ n. 13/2006 extrai-
se que a retribuição financeira em questão também possui caráter eventual e temporário, na medida
em que vinculada ao exercício da Direção do Fórum pelo magistrado designado.
Ressalta-se, ainda, que, existindo previsão legal expressa no sentido de que o pagamento
da referida vantagem somente seria devido nos casos de afastamentos vinculados a "férias, licença-
maternidade, licenças para tratamento da própria saúde ou de pessoa da família, ou outros
afastamentos inferiores a dez dias", torna-se inviável estender tal comando normativo à hipótese ali
não contemplada, ante a necessidade de reverência ao princípio de hermenêutica segundo o qual
"não compete ao intérprete distinguir onde o legislador, podendo, não o fez, sob pena de violação do
postulado da separação dos poderes" (AgInt no REsp 1.609.787/RS, Rel. Ministro Francisco Falcão,
Segunda Turma, DJe 10/11/2017).
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PROCESSO AgInt no REsp 1.907.861-RJ, Rel. Min. Gurgel de Faria,
Rel. Acd. Min. Regina Helena Costa, Primeira Turma, por
maioria, julgado em 22/03/2022, DJe 29/03/2022.
DESTAQUE
Inicialmente, cabe esclarecer que desde o seu texto original, o § 1 do art. 86 da Lei n.
8.213/1991 estabelecia o caráter vitalício do benefício de auxílio-acidente, permitindo o seu
pagamento conjunto com qualquer modalidade de aposentadoria, exceto a aposentadoria por
invalidez que tivesse o mesmo fato gerador do auxílio-acidente.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 7/41
No caso, o Tribunal de origem julgou procedente o pedido de concessão de auxílio-
acidente, cumulado com o pagamento de aposentadoria, ao fundamento de ter a moléstia que deu
causa à concessão da prestação se consolidado antes da alteração do art. 86, §§ 2º e 3º, da Lei n.
8.213/1991, promovida em 11.11.1997 pela Medida Provisória n. 1.596-14/1997, posteriormente
convertida na Lei n. 9.528/1997.
Tal entendimento não destoa da orientação desta Corte, firmada no julgamento do REsp
1.296.673/MG, de relatoria do Min. Herman Benjamin, segundo o qual a acumulação do auxílio-
acidente com proventos de aposentadoria pressupõe que a eclosão da lesão incapacitante, apta a
gerar o direito ao auxílio-acidente, e a concessão da aposentadoria sejam anteriores à alteração do
art. 86, §§ 2º e 3º, da Lei n. 8.213/1991, promovida em 11.11.1997 pela Medida Provisória 1.596-
14/1997, posteriormente convertida na Lei n. 9.528/1997.
De fato, nos termos da orientação pacificada nesta Corte a legislação aplicável à concessão
do auxílio-acidente é aquela vigente no momento do início da incapacidade ou no dia do acidente,
nos termos do art. 23 da Lei n. 8.213/1991, não se podendo confundir tal marco temporal com o
termo inicial do pagamento do benefício. Assim, ainda que o termo inicial do pagamento tenha sido
fixado em 2013, data da juntada do laudo pericial, o acórdão regional expressamente consignou ter
ocorrido a eclosão da moléstia em momento anterior a 1992, tendo em vista do nexo laboral
reconhecido com a atividade desenvolvida pelo autor antes de sua aposentadoria.
Por fim, frisa-se que tal entendimento foi ratificado com a publicação da Súmula 507/STJ,
in verbis: "A acumulação de auxílio-acidente com aposentadoria pressupõe que a lesão
incapacitante e a aposentadoria sejam anteriores a 11/11/1997, observado o critério do art. 23 da
Lei n. 8.213/1991 para definição do momento da lesão nos casos de doença profissional ou do
trabalho".
SAIBA MAIS
Recursos Repetitivos / DIREITO PREVIDENCIÁRIO - AUXÍLIO-ACIDENTE
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 8/41
PROCESSO REsp 1.709.093-ES, Rel. Min. Benedito Gonçalves,
Primeira Turma, por unanimidade, julgado em
29/03/2022, DJe 01/04/2022.
DESTAQUE
O Ministério Público não tem legitimidade ativa para ajuizar ação civil pública objetivando
a restituição de valores indevidamente recolhidos a título de empréstimo compulsório sobre
aquisição de automóveis de passeio e utilitários.
O Supremo Tribunal Federal, ao julgar o ARE 694.294 RG, sob o rito da repercussão geral,
firmou entendimento no sentido de que o Ministério Público não tem legitimidade ativa para propor
ação em que se discute a cobrança (ou não) de tributo, assumindo a defesa dos interesses do
contribuinte, deduzindo pretensão referente a direito individual homogêneo disponível.
Dessa forma, reconhece-se a ilegitimidade ativa do Ministério Público para ajuizar ação
civil pública objetivando a restituição de valores indevidamente recolhidos a título de empréstimo
compulsório sobre aquisição de automóveis de passeio e utilitários, nos termos do Decreto-Lei n.
2.288/1986.
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[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 10/41
SEGUNDA TURMA
DESTAQUE
Inexiste fungibilidade recursal entre as vias ordinária e especial, ante a ausência de dúvida
objetiva patente sobre as hipóteses de cabimento das espécies recursais.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 11/41
Ainda que se admitisse a descabida fungibilidade, por obviedade lógica, a análise do
recurso sob a via especial esbarraria, no óbice de que tentou se esquivar, resultando igualmente no
não conhecimento da pretensão.
SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 88
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 12/41
TERCEIRA TURMA
DESTAQUE
A empresa que expede convites a jornalistas para a cobertura e divulgação de seu evento,
ou seja, em benefício de sua atividade econômica, e se compromete a prestar o serviço de transporte
destes, responde objetivamente pelos prejuízos advindos de acidente automobilístico ocorrido
quando de sua prestação.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 13/41
desinteressado, mas sim com o claro propósito de beneficiar sua atividade econômica, por meio da
cobertura jornalística e divulgação do lançamento de seu produto, no que residiria sua remuneração
indireta.
A essa finalidade, oportuno trazer à colação especializada doutrina civilista que, ao tratar
do chamado transporte de mera cortesia, bem obtempera não se estar diante de tal figura quando a
remuneração pelo serviço de transporte dá-se de modo indireto, circunstância que autoriza, nesse
caso, a aplicação da teoria do risco proveito.
O modo pelo qual este transporte seria efetivado - se diretamente pela montadora ou por
meio de outras empresas contratadas para realização desse serviço - não altera o fato indiscutível de
que esta, efetivamente, assumiu a obrigação, perante o grupo de jornalistas, de efetuar o transporte
destes para a cobertura do evento de lançamento do produto da montadora.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 14/41
PROCESSO REsp 1.847.734-SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva,
Terceira Turma, por unanimidade, julgado em
29/03/2022, DJe 31/03/2022.
DESTAQUE
O adquirente de imóvel deve pagar as taxas condominiais desde o recebimento das chaves
ou, em caso de recusa ilegítima, a partir do momento no qual as chaves estavam à sua disposição.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 15/41
No julgamento do Recurso Especial repetitivo n. 1.345.331/RS, a Segunda Seção desta
Corte Superior estabeleceu que o registro do compromisso de compra e venda não define a
responsabilidade pelo pagamento das obrigações condominiais, mas a relação material com o
imóvel, consistente na imissão na posse pelo promissário comprador e pela ciência inequívoca do
condomínio acerca da transação (Tema Repetitivo n. 886).
Portanto, a posse é o elemento fático que gera para o adquirente do imóvel a obrigação de
arcar com as despesas condominiais, haja vista que passa a usufruir - ou tem à sua disposição - toda
a estrutura organizada do condomínio. Tanto é assim que, se o condomínio tiver ciência da alienação
da unidade imobiliária, afasta-se a legitimidade passiva do proprietário para responder pelas
referidas taxas a partir do momento em que a posse passou a ser exercida pelo promissário
comprador.
Sendo assim, não há fundamento legal para responsabilizar a construtora pelas taxas
condominiais se a sua obrigação de entregar as chaves foi devidamente cumprida, ainda que fora do
prazo previsto contratualmente.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 16/41
SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 417
DESTAQUE
A condição resolutiva de doação verbal estabelecida entre pai e filho e desconhecida por
terceiros não produz efeitos jurídicos contra estes.
Como é sabido, a doação é um negócio jurídico benéfico, e como tal, de acordo com o
disposto no art. 114 do Código Civil, deve ser objeto de interpretação restritiva.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 17/41
Postos tais parâmetros, extrai-se, em primeiro lugar, que a doação formalizada em um
instrumento de alteração de contrato social não corresponde à prática costumeira, haja vista a lei
exigir a escrituração pública ou um documento particular, em regra, típico, com finalidade
específica.
Da mesma forma, não é usual a cisão de um contrato em duas partes: uma escrita e outra
verbal. Mais do que isso: não é possível que um contrato seja formalizado, ao mesmo tempo, de
forma escrita e, de outra, de forma oral; menos ainda, por tratar-se de um encontro de vontades, se
os pólos, nas duas frações do ajuste, não forem rigorosamente as mesmas.
Fixada, portanto, a moldura fática, resta definir o tratamento jurídico a ser aplicado aos
fatos comprovados no processo, isto é, o estabelecimento das consequências jurídicas que devem
ser aplicadas ao caso concreto.
Inicialmente, deve ser considerado que, se a vontade real do doador era distinta daquela
manifestada no instrumento de modificação societária, que também instrumentalizou a doação, é
evidente a sua reserva mental. E ainda mais relevante: se as testemunhas comprovam, como, de fato,
comprovaram, que o filho donatário sabia que a verdadeira intenção do pai era a de reaver a sua
participação societária em momento futuro, pode-se concluir pela existência de claro indício de
negócio simulado (art. 167, §1º, II, do Código Civil), pois os demais sócios não foram informados do
verdadeiro propósito da transação entabulada, na surdina, apenas entre doador e donatário (pai e
filho).
De acordo com o inciso V do art. 1.071 do Código Civil, a modificação do contrato social
depende da deliberação dos sócios, que, nos termos do art. 1.076, I, deve ser tomada pelos votos
correspondentes a, no mínimo, três quartos do capital social.
Logo, não tendo o doador retirante da sociedade manifestado de forma aberta e formal a
sua verdadeira intenção no momento em que formalizou o negócio, não é possível afirmar se ele
teria obtido a concordância dos demais sócios em relação àquela alteração societária, caso fosse
revelado o real propósito do doador de reaver a sua condição de sócio após o implemento da
condição por ele instituída, de forma verbal, unilateral e reservada, e aceita apenas pelo filho
beneficiário, que o substituiu na sociedade.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 18/41
Nesse passo, oportuno ponderar que, embora não se admita - exceto para bens móveis de
pequena monta -, que as cláusulas de um contrato de doação possam ser constituídas verbalmente, é
possível, na esteira do art. 446, I, do CPC/2015, a utilização da prova testemunhal para comprovar a
divergência entre a vontade real e a vontade declarada nos contratos simulados.
Portanto, não pairam dúvidas acerca da existência da combinação entre pai e filho (doador
e donatário), mas não é possível o reconhecimento de que o arranjo estabelecido entre os dois tenha
o condão de atingir terceiros, que dele não participaram.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 19/41
DESTAQUE
A cessão, pelo arrendatário (art. 1º, caput) do imóvel, de posição contratual ou de direitos
decorrentes de contrato de arrendamento residencial no âmbito do PAR não é prevista no art. 1º, §
3º, contudo, não é proibida pelo art. 8º, § 1º, todos da Lei nº 10.188/2001, porquanto o primeiro
dispõe sobre a destinação a ser dada pela Caixa Econômica Federal aos imóveis adquiridos no
âmbito do PAR e o segundo impõe vedações temporárias apenas àquele que adquire o imóvel objeto
do PAR pelo processo de desimobilização.
Cuida-se, assim, de hipótese não vedada expressamente pela Lei nº 10.188/2001, razão
pela qual sua legalidade deve ser analisada mediante os princípios e a finalidades do PAR, bem como
por eventuais normas do Código Civil aplicáveis à espécie e que atentem ao PAR
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 20/41
social, tendo em vista que pode evitar que o beneficiário original do Programa saia prejudicado, caso
não consiga mais pagar as parcelas referentes ao arrendamento.
É necessário o respeito a eventual fila para ingresso no PAR, sob pena de inviabilizar o
andamento normal do Programa, ao permitir que terceiros sejam beneficiados antes daqueles que
aguardavam a disponibilidade de um imóvel para iniciarem o arrendamento residencial.
Ademais, o art. 6º, parágrafo único, da Lei nº 10.188/2001 prevê expressamente que "para
os fins desta Lei, considera-se arrendatária a pessoa física que, atendidos os requisitos estabelecidos
pelo Ministério das Cidades, seja habilitada pela CEF ao arrendamento".
SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 556
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 21/41
PROCESSO Processo em segredo de justiça, Rel. Min. Ricardo Villas
Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 29/03/2022,
DJe 31/03/2022.
DESTAQUE
Referida presunção pertence à categoria de presunções relativas (juris tantum) e, por isso,
pode ser elidida por prova em contrário, sobretudo diante da relevância da dimensão temporal da
prova relativa para a análise do caso concreto. Assim, é fundamental definir se as
acessões/benfeitorias são realizadas em períodos coincidentes com a relação matrimonial, hipótese
em que esses bens deveriam ser partilhados. Ademais, a presunção presente no direito das coisas
deve ceder lugar a outra presunção legal muito cara ao direito de família, constante do art. 1.660, I e
IV, do CC/2002, segundo a qual se presume o esforço comum dos cônjuges na aquisição dos bens
realizada na constância da relação matrimonial sob o regime da comunhão parcial, situação em que
os respectivos bens devem ser partilhados.
Para dar concretude ao princípio da persuasão racional do juiz, insculpido no art. 371 do
CPC/2015, aliado aos postulados de boa-fé, de cooperação, de lealdade e de paridade de armas
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 22/41
previstos no novo diploma processual civil (arts. 5º, 6º, 7º, 77, I e II, e 378 do CPC/2015), com vistas
a proporcionar uma decisão de mérito justa e efetiva, que foi introduzida a faculdade de o juiz, no
exercício dos poderes instrutórios que lhe competem (art. 370 do CPC/2015), atribuir o ônus da
prova de modo diverso entre os sujeitos do processo quando diante de situações peculiares (art.
371, § 1º, do CPC/2015). A instrumentalização dessa faculdade foi denominada pela doutrina
processual teoria da distribuição dinâmica do ônus da prova ou teoria da carga dinâmica do ônus da
prova.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 23/41
DESTAQUE
O termo inicial dos juros de mora incidentes sobre os honorários sucumbenciais dá-se no
dia seguinte ao transcurso do prazo recursal, ainda que interposto recurso manifestamente
intempestivo.
Conforme preceitua o art. 85, § 16, do CPC/2015, "quando os honorários forem fixados em
quantia certa, os juros moratórios incidirão a partir da data do trânsito em julgado da decisão".
Na hipótese, foi proferida sentença que extinguiu o feito sem resolução de mérito,
condenando a recorrida ao pagamento de honorários sucumbenciais arbitrados no percentual de
10% sobre o valor da causa. Ao depois, a recorrida interpôs recurso de apelação, o qual não foi
conhecido ante a intempestividade, resultando na majoração da verba honorária em 1%. Por sua
vez, o recurso especial foi inadmitido.
Nesse panorama, é certo que os honorários advocatícios não foram arbitrados em quantia
certa, isto é, por apreciação equitativa (art. 85, § 8º, do CPC/2015), mas sim em percentual sobre o
valor atribuído à causa. Isso significa que a hipótese não se subsome ao disposto no referido art. 85,
§ 16, do CPC/2015.
Nada obstante, mesmo nas situações em que os honorários de sucumbência são fixados
em percentual sobre o valor da causa, tem prevalecido nesta Corte o entendimento segundo o qual
os juros de mora incidem a partir da exigibilidade da obrigação, o que se verifica com o trânsito em
julgado da sentença.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 24/41
efeito da sentença, mas a qualidade dela representada pela 'imutabilidade' do julgado e de seus
efeitos, depois que não seja mais possível impugná-los por meio de recurso".
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 25/41
QUARTA TURMA
DESTAQUE
O seguro de vida não pode ser instituído por pessoa casada em benefício de parceiro em
relação concubinária.
A controvérsia está em analisar a adequação à lei civil de contrato seguro de vida, em que
indicada como beneficiária parceira em relação concubinária mantida concomitantemente a
matrimônio válido, sem que houvesse separação judicial ou de fato.
Na vigência do Código Civil de 1916, a partir da interpretação conjunta dos arts 1.177 e
1.474, consolidou-se a jurisprudência no sentido de vedar a indicação de concubina com beneficiária
de seguro de vida de homem casado e não separado de fato ou judicialmente, em razão de estar ela
legalmente impedida de receber doação do segurado.
Com a vigência do Código Civil de 2002, a regra do art. 1.177 foi literalmente reproduzida
no art. 550, sendo certo, de outra parte, que o art. 793 do novo Código explicitou a impossibilidade
de a concubina ser beneficiária de seguro de vida instituído por homem casado e não separado de
fato ou judicialmente.
Diante disso, permanece íntegra a orientação do STJ firmada com base no Código de 1916,
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 26/41
e positivada no art. 793 do Código em vigor, inspirada na proteção do ordenamento jurídico ao
casamento e à união estável.
DESTAQUE
A legitimidade ativa na ação civil pública das pessoas jurídicas da administração pública
indireta depende da pertinência temática entre suas finalidades institucionais e o interesse tutelado.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 27/41
INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 28/41
QUINTA TURMA
DESTAQUE
Ameaçar a vítima na presença de seu filho menor de idade justifica a valoração negativa da
culpabilidade do agente.
A respeito da dosimetria da pena, vale anotar que sua individualização é uma atividade
vinculada a parâmetros abstratamente cominados na lei, sendo, contudo, permitido ao julgador
atuar discricionariamente na escolha da sanção penal aplicável ao caso concreto, após o exame
percuciente dos elementos do delito, e em decisão motivada. Dessarte, às Cortes Superiores é
possível, apenas, o controle da legalidade e da constitucionalidade na dosimetria.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 29/41
que revela maior desvalor e censura na conduta do acusado, tratando-se de fundamento idôneo para
análise negativa da culpabilidade.
DESTAQUE
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 30/41
Nesse aspecto, o tratamento legal conferido ao crime de tráfico de drogas traz
peculiaridades a serem observadas nas condenações respectivas; a natureza desse crime de perigo
abstrato, que tutela o bem jurídico saúde pública, fez com que o legislador elegesse dois elementos
específicos - necessariamente presentes no quadro jurídico-probatório que cerca aquela prática
delituosa, a saber, a natureza e a quantidade das drogas - para utilização obrigatória na primeira
fase da dosimetria.
Por outro lado, o tráfico privilegiado é instituto criado para beneficiar aquele que ainda
não se encontra mergulhado nessa atividade ilícita, independentemente do tipo ou do volume de
drogas apreendidas, para implementação de política criminal que favoreça o traficante eventual.
Com efeito, não há margem, na redação do art. 42 da Lei n. 11.343/2006, para utilização
de suposta discricionariedade judicial que redunde na transferência da análise dos vetores
"natureza e quantidade de drogas apreendidas" para etapas posteriores, já que erigidos ao status de
circunstâncias judiciais preponderantes, sem natureza residual.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 31/41
PROCESSO RHC 153.528-SP, Rel. Min. Ribeiro Dantas, Quinta Turma,
por unanimidade, julgado em 29/03/2022, DJe
01/04/2022.
DESTAQUE
Mediante interpretação teleológica de viés objetivo - a qual busca aferir o fim da lei, e não
a suposta vontade do legislador, visto que aquela pode ser mais sábia do que este -, a finalidade da
norma que impõe o dever de reexame ex officio buscar evitar o gravíssimo constrangimento
experimentado por quem, estando preso, sofre efetiva restrição à sua liberdade, isto é, passa pelo
constrangimento da efetiva prisão, que é muito maior do que aquele que advém da simples ameaça
de prisão. Não poderia ser diferente, pois somente gravíssimo constrangimento, como o sofrido pela
efetiva prisão, justifica o elevado custo despendido pela máquina pública com a promoção desses
numerosos reexames impostos pela lei.
Com efeito, não seria razoável ou proporcional obrigar todos os Juízos criminais do país a
revisar, de ofício, a cada 90 dias, todas as prisões preventivas decretadas e não cumpridas, tendo em
vista que, na prática, há réus que permanecem foragidos por anos.
Mesmo que se adote interpretação teleológica de viés subjetivo - relacionada ao fim da lei,
tendo em vista suposta vontade ou motivação do legislador -, a finalidade da norma aqui discutida
continuará a se referir apenas a evitar o constrangimento da efetiva prisão, e não a que decorre de
mera ameaça de prisão. Isso porque "o objetivo principal desse parágrafo [do art. 316 do CPP] se
liga ao juízo de primeiro grau, buscando-se garantir que o processo, com réu preso, tenha uma
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 32/41
rápida instrução para um término breve".
Assim, se o acusado - que tem ciência da investigação ou processo e contra quem foi
decretada a prisão preventiva - encontra-se foragido, já se vislumbram, antes mesmo de qualquer
reexame da prisão, fundamentos para mantê-la - quais sejam, a necessidade de assegurar a
aplicação da lei penal e a garantia da instrução criminal -, os quais, aliás, conservar-se-ão enquanto
perdurar a condição de foragido do acusado. Assim, pragmaticamente, parece pouco efetivo para a
proteção do acusado, obrigar o Juízo processante a reexaminar a prisão, de ofício, a cada 90 dias,
nada impedindo, contudo, que a defesa protocole pedidos de revogação ou relaxamento da custódia,
quando entender necessário.
DESTAQUE
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 33/41
O art. 5º, inciso XII, da Constituição Federal assegura a inviolabilidade das comunicações,
ressalvando a possibilidade de quebra de sigilo telefônico, por ordem judicial, nas hipóteses e na
forma estabelecida pela Lei n. 9.296/1996, para fins de investigação criminal ou instrução
processual penal.
Neste caso, constata-se que o conteúdo das interceptações telefônicas foi disponibilizado
pela defesa, não havendo que se falar em nulidade por ser preferível um formato a outro ou em
virtude de os órgãos públicos possuírem sistema próprio para exame das gravações. Com efeito, os
diálogos interceptados estão integralmente disponíveis, em observância aos princípios do
contraditório, da ampla defesa e da paridade de armas, não sendo ônus atribuído ao Estado a
conversão em formato escolhido pela defesa.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 34/41
DESTAQUE
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 35/41
O fato de os presos, no Complexo do Curado/PE, ainda não terem recebido o benefício, por
si só, não implica tratamento desigual em comparação com a situação de presos no Instituto Penal
Plácido de Sá Carvalho/RJ que, eventualmente, já o tenham recebido. A desigualdade, se viesse a
existir, defluiria de discrepância entre as regras para contagem e recebimento do benefício
estabelecidas nos dois Tribunais de Justiça estaduais para situações equivalentes, o que não se pode
nem mesmo aferir antes do julgamento do IRDR em Pernambuco.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 36/41
SEXTA TURMA
DESTAQUE
Não há ilicitude das provas por violação ao sigilo de dados bancários, em razão do
compartilhamento de dados de movimentações financeiras da própria instituição bancária ao
Ministério Público.
Não há falar-se em ilicitude das provas por violação ao sigilo de dados bancários, em razão
do compartilhamento de dados pela instituição bancária ao Ministério Público, por não se tratar de
informações bancárias sigilosas relativas à pessoa do investigado, senão de movimentações
financeiras da própria instituição, sem falar que, após o recebimento da notícia-crime, o Ministério
Público requereu ao juízo de primeiro grau a quebra do sigilo bancário e o compartilhamento pelo
Banco de todos os documentos relativos à apuração relacionada aos autos do ora recorrente, o que
foi deferido, havendo, portanto, autorização judicial.
Conforme destacou o Ministério Público Federal em seu parecer, "as alegadas informações
sigilosas não são os dados bancários do investigado, e sim, conforme destacou o magistrado de
origem em sua decisão e nas informações prestadas, as informações e registros relacionados à sua
atividade laboral como funcionário do Banco", "verificou, outrossim, que os recursos liberados
terminaram tendo destinação estranha à sua finalidade. E tudo isso mediante análise de rotinas
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 37/41
próprias da instituição financeira, com mecanismos de controle como a verificação das operações
realizadas pelo servidor com sua senha, e dos e-mails institucionais, os quais não estão
resguardados pela proteção da intimidade, pois o e-mail funcional é fornecido como ferramenta de
trabalho e serve ao empregador para acompanhar índices importantes do funcionário, como metas
de produtividade, tempo de trabalho e conteúdo acessado".
SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 634
DESTAQUE
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 38/41
que iria depor em processo penal no qual figurava como réu, ato que, de fato, é incompatível com o
cargo de policial militar.
Com efeito, o reconhecimento de que o réu praticou ato incompatível com o cargo por ele
ocupado é fundamento suficiente para a decretação do efeito extrapenal de perda do cargo público
(AgRg no REsp n. 1.613.927/RS, Ministra Maria Thereza de Assis Moura, Sexta Turma, DJe
30/09/2016).
DESTAQUE
Admitir a entrada na residência especificamente para efetuar uma prisão não significa
conceder um salvo-conduto para que todo o seu interior seja vasculhado indistintamente, em
verdadeira pescaria probatória (fishing expedition), sob pena de nulidade das provas colhidas por
desvio de finalidade.
Inicialmente, é preciso fazer uma distinção entre autorização para ingressar em domicílio
a fim de efetuar uma prisão e autorização para realizar busca domiciliar à procura de drogas ou
outros objetos.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 39/41
Por se tratar de medida invasiva e que restringe sobremaneira o direito fundamental à
intimidade, o ingresso em morada alheia deve se circunscrever apenas ao estritamente necessário
para cumprir a finalidade da diligência. É o que se extrai da exegese do art. 248 do CPP, segundo o
qual, "Em casa habitada, a busca será feita de modo que não moleste os moradores mais do que o
indispensável para o êxito da diligência".
Vale dizer, admitir a entrada na residência especificamente para efetuar uma prisão não
significa conceder um salvo-conduto para que todo o seu interior seja vasculhado indistintamente,
em verdadeira pescaria probatória (fishing expedition).
Dois exemplos bem ilustram a questão. Imagine-se que, no decorrer de uma investigação
pela prática dos crimes de furto e receptação, a autoridade policial represente pela concessão de
mandado de busca e apreensão, a fim de recuperar um celular subtraído, cujo localizador (GPS)
aponte estar em determinada moradia. Deferida a ordem para a procura do aparelho, a polícia, por
ocasião do cumprimento da diligência, aproveita a oportunidade para levar cães farejadores com o
objetivo de verificar a possível existência de drogas no local, as quais acabam sendo encontradas.
Pense-se, ainda, na situação em que uma motocicleta é roubada e tem início perseguição
policial aos assaltantes, os quais se refugiam em casa. Como decorrência do flagrante delito de
roubo, os policiais ingressam no local, efetuam a prisão e apreendem o veículo subtraído. Na
sequência, decidem aproveitar o fato de já estarem dentro do imóvel para procurar substâncias
entorpecentes.
Desse modo, é ilícita a prova colhida em caso de desvio de finalidade após o ingresso em
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 40/41
domicílio, seja no cumprimento de mandado de prisão ou de busca e apreensão expedido pelo Poder
Judiciário, seja na hipótese de ingresso sem prévia autorização judicial, como ocorre em situação de
flagrante delito. O agente responsável pela diligência deve sempre se ater aos limites do escopo -
vinculado à justa causa - para o qual excepcionalmente se restringiu o direito fundamental à
intimidade, ressalvada a possibilidade de encontro fortuito de provas.
SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 4 - Edição Especial
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 41/41