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Geometria Analítica: Coordenadas e Retas

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Geometria Analı́tica, Notas de aula

Jaime L. O. Chamorro

17 de Novembro de 2015
2
Sumário

1 Coordenadas Cartesianas 1
1.1 Coordenadas na reta . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1
1.2 Coordenadas no plano . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2
1.3 Transformação de coordenadas no plano . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5
1.3.1 Translações . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5
1.3.2 Rotações . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6
1.4 Coordenadas no espaço . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7

2 A reta no plano 11
2.1 Equação da reta no plano . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11
2.2 Retas paralelas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14
2.3 Ângulo entre duas retas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16
2.3.1 ℓ1 e ℓ2 são paralelas aos eixos coordenados . . . . . . . . . . . . . . . 16
2.3.2 Somente ℓ1 é paralela a um dos eixos coordenados . . . . . . . . . . . 17
2.3.3 Somente ℓ2 é paralela a um dos eixos coordenados . . . . . . . . . . . 17
2.3.4 ℓ1 e ℓ2 não são paralelas aos eixos coordenados . . . . . . . . . . . . . 18
2.4 Distância entre um ponto e uma reta . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 20
2.5 Distância entre duas retas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22

3 Seções cônicas 25
3.1 A circunferência . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25
3.2 A elipse . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 31
3.3 A parábola . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 42
3.4 A hipérbole . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 51

4 Equação geral de segunda ordem 53


4.1 Caso B = 0 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 53

i
Sumário

4.1.1 Caso AC = 0 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 54
4.1.2 Caso AC 6= 0 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 55
4.2 Caso B 6= 0 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 56

ii
Lista de figuras

1.1 Coordenadas na reta. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1


1.2 Coordenadas no plano. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2
1.3 Distância no plano. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3
1.4 Triângulo isósceles. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4
1.5 Translação de eixos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5
1.6 Rotação de eixos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6
1.7 Coordenadas no espaço. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7
1.8 Eixos coordenados no espaço. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 8
1.9 Triângulo equilátero. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9

2.1 Tipos de retas no plano em relação aos eixos coordenados. . . . . . . . . . . 12


2.2 Retas paralelas no plano. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14
2.3 Ângulos complementares. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16
2.4 ℓ1 e ℓ2 são paralelas aos eixos coordenados . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16
2.5 ℓ1 é paralela a algúm dos eixos coordenados . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17
2.6 ℓ2 é paralela a algúm dos eixos coordenados . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18
2.7 Ângulo entre duas retas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18
2.8 d(P1 , ℓ) = d(P1 , P0 ) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 20
2.9 d(ℓ1 , ℓ2 ) = d(P1 , ℓ2 ) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22
π
3.1 Seções cônicas: a circunferência, θ = 2
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25
3.2 Circunferência de raio r com centro em C . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 26
3.3 Circunferência circunscrita no triângulo △(P1 , P2 , P3 ). . . . . . . . . . . . . . 27
3.4 Reta tangente a uma circunferência. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 29
π π
3.5 Seções cônicas: a elipse, 4
<θ< 2
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 31
3.6 Elipse com focos F1 e F2 e raio maior r. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32
3.7 Elipse com centro na origem e eixo focal igual ao eixo x. . . . . . . . . . . . 33

iii
Lista de figuras

3.8 Elipse do Exemplo 3.2.3. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 34


3.9 Elipse com centro na origem e eixo focal igual ao eixo y. . . . . . . . . . . . 35
3.10 Elipse do Exemplo 3.2.6. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 36
2 (y−3)2

3.11 Reta tangente à elipse (x+3)
4
+ 16
= 1 passando por P 1 = (−2, 3 + 2 3). . 37
2 2
3.12 Elipse x + 4y + 2x − 12y + 6 = 0. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 39
3.13 Elipse com eixos não paralelos aos eixos coordenados. . . . . . . . . . . . . . 40
3.14 Elipse 41x2 − 18xy + 41y 2 − 64x − 64y − 736 = 0. . . . . . . . . . . . . . . . 41
3.15 Seções cônicas: a parábola, θ = π4 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 42
3.16 Parábola com foco F e diretriz ℓ. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 42
3.17 Parábola com foco F = (p, 0) e diretriz x + p = 0, casos p > 0 e p < 0. . . . . 43
3.18 Parábola com vértice V = (x0 , y0 ) que abre à direita, p > 0. . . . . . . . . . . 44
3.19 Parábola (y + 1)2 = −12(x − 4). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 44
3.20 Parábola com foco F = (0, p) e diretriz y + p = 0, casos p > 0 e p < 0. . . . . 45
3.21 Parábola com vértice V = (x0 , y0 ) que abre para cima, p > 0. . . . . . . . . . 46
3.22 Parábola (x − 1)2 = 8(y + 1). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 46
3.23 Reta tangentae à parábola (x − 1)2 = 8(y + 1) passando por P1 = (5, 1). . . . 47
3.24 Parábola 4x2 − 20x − 24y + 97 = 0. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 49
3.25 Parábola com eixo não paralelo a algum dos eixos coordenados. . . . . . . . 50
3.26 Parábola x2 − 2xy + y 2 − 8x − 8y = 0. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 51
3.27 Seções cônicas: a hipérbole, θ = 0. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 52

iv
CAPÍTULO 1

Coordenadas Cartesianas

A idéia principal da Geometria Analı́tica é usar as propriedades dos números reais para
estudar a Geometria Euclidiana. Isto é feito identificando a reta com o conjunto R dos
números reais e introduzindo coordenadas cartesianas tanto no plano quanto no espaço.
Desta forma podemos estudar os objetos geométricos e suas propriedades mediante equações
algébricas.

1.1 Coordenadas na reta

ℓ− P′ O P ℓ+
x′ = −|OP ′| 0 x = |OP |

Figura 1.1: Coordenadas na reta.

Seja ℓ uma reta. A cada ponto de ℓ faremos corresponder um número real (e viceversa).
Primeiro, fixemos um ponto O em ℓ e chamemos este de origem. A origem divide a reta ℓ
em duas semi-retas que denotamos por ℓ+ e ℓ− . Intuitivamente, podemos pensar numa reta
‘horizontal’ e escolher ℓ+ como sendo o conjunto de todos os pontos de ℓ à direita de O.
Identificamos a origem com o número zero. Se P pertence a ℓ+ então identificamos P com o
com o comprimento do segmento OP . Finalmente, se P pertence a ℓ− então identificamos
P com o oposto do comprimento do segmento OP (vide Figura 1.1).

1
1.2. Coordenadas no plano

Definição 1.1.1. Seja ℓ uma reta. Se P0 é um ponto de ℓ e x0 é o número real que


corresponde a P0 como na construção acima, dizemos que x0 é a coordenada cartesiana (ou
simplesmente coordenada) do ponto P0 .

Consideremos a função | · | : R → R dada por



 x, se x ≧ 0
|x| = .
−x, se x < 0

Dizemos que |x| é o valor absoluto do número real x.

Definição 1.1.2. Seja ℓ uma reta. Se P1 e P2 são dois pontos de ℓ com coordenadas x1 e x2 ,
respectivamente, definimos a distância d(P1 , P2 ) entre P1 e P2 como sendo o comprimento
do segmento P1 P2 . Assim tem-se

d(P1 , P2 ) = |x1 − x2 |.

Exemplo 1.1.3. Sejam P1 e P2 dois pontos de uma reta ℓ cujas coordenadas são −1 e 5,
respectivamente. Então
d(P1 , P2 ) = | − 1 − 5| = | − 6| = 6.

1.2 Coordenadas no plano


Seja P um plano. Fixemos duas retas perpendiculares ℓ1 e ℓ2 contidas em P. Seja O
o ponto de intersecção entre ℓ1 e ℓ2 . Consideremos as coordenadas cartesianas nas retas ℓ1
e ℓ2 em relação à origem O, de maneira tal que o ângulo (medido no sentido anti-horário)
entre ℓ+ + π ◦
1 e ℓ2 seja 2 (i.e., 90 ).
ℓ2 ℓ′2

B P0 = (x0 , y0) ℓ′1

A ℓ1
O

Figura 1.2: Coordenadas no plano.

Dado P0 em P, sejam ℓ′1 e ℓ′2 as retas paralelas a ℓ1 e ℓ2 , respectivamente, passando por


P0 . Sejam A é o ponto de intersecção entre ℓ′2 e ℓ1 e B é o ponto de intersecção entre ℓ′1 e

2
Capı́tulo 1. Coordenadas Cartesianas

ℓ2 (vide Figura 1.2). Se x0 é a coordenada do ponto A em ℓ1 e y0 é a coordenada do ponto


B em ℓ2 , então identificamos o ponto P0 com o par ordenado (x0 , y0 ).
Definição 1.2.1. Sejam P um plano e ℓ1 e ℓ2 duas retas perpendiculares contidas em P.
Consideremos a construção feita acima. Dizemos que as retas ℓ1 e ℓ2 induzem coordenadas
cartesianas em P. Dado um ponto P0 de P, se (x0 , y0 ) é o par ordenado de números reais
associado a P0 , dizemos que x0 e y0 são a primeira coordenada (ou coordenada cartesiana)
e a segunda coordenada, respectivamente, do ponto P0 . Escrevemos P0 = (x0 , y0).
Observação 1. Se P0 = (x0 , y0 ), os números reais x0 e y0 também são chamados abcissa e
ordenada de P0 , respectivamente.
Daqui em diante, dado um plano P fixaremos as retas perpendiculares ℓ1 e ℓ2 que
induzem as coordenadas cartesianas em P, e as chamaremos de eixos x e y, respectivamente.
Estes são chamados eixos coordenados. Diremos então que (x, y) são coordenadas cartesianas
para P.
O seguinte é um resultado bem conhecido que usaremos para definir a distância entre
dois pontos do plano.
Teorema 1.2.2 (Pitágoras). Sejam P1 , P2 e P3 os vértices de um triângulo retângulo.
Suponhamos que o ângulo reto corresponde ao vértice P3 . Temos que

|P1 P2 |2 = |P1 P3 |2 + |P3 P2 |2 ,

onde |AB| denota o comprimento do segmento AB.


y

P2
y2
P1
y1
P3
O x
x1 x2

Figura 1.3: Distância no plano.

Definição 1.2.3. Seja P um plano e fixemos coordenadas cartesianas (x, y) em P. Se


P1 = (x1 , y1) e P2 = (x2 , y2 ) são pontos em P, definimos a distância d(P1, P2 ) entre P1 e
P2 como sendo o comprimento do segmento P1 P2 . Assim, pelo Teorema de Pitágoras (vide
Figura 1.3), tem-se
p
d(P1 , P2 ) = (x1 − x2 )2 + (y1 − y2 )2 (1.1)

3
1.2. Coordenadas no plano

Exemplo 1.2.4. Os vértices de um triângulo T são os pontos P1 = (−2, 0), P2 = (2, 0)


e P3 = (0, 4). Mostremos que T é um triângulo isósceles. Com efeito, basta calcular o
comprimento dos lados, i.e. a distância entre seus vértices, para tal usamos a Equação (1.1)
p
d(P1 , P2 ) = (−2 − 2)2 + (0 − 0)2 = 4,
p √
d(P1 , P3 ) = (−2 − 0)2 + (0 − 4)2 = 2 5,
p √
d(P2 , P3 ) = (2 − 0)2 + (0 − 4)2 = 2 5.

P3 = (0, 4)

P1 = (−2, 0) P2 = (2, 0) x

Figura 1.4: Triângulo isósceles.

Definição 1.2.5. Sejam P1 = (x1 , y1) e P2 = (x2 , y2) dois pontos do plano. O ponto médio
M (P1 , P2 ) entre P1 e P2 e o ponto do plano seguinte
 
x1 + x2 y1 + y2
M (P1, P2 ) = , . (1.2)
2 2

Exemplo 1.2.6. Continuando com o Exemplo 1.2.4, o ponto médio entre P1 e P2 é dado
pela Equação (1.2):  
−2 + 2 0 + 0
M (P1 , P2 ) = , = (0, 0).
2 2
Assim, o segmento determinado pelos pontos M (P1 , P2 ) e P3 é uma bissetriz do triângulo
T = △(P1P2 P3 ).

4
Capı́tulo 1. Coordenadas Cartesianas

1.3 Transformação de coordenadas no plano


Como vimos até agora, qualquer par de retas perpendiculares induzem coordenadas car-
tesianas no plano. Suponhamos que ℓ1 e ℓ2 induzem coordenadas (x, y) e ℓ′1 e ℓ′2 induzem
coordenadas (x′ , y ′) num plano P. Gostarı́amos de relacionar (x, y) e (x′ , y ′) mediante uma
transformação, i.e., uma função T : P → P com T (x′ , y ′) = (x, y). Tais transformações
são conhecidas como movimentos rı́gidos do plano. Tem-se três tipos, a saber Translações,
Rotações e Reflexões. Nesta Seção estudaremos os primeiros dois tipos.

1.3.1 Translações
Suponhamos que os pares de eixos x, x′ e y, y ′ são paralelas entre si. Seja O ′ a origem
das coordenadas (x′ , y ′). Seja P0 um ponto de P. Se (x0 , y0) são as coordenadas de P0 em
relação a (x, y) e (x′0 , y0′ ) são as coordenadas de P0 em relação a (x′ , y ′), temos que (vide
Figura 1.5)
(
x0 = x′0 + h
,
y0 = y0′ + k
onde (h, k) são as coordenadas de O ′ em relação a (x, y).

y y′

y0 y0′ P0

k O′ x′
x′0

O x
h x0

Figura 1.5: Translação de eixos.

Definição 1.3.1. Seja P um plano equipado com coordenadas cartesianas (x′ , y ′). Se h e
k são números reais, a transformação
(
x = x′ + h
, (1.3)
y = y′ + k

5
1.3. Transformação de coordenadas no plano

induz novas coordenadas (x, y) em P. Dizemos que (x, y) são coordenadas transladadas de
(x′ , y ′) em realção a (h, k).

1.3.2 Rotações
Suponhamos que as origens de P nas coordenadas (x, y) e (x′ , y ′) coincidem. Seja α o
ângulo (medido no sentido anti-horário) desde o eixo x até o eixo x′ . Seja P0 um ponto de
P. Se (x0 , y0) são as coordenadas de P0 em relação a (x, y) e (x′0 , y0′ ) são as coordenadas de
P0 em relação a (x′ , y ′), temos que se r = d(O, P ), então (vide Figura 1.6)

y x′

P0
y0

x′0

y

y0′ β
α x
O x0

Figura 1.6: Rotação de eixos.

q q
r = x0 + y0 = x0 2 + y0 2 .
2 2 ′ ′

Também, tem-se (
x′0 = r cos β
y0′ = r sin β
e (
x0 = r cos(α + β) = r cos α cos β − r sin α sin β
.
y0 = r sin(α + β) = r sin α cos β + r cos α sin β
Assim, combinando os dois pares de equações acima, obtemos
(
x0 = x′0 cos α − y0′ sin α
.
y0 = x′0 sin α + y0′ cos α

6
Capı́tulo 1. Coordenadas Cartesianas

Definição 1.3.2. Seja P um plano equipado com coordenadas cartesianas (x′ , y ′). A trans-
formação (
x = x′ cos α − y ′ sin α
. (1.4)
y = x′ sin α + y ′ cos α
induz novas coordenadas (x, y) em P. Dizemos que (x, y) são coordenadas rodadas de
(x′ , y ′).

1.4 Coordenadas no espaço


Denotemos o espaço euclidiano com E . Assim como na reta e no plano, introduziremos
coordenadas cartesianas em E . Sejam P um plano e ℓ uma reta perpendicular a P, ambos

ℓ ℓ′
ℓ′′
E P0
B
P
A
O

Figura 1.7: Coordenadas no espaço.

contidos em E . Denotemos com O o ponto de intersecção entre P e ℓ. Dado um ponto


P0 em E , sejam ℓ′ a reta perpendicular a P passando por P0 e ℓ′′ a reta perpendicular a ℓ
passando por P0 . Sejam A o ponto de intersecção entre ℓ′ e P e B o ponto de intersecção
entre ℓ′′ e ℓ. Consideremos coordenadas cartesianas (x, y) em P e z em ℓ, ambas em relação
à origem O. Se (x0 , y0) são as coordenadas de A em P e z0 é a coordenada de B em ℓ.
então identificamos o ponto P0 com o terno ordenado (x0 , y0, z0 ).
Definição 1.4.1. Sejam P um plano e ℓ uma reta perpendicular a P, ambos contidos
em E . Se é P0 um ponto de E e é (x0 , y0 , z0 ) o correspondente terno ordenado como na
construção acima, dizemos que x0 , y0 e z0 são, respectivamente, a primeira, a segunda e a
terceira coordenada do ponto P0 . Escrevemos P0 = (x0 , y0 , z0 ).
Daqui em diante, ao considerarmos o espaço euclidiano E fixaremos um plano P e uma
reta ℓ perpendicular a P. O ponto de intersecção O entre P e ℓ será chamado a origem

7
1.4. Coordenadas no espaço

de E . Fixaremos coordenadas cartesianas (x, y) em P e z em ℓ, ambas em relação a O.


Chamaremos a reta ℓ de eixo z. Além disso suporemos satisfeita a seguinte ‘regra da mão
direita’: intuitivamente, se colocarmos a mão direita sobre o semi-eixo positivo x com o dedo
polegar paralelo ao o semi-eixo positivo z (vide a seta azul na Figura 1.8) e fecharmos a mão
formando o sinal de ‘tudo bem’ então os dedos restantes se movimentam desde o semi-eixo
positivo x até o semi-eixo positivo y (vide a seta vermelha na Figura 1.8). Finalmente,
chamaremos os eixos x, y e z de eixos coordenados de E
z

Figura 1.8: Eixos coordenados no espaço.

Definição 1.4.2. Consideremos fixadas coordenadas (x, y, z) em E . Sejam P1 = (x1 , y1 , z1 )


e P2 = (x2 , y2 , z2 ) dois pontos em E . Definimos a disância d(P1 , P2 ) entre P1 e P2 como
sendo o comprimento do segmento P1 P2 , a saber
p
d(P1 , P2 ) = (x1 − x2 )2 + (y1 − y2 )2 + (z1 − z2 )2 . (1.5)

Exemplo 1.4.3. Sejam P1 = (2, 0, 0), P2 = (0, 2, 0) e P3 = (0, 0, 2). Vejamos que o triângulo
T = △(P1, P2 , P3 ) é equilátero. Com efeito,
p √ √
d(P1 , P2 ) = (2 − 0)2 + (0 − 2)2 + (0 − 0)2 = 4 + 4 = 2 2
p √ √
d(P1 , P3 ) = (2 − 0)2 + (0 − 0)2 + (0 − 2)2 = 4 + 4 = 2 2
p √ √
d(P2 , P3 ) = (0 − 0)2 + (2 − 0)2 + (0 − 2)2 = 4 + 4 = 2 2

Definição 1.4.4. Sejam P1 = (x1 , y1 , z1 ) e P2 = (x2 , y2, z2 ) dois pontos do espaço. O ponto
médio M (P1, P2 ) entre P1 e P2 e o ponto seguinte
 
x1 + x2 y1 + y2 z1 + z2
M (P1 , P2 ) = , , . (1.6)
2 2 2

Exemplo 1.4.5. Continuando com o Exemplo 1.4.3, o ponto médio entre P1 e P2 é dado
pela Equação (1.6):
 
2+0 0+2 0+0
M (P1 , P2 ) = , , = (1, 1, 0).
2 2 2

8
Capı́tulo 1. Coordenadas Cartesianas

P3

P2 y
P1
x M (P1 , P2 )

Figura 1.9: Triângulo equilátero.

Assim, o segmento determinado pelos pontos M (P1 , P2 ) e P3 é uma bissetriz do triângulo


T = △(P1 P2 P3 ) (vide Figura 1.9).

9
1.4. Coordenadas no espaço

10
CAPÍTULO 2

A reta no plano

Ao longo deste Capı́tulo fixaremos um plano P e consideremos coordenadas (x, y) em


P. Nosso objetivo é estudar as retas contidas em P a partir das equações lineares que as
determinam.
As unidades para a medida dos ângulos serão os radianos, i.e. 180◦ ≡ π. Mediremos os
ângulos no sentido anti-horário.

2.1 Equação da reta no plano


Definição 2.1.1. Se a reta ℓ é paralela ao eixo y dizemos que ℓ é vertical. Se a reta ℓ é
paralela ao eixo x dizemos que ℓ é horizontal

Suponhamos primeiro que ℓ é vertical. Seja A = (a, 0) o ponto de intersecção entre ℓ e


o eixo x. Assim, se P0 é um ponto qualquer de ℓ temos que P0 = (a, y0 ). Segue que ℓ é
completamente determinada pelo número real a. Em particular, um ponto P = (x, y) de P
pertence a ℓ se e somente se satisfaz a equação seguinte

x = a. (2.1)

Agora suponhamos que ℓ é horizontal. Seja B = (0, b) o ponto de intersecção entre ℓ e o


eixo y. Assim, se P0 é um ponto arbitrário de ℓ temos que P0 = (x0 , b). Segue que ℓ é
completamente determinada pelo número real b. Em particular, um ponto P = (x, y) de P
pertence a ℓ se e somente se satisfaz a equação seguinte

y = b. (2.2)

Finalmente suponhamos que ℓ não é como nos dois casos anteriores. Então ℓ intersecta o

11
2.1. Equação da reta no plano

π π
eixo x com um ângulo θ, onde 0 < θ < 2
ou 2
< θ < π. Dizemos que o ângulo θ é a
inclinação de ℓ. O número real
m = tan θ

é chamado o coeficiente angular de ℓ.

y y
y=b
y2 P2
B = (0, b)

P1 θ
y1
A = (a, 0) x θ x
x1 x2
x=a y = tan θ(x − x1 ) + y1

Figura 2.1: Tipos de retas no plano em relação aos eixos coordenados.

π
Observação 2. Note que, quando ℓ é vertical sua inclinação é θ = 2
, mas seu coeficiente
angular m não esteja definido, pois o limite limπ tan(u) não existe.
u→ 2

Sejam P1 = (x1 , y1 ) e P2 = (x2 , y2) dois pontos distintos de ℓ. Assim, podemos calcular
o coeficiente angular de ℓ (vide Figura 2.1) em termos das coordenadas de P1 e P2

y2 − y1
m = tan θ = . (2.3)
x2 − x1

Em particular, P = (x, y) é um ponto de ℓ se e somente se satisfaz a seguinte equação

y = m(x − x1 ) + y1 . (2.4)

Fazendo d = y1 − mx1 a equação (2.4) é equivalente a

y = mx + d. (2.5)

Agora, consideremos a Equação (2.4). Como m xy22 −y


−x1
1
, multiplicando (2.4) por (x2 − x1 )
obtemos

(x2 − x1 )y = (y2 − y1 )(x − x1 ) + y1 = (y2 − y1 )x − (y2 − y1 )x1 + y1 ,

ou equivalentemente

(y2 − y1 )x − (x2 − x1 )y + (y2 − y1 )x1 − y1 = 0. (2.6)

12
Capı́tulo 2. A reta no plano

Em resumo temos o seguinte resultado.

Teorema 2.1.2. Se ℓ uma reta contida em P. Então, existem números reais A, B e C,


com A2 + B 2 6= 0, tais que um ponto P = (x, y) de P pertence a ℓ se e somente se

Ax + By + C = 0, (2.7)

Reciprocamente, se A, B e C são números reais tais que A2 + B 2 6= 0 então a Equação (2.7)


determina uma única reta ℓ contida em P.

Observação 3. Note que,

a) se A = 0 então a Equação (2.7) é da forma (2.2), i.e. ℓ é horizontal,

b) se B = 0 então Equação (2.7) é da forma (2.1), i.e. ℓ é vertical,

c) se A 6= 0 e B 6= 0 então o coeficiente angular de ℓ é

A
m=− (2.8)
B

e sua inclinação é
A
θ = arctan − . (2.9)
B
d) As duas equações

A1 x + B1 y + C1 = 0 e A2 x + B2 y + C2 = 0,

representam a mesma reta ℓ se e somente se existe um número real λ 6= 0 tal que


A2 = λA1 , B2 = λB1 e C2 = λC1 .

Exemplo 2.1.3. Determinemos a equação da reta ℓ que tem coeficiente angular m = − 12


e passa pelo ponto P1 = (2, −1). Substituindo m e as coordenadas de P1 na Equação (2.4)
temos
1
y = − (x − 2) − 1.
2
Multiplicando a equação acima por 2 e somando x a ambos lados da mesma, obtemos a
equação da reta ℓ da forma (2.7)
x + 2y = 0.

Neste caso, A = 1, B = 2 e C = 0.

Exemplo 2.1.4. Seja P1 = (x1 , y1 ). Usando a Equação (2.6) vemos que a equação da reta
ℓ passando por P1 e pela origem é da forma

ℓ: y1 x − x1 y = 0.

13
2.2. Retas paralelas

2.2 Retas paralelas

θ O θ x

Figura 2.2: Retas paralelas no plano.

Sabemos que duas retas são paralelas quando estas não têm pontos em comum. Veremos
a seguir que a propriedade de duas retas serem paralelas pode ser descrita em termos dos
coeficientes angulares.
Consideremos duas retas contidas em P dadas pelas equações seguintes
(
ℓ1 : A1 x + B1 y + C1 = 0
. (2.10)
ℓ2 : A2 x + B2 y + C2 = 0

Se ℓ1 e ℓ2 são horizontais temos que A1 = A2 = 0. Em particular

A1 B2 − A2 B1 = 0 · B2 − 0 · B2 = 0 − 0 = 0.

Se ℓ1 e ℓ2 são verticais temos que B1 = B2 = 0. Assim, de novo obtemos

A1 B2 − A2 B1 = A1 · 0 − A2 · 0 = 0 − 0 = 0.

Agora, suponhamos que nenhum dos coeficientes A1 , A2 , B1 e B2 é igual a zero. Vejamos


que ℓ1 e ℓ2 são paralelas se e somente se m1 = m2 , i.e. se e somente se

A1 B2 − A2 B1 = 0.

B1 C2 −B2 C1 A2 C1 −A1 C2
Com efeito, se A1 B2 − A2 B1 6= 0, sejam x0 = A1 B2 −A2 B1
e y0 = A1 B2 −A2 B1
. Substituindo
x por x0 e y = y0 em cada uma das equações de (2.10) vemos que o ponto P0 = (x0 , y0)
pertence as duas retas ℓ1 e ℓ2 , portanto estas não são paralelas.
Agora suponhamos que A1 B2 − A2 B1 = 0. Multiplicando as equações de ℓ1 e ℓ2 por B2

14
Capı́tulo 2. A reta no plano

e B1 , respectivamente obtemos
(
ℓ1 : Ax + By + C = 0
, (2.11)
ℓ2 : Ax + By + C ′ = 0

onde A = A1 B2 , B = B1 B2 , C = B2 C1 e C ′ = B1 C2 . Note que (2.10) e (2.11) são


equivalentes. Se ℓ1 e ℓ2 têm um ponto em comum, digamos P0 = (x0 , y0 ), de (2.11) obtemos
(
ℓ1 : Ax0 + By0 + C = 0
.
ℓ2 : Ax0 + By0 + C ′ = 0

Subtraindo a primeira da segunda equação no sistema acima obtemos

C ′ − C = 0.

Segue que as duas equações em (2.11) são iguais, isto é, ℓ1 = ℓ2 . Resumindo, temos o
seguinte resultado.

Teorema 2.2.1. Sejam ℓ1 e ℓ2 duas retas em P, cujas equações são respectivamente


(
A1 x + B1 y + C1 = 0
.
A2 x + B2 y + C2 = 0

Então ℓ1 e ℓ2 são paralelas se e somente se

A1 B2 − A2 B1 = 0. (2.12)

Observação 4. Note que, o Teorema 2.2.1 pode ser reformulado parcialmente assim. Se ℓ1
e ℓ2 são duas retas em P, as quais têm coeficientes angulares m1 e m2 , respectivamente.
Então ℓ1 e ℓ2 são paralelas se e somente se

m1 = m2 .

Exemplo 2.2.2. Considere duas retas contidas em P dadas pelas equações seguintes
(
ℓ1 : 2x − 3y + 1 = 0
.
ℓ3 : 4x − 6y − 5 = 0

Usando a Relação (2.12) vemos que

2(−6) − 4(−3) = −12 + 12 = 0.

Pelo Teorema 2.2.1, segue que ℓ1 e ℓ2 são paralelas.

15
2.3. Ângulo entre duas retas

2.3 Ângulo entre duas retas


ℓ2

π−α
α ℓ1

Figura 2.3: Ângulos complementares.

Nesta Seção estudaremos pares de retas não paralelas. A saber, determinaremos o ângulo
que elas formam entre si. Em particular, como no caso de pares de retas paralelas, a noção
de perpendicularidade será exprimida em termos dos coeficientes das equações das retas.
Lembremos que, dois ângulos são ditos complementares se sua soma é igual a π. Duas
retas ℓ1 e ℓ2 , as quais se intersectam, determinam dois ângulos complementares. Se α é o
ângulo entre ℓ1 e ℓ2 (medido a partir de ℓ1 no sentido anti-horário), então seu complementar
é π − α (vide Figura 2.3).
Consideremos duas retas distintas contidas em P que se intersectam no ponto C, dadas
pelas equações seguintes (
ℓ1 : A1 x + B1 y + C1 = 0
.
ℓ2 : A2 x + B2 y + C2 = 0
Denotemos com α o ângulo entre ℓ1 e ℓ2 . Dividiremos nosso estudo em 4 quatro casos.

2.3.1 ℓ1 e ℓ2 são paralelas aos eixos coordenados


y y
π
π α= 2
ℓ1 : A1 = 0 α= 2 ℓ2 : A2 = 0
C C
x x

ℓ 2 : B2 = 0 ℓ 1 : B1 = 0

Figura 2.4: ℓ1 e ℓ2 são paralelas aos eixos coordenados

Quando cada uma das retas é paralela a um dos eixos coordenados, claramente α = π2 ,
pois estas são necessariamente perpendiculares. Neste caso temos

A1 = 0 e B2 = 0 (ℓ1 horizontal e ℓ2 vertical)

16
Capı́tulo 2. A reta no plano

ou
B1 = 0 e A2 = 0 (ℓ1 vertical e ℓ2 horizontal),

vide Figura 2.4. Logo

A1 A2 + B1 B2 0 · A2 + B1 · 0 0 π
= =− = 0 = cot = cot α.
A1 B2 − A2 B1 0 · 0 − A2 B1 A2 B1 2

Ou
A1 A2 + B1 B2 A1 · 0 + 0 · B2 0 π
= = = 0 = cot = cot α.
A1 B2 − A2 B1 A1 B2 − 0 · 0 A1 B2 2

2.3.2 Somente ℓ1 é paralela a um dos eixos coordenados


y y
ℓ1 : A1 = 0 α = θ2 α= π
2
+ θ2

C θ2 C

θ2 x θ2 x

ℓ2
ℓ2 ℓ 1 : B1 = 0

Figura 2.5: ℓ1 é paralela a algúm dos eixos coordenados

Seja θ2 a inclinação de ℓ2 e consideremos a Figura 2.5.


Se l1 é horizontal, tem-se α = θ2 . Como A1 = 0 e tan θ2 = − A
B2
2
, segue que

A1 A2 + B1 B2 0 · A2 + B1 B2 B2
= =− = cot θ2 = cot α.
A1 B2 − A2 B1 0 · B2 − A2 B1 A2
π A2
Agora, se l1 é vertical, tem-se α = 2
+ θ2 . Como B1 = 0 e tan θ2 = − B2
, segue que

A1 A2 + B1 B2 A1 A2 + 0 · B2 A2 π 
= = = − tan θ2 = cot + θ2 = cot α.
A1 B2 − A2 B1 A1 B2 − A2 · 0 B2 2

2.3.3 Somente ℓ2 é paralela a um dos eixos coordenados


Seja θ1 a inclinação de ℓ1 e consideremos a Figura 2.7.
Se ℓ2 é horizontal, tem-se α = π − θ1 . Como A2 = 0 e tan θ1 = − A
B1
1
, segue que

A1 A2 + B1 B2 A1 · 0 + B1 B2 B1
= = = − cot θ1 = cot(π − θ1 ) = cot α.
A1 B2 − A2 B1 A1 B2 − 0 · B1 A1

Agora, se é ℓ2 vertical, tem-se α = π


2
− θ1 . Como B2 = 0 e tan θ1 = − A
B1
1
, segue que

A1 A2 + B1 B2 A1 A2 + B1 · 0 A1 π 
= =− = tan θ1 = cot − θ1 = cot α.
A1 B2 − A2 B1 A1 · 0 − A2 B1 B1 2

17
2.3. Ângulo entre duas retas
y y α= π − θ1
2

α = π − θ1
ℓ2 : A2 = 0 θ1 θ1

C C
θ1 x θ1 x

ℓ1
ℓ1 ℓ 2 : B2 = 0

Figura 2.6: ℓ2 é paralela a algúm dos eixos coordenados

2.3.4 ℓ1 e ℓ2 não são paralelas aos eixos coordenados

ℓ2 y ℓ1

α
C
α
A π − θ2 θ2 x
θ1
B

Figura 2.7: Ângulo entre duas retas.

Sejam θ1 e θ2 as inclinações de ℓ1 e ℓ2 , respectivamente. Se A é o ponto de intesecção


entre ℓ1 e o eixo ‘x’ e B é o ponto de intesecção entre ℓ2 e o eixo ‘x’, como a soma dos
ângulos do triângulo △(ABC) é igual a π (vide Figura 2.7), tem-se

θ1 + π − θ2 + α = π.

Assim, segue que α = θ2 − θ1 . Como tan θ1 = − A


B1
1
e tan θ2 = − A
B2
2
, segue que

cot α = cot(θ2 − θ1 )
1 + tan θ2 tan θ1
=
tan θ2 − tan θ1
A1 A2
1+ B
= A1 1AB22
B1
− B2
A1 A2 + B1 B2
= .
A1 B2 − A2 B1

18
Capı́tulo 2. A reta no plano

Em particular, se α = π2 , tem-se

π A1 A2 + B1 B2
0 = cot = ,
2 A1 B2 − A2 B1

logo A1 A2 + B1 B2 = 0.
Em resumo, temos provado o seguinte resultado.

Teorema 2.3.1. Consideremos duas retas contidas em P dadas pelas equações seguintes
(
ℓ1 : A1 x + B1 y + C1 = 0
.
ℓ2 : A2 x + B2 y + C2 = 0

Suponhamos que ℓ1 e ℓ2 se intersectam. Se α é o ângulo entre ℓ1 e ℓ2 (medido a partir de


ℓ1 no sentido anti-horário), então

A1 A2 + B1 B2
cot α = . (2.13)
A1 B2 − A2 B1

Em particular, ℓ1 e ℓ2 são perpendiculares se e somente se

A1 A2 + B1 B2 = 0. (2.14)

Observação 5. O Teorema 2.3.1 pode ser parcialmente reformulado da seguinte maneira.


Sejam ℓ1 e ℓ2 duas retas do plano com coeficientes angulares m1 e m2 , respectivamente.
Suponhamos que ℓ1 e ℓ2 se intersectam num ponto C. Se α é o ângulo entre ℓ1 e ℓ2 , então

1 + m2 m1
cot α = . (2.15)
m2 − m1

Em particular, ℓ1 e ℓ2 são perpendiculares se e somente se

1 + m2 m1 = 0. (2.16)

Exemplo 2.3.2. Considere a reta ℓ1 , cuja equação é 2x − y − 1 = 0. Seja ℓ2 a reta


perpendicular a ℓ1 passando pelo ponto P2 = (−1, 1). Calculemos a equação de ℓ2 . Esta é
da forma Ax + By + C = 0. Como ℓ1 e ℓ2 são perpendiculares, da Equação (2.14) segue que

2 · A + (−1) · B = 0,

ou seja B = 2A. Podemos escolher A = 1, logo B = 2. Assim, a equação de ℓ2 fica


x + 2y + C = 0. Como ℓ2 passa por P2 , temos que

(−1) + 2 · 1 + C = 0.

19
2.4. Distância entre um ponto e uma reta

Isto é C = −1. Resumindo, temos


(
ℓ1 : 2x − y − 1 = 0
.
ℓ2 : x + 2y − 1 = 0

Finalmente calculemos o ponto P0 de intersecção entre ℓ1 e ℓ2 . Multiplicando a equação de


ℓ1 por 2 e somando-a à equação de ℓ2 obtemos 5x − 3 = 0, ou seja x = 53 . Substituindo o
valor de x na equação de ℓ1 obtemos 56 − y − 1 = 0, ou seja y = 51 . Assim P0 = 35 , 51 .


Exemplo 2.3.3. Sejam ℓ1 a reta passando pelos pontos P1 = (0, 0) e P2 = (1, −2) e ℓ2 a
reta passando pelos pontos Q1 = (0, 1) e Q2 = (−1, −2). Calculemos o ângulo entre ℓ1 e ℓ2 .
Pela Equação (2.3) temos que, os coeficientes angulares de ℓ1 e ℓ2 estão dados respecti-
vamente por
m1 = −2−0
1−0
= −2 e −2−1
m2 = −1−0 = 3.

Note que m1 6= m2 , logo ℓ1 e ℓ2 não são paralelas, assim se intersectam num ponto do plano.
Seja α o ângulo entre ℓ1 e ℓ2 . Substituindo m1 e m2 na Equação (2.15) obtemos

1 + 3(−2) 1−6
cot α = = = −1.
3 − (−2) 5


Portanto α = arccot(−1) = 4
.

2.4 Distância entre um ponto e uma reta


ℓ0 ℓ

P1

P0

Figura 2.8: d(P1 , ℓ) = d(P1 , P0 )

Sejam ℓ uma reta em P e P1 = (x1 , y1 ) um ponto em P que não pertence a ℓ. Sejam


ℓ0 a reta perpendicular a ℓ que passa por P1 e P0 = (x0 , y0) o ponto de intersecção entre ℓ e
ℓ0 . Definimos a distância entre P1 e ℓ como sendo

d(P1 , ℓ) := d(P1 , P0 ). (2.17)

20
Capı́tulo 2. A reta no plano

Consideremos as equações das retas ℓ e ℓ0 , a saber


(
ℓ : Ax + By + C = 0
,
ℓ0 : Bx − Ay + D = 0

onde D = Ay1 − Bx1 . Como P0 pertence a ℓ e ℓ0 , temos que


(
Ax0 + By0 + C = 0
. (2.18)
Bx0 − Ay0 + D = 0

Somando o produto da primeira Equação em (2.18) por A com o produto da segunda Equação
em (2.18) por B obtemos
(A2 + B 2 )x0 + AC + BD = 0.

Somando o produto da primeira Equação em (2.18) por B com o produto da segunda


Equação em (2.18) por −A obtemos

(A2 + B 2 )y0 + BC − AD = 0.

Como D = Ay1 − Bx1 e A2 + B 2 6= 0, as duas últimas equações são equivalentes a

B 2 x1 − ABy1 − AC

x =

 0

A2 + B 2 .
2
 A y1 − ABx1 − BC
 y0 =

A2 + B 2

Em particular  A
 x1 − x0 =
 (Ax1 + By1 + C)
A2
+ B2 .
 y1 − y0 = B
(Ax1 + By1 + C)

A2 + B 2
Portanto
(Ax1 + By1 + C)2
(x1 − x0 )2 + (y1 − y0 )2 = .
A2 + B 2
Isto demonstra o seguinte resultado

Teorema 2.4.1 (Distância de um ponto a uma reta). Seja ℓ uma reta em P dada por
Ax + By + C = 0. Se P1 = (x1 , y1 ) é um ponto de P, então

|Ax1 + By1 + C|
d(P1 , ℓ) = √ . (2.19)
A2 + B 2

Observação 6. Note que, se P1 pertence a ℓ necessariamente d(P1 , ℓ) = 0, como mostra a


Equação (2.19).

21
2.5. Distância entre duas retas

Exemplo 2.4.2. Calculemos a distância entre a reta ℓ, dada por

3x − 4y + 12 = 0

e o ponto P1 = (4, −2).


Com efeito, pelo Teorema 2.4.1 temos

3 · 4 + ((−4) · (−2)) + 12 12 + 8 + 12 32
d(P1 , ℓ) = p = √ = .
2
3 + (−4) 2 25 5

2.5 Distância entre duas retas


ℓ1

ℓ2
P1

Figura 2.9: d(ℓ1 , ℓ2 ) = d(P1 , ℓ2 )

Agora, consideremos duas retas paralelas ℓ1 e ℓ2 . Se P1 = (x1 , y1 ) é ponto qualquer de


ℓ1 , definimos a distância entre ℓ1 e ℓ2 como sendo

d(ℓ1 , ℓ2 ) := d(P1 , ℓ2 ). (2.20)

Para calcular d(ℓ1 , ℓ2 ), consideremos as equações de ℓ1 e ℓ2 :


(
ℓ1 : A x + B y + C = 0
, (2.21)
ℓ2 : A′ x + B ′ y + C ′ = 0

Como ℓ1 e ℓ2 são paralelas, temos que

AB ′ = A′ B.

Note que, se definimos


AA′ + BB ′
λ= ,
A′ 2 + B ′ 2
tem-se
A = λA′ e B = λB ′ .

22
Capı́tulo 2. A reta no plano

Assim, multiplicando a Equação de ℓ2 em (2.21) por λ, vemos que (2.21) é equivalente a


(
ℓ1 : Ax + By + C = 0
, (2.22)
ℓ2 : Ax + By + D = 0

onde D = λC ′ . Finalmente, combinado as equações (2.20) e (2.19) obtemos

d(ℓ1 , ℓ2 ) = d(P1 , ℓ2 )
|Ax1 + By1 + D|
= √
A2 + B 2
|D − C|
=√ .
A2 + B 2

Assim, temos provado o seguinte resultado.

Teorema 2.5.1. Sejam ℓ1 e ℓ2 duas retas paralelas em P. Se as equações de ℓ1 e ℓ2 são


da forma (
ℓ1 : Ax + By + C = 0
,
ℓ2 : Ax + By + D = 0
então
|D − C|
d(ℓ1 , ℓ2 ) = √ . (2.23)
A2 + B 2
Exemplo 2.5.2. Consideremos as retas dadas pelas equações seguintes
(
ℓ1 : 6x − 8y + 9 = 0
.
ℓ2 : 3x − 4y + 8 = 0

Usando a relação (2.12) vemos que

6 · (−4) − 3 · (−8) = −24 + 24 = 0.

Assim ℓ1 e ℓ2 são paralelas. Para calcular a distância entre ℓ1 e ℓ2 multiplicamos a Equação


de ℓ2 por 2. Assim obtemos
(
ℓ1 : 6x − 8y + 9 = 0
.
ℓ2 : 6x − 8y + 16 = 0

Portanto, de (2.23) temos que

|16 − 9| 5 5 1
d(ℓ1 , ℓ2 ) = √ =√ = = .
2
6 +8 2 100 10 2

23
2.5. Distância entre duas retas

24
CAPÍTULO 3

Seções cônicas

Depois das retas, as seções cônicas (ou simplesmente, cônicas) são as curvas planas (i.e.
curvas contidas num plano) mais simples, do ponto de vista das suas equações, a saber não
lineares de segundo grau. Seu nome se deve ao fato de que podem ser construı́das a partir
de um cone C , fazendo interesecções com planos P. Existem quatro tipos de cônicas, a
saber, circunferência, elipse (curvas limitadas), parábola e hipérbole (curvas não limitadas).
O tipo de cônica depende do ângulo θ entre o plano P e o eixo ℓ do cone C .
Ao longo deste Capı́tulo fixaremos um plano P equipado com coordenadas cartesianas
(x, y).

3.1 A circunferência

C

π
4

π
Figura 3.1: Seções cônicas: a circunferência, θ = 2

25
3.1. A circunferência

Definição 3.1.1. Seja C um ponto de P e r > 0. A circunfêrencia de raio r com centro


em C é o conjunto dos pontos P de P tais que d(P, C) = r.

P
P
r
C

Figura 3.2: Circunferência de raio r com centro em C

Na Definição acima, usando coordenadas, se C = (x0 , y0 ), então P = (x, y) pertence à


circunferência de raio r com centro em C se e somente se

(x − x0 )2 + (y − y0 )2 = r 2 . (3.1)

Exemplo 3.1.2. Calculemos a equação da circunferência circunscrita no triângulo de vértices


P1 = (−1, 1), P2 = (3, 5) e P3 = (5, −3).
Sejam ℓ1 a reta passando por P1 e P2 e ℓ2 a reta passando por P2 e P3 . Pela Equação
(2.3) temos que seus coeficientes angulares são, respectivamente

5−1 4
m1 = = =1
3 − (−1) 4

e
−3 − 5
m2 = = −4.
5−3
Agora, sejam A o ponto médio entre P1 e P2 e B o ponto médio entre P2 e P3 . Pela Equação
(1.2), tem-se  
−1 + 3 1 + 5
A = M (P1 , P2 ) = , = (1, 3)
2 2
e  
3 + 5 5 + (−3)
B = M (P2, P3 ) = , = (4, 1).
2 2
Sejam ℓ′1 a reta perpendicular a ℓ1 passando por A e ℓ′2 a reta perpendicular a ℓ2 passando
por B. Pela relação (2.16) temos que os coeficientes angulares de ℓ′1 e ℓ′2 são, respectivamente
m′1 = −1 e m′2 = 14 . Assim de (2.4) segue que

ℓ′1 : y = −1(x − 1) + 3 = −x + 4

e
1 1
ℓ′2 : y = (x − 4) + 1 = x.
4 4
26
Capı́tulo 3. Seções cônicas

Ou equivalentemente, (
ℓ′1 : y + x − 4 = 0
.
ℓ′2 : 4y − x = 0
Sabemos que o centro da circunferência é o ponto C de intersecção entre ℓ′1 e ℓ′2 . Se C =
(x0 , y0 ), tem-se (
ℓ′1 : y0 + x0 − 4 = 0
.
ℓ′2 : 4y0 − x0 = 0

Somando as duas equações acima, obtemos 5y0 − 4 = 0, isto é y0 = 54 . Substituindo y0 na


equação de ℓ′2 obtemos 16
5
− x0 = 0, ou seja x0 = 16
5
. Finalmente, o raio da circunferência é
r = d(C, P3). Assim
 2  2  2  2
2 2 16 4 21 1 442
r = d(C, P3) = −1 − + 1− = + = .
5 5 5 5 25

Portanto a equação da circunferência é


 2  2
16 4 442
x− + y− = .
5 5 25

ℓ′1

P2

ℓ2

A
ℓ1
ℓ′2

P1
B
C

ℓ3

P3

Figura 3.3: Circunferência circunscrita no triângulo △(P1 , P2 , P3 ).

Consideremos a Equação (3.1). Desenvolvendo os quadrados no lado esquerdo de (3.1),

27
3.1. A circunferência

obtemos a seguinte expressão equivalente

x2 + y 2 + (−2x0 )x + (−2y0 )y + (x20 + y02 − r 2 ) = 0.

Reciprocamente, consideremos uma equação da forma

x2 + y 2 + Dx + Ey + F = 0, (3.2)

onde D, E e F são constantes. Completemos quadrados no lado esquerdo de (3.2):


2
D2 D2 D2

2 D2 D
x + Dx = x + 2 x + − = x+ −
2 4 4 2 4

e 2
E2 E2 E2

2 E2 E
y + Ey = y + 2 y + − = y+ − .
2 4 4 2 4
Assim a Equação (3.2) é equivalente a
2  2
D 2 + E 2 − 4F

D E
x+ + y+ = .
2 2 4

Em particular, temos mostrado o seguinte resultado

Teorema 3.1.3. A Equação (3.2) representa uma circunferência se e somente se

D 2 + E 2 − 4F
> 0.
4

D 2 +E 2 −4F
Nesse caso, o raio e o centro da circunferência são, respectivamente, r = 2
e
C = − D2 , − E2 .


2 2
Observação 7. Note que, se D +E4 −4F = 0 o único ponto que satisfaz a Equação (3.2) é
2 2
P0 = − D2 , − E2 . Além disso, se D +E4 −4F < 0, nenhum ponto do plano satisfaz a Equação


(3.2).

Exemplo 3.1.4. Considere a seguinte equação:

x2 + y 2 − 8x − 6y + 20 = 0. (3.3)

Vejamos que (3.3) representa uma circunferência. Com efeito, completemos quadrados no
lado esquerdo de (3.3):

x2 − 8x = x2 − 2(4x) + 42 − 42 = (x − 4)2 − 16

e
y 2 − 6y = y 2 − 2(3y) + 32 − 32 = (y − 3)2 − 9.

28
Capı́tulo 3. Seções cônicas

Assim (3.3) é equivalente a

(x − 4)2 + (y − 3)2 − 16 − 9 + 20 = 0,

isto é
(x − 4)2 + (y − 3)2 = 5.

Logo a Equação (3.3) representa uma circunferência de raio r = 5 e centro em C = (4, 3).

ℓ′

P1


C

Figura 3.4: Reta tangente a uma circunferência.

Consideremos a circunferência de raio r e com centro em C = (x0 , y0 ). Então sua equação


é da forma
(x − x0 )2 + (y − y0 )2 = r 2 .

Sejam P1 = (x1 , y1 ) um ponto nessa circunferência e ℓ′ a reta passando pelos pontos C e P1 .


A equação de ℓ′ é da forma

(y1 − y0 )(x − x0 ) − (x1 − x0 )(y − y0 ) = 0,

ou seja
(y1 − y0 )x − (x1 − x0 )y + (x1 − x0 )y0 − (y1 − y0 )x0 = 0.

Sabemos que se ℓ é a reta tangente à circunferência passando por P1 então ℓ e ℓ′ são per-
pendiculares e intersectam em P1 . Portanto a equação de ℓ é da forma

(x1 − x0 )x + (y1 − y0 )y + D = 0.

29
3.1. A circunferência

Mas, como P1 pertence à circunferência, temos que

0 = D + (x1 − x0 )x1 + (y1 − y0 )y1 = D + (x1 − x0 )2 + (y1 − y0 )2 + x0 (x1 − x0 ) + y0 (y1 − y0 ).

Ou seja
D = −(r 2 + x0 (x1 − x0 ) + y0 (y1 − y0 )).

Portanto a equação de ℓ é

(x1 − x0 )(x − x0 ) + (y1 − y0 )(y − y0 ) − r 2 = 0.

Resumindo, temos o seguinte resultado

Teorema 3.1.5. Consideremos a circunferência de raio r com centro em C = (x0 , y0 ). Se


P1 = (x1 , y1 ) é um ponto na circunferência, então a equação da reta tangente à circun-
ferência passando por P1 é

(x1 − x0 )(x − x0 ) + (y1 − y0 )(y − y0 ) − r 2 = 0. (3.4)

Exemplo 3.1.6. Consideremos a circunferência do Exemplo 3.1.4, i.e.,

(x − 4)2 + (y − 3)2 = 5.

Calculemos a equação da reta tangente à circunferência que passa pelo ponto P1 = (3, 5).
Por (3.4) esta é da forma

(3 − 4)(x − 4) + (5 − 3)(y − 3) − 5 = 0.

Simplificando a equação acima obtemos

−x + 2y + 4 − 6 − 5 = 0.

Ou equivalentemente
x − 2y + 7 = 0.

30
Capı́tulo 3. Seções cônicas

3.2 A elipse

C

P
θ

π
4

π
Figura 3.5: Seções cônicas: a elipse, 4
< θ < π2 .

Definição 3.2.1. Sejam F1 e F2 dois pontos (diferentes) de P. Se r é qualquer número


real com r > d(F12,F2 ) , então o conjunto dos pontos P de P tais que

d(F1 , P ) + d(F2 , P ) = 2r

é chamado elipse com focos F1 e F2 e raio maior r.


Ainda mais, se C = M (F1 , F2 ) o ponto médio entre F1 e F2 dizemos C é o centro da
elipse e
1
c = d(F1 , F2 ) = d(F1 , C) = d(C, F2).
2
é chamada distância focal. A reta que contem os focos é chamada eixo focal. Os pontos de
intersecção entre a elipse e o eixo focal são chamados vérices principais. A reta perpendicular
ao eixo focal passando pelo centro é dita eixo normal. Os pontos de intersecção entre a elipse
e o eixo focal são chamados vérices auxiliares. Note que o raio maior é a distância do centro
aos vértices principais. A distância do centro aos vértices auxiliares é dita raio menor.
Finalmente, o quociente
c
e= ,
r
é chamado excentricidade da elipse.

Observação 8. Note que, na Definição 3.2.1, se tomarmos F1 = F2 então obtemos uma


circunferência. Por outro lado, se r ′ é o raio menor temos a seguinte relação

c2 + r ′ 2 = r 2 . (3.5)

Finalmente, a excentricidade e é um número real com 0 < e < 1. Assim, quanto mais
próximo e de 0 a elipse é mais próxima de uma circunferência e quanto mais próximo e de

31
3.2. A elipse

eixo focal

eixo normal
P F2 V2

V1′
r
C

V2′
F1 c

V1

Figura 3.6: Elipse com focos F1 e F2 e raio maior r.

1 a elipse é mais alargada (em relação ao eixo focal) e menos cumprida (em relação ao eixo
normal).

Exemplo 3.2.2. A seguir calcularemos a equação de uma elipse com centro na origem e
cujo eixo focal é o eixo x.
Sejam c > 0 e a > c. Sejam F1 = (−c, 0) e F2 = (c, 0). Descrevamos, usando coordena-
das, a elipse com focos F1 e F2 e raio maior a. Pela Definição 3.2.1, um ponto P = (x, y)
pertence a dita elipse se e somente se d(P, F1) + d(P, F2 ) = 2a, i.e,
p p
(x − (−c))2 + y 2 + (x − c)2 + y 2 = 2a.

A equação acima é equivalente a


p p
(x + c)2 + y 2 = 2a − (x − c)2 + y 2 .

Elevando ao quadrado a ambos os lados da última equação obtemos


p
(x + c)2 + y 2 = 4a2 − 4a (x − c)2 + y 2 + (x − c)2 + y 2 ,

isto é
p
4a (x − c)2 + y 2 = 4a2 + (x − c)2 + y 2 − (x + c)2 − y 2 = 4a2 − 4xc.

Dividindo por 4 e, de novo, elevando ao quadrado obtemos


p
(a (x − c)2 + y 2 )2 = (a2 − xc)2 .

32
Capı́tulo 3. Seções cônicas

Desenvolvendo as duas expressões em ambos os lados, segue que

a2 x2 − 2a2 cx + a2 c2 + y 2 = a4 − 2a2 cx + c2 x2 .

Simplificando temos
(a2 − c2 )x2 + a2 y 2 = a2 (a2 − c2 ).

Fazendo b2 = a2 − c2 e dividindo a última equação por a2 b2 , finalmente obtemos

x2 y 2
+ 2 = 1. (3.6)
a2 b

Note que a distância focal é c, o raio menor é b, o eixo normal é o eixo y, os vértices
principais são V1 = (−a, 0) e V2 = (a, 0), os vértices auxiliares são V1′ = (0, −b) e V2′ = (0, b)
e a excentricidade é e = ac .

V2′

b
V1 F1 C F2 V2 x
c a

V1′

Figura 3.7: Elipse com centro na origem e eixo focal igual ao eixo x.

Exemplo 3.2.3. Consideremos a elipse com centro C = (0, 0) e eixo focal igual ao eixo x.
Se um dos seus focos é F1 = (−3, 0) e sua excentricidade é e = 12 , descrevamos a elipse.
Sabemos que a equação da elipse é da forma

x2 y 2
+ 2 = 1,
a2 b

onde a > b. Temos que c = d(F1 , C) = 3, logo F2 = (3, 0) e como 21 = e = ac = a3 , segue


√ √
que a = 6. Mas a2 = b2 + c2 , i.e., 62 = b2 + 32 . Assim b = 36 − 9 = 25 = 5. Portanto a
equação da elipse é
x2 y2
+ = 1.
36 25
Os vértices principais são V1 = (−6, 0) e V2 = (6, 0) e os vértices auxiliares são V1′ = (0, −5)
e V2′ = (0, 5). Vide Figura 3.9.

Exemplo 3.2.4. A seguir calcularemos a equação de uma elipse com centro na origem e
cujo eixo focal é o eixo y.

33
3.2. A elipse
6
y
5
V2′
4

0 C x
-1 V1 F1 F2 V2
-2

-3

-4

-5
V1′
-6
-7 -6 -5 -4 -3 -2 -1 0 1 2 3 4 5 6 7

Figura 3.8: Elipse do Exemplo 3.2.3.

Sejam c > 0 e b > c. Sejam F1 = (0, −c) e F2 = (0, c). Descrevamos, usando coordenadas,
a elipse com focos F1 e F2 e raio maior b. Pela Definição 3.2.1, um ponto P = (x, y) pertence
a dita elipse se e somente se d(P, F1) + d(P, F2 ) = 2a, i.e,
p p
x2 + (y − (−c))2 + x2 + (y − c)2 = 2a.

Procedendo da mesma forma que no Exemplo 3.2.2 temos que a equação acima é equivalente
a
b2 x2 + (b2 − c2 )y 2 = b2 (b2 − c2 ).

Fazendo a2 = b2 − c2 e dividindo a última equação por a2 b2 , finalmente obtemos

x2 y 2
+ 2 = 1. (3.7)
a2 b

Note que a distância focal é c, o raio menor é a, o eixo normal é o eixo x, os vértices
principais são V1 = (0, −b) e V2 = (0, b), os vértices auxiliares são V1′ = (−a, 0) e V2′ = (a, 0)
e a excentricidade é e = bc .

Observação 9. Note que, as equações (3.6) e (3.7) são iguais mas o significado das constantes
a e b depende de cada caso. Especificamente, nos dois casos estudados até agora a equação
da elipse é da forma
x2 y 2
+ 2 = 1.
a2 b
Onde o centro da elipse é a origem. Temos que, se a > b então o eixo focal é o eixo x, o

raio maior é a o raio menor é b, a distância focal é c = a2 − b2 e a excentricidade é e = ac .
Se b > a então o eixo focal é o eixo y, o raio maior é b o raio menor é a, a distância focal é

c = b2 − a2 e a excentricidade é e = cb .
Agora, suponhamos que os eixos da elipse são paralelos ao eixos coordenados e seu centro
é C = (x0 , y0 ). Sejam x′ e y ′ os eixos da elipse. Em relação às coordenadas (x′ , y ′). Dos

34
Capı́tulo 3. Seções cônicas
y

V2

b F2

V1′ C V2′ x
a
c
F1
V1

Figura 3.9: Elipse com centro na origem e eixo focal igual ao eixo y.

exemplos 3.2.2 e 3.2.4 temos que a equação da elipse é da forma

x′ 2 y ′ 2
+ 2 = 1.
a2 b

Assim usando a transformação de coordenadas


(
x =x′ + x0
,
y =y ′ + y0

temos que a equação da elipse é da forma

(x − x0 )2 (y − y0 )2
+ = 1.
a2 b2

Resumindo temos o seguinte resultado.

Teorema 3.2.5. A equação da elipse com eixos paralelos aos eixos coordenados, que tem
raio maior r, raio menor r ′ e centro em C = (x0 , y0) é da forma

(x − x0 )2 (y − y0 )2
+ = 1, (3.8)
a2 b2

onde a ,b > 0, r = max{a, b} e r ′ = min{a, b}. Neste caso os eixos da elipse são as retas

x − x0 = 0 (eixo principal se r = b e eixo normal se r = a )

e
y − y0 = 0 (eixo principal se r = a e eixo normal se r = b ).

Exemplo 3.2.6. Consideremos a elipse com vértices principais são os pontos V1 = (−3, −1)

e V2 = (−3, 7) e cuja distância focal é c = 2 3. Descrevamos a elipse. Temos que o
centro é o ponto C = M (V1 , V2 ) = (−3, 3) e o eixo focal é a reta x + 3 = 0. Como

35
3.2. A elipse

√ √ √
2 3 = d(F1 , C) = d(F2 , C), segue que F1 = (−3, 3 − 2 3) e F2 = (−3, 3 + 2 3). A reta
perpendicular a x + 3 = 0 passando por C é y − 3 = 0, assim a equação da elipse é da forma

(x + 3)2 (y − 3)2
+ = 1,
a2 b2

onde b > a. Temos que b = d(V1 , C) = d(V2 , C) = 4 logo, como b2 = a2 + c2 , i.e.,


√ √ √
42 = a2 + (2 3)2 , segue que a = 16 − 12 = 4 = 2. Portanto a equação da elipse é

(x + 3)2 (y − 3)2
+ = 1.
4 16

Os vértices auxiliares são V1′ = (−5, 3) e V2′ = (−1, 3). Vide Figura 3.10.
8
y
7
V2
6

5 F2
4

3
V1′ C V2′
2

0
F1 x
-1

-2 V1
-8 -7 -6 -5 -4 -3 -2 -1 0 1 2

Figura 3.10: Elipse do Exemplo 3.2.6.

Similarmente ao caso da circunferência, podemos calcular a equação da reta tangente a


uma elipse passando por um ponto desta a partir da equação da elipse.

Teorema 3.2.7. Se P1 = (x1 , y1 ) uma ponto da elipse com equação

(x − x0 )2 (y − y0 )2
+ = 1.
a2 b2

Então a equação da reta tangente à elipse passando por P1 é da forma

(x1 − x0 )(x − x0 ) (y1 − y0 )(y − y0 )


+ − 1 = 0. (3.9)
a2 b2

Exemplo 3.2.8. Consideremos a elipse do Exemplo 3.2.6

(x + 3)2 (y − 3)2
+ = 1.
4 16

Seja P1 = (−2, 3 + 2 3). Claramente, P1 pertence à elipse, pois

(−2 + 3)2 (3 + 2 3 − 3)2 1 12 1 3
+ = + = + = 1.
4 16 4 16 4 4
36
Capı́tulo 3. Seções cônicas

Assim, pela Relação (3.9), temos que a equação da reta tangente à elipse passando por P1
é da forma √
−2 + 3 3+2 3−3
(x + 3) + (y − 3) − 1 = 0,
4 16
ou seja √
1 2 3
(x + 3) + (y − 3) − 1 = 0.
4 16
Multiplicando por 16, a equação acima se transforma em
√ √ √ √ √
4(x + 3) + 2 3(y − 3) − 16 = 4x + 2 3y + 12 − 6 3 − 16 = 4x + 2 3y − (4 + 6 3) = 0.

Finalmente, dividindo por 2 obtemos


√ √
2x + 3y − (2 + 3 3) = 0.

8
y
7
P1
6

0 x
-1

-2
-8 -7 -6 -5 -4 -3 -2 -1 0 1 2

(x+3)2 (y−3)2

Figura 3.11: Reta tangente à elipse 4
+ 16
= 1 passando por P1 = (−2, 3 + 2 3).

Consideremos a Equação (3.8), que representa uma elipse com eixos paralelos aos eixos
coordenados
(x − x0 )2 (y − y0 )2
+ = 1.
a2 b2
Multiplicando a equação por a2 b2 obtemos

b2 (x − x0 )2 + a2 (y − y0 )2 = a2 b2 .

Assim, desenvolvendo as expressões (x − x0 )2 e (y − y0 )2 temos

b2 x2 + a2 y 2 + (−2b2 x0 )x + (−2a2 y0 )y − a2 b2 = 0.

Portanto a Equação (3.8) pode-se escrever da forma

Ax2 + Cy 2 + Dx + Ey + F = 0,

37
3.2. A elipse

onde A = b2 , C = a2 , D = −2b2 x0 , E = −2a2 y0 e F = −a2 b2 .


Reciprocamente, consideremos a equação

Ax2 + Cy 2 + Dx + Ey + F = 0, (3.10)

onde A, C > 0. Completando quadrados vemos que


2
D2

2 D
Ax + Dx = A x + −
2A 4A

e 2
E2

2 E
Cx + Ex = C y + − .
2C 4C
Portanto a Equação (3.10) é equivalente a
2 2
D2 E 2
 
D E
A x+ +C y+ = + − F.
2A 2C 4A 4C
2 2 1
Seja M = D4A
E
+ 4C − F . Suponhamos que M 6= 0. Multiplicando a última equação por M
,
vemos que (3.10) é equivalente a

D 2 E 2
 
x+ 2A
y+ 2C
M
+ M
= 1.
A C

Assim temos mostrado o seguinte resultado.

D2 E2
Teorema 3.2.9. A Equação (3.10) representa uma elipse se e somete se 4A
+ 4C
− F > 0.
−D −E

Neste caso, seus eixos são paralelos aos eixos coordenados, seu centro é C = ,
2A 2C
, e
q q
M 2 E2
seus raios são A
e M C
, onde M = D 4A
+ 4C − F.

Observação 10. Note que, se M = 0, então o único ponto que satisfaz a Equação (3.10) é
P0 = −D , −E . E se M < 0, então nenhum ponto do plano satisfaz a Equação (3.10).

2A 2C

Exemplo 3.2.10. Consideremos a equação seguinte:

x2 + 4y 2 + 2x − 12y + 6 = 0.

Vejamos que esta representa uma elipse. Com efeito, completando quadrados vemos que

3 2
x2 + 2x = (x + 1)2 − 1 e 4y 2 − 12y = 4 y −

2
− 9.

Assim a equação dada é equivalente a


 2
2 3
(x + 1) + 4 y − − 1 − 9 + 6 = 0,
2

38
Capı́tulo 3. Seções cônicas

ou seja  2
2 3
(x + 1) + 4 y − = 4.
2
Ou equivalentemente 2
(x + 1)2 y − 32
+ = 1.
4 1
Portanto, a equação dada representa uma elipse com centro em C = −1, 32 , eixo focal


y − 23 = 0, eixo normal x + 1 = 0, raio maior 2, raio menor 1, distância focal c = 3 e

excentricidade e = 23 .

4
y

0 x

-1
-4 -3 -2 -1 0 1 2

Figura 3.12: Elipse x2 + 4y 2 + 2x − 12y + 6 = 0.

Agora, consideremos uma elipse com centro C = (x0 , y0 ) e raios a e b. Suponhamos que
o eixo focal e uma reta com inclinação θ. Denotemos com x′′ o eixo focal e com y ′′ o eixo
normal. Nas coordenadas (x′′ , y ′′) a equação da elipse é da forma

x′′ 2 y ′′ 2
+ 2 = 1,
a2 b

ou equivalentemente
b2 x′′2 + a2 y ′′2 − a2 b2 = 0.

Sejam (x′ , y ′) novas coordenadas, onde x′ e a reta x − x0 = 0 e y ′ é a reta y − y0 = 0. Usando


a transformação de coordenadas (rotação)
( (
x′ = cos θ x′′ − sin θ y ′′ x′′ = cos θ x′ + sin θ y ′
⇔ ,
y ′ = sin θ x′′ + cos θ y ′′ y ′′ = − sin θ x′ + cos θ y ′

vemos que a equação da elipse nas coordenadas (x′ , y ′) é da forma

Ax′ 2 + Bx′ y ′ + Cy ′ 2 + F ′ = 0,

39
3.2. A elipse

onde 

 A =b2 cos2 θ + a2 sin2 θ


 B =2(b2 − a2 ) sin θ cos θ

. (3.11)


 C =a2 cos2 θ + b2 sin2 θ

 ′
F = − a2 b2

Finalmente, usando a transformação de coordenadas (translação)


(
x =x′ + x0
,
y =y ′ + y0

vemos que, a equação da elipse nas coordenadas (x, y) é da forma

Ax2 + Bxy + Cy 2 + Dx + Ey + F = 0, (3.12)

onde 

 D = − (2Ax0 + By0 )

E = − (2Cy0 + Bx0 ) . (3.13)

F =Ax20 + Bx0 y0 + C 2 y02 − a2 b2

Das relações (3.11) segue que B = (b2 − a2 ) sin 2θ e A − C = (b2 − a2 ) cos 2θ. Portanto

B
tan 2θ = .
A−C

y ′′ y y′

x′′

y − y0 = 0
θ x′

θ x

x − x0 = 0

Figura 3.13: Elipse com eixos não paralelos aos eixos coordenados.

Observação 11. Note que, comparando as equações (3.10) e (3.12), a diferença entre estas
e que na segunda aparece o termo Bxy. Esto diferencia as elipses que têm eixos paralelos

40
Capı́tulo 3. Seções cônicas

aos eixos coordenados e das que não.

Exemplo 3.2.11. Calculemos a equação da elipse com centro C = (1, 1), cujo eixo focal
tem inclinação θ = π4 , com raios a = 5 e b = 4. Com efeito, substituindo os valores de a,
b e θ em (3.11), vemos que a equação da elipse nas coordenadas (x′ , y ′), onde x′ e a reta
x − 1 = 0 e y ′ e a reta y − 1 = 0, é da forma

41 ′ 2 41
x − 9x′ y ′ + y ′2
− 400 = 0,
2 2

ou equivalentemente (multiplicando por 2)

41x′ 2 − 18x′ y ′ + 41y ′ 2 − 800 = 0.

Passando às coordenadas (x, y) obtemos

41(x − 1)2 − 18(x − 1)(y − 1) + 41(y − 1)2 − 800 = 0.

Finalmente, desenvolvendo as expressões (x − 1)2 , (x − 1)(y − 1) e (y − 1)2 obtemos

41x2 − 18xy + 41y 2 − 64x − 64y − 736 = 0.

7
y
6

2 5
4
1

0 x
-1

-2

-3

-4

-5
-5 -4 -3 -2 -1 0 1 2 3 4 5 6 7

Figura 3.14: Elipse 41x2 − 18xy + 41y 2 − 64x − 64y − 736 = 0.

41
3.3. A parábola

3.3 A parábola

P
C
θ

π
4

Figura 3.15: Seções cônicas: a parábola, θ = π4 .

Definição 3.3.1. Seja ℓ uma reta e F um ponto exterior a ℓ. O conjunto dos pontos P de
P tais que d(P, F ) = d(P, ℓ) é chamado parábola com foco F e diretriz ℓ. Se ℓ′ é a reta
perpendicular a ℓ passando por F , dizemos que ℓ′ é o eixo da parábola. Sejam C o ponto
de intersecção entre a diretriz e o eixo e V = M (C, F ), então V pertence à parábola e é
chamado vértice. A distância entre o vértice e o foco é dita distância focal
ℓ′

ℓ P

V F

Figura 3.16: Parábola com foco F e diretriz ℓ.

Exemplo 3.3.2. Seja p 6= 0. Consideremos a reta ℓ dada por x + p = 0 e o ponto F = (p, 0).
Calculemos a equação da parábola com diretriz ℓ e foco F . Com efeito, seja P = (x, y) um
p
ponto de P. Temos que d(P, ℓ) = |x + p| e d(P, F ) = (x − p)2 + y 2. Logo, P pertence a
tal parábola se e somente se
p
|x + p| = (x − p)2 + y 2 ,

isto é
(x + p)2 = (x − p)2 + y 2.

42
Capı́tulo 3. Seções cônicas

A equação acima é equivalente a

y 2 = (x + p)2 − (x − p)2 = 4px.

Assim a equação da parábola é


y 2 = 4px. (3.14)

Note que seu vértice é a origem e seu eixo é o eixo x. Também, a parábola ‘abre’ à direita
se p > 0 e à esquerda se p < 0.
y y
x+p=0 x+p=0

p>0 p<0

V F x F V x
p p −p −p

Figura 3.17: Parábola com foco F = (p, 0) e diretriz x + p = 0, casos p > 0 e p < 0.

Agora, consideremos a parábola com foco F = (x0 + p, y0) e diretriz x + p − x0 = 0.


Temos que o eixo é a reta y − y0 = 0. Sejam x′ e y ′ as retas x − x0 = 0 e y − y0 = 0,
respectivamente. Pelo Exemplo 3.3.2 a equação da parábola nas coordenadas (x′ , y ′) é

y′ 2
= 4px′ .

Logo, usando a transformação de coordenadas (translação)


(
x =x′ + x0
,
y =y ′ + y0

vemos que, a equação da parábola nas coordenadas (x, y) é da forma

(y − y0 )2 = 4p(x − x0 ). (3.15)

Note que o vértice da parábola é o ponto V = (x0 , y0 ).

43
3.3. A parábola
y
x + p − x0 = 0

p>0

V = (x0 , y0 ) y − y0 = 0
F = (x0 + p, y0 )
x

Figura 3.18: Parábola com vértice V = (x0 , y0 ) que abre à direita, p > 0.

Exemplo 3.3.3. Calculemos a equação da parábola com vértice V = (4, −1) com eixo
y + 1 = 0 que abre à esquerda e cuja distância do vértice ao foco é 3. Pela Relação (3.15) a
equação da parábola é
(y + 1)2 = −12(x − 4).

Note que seu foco é F = (1, −1) e sua diretriz é x − 7 = 0.


7
y
6

0 x
-1 F V
-2

-3

-4

-5

-6

-7

-8

-9
-2 -1 0 1 2 3 4 5 6 7 8

2
Figura 3.19: Parábola (y + 1) = −12(x − 4).

Exemplo 3.3.4. Seja p > 0. Considere a reta ℓ dada por y + p = 0 e seja F = (0, p).
Calculemos a equação da parábola com diretriz ℓ e foco F . Dado um ponto P em P, temos
p
que d(P, ℓ) = |y + p| e d(P, F ) = x2 + (y − p)2 . Assim P pertence à parábola se e somente
se
p
|y + p| = x2 + (y − p)2 ,

44
Capı́tulo 3. Seções cônicas

isto é
(y + p)2 = x2 + (y − p)2 .

A equação acima é equivalente a

x2 = (y + p)2 − (y − p)2 = 4py.

Assim a equação da parábola é


x2 = 4py. (3.16)

Note que seu vértice é a origem e seu eixo é o eixo y. Também, a parábola ‘abre’ para cima
se p > 0 e para baixo se p < 0.
y y

p>0 p<0

F y+p=0
V p x V −p x
p F −p
y+p=0

Figura 3.20: Parábola com foco F = (0, p) e diretriz y + p = 0, casos p > 0 e p < 0.

Agora, consideremos a parábola com foco F = (x0 , y0 + p) e diretriz y + p − y0 = 0.


Temos que o eixo é a reta x − x0 = 0. Sejam x′ e y ′ as retas x − x0 = 0 e y − y0 = 0,
respectivamente. Pelo Exemplo 3.3.4 a equação da parábola nas coordenadas (x′ , y ′) é

x′ 2
= 4py ′.

Logo, usando a transformação de coordenadas (translação)


(
x =x′ + x0
,
y =y ′ + y0

vemos que, a equação da parábola nas coordenadas (x, y) é da forma

(x − x0 )2 = 4p(y − y0 ). (3.17)

Note que o vértice da parábola é o ponto V = (x0 , y0 ).

45
3.3. A parábola
y
x − x0 = 0

p>0

F = (x0 , y0 + p)

V = (x0 , y0 )
y + p − y0 = 0
x

Figura 3.21: Parábola com vértice V = (x0 , y0 ) que abre para cima, p > 0.

Exemplo 3.3.5. Calculemos a equação da parábola com vértice V = (1, −1), eixo x−1 = 0,
cuja distância focal é 2 e que abre para cima. Pela relação 3.17 a equação da parábola é

(x − 1)2 = 8(y + 1).

Note que seu foco é F = (1, 1) e sua diretriz é y + 3 = 0.


9

8
y
7

1 F
0 x
-1 V
-2

-3

-4
-8 -7 -6 -5 -4 -3 -2 -1 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10

2
Figura 3.22: Parábola (x − 1) = 8(y + 1).

Teorema 3.3.6. Se P1 = (x1 , y1 ) é um ponto da parábola com equação

(x − x0 )2 = 4p(y − y0 ) respectivamente, (y − y0 )2 = 4p(x − x0 ).

Então a equação da reta tangente à parábola passando por P1 é da forma

(x1 − x0 )(x − x0 ) − 2p(y − y1 ) = 0 respectivamente, 2p(x − x1 ) − (y1 − y0 )(y − y0 ) = 0.

46
Capı́tulo 3. Seções cônicas

Exemplo 3.3.7. Considere a parábola do Exemplo 3.3.5

(x − 1)2 = 8(y + 1).

Seja P1 = (5, 1). Temos que (5 − 1)2 = 8(1 + 1), logo P1 pertence à parábola. Pelo Teorema
3.3.6 a reta tangente à parábola passando por P1 é

(5 − 1)(x − 5) − 4(y − 1) = 0,

1
multiplicando a equação acima por 4
obtemos

x − 5 − y + 1 = 0,

isto é
x − y − 4 = 0.

9
8
y
7
6
5
4
3
2
1
P1
0 x
-1
-2
-3
-4
-8 -7 -6 -5 -4 -3 -2 -1 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10

Figura 3.23: Reta tangentae à parábola (x − 1)2 = 8(y + 1) passando por P1 = (5, 1).

Consideremos a Equação (3.17). Dessenvolvendo a expressão (x − x0 )2 e substaindo


4p(y − y0 ) obtemos
x2 − 2x0 x + x20 − 4py + 4py0 = 0.

Analogamente a Equação (3.15) é equivalente a

y 2 − 2y0 y + y02 − 4px + 4px0 = 0.

Assim vemos que a equação de uma parábola com eixo paralelo a algum dos eixos coorde-
nados é da forma
Ax2 + Dx + Ey + F = 0,

onde A = 1, D = −2x0 , E = −4p e F = x20 + 4py0 ou

Cy 2 + Dx + Ey + F = 0,

47
3.3. A parábola

onde A = 0, C = 1, D = −4p, E = −2y0 e F = y02 + 4px0 . Note que no primeiro caso E 6= 0


e no segundo D 6= 0.
Resiprocamente, consideremos a equação

Ax2 + Cy 2 + Dx + Ey + F = 0, (3.18)

onde A 6= 0, C = 0 e E 6= 0 ou A = 0, C 6= 0 e D 6= 0. Completando quadrados vemos que

D 2 D2
Ax2 + Dx = A x +

2A
− 4A
, se A 6= 0

e
E 2 E2
Cy 2 + Ex = C y +

2C
− 4C
, se C 6= 0.

Assim a Equação (3.18) é da forma


2
D2

D
A x+ + Ey + F − =0
2A 4A

ou equivalentemente 2
D 2 − 4AF
  
D E
x+ =− y+ ,
2A A 4AE
se A 6= 0, C = 0 e E 6= 0. Analogamente, se A = 0, C 6= 0 e D 6= 0 a Equação (3.18) é
equivalente a 2
E 2 − 4CF
  
E D
y+ =− x+ .
2C C 4CD
Isto mostra o seguinte resultado

Teorema 3.3.8. A Equação (3.18) representa uma parábola se e somete se


 A 6= 0, C = 0
D 4AF −D 2
e E 6= 0 ou A = 0, C 6= 0 e D 6= 0. No primeiro caso seu vértice é V = − 2A , 4AE ,
D
seu eixo é x + 2A = 0 e a distância focal é |−E|
4|A|
. No segundo caso seu vértice é V =
 
= 0 e a distância focal é |−D|
E 4CF −E 2 E
− 2C , 4CD , seu eixo é y + 2C 4|C|
.

Exemplo 3.3.9. Consideremos a equação

4x2 − 20x − 24y + 97 = 0.

1
Vejamos que esta representa uma parábola. Multiplicando a equação por 4
obtemos

97
x2 − 5x − 6y + = 0.
4
5 2 25
Completando quadrados, sabemos que x2 − 5x = x −

2
− 4
. Assim a equação acima e
equivalente a  2
5 25 97
x− − − 6y + = 0,
2 4 4

48
Capı́tulo 3. Seções cônicas

isto é  2
5
x− = 6(y − 3).
2
5 5 3

Segue que o vértice é V = 2
,3 o eixo é x − 2
= 0, a distância focal é 2
e a parábola abre
para cima.

10
y
9

5
F
4

3 V
2

0 x
-1

-2

-3
-5 -4 -3 -2 -1 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10

Figura 3.24: Parábola 4x2 − 20x − 24y + 97 = 0.

Agora, consideremos uma parábola com vértice V = (x0 , y0), tal que |p| é a distância
focal, para algum p ∈ R. Suponhamos que o eixo é uma reta com inclinação θ. Denotemos
com x′′ o eixo e com y ′′ a reta perpendicular ao eixo passando pelo vértice. Temos que nas
coordenadas (x′′ , y ′′ ) a equação da parábola é

y ′′ 2
= 4px′′ ,

ou seja
y ′′ 2 − 4px′′ = 0.

Sejam (x′ , y ′) novas coordenadas, onde x′ e a reta x − x0 = 0 e y ′ é a reta y − y0 = 0. Usando


a transformação de coordenadas (rotação)
( (
x′ = cos θ x′′ − sin θ y ′′ x′′ = cos θ x′ + sin θ y ′
⇔ ,
y ′ = sin θ x′′ + cos θ y ′′ y ′′ = − sin θ x′ + cos θ y ′

vemos que a equação da parábola nas coordenadas (x′ , y ′) é da forma

Ax′ 2 + Bx′ y ′ + Cy ′ 2 + D ′ x′ + E ′ y ′ = 0,

49
3.3. A parábola

onde 

 A = sin2 θ


B = − 2 sin θ cos θ





C = cos2 θ . (3.19)

D ′ = − 4p cos θ






 ′

E = − 4p sin θ
Finalmente, usando a transformação de coordenadas (translação)
y ′′ y y′

x′′

y − y0 = 0 θ x′

θ x

x − x0 = 0

Figura 3.25: Parábola com eixo não paralelo a algum dos eixos coordenados.

(
x =x′ + x0
,
y =y ′ + y0

vemos que, a equação da parábola nas coordenadas (x, y) é da forma

Ax2 + Bxy + Cy 2 + Dx + Ey + F = 0, (3.20)

onde 

 D =(D ′ − 2A)x0 − By0

E =(E ′ − 2C)y0 − Bx0 . (3.21)

F =Ax20 + Bx0 y0 + C 2 y02

Das relações (3.19) segue que B = − sin 2θ e A − C = − cos 2θ. Portanto

B
tan 2θ = .
A−C

Observação 12. Note que a diferença entre as equações (3.18) e (3.20) é que na segunda
aparece o termo Bxy. Isto diferencia as parábolas com eixo paralelo a algum dos eixos

50
Capı́tulo 3. Seções cônicas

coordenados das que que não.

Exemplo 3.3.10. Calculemos a equação da parábola com vétice na origem, eixo x − y = 0


√ √
e foco F = ( 2, 2). Com efeito a inclinação o eixo é θ = π4 . Sejam x′ e y ′ as retas x − y = 0
e x + y = 0 respectivamente. Nas coordenadas (x′ , y ′) a equação da parábola é

x′ 2 − 4 2y ′ = 0.

Substituindo o valor de θ em (3.19), vemos que a equação da parábola nas coordenadas


(x, y) é
1 2 1
x − xy + y 2 − 4x − 4y = 0.
2 2
Multiplicando a equação acima por 2 finalmente obtemos

x2 − 2xy + y 2 − 8x − 8y = 0.

5
y x−y = 0

F
1

0 x

-1

-2
-2 -1 0 1 2 3 4 5

2 2
Figura 3.26: Parábola x − 2xy + y − 8x − 8y = 0.

3.4 A hipérbole

51
3.4. A hipérbole


C

π
4

Figura 3.27: Seções cônicas: a hipérbole, θ = 0.

52
CAPÍTULO 4

Equação geral de segunda ordem

Como foi visto no Capı́tulo anterior, a equação de uma cônica (parábola, circunferência,
elipse ou hipérbole) no plano coordenado (x, y) é da forma

Ax2 + Bxy + Cy 2 + Dx + Ey + F = 0, (4.1)

onde A, B, C, D, E e F são constantes.

Observação 13. Note que, se A, B e C são simultaneamente iguais a zero, então a Equação
(4.1) representa uma reta:
Dx + Ey + F = 0,

a qual não é uma cônica.

Dividiremos nosso estudo da Equação (4.1) em dois casos, a saber, B = 0 e B 6= 0.

4.1 Caso B = 0

Temos que B = 0 se e somente se os eixos da cônica são paralelos aos eixos coordenados.
Nesse caso a Equação (4.1) é da forma:

Ax2 + Cy 2 + Dx + Ey + F = 0. (4.2)

Pela Observação 13, temos que se a Equação (4.2) representa uma cônica então necessari-
amente A e C não são simultaneamente iguais a 0. No decorrer dessa seção iremos supor
isso e estudaremos os casos seguintes: AC = 0 AC 6= 0 (AC > 0 e AC < 0).

53
4.1. Caso B = 0

4.1.1 Caso AC = 0

Caso A 6= 0 e C = 0

Se A 6= 0 e C = 0 então a Equação (4.2) se transforma em

Ax2 + Dx + Ey + F = 0. (4.3)

Observação 14. Note que, se E = 0 então a Equação (4.3) é da forma

Ax2 + Dx + F = 0.
√ √
2 2
D −4AF
Portanto, se D 2 − 4AF ≧ 0, obtemos as retas x = −D+ 2A e x = −D− 2A D −4AF
(as quais
são iguais se D 2 − 4AF = 0). Se D 2 − 4AF < 0 então a equação não representa nenhum
ponto do plano.

Pela Observação 14, se E 6= 0 a Equação (4.3) representa uma parábola que abre para
cima ou para baixo. Com efeito, completando quadrado a Equação (4.3) se transforma em
2
D 2 − 4AF
  
D E
x+ =− y−
2A A 4AE

Caso A = 0 e C 6= 0

Agora, se A = 0 e C 6= 0 então a Equação (4.2) se transforma em

Cy 2 + Dx + Ey + F = 0. (4.4)

Observação 15. Note que, se D = 0 então a Equação (4.4) é da forma

Cy 2 + Ey + F = 0.
√ √
−E+ E 2 −4CF −E− E 2 −4CF
Portanto, se E 2 − 4CF ≧ 0, obtemos retas y = 2C
ey= 2C
(as quais
2 2
são iguais se E − 4CF = 0). Se E − 4CF < 0 então a equação não representa nenhum
ponto do plano.

Pela Observação 15, se D 6= 0 a Equação (4.4) representa uma parábola que abre à
direita ou à esquerda. Com efeito, completando quadrado a Equação (4.4) se transforma em
2
E 2 − 4CF
  
E D
y+ =− x+
2C C 4CD

54
Capı́tulo 4. Equação geral de segunda ordem

4.1.2 Caso AC 6= 0

Suponhamos que AC 6= 0. Isto é equivalente a que A 6= 0 e C 6= 0. Nesse caso podemos


completar quadrados (em relação a x e y) na Equação (4.2) para obtermos
 2  2
D E
A x+ +C y+ = M, (4.5)
2A 2C

CD 2 +AE 2 −4ACF
onde M = 4AC
. Para saber que tipo de cônica representa a Equação (4.5),
precisamos estudar os sinais de A, C e M.

Caso AC > 0

Suponhamos que AC > 0. Isto é equivalente a dizer que A e C têm o mesmo sinal,
D 2 E 2
 
i.e. ambos são positivos ou ambos são negativos. Como x + 2A , y + 2C ≧ 0, então da
Equação (4.5) segue que ou M = 0 ou M tem o mesmo sinal que A e B.

Observação 16. Note que, se M = 0 então a Equação (4.5) representa um único ponto, a
D E

saber − 2A , − 2C .

Pela Observação 16, se a Equação (4.5) representa uma cônica, então necessariamente
M 6= 0. Neste caso Equação (4.5) representa uma elpise:

D 2 E 2
 
x+ 2A
y+ 2C
M
+ M
= 1,
A C

q
M M M
pois A
, C > 0. Em particular, se A = C, então obtemos uma circunferência de raio A
.

Caso AC < 0

Suponhamos que AC < 0. Isto é equivalente a dizer que A e B têm sinais opostos, i.e.
um deles é positivo enquanto o outro é negativo.

Observação 17. Note que, se M = 0 então a Equação (4.5) representa um par de retas.
Com efeito, suponhamos que A > 0 e C < 0 então −C > 0. Assim o membro esquerdo da
Equação (4.5) é uma diferencia de quadrados:

√ √ √ √
         
D E D E
A x+ + −C y + A x+ − −C y + = 0.
2A 2C 2A 2C
q q
− CA x + D E
e y = − − CA x + D
 
Portanto a equação acima representa as retas y = 2A
− 2C 2A

E
2C
. Se A < 0 e C > 0 verificamos facilmente a mesma conclução.

Pela Observação 17, se a Equação (4.5) representa uma cônica, então necessariamente

55
4.2. Caso B 6= 0

M 6= 0. Neste caso Equação (4.5) representa uma hipérbole:

D 2 E 2
 
x+ 2A
y+ 2C
M
+ M
= 1,
A C

M M
pois A
e C
têm sinais opostos.

4.2 Caso B 6= 0

Para estudarmos a Equação (4.1) faremos o seguinte. Consideremos a Equação (4.1) com
B 6= 0 e usemos uma rotação para transforma-la numa equação do tipo da Equação (4.2).
Com efeito, consideremos a mudança de coordenadas
(
x = x′ cos θ − y ′ sin θ
. (4.6)
y = x′ sin θ + y ′ cos θ

Substituindo (4.6) na Equação (4.1) obtemos

A′ x′2 + B ′ x′ y ′ + C ′ y ′2 + D ′ x′ + E ′ y ′ + F ′ = 0, (4.7)

onde



 A′ = A cos2 θ + B sin θ cos θ + C sin2 θ

B ′ = 2(C − A) sin θ cos θ + B(cos2 θ − sin2 θ)






 C ′ = A sin2 θ − B sin θ cos θ + C cos2 θ

. (4.8)



 D = D cos θ + E sin θ

E ′ = −D sin θ + E cos θ






 F′ = F

Da segunda equação em (4.8) junto com as identidades trigonométricas

cos 2θ = cos2 θ − sin2 θ


, (4.9)
sin 2θ = 2 sin θ cos θ

temos que B ′ = 0 se e somente se

B
tan 2θ = . (4.10)
A−C

56
Capı́tulo 4. Equação geral de segunda ordem

Ou seja

A−C
cos 2θ = p
(A − C)2 + B 2
. (4.11)
B
sin 2θ = p
(A − C)2 + B 2

Por outro lado, usando a primeira e a terceira equação em (4.8) junto com (4.9) e (4.11)
temos que

A′ + C ′ = A + C
p .
A′ − C ′ = (A − C) cos 2θ + B sin 2θ = (A − C)2 + B 2

Portanto, juntando as duas equações acima, finalmente obtemos:

4A′ C ′ = (A′ + C ′ )2 − (A′ − C ′ )2 = 4AC − B 2 .

O número ∆ = 4AC −B 2 é chamado discriminante da Equação (4.1). Em conclusão obtemos


o segunte resultado.

Teorema 4.2.1. Se A, B e C não são simultaneamente nulos, então a equação

Ax2 + Bxy + Cy 2 + Dx + Ey + F = 0,

representa uma parábola (ou duas retas paralelas) se 4AC − B 2 = 0, uma elipse (possivel-
mente uma cirunferência ou um ponto) se 4AC − B 2 > 0 e uma hipérbole (ou duas retas
não paraleas) se 4AC − B 2 < 0.

57
4.2. Caso B 6= 0

58

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