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Entendendo o HIV: Transmissão e Tratamento

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HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana)

O HIV é um vírus que ataca o sistema imunológico, especificamente


as células CD4 (linfócitos T), que são fundamentais para a defesa do
organismo. Se não tratado, pode levar à Síndrome da
Imunodeficiência Adquirida (AIDS), estágio avançado da infecção,
onde o corpo se torna vulnerável a infecções oportunistas e doenças
graves.

O sida foi reconhecido pela primeira vez nos EUA em 1981, quando os
Centers for Diasese Control and Prevention (CDC) relataram a
ocorrência inexplicável de pneumonia Por pneumocystis pirovenci
antes denominada [Link] em homossexuais masculinos Previamente
sadios, e de sarcoma de Kapossi com ou sem pneumonia em 26
Homossexuais masculinos também previamente saudáveis de New
York e de Los Angeles. Pouco depois a doença foi diagnosticada nos
usuários de droga injectáveis, nos Receptores de transfusão
sanguínea, nas parceiras sexuais dos homens com sida, lactentes
Nascidos de mães com sida ou história de uso de drogas injectáveis.
Em 1983, o vírus da Imunodeficiência humana (HIV) foi isolado de um
paciente com linfadenopatia e em 1984, ficou claramente
comprovado que este vírus era o agente etiológico da sida (Fauci &
Lane, 2010).

Em Maio de 1986, uma subcomissão do comitê Internacional sobre a


taxonomia dos Vírus propôs que os retrovírus da SIDA fossem
oficialmente denominado HIV, como Actualmente são conhecidos.

Fisiopatologia

1. Entrada do vírus: O HIV penetra no corpo através de fluídos


corporais infectados (sangue, sêmen, fluidos vaginais, leite
materno).

2. Infecção de células CD4: O vírus liga-se a receptores das células


CD4, entra e utiliza o mecanismo da célula para se multiplicar.
3. Destruição das células CD4: Conforme o vírus se replica, as
células CD4 são destruídas, enfraquecendo o sistema
imunológico.

4. Progressão:

Fase aguda: Altos níveis de vírus no sangue, com sintomas


semelhantes aos de gripe.

Fase crônica (latente): O vírus permanece ativo, mas em níveis


baixos, sem sintomas aparentes.

AIDS: O sistema imunológico é severamente comprometido,


facilitando infecções e doenças graves.

O ciclo de replicação do HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana)


envolve várias etapas específicas que permitem ao vírus invadir
células hospedeiras, principalmente os linfócitos T CD4+, e usar o
maquinário celular para se replicar. Abaixo estão as principais etapas
do ciclo de replicação do HIV:

1. Adsorção e Fusão

O HIV se liga à célula hospedeira por meio da interação entre a


glicoproteína gp120 do vírus e os receptores CD4 da célula.

Essa ligação é reforçada por co-receptores celulares, como CCR5 ou


CXCR4, permitindo a aproximação do vírus.
A membrana viral se funde com a membrana celular por meio da
ação da glicoproteína gp41, permitindo a entrada do capsídeo viral no
citoplasma.

2. Desnudamento (Uncoating)

Após a entrada, o capsídeo viral é desmontado, liberando o RNA viral


e as enzimas virais (como a transcriptase reversa, integrase e
protease) no citoplasma.

3. Transcrição Reversa

No citoplasma, a transcriptase reversa converte o RNA viral em DNA


complementar (cDNA).

O cDNA sofre duplicação para formar uma molécula de DNA dupla-


hélice.

4. Integração

O DNA viral é transportado para o núcleo da célula hospedeira.

A integrase, uma enzima viral, insere o DNA viral no genoma da


célula hospedeira, formando o DNA pró-viral.

5. Transcrição e Tradução
O DNA pró-viral integrado é transcrito em moléculas de RNA
mensageiro (mRNA) pela RNA polimerase II da célula hospedeira.

O mRNA viral é traduzido em proteínas virais, incluindo proteínas


estruturais (como gp120 e gp41) e enzimas (como protease,
integrase e transcriptase reversa).

6. Montagem

As novas proteínas virais, RNA viral e enzimas migram para a


membrana plasmática da célula hospedeira, onde ocorre a montagem
dos novos vírions.

7. Brotamento (Budding)

Os vírions em formação começam a brotar da membrana plasmática


da célula hospedeira, adquirindo um envelope lipídico derivado da
célula.

8. Maturação

Durante o brotamento ou logo após, a protease viral cliva as


poliproteínas virais em suas formas funcionais.

Isso resulta na formação de vírions maduros, infectantes, prontos


para infectar outras células.
Essas etapas são alvos de diferentes classes de medicamentos
antirretrovirais usados no tratamento da infecção pelo HIV, como
inibidores da transcriptase reversa, inibidores da protease, inibidores
da integrase e bloqueadores de fusão.

Causas e Transmissão

O HIV é transmitido por contato com fluídos corporais infectados. As


principais vias incluem:

Relações sexuais desprotegidas: Vaginais, anais ou orais.

Uso de agulhas ou seringas contaminadas.

Transmissão vertical: Da mãe infectada para o bebê durante a


gravidez, parto ou amamentação.

Transfusões de sangue: Em casos raros, onde o sangue não é


devidamente testado.

Fatores de Risco

Relações sexuais sem uso de preservativo.

Múltiplos parceiros sexuais.


Uso de drogas injetáveis com compartilhamento de agulhas.

Trabalho em ambientes de saúde com exposição a materiais


contaminados.

Diagnóstico de outras ISTs, como sífilis ou herpes genital.

Sinais e Sintomas

1. Fase aguda (2 a 4 semanas após a infecção)

Febre.

Fadiga.

Dor de cabeça e dor de garganta.

Linfadenopatia (gânglios linfáticos aumentados).

Erupções cutâneas.

2. Fase crônica (latente)

Geralmente assintomática.
Ocorre lenta destruição das células CD4 ao longo dos anos.

3. AIDS (fase avançada)

Perda de peso significativa.

Infecções oportunistas, como pneumonia, tuberculose e candidíase


sistêmica.

Linfadenopatia persistente.

Diarreia crônica.

Lesões na pele e mucosas (como sarcoma de Kaposi).

Comprometimento neurológico, como demência associada ao HIV.

Diagnóstico

1. Testes de triagem:

Teste rápido de HIV (fluído oral ou sangue).

ELISA (Enzyme-Linked Immunosorbent Assay).


2. Testes confirmatórios:

Western blot.

PCR para carga viral.

3. Exames complementares:

Contagem de células CD4: Avalia o estado do sistema imunológico.

Carga viral: Mede a quantidade de vírus no sangue.

Complicações

Se não tratado, o HIV pode levar a:

Infecções oportunistas: Tuberculose, toxoplasmose, candidíase,


meningite criptocócica.
Doenças malignas: Sarcoma de Kaposi, linfomas não Hodgkin.

Síndrome de desgaste: Perda de peso severa.

Complicações neurológicas: Encefalopatia, neuropatia periférica.

Doenças cardiovasculares e metabólicas: Aumento do risco devido ao


vírus e ao uso prolongado de medicamentos antirretrovirais.

Tratamento

Terapia Antirretroviral (TARV)

A TARV é o tratamento padrão para o HIV, que combina diferentes


classes de medicamentos para:

Reduzir a carga viral a níveis indetectáveis.

Restaurar e preservar a função imunológica.

Prevenir a transmissão do vírus.

Principais classes de medicamentos:

Inibidores da transcriptase reversa (NRTIs e NNRTIs): Bloqueiam a


replicação do RNA viral.
Inibidores da protease: Impedem a formação de novos vírus.

Inibidores de entrada e fusão: Bloqueiam a entrada do vírus na célula.

Inibidores da integrase: Impedem a integração do DNA viral ao DNA


da célula hospedeira.

Cuidados complementares:

Profilaxia e tratamento de infecções oportunistas.

Vacinas: Contra hepatite B, influenza e pneumococo, para prevenir


infecções.

Monitoramento regular: Avaliar a adesão ao tratamento e possíveis


efeitos adversos.

Prevenção

1. Prevenção da transmissão sexual

Uso consistente de preservativos.

Redução do número de parceiros sexuais.


2. Profilaxia Pré-Exposição (PrEP)

Uso de medicamentos antirretrovirais por pessoas em alto risco para


prevenir a infecção.

3. Profilaxia Pós-Exposição (PEP)

Uso de antirretrovirais em até 72 horas após exposição de risco.

4. Testagem e tratamento precoce

Diagnóstico e tratamento precoce reduzem a transmissibilidade.

5. Prevenção da transmissão vertical

Uso de TARV em gestantes infectadas.

Parto cesáreo em alguns casos.

Substituição do aleitamento materno por fórmulas infantis.

Cuidados de Enfermagem
Educação em saúde: Orientar sobre uso de preservativos, adesão ao
tratamento e prevenção de infecções.

Apoio psicológico: Lidar com estigmas e suporte emocional.

Acompanhamento regular: Monitorar efeitos adversos da TARV e


complicações.

Controle de infecções oportunistas: Orientar sobre sinais precoces de


infecções.

O HIV, com o tratamento adequado, pode ser controlado, permitindo


que os pacientes tenham uma vida longa e saudável. A adesão ao
tratamento e a conscientização sobre prevenção são fundamentais no
manejo dessa condição.

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