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Biografia de Eurico Gaspar Dutra

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2° M1

Eurico Gaspar Dutra

Arthur Ricardo
Samuel Reboli
Raiky Vando
Eurico Gaspar Dutra GCA (Cuiabá, 18 de maio de 1883 — Rio de Janeiro, 11 de
junho de 1974) foi um militar brasileiro, 16.º presidente do Brasil entre 1946 e 1951, sendo
o único presidente oriundo do atual estado do Mato Grosso.

Vida militar
Eurico Gaspar Dutra nasceu em Cuiabá no dia 18 de maio de 1883, filho de José Florêncio
Dutra, um comerciante modesto, ex-combatente na Guerra do Paraguai e Maria Justina
Dutra, Gaspar Dutra foi esposo de Carmela Telles Leite Dutra.
Em 1903, Dutra ingressou na Escola Preparatória e Tática do Rio Pardo, no Rio Grande do
Sul. Depois, foi para a Escola Militar da Praia Vermelha, onde participou da Revolta da
Vacina, e para a Escola de Guerra de Porto Alegre, onde foi declarado Aspirante a
Oficial em 1908.[1]
Em 1912 formou-se na Escola de Estado-Maior. Dutra não participou da Revolução de
1930, estando, na época, no Rio de Janeiro, tendo defendido a ambiguidade frente à
Revolução de 1930.
No período de 13 de maio de 1935 a 8 de dezembro de 1936, comandou a 1.ª Região
Militar, no Rio de Janeiro.[2] Nessa função, comandou a repressão à Intentona
Comunista nas cidades do Rio de Janeiro, Natal e Recife, durante o governo provisório
de Getúlio Vargas, que o nomearia Ministro da Guerra, em 5 de dezembro de 1936.
Nesse posto, cumpriu papel decisivo, junto com Getúlio Vargas e com o general Góis
Monteiro, na conspiração e na instauração da ditadura do Estado Novo, em 10 de
novembro de 1937 e na repressão aos levantes integralistas em 1938.[3][4] Permaneceu
como Ministro da Guerra até 3 de agosto de 1945, quando saiu do cargo para disputar a
eleição presidencial daquele ano.[5]
A 29 de janeiro de 1940 foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem Militar de
Avis de Portugal.[6]
Durante a Segunda Guerra Mundial, esteve entre os líderes militares que eram contra o
alinhamento do país com os aliados e um maior envolvimento do país no conflito.[7] Com
a participação do Brasil na guerra ao lado dos aliados, e as crescentes pressões da
sociedade civil pela redemocratização do país, Dutra aderiu formalmente à ideia do fim do
regime iniciado em 1930, sendo novamente expulso do ministério em 3 de agosto de 1945,
participando a seguir da deposição de Getúlio Vargas em outubro de 1945.[8]
Neste contexto, o líder deposto anunciou no mês seguinte seu apoio a Dutra, candidato do
exército, em detrimento do candidato da Aeronáutica, Eduardo Gomes, nas eleições que
se seguiriam.[9]
Promoções[10]

Patente Data

Aspirante a oficial 1908

Segundo-tenente 1910

Primeiro-tenente 1916
Capitão 1921

Major 1927

Tenente-coronel 1929

Coronel 1931

General de brigada 1932

General de divisão 1935

General de exército 1948

Marechal 1950

Presidente do Brasil

Posse de Eurico Gaspar Dutra como presidente da


República, 1946. Arquivo Nacional
Ver artigo principal: Governo Eurico Gaspar Dutra
Dutra candidatou-se pelo Partido Social Democrático (PSD), em coligação com o Partido
Trabalhista Brasileiro (PTB), e venceu as eleições de 2 de dezembro de 1945, com 3 351
507 votos, superando Eduardo Gomes da União Democrática Nacional e Iedo
Fiúza do Partido Comunista do Brasil. Para vice-presidente, a escolha recaiu sobre o
político catarinense Nereu Ramos, também do PSD, eleito pela Assembleia Nacional
Constituinte de 1946. (Quando Dutra foi eleito presidente, ainda estava em vigência
a constituição de 1937, que não previa a figura do vice-presidente.)
Dutra assumiu o governo em 31 de janeiro de 1946, juntamente com a abertura dos
trabalhos da Assembleia Nacional Constituinte, em clima da mais ampla liberdade. O pacto
constitucional surgiu do entendimento dos grandes partidos do centro liberal, o PSD e a
UDN, embora ali tivessem assento atuantes de bancadas de esquerda, como as do
Partido Comunista do Brasil (PCB) e PTB. Dutra não interferiu nas decisões, mesmo
quando teve seu mandato reduzido de seis para cinco anos, pois fora eleito na vigência
da Constituição de 1937 que previra mandato de 6 anos. O quinquênio presidencial, que
começara com a proibição dos jogos de azar no Brasil (abril de 1946), entraria no ano de
1948 em sua fase mais característica, marcada pelo acórdão do Tribunal Superior Eleitoral
que considerou fora da lei o PCB (1947) e depois pela ruptura de relações com a União
Soviética (1948).
A questão das reservas cambiais

Norte-americanos dão boas vindas ao presidente Dutra


nos Estados Unidos
A política comercial de Dutra foi criticada pela má utilização das divisas acumuladas no
curso da guerra. Na política externa, reforçou-se a aliança com os Estados Unidos. Eurico
Gaspar Dutra deixou o governo em 31 de janeiro de 1951.
O governo avaliou mal a situação das reservas. Em 1946, metade das reservas era
considerada estratégica, estava em ouro. A outra metade (US$ 235 milhões estava em
libras esterlinas bloqueadas) e apenas US$ 92 milhões eram realmente líquidos e
utilizáveis em países com moedas conversíveis. Uma das origens do problema: Brasil
tinha superávit com área de moedas inconversíveis e déficits com EUA e outros países de
moeda forte. Também, no pós-guerra não houve afluxo de capitais públicos ou privados
para o Brasil, que não era prioridade no novo contexto global.

 A taxa de câmbio sobrevalorizada, ao desestimular a oferta do produto,


poderia ser usada para sustentar os preços internacionais do café.
 O governo temia que alterações no câmbio aumentassem a inflação
doméstica.
 40% das exportações eram para as áreas de moedas inconversíveis, enquanto
o café representava mais de 70% das exportações para as áreas de moedas
conversíveis, então superávits comerciais adicionais na área inconversível
apenas pressionariam a base monetária.
Realizações administrativas
Livro de Posse do Tribunal Superior Eleitoral usado na posse de Gaspar Dutra

Inauguração pelo Presidente Eurico


Gaspar Dutra da Companhia Siderúrgica Nacional, 1946. Na esquerda da foto está o
então senador de Santa Catarina Nereu Ramos (Arquivo Nacional)
De caráter desenvolvimentista, Eurico Dutra reuniu sugestões de vários ministérios e deu
prioridade a quatro áreas: Saúde, Alimentação, Transporte e Energia (cujas iniciais
formam a sigla SALTE). Os recursos para a execução do Plano SALTE seriam
provenientes da Receita Federal e de empréstimos externos. Entretanto, a resistência da
coalizão conservadora e a ortodoxia da equipe econômica acabaram por inviabilizar o
plano, que praticamente não saiu do papel.
O governo de Dutra iniciou a construção e inaugurou a ligação rodoviária do Rio de
Janeiro a São Paulo, pavimentada, a BR-2, atual Rodovia Presidente Dutra, duplicada em
1967, e uma das mais importantes do país. Ao deixar o governo, a política rodoviária de
Dutra mereceu elogios da imprensa. Editorial do jornal A Noite afirmou que foi o setor que
mais "vultuosos e fecundos" resultados apresentaram, com a alegada construção de 500
km de estradas durante o governo.[11]
Junto com a sua mulher, por influência dela, criou a Maternidade Carmela Dutra, o nome
da sua mulher, localizada em Florianópolis, no Centro.
Foi com o Plano SALTE também, que Dutra abriu a rodovia Rio de Janeiro - Bahia e
instalou a Companhia Hidrelétrica do São Francisco (CHESF).
Foi durante sua gestão na Presidência da República que surgiram o Conselho Nacional de
Economia, as Comissões de Planejamento Regional e o Tribunal Federal de Recursos. Em
seu governo foi elaborado o Estatuto do Petróleo, a partir do qual tiveram início a
construção das primeiras refinarias e a aquisição dos primeiros navios petroleiros.
Durante seu governo foram extintos os territórios federais de Ponta Porã e Iguaçu. Visitou
os EUA, em 1950, sendo o primeiro presidente brasileiro a fazer esta visita (Júlio
Prestes havia visitado os EUA somente como presidente eleito).
Uma de suas medidas mais polêmicas foi a proibição dos jogos de azar no Brasil, em 30
de abril de 1946 assim acabando com os cassinos.
Em 18 de setembro de 1950 foi inaugurada a TV Tupi, a primeira emissora de televisão do
Brasil. Entre 24 de junho e 16 de julho daquele ano, o Brasil sediou a Copa do Mundo, em
cuja partida final a equipe do Uruguai derrotou o Brasil dentro do Estádio do Maracanã e
levantou o título de campeão mundial de futebol.
Ministros do Governo Dutra

Eurico Gaspar Dutra na Abertura da Copa do Mundo FIFA de 1950

 Ministro Chefe do Gabinete da Casa Civil: Gabriel Monteiro da Silva


 Aeronáutica: tenente-brigadeiro Armando Figueira Trompowsky de Almeida;
 Agricultura: Manuel Neto Campelo Júnior, Daniel Serapião de
Carvalho, Antônio Novais Filho;
 Educação e Saúde Pública: Ernesto de Sousa Campos, Clemente Mariani
Bittencourt, Eduardo Rios Filho (interino), Pedro Calmon Moniz de Bittencourt;
 Fazenda: Gastão da Costa Vidigal, Onaldo Brancante
Machado (interino), Pedro Luís Correia e Castro, Oscar Santa Maria
Pereira (interino), José Vieira Machado (interino), Ovídio Xavier de
Abreu (interino), Manuel Guilherme da Silveira Filho;
 Guerra: general Pedro Aurélio de Góis Monteiro, general Canrobert Pereira da
Costa, general Newton de Andrade Cavalcanti, vice-almirante José Maria
Neiva (interino);
 Justiça e Negócios do Interior: Carlos Coimbra da Luz, Benedito Costa
Neto, Adroaldo Mesquita da Costa, Honório Fernandes
Monteiro (interino), Adroaldo Tourinho Junqueira Aires (interino), José
Francisco Bias Fortes;
 Marinha: almirante Jorge Dodsworth Martins, almirante Sílvio Mascarenhas,
almirante Lara de Almeida (interino), almirante Sílvio de Noronha;

 Relações Exteriores: João Neves da Fontoura, Samuel de Sousa Leão


Gracie (interino), Raul Fernandes (interino), Hildebrando Pompeu Pinto Acioli
(interino), Ciro de Freitas Vale (interino);
 Trabalho, Comércio e Indústria: Otacílio Negrão de Lima, Francisco Vieira de
Alencar (interino), Morvan Dias de Figueiredo, João Otaviano de Lima
Pereira, Honório Fernandes Monteiro, Cândido Mota Filho (interino), Marcial
Dias Pequeno;
 Viação e Obras Públicas: Edmundo de Macedo Soares e Silva, Luís Augusto
da Silva Vieira (interino), Clóvis Pestana, João Valdetaro do Amorim e Melo.

Depois da presidência
Deixou a presidência em janeiro de 1951, mas continuou a participar da vida política
brasileira. Fez um pronunciamento importante em 1964, contra o governo João
Goulart que teve ampla repercussão entre os militares. Em 1964, logo após o golpe
militar contra João Goulart, tentou voltar à presidência, participando da eleição presidencial
de 1964, mas já estava por demais afastado do grupo militar dominante, sendo preterido
por Humberto de Alencar Castelo Branco. Foi um dos fundadores da Aliança Renovadora
Nacional em 1966, partido de sustentação à ditadura militar.[12]
Participou como Associado Honorário[13] do Rotary Club do Rio de Janeiro.[14]
Dutra tinha um problema de dicção onde trocava o fonema s por x.[15][16][17]
Faleceu em 11 de junho de 1974, na Cidade do Rio de Janeiro (ex-Estado da Guanabara),
com 91 anos, sendo o quarto mais longevo de todos os presidentes brasileiros, ficando
atrás somente de Venceslau Brás, José Sarney e Fernando Henrique Cardoso. Foi
sepultado no Cemitério de São João Batista no Rio de Janeiro.

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